Archive | novembro 2011

Coronel Mesquita – episódio 2 – além de tudo, um poeta

Talvez não saibam, o coronel Vicente Nicolau de Mesquita era um poeta, tal como descreve Pedro Dá Mesquita na Revista Macau de Julho de 1995:

O SONETO DA MINHA VIDA

O coronel Vicente Nicolau de Mesquita era, no final da sua vida, um carácter amargurado. Homem culto, segundo nos dá conta monsenhor Manuel Teixeira, pois sabe-se que gastou boa parte do seu dinheiro em livros, de que chegou a formar uma valiosa biblioteca, chegou a escrever umas poesias. Uma delas, em forma de soneto, dá conta das muitas agruras por que teve de passar o desditoso militar, bem como da dificuldade em ultrapassar um irreversível estado de degradação psicológica.

Recopilo n’este soneto a minha vida

- Vi que o favor da corte era vaidade

Achei no amor desgostos e enganos:

Gastei no estudo a vista, o gosto e os anos;

Encontrei inconstância na amizade

- Astúcias me ofenderam a bondade

Aos benefícios, ingratidões e danos:

Tive valor, por prêmios desenganos;

Os conselhos queixosos da verdade

- Julgou-se a cortezia abatimento

E chamaram lísonja ao que era agrado:

Dissipou-se no gasto e luzimento;

- Cortou-me a inveja o espírito elevado

Somente me ficou o entendimento

A fim de conhecer-me desgraçado!…

(24 de Março de 1878)

Nota: vejam a postagem anterior – episódio 1 – sobre o fim da sua estátua em Macau. 

Coronel Mesquita – episódio 1 – o fim da estátua

2 de Dezembro de 1966, Macau, assim terminava uma história que era contada todos os dias, a cada vez que se passava pelo Largo do Senado.  A estátua do coronel Vicente Nicolau de Mesquita, natural de Macau, imponente, no centro do Largo, nos contava que na manhã de 25 de Agosto de 1849, três dias após o assassinato do governador de Macau, Ferreira do Amaral, a 300 passos do lado interno da Porto do Cerco (fronteira de Macau com a China simbolizada por uma construção em forma de arco, tal como o Arco do Triunfo em Paris), liderando 36 soldados portugueses/macaenses tomou o Forte do Passaleão, do lado da China, que era ocupado por cerca de 500 soldados chineses com pesada artilharia.  Deste ponto e nas redondezas, mais de 2.000 soldados chineses ameaçavam invadir Macau através da Porta do Cerco protegida apenas por 120 homens das forças portuguesas e mais 3 canhões de curto alcance. O seu feito heróico, que desestimulou a invasão de Macau, foi celebrado com a instalação dessa estátua, dando-lhe o status de “herói macaense” como muitos da comunidade o consideram.

Naquela data, a estátua do coronel Mesquita foi destruída por “guardas vermelhos” e seus simpatizantes da Revolução Cultural na China dos tempos de Mao Tse Tung, nos tumultos chamados de “1 2 3″, que significavam as datas em que ocorreram em Dezembro de 1966.  Para quem não conhece a história, sob o principal pretexto de repressão policial a uma obra clandestina, os “guardas vermelhos” iniciaram uma série de protestos, até a invasão tumultuada do Palácio do Governo a exigir retratação e pedido de desculpas.  Culminou com tumultos generalizados na cidade, principalmente no centro da cidade, obrigando a intervenção das Forças Armadas de Macau, que acabou com a morte de 8 pessoas de étnia chinesa e vários feridos.  Do outro lado da fronteira, soldados chineses impediram a entrada de milhares de simpatizantes dos tais guardas que queriam invadir Macau.  Por fim, o Governo português acabou emitindo Nota Oficial lamentando ou se desculpando do ocorrido. Macau, 33 anos depois, em 20 de Dezembro de 1999, foi devolvido para a China encerrando a presença portuguesa que durou de 420 a 440 anos.

A estátua do coronel Mesquita, imponente, reinava no Largo do Senado, no centro de cidade

Recorte do jornal South China Morning Post, de Hong Kong, mostra o momento em que se começava a derrubar a estátua utilizando-se de um caminhão/camião.  Após, foi arrastada pelas ruas antes de ser abandonada diante do prédio dos Correios, ao lado de onde se encontrava erguida.  A estátua depois – desapareceu – há relatos de que foi jogada no mar. No entanto, segundo Pedro Dá Mesquita no artigo da Revista Macau de Julho 1995, na década de 90, , ela foi despachada juntamente com a do governador Ferreira do Amaral, timidamente (para não dizer, às escondidas), para Portugal. encontrando-se na cidade de Porto “à espera de melhores dias“.  Bom, a estátua de Ferreira do Amaral apareceu numa praça em Lisboa “timidamente” (veja postagem neste blog), porém a do Mesquita … alguém sabe me dizer … onde está? cadê ela?   “Uma tristeza“!!!

A foto do jornal de Hong Kong, The Star, mostra a base sem a estátua, após os tumultos e sob a guarda de um policial/polícia

E, também para quem não saiba, os jornais de língua portuguesa de Macau, na época sob forte censura da época do Governo de Salazar em Portugal, nada publicaram a respeito, apenas a notas oficiais do Governo de Macau.   No entanto, os jornais de Hong Kong, ainda sob o domínio da Inglaterra, circulavam livremente, sem censura ou restrição de venda, bem como os jornais de língua chinesa em Macau.  Engraçado, não? Era uma questão de proibir apenas para quem soubesse falar e ler o português … Era simbólico, pois, a rigor, em Macau, pouco sentimos, ou nada sentimos as restrições de uma ditadura.

