Archive | dezembro 2010

2010, um balanço

Para o Projecto Memória Macaense (PMM) e o blog Crónicas Macaenses, 2010 foi um ano de renovação de visual e de conteúdo.  Os dois mudaram de aparência, até se parecendo um pouco um ao outro. O conteúdo, transferido do site e do blog anterior, de um modo, tem procurado no novo PMM dar uma nova configuração e editorial.  O blog ainda procura o seu caminho para não ficar tão ausente de postagens, tanto que serviu para falar do dia-a-dia do Encontro 2010, e ainda vai ser atualizado com o que vi e senti na minha curta estadia em Macau.

Não iria ao Encontro devido aos custos não recomendáveis ao bolso, mas o apoio aprovado na última hora, acabou criando condições para viajar e fazer a cobertura do evento, para que seja publicada de forma definitiva no PMM, enquanto ele existir.  Para cumprir o compromisso do apoio recebido, e também pela minha vontade, compareci a todos os eventos do programa oficial.  Em companhia da minha esposa Mia, prestigiamos e registramos o ocorrido em cada evento e que será progressivamente publicado no PMM e no Crónicas Macaenses.

Em 2011, o PMM caminhará para o seu 8º ano de vida em Junho.  Quer continuar com a renovação do seu conteúdo e editorial, na medida possível, sem promessas. Percebe que não é fácil desenvolver o trabalho tal como seu autor pretende, ainda mais do distante Brasil, do outro lado de mundo em relação a Macau.  Vai levando enquanto a saúde e a disposição permitir.  Não vive a preocupação do legado deste trabalho, pois sempre há alguém para ocupar o espaço, se bem que já existem outras publicações na Net que também cumprem bem o papel de falar de Macau e da sua gente macaense.

Agradece aos amigos e aos visitantes destas 2 publicações, bem como do MacaenseBR, que não será extinto mas com uma função ainda a ser designada pois me agrada a marca, pelo prestígio da vossa visita e espero que continue assim em 2011.  Também agradece a quem pode oferecer apoio sob qualquer aspecto, em situações quando necessário, como a viagem ao Encontro, pois as publicações não têm nenhum subsídio e nem vivem de patrocínios, comerciais ou não. Tudo é feito por um ideal do autor, que não tem preço.

Feliz Ano Novo a todos, e que seja repleto de felicidades, paz e que seja bom para a nossa comunidade macaense, de Macau e de todo o mundo.  Que continuemos a marcar a presença macaense , que continuem a nos prestigiar, pouco ou muito, não importa, mas que se perceba a importância da comunidade macaense/portuguesa em Macau e na diáspora.

um forte abraço de Rogério P.D. Luz e da esposa Mia

Conferência sobre a Língua Portuguesa?

Nos Encontros vemos, Conferência sobre o Patúa, Conferência  sobre a Gastronomia, e … que tal se houvesse uma Conferência sobre a Língua Portuguesa principalmente dirigida à comunidade macaense de língua inglesa? Uma conferência para destacar a importância da língua portuguesa como um legado a ser preservado.

Pois se falamos em preservar as nossas raízes, nossa cultura, “our heritage”, etc., então tudo isso tem que necessariamente passar pela língua portuguesa, que é a origem de tudo isso.  Se existe esta Macau de Encontros, é porque os portugueses, que falam o português, lá estiveram em Macau e criaram essas raízes ao longo dos 420 anos.

Temos que reconhecer que os falantes da língua inglesa, lá tiveram as suas origens em localidades em que não lhes foi proporcionado condições para o aprendizado do português, ou então, muitos perderam a prática por falta de uso (disso lamento do meu cantonense, mas esforço-me a relembrar …).  Daí, se o patuá é pitoresco para muitos, então o português também pode ser!  Talvez cultivasse o belo da nossa língua portuguesa e explicar a sua importância na preservação do nosso “heritage”.

