Archive | janeiro 2012

Macau Cultural Center (USA/EUA) invites/convida the youth/os jovens …

E-mail recebido do Henrique Manhão (macaense nos EUA e da Casa de Macau)) junta convite para a festa dos jovens macaenses/americanos que ele diz: “estamos tentando despertar o interesse da geração mais nova para a causa macaense“, e complementa que o futuro dirá se valeu o esforço.  É isso Henrique, tentar é preciso, se não der certo, pelo menos tentou, mas se der certo, colherá os frutos. Uma saudável iniciatica da MCC, e espero que dê certo e consiga juntar bastante jovens.  Que eles tomem consciência da importância de preservação da identidade macaense, sem esquecer que a língua portuguesa faz parte dela, mesmo que não a conheçam, muito compreensível pois residem num País de língua inglesa, mas umas palavrinhas em português não custa nada ao bolso, não é?

Para quem não saiba, Macau Cultural Center (Centro Cultural de Macau) reúne num único prédio três associações macaenses dos Estados Unidos (em Califórnia), em ordem alfabética: Casa de Macau dos EUA, Clube Lusitano e UMA-União Macaense da América.  E estas formaram a entidade citada, sem no entanto abrir mão das suas associações que continuam autónomas.  De um modo, há um raciocínio em Macau e em Portugal que, cada localidade ou cidade, deveria ter apenas uma associação macaense, ou que se houvessem várias, poderiam se juntar numa só. Difícil, muito difícil … No entanto, para o Brasil, nunca houve esse raciocínio para as Casas de Macau de São Paulo e do Rio de Janeiro, já que as 2 cidades distam 500 km uma de outra.  Eu, particularmente, não concordaria com a junção das 2 Casas numa só.  A do Rio certamente acabaria numa “colónia” de São Paulo, o que não é nada saudável e agradável para os conterrâneos cariocas.

Vejam o convite e em seguida, para quem não conhece o inglês, a minha precária tradução:

Tradução:

Um convte aos jovens macaenses portugueses para juntarem-se a nós para celebrar a nossa herança cultural macaense no sábado, 10/03/2012 das 15:30 às 20:00 horas

Dia da Juventude Macaense (local …)

Evento organizado pelo Centro Cultural de Macau dos EUA / Patrocinado pelo Conselho das Comunidades Macaenses

Compareça e conheça outros jovens “filhos de macaenses – filhomacs” da nova geração (idade entre 18 a 40 anos) iguais a vocês para uma tarde divertida e jantar com comida caseira macaense e para aprender e compartilhar histórias da nossa exclusiva herança cultural, como descendente macaense português de Macau.

15:30 hrs: Compartilhe experiências com os participantes do Encontro de Jovens 2012 em Macau e conheça melhor Macau

16:00 hrs.: Música e apresentação de dança jovem com os arranjos da Elsa Denton

18:00 hrs: Jantar com minchi (carne moída à moda Macau), carril de frango e sobremesas macaenses

Custo: Grátis para os jovens macaenses entre 18 a 40 anos (se a reserva for feita antecipadamente até 1º de Março), e US$ 8,00 (cerca de R$ 15,00) para o público em geral

Macaenses do Rio de Janeiro, isto foi há 10 anos atrás

Em Agosto de 2002 foi lançado o livro – Macau Somos Nós – editado pelo Instituto Internacional de Macau em Novembo de 2001, que conta a história dos membros da comunidade macaense do Rio de Janeiro.  Relatam, com as suas próprias palavras, a vida em Macau ou de outras localidades de origem, a imigração e como vivem no Brasil.  Um bom trabalho, uma bela lembrança para as próximas gerações.

A cerimonia no Rio de Janeiro contou com a presença do então Primeiro-Ministro português Durão Barroso, hoje presidente da Comissão Européia. Num discurso improvisado, disse que “a língua portuguesa está cada vez mais capaz de se firmar no mundo globalizado“.  A respeito da adesão do Timor-Leste à Comunidade dos Países de Língua Portugues (CPLP), disse que isso demonstra a força da língua portuguesa na Ásia.  Quanto aos projetos no Brasil, com a criação do já existente Museu da Língua Portuguesa em São Paulo e a difusão do idioma pelas telenovelas, afirmou “com esses projetos, vamos manter viva a nossa língua e a nossa cultura“.  Palavras essas do Durão remetem-me à postagem anterior que fiz a respeito da nossa língua. Servem também para lembrar que Portugal e o Brasil falam a mesma língua. Pode ser um pouco diferente em vários aspectos, mas no fundo é a língua portuguesa. O Brasil não falaria uma língua diferente, exemplo, o húngaro!!!

Veja o artigo do JTM abaixo, de 5/8/2002 (clicar para aumentar):

Zu Lai, onde fica este templo chinês?

Para quem não conhece, eis a pergunta: fica China, Taiwan, sei lá, no Japão ??? Talvez Singapura (Cingapura), Camboja ???

(clicar nas fotos para aumentar) – fotografia de Rogério P.D. Luz, autor deste blog

E, como disse, para quem não saiba ou nunca ouviu falar dele, talvez deva ter suspeitado que ficasse no Brasil, já que o autor mora por aqui.  Pois bem, acertou, mais exatamente fica no município dessa metrópole multi-cultural de São Paulo.  O Templo budista Zu Lai fica entre o Km 28 a 29 da Rodovia Raposo Tavares, sentido Interior, já próximo do município de Cotia. Próximo do local, há placa na estrada a indicar qual a Saída. Com bom trânsito, no fim de semana, chega-se lá em mais ou menos 1/2 hora partindo da Av. Paulista, a 30 e poucos kms. Conheça a sua história:

Zu Lai (em chinês, 如来) é o maior templo budista da América Latina.

