Archive | julho 2011

O Álbum da Malta da ADM

Um amigo repassou-me o email da ADM – Associação dos Macaenses (de Macau), solicitando contribuição de fotos para confecção de um álbum de fotos da malta.  Apesar do pedido não ter sido feito diretamente para este blog e o PMM, o autor entendeu ser necessário oferecer o seu contributo para a divulgação do pedido conforme especificado nos 2 arquivos em pdf abaixo.  Basta clicar e ler o seu conteúdo que é bem explicativo.

Como macaenses, faço votos para que a ADM consiga arrecadar muitas fotos e montar um belo álbum. Por minha parte, vou pesquisar os meus arquivos pessoais e ver o que posso contribuir com fotos minhas ou dos meus familiares. Contribua você também para o sucesso dessa bela iniciativa da Associação dos Macaenses.

Album.Malta.email.Miguel.S.Fernandes

ALBUM DA MALTA.instrucoes

Momentos do Encontro 2007

Esses os Momentos que a minha máquina fotográfica registou no Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2007.  Assim selecionei algumas fotos que achei boas para montar este curto vídeo-foto-clip de pouco mais de 2 minutos, ao som do violão/viola do brasileiro Geraldo B.Oliveira com a música Pomp and Circunstance (Pompas e Circunstâncias).  Espero que gostem.  É dedicado a todos que puderam ou não puderam participar do Encontro, sejam quais os motivos:

Vasco Rocha Vieira e o arriar da bandeira portuguesa

Esta cena certamente não sai da memória de muitos portugueses e macaenses.  Era o adeus da era portuguesa de Macau.  Encerrava-se ali no Palácio do Governo, em Dezembro de 1999, uma linda história que durou cerca de 420 a 440 anos.  Nós fomos privilegiados pelo destino para assistirmos a tudo isso. Poderia ter acontecido no futuro em que não mais estivessemos mais vivos.  Mas para os nossos avós, bisavós ou pais que não estão mais conosco,  se imaginassem que no futuro isso pudesse acontecer, então esse futuro somos nós. justamente na nossa geração.

Esta também era a sensação do Governador Vasco Rocha Vieira, ao relatar no seu livro “Todos os Portos a que Cheguei“: ” senti que não era eu que estava ali. Eram muitas gerações. Senti que era um momento que representava séculos de história. Que representava o esforço e a vida de gerações e gerações de portugueses“.

Pedindo permissão ao Pedro Vieira/Gradiva Publicações/Guilherme Valente e ao Governador Vasco Rocha Vieira, reproduzo abaixo trecho do livro que descreve aquele momento do arriar da bandeira portuguesa, no Capítulo XXIV – Memória de um gesto:

Às 17 horas, precedidos pelos filhos, o general Vasco Rocha Vieira e a sua mulher saem para o pátio onde está tudo a postos para o solene arriar da bandeira nacional. Enquanto se cerram as portas do Palácio da Praia Grande, Leonor e os seus filhos vão tomar lugar na extremidade mais afastada da primeira fila dos convidados e o Governador dirige-se para o pequeno estrado de onde irá presidir à cerimónia. No exterior estão alguns milhares de pessoas — macaenses, portugueses e chineses — que acorreram ao palácio. Ao som do Hino Nacional, a Bandeira Nacional desce lentamente no mastro do Palácio da Praia Grande. Uma linha invisível une o olhar de Rocha Vieira ao escudo português no frontão do edifício que constitui a expressão física do poder de Portugal em Macau. «Enquanto se tocava o hino e olhava para a esfera armilar com o escudo, senti que não era eu que estava ali.

Eram muitas gerações. Senti que era um momento que representava séculos de história. Que representava o esforço e a vida de gerações e gerações de portugueses. Ao olhar para o escudo, sentia que era Portugal que estava ali», diz.

Depois de arriada e dobrada por elementos da guarda de honra, a Bandeira Portuguesa foi colocada sobre a bandeja.  Quando o Governador a recolheu, levou-a ao peito sobre o lado esquerdo. E foi de bandeira ao peito que caminhou ao longo da passadeira vermelha até à viatura oficial parada na estrada, à esquerda, o lado por onde se conduz em Macau. Pôde assim entrar directamente no carro, enquanto a sua mulher entrava do outro lado. Já no interior do automóvel, confia a bandeira ao tenente-coronel Tiago Vasconcelos, que a guarda numa pasta previamente preparada para o efeito. A viatura iniciou então a marcha por entre as pessoas aglomeradas nas imediações a acenarem em gestos de adeus.

Apesar da grande emoção, o Governador não deixou escapar uma lágrima durante a cerimónia. Para Rocha Vieira, «controlar-se não é uma questão de ser frio, é uma questão de ser racional».

Chorar é «uma expressão interior, muito pessoal», que ele considera que lhe estava vedada. «Não tenho o direito de o fazer quando sou intérprete de algo que me transcende a mim próprio.

Mas eu não estava a ser frio. Estava muito emocionado.»”

O site Projecto Memória Macaense em Macau, Ecos do Passado publica 3 páginas a recordar a Macau da era portuguesa, que consiste da mensagem do Governador no website oficial do Governo com a História, Geografia e População na versão portuguesa.  Traz também a biografia do Governador e o seu pronunciamento do que espera da transição e o futuro, bem como do Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio.  Jorge Rangel, Salavessa da Costa e Anabela Ritchie em suas entrevistas ao Diário de Notícias também tocam no mesmo assunto.  Vale a pena dar uma olhada! Veja a partir deste link – http://rpdluz.tripod.com/projectomemoriamacaense/macau.ecos.passado.2.html – depois localize as ligações para as 2 páginas seguintes.

Veja o vídeo desta cerimónia do Palácio do Governo no canal da YouTube de hbcdias:

A revista Oriente / Ocidente

Esta crónica foi publicada no Jornal Tribuna de Macau em 18/07/2011 assinada por Jorge Rangel, que traz informações que valem uma boa leitura.  Faz parte da sua série que tem livro publicado com o mesmo título – Falar de Nós

- Falar de Nós - 

Oriente / Ocidente – vinte e seis números publicados

Jorge A. H. Rangel*

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo.

Do editorial do n.º 26 da “Oriente / Ocidente”

É sempre motivo de satisfação, para quem se dedica à preservação, valorização e divulgação da memória da sua terra e da sua comunidade, ver sair do prelo mais um livro, revista ou simples boletim informativo em que se fazem mais registos dessa memória e de acontecimentos e personalidades que dão sentido a uma comunidade viva, orgulhosa da sua história e parte activa na construção do futuro da terra onde nasceu ou onde vive e que foi o ponto de partida para a diáspora que as suas gentes laboriosamente criaram e consolidaram nos novos mundos que demandaram. Saúda-se, por isso, a publicação de mais um número da “Oriente / Ocidente”, revista do Instituto Internacional de Macau (IIM), ora em distribuição e cujo conteúdo é largamente dominado pelo último Encontro das Comunidades Macaenses, realizado em Novembro e Dezembro de 2010.

Vinte e seis números foram já publicados neste seu presente formato, desde que, de pequena “newsletter”, foi tendo o seu conteúdo, dimensão e arranjo gráfico crescentemente melhorados. Inicialmente coordenada por Luís Sá Cunha, os responsáveis pela publicação são agora Rufino Ramos, como editor, e José Mário Teixeira, como adjunto.

