“Longe vão os receios iniciais que levaram à formação da Associação dos Macaenses, em 1996. Com a transição do território de Administração Portuguesa para a China, programada para dali a três anos, crescia no horizonte uma dúvida sobre como tudo seria após essa data.
Para muitos macaenses começou a ser uma evidência que algo teria que ser feito para acautelar o futuro da comunidade. E foi assim que nasceu a Associação dos Macaenses, que 15 anos após a criação, quer continuar com a vitalidade necessária para ser um elemento importante e interveniente na vida de Macau.“
Assim iniciava a reportagem do Jornal Tribuna de Macau de hoje a respeito da festa de aniversário dos 15 anos da ADM. Até tinha rascunhado um texto a declarar o desconhecimento do motivo para fundação da associação. Agora vejo que foi mesmo por uma nobre causa, o que explica a sua importância, que torna-se evidente e de conhecimento público com as notícias dessa comemoração. Sinceramente, penso que antes, sem a publicidade das reportagens, conheciamos a Associação dos Macaenses, mas não aprofundavamos no conhecimento das suas funções e importância.
Até ouso a avançar que a ADM poderia se equiparar a uma espécie de “Casa de Macau“, pois pergunto se criou-se a Casa de Portugal, porque não? Uma Casa de Macau tem como um dos seus principais propósitos, a preservação dos costumes e tradições macaenses, e hoje, Macau é China, obviamente impõe-se os costumes chineses e se os nossos são permitidos e preservados, é porque há um consenso que é bom para Macau, há boa vontade dos seus governantes e do Governo Central por motivos variados. Mas, convenhamos nada disso poderia ter acontecido e a comunidade macaense poderia estar a viver o que se temia antes da transição, o que felizmente não se concretizou, mas levou a uma imigração maciça, colocando-me como exemplo. Poderia estar ainda a residir em Macau, mas imigrei para o Brasil.
Penso que a comunidade macaense, e nisso se insere como descreve Sérgio Perez noutra reportagem do JTM “macaense deveria englobar todos aqueles que consideram que esta é a sua casa e que é aqui que querem estar, é aqui que se sentem bem e que se identificam culturalmente“, poderia contribuir no seu fortalecimento com a adesão à ADM, para torná-la numa associação forte e representativa dos nossos interesses em Macau. Quanto à isso, ao que me parece, não é vedada a participação da comunidade da Diáspora, porém no Boletim de Inscrição, que estabelece uma quota anual de MOP$ 240,00 (cerca de US$ 30,00 ou mais ou menos R$ 55,00, barato!), há um item que diz “nos primeiros 6 meses após a aprovação da inscrição, será aferido o grau do novo sócio nas actividades da Associação. Se se constatar que o mesmo não participou em nenhuma das actividades organizadas, a Associação poderá determinar a perda do seu estatuto de sócio“. Isso, penso, se for levado a sério …
Veja as fotos publicadas no Jornal Tribuna de Macau que mostram a festa de comemoração dos 15 anos da ADM:
O presidente Miguel de Senna Fernandes, os fundadoress e o Secretário para Assuntos Sociais e Cívicos da RAEM, Cheong U
Aida de Jesus na entrevista ao JTM dizia: “juntei-me (à ADM) porque sou macaense“. Lembro-me com saudades os tempos de criança em Macau, quando acompanhava a minha irmã Yolanda nas visitas do dia do Natal à casa da Aida, sua madrinha, no Tap Seac.
e, olha o amigo Rui Francisco, grande colaborador do PMM, na companhia do Albino Almeida que aos 79 anos é sócio da ADM há um. O Albino ainda disse “as divisões iniciais não foram positivas. Inicialmente, ter havido várias associações dividiu muito a sociedade macaense. Somos tão poucos. Devia ter havido uma só. Fragmentou-se a sociedade e houve uma luta sem quartel que dividiu a malta e eu afastei-me disso. Agora entrei, nunca é tarde”, justifica, lembrando que também quer “dar um contributo”. Tem toda a razão Albino, a afirmação, infelizmente, não traz nenhuma informação nova … realmente somos tão poucos e lá nos dividimos mais do que povos que são muitos … já era chegada a hora de pararmos para refletir a nosso respeito, pois “aos poucos vamos acabando …”
Clique abaixo para ler em arquivo pdf as 2 reportagens do JTM:
