Archive | abril 2011

Teatro Oriental, a saída

Poderia falar do próprio Teatro Oriental, em Macau, contar a sua história, mas por enquanto não, aliás preciso ver onde tem algo que fale dele. Vou fazer um pequeno comentário da Saída, que fica na parte de trás do Teatro.  Sabem porque? É que ficava exatamente defronte à casa onde eu morava na Calçada do Tronco Velho nº 15.  Veja na foto que para nós, era um “luxo”.  Havia um recuo e tranquilamente lá meu irmão Álvaro Luz estacionava o nosso Herald (à direita da foto) e o meu cunhado Manuel Ramos, parava o seu conversível (muito estilo) que depois te digo a marca, deu um branco geral na memória agora!

Um detalhe ainda viva na memória dessa saída do Oriental, remonta ao “1, 2 e 3″ dos anos 60.  Sabem bem, não? Aqueles tumultos da guarda vermelha do Mao que aconteceu em Macau.  Lembro que numa tentativa para conter os ânimos bem exaltados dos maoístas, desceu uma formação de policiais da Delegacia/Esquadra que ficava perto da Escola Comercial.  Eram uns 20 talvez, mais ou menos enfileirados.  Imaginem só … para conter centenas!  Pois bem, mal durou menos de 15 minutos, lá os policiais, coitados, magrinhos, voltaram correndo a subir o Tronco Velho, outros, acreditem, desciam do muro que delimitava a área da Saída do Oriental.  Era uma altura e tanto.  Não sei como escalaram do outro lado e de onde vieram.  Penso que seja da parte de trás do Leal Senado, ou da rua que fica na lateral do Teatro Apolo (porta de saída).  Era um pânico geral!  Seria hilariante, se não fosse pela gravidade e tristeza pelo que estava a ocorrer e que mudou a história de Macau. (Para sua orientação, o muro fica atrás dos carros estacionados, na foto).

Quem estudava na Escola Comercial deve-se lembrar bem dos carros, dessa saída e da gente que morava no nº 15 da Calçada do Tronco Velho.  Quanto ao Teatro Oriental, lembro que ia de vez em quando assistir uns filmes china, ou de lutas marciais, ou aqueles de extrema tristeza ou super drama (hôu chám) em que no final é aquela choradeira.  Sempre morre alguém! Saía sempre com lágrimas nos olhos.

Noutra foto menor podem ver a Calçada do Tronco Velho, a saída e a nossa casa no nº 15 e o Teatro Oriental.  Saudades? Nem fala, “saudadérrima” se existe esta palavra, ou seja, muitaaaaaaaassssss saudades dessa época. Oh Deus, éramos tão felizes e não sabíamos! A propósito, subindo a Tronco Velho, com estilo, hehehe, eram os meus amigos António Canhota e António Mendonça.

Aliás, se o Teatro exibia filmes, porque não chamávamos Cinema em vez de Teatro? Tomo por exemplo aqui no Brasil em que há essa distinção. Penso que o termo vem de longa data, história.!!! Desculpe-me por qualquer ignorância …

Alunos do Seminário nos anos 50

A foto foi enviada por M.V.Basílio que muito bem contribuiu com fotos do recente encontro dos ex-alunos do Seminário de São José. Muito obrigado!!!

O Basílio informa que a foto pertencia ao seu falecido irmão José e foi tirada na sala de aulas, no dia de aniversário do professor Padre Mendes em 28 de Fevereiro.  Julga que ocorreu no ano lectivo de 1957/1958 ou 1958/1959.  Nesta época eu estava para entrar no curso primário do Seminário.

Boa parte das pessoas na foto foram identificadas pelo Basílio, mas faltam alguns nomes.  Se você puder contribuir, informe através do seu comentário:

Da esquerda para a direita, 1ª fila:

Fernando Castilho, João Baptista Chan, Galdino da Rocha, Pe. Mendes, Francisco Inácio, Lísbio Couto, Joaquim Santana.

Da esquerda para a direita, 2ª fila:

Jorge Pedro, José Basilio, Alfredo Conceição Lau, João Lopes Jr., José Martins, Américo Gomes da Silva, César, Sebastião Rosa, … António Lai.

*publicação conjunta com o Projecto Memória Macaense – Espaço Macaense por conta do blog permitir comentários.

Faleceu Humberto Luz Viana

Faleceu o meu primo Humberto da Luz Viana que residia no Canadá.  Foi em 15/Abril/2011. Era filho da minha tia Laura da Luz, que não cheguei a conhecer em vida.  Nos reencontramos no Encontro de 2004, quando ele já com 71 anos pode reviver saudosos momentos comigo e a minha irmã Yolanda, após muitos e muitos anos que remontam desde os anos 60.  Saudades !!! Descanse em paz Humberto.

*também publicado no Projecto Memória Macaense – Notas de Falecimento

foto: da esquerda, eu Rogério, minha esposa Mia, Humberto e Yolanda. Tirada no fim do Encontro de 2004, momentos antes da partida do Jet Foil para Hong Kong.  Essas despedidas nos remetem ao desconhecido. Sempre não sabemos se ainda nos reencontraremos em vida, quando já estamos com certa idade e a residir em países diferentes.  É aquele Até Logo, Até Breve ou Adeus.  E agora venho aqui para noticiar o seu falecimento. Foi mesmo Adeus.  Saudades Humberto daqueles tempos dos anos 50 e 60 em Macau e Hong Kong, e também de 2004.

O prédio dos antigos funcionários dos Correios, o fim?