Os propósitos da revista

O editorial deste número explica bem os propósitos da revista:

“Macau sempre foi uma cidade vanguardista no processo da mundialização. Há já cinco séculos que assumiu o papel de plataforma entre os universos oriental e ocidental e, desde então, tem cumprido esse papel de uma forma única. Se bem que a sua localização geográfica foi, e é, um ponto importante neste processo, é certo que não foi exclusivamente graças a esse ponto, o sucesso alcançado pelo território. As gentes de Macau e as suas criações foram, indubitavelmente, a chave do êxito deste pequeno pedaço de terra. Gentes e criações que deram origem a um património identitário único no mundo, pela sua diversidade e harmonia.

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a data da sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo. Lado a lado com Macau, a história do IIM é, também, uma história de sucesso.

A participação no Encontro das Comunidades Macaenses 2010 coroou um ano próspero do IIM, numa homenagem conjunta ao patuá, a personalidades, a instituições, a memórias… e a Macau. Nestes momentos de triunfo da comunidade sobre o esquecimento, criam-se espaços novos, num processo eterno de criação e manutenção da identidade macaense.

Para cada pessoa que parte, criam-se também espaços de homenagem e de memória. Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros e Lídia Cunha foram peças no processo de criação de Macau e merecem, também, um destes espaços, na memória de cada um e na identidade de todos.

Este número da ʻOriente / Ocidenteʼ é a prova disso.”

Um rico conteúdo

Várias páginas foram, assim, dedicadas à memória de Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros (Neco) e Lídia Lourdes da Cunha. “Macau sempre foi terra produtora de grandes homens e grandes histórias. Aventureiros ou contadores de histórias, homens das ciências ou das letras, os filhos da terra deixaram a marca de água, uma identidade que pertence, agora, a todos os que partilham este pequeno espaço, portal entre as dimensões ocidentais e orientais”. Quando esses homens e mulheres nos deixam para sempre, quem fica sabe honrar a sua memória. Foi assim ao longo de muitas gerações.

Os momentos mais significativos do Encontro das Comunidades Macaenses são evocados neste número, profusamente ilustrado com fotos dos acontecimentos mais marcantes, como a entrega do Prémio Identidade à União Macaense Americana e à Santa Casa da Misericórdia de Macau, a reunião do Conselho das Comunidades Macaenses, a recepção do Chefe do Executivo aos presidentes das Casas de Macau, a reabertura do espaço do velho edifício do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, totalmente remodelado, as sessões culturais e os animados convívios, sessões de lançamento de novos livros relacionados com Macau e a comunidade macaense e a simbólica oferta de uma aguarela do pintor russo Smirnoff ao Museu de Artes de Macau, intermediada pelo IIM e entregue pessoalmente pela sua proprietária, Cecilia Maria Yvanovich Burroughs. A aguarela é um retrato desta senhora, agora residente nos EUA, que Macau acolheu nos anos difíceis da Guerra do Pacífico e aqui residiu durante três anos. Visivelmente comovida, expressou a gratidão à terra que tão bem recebeu a sua família e tantos outros membros da comunidade portuguesa de Hong Kong e gentes de muitas origens.

Este número da “Oriente / Ocidente” contém, também, um extenso artigo sobre novas edições do IIM e reportagens sobre algumas das mais relevantes actividades levadas a efeito recentemente, como a continuação da itinerância da exposição “Macau é um espectáculo”, sessões de divulgação do patuá nas Casas de Macau, seminários realizados em várias partes do mundo, o programa DOCTV da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que o IIM ajudou a estender a Macau com a colaboração da TDM, a atribuição do prémio Jovem Investigador e de prémios do IIM a alunos da Escola Portuguesa de Macau, a assinatura do protocolo de cooperação que aproximou o IIM do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, a sessão da AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa realizada no auditório do IIM e a visita do Conselho Superior dos Institutos Politécnicos Portugueses a Malaca, organizada através do IIM.

Notícias da diáspora macaense e de encontros realizados pelo IIM com entidades oficiais (Chefe do Executivo da RAEM, Secretário-Executivo da CPLP, Secretário-Geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial da China com os Países de Língua Portuguesa, Presidente do Instituto Camões e responsáveis pela Expo Mundial de Xangai e do pavilhão de Portugal nesse certame) completam o conteúdo da revista.

Testemunho de Cecilia Yvanovich

Vale a pena ler o testemunho muito sentido de Cecilia Yvanovich:

“(…) Os japoneses ocuparam Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941. Sendo de cidadania portuguesa, a nossa família não foi encarcerada pelos japoneses. Não viemos para Macau como as outras famílias senão quase em finais de Outubro de 1942, quando Hong Kong foi bombardeada pelos aviões americanos. Foi então quando o nosso pai decidiu que era tempo de a nossa família mudar-se para Macau. Meu pai e minha mãe, Vincente e Pureza Yvanovich, e os filhos, Teresa, Vincent Jr., Helen, Cecilia e John, embalámos o que foi possível e deixámos a nossa casa para virmos para Macau.

A Administração Portuguesa de Macau recebeu os refugiados portugueses de Hong Kong. As famílias eram alojadas em centros de refugiados mas nós fomos muito afortunados por nos ser possível habitar numa bonita casa na Estrada da Vitória, durante a nossa estada em Macau. A guerra acabou em Agosto de 1945 e em Outubro nós regressámos a Hong Kong.

 

São felizes as recordações que tenho desse três anos em Macau. As pessoas e a Administração não podiam ser mais hospitaleiras e amigáveis. Os residentes de Macau, com idade entre os 18 anos e os 30 e aqueles de Hong Kong, quase da mesma idade, rapidamente se tornaram amigos e muitas vezes se juntavam em festas, chás dançantes e outros eventos. George Smirnoff, que ensinou pintura a vários deles, juntava-se muitas vezes a nós. Foi através destas pessoas amigas de Macau que eu conheci George.

Ficarei muito contente e honrada quando o meu retrato figurar juntamente com as outras bonitas aguarelas de Smirnoff, das muitas paisagens que ele pintou de Macau.”

Em breve sairá a versão em chinês e inglês e o próximo número da edição portuguesa deverá ser distribuído no fim do ano.

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

Mulher Macaense, quem fala dela?

Guilhermina Pedruco, Miss Macau 1989

Acabo de assistir na tv a eleição da Miss Brasil 2011 que elegeu a candidata do Estado do Rio Grande do Sul, Priscila Machado, uma bela gaúcha da região mais européia do Brasil, vizinha da Argentina e do Uruguai.  As gaúchas são sempre favoritas, pois sempre trazem belas candidatas de uma região especialmente composta por imigrantes alemães, italianos e portugueses.  Mas não vim aqui para falar desse concurso, pois enquanto assistia o programa, por momentos fiquei a pensar na mulher macaense.  Quem fala dela?

Falamos da nossa terra Macau, da nossa memória, a comunidade, gastronomia, patuá, música etc … Boa parte das fotos publicadas aparecem mais homens que mulheres.  Até fiz essa observação achando que o que publicava, estava masculino demais.  Procuro o feminino, mas pouco material tenho.  São mais de homens músicos, hoquistas, futebolistas, alunos e ex-alunos etc. Mostrar a mulher macaense de hoje e de ontem? um pouco difícil.  Dei destaque para as belas Pedruco, misses de Macau, como nesta postagem, da Guilhermina em 1989, quando foi coroada com 19 anos de idade.

