Archive | fevereiro 2012

Isto na China: curiosidades para ler

1) Numa dessas viagens que fiz por ocasião de um feriado prolongado de 4 dias, quando as estradas brasileiras ficam lotadas de carros e andando com lentidão, uma coisa que me despertou atenção e ficou na cabeça, apesar de ser uma constância em lugares com grande concentração de gente, foi a questão de banheiros (casa de banho, wc., retretes, etc,) públicos nos postos de abastecimento (de combustível e com restaurante).

É aquela multidão de gente a ir para o banheiro.  Para os homens, tudo ok, se lá está com aquela vontade miserável após ficar umas horas no carro.  Entra lá e pronto, sem filas.  Sempre há espaço para mais um, salvo uma pequena espera de menos de 1 minuto.  Dá para aguentar! Mas, quanto ao banheiro das mulheres … é aquela fila à espera para entrar.  Sabe como é que é … o banheiro das mulheres não é tão prático assim como o dos homens … e aí fico a imaginar, como será para elas, se estiverem com aquela vontade miserável

E pensa que lá na China não é a mesma coisa? Ainda pior, com seus mais de 2 bilhões (bilião ou 2 mil milhões) de habitantes.  É por isso que surgiu por lá uma forma peculiar de protesto das mulheres chinesas: “ocupar os banheiros dos homens“.  Leiam a notícia publicada no Jornal Tribuna de Macau no dia 27 (clicar na imagem para aumentar):

E por falar nesses múltiplos nomes para banheiro, casa de banho, retrete, wc etc., fico a pensar, porque não unificar uma referência ao local? Cada lugar fala uma coisa! E porque a referência ao banho?  Em casa, tudo bem, mas na rua, é tudo menos tomar banho lá.  Num restaurante, não vou a um banheiro ou casa de banho para tomar banho, tudo menos isso.  Sei que é uma forma para se referir, mas são coisas esquisitas, pois em castelhano, também se fala baño (isto na América do Sul).  Coisinhas bôbas para falar, mas já que estamos aqui para conversar ou jogar conversa fora

2) “Réplicas” de relógios, tudo bem, uma coisa que vemos em todas as cidades.  Até dizem que em poucas horas, os falsificadores conseguem fabricar um similar de um original recém-lançado.  Mas agora, copiar uma vila européia na China é demais.  Só mesmo a habilidade oriental!  Veja então a reportagem publicada no Jornal Tribuna de Macau no dia 23 (clicar na imagem para aumentar, e depois, mais uma vez com a lupa em +):

Os Deolinda, grupo musical português de sucesso

O show dos Deolinda em Macau no dia 18 passado, é um bom motivo para apresentar a vocês este grupo musical português de grande sucesso internacional.  Conforme a Wikipédia: “ um grupo de música popular portuguesa (MPP), inspirado pelo fado e pelas suas origens tradicionais“.  O Jornal Tribuna de Macau assim publicou os 2 artigos sobre eles:

edição de 17/02.2012, antes do show: (clicar na imagem para aumentar, e depois, mais uma vez com a lupa em +)

edição de 20/02/2012, após o show: (clicar na imagem para aumentar)

Veja 3 vídeos publicados no You Tube pela RTP-Radio Televisão Portuguesa:

Deolinda – Um Contra o Outro

Deolinda – O Clandestino

Deolinda ao vivo nas Manhãs das 3 da Antena 1

Leia sobre a biografia dos Deolinda publicada ´pela Wikipédia:

“O projecto musical surgiu em 2006, quando os irmãos Pedro da Silva Martins e Luís José Martins (ex-Bicho de 7 Cabeças) convidaram a prima, Ana Bacalhau, então vocalista dos Lupanar, para cantar quatro canções que tinham escrito. Após perceberem que a voz da prima se adequava na perfeição às rimas e melodias por eles criadas, convidaram também José Pedro Leitão, contrabaixista dos Lupanar (actual marido de Ana Bacalhau), para se juntar aos três, nascendo assim os Deolinda.

O tema “Contado Ninguém Acredita” foi incluído na compilação Novos Talentos de 2007, lançado pelas lojas FNAC.

Em 21 de Abril de 2008, foi lançado o disco de estreia, Canção ao Lado. Desde então, em finais de Outubro de 2008, chegou à sua posição cimeira, o 3º lugar, do Top Oficial da AFP, a tabela semanal dos 30 álbuns mais vendidos em Portugal, tendo saído (e reentrado) por duas vezes nos primeiros tempos, ficado um total de quatro semanas fora desta tabela.  Em Outubro de 2008, o disco Canção ao Lado tornou-se “disco de ouro”. Em Dezembro de 2008, tornou-se “disco de platina”. Durante o ano de 2009, o disco “canção ao lado” atinge o galardão de dupla-platina, correspondente à venda de mais de 40 mil unidades.