Nota: De um modo, há certo desconforto por parte do lado chinês em relação à estátua, o coronel Mesquita e a batalha do Passaleão, pois, talvez lhes fere o orgulho, o que é compreensível. Assim, este blog e o PMM quer esclarecer que a divulgação desta postagem e de outras relacionadas, em nada quer denegrir ou ferir o povo chinês, por quem deve-se ter o máximo de respeito, assim como a qualquer povo do mundo.  São fatos históricos, tais como a independência dos Estados Unidos com a vitória dos americanos sobre os ingleses (hoje grandes aliados nas guerras), ou as relações de Portugal com Angola ou Moçambique, ou Guiné, nas quais ocorreram guerras coloniais com muitas mortes e ódio na época.

Vejam o episódio 2 – “além de tudo, um poeta”

Macau por Sophie Grigson – documentário/legendas em português

Outro documentário sobre Macau, em 2 episódios, sob outro ponto de vista.  Apresentado por Sophie Grigson, é muito interessante e novamente mata as saudades.  Aos amigos visitantes do Brasil, Portugal, de Países Lusófonos ou não, conheçam esta minha terra natal, Macau, antiga colónia portuguesa na China, devolvida em Dezembro de 1999 que logo logo completa 12 anos:

*obrigado Rogério Monteiro (Macau) pela dica!!!

Macau por PanAsia – documentário/legendas em português

Documentário sobre Macau com duração de 22 minutos e com legendas em português, muito bem produzido, da série PanAsia. Matem as saudades!!! Uma boa oportunidade para os amigos visitantes que não conhecem esta Macau, ex-colónia portuguesa na China:

O navio de guerra “Gonçalves Zarco”

Sob o título “A última missão naval de soberania no Oriente”, Eduardo Tomé escreveu para a edição da Revista Macau de Fevereiro de 1997 um relato da etapa final de vida deste aviso de 2ª classe “Gonçalves Zarco”.  Quem viveu em Macau nos anos 50 e 60 deve-se lembrar bem deste navio de guerra que cumpriu a sua missão na Índia portuguesa, Timor e em Macau.  No texto abaixo, Eduardo cita que foi o “último navio da Armada (portuguesa) que esteve em comissão de soberania em Macau“.

Triste é contar a sua melancólica chegada a Lisboa a 16 de Maio de 1964, após ter cumprido a sua gloriosa missão no Oriente.  “A aguadar a tripulação no cais estavam apenas os familiares, nada de entidades oficiais, nem mesmo da marinha, tão pouco a imprensa. Restava-lhes a consolação do dever cumprido e o feito de terem conseguido trazer para Portugal aquela relíquia naval, que, com galhardia, desempenhou durante nove anos consecutivos a última missão de soberania de um navio da Armada Portuguesa, nas águas de Macau e Timor“.  Assim Eduardo Tomé encerra o seu artigo.

(clicar nas imagens para aumentar)

A guarnição do aviso na Parada do Dia de Portugal, protagoniza o último desfile dza marinha de guerra portuguesa em Macau

No mesmo artigo, Eduardo Tomé insere um histórico sobre os dois navios gémeos Gonçalo Velho e Gonçalves Zarco.  Ao ver a foto do navio Gonçalves Zarco transformado no batelão “Olisipo”, totalmente descaracterizado, ocorreu-me na memória o triste fim da estátua do Governador Ferreira do Amaral.  De facto, tristes fim de símbolos nacionais (portugueses).

O TRISTE FIM DE “VELHAS GLÓRIAS” NAVAIS

Encomendados a um estaleiro de New-castle, respectiva­mente em Março e Agosto de 1933, os gêmeos “Gonçalo Velho” e “Gonçalves Zarco” navegaram pela primeira vez, desde a velha Álbion até Portugal, onde na sua qualidade de avisos de 2.a classe, foram aumentados ao efectivo dos navi­os da Armada.

Tratava-se de navios exactamente iguais, que deslocavam 1413 toneladas no máximo; um comprimento de fora a fora de 81,5 me­tros, 10 metros de boca e um calado máximo de 3,3 metros; uma velocidade máxima de 16,5 nós e 11 nós cruzeiro, a que correspondia uma autonomia de 9830 milhas; as máquinas, dois motores movidos a turbinas, duas caldeiras, com uma potência de 2000 SHP e utilizando combustível fuel-oil; o armamento constituído por três peças de 120 mm e duas de 40 mm; a lotação recomendada de 119 homens.

O “Velho” efectuou quatro comissões de serviço em Macau, entre 1937 e 1954, tendo sido abatido ao efectivo em 1961.

Por sua vez, o “Zarco” efectuou três comissões de serviço no território, em 1934,1939, e a última entre 1955 e 1964, portanto nove anos, durante os quais passou 17 meses na então índia portuguesa, 20 em Timor e os restantes na Cidade do Nome de Deus e a navegar. Tendo sido o último navio da Armada que esteve em comissão de soberania em Macau, de onde regressou em Maio de 1964, sendo abatido ao efectivo em Novembro desse ano, seria então o navio de guerra mais velho em serviço, em todo o mundo.

Dos seus 31 anos no activo, o “Gonçalves Zarco” passou 20 fora dos portos do continente; as máquinas trabalharam cerca de 31 mil horas e as caldeiras 37 mil e quinhentas; percorreu 366 mil e quinhentas milhas, o equivalente a 17 voltas à Terra, pelo Equador, tendo suportado dois violentos tufões, o “Glória”, em 1957, em Macau, e o “Wanda”, em 1962, em Hong Kong, causadores de inúmeros naufrágios nesses portos.

Os cascos do “Velho” e do “Zarco” foram adquiridos pela Empresa de Tráfego e Estiva, que os mandou cortar ao nível do convés corrido e adaptar a batelões de transporte de carvão, minérios e cereais. Baptizados respectivamente “Calíope” e “Olisipo” permaneceram em serviço até 1994, ano em que foram vendidos para a sucata e desmantelados. Tão triste fim, para tão gloriosas existências.