Com raíz no Budismo Mahayana, o Templo Zu Lai tem como objetivo manter a tradição da natureza búdica, deixando-a ao alcance de todos. Seus frequentadores utilizam os ensinamentos do Budismo Humanista com o objetivo de ensinar os princípios do Monastério Fo Guang Shan, divulgando o Budismo através da Educação, Cultura, Beneficência Social e Purificação Espiritual.
Em 1992 o Mestre Hsing Yün veio ao Brasil, a convite de um templo de São Paulo, para uma cerimônia. Um discípulo presente perguntou-lhe se não poderia deixar um monge de sua comitiva no país para que os ensinamentos tivessem continuidade. A Monja Chueh Cheng se dispôs a ficar e iniciar os projetos, ganhando posteriormente o nome Mestra Sinceridade.
O discípulo que pediu ao Mestre que deixasse um monge no Brasil doou uma casa em um sítio para que os trabalhos fossem realizados. Não muito pequena, tornou-se um espaço para as cerimônias, cultos e ritos.
Quatro anos mais tarde o número de seguidores passava de cem, o que levou a necessidade de se ampliar o espaço. Apesar da reforma feita, o local ainda não apresentava condições para abrigar os seguidores, então optou-se pela construção de um templo maior.
Como os arquitetos brasileiros envolvidos no projeto não conheciam a arquitetura de um templo, a Mestra Sinceridade montou uma equipe que viajou à China com o objetivo de conhecer os templos da Dinastia Tang.
Depois de muitas reuniões, a pedra fundamental foi lançada em 1999. Entretanto, como as telhas e o parapeito do templo precisavam ser importadas da China, já que na época ninguém no Brasil fazia este tipo trabalho, os recursos foram insuficientes para que as obras tivessem início imediato, o que adiou a inauguração do Templo Zu Lai para Outubro de 2003.
“Zu Lai” provém da tradução, do chinês para o português, de um termo que significa tathagatha (um dos epítetos de Buda). *fonte: Wikipédia

site do Templo Zu Lai: http://www.budanet.org.br/

José Vicente Jorge no Suplemento de HojeMacau em e-book

O Suplemento do Jornal HojeMacau entrou na era do e-book (electronic book ou livro eletronico ou digital), e para quem não saiba, lê-se como se estivesse a folhear um livro manipulando com o mouse/rato para aumentar/diminuir e mudar de página.

Na edição abaixo, os netos Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros falam do livro sobre o macaense José Vicente Jorge.  Dêm uma olhada clicando no link abaixo:

h-30-12-11

Graça Pacheco Jorge

Pedro Barreiros

Igrejas do Centro Histórico do Rio de Janeiro

Quando se fala do Rio, é Copacabana, praias, mulheres, Corcovado ou Pão de Açúcar.  Poucos falam do seu Centro Histórico, e eu o desconhecia, até no cruzeiro marítimo que fiz no Natal passado pelo navio Costa Victoria, tendo a cidade maravilhosa como 1º porto de parada.  Fica perto do cais, a cerca de 15 minutos a pé.  Vale a pena conhecê-lo na sua próxima viagem ao Rio.  Tem prédios históricos, museus, muitas igrejas antigas, variedade de restaurantes, umas ruelas que lembram Europa.  Não tive tempo disponível para uma visita completa e esta fico devendo a mim numa próxima vez, para ficar lá por alguns dias.  Recomendo, e não só lá, o Rio em si tem muita história espalhada em diversos locais, além de belas paisagens.

Infelizmente o desmoronamento de 3 prédios ocorreu no Centro Histórico, atrás do Teatro Municipal que não tive tempo para visitá-lo. Foi triste e a lamentar a perda de vidas humanas, que não foi maior pois ocorreu à noite fora do horário comercial. Mas o propósito desta postagem é para falar de duas igrejas católicas que ficam lá, na Rua 1º de Março,  uma ao lado de outra, algo raro e muito interessante. Surpreende pela beleza e  riqueza do seu interior.  Vejam:

(clicar nas fotos para aumentar – salvo da Wikipédia, todas outras fotografias do autor deste blog sem uso de flash e com uma máquina fotográfica compacta, motivo de certa baixa qualidade e volume de “ruídos”)

A Igreja Nossa Senhora do Monte de Carmo (antiga Sé), a 1ª da esquerda, ao lado da Igreja da Ordem Terceira do Carmo (foto Wikipédia)

na mesma ordem acima

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IGREJA NOSSA SENHORA DO MONTE DE CARMO (ANTIGA SÉ)

A igreja remonta à primitiva capela do vizinho Convento do Carmo, um dos mais antigos da cidade, fundado ainda no século XVI. Quando os carmelitas chegaram à cidade, por volta de 1590, foi-lhes doada uma capelinha dedicada a Nossa Senhora do Ó, na então Rua Direita (atual Rua 1º de Março), perto da praia, local do atual templo. Ao longo dos séculos XVII XVIII, os frades construíram um grande convento ao lado da capela, edificação ainda existente, apesar de parcialmente descaracterizada.
A primitiva capela deu lugar à atual igreja a partir de 1761. As obras, a cargo do Mestre Manuel Alves Setúbal, estenderam-se por quinze anos, tendo o novo templo sido sagrado em 22 de Julho de 1770, com uma procissão solene.
A talha dourada em estilo rococó do interior, de grande beleza, foi realizada por mestre Inácio Ferreira Pinto a partir de 1785.
Como a chegada da família real portuguesa e de sua corte ao Rio de Janeiro, em 1808, o vizinho Paço dos Vice-Reis (atual Paço Imperial) foi utilizado como casa de despachos da corte. A rainha D. Maria I (1777-1816) foi instalada no também vizinho Convento do Carmo, sendo ambos os edifícios ligados por um passadiço elevado (hoje inexistente) sobre a Rua Direita. Por ser o templo mais próximo, D. João VI designou a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo como nova Capela Real Portuguesa e, pouco mais tarde, também como Catedral do Rio de Janeiro, condição que manteve até 1976, quando foi inaugurada a Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, na Avenida República do Chile.
Como capela real, a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi palco de importantes eventos, como a sagração de D. João VI como rei de Portugal, em 20 de março de 1816, após a morte de D. Maria I. Aqui, também se casaram o príncipe D. Pedro, futuro imperador do Brasil, com D. Leopoldina de Áustria, no dia 6 de novembro de 1817.
A fachada foi completada apenas por volta de 1822 pelo arquiteto português Pedro Alexandre Cavroé, que deu ao edifício um frontão elevado em estilo clássico.
Após a Independência do Brasil, a igreja passou a ser a Capela Imperial e sediou as cerimônias de sagração dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II, bem como o casamento da Princesa Isabel com Louis Phillippe Gaston d’Orléans, o Conde D’Eu, em 15 de outubro de 1864.
Para permitir a ligação da Rua do Cano (atual Rua 7 de Setembro) com o Largo do Paço, em 1875 (1857 segundo outros autores), foram demolidas a torre e a portaria do antigo convento. Um passadiço elevado conectou os dois edifícios até 1890.
Por determinação do Cardeal Arcoverde, a torre foi reconstruída em 1905 e, em 1910, construiu-se o frontispício voltado para a Rua 7 de Setembro. Estas obras afastaram o conjunto das suas linhas originais.
Em 1976, quando a Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro foi concluída, a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo perdeu a sua condição de catedral, sendo, a partir daí, também chamada a Antiga Sé. (fonte: Wikipédia)

