Talvez não saibam, o coronel Vicente Nicolau de Mesquita era um poeta, tal como descreve Pedro Dá Mesquita na Revista Macau de Julho de 1995:
O SONETO DA MINHA VIDA
O coronel Vicente Nicolau de Mesquita era, no final da sua vida, um carácter amargurado. Homem culto, segundo nos dá conta monsenhor Manuel Teixeira, pois sabe-se que gastou boa parte do seu dinheiro em livros, de que chegou a formar uma valiosa biblioteca, chegou a escrever umas poesias. Uma delas, em forma de soneto, dá conta das muitas agruras por que teve de passar o desditoso militar, bem como da dificuldade em ultrapassar um irreversível estado de degradação psicológica.
Recopilo n’este soneto a minha vida
- Vi que o favor da corte era vaidade
Achei no amor desgostos e enganos:
Gastei no estudo a vista, o gosto e os anos;
Encontrei inconstância na amizade
- Astúcias me ofenderam a bondade
Aos benefícios, ingratidões e danos:
Tive valor, por prêmios desenganos;
Os conselhos queixosos da verdade
- Julgou-se a cortezia abatimento
E chamaram lísonja ao que era agrado:
Dissipou-se no gasto e luzimento;
- Cortou-me a inveja o espírito elevado
Somente me ficou o entendimento
A fim de conhecer-me desgraçado!…
(24 de Março de 1878)
Nota: vejam a postagem anterior – episódio 1 – sobre o fim da sua estátua em Macau.