Se disserem que muitas, outrora belas nos anos 50, 60 …, já estão mais maduras ou com mais idade, então responderia, podemos falar delas dos anos 60, digamos, da minha época de ouro em Macau.  Tinha lá várias que eu admirava a beleza, mas não ouso falar os nomes (vais ficar mortinho de curiosidade, paciência! Fale você …)  Mas não necessariamente da beleza que temos que enaltecer, mas a mulher macaense em si.

A mulher macaense pode ser, puramente portuguesa, mestiça de português e chinês, macaense de múltiplas misturas como das Índias, Malacas, Timor, mestiça com inglês e daí por diante. Qual predomina? Diria a mestiça de português e chinês, ou macaense tradicional  com chinês? Pode ser! Ou então, poderiamos incluir a puramente chinesa, que no entanto, estudou em escola portuguesa e tem o nome português.  Acho que sim, porque não?

Fico imaginando coisas, como abrir páginas no Projecto Memória Macaense para abrigar referências à mulher macaense, ou abrir uma enquete para as pessoas colocarem os nomes das mulheres macaenses mais bonitas de uma época, por exemplo dos anos 50 e 60, ou … ah … imaginação!!! O caso é que tudo isso depende de colaboração externa.

Bom, divaguei sobre o tema.  Se pouco ou nada conseguir fazer, pelo menos toquei no assunto.  Falei da Mulher Macaense, lembrei-me de você !!! E a publicação das fotos desta beldade macaense, Guilhermina Pedruco, é um esforço para homenageá-la.

A propósito, se residisse em Macau, eu procuraria fotografar as mulheres macaenses e fazer ampla divulgação, para que o mundo conhecesse como elas são. Mas eu aqui, do outro lado do mundo, quanto posso fazer? Muito pouco.  Assim, uma sugestão aos amantes de fotografia em Macau e porque não, da Diáspora: tirem fotos, abram um álbum (Picasa, FlickR etc)  ou blog, ou Facebook, etc, e divulguem (me mande o link).  Se quiserem me mandar umas fotos, eu divulgo aqui ou no PMM. E olha que em Macau temos excelentes fotógrafos macaenses.

As fotos são da Revista Macau nº 18 de 1989.  Não há referências quanto ao fotógrafo.  Se alguém quiser comentar informando o seu nome, agradeço!

Hércules António, conheça-o

Na postagem Acervo de Hércules António pedia informações ou contato com um dos seus familiares, em função de um DVD que tinha em meu poder, das filmagens feitas por ele e que estão sendo repartidas em vídeos divulgados no YouTube pelo Projecto Memória Macaense.

Para minha alegria, o apelo foi atendido e tive o contato da Cremilda, sua filha, que gentilmente enviou dados sobre o Hércules António e várias fotos, além de uma crónica que ele escreveu para o Jornal Tribuna sobre as suas viagens.  O PMM abriu uma página no site (veja em Gente) com várias fotos e os 3 primeiros vídeos editados – o VI Grande Prémio de Macau, Parada Militar do Dia de Portugal e vistas de Macau dos anos 60 ou fim de 50.

Conheça então o Hércules António:

Hércules António nasceu em Macau, em 2 de Dezembro de 1922.  De pai português e mãe chinesa, casou-se em 21/Agosto/1949 com Ana Lisboa António com quem teve 5 filhos.  Estudou no Seminário de São José e na Escola Comercial Pedro Nolasco.

Na década de 50, trabalhou em Macau nos Serviços de Saúde e nos Serviços Sínicos.  Foi convidado para lecionar o primeiro curso de chinês no Liceu Nacional Infante Dom Henrique. 

Concluiu o curso de solicitador que lhe permitiu montar seu esritório após a reforma da função pública.  Abriu a sua fábrica de produção de porcelana em Macau que exportava para a Europa e Oriente Médio. Na década de 80, instalou em Portugal um armazém e escritório para venda de artigos orientais. Veio a falecer em Portugal em 25 de Fevereiro de 1985.

Amava viajar, tanto que escrevia para o Jornal Tribuna suas crónicas das viagens. Dessa paixão, tinha o sonho de comprar o seu barco de recreio que acabou se concretizando, e baptizou-o com o seu póprio nome.  Outro dos seus passatempos favoritos era de filmar, facto que possibilitou a montagem de diversos vídeos históricos aqui exibidos, e que o PMM na sua divulgação, os dedica à sua memória.

o barco de recreio era o seu sonho concretizado

Rádio Vila Verde

O texto abaixo é um trecho da recente divulgação do Projecto Memória Macaense, do artigo escrito por Paulo Rego na Revista Macau em 1994 com o título – Quando o Futuro era a Rádio. O link está na página de entrada ou na página-guia de Macau e depois em Histórias de Macau.  Na página você ouve o Bijú – John dos Santos Hetherland a tocar com o seu bandolim e back de seu arranjo – Só a Portuguesa – de Pedro Lobo, que era a música de abertura/fechamento da Rádio Vila Verde. A música se reproduz automaticamente ao entrar na página. Mate as saudades!

Eram aqueles tempos em que Macau ainda não tinha televisão.  Lembro-me que por volta de 1966 ou 1967, havia tentativas de captar o sinal diretamente de Hong Kong através de antena.  Até meu pai procurou ver essa possibilidade da varanda dos fundos da nossa casa na Calçada Tronco Velho. Enquanto isso, na falta de tv, ouviamos rádio, faziamos request e eu tinha o hobby de gravar músicas com o meu gravador de rolo que preservo até hoje. A rigor, a nossa vida sem tv era mais animada, mais humana.  Ao invés de ficar sentado diante de um aparelho de tv, a gente saia para comer fora, ir ao cinema, reunia-se com amigos, passeava, etc. etc.

A Rádio Vila Verde

(um texto de 1994 por Paulo Rego – Revista Macau)

A essa rádio de serviço público surgiu um único complemento sério. Pedro José Lobo, figura proeminente da sociedade macaense, sustentou durante mais de uma década emissões em português na Rádio Vila Verde. Uma paixão na qual ainda hoje se reconhecem contornos de alguma ambição, e que sangrou significativamente os seus vastos rendimentos. A 6 de Março de 1952, depois de longo período de experimentação, entrava no ar a Rádio Vila Verde, com emissões em chinês e em português. A língua inglesa tinha tratamento especial e entrava também na emissão através da opção simultânea bilingue.

Velhos e bons tempos, comenta, saudoso, Johnny Reis (na foto, o do centro). Actualmente a dirigir o arquivo discográfico da Rádio Macau, um dos mais antigos profissionais de rádio no território, está agora afastado do microfone, à frente do qual interpretou cerca de quatro décadas de transmissões em Macau. o recurso a actividades complementares ao serviço em antena provoca-lhe saudades. é certo. mas nenhum lamento transparece no discurso reconstitutivo de memórias confessadamente pouco vincadas. Pelo contrário, Johnny Reis deixa transparecer alguma “inadaptabilidade” aos novos conceitos imprimidos na rádio moderna. As condições técnicas precárias e os velhinhos “78 rotações” exigiam maior presença do autor dos programas; a televisão estava muito longe de fazer a sua aparição avassaladora na estatística das audiências; e a estratégia personalizada das emissões reflectia verdadeiros diálogos inesquecíveis com os ouvintes. Johnny Reis opta mesmo pela crítica: Não posso conceber duas músicas seguidas sem intervenção do locutor. explica. e hoje ouço programas inteiros durante os quais a sua presença mal se nota. Puxando dos galões da experiência, Johnny Reis vinca essa saudosa convicção: Há sempre qualquer coisa a dizer aos microfones!