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IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO

A Ordem Terceira do Carmo funcionava no Rio de Janeiro desde o século XVII, ocupando uma capela próxima ao Convento do Carmo. A Ordem decidiu-se pela construção de uma nova igreja em 1752. O projeto é atribuído ao português Manuel Alves Setúbal, também construtor do edifício, com planta modificada por Frei Xavier Vaz de Carvalho. As obras se estenderam de 1755 a 1770, ficando as torres inacabadas. As torres atuais, com suas cúpulas bulbosas cobertas de azulejos, só seriam construídas entre 1847 a 1850 pelo arquiteto Manuel Joaquim de Melo Corte Real, professor de desenho da Academia Imperial de Belas Artes.
A fachada da Igreja da Ordem Terceira do Carmo é muito elegante, com belos portais, janelões e com um frontão contra curvado típico do barroco. A fachada é única entre as igrejas coloniais do Rio de Janeiro por ser totalmente revestida com pedra, sem o contraste entre a cantaria e o reboco branco, característica da maioria das igrejas coloniais brasileiras. A fachada de pedra, assim como o perfil dos janelões, colunas e portais da fachada são influência da arquitetura lisboeta da época pombalina. O uso das fachadas totalmente em pedra não se firmou no Rio, possivelmente pelo fato da pedra carioca ser demasiadamente escura.
Os portais principal e lateral da igreja, em pedra de lioz portuguesa e contendo medalhões com a Virgem e o Menino, são magníficos. Foram encomendados a escultores lisboetas e instalados em 1761. São considerados os melhores do tipo no Rio de Janeiro.
A igreja é de nave única com corredores laterais com capelas laterais e capela-mor retangular. A talha dourada da igreja, de feição rococó, é muito valiosa. A decoração interna começou em 1768 com o entalhador Luiz da Fonseca Rosa, que a partir de 1780 foi auxiliado por Valentim da Fonseca e Silva (o Mestre Valentim). Mestre Valentim trabalharia na igreja até 1800. A Capela do Noviciado, construída à direita da capela-mor, é revestida por belíssima talha rococó de Mestre Valentim, uma de suas obras-primas, esculpida entre 1772 e 1773. As telas da capela são obra do pintor colonial Manuel da Cunha.
Entre 1829 e 1855 as paredes da nave foram preenchidas com talha pelo escultor Antônio de Pádua e Castro, o que deu ao interior um aspecto mais homogêneo. Também no século XIX se abriu uma pequena cúpula sobre a capela-mor para permitir a entrada de luz. (fonte: Wikipédia)

Ano Novo Chinês na Casa de Macau de S.Paulo

A Casa de Macau de São Paulo voltou a comemorar o Ano Novo Chinês no domingo do dia 23.  Às 14 horas exatamente, Yolanda Luz Ramos anunciava pelo microfone que na China, com 10 horas adiantadas em relação a São Paulo, iniciava o Ano do Dragão.  Logo em seguida ouviam-se o estouro de rojões e os tambores chineses a rufar para o leão chinês dançar, saudando o novo ano que chegava.  Assim, cerca de 150 pessoas assistiam o espetáculo e degustavam o “chái (comida de bonzo)” entre tantos outras comidas e quitutes chineses. Um clima que despertava o lado oriental dos macaenses residentes na cidade de São Paulo, prestes a completar 458 anos no dia 25.  Uma idade bastante parecida à chegada dos portugueses àquela península na costa da China, depois batizada de Macau.

Vejam pelas fotos como foi a festa (clicar nelas para aumentar de tamanho):

a

a Casa de Macau enfeitou-se para a festa

o chái (comida de Bonzo), uma iguaria chinesa sempre bem-vinda

coisas chinesas sempre despertam atenção de amigos brasileiros

a dança de leão para saudar o Ano do Dragão

a turma da dança do leão, do tambor e do chán-chan-chan (pratos chineses)

a tradicional cerimonia de chá e o lai si com a participação de belas jovens, netas do macaense Assis Fong

o público de cerca de 150 associados, macaenses e amigos brasileiros e chineses

o presidente Gilberto Silva e esposa Henriqueta posam para foto em móveis chineses

a sobremesa com frutas e quitutes chineses

Neta do macaense Geraldo (Jerry) Gomes , ela foi a sortuda do dia, ao levar o premio maior do bingo

*Mais fotos: veja o álbum publicado por Frederico António, autor das fotos e diretor financeiro da Casa no link abaixo:

https://plus.google.com/photos/113133077102095018120/albums/5701840971044956417?authkey=CMbxjvzglaXFQg&banner=pwa&gpsrc=pwrd1#photos/113133077102095018120/albums/5701840971044956417

A língua portuguesa morre aos poucos em Macau?

A entrevista(vide abaixo) concedida ao Jornal Tribuna Macau por Frederico Martins e Eduardo Ambrósio, meus amigos desde os tempos de juventude em Macau e no Seminário de São José, é oportuna para questionar: a língua portuguesa morre aos poucos em Macau?.  O Frederico alerta que certa parcela dos macaenses residentes em Macau não estão a se preocupar com o aprendizado da língua portuguesa por seus filhos.  Hoje se se preocupam a estudar o mandarim e o inglês, compreensível, pois Macau foi devolvida para a China e a língua inglesa praticamente é um item obrigatório no curriculum escolar, e com isso, já que os portugueses deixaram a administração da território, não há mais preocupação em aprender o português e nem praticá-lo.

Já faz algum tempo que percebo nas minhas viagens a Macau, apesar de pouca frequência, que se prefere falar aquelas duas línguas que o português, tanto por conveniência, preferência, convivências, etc etc. Não sei exatamente dizer se isso já ocorre, mesmo antes da transição, mas quer me parecer que sim, e que talvez tenha evoluído após Macau ter se tornado um território chinês.

Fico aqui a pensar que se falamos em preservar a cultura macaense, a gastronomia, o patoá, não deveriamos também falar na preservação da língua portuguesa no meio macaense? Como podemos tomar estas atitudes e iniciativas desprezando a nossa língua mãe? Afinal a existência e a definição do macaense está estritamente ligada a ela. Até seria favorável que se houvesse um movimento sensato e racional em sua defesa e preservação no meio macaense.

