Archive | dezembro 2011

Boas Festas/Feliz Natal /Merry Christmas/Feliz 2012

Caros amigos, conterrâneos e leitores,

O site Projecto Memória Macaense, este blog e o seu autor desejam a todos Boas Festas, que tenham um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.

Aproveito para agradecer a vossa visita no ano de 2011, quando este blog passou a ser considerado uma extensão do site Projecto Memória Macaense (PMM).  Com isto, a partir do meio do ano, as postagens passaram a ser mais constantes, pois antes eram raras.  Aos poucos, as postagens vão assumindo um perfil próprio e diferenciado de publicação do género macaense, pela sua postura independente, descompromissada e livre de qualquer vínculo que possa influenciar a escrita, porém, agindo com responsabilidade.

O site PMM, ao dividir as tarefas com o blog Crónicas Macaenses, ao longo de 2012 passará a ter, como já iniciado em 2011, um perfil de constituição de acervo de modo que possa contar aos visitantes – Quem Somos Nós, os Macaenses – além de publicações mais completas e ilustradas com muitas imagens, não só da nossa gente mas da Macau de ontem e hoje, um trabalho pioneiro que vem sendo feito desde a sua fundação em 2003.

2011 foi finalmente o ano de reconhecimento deste trabalho pioneiro desde 2003.  O Projecto Memória Macaense ganhou o Prémio Identidade 2011 concedido pelo IIM – Instituto Internacional de Macau, que foi compartilhado com outro site Famílias Macaenses em língua inglesa, enquanto que o PMM é redigido em português.  Foi uma grande honra estar alinhado com grandes nomes de personalidades e instituições macaenses que já receberam a indicação. Mesmo que o Prémio não conceda nenhuma remuneração financeira, o simples facto do reconhecimento em forma de diploma e estatueta é de grande valia.  O acto em si de valorização de um trabalho árduo e contínuo,vale muito mais do que uma compensação financeira.  E esta é a personalidade e o pensamento do PMM, que é movido por um ideal e pelo coração que insiste ser macaense.

Agradecendo sempre a vossa visita às minhas publicações na Internet, que retornarão em 2012, o ano em que o PMM completará 9 anos em Junho, aceitem um forte abraço de

Rogério P.D. Luz

IMAGENS DALUZ/Velocidade, meu outro site

Devem ter visto nos links da coluna lateral, este meu outro site de fotografias: IMAGENS DALUZ.  Pois decidi separá-lo em dois.  Um para a Velocidade e outro para o meu Portfólio. Este último ainda estou a construir aos poucos, mas o de Velocidade já está terminado.

O IMAGENS DALUZ/Velocidade que está no www.imagensdaluz.com/velocidade contém exclusivamente fotos do automobilismo (antigo e atual) preferencialmente, além do motociclismo, kart. eventos, exposições e feiras ligadas a veículos de 2 e 4 rodas.  Não só divulgo a Memória Macaense como no Projecto Memória Macaense e neste blog, mas também tenho um dos maiores acervos de fotografias do automobilismo brasileiro e mundial das corridas em Interlagos (São Paulo) nos anos 70, que parte dele está publicado no site.  Bastante pesquisado, várias fotos são publicadas nos blogs que falam da memória do automobilismo nacional, pois os brasileiros também são saudosistas.

As fotos aqui expostas nesta postagem são do Salão de 2 Rodas de 2011, que foi realizada no Parque Anhembi (São Paulo) em Outubro deste ano.  Dois álbuns com quase 2 centenas de fotos mostram, além das motos nacionais e estrangeiras, o charme e a beleza da mulher brasileira através das recepcionistas do Salão.  O link está em vermelho na coluna lateral na página de entrada.

Assim, fica o meu convite para a sua prestigiosa visita.

Anabela (Portugal) pergunta sobre escola em Macau e estágio

Um comentário postado no espaço Autor por Anabela Santos (Portugal) pergunta-me:

“Venho solicitar informação de uma instituição ou escola em Macau que estaria interessada em receber-me para um estágio de três meses.
As áreas de interesse são a caligrafia/caracteres(processo de fabricação da tinta e do papel de arroz), cerimonia do chá e das flores e o haiku.
Grata pela atenção,
Anabela Santos” (solmuito@gmail.com)

Anabela, é uma boa pergunta tanto que a coloco numa postagem.  Eu aqui no Brasil já encontro dificuldades para atendê-la, mas vamos lá, e quem sabe algum leitor possa ajudá-la.  Penso que poderia obter através da Casa de Macau em Lisboa (vide contactos no site -  www.casademacau.pt) o telefone da Representação de Macau (RAEM) também em Lisboa e informar-se a respeito.  Quando estive lá em 2004, soube que davam aulas de chinês na sua sede porém não tenho informações actualizadas.  Outra alternativa seria escrever para o Instituto de Formação Turística de Macau (site – http://www.ift.edu.mo/ ).  Não sei se seria o caso mas é uma tentativa. Boa sorte e sucesso !!!

Para comprovar que a pergunta da Anabela tem cabimento, visite o seu belo blog – http://sala-de-cha.blogspot.com/

Vídeo de Patoá – Mensagem de Fé e Esperança repercute bem

Recebo e-mail da Mariazinha (Maria Conceição Lopes) Carvalho, agradecendo a divulgação do vídeo em patoá de Macau – Mensagem de Fé e Esperança.  Diz que recebeu diversos e-mails de pessoas que não conhecia, além daquelas de seu relacionamento, a cumprimentá-la pela apresentação da mensagem (vide postagem com o mesmo título) que foi feita em conjunto com o Pedro Almeida.

Discreta e com humildade, a Mariazinha relata que um dos e-mails recebidos dizia que as pessoas gostam de ouvir o seu patoá (patuá) e que ela seria “a mais famosa macaense nesta época de Natal”. Desculpe Mariazinha por publicar isso, apesar de você dizer que não tem essa pretensão, apenas cumpria uma tarefa de apresentação do patuá na festa da Casa de Macau de São Paulo.  “Era apenas um esforço para dizer que São Paulo tem o seu patoá e que se procura divulgá-la e preservá-la”.