São marcas de um passado com alegrias inesquecíveis e tristezas inconfessadas. Johnny Reis, pragmático confesso e observador desatento, repescou ainda na memória um dos seus dias de maior emoção radiofónica. Infelizmente, diz, reconheceu posteriormente ter vivido em simultâneo o prenúncio dos últimos dias para as emissões em português na Rádio Vila Verde. Nos finais de 1966 a revolução cultural chinesa empolou temores de intervenção no projecto de Pedro José Lobo. O empresário deixou cair o canal português, cedendo aos argumentos do perigo de ataque à estação. Dias antes, Johnny Reis pressentira o início do fim do sonho privado em português: Aquela noite sem fim com leituras de comunicados do governador fica marcada mesmo em memórias distraídas como a minha. Das 18 às sete da manhã. mantivemos diálogo permanente com a população. Fechado no estúdio, numa rádio longe do actual conceito retocado de omnipresença, via repórteres, Johnny Reis estava afinal longe de saber o que realmente se passava. Era a rádio, contudo, o elo de ligação com a mensagem possível.

O canal chinês da Rádio Vila Verde ainda hoje emite, constatação reveladora do imperativo económico do fecho do canal lusitano, acelerado na altura pela conjuntura política desfavorável. As emissões cantonesas, essas podiam sobreviver em Macau, sem défice, segundo lógicas comerciais… Claro está, em razão de um painel publicitário com alvos definíveis no seio da grande maioria da população. O que à história nenhum circunstancialismo retira são emoções ao microfone vividas por testemunhas oculares como Johnny Reis. No fundo, como em todas as situações de crise, Macau pôde, já então, beneficiar de uma corrente presa à racionalidade informativa. À escala própria do amadorismo então vigente, ouvidos colados ao receptor criaram amigos indispensáveis: os “heróis” da versão audível.

JTM entrevista o autor do PMM e blog CM

JTM.Julho2011.entrevista.com.Rogerio.Luz

Caros leitores,

O meu convite para lerem a entrevista concedida pelo autor do Projecto Memória Macaense e deste blog ao Jornal Tribuna de Macau, clicando no link acima, a respeito do Prémio Identidade 2011.

Abraços

Rogério P.D. Luz

Macaense ou Macaensi, eis a questão!!!

Armando Rozário (Cabo Frio/Rio de Janeiro/Brasil – ver postagens anteriores) comenta na sua coluna (em 2007) num website macaense (só que é o macaense de Macaé, município no Estado do Rio de Janeiro/Brasil), sobre desde quando e de onde vem o nome dado a nós de “macaense ou macaensi”:

“Esta é a minha 2ª contribuição que é postada sob o título “Macaensi”.  Prometi explicar o porque de eu ter utilizado “macaensi” e não “macaense”.  Os Jesuítas começaram a imprimir livros na antiga colónia portuguesa de Macau nos anos de 1580, cerca de 450 anos passados. Qual a origem do nome Macau? De acordo com alguns escritores, foi com base na deusa chinesa “A Ma”.  Os portugueses utilizaram o prefixo “Ma”, acrescentaram “ca” (do português – cá=aqui) e terminaram com “ensi” do latim – relativo a – e assim se formou “Macaensi”.  Meus pais são descendentes do “Macaense” ou como dizemos hoje “Macaenses” (de Macau)” .  Sou também um “Macaense” homenageado de Macaé com a concessão de um diploma vários anos atrás (ver a postagem sobre ele).

Como referência a esta palavra do Latim, vocês podem ver no “Christiani Puerri Institutio” um livro que foi publicado em Macau em 1588.  Aqui está o endereço eletrónico que pode ser lhe interessante.  O último parágrafo do 2º endereço é escrito em português -

www.humanismolatino.online.pt/v1/pdf/C003-001.pdf

http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/361/36100201.pdf

(clicar para aumentar)

Blogs para citar

Blog Caderno do Oriente de MJ

Nas minhas pesquisas na Internet achei algumas ligações para este blog que fala de Macau.  Já o conhecia de alguns tempos atrás. É didático e tem boas fotos.  Gostei! O que acho interessante do blog é quando você procura saber quem é o autor, em primeiro, constata que é uma autora que se identifica apenas pelas iniciais MJ, e só! Consta que ela é de Macau.

No perfil tem ligações para seus outros  blogs -Estrada do Mar Oriental e Flor de Lótus . No entanto, MJ não se identifica também.  Intrigado, cliquei no seu álbum de fotos do FlickR. Ah, aí até vi que me constava como seu contato, e o seu nome é Maria Janeiro.  Apenas isso! Sem sua foto.

Comento isso, pois quando se tem uma publicação na Internet, você acaba dandos detalhes de si.  A MJ é discreta, não se preocupa com a divulgação pessoal, apenas do que tem a divulgar de Macau.  Ainda se fosse um blog polémico, até poderia se dizer que se ocultava sob as iniciais, mas nada, o blog está longe disso.  Por tudo isso, tenho que tirar o chapéu para a MJ e fazer uma reverência pela sua discrição.  Parabéns pelo seu trabalho, minhas saudações!!! (clicar nas palavras em azul para visitar as publicações da MJ)

Nota: Aliás, outra publicação sobre Macau e em forma de blog.  Por isso que o PMM decidiu conciliar o site com divulgações em blog.

Blog Povos Cruzados (Malaca)

Obtive o link para este blog no de MJ acima.  Logo à entrada, o apelo “Colabore conosco – Salve a nossa cultura” e a “Pintura” de Gwen Alcantara – Para Conferência ou Exposição Fotográfica a reverter a favor da Comunidade Luso-descendente de Malaca contactar Cátia Bárbara Candeias”:

O blog é de “Cátia Bárbara Dias Candeias.Bolseira do Instituto Camões (2009-2011). Coordenadora do Projecto:Povos Cruzados-Futuros Possíveis, de Melaka, Malásia.

Inegavelmente, pús-me a pensar, daqui a quanto tempo, Macau e a Comunidade Macaense ficaria numa situação similar a Malaca? Está certo que os tempos são outros, que somos mais numerosos e muito mais estruturados que naqueles tempos, mas estariamos sujeitos viver numa situação meio parecida com o divulgado no blog num futuro longínquo ou não tão … ? Será que o número de falantes (do português) está a diminuir na comunidade macaense também?

Encerro esta postagem convidando-os para uma visita ao blog e ver o belo trabalho da Cátia Candeias, bem como, fazer uma reflexão sobre o nosso futuro, mesmo que talvez não estejamos vivos para ver se viveremos situação similar à Malaca, assim espero, mas avaliar o que podemos fazer para minimizar os riscos.


foto: Celebrações da UNESCO, Malaca 2010

Armando Rozário, conheça-o

(antes de ler esta postagem, veja a anterior, “Armando Rozário, quem é ele?”)