Seria cómico se não fosse trágico pensarmos que no continente da China, há muitos chineses a estudar a língua portuguesa já de olho na evolução dos negócios com países lusófonos, tal como o Brasil que é um dos seus principais parceiros comerciais, e quem sabe seriam os seus salvadores em Macau, ou numa situação hipotética, pelos chineses residentes no Brasil, nos seus 200 mil ou mais, que já arranham o português ou o falam com certa fluência. Até seria muito triste pensar que, enquanto os chineses avançam no seu aprendizado, os macaenses vão desaprendendo a sua língua mãe???!!!

Veja então a citada entrevista e um apelo – VISTA A CAMISA DA LÍNGUA PORTUGUESA EM MACAU.  NÃO DEIXE-A MORRER NA NOSSA TERRA!!!

(clique na imagem para ampliar)

Vídeo – Especial Macau 1999, Dez Anos Depois

O canal de Portugal no Mundo 2011 (clique e veja outros vídeos) no YouTube exibe um interessante vídeo de longa duração de 01:36.14seg produzido pela RTP, com o apoio da Casa de Portugal em Macau: Especial Macau 1999, Dez Anos Depois.  Descreve na sua apresentação: “Testemunhos da Comunidade Portuguesa de e em Macau sobre os 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, a 20 de Dezembro de 1999″. (Obrigado Rogério Monteiro pela dica):

Encontro dos Jovens de 2012

Li no Jornal Tribuna Macau que finalmente o Encontro dos Jovens 2012 já tem data marcada para ocorrer entre 8 a 14 de Abril.  Também vi com interesse que a comissão organizadora será formada por jovens, e os “jovens veteranos” (boa essa qualificação) acompanharão os trabalhos.

Penso que os “jovens veteranos” são aqueles que deixaram recentemente de ser jovens, e não os sessentões como a gente, eu por exemplo.  Na nossa diminuta comunidade macaense, o “jovem” acaba tendo a sua “vida útil” estendida.  Vai pouco além dos 40.  Caso contrário seriam “poucos” para o propósito do Encontro.  Vale o esforço e a criatividade! Quanto à comissão organizadora ser formada por jovens, julgo nada mais justo. E Macau, diga-se de passagem, tem muitos jovens bem qualificados, como tive oportunidade de conhecer. Afinal quando um de mais idade tenta interferir com os jovens, acaba dando um de “paizão” ou é qualificado de pai ou avô, e não consegue falar a mesma linguagem, por mais que se esforce.  Não adianta usar apetrechos de jovens, como correntes, pulseiras, e dar um de “malandro” e se achar ainda da “jovem guarda”.

Com relação aos preparativos da Casa de Macau de São Paulo para esse Encontro, tive a informação que até agora, têm a confirmação de 12 candidatos inscritos para as 3 magras vagas que viajam subsidiadas por Macau.  O presidente Gilberto Silva diz que cada candidato passará por uma avaliação por pontuação conforme sua qualificação, viajando aqueles que obtiverem maior número de pontos.  Aqueles que não viajaram para Macau acabam levando certa vantagem na pontuação.  Espera com isso, que novos descendentes de macaenses possam ter a oportunidade de conhecer a terra dos seus pais ou avós, e dessa forma, poderem ser bons candidados à missão de continuidade das Casas e a preservação da identidade macaense.  Nessa expectativa de conclusão dos trabalhos de seleção de candidados, a Casa de São Paulo espera lançar em breve o seu novo site só que desta vez construído por um de seus diretores, o que é de louvar, e estou satisfeito, a pedido, poder oferecer o meu contributo com material didático e fotográfico. No momento oportuno lhes informarei o endereço eletronico.

Veja a reportagem que saiu na edição do JTM do dia 20 (clicar na imagem para ampliar):

O que li no Jornal Tribuna de Macau

Abaixo, notícias que li no Jornal Tribuna de Macau (www.jtm.com.mo) que publico para quem não as leu ou para sua releitura:

(clicar nas imagens para leitura no formato maior)

a) Falecimento: Notícia triste do falecimento de José Luís Machado. Era o pai do Luís Machado que é presidente da Confraria da Gastronomia Macaense (em Macau) e um dos integrantes do grupo teatral Dóci Papiaçam di Macau (teatro em patoá de Macau).  Ao amigo Luís Machado e à família as nossas sinceras condolências:

2) António Estácio divulga o seu novo livro: O amigo que já publicou diversos livros das suas vivências em Macau, retorna à terra para divulgar o seu novo livro “Sra. Bijagó” na Livraria Portuguesa.  Vejam o que saiu no JTM a respeito:

3) Alberto Alecrim recorda a queda de Goa: Foi uma experiência de vida e tanto para o Alecrim, de estar presente naquele momento histórico do fim da Índia Portuguesa em Dezembro de 1961.  Viveu a história!!! Cedo ou tarde as colónias portuguesas de Goa, Damão e Diu, no território indiano, iriam ser devolvidas ou retomadas pela Índia.  Pena que foi com o uso da força.  E também lamentável que o retorno das tropas portuguesas a Portugal tenha sido ignorado, como se tivessem sido “traidores ou covardes” ao se recusarem a lutar “até o último homem”. Teria sido um massacre dada a superioridade militar indiana.  Lembro bem que naquela época com 11 anos de idade, movido por um grande sentimento patriótico, fiquei a nutrir um ódio danado dos indianos, e por um bom tempo:

Notícias da Comunidade Macaense (18/01/2012)

1) Nota de falecimento: Triste notícia recebida pelo e-mail do Luís Garcia nesta data, informa que faleceu o Dr. Delfino Ribeiro, conhecido advogado macaense.  Peço uma oração pela paz da sua alma. O Jornal Tribuna de Macau também noticiou, conforme abaixo:

2) Macaense representa Hong Kong no Brasil: Marina Barros comunica que foi nomeada pela Invest Hong Kong como – Consultor Executivo para o Brasil.  Veja o comunicado no arquivo em pdf abaixo:

Press_release_portugues_Marina_Barros

3) Vídeo dos 15 anos da ADM – Associação dos Macaenses: No site da ADM foi divulgado o vídeo abaixo com o seguinte texto, conforme recomendado no e-mail do Rogério Monteiro:

ADM – 15 anos de existência e as perspectivas para o Futuro

A ADM nasceu em 1996, pelas mãos de Luiz Pedruco, José Monteiro Júnior e Mário Évora. Palavras discursadas durante o jantar do 15º. Aniversário da ADM, Miguel de Senna Fernandes assegurou que “o universo de sócios tem-se diversificado”, com muitos “profissionais de várias quadrantes” o que deixa os responsáveis da associação “satisfeitos e confiantes no futuro”. Com orgulho no passado, o presidente lembrou, contudo, que a ADM é “humilde” e que sabe muito bem “de onde veio e para onde irá”. As perspectivas para o futuro tende-se para a “necessidade de rejuvenescimento” e que a “aposta na geração mais nova deve ser sempre uma prioridade”.