Sobre isso, tive a sensação de estar numa espécie de “Torre de Babel” numa das conferências em que, 2 palestrantes falaram em português – muitos não entenderam!  Daí outros 2 palestrantes falaram em inglês – outros não entenderam – talvez menos, pois os de língua portuguesa, em grande parte, são bilingues, nem que, mais ou menos!

Um caso para se pensar a respeito, para sermos honestos conosco, quando falamos em “preservar” e esquecemos que temos que preservar a língua portuguesa!

Fim de festa – Encontro de 2010

Finalmente chegou ao fim, mais uma edição do Encontro das Comunidades Macaenses. O 4º da era RAEM e o 7º desde a sua criação.

A recepção foi diferente de outros eventos desta edição. O jantar foi realizado no espaço aberto em torno do Coliseu das Docas dos Pescadores (Fishermen Wharf), no lado externo, e dentro dele, onde se localiza o anfiteatro e arquibancadas. Contou com uma mão, se não o braço de São Pedro para que não chovesse, e nem fizesse frio. Uma noite muito agradável! Temperatura amena.

Ficou assim – as mesas dos convidados especiais ficaram dentro da área do Coliseu com visão direta do palco (as arquibancadas estavam apenas ocupadas pela equipe de gravação do video do Encontro), e do lado externo, fora do Coliseu, o público em geral, inclusive eu, esposa e amigos. E para estes e nós, estavam disponíveis dois telões com audio para assistir o que acontecia no palco lá dentro do Coliseu. Quem quisesse assistir ao vivo e em direto, poderia deslocar-se para a área de convidados, porém assistiria os espetáculos em pé. Interessante que quem estava na área interna vestia trajes a rigor e quem estava do lado de fora, vestia-se informalmente.

Obviamente que isto provocou certos comentários, mas vejamos o que aconteceu conforme umas fontes me informaram. Nesta época do ano, há muita procura por salões de festas para eventos diversos, como casamentos etc. Como a verba para a organização do Encontro foi liberada tardiamente, mais ou menos no início de Outubro, o Coliseu foi o único local disponível para locação.. Outros com capacidade para comportar tanta gente, estavam reservados. É sabido que para reserva de local de festas, é necessário deixar um depósito em garantia.

Como nos buffet de outros jantares, havia várias mesas de comida e sobremesas espalhadas pela área livre, e notava-se constante reposição até o final, de forma que não se saia da festa com fome. O meu deslocamento para o registo das cerimónias e shows, foi um tanto prejudicado pela minha localização, na última linha de mesas, praticamente “ao lado do mar”, afastado do interior do Coliseu. Era uma questão de jantar com minha esposa e amigos, para uma boa despedida do Encontro, ou ficar de pé, logo atrás da mesa de honra do Governador Rocha Vieira que compareceu a todos os eventos. Restou alguns registos do telão, e ocasionalmente uma corrida até lá para outras fotos ao vivo e em direto. Depois vou ver onde poderei colecionar algumas fotos faltantes para composição das páginas do PMM.

aguarde por mais fotos da festa ...

 

Houve o lançamento de livro de fotos de Encontros anteriores pelo JTM, entrega de lembranças às Casas e associações, estendidas aos artistas e outros participantes de destaque. Apresentaram-se no palco, a portuguesa de Califórnia, Ramana Vieira com a Tuna Macaense, José Badaraco, The Mystics, Charlie Santos e o coral Vozes de Macau que teve a apresentação bastante prejudicada pelo baixo volume do som. Nada se ouvia do lado externo pelo telão, salvo aqueles mais próximos dos alto falantes, levemente mais beneficiados. O operador da mesa de som bem que se esforçou para aumentar o volume, mas o resultado era um estridente som da microfonia. Espero que no geral o coral com 19 integrantes tenha agradado a todos, pois foram meses de ensaio, levando com eles um leque de músicas de todos os géneros, fora do grande investimento e subsídio extraordinário para que todos pudessem viajar.