Senti que nos 3 dias de divulgação do vídeo, até que pelo tipo de vídeo, teve boa aceitação.  Mas o números não importam, pois videos macaenses alcançam um pesqueno público mundial, pois somos poucos e não adianta inventar milagres.  O importante é que se cumpre uma tarefa de dizer que, além do excelente trabalho que se faz em Macau para divulgação e preservação do patoá, os macaenses da Diáspora também estão ativos nesta tarefa, com as suas limitações e dentro das suas possibilidades, óbvio que nem se compara com os recursos que se tem em Macau, pois não os tem mesmo.  É um trabalho de formiga, mas sempre tem alguém da Diáspora que procura fazer algo, como também as Casas de Macau ou associações macaenses similares.  A gente procura fazer a nossa parte, talvez uns milagres, mas nós da Diáspora vamos dando o nosso contributo pela preservação da cultura macaense e a sua divulgação nos nossos Países de acolhimento, com ou sem reconhecimento e apoio.

Lusitano Winter Bulletin / Boletim “de Inverno” do Club Lusitano (USA/EUA) 2011

Recebi através do Nuno Prata Cruz (EUA) o boletim do Club Lusitano dos EUA/USA, em inglês, classificado como “de Inverno”, que publico para sua leitura e saber o que se passa nesta comunidade macaense:

Clicar no título abaixo / click to see the 2011 Lusitano Winter Bulletin (a macanese club in USA):

2011 Lusitano Winter Bulletin

Hong Kong guarda relíquia do ex-papa João Paulo II

Saiu no jornal Hoje Macau de 25/Nov/2011 a seguinte notícia com o título acima, que julguei interessante publicar:

Uma igreja de Hong Kong conservará uma mecha do cabelo do ex-papa João Paulo II, falecido em 2005 sem realizar o seu sonho de visitar a China devido à ausência de relações diplomáticas entre Pequim e Vaticano, informou ontem jornal “South China Morning Post”.
A Catedral da Imaculada Conceição de Hong Kong recebeu neste mês a mecha e agora a diocese anunciou que o Vaticano aprovou que ela seja ali conservada permanentemente.
Segundo o bispo de Hong Kong, John Tong Hon, a relíquia “realiza simbolicamente o desejo de toda uma vida de visitar a China”, expressado por João Paulo II, que chegou a dizer que todos os dias rezava pelos católicos do país.
China e Vaticano romperam relações diplomáticas em 1951 e ambos mantêm tensões por diversos assuntos, como a nomeação de bispos por Pequim sem o aval dos católicos de Roma. Actualmente, a Santa Sé é o único Estado europeu que reconhece a soberania da ilha de Taiwan –administrada pela China -, foco de tensões com o Ocidente.
Neste ano, por exemplo, a Igreja Católica oficial chinesa – desligada do Vaticano e dependente do Partido Comunista da China – excomungou vários bispos, voltando a elevar as tensões após anos de aparente reconciliação.
Hong Kong, por sua condição especial de ex-colónia britânica, é uma excepção neste conflito. A comunidade eclesiástica mantém laços directos com Roma e o seu bispo, nomeado pelo Vaticano, é considerado um mediador entre a China e a Santa Sé.
John Tong Hon afirma que a presença da mecha do ex-papa certamente atrairá milhões de fiéis da parte continental da China.

Jornal Hoje Macau - www.hojemacau.com.mo

(Grato João Luís pelo email)

Hong Kong antigo – Ancient Hong Kong: 1830 > 1966

Recebi do Sonny (Humberto) Fernandes (obrigado) e-mail com este PPS com fotos e gravuras de Hong Kong/Kowloon antigo de 1830 a 1966.  Muito interessante!!! Deu para matar as saudades do porto de Hong Kong em que, nos tempos de criança e na juventude até os 17 anos, viajava para lá com os meus pais pelos ferry boats ou nos hidrofoils. Naqueles tempos, para mim, era uma grande novidade a viagem para Hong Kong. Adorava a cidade e quando criança, lembro que chegava a recusar voltar para Macau (até a man chan), de tão fascinado pela cidade grande e tantos lugares para passear, sem falar no comércio sempre fascinante e variado.

Hoje, ir para Hong Kong é como tomar um ônibus/autocarro para ir a um bairro (exemplo de São Paulo), pois a viagem demora só 45 minutos por mar.  Fácil!! A gente de Macau, vai e volta no mesmo dia sem problemas.  Caso algum residente da compacta Macau ou visitante, sentir a necessidade eventual de mais espaço, dá um pulo a HK que é uma metrópole com uma agitação incrível com gente que não acaba mais pelas suas ruas.

Clicar no link abaixo para ver o PPS com mais de 50 fotos e gravuras/click the link below to see ancient Hong Kong from 1830 to 1966:

ancient_HK

Faleceu Eduardo Sales de Oliveira

Eduardo Sales de Oliveira (foto de 2009)

Triste notícia neste final de ano … faleceu hoje Eduardo Augusto Sales de Oliveira, nosso conterrâneo e amigo residente em São Paulo. O enterro ocorrerá às 09:00 horas do dia 16/12 no Cemitério da Paz, à Rua Dr. Luiz Migliano, 644, Jardim Morumbi, em São Paulo.

À esposa sra. Alaíde e aos familiares, os nossos pêsames e oremos pela paz da sua alma.  Descanse em paz tio Dú, vamos sentir muitas saudades … Lembro que o Eduardo queria muito voltar a ver Macau, mas infelizmente partiu, e espero que possa ver a sua terra espiritualmente.