Acima, os esquisitos projectos incompatíveis com a zona histórica de Macau (foto publicada no JTM)

Vendo a reportagem publicada no Jornal Tribuna de Macau em 8/Março/2011, que bem o salvei nos meus arquivos, fiquei chocado !!! Para não dizer … indignado !!!  Vi a foto e li a reportagem com muita discussão académica. Em pleno centro histórico, visível do Largo do Senado, vi os projectos para o prédio da esquina da Rua da Sé que antigamente era destinado aos funcionários dos Correios.  Está com os dias contados.  Um dos projectos prevê modernidade incompatível com a região histórica.

Vejo no Largo do Senado que prédios antigos foram modernizados, mas souberam preservar o aspecto histórico, com bem o fazem noutros países, os da Europa, que bem sabem conviver o moderno com o passado.  Até o MacDonald’s do Largo não lá muito desfigurou o prédio antigo.  Uma convivência inteligente!  Mas nesse prédio, me parece que somente pensou-se com o espírito da modenidade, influências dos imponentes casinos.

Uma pena, uma tristeza!!! Lembro que no Encontro de 2010, após a missa no Catedral da Sé, passeava com o meu amigo e primo António Machado Mendonça pela Rua da Sé, sendo que ele não retornava a Macau  há vários anos.  Ficou ele todo feliz ao ver o prédio dos antigos funcionários dos Correios, onde ele morou com a família, ainda lá em pé.  Radiante, mostrou à minha esposa e a dele, Argentina, e quis logo tirar uma foto de lembrança aqui exibida.

Numa das passagens da minha memória dos anos 60 em Macau, lembro-me que em algumas vezes a passar por lá, estava o seu irmão Zeca, todo estiloso, sentado na varanda com a sua viola/violão, a “chái chords” ou seja a tocar uns acordes e a cantar canções dos anos 60.  Muitas vezes estive lá a visitar a família Mendonça, nos tempos em que estudavamos no Seminário de São José. Saudades!

Penso que poderiam manter o visual do prédio e adaptá-lo para outras funções, como escritórios, e não essas coisas de demoli-lo,  criar varandas modernas e  envidraçadas para restaurantes, cafés etc., em total falta de sintonia com o local histórico do centro. Enquanto vemos falar em novos espaços comerciais para lojas etc., como na reportagem, ao mesmo tempo nota-se que em outras zonas o comércio está a fechar as portas.

Realmente uma tristeza.  Espero que no final prevaleça o bom senso e façam uma reforma do prédio para outras finalidades, mas sem disfigurá-lo e nem introduzir a modernidade incompatível com a zona histórica onde está localizado.

António Machado Mendonça (Brasil) aponta para o prédio onde morou

Tirei a foto abaixo em 1967 para lembrança, antes de imigrar para o Brasil

Deolinda Cordeiro recorda velhos tempos

A Deolinda Cordeiro escreveu no campo de mensagens do meu site Projecto Memória Macaense, o texto abaixo, que posso dizer “doces e singelas memórias do passado em Macau”. Uma linguagem simples, do jeito como falavamos em Macau, mas que fala forte no nosso coração, de quem viveu aqueles bons e velhos tempos.  Anos de ouro, duma Macau sem modernidade, provinciana, mas … humana!!!  Não sei a idade da Deolinda, mas se calhar fomos vizinhos, pois eu “nasci” na Rua Nova São Lázaro, que muitos, até eu, a chamava sem a “Nova”. Minha época foi de 1950 a 1958 (por aí). Vamos então ler a simples e bela mensagem da Deolinda:

foto: Rua (Nova) São Lázaro.  Moramos num desses casarões preservados (Graças a Deus)

“Sou da famí­lia de Cordeiro, descendente de avós paternos que já descendiam, acho que, de francês ou holandês. ou coisa parecida, porque minha avó disse-me isto.

Minha avó materna chama-se Edwiges Placé Cordeiro e avô Eduardo Cordeiro. Minha avó materna é chinesa natural de uma aldeia de Seak Kei e o avô natural de Macau. Minha famí­lia Cordeiro tem muita devoção ao Senhor dos Passos e todos os anos quando há procissão, os de Cordeiro e Colaço (primos) ocupam maior praça na procissão de Senhor dos Passos. Também (Cordeiro e Colaço) são muito desportistas. Gostam muito do hóquei em campo.  Foram da direcção do Clube Lusitânia que até à data era conhecida pelo seu hóquei em campo.

Recordo-me que, quando era ainda muito pequena, meu pai costumava levar-me para seu treinamento ou qualquer jogo no campo Tap Seac.

Até hoje lembro-me como era então o campo de hóquei, que tanto suor deixaram estes prestigiosos hoquistas naquele sítio. Lembro-me que quando jogavam, no descanso, costumavam comer umas rodelas de limão que sempre traziam ao campo para matar a sede.

Meus avós paternos são uns autênticos “gente de Macau” e “Macaenses” porque quando começei a entender este mundo, eles já falavam “Patuá” comigo que era uma lí­ngua muito antiga falada em Macau. Eu acho que aqueles que são Macaenses antigos sabem o que é falar Patuá. Mas infelizmente no meu tempo já não se falava, mas entendia-se um pouco.

Lembro-me que minha avó paterna costumava dizer: “aquela nhonha daquele bairro, cuza quere ….. que saião, é uma boniteza mas uma garridinha” … Mas naquele tempo minha avó era muito boa cozinheira e a minha tia Heti também. Cozinhavam balichão, pato cabidela, tacho, cuscús, feijoada, etc….e quando faziam bolo, perguntavam a quem antes de entrar na sua casa “se estás limpa” porque dizem que se estás com menstruação, o bolo não sobe e fica mal. Também era boa para fazer chouriço picante, empada de peixe, alua, bolo de mármore e bolo bicho bicho. São umas autênticas cozinheiras Macaenses.

