Uma festa participativa – Encontro 2010

A programação do 1º dia de Dezembro começou cedo, às 09:30hrs, no Monumento da Diáspora. Além dos necessários participantes, os presidentes das Casas e associações, houve até um bom número de pessoas que foram lá só para assistir, o que não é habitual.

Depois da foto oficial do grupo, todos rumaram para a Sé Catedral, onde foi celebrada missa em homenagem a Nossa Senhora Padroeira da Comunidade Macaense. A igreja estava completamente lotada.

A cerimónia conduzida em português fez despertar memórias dos meus tempos em Macau, especialmente nos anos 60, quando,miúdo, ia à missa com meus pais. Lá ainda vestia calças curtas com sapato social meio esportivo. Nada de ténis (pó ái ou chau lou si), que naqueles tempos esava fora de moda e até podia ser criticado. Depois da missa, o pai levava-nos tomar o pequeno almoço (café da manhã) que podia ser no Nosso Café ou um Dim Sum no Hotel Central, ou ainda no Solmar. Ah, que saudades! Na igreja, pude rever um antigo colega do Seminário.

Para o almoço, fomos com o casal Mendonça, experimentar o fast food chinês no novo Yo Han, perto do Hotel Sintra. Um belo shopping com 9 andares. Uma padaria de dar inveja a muitas de São Paulo pela boa qualidade dos pães, bem como um supermercado de tudo o que desejavamos que tivesse em São Paulo. Surpreendeu-me o bom atendimento e a simpatia dos funcionários do shopping. Sempre prestativos e com um sorriso na boca. Penso, Macau mudou um bocado! Como se pensaria que boa parte das lojas têm sempre alguém que fale o inglês, para os infortunados que perderam a prática de falar o cantonense, como eu. Sente-se que uma nova geração de chineses esta a assumir várias posições profissionais.

chá gordo

Talvez uma das melhores festas do Encontro, aquela que as pessoas se divertem mais, se juntam e se confraternizam melhor. Sem luxo, nem mesas, mas contato humano e música sem palco. O artista em contato com o povo. Sem falar no chá gordo que assusta pela fartura e variedade, além de … huumm, uma delícia. Tudo isto na Escola Infantil, ao lado do Jardim da Flora e o prédio da Apim. Desfilaram pelo espaço musical, o José Badaraco (Canadá) numa excelente apresentação solo, até a cantar música brasileira e do Roberto Carlos. O público vibrava e cantava junto. Depois veio o Charlie Santos que se apresentava pela 1a. Vez em Macau. Era para vir em 2007. O Charlie ou Canicha, seu alcunha/apelido, gosta deste contato com o público. Sentiu-se à vontade e cantou até, com o seu back. Era uma alegria só! Um repertório de músicas conhecidas dos velhos tempos, que todos cantam junto. O Charlie já me adiantava esta receita e acertou em cheio. Envolveu-se com o público e foi muito aplaudido. E, o público dançava!!!

Os irmãos Carion (Rio de Janeiro) também estavam no mesmo rumo da receita do Charlie. Músicas conhecidas. E novamente o público e os cantores se misturam. E o público dançava !!!

Seguiu-se o Pau Pau Fred Ritchie com sua banda meio família. Estava a fazer o que ele adora. Cantar e dançar. Vestido de um chique traje preto soltou-se logo com seus velhos sucessos. Obviamente não podia faltar aquela música dos Beach Boys (apapaumpaupau…), pois sem ela o Pau Pau não está completo. Além dela, aquela que cantou em cantonense no tv Globo do Brasil (a tv das novelas) – Pense em Mim – sempre presente em seus shows. Repetiu a receita dos artistas anteriores, música conhecida sob aplausos. E o público dançava !!!

E, finalmente tocou a Tuna Macaense. Com uma formação um pouco diferente daquela que vi em 2007, agora com o bandolim do Lalo, o professor, como me disseram, logo colocou o público a dançar enfileirados em rodinha com o Macau Sã Assi. Foi uma sequência de música conhecida e velhos sucessos, aventurando-se até no He’s My Brother que o Lalo bem cantou. Também muito aplaudidos. E o público dançava !!!

Quando aproximava-se da hora dos autocarros chegarem para nos levar de volto ao hotel, a Isa Manhão mexeu com o público com o “Adeus Macau”. Sua bela voz a interpretar esta canção de saudade, certamente causou uma certa lembrança dos velhos tempos pré-transição. E, quando o povo ia entrando nos autocarros, ouviu-se do salão alguém a cantar Pretty Woman, talvez o Elvis de Macau que estava todo chique com seu traje estilo Elvis mesmo.

Sem dúvida, festa do tipo da Escola Infantil quase se torna obrigatória na programação dos próximos Encontros, pois é quando o povo se diverte mais, come-se melhor, há mais contato humano e tudo é uma alegria!

*Comentário: veja no Autor, canto esquerdo superior, comentário de Ana Cláudia que se insere neste post

José Badaraco

Charlie Santos

irmãos Carion

banda do Fred Ritchie

Tuna Macaense


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