Mensagem de Fé e Esperança em patoá – Natal 2011 (vídeo)

Na programação cultural da festa de Natal da Casa de Macau de São Paulo, realizada no dia 11 passado, houve a apresentação abaixo que gravei em vídeo e foi publicado no YouTube.  A Mariazinha (Maria Conceição Lopes) de Carvalho escreveu (numa adaptação de texto) e apresentou em conjunto com o Pedro Almeida (Rio de Janeiro), a encenação em diálogo dramático de uma mensagem de FÉ e ESPERANÇA, em patoá (patuá) de Macau para o fechamento do ano e pela época festiva do Natal.

Mariazinha inovou nas suas apresentações em patoá.  Ao contrário de cenas e diálogos alegres e cómicos, habitualmente em peças teatrais, como também acontece em Macau e na diáspora macaense, falou com dramaticidade.  Patoá é sempre ligado ao humor, poucas vezes utilizado em forma de diálogo comum e muito menos em drama.  Temos que louvar a persistência e a luta da Mariazinha pela preservação do patoá, não só no Brasil mas pelo mundo através das minhas publicações no site, blog e em vídeos. Como macaense, sinto que tenho este dever já que tenho esses meios de comunicação ao alcance. O Pedro Almeida na sua bela apresentação e esclarecimento sobre o patoá (para quem não o conhece, veja o vídeo e ouça atento às suas explicações), também destacou a dedicação da Mariazinha, aliás, gostei de vê-lo no palco, adequadamente vestido para o papel e sempre com excelente didática.

Assim caros amigos e conterrâneos, a mensagem é oportuna para lhes desejar Boas Festas, Feliz Natal e um Bom Ano Novo, sem essas profecias loucas de fim do mundo para daqui a um ano, e fazer um apelo: façam qualquer coisa pela causa macaense de preservação da nossa cultura, que temos pouca, lutem pela – PRESERVAÇÃO DO PATOÁ.  Juntos, vamos torcer pelo reconhecimento do PATOÁ pela UNESCO como Património Mundial Intangível (Imaterial).  Acredite nisso !!!

Memória: Macau antes da transição (02-GP de Macau 1999)

Na edição de Novembro de 1999, um mês antes de Portugal devolver Macau para China, o jornal de língua inglesa “Macau Travel Talk” publicava o anúncio para o último Grande Prémio de Macau sob administração portuguesa: a 46ª edição.  Também trazia imagens do André Couto, piloto português nascido em Lisboa e radicado em Macau, sendo condecorado com a medalha de mérito esportivo pelo então presidente do Leal Senado, José Luís Sales Marques.

André Couto disputava os GPs de Macau de Fórmula 3 inclusive na Europa, ostentando no seu carro o nome de Macau (vide foto).  Porém nunca venceu durante a administração portuguesa e por ironia do destino, veio a vencer logo no 1º GP realizado após Macau ter sido devolvido para a China, no ano 2000.  Assisti esta corrida no Brasil, ao vivo/em directo, pela RTP internacional.  Lembro que o André, ao comemorar a sua vitória, e politicamente correto, agitou a bandeira da RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) que era a nova bandeira (chinesa) de Macau, após ouvir o hino chinês pois ele representava a terra agora China.  Os locutores comentaram assim, meio estupefatos ou escandalizados, “olha ele a agitar a bandeira …”, e porque não dizer que eu também fiquei meio chocado, pois ainda ressentia o fim da era portuguesa em Macau. Mas hoje, já acostumado com a idéia da inevitável transição, e porque não dizer “justa” pois colónias dificilmente podem ser justas (a não ser que os colonizadores sejam potências, como os EUA no Hawai ou Havaí, pois ninguém contesta, muito menos o povo, mas convenhamos …), posso dizer que o André agiu corretamente.  Afinal era residente em Macau e era patrocinado pelo governo.  Não havia como ele agitar a antiga bandeira do Leal do Senado, embora não seria muito errado se agitasse a de Portugal pela sua nacionalidade e naturalidade. Digamos, poderia agitar as duas juntas que acho o Chefe não iria achar ruim.

André Couto em 2011 disputou o campeonato japonês de Turismo GT, e em Macau, a última etapa do WTCC – campeonato mundial de carros de turismo com um SEAT.  Dizia ser seu sonho chegar a Fórmula 1, mas infelizmente ficou só no sonho … como tantos outros pilotos!!!

No 1º Encontro: um apelo à nacionalidade portuguesa

A rever a publicação acima do saudoso e importante 1º Encontro das Comunidades Macaenses em 1993, que me permitiu regressar à terra natal pela primeira vez, após a partida em 1967, pude relembrar deste apelo à nacionalidade portuguesa.  É uma questão que dizia (ou diz) muito a respeito da situação de muita gente da comunidade macaense, em especial, os nascidos em Hong Kong e Xangai. Reflete as dificuldades enfrentadas por muitas pessoas com ascendência portuguesa, nascidos fora de Portugal, para obter o passaporte português e em consequência a cidadania portuguesa. Eis o portanto do apelo que na época foi assinado pelos representantes das associações macaenses nomeados na página final.  No momento não poderia dizer como está a situação, podendo apenas dizer que no meu caso, nascido em Macau na época da administração portuguesa, tenho a minha cidadania portuguesa reconhecida.  Sei de alguns casos de pessoas da nossa comunidade em São Paulo que nascidos em Xangai, conseguiram o reconhecimento da cidadania após enfrentarem muitas dificuldade.  Mas creio que muitos ainda devem estar a enfrenta-lo

(clicar nas imagens para aumentar)

Memória: Macau antes da transição para a China (01)

Assim Macau se apresentava para o mundo em língua inglesa.  O anúncio foi publicado no jornal em inglês “Macau Travel Talk” edição de Fevereiro de 1999.  Como se sabe (ou para quem não o saiba) Macau, colónia portuguesa, foi devolvido para a China em 20 de Dezembro de 1999.  A transição completa 12 anos neste ano.  O anúncio ou cartaz diz tudo, a mistura de culturas, a ocidental com a oriental.  Podem observar que aparece a foto de eleição da Pedruco como Miss Macau, publicada neste blog. Veja também no canto inferior direito a bandeira portuguesa que tremulava no prédio do Leal Senado no último ano da presença portuguesa no Sul da China, após uma missão de cerca de 440 anos.