Agora já não se come o mesmo sabor de antes. Nós vivíamos na Rua de (Nova) S. Lázaro nº. 28, que fica logo na esquina e à  noite quando meus pais e tios estavam a jogar Ma Cheok e nós ainda éramos pequenas, costumávamos brincar na porta de rua, como dizem, com os primos e sentar-nos na esquina a conversar e “tomar fresco” porque naquela altura não tínhamos o ar condicionado.

Quando passava o homem de cana de açúcar ou de doce mole, comprávamos, compartilháv­amos e divertíamos brincando com os primos. Naquela altura não havia tantos carros e podíamos muito bem brincar qualquer jogo na rua e quando terminava a festa, lembro-me que íamos a casa de riquexó. Lembro-me também do “Teng Teng Lou” homem que passava por casas para comprar coisas velhas. Levava duas cestas com um pau no ombro e com um metal redondo a tocar teng teng, passeando nas ruas a ver se havia alguém que quisesse vender coisinhas….. Hoje em dia, uns vão e outros também, deixando perder as melhores receitas culinárias que elas então não querem deixar.  Se aprendestes antes, muito bem, senão, paciência, já não há, realmente! São as melhores cozinheiras macaenses que, hoje em dia, não encontras o autêntico sabor …. Bem, é mais ou menos o que eu tenho a dizer sobre uma memória passada dos meus avós, tios, tios primos e familiares e em especial uma memória do meu pai Amadeu Cordeiro, que Deus chamou e que está agora sentado ao lado de Ele ….. Cumprimentos a todos. De Deolinda Cordeiro…”

foto: folheto de oração distribuída na procissão de Nosso Senhor dos Passos (Santo do meu nome – dos Passos) em 1965

Feliz Páscoa

Aos amigos leitores, os meus votos, em nome do blog Crónicas Macaenses e do site Projecto Memória Macaense, de uma Feliz Páscoa.  Não só devemos pensar no ovo de Páscoa, mas também da Paixão de Cristo e a Ressurreição.  E se ainda tiver esse hábito em Macau de “corrê igreja” ou noutros países, reflexão e muita oração pela paz do mundo, livre de tragédias.

No Brasil, a 5ª feira, dia 21, também celebra o Dia do Tiradentes da inconfidência mineira pela independência do Brasil. É feriado que acaba emendando com a 6a. feira santa, tornando-se num feriadão de 4 dias. Muita gente vai viajar.  Em vista, até a semana que vem, aqui ou no Projecto Memória Macaense, num trabalho conjunto mas 2 formas diferentes de divulgação.  Penso que estou no caminho certo para essas 2 divulgações, apenas o tempo disponível é que vai dizer se deve ser isso.

Hotel Estoril, saudades dos anos 60 (2)

Em complemento à postagem anterior, também achei no meu acervo “de tudo quanto é coisa” trazido de Macau, um folheto (folder) de divulgação do Hotel Estoril.  Não sei como, mas acabou vindo na minha bagagem de emigrante. Para aquela época, certamente era um hotel de luxo.  Veja o ambiente do restaurante e depois veja as fotos da festa de casamento naquela postagem. Bons tempos! Belos tempos que não voltam mais, mas que vivem no nosso coração macaense.

Hotel Estoril, saudades dos anos 60

O Hotel Estoril dos anos 60

O coitado Hotel Estoril em Dezembro de 2010. Progresso ???

Revendo o meu acervo de antigas lembranças de tudo quanto é coisa trazidas de Macau, na minha imigração para o Brasil em 1967, achei a 1a. foto acima que era a capa de um cartão de Natal.  Quem o mandava para os meus pais? A Ouriversaria e Relojoaria Pou Va localizada no 68, Avenida Almeida Ribeiro com o cartão de visitas do Chu On. Um senhor chinês, gordinho e simpático.  Não se lembram dele? Meu pai Álvaro Luz naquele tempo acreditava no investimento em jóias como uma segurança, o que se concretizou quando no Brasil, minha mãe Marcelina, viúva, se desfez delas para despesas gerais.  Dificuldades típicas dos tempos iniciais da imigração. Era pouca coisa, mas ajudou quando precisou!!!

Na foto logo a seguir, o Hotel Estoril que vi no Encontro 2010.  Era a Macau do progresso, de casinos monumentais, mas o pobre Estoril de ricas lembranças, ainda abandonado, caindo aos pedaços,  embora parece já haver um projecto de EP para o local (?).

Na foto antiga, de uma vez, vemos tanta coisa que nos traz saudades, muitas saudades.  A bandeira portuguesa, majestosa, avisava que Macau era um território português.  O campo de hóckey que tem uma infinidade de histórias da nossa malta para contar, hoje trocado por um “campo” de cimento com amplo espaço para actividades diversas e com um túnel que faz curva numa rua recta (?).

À esquerda do Estoril (de quem vê) está a entrada para o meu “antigo vício” – o “pó chi kei”.  Adorava aquelas máquinas de fliperama (como se chama no Brasil, e em Macau?), bem como a máquina que exibia videoclips mediante umas moedas (avos).  Lembro que gostava do Locomotion e Shaking All Over.  Lá a malta se reunia e conversas não faltavam.  Às vezes, em casa (na Calçada do Tronco Velho), dava aquela vontade e apanhava o bus nº 2 para ir lá!!! Tinha uma máquina que se acertasse umas combinações, rendia umas moedas de prémio. Normalmente perdia mais que ganhava. Coisas já dos casinos!

