A Cecília Jorge na sua série do Tacho do Diabo publicada na Revista Macau anos 1993 e 1994, explica que o Tchin Tôi é um doce tradicional que faz parte da quadra festiva do Ano Novo Lunar, incluindo o Tai Long Kou (pudim de Ano Novo) que é tão importante e indispensável para os chineses, quanto o bolo-rei para os portugueses em período natalício.
Trago aqui a receita do Tchin Tôi, que está republicada com a do Tai Long Kou na seção de Gastronomia Macaense do site Projecto Memória Macaense (o link/ligação está na página de entrada). Aqui em São Paulo, este doce pode ser encontrado nas lojas chinesas de produtos alimentícios, tanto na Liberdade como na 25 de Março, importante reduto chinês de comércio, onde você cruza com chineses em qualquer calçada, tanto a falar o mandarim como o cantonense. Até dá saudades de Macau, mas também as mata. Como no mundo inteiro, dominam o comércio e vendem de tudo, tanto que não compensa mais trazer coisas de Macau ou da China nas nossas viagens, como enfeites e quinquilharias, pois tem quase tudo aqui.
Há 3 semanas atrás compramos uma bandeja com 6 unidades na Rua Florêncio Abreu, no trecho entre a Av. Senador Queiroz e a Rua Paula Souza. A minha esposa brasileira Mia adora o tchin tôi, mas eu não o aprecio, sem que com isso eu deixe de divulgar a receita que espero seja útil a alguém. Alias descobri essa loja por acaso. É grande com boa variedade de produtos, alguns não encontrados na Liberdade. Numa prateleira tinha 5 sacos plásticos de Iâu Tchau Kuâi. Pegamos 4 e fomos gentis em deixar um. Cada saco tinha 3 unidades e custa R$ 5,00 ou cerca de US$ 3 a 3,50. Diz o chinês que o produto chega diariamente na parte da tarde. Ele até se surpreendeu com o grande volume de produtos que compramos, ainda mais por uma brasileira que conhecia seus nomes em cantonense. Foi aquela expressão “aiááá … vocês gostam tanto de coisas chinesas”. Eu logo expliquei “sou de Macau” e ele “ahhhhh …”.
TCHIN-TÔI (FRITOS DE SÉSAMO E FEIJÃO)
farinha de arroz glutinoso – 600 gramas
farinha de trigo – 175 gramas
batata doce (descascada) – 250 gramas
feijão encarnado (em purê) – 350 gramas
açúcar – 3 colheres de sopa
sementes de sésamo (demolhadas e escorridas) – 125 gramas
água – 1,5 dl
Para fazer a massa, cortar as batatas doces em quartos e cozê-las em vapor, esmagando–as depois em purê, de preferência manualmente, com um garfo.
Juntar o purê de batata ao açúcar e às duas qualidades de farinha (que se peneiram juntas), adicionando aos poucos a água para ligar, sovando bem a massa, formar pequenas bolas de aproximadamente 5 cm de diâmetro, nas quais se carrega com um dedo para fazer um buraco que se enche com uma colherinha de purê de feijão, voltando a fechar.
Rolar as bolas nas sementes de sésamo carregando-as bem para fazer agarrar bem as sementes à massa e obter uma cobertura completa.
Fritar as bolas em óleo bem quente, até insuflarem e tomarem uma cor doirada. Convém colocar bastante óleo na frigideira para poder empurrar as bolas para o fundo, e fritá-las por igual.