Abaixo, a foto chamava atenção para o Ano Novo Chinês que ocorreria de 16 a 18 de Fevereiro de 1999.  Naquele ano comemorava-se o Ano do Coelho que de acordo com astrólogos chineses é um ano de paz, diplomacia e justiça, de fato bastante razoável, pois a transição de Macau para a China decorreu naquela forma.  A foto mostra a dança do dragão realizada no Largo do Senado (centro da cidade) como celebração do ano novo que se aproximava.

Às vesperas da festa de Natal da Casa de Macau-SP/BR (à twitter)

Ao contrário de anos anteriores, a festa de Natal da Casa de Macau de São Paulo será realizada num domingo (antes era aos sábados), ou seja, amanhã dia 11.  Haverá participação da Casa do Rio de Janeiro, que neste momento, quase 11:00 horas de sábado dia 10, o ônibus/autocarro está a caminho de São Paulo com pouco mais de 20 associados após ter passado por uns contratempos.  Estava prevista a chegada no bairro oriental de Liberdade, onde iriam passear, fazer compras especialmente de produtos alimentícios chineses e talvez almoçarem num dos restaurantes chineses, mas o ônibus contratado teve problemas mecânicos em Resende/RJ na madrugada e precisaram chamar outro do Rio de Janeiro que só chegou por volta das 08:00 horas (algumas horas de espera).  Às 10:45 horas, em contato com os meus amigos António e Argentina Mendonça que integram a comitiva e que terei o prazer de hospedá-los no nosso apartamento, ainda estavam em Guaratinguetá/SP a enfrentar um congestionamento na Rodovia Dutra em vista de queda de uma ponte (choveu muito na madrugada).  Penso que se não houver mais contratempos, deverão chegar por volta das 13:00 horas.  Eu aqui os aguardava para o café da manhã, mas agora será para o almoço.

Abaixo está o convite da Casa de Macau que traz como prato principal um bacalhau do Zé do Pipo.  Na programação do dia, estão previstas apresentações musicais, uma delas durante o almoço será novidade de ex-associados há tempos ausentes do convívio com a comunidade na Casa.  Mas não digo os nomes pois não tenho confirmação da apresentação.  No entanto, devido a festa acontecer no domingo, o pessoal da Casa do Rio não ficará até o seu final, devendo partir logo às 16 horas para não chegar muito tarde no Rio por questões de segurança.  Afinal O Rio ou São Paulo não é nenhuma Macau onde se pode andar com tranquilidade à noite pelas suas ruas.

Macau “cidade latina” na China

Macau em 1966 conforme a postagem anterior foi uma coisa, e a Macau de hoje 2011 é outra coisa.  São outros tempos, sem fanatismo, em que se pretende mostrar ao mundo uma cidade de mistura de raças e de culturas, tal como sempre foi ou pretendeu ser.

Vejam abaixo a reportagem que saiu no Jornal Tribuna de Macau, edição de ontem dia 9, a respeito de um desfile a ser promovido no dia 20, tipo carnaval, pelas ruas reunindo vários países latinos ou não,  com o propósito tal como diz o título da postagem.  Vamos ver como desfilarão os representantes do Brasil, já que moro no País.  Tenho visto que tem uma boa turma de brasileiros com participação ativa nos eventos relativos à Lusofonia em Macau.  Obviamente que irão desfilar com trajes tipicamente brasileiros, tal como se vê nos desfiles de São Paulo e Rio, por exemplo.  Acho que não evocarão aquele estilo de muitos babados etc. do estilo “american brazilian style“, bom para os gringos verem mas nada a ver com o Brasil.

Sucesso gente, que promovam um belo espetáculo e que consigam convencer a todos que a Macau é uma cidade latina na China.  Nada fácil mas vale o esforço!!!

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Jorge Rangel: Mais um depoimento recente sobre o “1-2-3”

Complemento de 09/02/2012: Veja o comentário postado na página – Sua Mensagem a respeito deste tema:

Olá Rogério,
Felicito-o por este espaço que é uma “memória” para todos nós.
Gostaria de fazer um reparo sobre um artigo que publicou – “Jorge Rangel: Mais um depoiamento sobre o 1-2-3″ – Este artigo foi extraído do livro “Há biscoitos no armário” que é sobre a biografia da minha Mãe, que foi professora de francês em Macau (e professora do Jorge Rangel) e foi uma oferta dos filhos pelos seus 90 anos em Outubro de 2011. O autor desta obra foi JORGE PINHEIRO. Posso facultar-lhe um exemplar deste livro com muito gosto. Fará o favor de me indicar uma morada para o meu gmail.
Agradeço que faça a devida correcção.
Cumprimentos

Maria Isabel Machado Fonseca

Jorge Rangel, Presidente do Instituto Internacional de Macau, na sua crónica da série “Falar de Nós” que habitualmente publica no Jornal Tribuna de Macau nas 2ªs. feiras, fala na edição de 05/Dezembro sobre um novo depoimento a respeito dos incidentes de 1-2-3 em Macau, que aqui publico dando sequência à postagem deste blog “O Exército português de Macau intervém …”:

(para quem não saiba: em 1966, durante a Revolução Cultural na China liderada por Mao Tse Tung, os seus simpatizantes “guardas vermelhos” aterrorizaram o País e as cidades fronteiriças, Macau e Hong Kong.  Provocaram tumultos pela cidade nos dias 1, 2 e 3 de Dezembro e fizeram grandes estragos nas instalações do Governo e estátuas.  Diante da incapacidade da polícia, o exército português interviu e 9 pessoas de étnia chinesa acabaram sendo mortas)

