Na revista da edição 15 Anos do Instituto Cultural de Macau (1982 – 1997) “Na Afirmação de Uma Identidade”, como uma prestação de contas do que foi feito em Macau, foi publicada esta interessante foto (provavelmente 1993 ou 1997), que particularmente não tinha visto, tirada do alto (topo) da Av. Almeida Ribeiro. Na época, de 1989 a 1993, vários prédios passaram por um processo de restauração que custou MOP 3.744.720,00 com o apoio da Fundação Oriente:
Penso que a avenida em si pouca coisa mudou. Foi preservada, por enquanto. Quanto à paisagem do fundo, então … Até precisaria tirar uma foto 2011 para se ter uma idéia da quantidade de prédios que se acrescentou no fundo, o Porto Exterior. Já li no Jornal Tribuna de Macau há tempos atrás, sobre planos para até demolir os velhos prédios centenários, a pretexto de melhor fluxo de trânsito, coisa assim!!!
Toda vez que vou a Macau, vejo, entristecido, a decadência da nossa velha avenida, de muitas lembranças. O ideal seria que fosse restaurada, mantendo os atuais prédios, tal como vemos na Europa ou outros paises. Por outro lado, ouço falar que há um certo desinteresse pela sua ocupação, que parece, muitos andares superiores andarem vazios. Vocês de Macau é que saberão dizer! Não saberia dizer se fossem bem restauradas, poderiam tornar-se residenciais ou até comerciais por um preço razoável tanto de venda ou de aluguel/aluguer. Pelo menos em São Paulo, isso ocorre com muitos prédios antigos, embora Macau é Macau.
Na revista, junto com estas e várias fotos dos prédios da avenida, há o histórico abaixo:
“A abertura desta avenida nos princípios do séc. XX (1910 – 1930), sobre um bairro chinês, foi de extrema importância para o desenvolvimento de Macau ligando o Porto Interior ao Porto Exterior. Tornou-se, em conjunto com as suas transversais, na artéria comercial mais importante da cidade durante mais de 50 anos. com um comércio variado que se reflectia e reflecte, na variedade e colorido dos anúncios publicitários onde tudo havia o que era necessário à cidade. A sua abertura deu origem à construção de um conjunto de edifícios com areada sobre o passeio, construídos entre os anos 10 e 30, cujo estilo da fachada varia entre o revivalista neoclássico e o modernista com elementos decorativos “art deco”. existindo ainda um dos poucos exemplares de arte nova em Macau.
Do conjunto de edifícios restaurados , num total de 73, poder-se-ão distinguir para alem dos nos.407 e 411, em arte nova. os nos.48 a 80. cuja fachada é mareada pela multiplicidade de varandas e os nos.386 a 396. edifício claramente “art déco”. O restauro exterior dos edifícios desta avenida incluiu a reparação de fissuras, fendas e rebocos, limpezas, execução de novas caixilharias seguindo os modelos originais, pinturas e reparações das coberturas sempre que necessário.”
As fotos são do Arquivo do Departamento do Património do ICM, que penso deve ter um riquíssimo acervo.