Complementando a postagem anterior conforme recomendação acima, trago-lhes um perfil de Ruy Castro que fala sobre o Armando Rozário:

Um perfil de Ruy Castro:

ARMANDO ROZÁRIO: O FOTÓGRAFO QUE COBRIU A TOMADA DO PODER NA CHINA POR MAO TSÉ- TUNG

O fotojornalista Armando Rozário, nosso colunista, esteve no Rio de Janeiro participando, na Toca do Vinícius, do ato de gravação da placa de cimento número 50, pelas mãos do jornalista e escritor Ruy Castro, seu amigo dos velhos tempo de papo em Ipanema com a famosa e irreverente turma do Pasquim. Ruy, ao lado de 49 personalidades do mundo artístico e literário, faz parte agora do Acervo de Mãos Calçada da Fama de Ipanema, que completou 37 anos.

Em seu livro “Ela é Carioca”, Ruy Castro conta a fascinante história do chinês que veio para o Brasil e se tornou um dos mais importantes fotógrafos e o primeiro a entrar com um processo e ganhar a causa na Justiça contra um veículo de imprensa (revista Manchete) por ter usado uma foto sua atribuída a outro, criando jurisprudência para outros casos.

A foto, de 1968, era de dona Júlia, mãe do ex-presidente Juscelino. Diz Castro: -”Ao chegar ao Rio, em 1955, e ir trabalhar na Manchete, Armando Rozário chamou a atenção por três motivos: 1) ser chinês, apesar do nome; 2) falar pouco, só o essencial, e quase num sussurro; 3) ser o maior prodígio da fotografia que aparecera por aqui.

 Tinha 24 anos, mas já era um veterano. Quando adolescente, fotografara a tomada do poder na China por Mão Tsé-tung para uma agência americana da qual era correspondente e trazia toda a técnica que aprendera com os mestres orientais e europeus da fotografia. Foi um dos primeiros a usar câmeras 35 milímetros no Brasil, a saber explorar a cor e a fotografia sem flash, com luz ambiente, apesar da pouca sensibilidade dos filtros da época. Era craque também em laboratório: entendia de filme e revelação, coisa então rara entre nós. E era tão econômico para fotografar quanto para falar: ao sair à rua a trabalho, não ficava clicando à toa. Fazia poucas fotos – todas surpreendentes e perfeitas. Os olhos amendoados, que pareciam não combinar com o nome, se explicavam.

Ele nascera em Hong Kong, seu pai era português de Macau, sua mãe, francesa e sua primeira línguas fora inglês. Quando o Japão ocupou Hong Kong na Segunda Guerra, eles fugiram para Macaé, onde Rozário aprendeu inglês com os jesuítas. Numa família inteira de economistas, só ele se interessou por câmeras e lentes. Formou-se em fotografia em Cambridge, Inglaterra.

 Em 1956, pela Manchete, Rozário e o repórter Carlinhos Oliveira acompanharam o dr. Noel Nutels ao Xingu. Começou ali sua longa ligação com as coisas do Brasil. Nunca mais deixou de fotografar índio, bicho ou planta, mesmo que, por duas vezes, o ataque de inimigos ocultos e traiçoeiros quase lhe custasse a vida. Da viagem ao Xingu, Rozário herdou um vírus na coluna, que por algum tempo o deixou paralítico (foi salvo pelo neurocirurgião Abraão Ackerman).

De outra viagem, no ano seguinte, esta à Amazônia e a serviço de O Cruzeiro, trouxe uma queimadura que lhe atrofiou a perna e a medicina oficial não soube identificar nem tratar (foi salvo pela homeopatia). O currículo de Armando Rozário é quase insuperável. Além de Manchete e O Cruzeiro, suas fotos estão nas coleções do Jornal do Brasil e de revistas como Senhor, Cláudia, Realidade, Quatro Rodas (muitas vezes tomando edições inteiras), da francesa Paris-Match, da japonesa Photo International, da Encyclopedia Britannica e de mais publicações internacionais do que até ele conseguiu seguir a pista.

O fotógrafo húngaro-americano Philippe Halsmann, um dos bambas da agência Magnum, teve-o como seu assistente no Rio e convidou-o a ir trabalhar com eles em Nova York – equivalia a ser contratado pelo Santos de Pelé, se Rozário fosse jogador de futebol. Nos anos 50 e 60, foram muitos os convites como esse, mas Rozário nunca pensou seriamente em deixar o Brasil – exceto em 1960, quando foi para Paris como correspondente de Senhor e fotografou o encontro entre Kruchev e De Gaulle. Voltou em um ano.

No Brasil, havia Ipanema. Ele era um cidadão da rua Jangadeiros, freqüentador do Zeppelin (onde levantava no ar e pegava com a mão vinte cartões de chope) e, em 1965, seria um dos fundadores da Banda. De todas as tribos que fotografava pelo Brasil, nenhuma o fascinava tanto quanto a de Ipanema, talvez por ser a única em que todos se julgavam caciques – e dentro dos limites da aldeia, eram mesmo. O espírito independente de Ipanema se coadunava com o seu e, entre expor em galerias de arte e deitar suas fotos na grama da Feira Hippie, na praça General Osório, a convite de Hugo Bidet, chegou a preferir a segunda alternativa. Rozário achava que as fotografias deveriam merecer galerias próprias.

 Assim, em 1973, ajudou a criar em Ipanema a Photo Galeria, pioneira em tratar o tratar o trabalho dos fotógrafos brasileiros como obras de arte, com fotos numeradas e assinadas. Sua independência refletia-se em todas as frentes: ele foi o primeiro fotógrafo brasileiro a processar um poderoso veículo por usar uma foto sua e atribuí-la a outro, depois de tê-lo demitido porque a dita foto estaria “fora de foco”. A foto, de 1968, era um retrato de dona Júlia, mãe do ex-presidente Juscelino. Seu advogado foi o circunspecto dr. Mânlio Marat d`Almeida Acquistapace (na vida real, o Marat da Banda de Ipanema e dos Chopnics) e a causa levou sete anos para ser concluída, no Rio e em Brasília – com a vitória de Rozário.

 Isso firmou jurisprudência que viria beneficiar todos os seus colegas: a partir daí, as empresas jornalísticas passaram a tomar cuidado ao republicar as fotos de seus antigos contratados. Isso não tornou Armando Rozário muito popular nessas empresas. O que explica por que, desde meados dos ano 70, ele tenha se dedicado a outras atividades dentro de seu ramo, como testar equipamentos para os laboratórios internacionais de fotografia que se instalavam no Brasil, escrever uma coluna altamente especializada na Folha de S. Paulo e, principalmente, usar a fotografia para a causa da ecologia.

Em 1978 Rozário liderou uma cruzada nacional pela salvação do rio São João, em Barra de São João, perto de Macaé, ameaçado pela instalação de uma fábrica de álcool anidro. O rio banhara o poeta Casimiro de Abreu (1839-1860), nascido ali, e a região, que inspirava o pintor Pancetti, era mais um paraíso na mira da covarde industrialite brasileira. A campanha começou com uma exposição de fotos de Rozário e dos quadros de Pancetti no Museu Nacional de Belas-artes e, durante aquele ano, tomou os jornais, revistas, as telas dos cinemas e a tv Globo.

Por causa dela, a usina foi obrigada a instalar uma bacia de decantação que manteve a poluição em níveis suportáveis, com isso salvando também todo o litoral de Macaé e Búzios. Rozário nunca mais saiu de Barra de São João e Macaé, onde passou a editar pequenos jornais em inglês dedicados à preservação da região. Descobriu que, como macaense, sua responsabilidade era dupla: os cidadãos de Macaé são macaenses – e os da portuguesa Macau também.