Quanto ao hotel em si, pela minha idade, abaixo de 16 anos, obviamente que não era seu habitual frequentador das tardes musicais.  Mas lembro das festas de casamento dos meus irmãos José e Yolanda realizadas lá no seu restaurante. Veja abaixo 3 fotos (da Foto Pantera) tiradas do casamento do José Luz com a Fátima Ferreira, nos anos 60.

A mesa farta do buffet do hotel. À direita a minha mãe de costas para a foto, o meu tio Edmundo Dias (trabalhava como testemunha no Cartório situado no rés-do-chão (térreo) da Santa Casa) e o prof. Canhota.

Diamantino Ferreira discursa antes de propor um brinde aos noivos José e Fátima.  Meu pai Álvaro Luz está à direita

De resto, só mesmo, muitas saudades e como vivemos de saudades !!!

Traje de dó do início de 1900

Interessante que no início de 1900 em Macau, as “nhonhas” (senhoras) vestiam o traje de “dó” em certas ocasiões, como a missa, tal como vemos na foto divulgada pela “Illustração Portugueza”, edição semanal do jornal O Século (Portugal) em 1908.  Noutra foto, vemos uma senhora macaense em foto antiga de estúdio com o traje.

Macau foi notícia numa reportagem de 8 páginas com o título “Portugal no Extremo-Oriente – Macau”, publicada em 4/Dezembro/1908.  Rogério Beltrão Coelho falou a respeito em 2 edições da Revista Macau, publicando diversas fotos daquela Macau antiga. Uma delas acabei de inserir na postagem anterior sobre o Quartel São Francisco.

Falando sobre “nhonha”, que o Beltrão põe entre parenteses “senhoras”, lembro que em Macau nos referiamos a um homem com jeito efeminado, mas muitas vezes não necessariamente homosexual,que tem nome próprio para definir esta tendência sexual. Uma referência sem nenhuma conotação discriminatória.  Temos que respeitar a opção sexual de cada um.

Assim encontrei uma definição do traje de dó na internet:

“Era inicialmente usado pelas raparigas que estavam de luto aliviado e mais tarde também pelas mulheres casadas As suas cores predominantes são o verde escuro, o lilás, o rosa e o preto. É composto por: saia de lã às riscas verticais (com predomínio das cores preto, roxo, verde, amarelo e branco), de barra preta com “silvas” bordadas; avental escuro com motivos florais ou geométricos; camisa bordada a azul nos punhos e ombreiras; algibeira e colete em geral azuis, o último sobriamente enfeitado com barra de veludo preta; lenço de cabeça e meio-lenço do peito roxo com ramagens e franjados; meias brancas de algodão rendadas e chinelas.”

A muralha

Outra foto antiga do livro do Museu de Macau (1998), mostra a muralha que ficava no morro da Fortaleza do Monte.  Hoje somente sobra um pequeno pedaço dele, ao lado do templo chinês.  Chamou-me atenção as casas no sopé do monte.  Na foto original podia-se ver melhor as escadarias laterais das casas.  Não sei porque, mas bateu-me uma saudade imensa “de casa”, pois a minha primeira residência nesta vida foi na Rua Nova São Lázaro.  Lá tinham muitas escadas laterais devido a topografia montanhosa da região. A Fortaleza era classificada como a Linha Defensiva de Macau.

Ruínas de São Paulo, vista do mar?

Quando vi a foto no livro “Um Museu em Espaço Aberto – A Fortaleza de S.Paulo do Monte”, edição de 1998 do Museu de Macau, fiquei intrigado. Ruínas de São Paulo vista do mar e de forma tão destacada?  Sem raciocinar melhor, veio à cabeça que o mar ou rio seria do Porto Exterior, mas em seguida vi que a vista era da Ilha Verde. Ao lado, como todos devem saber, está a Fortaleza do Monte.  A foto faz parte do espólio do General Garcia, cerca de 1900 a 1910.  Bons tempos em que a vista não era obstruída pelos feios prédios do Porto Interior.

Os ex-Governadores Garcia Leandro e Melancia

Escrever este post,assistindo os treinos livres de Fórmula 1 em Shanghai pela tv,  não é fácil, mas vamos lá! No momento, já o óbvio, o invencível Vetel na frente.  Vive um momento de Schumacher de outrora.  Se não quebrar o carro, vence todas as provas. Mas bom ver o piloto de testes da Lotus, o brasileiro Luíz Razia, a assumir a direção no lugar do Truli.  O Brasil precisa de novos pilotos candidatos a pilotar um F1, pois já se comenta por aqui, de como seria a desgraça de Massa (graças a Deus que reagiu na Malásia após uma sequência de maus resultados após aquele acidente do parafuso) e a aposentadoria do persistente Barrichelo? Nenhum brasileiro na F1? No Brasil, perderia muito a graça!

Mas falando dos ex-Governadores, com a visita a Macau, a convite do Governo local (muito bom!), para ser franco e sincero, pouco os conhecia, mais o Melancia, pelo nome interessante.  Isso reflete a situação de um macaense da diáspora que deixou Macau há muito tempo (eu, em 1967).

