No seu 6º dia de atividades, 2 de Dezembro foi o dia recheado de gastronomia macaense. Logo cedo, às 9 e tal, o autocarro/bus já nos levou para Mong Há onde se realizaria a conferência. Com uma boa platéia, pouco maior que a do patuá, pude comprovar que a gastronomia de um modo desperta mais atenção, pois afinal mexe com um dos maiores prazeres do ser humano. Comer! Saboerar! Deliciar!
Já lá as palestrantes macaenses nos trouxeram boas lembranças do passado, a falar de muitos pratos que provocaram delírios na platéia, com o representante da confraria do Algarve a apresentar um video turistico da região, mais focado no natureza. O Luís Machado ficou muito à vontade para comandar a conferência, embora incomodado, como a maioria, pelos telefones móveis/celulares que insistiam marcar presença. Por outro lado, senti um otimismo um pouco maior nesta preferência nacional macaense, para a sua classificação como Património Intangível da Unesco. Pareceu-me que tem melhor base e estrutura de apoio para esta finalidade. Vamos torcer para que a iniciativa seja bem sucedida.
Depois dos participantes enfrentarem uma pequena subida íngreme, os participantes na maior parte com certa idade, alcançaram o restaurante do Instituto de Formação Turística. Todos vivos, mesmo que a batida de coração tenha aumentado um bocado! O almoço no lugar onde se aprende a arte de cozinhar, merece todos os elogios. Um dos melhores sabores experimentados em Macau. Penso que não é à toa que desfruta de boa fama no Oriente!
À noite, a recepção foi novamente no monumental Hotel Grand Hyat, ao lado desta City of Dreams que ainda preciso conhecer, embora lá sei se vai dar tempo. Alegrava os olhos ver o desfile dos confrades da gastronomia com seus trajes típicos. O salão encheu-se de gente!
Foi muito interessante ver toda a cerimónia das confrarias que devem ter lido nos jornais. Só fiquei um pouco preocupado, quando muita gente estava no palco para a parte final quando “assinavam em baixo” os acordos. Talvez mais de 50! Pensava que se a base iria resistir, mas ainda bem que tudo deu certo e a estrutura era resistente e bem montada.
Achei interessante os restaurantes Long Kei, Fat Siu Lau e Solmar serem conferidos com o título de confrades extraordinários. Merecem pela tradição de seus nomes e lugares.
Agora enquanto estava na fila da comida, iniciou-se a programação com o grupo de dança folclórico português com muitos rostos orientais. Até conseguir chegar na minha mesa e apanhar a minha câmera fotográfica e de video, o grupo despedia-se. Foi uma pena!
Na verdade, antes já assistimos a um “show”. Um confrade da CEUCO a cantar o hino deles. Um soprano com uma voz que até podia quebrar um copo de vidro. Bela apresentação que merceu muitos aplausos.
Em seguida, José Luís Pedruco Achiam cantou a canção tema da peça em patuá do Dóci Papiaçam (que era aguardado para o Encontro mas acabou cancelado). Uma excelente performance que aponta um dos novos talentos musicais macaense.
A Elsa Denton apareceu no palco com 2 dançarinos e fez o seu 2º show. Aliás foi acertado que os artistas fariam no máximo 2 apresentações, salvo uma exceção ou outra. A Elsa é eficiente no palco, que até me perguntaram se ela era profissional. Ficou a pergunta sem resposta!
Com o seu teclado situado no meio do palco, Armando Santos também apresentou-se pela 2ª vez. Pensei que ele iria lançar o seu novo cd. No entanto, ouvimos novas interpretações do Armando que sempre nos agrada.
Já a Tuna Macaense com sua roupagem preta no lugar do vermelho, também apresentava-se pela 2ª vez. A Tuna dispensa comentários. São profissionais com qualquer formação.
E enquanto estava a fotografar e também participar do grupo de ex-moradores de São Lourenço, a Ramana Vieira junta-se à Tuna e canta “Macau” (de Rigoberto Rosário Jr.), num tom baixo e um tanto diferente em certas entonações principalmente nas partes finais de certos trechos da canção. Em tempo consegui filmar a apresentação. Ouvi dizer, e concordo, uma das melhores interpretações de Macau já ouvidas. Depois com toda a justiça, cantou outras canções com a sua bela e possante voz. Justiça porquê? Lembrem-se que noutra postagem falei que ela cantou sem acompanhamento musical? Para cumprir o seu compromisso, coisa que pouco artista aceitaria fazer!
Relembrando os anos dourados de 60, finalmente aparece o Michael Remedios (sem acento no “e”) e seu ressuscitado conjunto The Mystics. Cantou umas canções antigas que tanto queriamos ouvir e também outros sucessos. Muito bom!!! E foi a última apresentação do dia.
Como já se tornava habitual, o povo saia antes do final do show dos The Mystics, pois aquele velho anúncio que os autocarros/bus já estavam disponíveis para nos levar ao hotel, era o sinónimo de fim de festa!!! E o povo todo já se apressava para não perder o bus.