Para encerrar a festa, a Tuna Macaense voltou ao palco para encerrar a festa, enquanto o povo já começava a abandonar o local para tomar seus buses para o hotel. Antes, muitos tomaram o espaço interno do Coliseu para dançar e assistir os últimos shows ao vivo, após terem sido removidas as mesas reservadas para convidados especiais, e de alguns nada especiais a ocupar uma ou outra cadeira vaga.

E com isso, o Encontro de 2010 acabou. “The 2010′ meeting is finished”, aqui eu tentando ser coerente com o que mais se viu no Encontro, um misto de língua inglesa e portuguesa, pois lá estava gente que só falava inglês, e aqueles que dominavam o português, que também conheciam a língua do Tio Sam ou da Queen Elizabeth, embora havendo várias exceções.

Já nas despedidas, a pergunta mais comum era, “quando partes/ou você parte?” Muitos no dia seguinte, na 2ª feira, outros na 3ª, outros na 4ª, dia 8, que nem eu! Tem outros que vão ficar o Dezembro todo, alguns até Janeiro. Penso que, a 2ª feira deve ter sido um tumulto no embarque e check-in do jet foil para o aeroporto de Hong Kong.

Num rápido balanço, posso dizer que o Encontro de 2010 foi um sucesso, com um ótimo número de participantes, só tendo alguma restrição da disposição do local da festa de encerramento

E com a esperança de poder retornar a Macau em 2013, encerro as postagens direto de Macau e tomo o caminho de volta para São Paulo, Brasil. Aos poucos vou atualizando as postagens feitas, com fotos. O site Projecto Memória Macaense será também atualizado no seu espaço para os Encontros, com publicações que são preservadas em caráter permanente. Fiz algumas gravações em video, especialmente dos shows, que estudarei a forma de divulgação no que me for possível.

De Macau, antes da viagem, o meu muito obrigado para quem visitou este blog neste período. Voltem sempre pois tenho muito para escrever desta minha vivência em Macau de 14 dias. Parecem muitos dias, mas foram poucos para o que pretendia fazer, e parto com dívidas comigo mesmo.

Boas Festas!

Foi o penúltimo dia – Encontro 2010

O penúltimo evento do Encontro foi dedicado à juventude, que logo cedo tiveram atividades exclusivas. Até foi realizado uma disputa de bowling cujos premios foram entregues no jantar. Apesar de estarem em número reduzido em relação aos setentões, sessentões, enfim os mais velhos, via-se pelo menos 2 mesas na 1ª fila reservadas a eles. Já se fala para o ano que vem, o 2º encontro dos jovens. Espero que todo este esforço, possa contribuir para a conscientização do importante papel deles no futuro da nossa comunidade e das Casas.

Desta vez o jantar foi na Torre de Macau com um buffet muito bom, embora nesta altura a gente até sentia certa dificuldade para ter fome, de tanto que se come nesta terra da RAEM. E, para homenagear a juventude, a 1ª apresentação da noite foi da Ysabelle Capitule, que veio nos explicar o porque de ter conseguido sucesso nos EUA com a sua dança hip hop. Foi só um número mas marcou bem a sua presença no Encontro!

Seguiu-se a banda do Fred “Pau Pau” Ritchie, com ele a amargar e a explicar toda hora que perdeu a voz. Talvez um resfriado/constipação? Mas que azar, justamente ele que adora tudo isso! No entanto não poderia deixar de estar no palco e os cantores se revezaram entre os músicos da banda meio família para substitui-lo nos vocais. O Pau Pau fazia algumas intervenções, mas … mesmo com a voz rouca e irreconhecível, cantou de qualquer jeito aquelas 2 músicas que ele ama. Veio a do Beach Boys “apapaumpaupau” (depois descubro o nome certo dela) e a obrigatória Pense em Mim cantada em 3 línguas, alertando ter sido cantada para uma audiência televisiva de mais de 1 milhão de pessoas no Brasil. Por acaso vi esta apresentação dele na tv brasileira num programa de grande audiência.