Fotos do Armando Rozário do Rio São João:

Armando Rozário, quem é ele?

O Armando Rozário descobriu o Projecto Memória Macaense nas suas profundas pesquisas na Internet.  Dizia que foi por uma referência ao site na sua pesquisa sobre o seu antigo professor de inglês, Padre Cooney S.J que lecionava no Colégio São Luís Gonzaga em Macau e Wah Yan College em Hong Kong, de 1943 a 1947 .

Desta feita, passou a enviar-me material muito valioso, entre os quais, a fotografia mais antiga de Macau, de 1844 e outras tantas fotos e informações, como o mais antigo livro impresso em Macau e a origem da nossa denominação – Macaense ou Macaensi – que data desde 1588 (postagens em breve e no PMM)

Ele mora no Cabo Frio, bela cidade litorânea do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Sua apresentação: “minha avó chinesa nasceu em Macau. Do lado da minha mãe, tenho sangue francês e chinês.  Meu pai, Arthur Rozário é macaense e nasceu em Hong Kong. O nome de solteira da minha mãe é Henriette Marie Louise Demée. Sou primo do Luís Demée, o famoso artista macaense“. Tem vários parentes a residir nos EUA e Canadá.

Pelo seu importante trabalho realizado no Brasil, que verão no “perfil” na próxima postagem, gente famosa literária fez referências a ele nas suas crónicas, quando o assunto era a ameaça ao Rio São João com a construção de uma usina, tais como:

Carlos Drummond de Andrade, poeta e contista brasileiro, no Jornal do Brasil 1978, num dos trechos da sua crónica  “O Rio, Os Pescadores, A Morte”, escreve: ” … Conclusão feita de perguntas não é conclusão. Mas resta a impressão de que, para exigir do Governo o cumprimento mais positivo de suas obrigações sociais, devemos também exigir de nós mesmos o funcionamento de nosso espírito público, do nosso sentimento de comunidade. Como fez agora esse fotógrafo Armando Rozário, nascido em Hong-Kong, filho de um chino-português e de uma francesa, amante das doces praias de pescadores do Rio São João. Vivendo a vida desses homens simples e indefesos, senti aproximar-se o perigo que vai desabar sobre as águas, e botou a boca no mundo. Sua campanha começa a ocupar a atenção dos grandes jornais. Que ela sensibilize a população e salve o rio, ameaçada de morrer como habitat natural, é o que a gente deseja. De qualquer modo, vale como exemplo. A defesa da Terra começa no interior de cada um de nós, como se aperta um botão de luz.”- Carlos Drummond de Andrade, Jornal do Brasil, Junho de 1978

Otto Lara Rezende, outro famoso  jornalista e escritor, na sua crónica “Barra Poética” publicada no jornal “O Globo” em Julho de 1978, cita num dos trechos: “… É essa pátria de sonho e realidade, poética, que aqui está visível, graças ao
milagre do pincel de Pancetti e da câmara de Armando Rozário. Sou insuspeito para falar, porque sou amigo de ambos. Conheci e freqüentei Pancetti, sua arte reveladora, criadora e preservadora de beleza; também da beleza natural, como é o caso da sua série de telas do Rio São João.
O mesmo rio corre tranqüilo e indene nas fotografias desse mestre fotógrafo que é Armando Rozário. Encontrei-o e admirei-o assim que chegou ao Brasil. (1955). Rozário veio de longe, do outro lado do mundo, da China, de Macau,
para aqui nos descobrir o que, por amor do belo, deve permanecer intacto. Como Casimiro de Abreu, Rozário tem sangue português. Ao contrário de Casimiro, sua arte não se derrama para além de uma disciplina que lhe é essencial ao equilíbrio. Numa vida curta, o poeta romântica juntou as duas margens do Atlantico na mesma sensibilidade. Numa vida que desejamos chinesamente longa, o fotógrafo realista traz na sua refinada sensibilidade os dois extremos do
mundo”.

Enfim, para conhecer melhor este macaense de Hong Kong que teve importante papel na vida brasileira, talvez pouco conhecido entre nós, como eu que não o conhecia, veja a próxima postagem na crónica Um Perfil de Ruy Castro. Assim, caro Armando Rozário, justiça seja feita, o seu trabalho passa a ser conhecido pelos leitores deste blog e do site Projecto Memória Macaense.  Parabéns pelo seu belo trabalho e estamos orgulhosos de você!!!

Casa de Macau de São Paulo convite de festa-22 anos

ACM.CONVITE.FESTA.30.07.11.edit

Clique no link acima e verão o convite para a festa do dia 30 de Julho de 2011.  A Casa de Macau vai comemorar os seus 22 anos de existência.  A organização promete uma festa recheada de boa comida (tacho-chau chau pele, principal prato) e várias atrações culturais, entre eles um espectáculo de patuá (olha a Mariazinha e suas criativas peças teatrais), apresentações musicais de 3 associados, mais o coral Vozes de Macau formado por seus associados, e quem sabe algo de surpresa !!! O que é? perguntei!!! Ah, mas nem morta te conto, assim me disseram, pois sabem que tenho blog e site e logo poderia espalhar por aí (muito chuchumeca/fofoqueiro, hehehe). Está ok, respeito a surpresa e fico nessa expectativa. Irei mostrar para vocês, afinal de contas este pseudo-repórter irá cobrir o evento em foto e vídeo. Aliás, até parece que a Telma estendeu a sua permanência no Brasil (mora no Canadá) para participar da peça de patuá.  Antigamente ela sempre era uma das atrizes do teatro de São Paulo.

Ainda a confirmar, a Casa de Macau do Rio de Janeiro, nossos amigos cariocas,  talvez participará da festa com uma comitiva, que sempre é uma animação pois vai ter baile.  Bom motivo para estender até a noite, já que pernoitam na Casa. E vocês, de outros países da diáspora e até de Macau, se estiverem por aqui em São Paulo, apareçam por lá que sempre serão muito bem-vindos!!! Melhor ainda se porventura vierem propositalmente para a festa!!! É só avisar.

É isso aí, a Casa conta hoje com uma comissão cultural e de eventos muito animada, liderada pela sua alegre diretora cultural, Nanette Placé César (casada com Otaviano César, já falecido) e a Cila Oliveira Inácio.  Já falam de outras festas e comemorações, como o Pák-iit-sáp-huhm (algo assim parecido, meio rafeiro no meu chinês), ou seja, o 15 de Outubro festa lunar. Achei excelente idéia pois um clube precisa de atrações para atrair as pessoas, senão morre!!! Temos que aproveitar enquanto respiramos.

Sonny Gomes, tributo a um músico macaense

António Gomes … quem é? É o Sonny Gomes …!!! Ah, agora sim, eu o conheço” Mais ou menos nesse tom, o “Api” Rigoberto Rosário Jr. inicia a sua dedicatória ao que ele chama “um dos melhores músicos com quem trabalhou e conheceu … um gajo muito camarada, honesto e leal“. Com essa dedicatória, 3 músicas, 1 vídeo e várias fotos, o Projecto Memória Macaense – www.memoriamacaense.org/projectomemoriamacaense – publicou uma página com o título acima. Logo na página de entrada do site vocês verão o link.