Aguarela/aquarela do Gonçalves Zarco pelo capitão-tenente Manuel da Silva Rodrigues

O batelão “Olisipo”, ex-Gonçalves Zarco desmantelado em 1994

Paula Fernandes, conheçam esta cantora brasileira

Ela é linda, ela tem uma bela voz e diferente, ela está no auge da sua carreira … para vocês meus conterrâneos macaenses, visitantes portugueses e de todo o mundo, conheçam a Paula Fernandes.  Adoro-a, não canso de ouvir as suas músicas e assistir os seus DVDs.  Até sonhava ouvi-la cantar um fado, pois sua voz, na minha opinião, é apropriada para o género. Para vocês, publico abaixo 3 vídeos no YouTube para apreciaram esta bela e eficiente cantora:

“Pássaro de Fogo” é a sua canção mais conhecida e cantada, nesta versão acústica que é a 1a. do seu DVD – Paula Fernandes ao vivo (em directo):

“Não Precisa” neste vídeo Paula canta com os cantores sertanejos (country) Victor & Leo, também famosos no género.  Assista umas vezes e logo estarás cantando junto:

“Navegar em Mim” uma canção que seria um rock ou não? Para mim, poderia até ser um estilo de música portuguesa, não sei por que, mas fico com essa impressão:

Gostaram? Se quiserem ver mais vídeos da Paula Fernandes, acesse o YouTube e digite o nome dela que aparecem dezenas de vídeos com visualizações que somam milhões.  Ou, se quiserem conhecê-la melhor visitem o site oficial no www.paulafernandes.com.br

Abaixo está um histórico da sua carreira publicado no Wikipédia:

Paula Fernandes nasceu em 28 de agosto de 1984 em Sete Lagoas, Minas Gerais. Começou a cantar com oito anos de idade e lançou seu primeiro álbum independente aos dez, em disco de vinil.[3] Aos doze anos, mudou-se para São Paulo e foi contratada por uma companhia de rodeios, com a qual viajou por todo o país e aprendeu muito sobre palcos.

O segundo álbum, Ana Rayo, foi inspirado no sucesso da novela A História de Ana Raio e Zé Trovão. Dificuldades na carreira fizeram com que, aos 18 anos, desistisse da carreira artística e voltasse para Minas Gerais. Cursou Geografia em Belo Horizonte e, paralelamente, tocava e cantava em barzinhos.

Após gravar o sucesso Ave Maria Natureza para a telenovela América, da Rede Globo, lançou um CD com diversos estilos musicais, embora com ênfase em sertanejo romântico – Canções do Vento Sul. Por esse álbum, foi indicada ao Prêmio Tim de Música Brasileira de 2006, na categoria de melhor cantora popular.

Em 2007 fez uma bela apresentação vocal com a orquestra Sagrado Coração da Terra do Compositor Marcus Viana interpretando a música tema da Novela Pantanal. A partir daí, Paula consolidou-se como uma cantora de bela voz, muito eclética (chegando a gravar músicas em inglês, como “Dust in the Wind”) e popular. Seu sucesso “Jeito de Mato”, do álbum Pássaro de Fogo, foi a música mais popular da telenovela Paraíso, como tema de amor dos protagonistas.[6] Paula esteve incluída na trilha sonora da novela das seis da Rede Globo, Escrito nas Estrelas, cujo tema de abertura foi a regravação de “Quando a Chuva Passar”, sucesso da cantora baiana Ivete Sangalo.[3] Também esteve na novela das seis seguinte, Araguaia, ao som de “Tocando em Frente”, de Almir Sater, juntamente com o cantor Leonardo.

Em outubro de 2010 Paula Fernandes gravou o seu primeiro DVD da carreira contendo os seus grandes sucessos e músicas inéditas, inclusive com participações especiais de Victor & Leo e Leonardo. O DVD foi lançado no início do ano seguinte.

No dia 25 de dezembro de 2010, Paula Fernandes cantou para 400.000 pessoas, participando do especial de fim de ano de Roberto Carlos, transmitido ao vivo pela TV Globo, direto da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No mesmo ano foi uma das atrações do Show da Virada da Rede Globo, exibido no dia 31 de dezembro do mesmo ano.

Macau 1844 – Fortim de São Pedro

Tirei esta foto em 2007 que mostra a região onde fica a estátua de Jorge Álvares em Macau.  Imagine que há 163 anos atrás, em 1844, lá existia um um pequeno forte – fortim – que nossos avós ou bisavós o viram, quando viviam naquela Macau muito pacata.  O francês Jules Itier lá esteve na época e tirou uma série de fotos, que hoje fazem parte do acervo do Museu Francês de Fotografia.

A Revista Macau de Janeiro de 1999, no excelente artigo de Beatriz Basto da Silva “Fortalezas Extramuros, Baluartes e Fortins”, nos conta brevemente a história deste Fortim de São Pedro:

Fortim de S. Pedro

A meio da Baía da Praia Grande, coadjuvando com as suas operações os Fortes de S. Francisco (a Norte) e do Bom Parto (a Sul), encontrava-se quase rasante e de atalaia ao Porto Exterior este fortim de pequenas dimensões.

Aparece referido em variadas plantas e gravuras antigas de Macau mas nada dele resta, coincidindo o local onde existiu com uma pequena praça onde se levanta hoje a estátua em memória de Jorge Álvares, o primeiro português a chegar à costa da China.

As referências escritas — entre elas a do cronista António Bocarro — permitem-nos datá-lo de 1622 e, em 1775, ainda se conservava a primitiva planta triangular.