Anunciou-se logo em seguida “The Flipsiders”, sem o “New”. O cantor era diferente ao que eu estava acostumado a ver. Infelizmente pouco posso comentar pois não resido em Macau, bem como pouco sei e pouco me falam. Além de não ter tido oportunidade para conversar com os seus integrantes. Gostei da apresentação, que além de fotografar também filmei.

Repetindo o show da festa de boas vindas, os irmãos Oliveira voltaram a se apresentar, porém com uma banda. Nela estava o Amante, nos teclados, que até comentei com ele que, nos anos 60, quando passava pela sua casa perto do Império, espreitava pela janela a banda dele a ensaiar. Boas recordações! E os Oliveiras, interessante, conseguem cativar e envolver o público. Talvez pelo seu popular repertório. E o público dançava!

E para encerrar a festa, sobe ao palco, o Rudy Sousa, Elvis de Macau, com um novo traje, e como ele investiu na roupagem! Cada dia um diferente, e muito vistosos! A minha esposa ficava maravilhada. Com esta sua último apresentação, fiquei convencido que para o Rudy, o Encontro de 2010 foi talvez o maior sucesso da sua carreira. Das vezes que vi suas apresentações em Macau, nunca vi tamanho envolvimento do público com a sua pessoa, querendo abraça-lo, fotografar com ele, jogando rosas, manifestações de carinho, até subir no palco para cantar junto.  Parecia que o público via o Elvis real, em pessoa. De facto, como escrevi no artigo sobre Rudy no JTM, podemos dizer “yes, nós temos Elvis”. O “nós” seria nós os macaenses. E parece que o público convenceu-se disso, embora não sei quantos leram aquele artigo. Gostei mesmo do sucesso do Rudy. Foi o máximo!

aguarde por mais fotos da festa ...

E como de praxe, apesar da Isa tentar convencer as pessoas que o aviso dos autocarros disponíveis para a volta aos hotéis, não significava o fim da festa, o público começava abandonar o salão e o Elvis encerrava a sua apresentação. O dia seguinte, sábado, era “folga” para os participantes do Encontro, com todos a pensar no encerramento do Encontro no domingo. Era hora de arrumar as malas, prontos para viajar de volta para casa na segunda, como normalmente acontece para muitos!

Um dia de gastronomia – Encontro 2010

No seu 6º dia de atividades, 2 de Dezembro foi o dia recheado de gastronomia macaense. Logo cedo, às 9 e tal, o autocarro/bus já nos levou para Mong Há onde se realizaria a conferência. Com uma boa platéia, pouco maior que a do patuá, pude comprovar que a gastronomia de um modo desperta mais atenção, pois afinal mexe com um dos maiores prazeres do ser humano. Comer! Saboerar! Deliciar!

Já lá as palestrantes macaenses nos trouxeram boas lembranças do passado, a falar de muitos pratos que provocaram delírios na platéia, com o representante da confraria do Algarve a apresentar um video turistico da região, mais focado no natureza. O Luís Machado ficou muito à vontade para comandar a conferência, embora incomodado, como a maioria, pelos telefones móveis/celulares que insistiam marcar presença. Por outro lado, senti um otimismo um pouco maior nesta preferência nacional macaense, para a sua classificação como Património Intangível da Unesco. Pareceu-me que tem melhor base e estrutura de apoio para esta finalidade. Vamos torcer para que a iniciativa seja bem sucedida.

Depois dos participantes enfrentarem uma pequena subida íngreme, os participantes na maior parte com certa idade, alcançaram o restaurante do Instituto de Formação Turística. Todos vivos, mesmo que a batida de coração tenha aumentado um bocado! O almoço no lugar onde se aprende a arte de cozinhar, merece todos os elogios. Um dos melhores sabores experimentados em Macau. Penso que não é à toa que desfruta de boa fama no Oriente!

À noite, a recepção foi novamente no monumental Hotel Grand Hyat, ao lado desta City of Dreams que ainda preciso conhecer, embora lá sei se vai dar tempo. Alegrava os olhos ver o desfile dos confrades da gastronomia com seus trajes típicos. O salão encheu-se de gente!