Nos tempos sem internet e e-mails, a gente só tinha notícias de Macau, por cartas dos amigos e parentes de Macau, ou dos nossos saudosos jornais católicos “O Encontro” e o “Clarim” que regularmente eram enviados pelos correios.  De vez em quando, alguém lembrava da gente e mandava um exemplar do Notícias de Macau, que era devorado de saudades, a ler cada detalhe.  Já no início de 2000, começava a usar o internet e qual a alegria de poder ter notícias da terra na hora, algo inimaginável.  E dessa alegria pela tecnologia disponibilizada ao grande público, posteriormente acabei montando o site Projecto Memória Macaense, sem grandes pretensões, mas que dura cerca de 8 anos.

Quanto ao Gazeta Macaense, acho que deveriam homenageá-lo postumamente, pela “grande divulgação da gastronomia”.  Eram receitas disso e daquilo todo o dia.  O Neco decerto “gostava” de culinária, hehehe!  Para dizer a verdade, foram os malditos tempos da censura.  Os artigos “picantes” eram substituídos por “receitas” !!!

Dos artigos lidos nos jornais, interessante destacar a frase que “ex-governadores são uma espécie em extinção”.  Já morreram 3 ultimamente. Se levarmos em conta os macaenses que também já se foram, estariamos em extinção? Mas um detalhe que não sabia, sinceramente, que em 1974, por um “sonho de noite de Verão” de alguns oficiais, Macau poderia ter sido devolvido à China? Certamente não seria assim tão fácil, praticamente impossível.  É preciso conhecer melhor o pensamento chinês. Nada é feito assim à toa.  Os chineses sabiam quando Macau deveria ser devolvido e assim estava decidido.  Não um sonho de revolução iria mudar a idéia deles.  Até cheguei a pensar, se houvesse o tal “mini-golpe”, teria, na pior das hipóteses, assumido um governador provisório macaense? Nada disso, outro “sonho de uma noite de Verão” !!! Mas estou contente com a visita dos ex-Governadores a Macau, ainda mais, quando o convite partiu do Governo local.  “Legal” !!! (foto do Jornal Tribuna de Macau, e olha o Henrique aí.  Boa vida, divide bem a vida em Macau e nos EUA. Queria eu poder fazer isso!!! Abraços)

Governador Ferreira do Amaral

João Maria Ferreira do Amaral (Lisboa, 4 de Março de 1803 – Macau, 22 de Agosto de 1849) foi oficial da Marinha Portuguesa e governador de Macau.

Em 1821, Ferreira do Amaral era aspirante de Marinha e iniciou a sua carreira servindo na esquadra do Brasil. Após a separação do Brasil de Portugal, todas as províncias proclamaram o Império, excepto a Bahia que permaneceu fiel à metrópole, e rendeu-se apenas em Julho de 1823, depois de vários combates entre portugueses e brasileiros. A 24 de Fevereiro de 1823, em Itaparica, distinguiu-se o guarda-marinha Ferreira do Amaral, pela sua bravura em combate: ferido no braço direito continuou a comandar os seus homens na carga, até ser recolhido ao hospital, onde lhe foi amputado o braço. Apesar de mutilado, prosseguiu na sua carreira e foi promovido a tenente.

Durante o período da Guerra Civil, foi um dos poucos oficiais da Marinha que conseguiram emigrar e apresentar-se na Ilha Terceira ao serviço do partido constitucionalista. Fez parte do desembarque do Mindelo e teve muitas outras missões importantes durante as Campanhas da Liberdade, com especial relevo para a defesa de Lisboa pelo lado oeste, em 1833, enquanto comandante do brigue São Boaventura e da esquadrilha do Ribatejo. No fim da guerra era já oficial superior.

Até 1844 comandou vários outros navios, entre os quais a corveta Urânia, que usou em missões diplomáticas no Mediterrâneo, e a fragata Diana na qual desempenhou importante missão ao Brasil e ao Rio da Prata, em defesa dos interesses e segurança dos portugueses. Serviu em Angola, onde comandou a estação naval e distinguiu-se no combate ao tráfico de escravos. Prendeu um negreiro, Arsénio Pompílio, que foi encarcerado no castelo de São Jorge e escreveu folhetos difamatórios contra Ferreira do Amaral, mas que não lhe abalaram o prestígio. Era deputado por Angola, em 1846 , quando foi nomeado governador de Macau.

Em consequência da Primeira Guerra do Ópio, Inglaterra fundou uma colónia na ilha de Hong Kong, que se tornou o porto ocidental mais importante na China. Estes acontecimentos levaram o governo de Portugal, em 1844, a decidir tornar Macau uma verdadeira colónia portuguesa. Em 1845, a cidade foi declarada um porto franco e tornada independente do governo da Índia, ao qual estava sujeita até então.

Macau tinha até então duas alfândegas: a portuguesa, que cobrava impostos sobre o comando dos navios nacionais, constituindo a única renda pública de que se pagava aos funcionários da cidade; e a chinesa (o Ho-pu), cujos impostos eram cobrados pelos mandarins do Império Chinês. O Governador Ferreira do Amaral expulsou os mandarins de Macau, aboliu a alfândega chinesa, pôs fim ao pagamento de vários tributos e impostos (de entre os quais o aluguer de Macau) às autoridades chinesas, abriu os portos, construiu estradas nos campos anteriormente vedados pelos chineses, ocupou oficialmente a ilha da Taipa, lançou tributos e reorganizou os serviços públicos.

O seu governo enérgico, em defesa dos interesses de Portugal e pelo domínio do território, desagradou aos mandarins, que trataram de eliminar tão determinado inimigo. Na tarde do dia 22 de Agosto de 1849, Ferreira do Amaral saiu para um passeio a cavalo, acompanhado pelo seu ajudante de ordens Jerónimo Pereira Leite, passou as Portas do Cerco e foi atacado por um grupo de chineses que o mataram à cutilada.