O vídeo recorda as memórias do passado e destaca as perspectivas de mudança no futuro, com uma cara mais nova da Associação.

Créditos finais na realização do vídeo:

Edição: Elisabela Larrea
Design Gráfico: Derek da Rocha Hoo e António Monteiro
Voz de Narração: Miguel de Senna Fernandes
Agradecimentos especiais: Adriano Cardoso

4) Casa de Macau de São Paulo comemora o Ano Novo Chinês: e-mail recebido traz o seguinte comunicado:

KUNG HEI FAT CHOI – 22 de Janeiro de 2012

Convidamos a todos os associados para participarem da nossa próxima festa comemorativa do “Ano Novo Chinês – Dragão” no domingo dia 22.01.2012 as 12:30, mediante a seguinte programação:

1)    Almoço com o seguinte cardápio desta época festiva:

- Leitão assado à moda chinesa.

- Legumes de Bonzo (lo hon chai).

- Porco Agridoce.

- Verduras Refogadas (chau choi).

2)  Chá da tarde com as seguintes delícias festivas:

- Macarrão à moda chinesa (Lou min) e outros quitutes.

3)  Aperitivos chineses kwá chi   (sementes vermelhas ou pretas)

- Doces chineses tong kó, (frutas ou legumes cristalizadas).

4)  Além da “culinária chinesa” mencionada, há ainda a programação para diversão          nesse dia festiva, a saber:

- Mah Jong (jogo chinês de “quatro direções”);

- Poker;

- Bingo

- Dado farinha (jogo típico macaense).

PREÇO POR PESSOA: R$10,00 (dez reais) para associados em dia com as suas mensalidades, e R$30,00 (trinta reais) para não associados, convidados e outros.

TRAJE: Preferencialmente traje chinês.

Portugal em video de 56 minutos, “fantástico”

Recebi o link deste vídeo pelo Luís Garcia (Macau), e confesso … “simplesmente, FANTÁSTICO”.  Um belo vídeo de 56 minutos produzido pela TVE espanhola, a lamentar que seja falado em espanhol, muito óbvio! Mas as imagens, a lindíssima fotografia, as tomadas de cena, a sua suavidade, revelam este belo Portugal, uma boa receita para os amigos lusitanos esquecerem um pouco os problemas da terra e para nós conhecermos melhor as suas belezas.

Aos amigos brasileiros, uma sugestão: Portugal merece ser visitado na sua próxima viagem ao exterior.  Apesar do Dólar ter subido um bocado em relação ao Real, Portugal ainda está barato para a gente do Brasil. Eu, logo logo pretendo fazer isso de novo, para uma visita mais detalhada.

O vídeo foi divulgado por Luís Oliveira no VIMEO com o texto:

Tem imagens simplesmente fantásticas, esplendorosas e magníficas. Deixam-nos plenos de orgulho por termos um país tão bonito. O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo). Acho que nunca vi um trabalho tão bom na nossa televisão. Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 / Castelo Vide 26,55 / Costa Alentejo 28 / Alcácer 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre Belém 48,16 / Pastéis Belém 53,15 / Bº Alto 53,58 / Cabo Roca 56, 07

Daniel Ferreira – pegar no microfone … e cantar

(Daniel 1º à direita com os The Thunders, Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr., Alex Airosa e Manuel Costa na bateria)

Daniel Ferreira
Pegar no microfone … e cantar

por Cecília Jorge – publicado na Revista Macau em 1998

Daniel Ferreira (de Macau) é mais um caso de talento na juventude dos anos 60 que se entregou à música e se dedicou a fundo ao desporto (hóquei em campo, futebol, karatê). E pouco tempo lhe sobrava para além dos estudos, feitos no Seminário de São José — escola a que deve, decerto, a sua fluência e firme domínio da língua portuguesa, para além do inglês e do cantonense que todo o macaense fala.

É conhecido sobretudo como vocalista, sendo poucos os que,da sua geração e da anterior, não se lembrem da maneira como interpretava canções celebrizadas por Tom Jones, ou o “Unchained Melody” dos Righteous Brothers. E como se não bastasse o ter boa voz, fadou-Ihe o destino ter ainda melhor aparência … pelo que admiradoras e fãs enchiam as audiências. E no entanto, começou “por brincadeira, a tocar bateria com grupos de amigos e em casas de alguns, até um dia se lembrar de pegar no microfone…e cantar”— como nos diz, hoje, ainda divertido com a recordação.

Estava-se em plena febre dos Shadows e dos Beatles, e os irmãos Ritchie já tinham formado uma banda para ensaios e festas, a que ele aderiu.

Estreou-se numa festa do Liceu em 1965 e recorda-se que o reitor, então Énio Ramalho, gostou tanto da sua actuação que o incitou a continuar. O convite para se juntar aos “Thunders” — grupo praticamente consagrado— chegou pouco depois, por insistência do seu amigo Herculano Airosa. Daniel preferiu cantar quase sempre em inglês, o que por vezes lhe valeu algumas discriminações em Macau. Há quem se recorde, porém, de outra linguagem universal em que era exímio, o assobio. Colocavam- lhe habitualmente dois microfones quando interpretava temas dos filmes “For a few dollars more”, “A Fistfull l of Dollars”, ou “The Good,the bad and the ugly” que primavam pela assobiadela cheia de sonoridade… Os “spaghetti westerns” assim classificados por serem realizados por italo-americanos.

Foram muitas as desistências, pela certeza firme de não querer fazer carreira como andarilho da música. O serviço militar apanhou- o assim que concluiu o 5a ano do Seminário de São José, por seis meses, separando-se então dos “Thunders”.

Pouco depois, juntava-se a outro grupo de rapazes — “Midnight Riders”— que actuavam todas as noites no Casino “Macau Palace”, a troco de 25 patacas por noite: “cantar três noites por semana, ou seja, receber semanalmente 75 patacas para quem ganhava 300 patacas por mês como funcionário da Assistência era irrecusável”— comenta.