Mais um depoimento recente sobre o “1-2-3”

por Jorge Rangel*

O incidente da Taipa’ foi usado como pretexto. Durante 58 dias Macau foi afectado pelo tufão maoísta. Os Guardas Vermelhos impuseram a sua lei”.
De “Há Biscoitos no Armário”, Outubro de 2011

Este espaço foi já usado várias vezes para recordar os graves incidentes que ficaram localmente conhecidos por “12, 3”, quando, no auge da revolução cultural chinesa, o fervor extremado do regime comunista se fez aqui sentir com inusitada força e de forma violenta, pondo tudo em causa, abalando a confiança da população e colocando em risco a própria manutenção da presença portuguesa no território. Diversos depoimentos foram aqui parcialmente reproduzidos e comentados, permitindo ao leitor conhecer perspectivas diferentes na apreciação dos conflitos provocados, bem como das suas causas e consequências.
A recente publicação do livro “Há Biscoitos no Armário”, de Jorge Pinheiro (Outubro de 2011), uma “história de vida”, de homenagem à professora Maria Manuel Pimenta de Castro Machado, proporcionou-me o ensejo de partilhar com o leitor mais uma sucinta descrição desses fatídicos acontecimentos. Com a devida vénia, e também com o intuito de suscitar de novo a atenção para esta obra, que todos quantos se interessam por Macau e pela presença de Portugal no Oriente devem ler, transcrevo mais este depoimento, no 45.º aniversário daqueles incidentes que mudaram profundamente Macau:
“Nesse ano de 1966 a Revolução Cultural chegou a Macau. Chegou sem que as autoridades portuguesas se tivessem apercebido. A Revolução Cultural Chinesa era imparável. Até aí ela não era evidente em Macau. Mas, inevitavelmente, tinha de chegar. Mais do que um protesto contra os portugueses, mais do que a intenção de integrar Macau na China (que nunca houve), os incidentes visavam, tão-somente, mostrar a Mao Tsé-tung que Macau também era revolucionário. Pretendiam mostrar o fervor das gentes de Macau, à causa da Revolução Cultural. Claro que o ?incidente da Taipa? podia ter sido evitado. Os portugueses, por manifesta inabilidade, caíram na armadilha. Mas se não fosse esse, seria qualquer outro pretexto. Macau tinha de ter os seus Guardas Vermelhos. Em Novembro, um grupo de residentes chineses da ilha da Taipa tentou obter uma licença para a construção (ou reconstrução) de uma escola de feição comunista. Na impossibilidade de obter a licença, começaram ilegalmente a edificação. Rui Andrade, o administrador interino das Ilhas saiu de casa. Passou pela escola. Insurgiu-se contra a construção. Resolveu intervir. Apelou à autoridade. E eis como um homem fraco pode fazer história, da pior forma. A 15 de Novembro, a Polícia prendeu, de forma violenta, os responsáveis pela iniciativa, operários de construção, residentes e jornalistas. Foi, obviamente, uma precipitação. Até porque o pedido de licença estava parado numa qualquer gaveta de um qualquer burocrata. Mais, a brutalidade da intervenção foi, manifestamente, desproporcionada, quando era o diálogo e a diplomacia que se exigiam. O 2.º Comandante da PSP, Vaz Antunes, que estava presente durante o incidente, assim não entendeu. A arrogância imperou. A imprensa chinesa, em especial o jornal Ou Mun, e as associações comunistas atacaram em força. De repente, a revolução cultural entrou em Macau. A partir daí, os chineses tiveram necessidade de se manifestar. De provar a Mao Tsé-tung que eram patriotas. Os protestos iniciaram-se e foram sempre em crescendo. Na cidade, os taxistas passaram o sinal. Eram, na sua maioria, indonésios, expulsos por Sukarno. Estavam revoltados contra tudo e contra todos. Buzinavam sem parar. Incendiaram o ambiente. As manifestações sucederam-se. Manifestações com mais de 15.000 pessoas, o que era muito, face à dimensão do território. Em Macau havia cerca de 50.000 estudantes chineses, a frequentarem escolas comunistas. Um potencial revolucionário impressionante. Os Guardas Vermelhos surgiram. O governo ficou debaixo de fogo. De crescendo em crescendo, a contestação aumentou e generalizou-se, provocando um sentimento de verdadeira revolta no seio da comunidade chinesa. Macau estava há alguns meses sem Governador. Lopes dos Santos, um homem ponderado e que conhecia bem o Oriente, tinha regressado à Metrópole, em Julho de 1966. Como Encarregado do Governo ficou Mota Cerveira. Um homem arrogante e militarista, que preferia a bravata à diplomacia. A arrogância ao diálogo. O Comandante da Polícia, o Tenente-Coronel Galvão de Figueiredo, pautava-se pelos mesmos valores. Não podia ter sido pior. Os dirigentes políticos e as forças de segurança de Macau actuaram com manifesta inabilidade e total ausência de sentido diplomático. Pior, usaram de arrogância colonialista. As tensões exacerbaram-se. As posições extremaram-se.
No dia 3 de Dezembro de 1966 as manifestações iniciaram-se pelo meio-dia. As escolas estavam mobilizadas. Estudantes e professores invadiram o Largo do Leal Senado e as ruas circundantes. Uma camioneta carregada de pedregulhos avança pela rua onde se situava o Comando da Polícia. Atrás, protegidos pelo camião, manifestantes entoavam canções revolucionárias e gritavam palavras de ordem, empunhando o Livro Vermelho. Aproximavam-se cada vez mais da esquadra. Lá estavam guardadas armas e munições. Parecia evidente a intenção de tomar a esquadra de assalto. Vaz Antunes, o 2.º Comandante, dá ordem de fogo. Não havia outra solução. O condutor da camioneta é a primeira vítima. O carro segue descontrolado, até embater, com violência, no fundo da rua. A confusão é enorme. Debaixo de uma enorme pressão, os polícias, acantonados na esquadra, mantêm, nervosamente, o fogo. A multidão dispersa-se. Seguem-se perseguições na zona da Praia Grande. O recolher obrigatório é decretado às 16 horas. No dia seguinte ainda havia disparos dispersos por toda a cidade. No final dos dois dias, um saldo final de 8 mortos e cerca de 200 feridos, todos chineses. Foi necessária a mobilização de soldados para controlar a situação. A tensão, no entanto, continuou a crescer. Várias famílias portuguesas começaram a preparar-se para abandonar Macau. O ?1-2-3? é isso mesmo: mês 12, dia 3. E o futuro de Macau nunca mais seria o mesmo.
A violência acabou. A repressão amainou. Começou, então, a pressão política. Uma pressão que assumiu proporções inenarráveis. As exigências não se fizeram esperar. Eram pesadas e inegociáveis. Os mortos de 3 e 4 de Dezembro mantinham-se nas urnas, por enterrar. E assim ficaram até à assinatura do acordo, a 29 de Janeiro de 1967. Todos os dias os chineses lembravam os mortos. Publicavam fotografias dos cadáveres. Uma pressão total. Em 25 de Novembro de 1966, chegou a Macau novo Governador, Nobre de Carvalho. Apenas ao aterrar em Hong Kong, o Governador toma conhecimento da situação em Macau. Até aí nada lhe tinha sido dito. Absolutamente extraordinário. Mal chega a Macau, Nobre de Carvalho tem de iniciar a complexa negociação com os chineses e com Lisboa. O Governo de Lisboa mantinha-se irredutível. Salazar envia um telegrama em que resumia a sua posição: ?Confirmar que, em caso de necessidade, todos cumprirão o seu dever, mesmo com os maiores sacrifícios?. Um telegrama em tudo semelhante ao enviado para a Índia Portuguesa, imediatamente antes da invasão das tropas de Nehru. Um telegrama que não auspiciava nada de bom. No dia 16 de Janeiro, a comunidade chinesa adoptou a ?política dos três nãos?: não entregar impostos; não prestar serviços ao Governo (incluindo abastecimento de água e electricidade); não vender produtos portugueses. Entretanto, emergiram figuras que, até aí, se tinham mantido na sombra. Ho Yin, o líder da comunidade chinesa, é relegado para segundo plano. Emergem dirigentes comunistas. (…). Em Macau, o Conselho de Defesa estava reunido quase em permanência, sob a presidência de Nobre de Carvalho. Eram reuniões contínuas até altas horas da noite. Alinhavam-se argumentos. Definiam-se estratégias. Tudo em vão. As tentativas de chegar a um texto de acordo aceitável pelas duas partes sucediam-se. As negociações eram chefiadas por Mesquita Borges, chefe de gabinete do Governador e integravam, ainda, o Dr. Assumpção, advogado macaense e representante de Macau junto da Câmara Corporativa, em Lisboa e Roque Choi, secretário e braço direito de Ho Yin. Entretanto, por imperativa exigência chinesa, tinham sido demitidos Mota Cerveira, Galvão de Figueiredo e Vaz Antunes. O Comando da Polícia passou a ser exercido, interinamente, pelo capitão Lages Ribeiro.
Finalmente, a 29 de Janeiro, o Governo de Macau e as autoridades da República Popular da China, chegaram a um acordo, assinado na sede da Associação Comercial. Para Portugal, tudo foi humilhante naquele acordo. O local, o conteúdo, a forma. O Governo pediu desculpas à comunidade chinesa. Passou a ser proibido dar apoio ou asilo político aos nacionalistas do Kuomintang. Foram entregues à China cinco guerrilheiros nacionalistas, que foram imediatamente fuzilados. Procedeu-se à indemnização das famílias das vítimas. Ficou claramente marcada a posição da China. Portugal apenas estaria em Macau enquanto a China quisesse.” (…)