Foi muito interessante ver toda a cerimónia das confrarias que devem ter lido nos jornais. Só fiquei um pouco preocupado, quando muita gente estava no palco para a parte final quando “assinavam em baixo” os acordos. Talvez mais de 50! Pensava que se a base iria resistir, mas ainda bem que tudo deu certo e a estrutura era resistente e bem montada.

aguarde por mais fotos da festa ...

 

Achei interessante os restaurantes Long Kei, Fat Siu Lau e Solmar serem conferidos com o título de confrades extraordinários. Merecem pela tradição de seus nomes e lugares.

Agora enquanto estava na fila da comida, iniciou-se a programação com o grupo de dança folclórico português com muitos rostos orientais. Até conseguir chegar na minha mesa e apanhar a minha câmera fotográfica e de video, o grupo despedia-se. Foi uma pena!

Na verdade, antes já assistimos a um “show”. Um confrade da CEUCO a cantar o hino deles. Um soprano com uma voz que até podia quebrar um copo de vidro. Bela apresentação que merceu muitos aplausos.

Em seguida, José Luís Pedruco Achiam cantou a canção tema da peça em patuá do Dóci Papiaçam (que era aguardado para o Encontro mas acabou cancelado). Uma excelente performance que aponta um dos novos talentos musicais macaense.

A Elsa Denton apareceu no palco com 2 dançarinos e fez o seu 2º show. Aliás foi acertado que os artistas fariam no máximo 2 apresentações, salvo uma exceção ou outra. A Elsa é eficiente no palco, que até me perguntaram se ela era profissional. Ficou a pergunta sem resposta!

Com o seu teclado situado no meio do palco, Armando Santos também apresentou-se pela 2ª vez. Pensei que ele iria lançar o seu novo cd. No entanto, ouvimos novas interpretações do Armando que sempre nos agrada.

Já a Tuna Macaense com sua roupagem preta no lugar do vermelho, também apresentava-se pela 2ª vez. A Tuna dispensa comentários. São profissionais com qualquer formação.

E enquanto estava a fotografar e também participar do grupo de ex-moradores de São Lourenço, a Ramana Vieira junta-se à Tuna e canta “Macau” (de Rigoberto Rosário Jr.), num tom baixo e um tanto diferente em certas entonações principalmente nas partes finais de certos trechos da canção. Em tempo consegui filmar a apresentação. Ouvi dizer, e concordo, uma das melhores interpretações de Macau já ouvidas. Depois com toda a justiça, cantou outras canções com a sua bela e possante voz. Justiça porquê? Lembrem-se que noutra postagem falei que ela cantou sem acompanhamento musical? Para cumprir o seu compromisso, coisa que pouco artista aceitaria fazer!

Relembrando os anos dourados de 60, finalmente aparece o Michael Remedios (sem acento no “e”) e seu ressuscitado conjunto The Mystics. Cantou umas canções antigas que tanto queriamos ouvir e também outros sucessos. Muito bom!!! E foi a última apresentação do dia.

Como já se tornava habitual, o povo saia antes do final do show dos The Mystics, pois aquele velho anúncio que os autocarros/bus já estavam disponíveis para nos levar ao hotel, era o sinónimo de fim de festa!!! E o povo todo já se apressava para não perder o bus.

O Encontro 2010 já no último dia

Ainda faltam postagens de eventos anterior que logo farei.  Foi tudo ótimo. Isso pela falta de tempo para sentar e escrever, além do cansaço físico e mental que toma conta da gente, pois afinal de contas estou em viagem e movimento desde 19/11 e já lá nãosou tão jovem assim.

Hoje, 05/12, posso dizer que o Encontro 2010 foi um sucesso.  Os eventos na medida certa e de boa qualidade. Ah, escrevo do restaurante do Hotel Sintra, com muita malta a conversar à volta.  Um ambiente tipicamente macaense.