Nessa altura já Daniel se tinha perdido de amores, casado e passado à condição de pai…

Actuou no Clube Militar e noutros locais, e lembra-se de como Roberto Petrovich passava todas as noites por onde se encontrassem e Daniel lhe ensinava aquilo que também outros lhe ensinaram a ele, “a colocar a voz”, a tirar partido de determinadas canções. E Petrovich, um jovem de ascendência russa e com as capacidades de um Engelbert Humperdink era mesmo talentoso. Acabou por substituir o “professor” nos “Midnight Riders” (que reunia na altura Daniel, Sonny Gomes, Alberto Amante, Jerónimo Hung e Mário Pistacchini).

Foi vocalista de vários outros conjuntos, cantou a solo no Hotel Estoril, no bar “Mermaid” e no “Portas do Sol” do Hotel Lisboa. Foi várias vezes abordado para se tornar profissional (e lembra-se da insistência de Adé dos Santos Ferreira, nesse sentido). E recorda-se sobretudo quando, por uma questão de princípios, perdeu um contrato para actuar mensalmente no “Star Show” da TVB de Hong Kong e em vários clubes nocturnos. O convite contemplava-o só a ele, a solo, e não quis abandonar o grupo. Estava-se em 1971.

Quatro anos depois partiu para Hong Kong, onde foi funcionário do Consulado do Brasil até 1978. Emigrou para os Estados Unidos, experiência gratificante, onde se sentiu realizado profissionalmente, trazendo recordações dos dez anos em que trabalhou no Banco do Brasil em Los Angeles.
Regressou a Macau por circunstância de um acaso, que ainda hoje lhe faz confusão. Vinha passar férias. m em 1988 quando o dr. Car los Assumpção, o presidente da Assembleia Legislativa, por quem tem uma profunda admiração e muita saudade, o desafiou a ser seu secretário pessoal. Aceitou… apenas para o ver morrer pouco depois. A partir daí, foi mudando de emprego e hoje (1998) está como responsável pela segurança na cadeia de Coloane, lugar pouco invejável, mas que ele encara como outro cargo qualquer. E vai-se deixando ficar em Macau… o futuro a Deus pertence!.

Daniel Ferreira não se arrepende de ter preferido “cantar, só por cantar…”. Hoje fá-lo com o mesmo empenho, mas só para os amigos e em salas privadas, com a vida facilitada pelos karaoke.

(Daniel Ferreira, da esquerda com os The Thunders, ao lado de Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr. e Alex Airosa)

Nota: Tive uma boa conversa com o Daniel na APOMAC quando viajei a Macau para o Encontro de 2010.  Muitas coisas que contou estão de acordo com o texto da Cecília Jorge.  Revelou-se um eterno apaixonado cujo “grande problema” é que quando isso acontece quer casar, motivo de somar mais de um casamento na sua vida. O Daniel estudou comigo no Seminário de São José e ele era uma espécie de “protetor”.  Lá estava ele presente quando a força física era necessária.  Hoje confessa que leva uma vida confortável de aposentado na sua terra natal.  Abraços ao antigo colega de classe.(Rogério Luz)

Patuá de Macau e os Colóquios da Lusofonia

E-mail recebido da AICL Associação (Internacional) Colóquios da Lusofonia sob a direção de J.Chrys Chystello faz um alerta a respeito do Patuá de Macau, para o qual peço toda atenção. Vide o texto em vermelhor.

Aproveito para agradecer as várias referências nos links das páginas de estudos do patuá, que remetem às publicações do site e produções de vídeo do Projecto Memória Macaense (PMM) que procura oferecer o seu contributo para preservação e divulgação do dialecto macaense.  Muito agradecido pelo prestígio !!! No decorrer do ano de 2012, o PMM vai procurar aprimorar o seu conteúdo para melhor ser uma vitrine da identidade e da memória macaense, da qual também se insere o patuá.


“TEMOS UNS APONTAMENTOS NA PÁGINA DOS COLÓQUIOS A ESTE RESPEITO
VER
http://www.lusofonias.eu/conteudo/estudos-patua/    MAS OS PROTOCOLOS FIRMADOS EM MACAU AQUANDO DO 15º COLÓQUIO AINDA NÃO DERAM EFEITOS E SEM A AJUDA DE PESSOAS NO LOCAL POUCO OU NADA PODEM OS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA FAZER.”

aceita-se toda a ajuda para fazer estes cadernos de patuá

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J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção,
Colóquios da Lusofonia (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133,
Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia 9625-115, S. Miguel, Açores, Portugal,
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 91 9287816/ 91 1000 465,
Página web (em atualização):  www.lusofonias.net /  Página alternativa da AICL: www.lusofonias.eu
XVII Colóquio LAGOA - AÇORES 2012 http:www.lusofonia2002.com.sapo.pt
ou  http://www.lusofonias.eu/index.php?option=com_content&view=category&id=95&Itemid=455
Correio eletrónico: lusofonia.aicl@gmail.com / lusofoniazores@gmail.com /lusofonias@lusofonias.net
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Natal na Casa de Macau de S.Paulo, segundo Charlie Santos

Veja no link abaixo, o que o Charlie Santos (Carlos Alberto da Silva Santos – Canicha) publicou no seu blog a respeito da festa de Natal da Casa de Macau de São Paulo, ocorrido em 11/Dez/2011, com várias fotos.  Posteriormente este blog também publicará fotos com histórico do convívio natalino da comunidade macaense local:

http://charliesantosblog.blogspot.com/2012/01/festa-de-natal-2011-na-casa-de-macau.html

Relembrar o Natal macaense

O excelente artigo de Pedro Daniel Oliveira publicado no jornal católico de Macau -  O CLARIM – edição 20/12/2011, reproduz bem os nossos costumes natalinos dos velhos tempos de uma Macau mais humana.  Era o Natal da gente da comunidade de língua portuguesa, e porque não também de outras línguas, na Macau antiga ainda sob a administração portuguesa.  Leia, conheça, mate as saudades:

NATAL TRADICIONAL MACAENSE NA PRIMEIRA PESSOA

Quando o ponto alto era a Missa do Galo

Já lá vão muitas décadas em que o ponto alto da quadra natalícia para as famílias tradicionais macaenses era a ida à Missa do Galo. Naqueles tempos, pediam-se prendas ao Menino Jesus. Quanto à importância do Pai Natal – essa – só chegou mais tarde. Dona Aida, Jorge Rangel, Anabela Ritchie, Miguel de Senna Fernandes, Carlos Marreiros e Luís Machado falam de vários costumes que ainda perduram e de outros que caíram em desuso.