A situação, embora continuasse tensa, foi voltando, paulatinamente, à normalidade, ao mesmo tempo que a confiança no futuro voltava a fazer-se sentir. Terra de muitos tufões, Macau sobreviveu também a essa enorme tempestade política. Nasceu e cresceu como o bambu, capaz de se vergar em todas as intempéries, para continuar viçoso, com as hastes apontadas para o céu. E foi fazendo o seu percurso histórico até se transformar, pacificamente, em região especial da China, em Dezembro de 1999.

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

blindado do Exército Português desce a Av. Almeida Ribeiro para impor a ordem

(clicar nas fotos para aumentar)

“guardas vermelhos” entraram no Leal Senado (Câmara Municipal de Macau) e fizeram um grande estrago nas suas instalações e o patrimonio agindo livremente diante da incapacidade da polícia para contê-los.  Em vista, o Exército interviu e “deu no que deu”

Coronel Mesquita, breve biografia

Dando sequência às duas postagens anteriores a respeito do coronel Vicente Nicolau Mesquita (vide), penso que muitos ou alguns macaenses tenham apenas a visão dele como o herói da batalha do Passaleão, que justificava a estátua que ficava no Largo do Senado, mas não conheciam o outro lado escuro da sua vida. Pois, infelizmente, também foi um criminoso.  Assassinou a esposa e a filha, e depois suicidou-se.  Leiam esta breve biografia do Coronel Mesquita, que consta do artigo “O Guardião da Necrópole” de autoria de Amadeu Gomes de Araújo (Revista Macau-Fevereiro 1997)  e conheçam esta triste história:

Realia

À sombra de São Lourenço

A família de Vicente Nicolau de Mesquita fixou-se em Macau, na freguesia de S. Lourenço, na primeira metade do século XVIII. Ali nasceu o seu bisavô, José da Cruz de Mesquita, em 14 de Outubro de 1744; o avô, João de Mesquita, e o pai, Frederico Albino, advogado no auditório de Macau. Ele próprio, Vicente Nicolau, nasceu em S. Lourenço, a 9 de Julho de 1818, ali foi baptizado, viveu, casou e morreu.