A tarefa de assegurar a defesa da ampla baía foi substituída, com o tempo e o modo, pelo uso em casos de pompa e circunstância, quando se impunha saudar com salvas de artilharia a chegada de navios amigos, de novos governadores, de visitantes ilustres ou então nascimentos insignes, enlaces reais e outros acontecimentos de excepção.

Essa finalidade era, todavia, perigosa para a segurança dos edifícios próximos, entre eles a antiga residência do Governo, que teve de ser demolida por causa dos estragos da trepidação a que se juntava a inclemência dos tufões.

Em 1934 o que restava do velho fortim foi arrasado quando se traçou um novo arranjo e aproveitamento da Baía da Praia Grande.

Abaixo, a foto de Jules Itier de 1844 e a seguir a aquarela/aguarelade Georges Chinnery pintada entre 1833 a 1838 retratando o fortim:

GP Macau 2005 – Lucas Di Grassi vence Kubica e Vettel

No Grande Prémio de Macau em 2005, acreditem,o brasileiro Lucas di Grassi disputou curva a curva com os Fórmula 1 top drivers, Robert Kubica (hoje tentando retornar após acidente) e nada mais que o imbatível Sebastian Vettel, campeão de F1 neste ano de 2011, e ganhou a competição de Fórmula 3.  Deu uma lavada neles. Ficou assim. di Grassi em 1º. Kubica em 2º e Vettel em 3º.  Lucas hoje é piloto de teste de pneus Pirelli para a F1 e tenta uma difícil vaga para a temporada de 2012.  Leva consigo a experiência por testar esses pneus em 2011, mas parece que está difícil, pois as vagas são pouquíssimas e muita gente a disputá-las.

Veja o vídeo no YouTube desta corrida.  Lucas dirige o F3 branco:

Miss Macau 1994

Em 1994 não foi a vez de uma macaenses ganhar o concurso de Miss Macau.  A estudante chinesa, recém-residente em Macau, Chen Ji Min, levou o título principal, além de também ter sido eleita Miss Fotogenia pelos fotógrafos, a exemplo da Miss Macau do ano anterior.  No entusiasmo da conquista do título prometeu que vai estudar português.  Se o fez, está muito bem servida nos dias de hoje, e pode vir para o Brasil que a China está com altos investimentos no País.

João Fernandes que redigiu o texto do artigo a respeito na Revista Macau de Outubo de 1994, qualificou a bela chinesa detentora de um “sorriso tranquilo” e que bem mereceu o título de Miss Macau.  Chen ganhou 200 mil patacas em dinheiro (hoje cerca US$ 25.000,00), mais um automóvel e um apartamento em Shun Tak, a 90 km de Macau.

Em 2º lugar classificou-se Daniela Maria Mendes, à esquerda na foto acima, e diga-se de passagem, mui bela!!! Sem falar na 3a. colocada Lao Hio e a Miss Simpatia, Teresa Ung , ambas também mui belas.  Deve ter sido uma decisão mui difícil para o júri.

Miss Macau 1993

Em 1989 foi a sua irmã Guilhermina que ganhou o concurso de Miss Macau (vide postagem neste blog), e em 1993 foi a vez da Isabela Madeira Pedruco.  Na época com 20 anos, a macaense Isabela, natural de Macau (que em 1993 ainda era colónia portuguesa na China), além de conquistar o público logo de início, ainda ganhou o título de Miss Fotogenia atribuído pelos fotógrafos, e não é para menos, observem o olhar cativante dela.  Faz a alegria de qualquer fotógrafo.

A noite foi bem macaense, pois outra candidata Lisa dos Santos Lewis, 20 anos, ficou em 2º lugar (1ª Dama de Honra), seguida da chinesa, escultural, Chan King Mut, 20 anos, em 3º.  Completando o quadro de macaenses bem sucedidas, Gabriela Lopes da Silva, natural de Macau, foi eleita Miss Simpatia pelas suas colegas concorrentes.

Isabela Madeira Pedruco ganhou na época prémios na ordem de um milhão de patacas (hoje seria em torno e US$ 125.000, mas depende da cotação em 1993), incluindo um apartamento e um automóvel.  Só mesmo Macau para dar prémios deste nível.

Macau, atualmente, está sem concurso de Miss, porém parece que há promessa para seu retorno.  Também com os casinos e tanto dinheiro a rolar por aí, não haveria motivos para que não aconteça isso.

Para os leitores brasileiros, podem ver a mistura de raças que Isabela bem exemplifica.  Embora não conheça quais sejam elas na Isabela, julgo que poderia arriscar a dizer, portuguesa e chinesa.

(fonte e fotos: Revista Macau 1993)

Subsídio para as Casas de Macau … ?

Vemos nos jornais de Macau e de Hong Kong a fartura de dinheiro na nossa terra Macau.  Ficamos satisfeitos com o progresso e a evolução economica de Macau … que bom … há dinheiro de sobra, ao que parece.  Felizes os residentes de Macau, bem merecem os cheques de subsídios. Não há como negar que Macau progrediu muito depois da transição.  Colocou Las Vegas para trás, o que consequentemente, aumentou a receita para poder beneficiar os residentes. Até nós da Diáspora, falamos muito bem da nossa terra nos dias de hoje nos Países que nos acolheram.