AIDA de Jesus, mais conhecida por Dona Aida, de 96 anos, teve um Natal muito diferente daquele que se vive actualmente. «Jantava sempre com a família. Ia à Missa do Galo e, na volta, havia a ceia. Antes, todas as casas de macaenses tinham o presépio “arrumado” [exposto]. À volta de uma mesa muito comprida sentavam-se também cunhados, genros, sobrinhos e primos», explica esta senhora maquista dos «quatro costados».

Dona Aida passou felizes quadras natalícias em casa dos seus pais, aos 15 anos, – como é seu hábito dizer – «na rua do hospital de S. Rafael» (actual Consulado de Portugal); e depois, aos 17 anos, na zona do Tap Seac.

«As ruas estavam pouco iluminadas. Só as lojas e os hotéis é que tinham algumas luzes de Natal. A zona mais emblemática era o Largo do Senado. A Câmara Municipal de Macau tinha a tradicional árvore de Natal a ornamentar o local, como ainda acontece. Naquela altura era uma árvore natural; agora é algo artificial», descreve a gerente do restaurante Riquexó.

Outra tradição que se perdeu – acrescentou – é a queima de panchões à janela, efectuada pela maior parte das famílias católicas, durante a ceia após a Missa do Galo. Lá em casa também era habitual a avó Dulcelina falar patuá com a menina Aida, com mais duas netas e alguns familiares.

«Os tempos eram outros, pois vivia-se a quadra com outra intensidade. Actualmente, há muitos católicos em Macau que não vão à Missa do Galo. Preferem ir passear para o estrangeiro».

Dona Aida recorda-se de ter malas e carteiras como prendas, daquelas que «eram bonitas». À mesa da família havia, quanto a carnes: o tacho, a perna de peru e o capão assado; e, quanto a peixe: o bacalhau com grão; quanto a doces: a alua, os coscorões, as fartes, o «cake» e o pudim de ovos. Aliás, estas também são algumas guloseimas que actualmente se vendem no Riquexó durante a quadra natalícia.

Ainda no desfolhar de memórias, Dona Aida recorda-se de passar o dia de Natal na casa de uma amiga. «Ia jantar com os miúdos da minha idade. Não havia rádio, nem televisão. Ouvia-se música pelo gramofone e dançávamos. Havia sempre alguém disponível para dar à manivela para que o disco tocasse».

Outra geração

No seu tempo de criança, as prendas que Jorge Rangel mais apreciava eram livros, soldadinhos de chumbo e carrinhos em miniatura. Outros rapazes podiam preferir bolas ou jogos; as meninas procuravam bonecas e casinhas. As poucas lojas de brinquedos, quase todas situadas na rua das «Mariazinhas», não tinham mãos a medir. Hoje, as novas tecnologias criaram outros hábitos de consumo e as apetências dos miúdos tornaram-se muito mais sofisticadas.

«O presépio foi, para nós, durante muito tempo, mais importante do que o Pai Natal. Nem todos os pais e avós gostavam desta figura, mas a sua presença foi-se impondo, inevitavelmente. Nas casas macaenses, ambos têm lugar. O presépio representa a tradição, a religiosidade, o símbolo verdadeiro e a razão de ser do Natal. É, afinal, a própria imagem da quadra natalícia. O Pai Natal, por sua vez, liga o religioso ao profano. Está mais identificado com o lado lúdico, comercial e consumista da época festiva», explica o também presidente do Instituto Internacional de Macau.

O Natal era preparado com cerca de três semanas de antecedência na casa da família de Anabela Ritchie. «Por exemplo, os “cakes” eram embrulhados depois de confeccionados, e assim ficavam até ao dia de Natal. Fazia-se também o presépio e compravam-se prendas», relembra a ex-presidente da Assembleia Legislativa.

«No dia 24 de Dezembro, as crianças ainda dormiam um bocadinho depois de jantar. Lembro-me que tinha muito frio, pois saía do quentinho. Uma coisa muito importante nos meus tempos de miúda era a roupa nova que habitualmente se vestia, seja interior, exterior, sapatos ou meias. Ia depois à Missa do Galo com os meus pais. No regresso a casa, a família ajoelhava-se em redor do presépio e rezava; a seguir, ceava. Lembro-me sempre da canja de galinha, dos bolos de Natal e das empadas. Só depois é que havia a troca de prendas», explica Anabela Ritchie, de 62 anos.

Normalmente, eram os pais que davam os presentes às crianças: «Quando era miúda havia o Pai Natal, que não tinha a força de agora. Escrevíamos, previamente, as cartas ao Menino Jesus a pedir presentes. No dia de Natal, ficávamos muitos surpreendidas, porque o Menino Jesus tinha adivinhado o que queríamos».

Miguel de Senna Fernandes ficava sempre deslumbrado com a quadra natalícia. «Por volta dos dez anos tudo era grande para mim, com muitas prendas e, principalmente, comida. A minha avó Maria Luísa, também conhecida por Dona Zete, era uma exímia cozinheira, assim como as suas amigas. Em Macau, sempre abundaram as senhoras “mãos de fada”. Lembro-me que, naquela altura, as cozinheiras “desfilavam” com as suas versões de bolo-menino. A receita parece agora ser mais unânime. Havia também o bolo-rei, mas não era para todos. Também não era o mais importante. Um doce famoso era o “plum pudding”, certamente, por influência dos britânicos de Hong Kong», descreve o advogado, de 50 anos.

Já quanto a prendas, salienta: «Dava estatuto a todos os brinquedos que fossem adquiridos em Hong Kong. As crianças gostavam de triciclos ou de cavalos de madeira para embalar. Eu gostava dos carros de corrida em plástico. O primeiro “kit” que tive foi um carro da marca Chaparral».

A consoada era passada em casa da avó, sendo que a ida à Missa do Galo também fazia parte dos costumes da família Senna Fernandes. «Acabada a missa, o que mais me agradava dizer era “boas festas”, e dar o aperto de mão. Sentia-me como uma pessoa importante, um homem grande».

Naquela altura – continua o presidente da Associação dos Macaenses (ADM) – o Pai Natal não era uma figura preponderante. «Era muito luxo. Existia, sim; mas nas festas do Clube Macau. Aqui, os filhos dos sócios tinham todos direito a receber prendas», refere Miguel de Senna Fernandes.

Por essa razão, também não foi de estranhar que, por altura da festa de Natal da ADM, realizada no passado sábado, na Torre de Macau, os filhos dos sócios com menos de 12 anos de idade tivessem recebido uma prenda do Pai Natal.