Logo após a este acontecimento trágico, decorreu a famosa Batalha do Passaleão, considerada o único verdadeiro “conflito” bélico entre as forças militares portuguesas e chinesas.

FERREIRA DO AMARAL (João Maria), in “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, Editorial Enciclopédia, Lda, Lisboa – Rio de Janeiro (1936-1960), Volume 11, pág.196-197 – Fonte: Wikipédia

Nota: na postagem anterior ou seguinte, pela ordem de visão do blog, veja a lamentável situação da estátua do Governador Ferreira do Amaral, em Lisboa, Portugal.

A (coitada) estátua do Gov. Ferreira do Amaral

Em 2009, publiquei uma foto do local estava instalada  a estátua do Governador Ferreira do Amaral.  Foi um contributo do internauta José Manuel.  A foto foi tirada de perto, não dando a dimensão de como estava instalada.

Nesses dias, descobri por acaso o blog Macau Passado (http://macaupassado.blogs.sapo.pt/) do João Eduardo Severino, que foi do jornal Macau Hoje e do semanário Vector “o 1º jornal independente de Macau” como bem diz, e num dos seus posts trazia 2 fotos actualizadas da (coitada) estátua. Aparentemente, comparando com a de 2009 (pelas casas ao fundo), a estátua está no mesmo lugar, porém “de frente para os fundos” de uma escola, que não sei se já lá existia naquele ano.

Qual a tristeza minha, a estátua está literalmente “abandonada” num sítio com a grama/mato para cortar.  O Severino no seu post escreve “a estátua está vergonhosamente colocada no chão, sem dignidade nenhuma no Bairro da Encarnação, em Lisboa, nas traseiras de uma escola (?), virada para uns taipais. Simplesmente inacreditável…”, conforme a foto enviada por um leitor, Pedro Pinto.

Lembro-me daqueles velhos tempos, quando ainda morava em Macau nos anos 60,  sentiamos orgulhosos a ver aquela estátua, imponente, na Praia Grande, que servia até de fundo para fotografia de recordações. Até ficava aliviado que não fora derrubada nos tumultos do “1,2,3″.

A propósito, numa conversa reservada com uma personalidade, comentei sobre a estátua, do porque ela não estar num lugar digno, digamos um museu etc.  Ouvi que poderia ser devido ao seu tamanho.  Mas se você ler ou souber a história do Governador Ferreira do Amaral, verá que a estátua “incomoda” nas relações actuais, assim como a do Coronel Mesquita que foi derrubada no “1, 2, 3″.  Como sou português, nada posso comentar sobre o sentimento do outro lado.  Até penso que se fosse uma estátua de um mandarim que derrotou as tropas portuguesas num eventual conflito de outrora, o que pensariamos a respeito?

No entanto, acho que nada justifica o abandono.  Antes ficasse numa praça,  mesmo sem aquele monumental pedestal, ao alcance da mão, do que ficar nos fundos de uma escola, praticamente num estacionamento de carros, ainda por cima, “olhando” para a parede da escola.  “Isto é uma vergonha” como diz o jornalista Boris Casoy da tv brasileira. Mesmo que a “estátua” incomodasse, o que só suponho, espero que não, não se pode faltar ao respeito com quem serviu bem a Pátria nos tempos coloniais de Portugal. Na postagem seguinte, leia o que o Wikipédia conta a respeito do ilustre Governador Ferreira do Amaral.

foto de Harry Redl – livro “Macao” de 1963

foto de 2009

abaixo, de 2011

Macau, terra de contrastes

Você está na largo da Catedral da Sé, ergue os olhos e lá está aquele “monstro” de prédio. O Hotel Casino Gran Lisboa. Não há como escapar.  Ele está bem pertinho, espiando Macau, contrastando a sua moderna estrutura com edificações antigas.  O fotógrafo faz a festa, é click para cá e click para lá. Dá boas fotos de contraste, mas no fundo, um sentimento de tristeza.  Nada contra o progresso e o modernismo de Macau, mas … tira aquele ar nostálgico, pois o “moderno” é nos imposto, marca a sua presença indeletável. Depois descendo a ladeira da Sé, que não me recordo o nome da rua … aquela onde a valente menina herdou do pai a banca de “cáp péang”, e olha que ela está “faturando” (ganhando) um bom dinheiro.  Para mim e a minha esposa, é parada obrigatória. Ir a Macau e não comer “cáp péang”?  É viagem perdida!!! Um pecado!!! Como não gosto do doce do leite condensado (leite águia para os antigos ou leite moça para os brasileiros) eu o dispenso. Então, continuando, depois da descida, você atravessa a Av. Praia Grande (do BNU à Santa Rosa), entra naquelas ruas para aceder/acessar a Av. D.João IV, lá está o “monstro” a contrastar com aqueles pobres e antigos prédios, inclusive tem um com uma árvore a nascer na varanda. Não foi plantada, mas como está abandonada, uma semente tratou de fazer nascer uma árvore … até que com o peso, ela caia, e tomara que não machuque ninguém. Dê uma olhada na foto.  Nunca perceberam? Nem eu, pois foi a minha esposa Mia quem me alertou.