Vi no JTM de hoje > (…) “Um ‘cidadão sénior’ poderá receber 45 mil patacas por ano, só através de apoios da Administração. Na soma entram o subsídio para idosos (6.000 patacas) mais a pensão mensal de velhice fixada em 2.000. Isto para além das 7.000 patacas de cheque, caso a pessoa seja residente permanente, e de 6.000 mil patacas que serão injectadas na conta da Poupança Central” (…)

Se perguntar não ofende, gostaria de perguntar sem segundas intenções ou provocar intrigas ou ser inoportuno ou incoveniente. Enquanto fiz parte da direção da Casa de Macau de São Paulo, participei de reuniões e ficamos aguardando notícias de subsídios às Casas de Macau e associações macaenses da Diáspora. Assim, pergunto – será que vai ter alguma coisa para nós, Macaenses da Diáspora? Ou seja para as Casas de Macau e associações macaenses da Diáspora? Pois em São Paulo, a Direção, pelo visto, está a tomar medidas de contenção de despesas para que as verbas que sobraram, desde o último cheque recebido antes da transição. Ou será que, estando fora da direção, não estou sabendo de alguma boa notícia a respeito? Nós da Diáspora, estamos ou não, colaborando para divulgar Macau pelas nossas associações? Podemos ter esperanças?

Grande Prémio de Macau, bilhete gratuito …

Até que seria uma boa! Ganhar um bilhete gratuito para assistir o Grande Prémio de Macau que se avizinha, mas … o que estou a oferecer, é da edição de 1968, a XV, realizada em 17 de Novembro.  Nestas alturas eu já estava a residir no Brasil há 9 meses, morrendo de saudades de Macau.  Até queria voltar! Coisas de “recém-imigrante”.  Graças à gentileza do meu bom amigo Natalino Couto Wong, ele procurou matar as minhas saudades do Grande Prémio ao enviar-me este bilhete pelos Correios.

Tufão Cora, o Serviço Meteorológico de Macau avisa …

Para Macau, o perigo já passou.  O tufão Cora está prestes a atingir a costa chinesa nas vizinhanças de Foochow, mas está a enfraquecer.  O boletim do Serviço Meteorológico de Macau datado de 7 de Setembro de 1966 assim comunicava.

Este boletim histórico, fazia parte do trabalho do meu cunhado português Manuel Figueiredo Ramos (contrabaixo do conjunto Mário Tomáz) na Fortaleza do Monte.  Dizia ele, um tanto mal assombradoxiça !!! Também … quanta história tinha aquela velha fortaleza !!! E que tal se passarmos uma noite lá para caçar fantasmas, ver as portas se fecharem sózinhas, sentir aquele calafrio que até parece que alguém passou ao seu lado??? … xiça !!! E olha que ele lá trabalhava sózinho nos plantões de madrugada, mas não tinha medo … até que a companhia dos fantasmas da fortaleza não o deixavam sentir aquela solidão danada … hehehe!!!

O Exército português de Macau intervém …

04 de Dezembro de 1966, a situação estava fora do controle.  A polícia de Macau não conseguia controlar as manifestações.  Era necessário a intervenção das Forças Armadas portuguesas para impor a ordem.  Uma coluna de viaturas militares com  blindados à frente, avança pela Avenida Almeida Ribeiro e passa diante do prédio do Leal Senado com o seu interior seriamente danificado.  O fotógrafo do jornal de Hong Kong, The Star, registra o momento …

Gazeta Macaense de 02/12/1966 divulga Nota Oficiosa

Na Gazeta Macaense (visado pela censura) de 02/12/1966, cujo director era Damião Rodrigues e o proprietário, Leonel Borralho, o Chefe da Repartição do Gabinete, Manuel de Mesquita Borges, Major do CEM, divulga Nota Oficiosa datada de 1º de Dezembro de 1966, a respeito dos incidentes na Taipa.  “Vai ser iniciado, muito brevemente, um inquérito …” constava dela, mas, não deu tempo … o 1, 2, 3 (Dezembro de 1966) já estava em curso, culminando na intervenção das Forças Armadas portuguesas para restabelecer a ordem … (veja noutra postagem)

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Jornal Tribuna de Macau noticiou a entrega do Prémio Identidade

O editor deste blog e do site Projecto Memória Macaense agradece o Jornal Tribuna de Macau pela divulgação da notícia da entrega do Prémio Identidade 2011, com base nas informações destas publicações na internet.

Bom frisar que o Prémio foi entregue na Casa de Macau, em São Paulo, Brasil, cidade onde reside este autor contemplado com a premiação, não gerando gasto desnecessário para o fim, pois o presidente do IIM Instituto Internacional de Macau, Dr. Jorge Rangel, aproveitou a sua viagem de trabalho ao País para o ato.  A Casa de Macau de São Paulo também aproveitou a ocasião para homenagear e saudar o presidente e o IIM pela visita, no costumeiro almoço de domingos na Associação, sem no entanto este autor deixar de novamente agradecer a Direção pela gentileza.

Macau (China)>Macaenses – Macaé (Brasil)>Macaenses

Talvez a única cidade do mundo onde existem Macaenses, além da gente de Macau (China/ex-Portugal).  Macaé é uma cidade litorânea do Estado do Rio de Janeiro-Brasil e a sua população chama-se – Macaense.  Lá eles não correm o risco de “extinção” como nós Macaenses de Macau, formada por um povo fruto da colonização portuguesa por cerca de 440 anos.

Tenho percebido algumas visitas da gente de Macaé, pelos tags apontados pelo Provedor WordPress.  Penso que talvez tenham visitado este blog e o site Projecto Memória Macaense (PMM), tanto pela curiosidade como a pensar que fossem publicações de alguém da cidade, e quem sabe, acidentalmente.

Seja qual for o motivo da sua visita, Macaense de Macaé, este blog e  o site PMM que têm residência no Brasil, te saúda – Oi, seja bem-vindo, muito prazer ter a sua visita.  Caso não saiba, esta gente de Macau não se chama de Macauense, mas Macaense, ao contrário do pessoal da Macau do Estado do Rio Grande do Norte-Brasil.