Encerro por aqui às 09.45hrs e já tenho que sair pela cidade de Macau totalmente cheia de gente … e como Macau agora tem tanta gente !!! Eu que vivo em São Paulo com mais de 10 milhões de habitantes, sinto o peso das pessoas se atropelarem em certas vias da cidade.  Até a próxima!

e.t. – o relógio do meu computador está no horário brasileiro por motivos profissionais.  Assim ao verem postagens com datas diferentes, não há erro.

Uma festa participativa – Encontro 2010

A programação do 1º dia de Dezembro começou cedo, às 09:30hrs, no Monumento da Diáspora. Além dos necessários participantes, os presidentes das Casas e associações, houve até um bom número de pessoas que foram lá só para assistir, o que não é habitual.

Depois da foto oficial do grupo, todos rumaram para a Sé Catedral, onde foi celebrada missa em homenagem a Nossa Senhora Padroeira da Comunidade Macaense. A igreja estava completamente lotada.

A cerimónia conduzida em português fez despertar memórias dos meus tempos em Macau, especialmente nos anos 60, quando,miúdo, ia à missa com meus pais. Lá ainda vestia calças curtas com sapato social meio esportivo. Nada de ténis (pó ái ou chau lou si), que naqueles tempos esava fora de moda e até podia ser criticado. Depois da missa, o pai levava-nos tomar o pequeno almoço (café da manhã) que podia ser no Nosso Café ou um Dim Sum no Hotel Central, ou ainda no Solmar. Ah, que saudades! Na igreja, pude rever um antigo colega do Seminário.

Para o almoço, fomos com o casal Mendonça, experimentar o fast food chinês no novo Yo Han, perto do Hotel Sintra. Um belo shopping com 9 andares. Uma padaria de dar inveja a muitas de São Paulo pela boa qualidade dos pães, bem como um supermercado de tudo o que desejavamos que tivesse em São Paulo. Surpreendeu-me o bom atendimento e a simpatia dos funcionários do shopping. Sempre prestativos e com um sorriso na boca. Penso, Macau mudou um bocado! Como se pensaria que boa parte das lojas têm sempre alguém que fale o inglês, para os infortunados que perderam a prática de falar o cantonense, como eu. Sente-se que uma nova geração de chineses esta a assumir várias posições profissionais.

chá gordo

Talvez uma das melhores festas do Encontro, aquela que as pessoas se divertem mais, se juntam e se confraternizam melhor. Sem luxo, nem mesas, mas contato humano e música sem palco. O artista em contato com o povo. Sem falar no chá gordo que assusta pela fartura e variedade, além de … huumm, uma delícia. Tudo isto na Escola Infantil, ao lado do Jardim da Flora e o prédio da Apim. Desfilaram pelo espaço musical, o José Badaraco (Canadá) numa excelente apresentação solo, até a cantar música brasileira e do Roberto Carlos. O público vibrava e cantava junto. Depois veio o Charlie Santos que se apresentava pela 1a. Vez em Macau. Era para vir em 2007. O Charlie ou Canicha, seu alcunha/apelido, gosta deste contato com o público. Sentiu-se à vontade e cantou até, com o seu back. Era uma alegria só! Um repertório de músicas conhecidas dos velhos tempos, que todos cantam junto. O Charlie já me adiantava esta receita e acertou em cheio. Envolveu-se com o público e foi muito aplaudido. E, o público dançava!!!

Os irmãos Carion (Rio de Janeiro) também estavam no mesmo rumo da receita do Charlie. Músicas conhecidas. E novamente o público e os cantores se misturam. E o público dançava !!!

Seguiu-se o Pau Pau Fred Ritchie com sua banda meio família. Estava a fazer o que ele adora. Cantar e dançar. Vestido de um chique traje preto soltou-se logo com seus velhos sucessos. Obviamente não podia faltar aquela música dos Beach Boys (apapaumpaupau…), pois sem ela o Pau Pau não está completo. Além dela, aquela que cantou em cantonense no tv Globo do Brasil (a tv das novelas) – Pense em Mim – sempre presente em seus shows. Repetiu a receita dos artistas anteriores, música conhecida sob aplausos. E o público dançava !!!