Nessa região, vi um “sám lôn ché” (triciclo/rickshaw/riquexá). Ôpa! vou tirar uma foto pois cada dia estão ficando mais raros, mas queria enriquecê-la com uma pessoa passando.  Assim a foto não fica tão “fria”, pois uma pessoa dá vida e cria calor humano. Apontei a máquina à espera do tal “ser humano”. E … passa alguém … eu … click … mas espera aí … é a Rosa Cruz !!! Nossa (xiça) !!! Ela faz parte da comitiva de São Paulo para o Encontro 2010 !!! Mas que coincidência !!! Nós viemos do outro lado do mundo, do Brasil, e ela involuntariamente serviu de “modelo” para a minha foto.

Aliás nas travessas da região da Rua Pedro Lobo, almoçei num restaurante china e comi um delicioso “láp háp pei” (perna de pato salgado) acompanhado de “chá siu e síu háp” (lombo e pato).  Um lugar “discreto” sem procurar olhar nos “detalhes” do “restaurante”, tal como deve se fazer nos pequenos restaurantes chineses, fartos em Macau. Esqueça as exigências de higiene, pois acaba sair “correndo” do local.

Antigamente a gente quando morava em Macau, pouco ligava. Falava “ch… porco” e vamos lá !!! Dedo dentro da tigela com caldo do “van tan min” é normal.  Pra dar sabor extra … hehehe!!! Sem falar naquela famosa “tesoura” que ora corta as unhas do pé do cozinheiro, ora corta o “min” (macarrão), o “chói” (a verdura) … hehehe !!! Que nojo … arghhhhh, mas mesmo assim, a gente come e acha tudo muito “delicioso”. Macau Sã Assi …

Escola Comercial, Maio 1959

Escola Comercial, Torneio de Atletismo em Maio de 1959. Uma foto do acervo de Luís Baptista (EUA) que foi repassada por Rui Francisco (Macau).  Diz o Rui que é o primeiro à esquerda da bandeira da escola.

Hoquistas macaenses de HK e pessoal do HSBC

Recebi as 2 fotos abaixo através de um e-mail sem identificação, repassado por Rui Francisco, que dizia “hoquistas macaenses de Hong Kong e o pessoal do Shanghai Bank (HSBC) nos anos 50″. Numa das fotos constava Capi Foto, que julgo ser do Capitulé.  Percebo entre tantos outros, o meu irmão José da Luz, o meu primo Jorge Estorninho e tantos outros.  Se quiser colaborar pode comentar citando nomes da nossa malta.

Estas fotos são publicadas em 1a. mão aqui neste blog e depois em páginas específicas ao tema “Macaenses, nossas Memórias” ainda a ser criada no meu site Projecto Memória Macaense.  Imagino se houvessem mais e-mails assim, mais fotos poderiam ser compartilhadas com a nossa gente activando a nossa memória.

Clicar na foto para aumentar:

Quartel de São Francisco

Esta foto antiga do Quartel de São Francisco, felizmente preservada e que hoje abriga as Forças de Segurança de Macau, está publicada no livro “Meio Século em Macau” de J.J.Monteiro (foto antiga abaixo), uma edição do IIM – Instituto Internacional de Macau (direção de Jorge Rangel).  O Quartel traz muitas lembranças aos macaenses dos seus velhos tempos da tropa.  Como emigrei para o Brasil antes da idade para servir o Exército pouco posso falar a respeito, mas uma passagem simples que não sai da memória, é de eu, ainda criança, a fazer companhia a minha mãe, Maria Marcelina, que visitava o meu irmão José no quartel.  Ele foi-nos encontrar na porta, pois não podia entrar, mas estava eu morto de curiosidade para dar uma espiada lá dentro, para receber uma encomenda da mãe, que infelizmente não lembro do que era.  Talvez algo para comer.

Comprei os 2 volumes do livro no Teatro D.Pedro durante o evento do IIM no Encontro Macau 2010.  Não arrependi apesar do peso que faria na minha bagagem pelo limite imposto.  É simplesmente espectacular pelo seu conteúdo.  Muitas fotos e lembranças dos velhos tempos de Macau.  Está de parabéns o seu autor e editor! Belo trabalho! A tiragem inicial era de 500 exemplares.  Não sei se esgotou, o que seria natural. Não comprou ainda o seu? Então vá correndo, antes que esgote! Com a esperada licença do detentor dos direitos autorais, publico 2 imagens digitalizadas.

Sobre o Quartel de São Francisco, um histórico:

FINS MILITARES DA FORTALEZA DE S. FRANCISCO
No passado, acomodando várias fortalezas, a fortaleza de S. Francisco tem demonstrado função primordial para fins militares.
Em 1601 foi iniciada em Macau a fortificação pelos portugueses. Em 1613 foi construído o baluarte da Barra, que é a mais antiga fortificação de Macau. Em 1622 havia então uma bateria no ponto onde hoje existe o forte de Santiago da Barra, outra em São Francisco e uma terceira em Bomparto. Na mesma altura foram mencionadas : Fortaleza de N. S.ª do Monte de S. Paulo, depois fortaleza de S. Paulo ; Forte de N. Sr.ª da Guia ; Forte de Patane e Forte de N. Sr.ª da Penha de França.
A primitiva fortaleza de S. Francisco tinha um plano irregular, a fim de seguir os contornos da base de apoio onde estava localizada. A fortaleza sofreu alterações depois de 1775, e a mesma posteriormente edificada em 1864 tinha uma forma mais regular. Em 1872 foi desenvolvida uma fortificação costeira situada precisamente abaixo da fortaleza de S. Francisco, designada por Bateria 1.º de Dezembro, para controlar, assim, tanto a navegação entre Macau e a Taipa, como a aproximação do Porto Interior. Mas tudo isto desapareceu quando começavam os trabalhos de aterro em 1921.