Agora, aos amigos que não são de Macaé, vou lhes apresentar esta cidade que é a Princesinha do Atlântico.  Ah, um dia ainda vou visitar a sua bela cidade e fartar de fotografar placas, que julgo deve ter muitas, com as inscrições – Macaense. É só fazer a pesquisa na Internet. Vou até sonhar que seria a Macau que sonhavamos um dia poder ter conquistado a sua independência.  Sonhar não faz mal !!! Caso não saiba, Macaense de Macaé, Macau era uma colónia portuguesa no litoral do sudeste da China. Os portugueses lá chegaram na época da descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral.  Foi devolvida para a China em 20/Dez/1999.  Lá, os Macaenses, são/eram as pessoas que falam/ falavam o português ou estudaram em escolas portuguesas.  De um modo, o chinês, a maioria da população (mais de 95%), não se julga Macaense mas Chinês mesmo.  Visitem o meu site Projecto Memória Macaense para conhecê-la melhor.

Lembro que em Outubro de 2010, quando da minha viagem para Santiago do Chile, conheci um casal Macaense de Macaé, ele engenheiro da Petrobrás.  Foi numa excursão para Portillo situada na Cordilheira dos Andes. Até dava impressão que eramos conterrâneos. Foi uma feliz coincidência.

Macaé – História

Conhecida como “Princesinha do Atlântico”, a cidade de Macaé tem uma história bastante antiga. Data do século XVII a sua povoação , cuja ocupação inicial se deu, a pedido do governador geral do Brasil, para fazer frente aos contrabandistas que cobiçavam o pau-brasil, abundante na região.

Nossos antepassados aqui chegaram em companhia de 200 índios Tamoios e iniciaram o processo de colonização do município. No século XVII já havia na região do rio conhecido à época como Miquié, uma fazenda com engenho, colégio e capela, construída no sopé do morro de Sant’Anna.

No início do século XIX, o povoado estava às vésperas de seu segundo centenário, mas seu desenvolvimento esbarrava na falta de autonomia administrativa, concedida, finalmente, em 1813, quando o Príncipe Regente D.João elevou o povoado à categoria de Vila de São João de Macahé.  Exatamente 33 anos mais tarde Macaé chegava a condição de cidade, e ainda no século XIX foi construído um importante sistema viário, o que permitiu, em 1846, a vila receber os foros da cidade. O período áureo de Macaé impulsionado pela monocultura da cana-de-açúcar declinou, quando o porto de Macaé perdeu sua importância em conseqüência da implantação da Via Férrea .

Nos anos 20, impulsionado pela cultura do café, o município experimenta certo crescimento, mas somente em 1974, com a descoberta de petróleo na região, e com a chegada da Petrobrás, Macaé passa a viver um novo momento econômico, marcado fundamentalmente pelo crescimento demográfico, com sua população chegando a 132.461 mil habitantes, segundo os últimos dados do IBGE de 2000. (fonte MacaéTour – hoje já cerca de 200 mil habitantes)

Outra apresentação do Guia do Litoral:

Uma cidade que cresce de olho no futuro. Assim é Macaé – a 182 quilômetros do Rio – um dos municípios que mais se desenvolveram no estado nos últimos 20 anos. Com quase 200 mil habitantes a cidade está entrando em uma nova era. O município aproveita o ciclo do petróleo, responsável pelo seu crescimento, e constrói o seu futuro.

Localizada entre duas importantes capitais de Estado, Rio de Janeiro e Vitória, Macaé conta com boas estradas, malha ferroviária, um aeroporto e um porto operado pela Petrobrás. Outro setor que cresce na cidade é o turismo, tanto de negócios, como de lazer. Cercada de belezas naturais, a cidade tem um grande potencial e boa variedade de opções para os visitantes

Video histórico – Macau anos 60/70

O excelente canal de YouTube de Michael Rougge, um grande colecionador de videos que o Projecto Memória Macaense tem falado a respeito, divulgou outro video de Macau que ele diz ser dos anos 60, mas penso que seria dos anos 70 no seu início ou fim dos 60. Vocês visitantes macaenses analisem pela provável ponte Macau-Taipa na procissão e o Largo do Senado com um chafariz. É um video divulgado pela Secretaria de Turismo da época em inglês. Vejam e matem muitas saudades …

Poesia e pintura chinesa

POESIA E PINTURA NA ESTÉTICA CHINESA CLÁSSICA

Os fragmentos de verdade que perseguimos são como borboletas: ao aprisioná-las acabamos por as matar. Ao contrário da poesia ocidental, construída em tomo da voz de um sujeito que pela palavra se diz, a poesia chinesa deixa crescer o silêncio, abre espaço ao vazio e por entre esse buraco negro, cuidadosamente tecido, deixa exorbitar o sentido. 

Che Ho, “Vento e chuva pelo rio da Primavera”, 1993. Aguarela/aquarela sobre papel de arroz

TRADUÇÕES DE POETAS CHINESES CLÁSSICOS

Referimos as dificuldades que as traduções de poesia chinesa comportam. Não são apenas escolhos de uma língua escrita que funcionava como uma espécie de koiné, quer dizer, um código restrito a um certo uso. Trata-se sobretudo de uma língua que explora infinitamente a sugestão por meio das suas possibilidades sin-tácticas e morfológicas — o que as línguas ocidentais têm dificuldade de captar.

Ainda assim, todos os esforços que intentam a tradução devem ser encorajados e acarinha-dos, sendo aliás de grande interesse versões várias que possibilitem reflectir sobre a questão genérica das traduções português-chinês.

É da autoria de Graça de Abreu a divulgação de três poetas maiores da dinastia Tang: Li Bai (701-762), Bai Juyi (772-846) e Wang Wei (701 -761). Indico a ordem de publicação que, suponho, será em breve acrescida de outros poetas.