Em 2 de Março de 2009, o disco Canção ao Lado foi lançado no mercado europeu pela editora World Connection. Em Abril de 2009, entrou directamente para o 8º lugar da tabela de vendas discográficas World Music Charts Europe e em Maio subiu ao 4º lugar dessa mesma tabela.  Ainda em Abril de 2009, o grupo deu início à sua primeira digressão europeia. Actuaram em diversos países, entre eles Holanda, Alemanha e Suíça, regressando a Portugal para diversos concertos em cidades como Porto, Braga e Barcelos.

O álbum Canção ao Lado ficou em 10ª lugar nas preferências dos ouvintes da rádio Antena 3, numa votação levada a cabo por esta estação em abril de 2009, na qual se perguntava qual seria o melhor álbum de música portuguesa editado entre 1994 e 2009, tendo como base uma lista de 100 álbuns lançados nesse período.

Em 23 de Abril de 2010 a banda estreou um novo álbum (Dois Selos e Um Carimbo) que teve como single de apresentação “Um Contra o Outro”.  O seu segundo álbum, Dois Selos e Um Carimbo, entrou directamente para nº 1 do top de vendas português e recebeu o galardão de platina em Novembro de 2010.

A canção Parva que Sou, estreada nos quatro concertos feitos nos Coliseus de Lisboa e Porto, em Janeiro de 2011, foi imediatamente considerada um hino de uma geração.  Em 21 de Novembro de 2011 é lançado o primeiro DVD do grupo “Deolinda ao Vivo no Coliseu dos Recreios”

Cruzeiro Marítimo pelo navio Costa Victoria: partida Santos

Costa Victoria em Porto Belo. O navio transporta até 2.370 passageiros

Já é o 2º ano que passamos o Natal no mar. Gostamos tanto do nosso 1º cruzeiro marítimo em 2010 pelo navio MSC Armonia, que decidimos repetir em 2011, só que desta vez pelo Costa Victoria.  E neste ano queremos novamente repetir a dose, mudando de companhia marítima, talvez a Royal Carribean.  O acidente com o Costa Concordia assusta mas não muda a disposição, pois se fosse para ficar temeroso, nunca viajariamos mais de avião, carro, etc., por conta dos desastres que ouvimos a toda hora.

Comparando os dois navios e empresas, a Costa bateu o MSC pela qualidade da alimentação e a sua frequência, a quase toda hora tem algo para comer e beber, perdendo apenas no atendimento.  Havia menos funcionários no Costa em todas as áreas.  Talvez o Armonia fosse mais aconchegante que o Victoria nos ambientes, e é melhor na recreação. Mas em geral, se fosse para optar entre as duas, preferiria o Costa por conta da boa comida pela variedade e qualidade.

Em 2011, o roteiro de 8 dias (no MSC foram 9 dias) escolhido foi praticamente igual ao de 2010 pelo MSC: Brasil, Argentina e Uruguai, e se calhar, repetiria em 2012.  Gosto desses países banhados pelo Rio da Prata que falam o castelhano. Assim em 2011, a partida foi no porto de Santos, que falo nesta postagem, seguindo para o Rio, e de lá numa viagem de 2 dias, segue direto para Buenos Aires/Argentina.  Montevideo foi a próxima parada (o MSC parou em Punta Del Este) e depois Porto Belo (MSC para em São Francisco do Sul), ambas cidades litorâneas do Estado de Santa Catarina/Brasil.

(todas fotografias de Rogério P.D. Luz)

SANTOS – ESTADO DE SÃO PAULO/BRASIL: a partida e o retorno após 8 dias de cruzeiro

Santos/Estado de S.Paulo, porto de partida, possui o maior jardim à beira-mar do mundo: sete quilômetros na orla.

Santos fica a 77 km da cidade de São Paulo e em 2010 tinha 420 mil habitantes para uma área de 280,300 km2. Se olharmos Macau, que tem cerca de 550 mil habitantes para uma área por volta de 30 km2 ou pouco mais, é assustador como a minha terra natal está superporvoada.

O porto de Santos é o maior da América Latina Por aqui desembarcaram muitos imigrantes como este autor do blog, em 1968

Pelo porto de Santos partem os navios de cruzeiro de várias companhias.  Chegam a ficar 5 navios atracados para embarque no mesmo dia, somando mais de 10 a 13 mil passageiros, quase que simultaneamente.