Em 9 de Junho de 1835 assentou praça como voluntário no Batalhão do Príncipe Regente. Tinha então 16 anos. Aos 17 casou com a crioula Balbina Maria da Silveira, de quem teve cinco filhas, três das quais faleceram no mês de Maio de 1842, com intervalos de uma semana.

Em 25 de Agosto de 1849, com 31 anos de idade, comandou o assalto ao forte chinês de Passaleão, transformando-se numa figura heróica, prestigiada, da sociedade macaense.

Quando enviuvou, após 24 anos de casamento, desposou Carolina Maria Josefa da Silveira, irmã da primeira mulher, mas 11 anos mais nova. Meses depois, falecia a quarta filha.

Crises de ciúmes e outros graves problemas familiares envolvendo dois dos filhos do segundo casamento, associados a invejas e questiúnculas do pequeno mundo macaense, fizeram de Mesquita um homem atormentado e perturbaram- lhe a mente.

Desnorteado, mas apercebendo-se da aproximação de uma tragédia, procurou o apoio do bispo, D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, e do Governador, Joaquim José da Graça. Ambos lhe recusaram a ajuda solicitada. Já sem controlo, pretendendo salvar o que, no seu perturbado código de valores, considerava a honra de pai e de militar, num ataque de loucura, assassinou a esposa e uma filha, suicidando-se em seguida. Era Dia do Pai, S. José — 19 de Março de 1880.

A sociedade recusou-lhe uma campa cristã e lançou-o na terra anônima dos réprobos. Proscrito, aguardaria 30 anos pela reabilitação. Quando, em 14 de Outubro de 1937, falecia no asilo da Misericórdia, com 95 anos de idade, solteira, Leopoldina Rosa, última dos seus oito filhos, extinguia-se a secular geração dos Mesquita.

À sombra de S. Lourenço, cumpriu-se uma triste sina…

Este blog – Estatísticas de um mês

Como já tinha comentando várias vezes: não sou lá um adepto de contadores de visitas, mas precisava conhecer um pouco os meus visitantes.  De onde vocês são … !!!??? Assim, adaptei, provisoriamente, um contador de bandeiras em 1º de Novembro, ou seja, que me diz os seus Países de origem.

Exatamente às 0 horas do dia 1º de Dezembro, anotei os números que me contavam a estatística exata de um mês:

927 visitantes que visualizaram 1.948 páginas, ou seja, em média, cada visitante folheou 2 páginas do blog.

Visitantes de 31 Países visitaram este blog, muitos por curiosidade básica, originando uma única visita

Brasil vem em 1º lugar em nº de visitantes, Portugal em 2º e Macau em 3º .  Pelos tags/palavras chaves e nº de visitas a postagem específica (dados internos do Provedor), vejo que tem atraído visitas de brasileiros de Macaé, talvez pela pesquisa do tag Macaense, pois eles também o são (olá gente de Macaé!!!).  Algumas visitas, um tanto constantes, de Países que não entenderiam o porque, vêm da Holanda – NL (oi Telma, tudo bem lá no País das tulipas?), da Espanha- ES (hola Mimi!!!) ou da França – FR (ça va bien?: desculpe se não lembro de seus nomes, filhas do R.Branco).

Os nºs. informados são discretos, aceitáveis.  Nada de nºs. astronomicos ou para se vangloriar.  São reais. Penso que pelo menos me orientaram a ser um pouco mais esclarecido nas postagens, a me preocupar com aqueles que não conhecem Macau (ex-Portugal-China) e os Macaenses.  Estava até a escrever, pressupondo que conversava apenas com os meus conterrâneos, mas vejo que tem gente que não o é.  Até penso, quantos da comunidade visitam este blog?  A constatar, um tanto triste, que pouca gente do Canadá conhecem ou visitam este blog, apesar da divulgação ter sido feita por e-mail. Por fim, acho que os números ainda justificam manter o blog e neste ritmo, um tanto variável, mas mais constante que o site pela versatilidade e a tendência das publicações na internet. Pelo menos exercito o meu gosto por escrever “quando me dá vontade”.

“Cecília Jorge, eu fiz a minha parte”

A ler a Revista Macau de Dezembro 1993, entre as mensagens para o 1º Encontro das Comunidades Macaenses do Governador Rocha Vieira, Salavessa, personalidades e representantes das Casas de Macau, vi a de Cecília Jorge, que em conjunto com Beltrão Coelho, faziam parte da Redação da revista.

A Cecília escreveu sua mensagem “Deixar bem vincada a identidade macaense“, já visando as consequências da transição de Macau para a China a ocorrer 6 anos depois em 1999, após cerca de 440 anos de administração portuguesa, durante a qual se formou um povo mestiço ou não, chamado Macaense.  Era na sua opinião que “cada núcleo de macaenses deveria esforçar-se por concentrar à sua volta as famílias de emigrantes ligadas a Macau, e organizar e manter, com o seu apoio, bancos de dados, de imagens, de registos das tradições e costumes, para impedir que o tempo as apague de vez”.

Confesso que não sabia do seu teor até esta data.  A ler o texto sublinhado, posso dizer “Cecília Jorge, eu fiz a minha parte“.  Se era a sua preocupação e recomendação que se criasse banco de dados, de imagens e registos/registros …, eu, em 2003, 10 anos depois, criei o site Projecto Memória Macaense, agora reforçado por este blog, mais versátil.  O objetivo era e é , como o título da sua mensagem “Deixar bem vincada a identidade macaense“.  Divulgar pelos 4 cantos do mundo, através deste fabuloso mundo virtual e da internet, que lá em Macau, além dos portugueses e chineses, existe uma gente chamada – Macaense.  No PMM e aqui, falo de nós, dessa gente, dessa identidade macaense.  Espero que por muito tempo, estas publicações se mantenham na internet, mesmo sem apoio ou subsídios, ou que uns apreciem, outros não, mas movido pela força de vontade e idealismo. Isso, contribuindo para que não nos tornemos uma “ficção“!!!