CANHÕES E PAIOL
A fortaleza de S. Francisco tinha seis aberturas para seis armas de bronze e dois pequenos torreões de observação no cimo das muralhas de Leste e Oeste. Na base da fortaleza havia um reduto, construído em 1623, que se projectava para o mar e que tinha apenas uma abertura para a maior peça de artilharia de Macau – uma colubrina que disparava tiros de balas de ferro de 16kg com um alcance de 2,5km. Em 1745 a fortaleza de S. Francisco tem sete peças e um paiol do lado esquerdo.
Texto do site da Direcção dos Serviços de Forças de Segurança de Macau

(atualização 18/Abril) – Abaixo uma foto do início de 1900 em Macau que nos dá uma idéia de como era o Quartel São Francisco.  A rampa já existia.  Mal sabia os homens (culei) dos “ché chai” que uma dezena de anos depois, por lá passariam carros de corrida, como os de hoje da Fórmula 3 internacional. (foto da Revista Macau, artigo de Rogério Beltrão Coelho)


Tudo ok na Casa de Macau de SP

Para complementar os meus posts anteriores a respeito da situação peculiar acontecida na Casa de Macau de S.Paulo, na Assembléia de 27/02/2011, acabou candidatando-se no próprio dia, o Gilberto “Chito” Quevedo da Silva que já foi presidente 3 vezes.  Fez parte da comissão organizadora, também como presidente, que coordenou a fundação da Casa.  Essa situação peculiar era pela falta de candidatos a qualquer cargo durante 21 dias, após a 1a. data de encerramento de candidaturas.  Mesmo assim, a assembléia para a eleição dos candidatos foi realizada de qualquer jeito, e nela, o Gilberto acabou apresentando os nomes para os Órgãos Sociais, incluindo os conselheiros.  Penso que teve um trabalho enorme para convencer as pessoas. Espontâneamente parecia difícil. Eu decidi ficar fora de qualquer candidatura.  A diretoria do Gilberto tem ele como presidente. Rui Branco aparece como vice, Rolando Luz secretário, Frederico António como diretor financeiro (ou tesoureiro) e Francisco “Chico” Inácio como diretor social.

Oficialmente o mandato iniciou no dia 1º de Abril.  A Ata de posse foi assinada no domingo passado. Como conselheiros consultivos foram aprovados os nomes de Carlos Alberto da Silva Santos (o músico Charlie Santos), João Luís e Carlos Luís.  Para conselheiros fiscais ficaram Boaventura Luz, Aníbal Joaquim e Catarina Santos.

Lembro que li no Clarim, por ocasião do Encontro 2010, uma entrevista do presidente anterior que alimentava esperança de ver uma possível candidatura da Nova Geração nesta eleição.  Mas ficou só na expectativa e a boa vontade.  Na verdade os possíveis candidatos estão bem envolvidos na sua vida profissional que, nem sonhar, poderiam dispender o seu tempo para administrar a Casa de Macau local que tem uma grande estrutura. Penso que no máximo poderiamos alimentar esperanças na geração imediata, ou seja, aqueles que eram jovens há 20 anos atrás, para os quais, na época, não houve todo o aparato de hoje para a Nova Geração.  Naquela época, eles acompanhavam os seus pais nas atividades da Casa, mas, infelizmente, por motivos diversos, estão afastados.  Talvez devessemos investir neles, pois são o futuro da Casa ou das Casas nos próximos 20 anos.  A Nova Geração de hoje poderiam fazê-los companhia daqui a uns 15 anos.  Isto é, se até lá ainda existir a Casa de Macau com toda esta estrutura de hoje. Talvez não!

Outro dia, comentava com a minha esposa, se um dia as reservas financeiras da Casa estiverem próximo do vermelho e se tiver que abandonar a estrutura atual, ou coisa assim, pode até terminar fisicamente, mas … a gente começa tudo de novo !!! Se tomar como exemplo várias Casas dos EUA e Canadá, até uns tempos atrás, não havia sede, as atividades, festas, reuniões, aconteciam nos restaurantes, parques etc. E, na pior das hipóteses, porque não podemos nos reerguermos desse jeito e depois, vamos ver o que acontece e o que pode ser feito.  Assim, nada de ficar tão preocupado assim, se houver boa vontade e disposição, repito, “a gente começa tudo de novo”. Quanto a isso, podem contar comigo e julgo de muitos ou vários!!!

Rui Francisco lembra os tempos da tropa

Rui Luz Francisco (Macau)  enviou esta foto, à esquerda de uniforme claro-branco, a lembrar os seus tempos de tropa de 1964 a 1966.  Era furriel miliciano no quartel de Mong Há.  A foto mostra a participação do Exército numa procissão de velas em véspera de 13 de Maio (N.S.Fátima).  Acrescenta que o meu cunhado, Manuel Figueiredo Ramos (Portugal) que também era furriel, servia no mesmo quartel.  Manuel fazia parte de um agrupamento dos Caçadores Especiais enviado para Macau pelo  Exército de Portugal.

Lembro nos meus tempos de juventude em Macau que fascinava o nome de Caçadores Especiais. Soava como uma espécie de tropa de elite. Puxando ainda mais a minha memória, lembro que naqueles tempos havia uma certa reserva de famílias macaenses quanto a relacionamentos das filhas com os soldados ou oficiais metropolitanos. Isto é sabido! O Manuel após uma certa resistência do meu pai, acabou casando-se com a minha irmã Yolanda.