O Sonny foi um dos fundadores dos The Thunders.  O Api entrou no conjunto após a sua saída.  Já quando eles passaram a atuar profissionalmente em Hong Kong nos anos 70, o Sonny voltou para os Thunder após a saída do Lelé Rosa Duque que retornava para Macau. E com ele, foi a última formação do conjunto que dissolveu-se pouco depois.

A sua voz melodiosa que contrasta com o seu jeito e até a aparência, pois adorava luta marcial, coisas de polícia, tanto que integrou o PJ, agrada aos ouvidos e tem nível internacional, nada perdendo para os cantores originais das canções divulgadas.  Elas são, Gina, Sea of Love e The Wonder of You.

Estava para um dia abrir uma página para ele, já na antiga versão do site PMM, pois tinha recebido uma das canções do Zito Estorninho que tocou com ele num conjunto (a informar o nome) como baterista, aliás o Zito deve ter feito aquela filmagem do ensaio em que o Sonny cantou Gina, mas acabou ficando na pendência.  Outro dia, descobri nos meus arquivos salvados do que recebo de e-mails, as 2 canções e mais este vídeo.  Aí lembrei que o Api tocava com ele e pedi que escrevesse uma dedicatória.  E, assim, finalmente consegui abrir uma bela página para homenagear e prestar um tributo a este músico macaense que não está mais conosco na terra.  Que ele esteja descansando em paz e fique contente por ser relembrado.

Acho importante que, de grão em grão, o PMM e este blog consegue resgatar a memória de diversos macaenses (e da gente da comunidade macaense).  Não será completamente e nem de todos, coisa impossível, mas à medida que recebo material ou os localizo em algum lugar (jornal ou revistas), vou procurando fazer a divulgação dentro das minhas possibilidades e disponibilidade.

Assim, fica o convite para visitar o PMM e ver essa página.  Um singelo tributo mas feito de coração e com certa emoção.

Esta foi a última formação dos The Thunders, antes da sua dissolução.  O CD é caseiro, apenas para lembranças.  É a gravação de uma das suas apresentações (profissionais) no Mocambo. Na foto vemos, da 1a. fila, a partir da esquerda: Alex Airosa, Sonny Gomes e Gabriel Yuen. Atrás, da esquerda, Rigoberto “Api” Rosário Jr. e o filipino Avelino Cortez Jr. Para quem não sabe, o Api é o compositor da canção Macau que emociona a todos!

Semana Gastronómica dedicada a Macau no Tejo (Portugal)

Recebi um e-mail do Luís Oliveira, director-geral do Cacilheiro do Tejo, um barco-restaurante, que diz:

“Sou responsável de um restaurante (pode obter mais informações nos links em baixo) perto de Lisboa que vai realizar uma Semana Gastronómica dedicada a Macau. Na ocasião, gostaria de destacar aspectos culturais da região e reproduzir memórias que ajudem a recordar (ou a desvendar) a imagem de proximidade que sempre existiu.

Para o efeito, acredito que as poderosas imagens e textos do seu Projecto Memória Macaense poderão ajudar consideravelmente para o sucesso da iniciativa. Por isso, solicito autorização para utilizar os seus conteúdos em posters que gostaria de afixar nas paredes do restaurante durante a semana da exposição (18 a 23 de Julho). Estas imagens conterão a legenda indicando autor e fonte da informação. Caso entenda possível, será muito valiosa qualquer imagem ou colecção de imagens que entenda indicar como mais adequadas para o efeito.”

Luís Oliveira

932946596

Director-Geral Cacilheiro do Tejo

http://cacilheirodotejo.blogspot.com

Vídeo Apresentação – http://www.youtube.com/watch?v=Dq6VNQvNAVk

Blog C.M.: Conforme  resposta dada, fique à vontade Luís Oliveira e que tenha pleno sucesso na vossa Semana Gastronómica dedicada a Macau. Aos leitores de Portugal, fica aqui a dica para o vosso lazer gastronómico.  Conforme o vídeo, a baía de Seixal fica a 15 minutos de Lisboa.

Dóci Papiaçám di Macau – vídeos de 1999

O grande Zito Estorninho, “um cara muito legal” como se diz no Brasil, divulgou no seu canal do YouTube, de pseudónimo ZitoDrummer, vídeos do coral do Dóci Papiaçám di Macau gravados no Centro Cultural de Macau em 05 de Outubro de 1999, antes da transição. Mais uma vez o Dóci nos emociona com as suas canções em patuá e belas interpretações.  O baterista do conjunto é o próprio Zito, sua especialidade. A cantora é a Isa Manhão, quando ainda tinha cabelos mais compridos.

Aqui vão divulgados o vídeo da canção Macau em patuá (de Rigoberto “Api” Rosário Jr./Thunders) que muitos choraram, inclusive eu, quando a ouvimos nas festividades da transição em Dezembro de 1999, inclusive postei este vídeo no YouTube. Então, vamos chorar de novo???!!! Outro vídeo é da bela canção tradicional de Macau - Bastiana – que também emociona e nos remete aos velhos tempos da nossa terra. Vejamos:

Macau em patuá

Bastiana

Parabéns Dóci Papiaçám di Macau, parabéns The Rockers, parabéns e obrigado Zito pela iniciativa da divulgação no seu canal de YouTube.

Os Chuchumecas (de Califórnia/EUA)


Escreve-me o Henrique Manhão, atual presidente da Casa de Macau (USA) Inc., juntando estas fotos e a relatar que por lá, Califórnia/EUA, outrora existia uma tuna (mista) macaense chamada “Os Chuchumecas”.  Muito boa e bastante popular, diz! Era formada por Ron Brown, Carlos Vilarama, Guy Hoffman, Unsong Ling, Filomeno da Rocha (Amo) e José Siera.  As vocalistas eram a Elsa Denton e Corie Manhão.  O grupo musical era ligado à sua Casa.

Diz que vai procurar estimular o retorno dos Chuchumecas à ativa, bem como de um antigo grupo teatral de patuá que era formado por Tony Capitulé, Daniel Rosário, Adelaide Baptista Lou e Ralph Pedruco. Isso mesmo, Henrique, é muito importante para divulgação e preservação da cultura macaense na diáspora, cuja tendência é de cada dia ir esfriando.

Para lembrar, o que é do meu conhecimento, em Toronto/Canadá, a Casa de Macau tem lá o seu grupo teatral de patuá, cujas apresentaões são gravadas em video pelo esforçado e eficiente Armando Santos e depois divulgadas no YouTube.  Eles são bons!!! Além disso, têm o seu coral, que apesar dos cabelos brancos imperar entre os seus integrantes (como em São Paulo, hehehe), é um grupo alegre e faz um bom trabalho.  Só não foram para o Encontro Macau 2010, pois nem todos podiam viajar, conforme afirmou o seu presidente Lourenço Conceição.

E quanto a Elsa Denton, que foi uma das vocalistas de Os Chuchumecas, ela tem a sua página divulgada no Projecto Memória Macaense, com fotos, música e vídeo (vejam no Guia Musical). A macaense Elsa é do tipo “show singer”, ou melhor, é cantora e ao mesmo tempo dança, como pudemos ver no Encontro Macau 2010.  Muito eficiente, canta e dança bem. Uma simpatia!!! Quanto aos demais integrantes, me perdõem, mas não os conheço e nada poderia falar deles.  Quem quiser, fique à vontade nos comentários.

José Luís Pedruco Achiam … ele tem estilo !!!