E, finalmente tocou a Tuna Macaense. Com uma formação um pouco diferente daquela que vi em 2007, agora com o bandolim do Lalo, o professor, como me disseram, logo colocou o público a dançar enfileirados em rodinha com o Macau Sã Assi. Foi uma sequência de música conhecida e velhos sucessos, aventurando-se até no He’s My Brother que o Lalo bem cantou. Também muito aplaudidos. E o público dançava !!!

Quando aproximava-se da hora dos autocarros chegarem para nos levar de volto ao hotel, a Isa Manhão mexeu com o público com o “Adeus Macau”. Sua bela voz a interpretar esta canção de saudade, certamente causou uma certa lembrança dos velhos tempos pré-transição. E, quando o povo ia entrando nos autocarros, ouviu-se do salão alguém a cantar Pretty Woman, talvez o Elvis de Macau que estava todo chique com seu traje estilo Elvis mesmo.

Sem dúvida, festa do tipo da Escola Infantil quase se torna obrigatória na programação dos próximos Encontros, pois é quando o povo se diverte mais, come-se melhor, há mais contato humano e tudo é uma alegria!

*Comentário: veja no Autor, canto esquerdo superior, comentário de Ana Cláudia que se insere neste post

José Badaraco

Charlie Santos

irmãos Carion

banda do Fred Ritchie

Tuna Macaense


Dia do Patuá – Encontro 2010

O último dia de Novembro, dia 30, foi o dia do Patuá e da emoção no palco do Enrique D’Assumpção (Austrália), autor do website em língua inglesa Macanese Families (Famílias Macaenses). Foi ele o 1º a falar, apresentando detalhes do seu trabalho levou muitos anos, conforme afirma.

O Enrique praticamente digitalizou os Livros de mesmo nome, do Jorge Forjaz, porém criando uma série de links que acabam facilitando a busca de pessoas e de nomes. Realmente algo muito trabalhoso, exigindo uma boa dose de paciência, raciocínio e especiamente, tempo! Contou ainda com a ajuda da comunidade macaense, principalmente de lingua inglesa, porém lamentou a pouco adesão dos macaenses que falam o português. Isto é uma típica característica da nossa comunidade, se você tem um site em português, como o PMM, poucos visitantes de língua inglesa o visitarão, e assim acontece com o website do Enrique.

No final do sua apresentação, emocionou-se ao perguntar “a quem devo delegar este trabalho, pois já estou com um certa idade?”. Isto causou uma simpatia do público que o aplaudiu de pé. Por acaso isto me fez perceber que nos meus 60 anos, nunca pensei a respeito. Porém acho que, mesmo que a comunidade macaense no mundo seja pequena, já lá existem pelo menos 4 sites/blog num mesmo nível de divulgação.

Depois foi a vez dos professores. Alan Baxter (Ausrália/Macau) e Deolinda Santos Califórinia), a falarem sobre o patuá, a sua peservação e a candidatura a Património Intangível.

Miguel Senna Fernandes falou por último, também sobre o patuá, a sua especialidade. Rodou depois 3 videos “Patuá Minuto” que fez todo mundo rir muito. Pretendem ser aulas práticas do patuá em bom humor. Achei uma criatividade incrível do Miguel. O Bibi é o ator principal e é muito bom, engraçadissimo. Aproveito para agradecer a Deolinda pela referência e link ao PMM no seu powerpoint.

Encerrada mais esta programação,foi servido um almoço, dim sum, logo perto do Instituto Politécnico, que estava ótimo. Para corrigir qualquer desinformação, esta conferência do patuá, bem como da Gastronomia no dia seguinte, é aberta a todos os participantes do Encontro.

Mais à tarde, houve uma recepção na casa do Cônsul de Portugual, desta vez, restrita apenas aos presidentes das Casas e outras associações participantes do Encontro.