Presépio

As memórias mais antigas do arquitecto Carlos Marreiros remontam ao tempo dos seus cinco a dez anos de idade. «Passava o Natal em casa do meu avô materno, José Maria de Jesus dos Santos. Tenho uma lembrança forte do presépio, mais do que da árvore de Natal». O presépio – recorda – estava sempre num ponto ligeiramente acima do chão, com as prendas logo no sopé deste enfeite.

«Um dos meus doces preferidos eram as almofadas do Menino Jesus. Havia vinho do Porto para os mais crescidos, que também bebiam vinho tinto. Dava-me muito gozo ouvir as músicas de Natal; não como aquelas que tocam actualmente, pois soam muito a comercial. Antes, ouviam-se músicas clássicas de índole religiosa, com discos de vinil que tocavam no gira-discos da marca JBC». Marreiros, de 54 anos, também adorava passear com o avô, para ver os presépios públicos de Macau.

Já o médico Alfredo Ritchie, de 65 anos, lembra-se de ouvir a avó materna, Júlia Rosa Rodrigues Sales, a falar patuá durante a quadra natalícia.

Por seu lado, o secretário-geral da Cáritas, quando tinha nove ou dez anos, residia no Instituto Helen Liang (das missionárias Dominicanas), perto do Palácio da Praia Grande. Embora de etnia chinesa, Paul Pun, agora com 54 anos, seguiu desde muito cedo os usos e os costumes dos macaenses e dos portugueses. «Eu vivia no dormitório. Tinha direito a uma pequena prenda e íamos à missa, na igreja de S. Lourenço. Era uma quadra em que a luz abundava perto da residência do então Governador, na zona da Avenida da Praia Grande. Para nós, crianças, ver luz daquela maneira era uma coisa espantosa. Hoje é algo normal», afirma Paul Pun.

Gastronomia

São muitas as tradições natalícias que ainda se mantêm no seio de algumas famílias macaenses. Contudo, se antes a natividade era festejada nas casas senhoriais, por exemplo, da baía da Praia Grande ou da Penha, agora acontece maioritariamente nos apartamentos de habitação.

«A época do Natal era sempre sinónimo de mesa “farta”. No entanto, a refeição antes da meia-noite era feita com simplicidade, para ir ao encontro dos antigos preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana. Era uma época em que se praticava o jejum, mas não a abstinência total. Ou seja, até à ceia de Natal não se ingeriam carnes. Assim, a refeição que precedia a ida à Missa do Galo era composta pela sopa de lacassá (aletria) e empada de peixe», explica o presidente da Confraria da Gastronomia Macaense.

O ponto mais alto era, pois, a ceia de Natal, já depois da Missa do Galo, bem como o almoço a 25 de Dezembro. «Neste dia, abundavam à mesa vários tipos de carnes e de doces. A tradição do jejum foi-se perdendo, com incidência a partir da Guerra do Pacífico; mas também por causa dos vários obstáculos dos tempos modernos, tais como o espaço das cozinhas ser pequeno e a falta de pessoal doméstico para ajudar as donas de casa, etc.», acrescenta Luís Machado.

Algumas das iguarias que compõem a mesa natalícia das famílias maquistas mais tradicionais são, nos doces: a sola de anjo (cavacas), os cabelos de noiva (fios de ovos), os sonhos – ambos de origem portuguesa, – as fartes (almofada do Menino Jesus), os ginetes, o bolo-menino, a alua, o «Christmas cake» («cake»); nas carnes: o porco bafá-assá, o peru – este, certamente, um hábito trazido pelos ingleses da ex-colónia britânica, em finais do século XIX, – o tacho e os chilicotes.

Com tanta abundância, muito naturalmente, havia sobras da quadra festiva, que deram origem a um novo prato maquista. O «diabo» é uma receita antiga que se confeccionava, por exemplo, há mais de 80 anos, na casa da família Jorge, no Beco do Lilau.

«Uma teoria minha é que o nome terá vindo do facto de ser uma comida muito picante, por isso, “quente”. É um prato que leva muito caril, malagueta e açafrão; daí a cor amarelo-avermelhada, a fazer lembrar o inferno», explica a jornalista e investigadora da identidade macaense, Cecília Jorge.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

Macau, cidade latina “a festa”

Numa outra postagem falei a respeito do assunto, e o evento aconteceu no dia 20 de Dezembro do ano passado.  Veja o que o Jornal Tribuna de Macau escreveu a respeito, com destaque para o que a diretora do evento, Sandra Battaglia, disse: “Macau poderia ser um exemplo para o resto da Ásia, um portal de tolerância e igualdade“.  É isso aí Sandra, Deus te ouça e que seja sempre assim na nossa terra.

(clicar nas imagens para aumentar)

Fátima de Santos Ferreira, entrevista ao JTM

Bem lembrado pela sua irmã, Maria João, vejam o que a Fátima dos Santos Ferreira falou em entrevista concedida ao Jornal Tribuna de Macau em Dezembro do ano passado, assunto de interesse da comunidade macaense.

Lembro que em 2007, a Fátima, macaense residente em Macau, foi nomeada e eleita 1ª vice-presidente (são dois vices) do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses, cargo mantido na eleição de 2010.  Naquela ocasião eu, da diáspora macaense, que ocupava um dos cargos eleito em 2004 juntamente com outro macaense, também da diáspora, opinei neste blog e foi divulgado em destaque no jornal católice O Clarim, que de acordo com os Estatutos, a Presidência somente poderia ser ocupada por um residente de Macau.  Pois bem, se, a rigor, o vice assume na falta do presidente, nada mais justo que uma das 2 vice-presidências fosse preenchida por uma pessoa viável à função.

Não sei se a minha opinião tenha causado algum mal estar, que me desculpem pela sinceridade despida de pretensão de cargos, não foi com intenção de tumultuar, mas falar o que era preciso e de acordo com os Estatutos, e fiquei contente ao saber que a Fátima estava indicada para o cargo.  Deixei-o satisfeito, bem como o outro vice, que no seu lugar foi assumido por um macaense da diáspora americana.  Novamente me desculpem se deixo de citar os nomes, pois achei melhor assim. Particularmente, acho que devemos encarar com serenidade essa disputa de vices, despido de qualquer litígio frontal ou de bastidores, e que ora se repete no ano que vem, quando se realiza, assim se espera, o novo Encontro das Comunidades Macaenses e a eleição de órgãos sociais do Conselho para o triénio 2013-2016.