Tinha 12 anos em 1994 e posa com a mãe (veja abaixo)

16 anos depois, no Encontro de 2010, faz seu show cantando Sabroso Nunca, em patuá

Acho que devem ter visto o vídeo-clip do (ou da) Dóci Papiaçám di Macau – Macau Sã Assi – algumas postagens atrás, no qual o cantor, o astro, é o José Luís Pedruco Achiam.

Para mim, um macaense da diáspora,  ele era um grande desconhecido, até que o Rigoberto “Api” Rosário Jr. avisou-me que ele era o cantor da canção-tema de sua composição (com adaptação de Miguel Senna Fernandes) da peça teatral “Sabroso Nunca”, que “por pouco” iamos assistir no Encontro 2010, mas que infelizmente não deu certo.

Ouvi a canção (vocês podem ouvir no Projecto Memória Macau – procurem pelo Guia Musical) e logo pensei “eis um novo astro e cantor macaense”.  Na festa da Gastronomia Macaense, ele foi o primeiro a se apresentar conforme a 2ª  foto acima, e percebi que “esse gajo tem estilo”, tem talento.  É mais um macaense da nova geração que desponta dentro do nosso limitado mundo artístico.  Segue a linha do outro talentoso macaense Germano Bibi Guilherme.

Penso que o José Achiam é um residente de Macau (?). Se assim for, ou não for, mas tem a divulgação em Macau, ele e tantos outros jovens macaenses residentes nos obrigam a refletir e a perceber que a maior esperança de continuidade e preservação da nossa cultura, está mais precisamente – em Macau.  Por conta de alguns contatos com esta gente jovem residente de várias áreas nos Encontros, e também a julgar simplesmente pelos videos do Dóci Papiaçám e do Miguel Senna Fernandes, vê-se que em Macau há uma boa participação dos jovens em várias atividades.  O potencial do futuro macaense mora em Macau.  A nova geração da diáspora, cumpre o seu importante papel de divulgar Macau e a cultura macaense nos países de acolhimento dos seus pais. Não podemos desprezar a sua importância e para tanto são bem-vindos os Encontros dos Jovens em Macau, bem como, não podemos deixar de dar o valor ao jovem macaense residente que tem boa participação em atividades de várias áreas ou que talvez poderia ter ainda mais, se houvesse um incentivo extraordinário. Na verdade, vocês residentes podem dizer melhor que eu, que moro no outro lado do mundo.

A 1a. foto faz parte do “Album – Macanese People – 1994″ da revista em inglês Review of Culture nº 20 do Instituto Cultural de Macau, com o belo trabalho fotográfico de Eduardo Tang Meng Wai.  Já divulguei outras fotos desse Album do António Robarts e das belas irmãs Pedruco.  Na foto, o José Luís Pedruca Achiam tinha 12 anos e consta que ele nasceu em Sidney/Austrália.  Ele posa com a sua mãe Luísa Maria da Silva Pedruco Novo, nascida em Macau, na época com 36 anos, secretária executiva e de pais macaenses.

Oração do Macaense, oração dos Portugueses do Oriente

ORAÇÃO DO MACAENSE

ORAÇÃO DOS PORTUGUESES DO ORIENTE

Deus, nosso Pai, que enviastes o vosso filho

Para participar das nossas fadigas e esperanças

E n’Ele colocastes o centro da vida e da história,

Olhais propício para a tribulação da comunidade Macaense,

E dos portugueses do Oriente, de Macau, Xanghai e H.Kong,

Aliviai a dor dos seus filhos, e confirmai a sua fé,

Para que encontrem sempre a solidariedade fraterna,

Que é a liberdade, paz e justiça no Vosso amor,

Vos pedimos por intercessão da Virgem Santa Maria,

Nossa Mãe e Padroeira, amém.

                    NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Protegei esta gente valorosa, que viveu sempre longe da sua pátria mãe Portugal, que procura firmar a sua identidade,

que procura ser reconhecida, que procura ser respeitada,  que não quer ser apátrida, que quer ser leal à sua formação, à sua nacionalidade, à sua bandeira, que quer afirmar para o resto da sua vida, que,

                 “Macau, não houve outra mais Leal”

Nota: Não me perguntem quem escreveu, pois está escapando da minha memória. Talvez na oração a N.S. de Fátima tenha uma adaptação minha.

“Bem-vindo ao Centro de Informações do Governo (português) de Macau” – memórias

Quem visitava o portal do Governo (português) de Macau até a transição em 20/12/1999, decerto deve ter lido a mensagem de boas-vindas assinada pelo Governador Vasco Rocha Vieira.  Eu, saudosista preventivamente, tive a sorte de tê-la copiado.  Já sentia que iria sentir muitas saudades no futuro, embora não imaginava que um dia teria um site e blog para divulgá-la, compartilhando com vocês essas lembranças de uma era em que nós, desta geração, fomos escolhidos para assistir ao momento histórico.  Porque não os nossos pais, avós, bisavós e assim por diante?  Justamente nós que tivemos que assistir ao fim de uma história que durou 420 ou 440 anos, ou mais! Vamos matar as saudades …

Dou as minhas calorosas boas vindas ao Centro de Informação do Governo de Macau na Internet, esperando que possam encontrar aqui algumas informações que despertem a vossa atenção para uma das mais extraordinárias experiências históricas, com mais de quatro séculos e meio, de convívio fraterno de culturas diferentes, de povos que se respeitam e de ligação estreita entre os valores culturais da Europa e os valores da milenária civilização chinesa. Nos tempos da globalização, das relações económicas que se desenvolvem no mercado mundial, Macau pode orgulhar-se de mostrar as portas do entendimento entre povos e entre culturas, pode orgulhar-se de ser um entreposto da confiança e da estabilidade.

É muito especial e muito profundo o relacionamento de Portugal com a China, estabelecendo um entendimento de raízes muito antigas e que continuará a existir além de 1999.

Em 20 de Dezembro desse ano, Macau passará a ser uma Região Administrativa Especial, integrada na China como um só país mas mantendo o seu sistema político e judicial próprio, onde se inscreve a tradição dos valores ocidentais da democracia representativa, da separação dos poderes executivo, legislativo e judicial, do respeito pela legislação escrita e pelo livre funcionamento dos tribunais, da defesa dos direitos humanos fundamentais. No marco simbólico da passagem do século, Macau será um exemplo das raízes seculares que ligam Portugal e a China, a Europa e a Ásia, o Ocidente e o Oriente.

No centro da área do Mundo moderno que regista o mais rápido ritmo de desenvolvimento e onde se processa a mais fascinante experiência de mudança social dentro de uma cultura de excepcional riqueza, Macau é um ponto de confluência das mais diversas correntes que estão a moldar o futuro mas que oferece a todos, habitantes e visitantes, a estabilidade, a serenidade, a confiança, com infraestruturas modernas, com um turismo desenvolvido e sofisticado, apoiado por um aeroporto internacional, com dinamismo empresarial e com grande vitalidade cultural.

A World Wide Web ofereceu-nos a oportunidade de viajarmos nas correntes da informação.

Venha a Macau atravessar as portas do entendimento, venha ver o futuro feito da mistura de culturas e fundado na confiança das raízes históricas e profundas. Venha ver a China e venha ver Portugal no Oriente. Agora e sempre.

O Governador de Macau,

Vasco Rocha Vieira

Nota: O Projecto Memória Macaense irá montar página de memórias do Governo português  de Macau e esta será a mensagem de boas-vindas.