São de grande riqueza informativa as introduções que Graça de Abreu acrescenta a estes volumes, mas chamo a particular atenção para um fragmento incluído no volume sobre Li Bai onde coteja as diversas traduções do poema que intitula “Lamento nos Degraus de Jade”, É de facto um primeiro passo para uma teoria da tradução literária que falta empreender para que a divulgação das duas culturas adquira uma consistência que, por vezes, o improviso generalizado não permite vislumbrar. Se a França possui uma prestigiada Escola de Extremo Oriente com muitas décadas de existência, para quando os primeiros passos da nossa própria escola?

Apresento quatro poemas de três poetas nas versões de Graça de Abreu e de Gíl de Carvalho, outro interessado tradutor de poesia chinesa que publicou em 1989 uma Antologia que começa no Livro dos Cantares, Shíjing (1000-600 aC), o livro canónico que se julga ter sido compilado por Conf úcio, e termina com um dos últimos grandes poetas clássicos, Wahan Xingde (1655-1685).

As composições que escolhi evocam as pinturas chinesas que privilegiam a paisagem (montanhas). A natureza não tem a mesma importância em todos estes poetas, mas está presente em todos eles. Em Li Bai, o poeta taoista procura fundir-se com a natureza onde encontra o seu ser e a sua paz. Assim, as montanhas e rios, nuvens e céu, são companheiros do sujeito solitário, que aí procura o sentido mais geral do universo.

Mas é a poesia de Wang Wei que melhor se constrói como pintura. Aliás o poeta era também pintor, embora se tenha perdido toda a sua obra pictórica. Contudo, como referi, a sua pintura, que se sabe renunciava ao emprego de cores para jogar com o preto e o branco, não corresponde às paisagens dos seus poemas que parecem antecipar a pintura do período Song. De facto, os grandes caiígrafos e pintores dessa época deixam de propósito vazios e espaços em branco a fim de serem preenchidos com inscrições que em grande parte eram poemas

Além disso, essas pinturas insistem na sugestão, enquanto as obras do período Tang são ainda prisioneiras de uma rigidez arcaica, além de serem desenhos meticulosamente explícitos. Ao contrário dessa pintura, Wang Wei escolhe um estilo poético dominado pela sugestão. A escolha de motivos é bastante diferente dos seus contemporâneos Du Fu e Rai Juyi, preocupados sobretudo com os problemas sociais e políticos. Wang Wei está longe desta poesia do Mundo e concebe a vida como a procura da Via, empenhando-se com todas as forças para se ultrapassar a si próprio. A influência do taoismo e do zen levam–no a procurar o caminho da Natureza que ele opõe ao Mundo.

Mas a marca maior da sua poesia é a consciência da identidade entre poesia e pintura como sublinha nos versos traduzidos por Graça de Abreu:  Numa outra vida, o acaso fez de mim poeta,/numa outra existência, o destino fez de mim pintor.

Ho Tzu, “A flauta de jade”. Pintura para o poema de Li Bai

WANG WEI (701-761)

O Parque dos Veados

Solitários montes, ninguém à vista,

Ecos somente de vozes humanas.

Um sol tardio entra no bosque fundo.

Brilha de novo o verde musgo.

[trad. Graça de Abreu]

RAI JUYI (772-846)

Uma nuvem no alto da montanha

Uma nuvem branca no alto da montanha,

intacta face ao avançar da manhã.

O trigo ressequido no campo

perde o viço e o verde.

O homem cresce e murcha,

cumpre e concretiza o quê?

Não pode transformar-se em chuva

e seguir o vento Leste.

[trad. Graça de Abreu]

(extraído do artigo de Ana Paula Laborinho – Revista Macau de Janeiro 1994)

De qual País você é?

Não gosto de contador de visitas, que muitas vezes induz o leitor a erro de interpretação entre nº de visitantes e nº de páginas visitadas.  Duas coisas bem diferentes. Um visitante pode vistar 10 páginas.

No entanto, não estou resistindo à curiosidade para saber de onde você é? De qual País? Fico em dúvidas se o conteúdo está a atingir qual público e se está adequado a ele.  Uso, por vezes, uma linguagem meio macaense, ou meio brasileira, será que me entendem?  Assim, coloquei um contador por bandeiras de Países, que a partir de 01/Nov/2011 passou a contar nº de visitantes por bandeira (flags) do seu País de acesso,  o nº de páginas visitadas (page views) e a quantidade de Países (flags collected).  Espero estar certo nesta explicação!!!

Como podem ver, procuro colocar numa página, 30 postagens.  Poderia colocar menos, assim teria mais páginas visitadas, pois você viraria a página pelas “postagens antigas“.  Esses são os truques de sites e blogs, tanto que o contador só vai ficar por uns tempos, até que eu consiga ter uma visão da origem dos visitantes.  Na verdade, sem publicar o contador de visitas ou páginas visitadas, eu tenho as estatísticas do Provedor WordPress que traz um quadro completíssimo dessas informações, mas somente visível por mim no Painel de Controle.

Um contador de visitas pode ter a sua utilidade para arrecadar patrocínios e publicidade nos sites/blogs, mas  este blog não tem este objetivo, apenas pelo exposto acima e provisoriamente. E não sou daqueles que visita o próprio site dezenas de vezes por dia para aumentar o contador.  Não preciso disso pois engano a mim mesmo!!! Mas também o contador serve para dizer a você mesmo, “o que estou a fazer aqui com poucas visitas?“.  Espero não chegar a isso um dia!!!