Leiam a mensagem comentada da Cecília Jorge publicada na Revista Macau-Dezembro 1993:

Cecília Jorge (Novembro 1993):

Deixar bem vincada a identidade macaense

A questão da sobrevivência da identidade macaense foi igualmente o tema abordado por Cecília Jorge, como participante convidada pela organização do Encontro.

Ao tentar identificar a identidade do macaense, considerou que esta, nas gerações actuais, estava a ser progressivamente ameaçada pela degradação das ambiências e vivências de Macau, directamente resultantes da sobrepovoação por parte de gentes vindas de outras paragens – ao mesmo tempo que se acentua a diáspora dos macaenses e da destruição de quase todo o seu património arquitectónico, com a evolução vertiginosa que se tem registado na cidade de Macau nas últimas décadas.

Abordando a questão da nacionalidade, considera que a falta de demarcação pública da nossa identidade levou a que nos deixássemos englobar no grande grupo que, a partir de Lisboa, genérica e estatisticamente passaram a designar por macaense, e que, usando-se no sentido lato, passou a traduzir população: portugueses ou chineses recém-chegados e a trabalhar em Macau, luso-descendentes, todos os outros e… os macaenses no sentido restrito.

Tal facto levou a que o macaense (no sentido restrito) fosse esquecido aquando das negociações que precederam a assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre o futuro de Macau.

Grosso modo, quem tivesse afinidades com a China ficaria em Macau e quem sentisse afinidades com Portugal regressaria à Pátria. Esqueceram-se, como é óbvio, dos macaístas… mas tão simplesmente porque eles não existiriam, eram ficção.

Cada núcleo de macaenses deveria esforçar-se por concentrar à sua volta as famílias de emigrantes ligadas a Macau, e organizar e manter, com o seu apoio, bancos de dados, de imagens, de registos das tradições e costumes, para impedir que o tempo as apague de vez.

Se os filhos e netos podem hoje parecer pouco preocupados com as suas origens, grande parte deles quererá fazer perguntas quando chegar à idade adulta, quando já não estivermos por perto ou a memória nos começar a falhar. Temos a obrigação de lhes facultar o acesso a um mínimo de informação, clara, correcta e inequívoca.

Não teremos sido ficção se hoje deixarmos bem vincada a nossa identidade – concluiu.

Recordações do Encontro de 1993

Saudades … 1993 foi muito significativo para mim.  Após deixar Macau rumo ao Brasil em Dezembro de 1967, nunca mais lá voltei.  Após 26 anos, naquele ano, em Novembro, pisei de novo na minha terra natal, ainda portuguesa.  Só não beijei o chão, pois estava atordoado, meio fora de si, tomado de muita emoção.  Não acreditava que estava lá de novo, beneficiado pelo subsídio dado pelo Governo português de Macau que possibilitou a viagem para o 1º Encontro das Comunidades Macaenses.  Até lá, por questões financeiras mesmo, não era possível ensaiar uma viagem a Macau.  Lembrava com saudades que em 1967, despedia dos meus pais, os meus cachorros/cães, do Bobby, da casa, dos irmãos, amigos, da Calçada do Tronco Velho … e, num táxi que desceu a Avenida Almeida Ribeiro, contemplava aquela avenida, a pensar, quando voltarei a vê-la e a minha terra? Do navio Fat- San, rumo a Hong Kong para apanhar o navio holandês Tchitchalenka, numa viagem de 3 horas, via Macau aos poucos a desaparecer do horizonte.  Foram 49 dias de viagem marítima para o Brasil, com muitas saudades.

Também em Novembro, ontem, dia 30, a folhear a Revista Macau de Dezembro de 1993, vi o artigo da Cecília Jorge e Beltrão Coelho a respeito deste Encontro. Foi o 1º que teve sequência, mesmo após a transição de Macau para a China, completando a 7ª edição em 2010.  Que me perdõem, mas para mim, 2010 foi o 7º Encontro das Comunidades Macaenses, embora, seja politicamente correto dizer que foi o 4º realizado “sob os auspícios da RAEM”, pois afinal de contas a 3ª edição em 1999, antes da transição, poderia ter sido a última, como se aventava na ocasião, mas felizmente, não se confirmou. Obrigado RAEM!!!

Assim, para matarem as saudades do 1º Encontro, eis algumas fotos do evento:  Você está lá? E, depois leiam outra postagem – “Cecília Jorge, eu fiz a minha parte” – para comentar sobre a mensagem que a Cecília escreveu para o Encontro, assim como o fizeram, outras personalidades e dirigentes das Casas de Macau.  Espero poder publicar uma matéria completa no site Projecto Memória Macaense a respeito deste 1º Encontro.

Nota: Para quem não saiba, os Encontros das Comunidades Macaenses são realizados em Macau reunindo as comunidades da diáspora principalmente localizadas na Austrália, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Hong Kong e Portugal.  O Governo português realizou 3 edições patrocinando parcialmente as passagens aéreas e a promoção de atividades, como almoços/jantares, passeios etc.  Após a transição de Macau para a China, esperava-se que os Encontros acabariam, mas o novo Governo chinês decidiu continuar com o apoio, embora discreto no início, mas mais abrangente ultimamente.  Já está programado novo Encontro em 2013, normalmente realizado no fim do mês de Novembro com duração de 9 dias. Veja no site Projecto Memória Macaense como foram os últimos Encontros, bem como neste blog a respeito da edição de 2010.

Fotos da Revista Macau (clicar para aumentar): não estranhem que todos estão “irreconhecíveis“.  Olha aí o Henrique Manhão, o Delano Pereira, Lourenço Conceição, um dos principais mentores deste Encontro, o Gilberto Silva (até que não mudou muito, passado tanto tempo: não sei como!!!???) e tantos outros.  Afinal já se passaram 18 anos e envelhecemos … rsrs

Nesta última foto, as 2 primeiras são do grupo instrumental e o coral da Casa de Macau de São Paulo (que não é o mesmo que você tem visto nos 2 últimos Encontros)