Interessante que até agora, tem mostrado que o Brasil lidera, mas será gente da comunidade macaense ou parte de visitantes brasileiros que passaram por aqui acidentalmente ou a pesquisar coisas de Macau, ou … lá sei ???!!! Pensava que tivesse mais visitantes de Macau (MO), mas os dados não mostram isso!!! Interessante e uma pena que o blog não consiga atingir satisfatoriamente o público macaense da minha terra natal (até agora).  Porque será que as 2 postagens de Miss Universo têm sido o topo de visitas até agora? Será pelas belas mulheres, ou curiosidade de pesquisa geral sobre o tema? Às vezes um blogueiro quebra a cabeça para saber das coisas …  Tenho visto outros blogs brasileiros que os visitantes interagem e comentam sobre qualquer tema, mas aqui pouco ou quase nada de comentários.  Pode ser proveniente do jeito de ser do macaense que é mais comedido?  Essas minhas divagações são as minhas dúvidas.

Fortaleza do Monte, 1950 e 2006. Um pouco de história

Em 2006, viajei a Macau para fotografar os Jogos da Lusofonia e fui fazer um ensaio fotográfico na Fortaleza do Monte (publicado no FlickR no http://www.flickr.com/photos/87555912@N00/sets/72157602425665119/) e fiz a foto abaixo:

Hoje, a folhear a Revista Macau de Dezembro de 1998, vi a foto abaixo, que coincidentemente foi tirada mais ou menos no mesmo ângulo.  Veja como aquela vista limpa de Macau, a avistar a Ermida da Penha e o Leal Senado foi obstruída pelos inúmeros prédios que proliferaram pela Macau moderna vista 56 anos depois:

E, aproveite para ler o que Beatriz Basto da Silva escreveu sobre o Monte naquela Revista:

Fortaleza do Monte: a mais notável

Extraído de “As Fortalezas da Cidadela” de Beatriz Basto da Silva – Revista Macau Dezembro 1998

O Pe. Alexandre Valignano, S. J., tão ligado à difusão da Imprensa de caracteres móveis no Oriente e Visitador da Companhia de Jesus, acomodou o Monte para recreação e alívio do Colégio [de S. Paulol e também em tempo de muita gente e aperto de agasalhos morarem nele alguns Padres e irmãos. À sua morte, ocorrida em Macau (Jan. 1606), sabe-se portanto que a colina do Monte era propriedade da Companhia, o que significava estar entregue o melhor possível em benefício da população. De facto, a Igreja foi de todos, o Colégio Universitário abriu-se a todos, a catequese a todos chamava e a Fortaleza — ao que parece iniciada aí por 1617 sob orientação de Pé. Jerónimo Rho, S. J. e do Capitão Francisco Lopes Carrasco, este rodado nas lides militares em África e na Índia — serviu de escudo às religiosas dos conventos, outras mulheres e crianças que, quando os holandeses atacaram, em Junho de 1622, ali se refugiaram, apesar de incompleta.

Com a chegada em 1623 de D. Francisco de Mascarenhas, o primeiro Governador com residência permanente em Macau, a monumental construção foi terminada. Assim o prova a data de 1626 gravada no lintel sobre o portal de entrada, virada a S/SE.

Enquanto as outras fortalezas se encarregavam exclusivamente da defesa, esta era a única que se podia preocupar com a população, porque tinha espaço e cômodos para abrigo; era a cidadela com que Macau contava, o velho burgo de herança européia sabiamente adaptado ao espaço irregular e exíguo de uma colina.

Mas a miniatura não perdeu em funcionalidade e tinha o aconchego de qualquer propriedade privada, com seu espaço para tudo, desde as residências à cisterna, ao depósito de pólvora, ao polivalente recinto arborizado, com vista panorâmica sobre toda a cidade.

Tão agradável e altaneiro tudo se apresentava que o Governador, achando que a sua instalação de início não se compadecia com a dignidade do cargo, resolveu um dia ir cumprimentar os senhores padres e, acabada a visita, à hora da saída, manobrou com os seus homens de forma a trancar-se paredes adentro, deixando os pobres religiosos fora de portas, atônitos e desapossados para sempre. Aquela passou a ser (até João Ferreira do Amaral) a Residência do Governo. (Cfr. Silva, B. B., Cronologia da História de Macau , III Vol. – 1848 (XI-6».

Os venerandos muros e sua artilharia distinguiram-se, como já mencionámos, em 1622 e voltaram a ter relevo mais tarde (em 1846) ao apoiarem o Governador Ferreira do Amaral na chamada Revoltados Faitiões: juncos de guerra, movimentados por marginais, com a aprovação dos mandarins do Sul e de combinação com os comerciantes chineses do bazar, no coração do porto interior de Macau, levantaram-se contra disposições do Governo sobre circulação portuária. Só a ameaça dos canhões da Fortaleza do Monte os acalmou, reconduzindo à situação de paz.

Considerou-se necessário ter esta fortificação sempre prevenida, e de facto ela foi interveniente em várias ocasiões, mesmo para esfriar dissenções demasiado acaloradas entre os poderes locais.

O imponente miradouro, que ainda fala da sua importância estratégica, beneficia actualmente, assim como o conjunto histórico adjacente, de novas leituras: a superfície da Igreja foi tratada arqueologicamente, elevando-se um Museu de Arte Sacra sobre a zona do transepto. O Colégio Universitário foi posto a descoberto durante as obras de edificação do Museu de Macau, arrojada obra arquitectónica saída das “entranhas” da praça forte. No interior do Museu desvenda-se, em pormenores expressivos da identidade macaense, o encontro luso-chinês de 450 anos.

*veja os álbuns de fotos que tirei de Macau de 1994 a 2010 publicados no FlickR e no Projecto Memória Macaense neste link – http://www.flickr.com/photos/87555912@N00/sets/

Jornal Tribuna de Macau – 29 anos

O blog Crónicas Macaenses e o site Projecto Memória Macaense felicita o Jornal Tribuna de Macau pelo seu 29º aniversário.  Agradecem pela permissão para divulgação do seu conteúdo nas suas páginas.

Leiam o editorial do seu diretor José Rocha Dinis a respeito do aniversário (clicar para aumentar):