Pelo canal de Santos que dá acesso ao porto, navegam os navios tão altos quanto a vários prédios

a cidade tem boa qualidade de vida e é um sonho de moradia para muitos, após a aposentadoria

No canal de acesso ao porto fica a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande construída em 1584 pelos portugueses

bye bye Santos, até o retorno daqui a 8 dias

Conheça Santos (fonte: portal da cidade de Santos)

Santos é uma das cidades mais antigas do Brasil, portanto histórica, mas também cosmopolita, portuária e ecológica. Seu povoamento começou por volta de 1540 e o passado deixou legados preciosos em casarões, museus e igrejas, destacando-se a Bolsa Oficial do Café, marco da riqueza da cidade. Santos abriga o maior complexo portuário da América Latina, construído no início do século XX, fase de grande progresso como escoradouro de café. Suas praias são limpas, com jardins coloridos, entremeados de amendoeiras e palmeiras.
Decretos, leis e iniciativas resgataram seu velho charme de cidade litorânea ecologicamente correta. Santos oferece ainda vida cultural intensa, um centro comercial dinâmico, bares movimentados, restaurantes requintados e todo o conforto de um moderno centro turístico.

Elevada a Vila em 1545, Santos tem sua origem relacionada com a chegada dos primeiros colonizadores portugueses ao Brasil, na expedição de Martim Afonso de Souza. Este veio distribuir, entre os fidalgos que o acompanhavam, as terras ao redor da Ilha de São Vicente. Dentre eles estava Brás Cubas oficialmente fundador de Santos.  Do povoado partiram muitas bandeiras, que penetraram no interior do território brasileiro, em busca de riquezas. Em nosso porto também desembarcaram, no início deste século, novos colonizadores: os imigrantes, oriundos de diversas partes do mundo.

Terra da Caridade e da Liberdade, Santos teve a primeira Santa Casa de Misericórdia da América. É berço de figuras de renome, como os irmãos Bartolomeu e Alexandre de Gusmão e os irmãos Andradas, dentre os quais se projetou José Bonifácio de Andrada e Silva, personagem maior da Proclamação da Independência.  Graças a seus filhos ilustres e ao espírito comunitário, Santos sempre se destacou na história nacional, ora envolvida na libertação dos escravos, ora lutando pela independência do País.

Santos tem inúmeros monumentos históricos, compostos por azulejos e mármores, máscaras e estátuas, pinturas em tela e afrescos, altares e túmulos, gradis de ferro e postes de iluminação, pormenores que valorizam as obras. Eternos observadores, os rostos esculpidos nas fachadas testemunham a preservação do acervo. No Centro de Santos permanecem ainda alguns trabalhos do pintor e historiador Benedicto Calixto, dentre eles os painéis do Salão dos Pregões da Bolsa Ofifical de Café, de 1922.

A arte Sacra se manifesta em igrejas coloniais, barrocas, neogóticas e no museu instalado no Mosteiro de São Bento, que guarda relíquias como a imagem de Santa Catarina de Alexandria, do século XVI, que assistiu a fundação de Santos e, segundo a lenda, chegou a proteger a cidade de um ataque de piratas.

O Outeiro de Santa Catarina é o local do marco inicial da povoação da cidade. O pequeno monte, significado da palavra outeiro, foi dado pelo Capitão-Mor Antônio de Oliveira aos primeiros povoadores do lugar em 1539. Mais tarde Brás Cubas, o fundador de Santos, adquiriu as terras virgens junto ao local, para construir um novo ancoradouro. No século XVI, Luiz de Góes e sua esposa, Catarina de Aguillar, uma família que morava próximo do local, construíram na base do morro a capela de Santa Catarina de Alexandria, a primeira de Santos e que em 1540 se tornou a primeira matriz. Quando o corsário inglês Tomas Cavendish saqueou a vila, em 1591, a capela foi destruída e a imagem da santa, jogada ao mar. Em meados do século XVII, a peça foi resgatada por escravos e, em 1663, iniciou-se a reconstrução da capela, agora no topo do outeiro.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o morro foi sendo desbastado para a obtenção de aterro para construção do porto. A igreja foi demolida. Entre 1880 e 1884, o médico João Éboli, estabelecido em Santos, mandou construir uma casa acastelada sobre o bloco de pedra restante. Após longo processo de decadência, o local foi tombado em 1985 e reconstruído pela Prefeitura em 1992.  Hoje abriga a sede da Fundação Arquivo e Memória de Santos, instituição responsável pela gestão dos arquivos públicos e da memória não edificada da cidade.

No Pantheon dos Andradas, construído ao lado do Conjunto do Carmo, está o jazigo de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, e de seus irmãos Antônio Carlos, Martim Francisco e Padre Patrício Manuel.
O prédio inaugurado em 7 de setembro de 1923, conta com monumento projetado pelo escultor Rodolpho Barnadelli e executado na Itália. Além das urnas, o templo cívico apresenta quadros em bronze com cenas da História do Brasil e inscrições de frases dos irmãos Andradas.

Foi o Centro Histórico, compreendido pelo quadrilátero entre as ruas São Bento, São Francisco, Constituição e o cais do Porto, que primeiro viu surgir uma cidade próspera, vanguardista e, acima de tudo, bonita. Prédios, praças, ruas e vielas até hoje compõem um cenário que se caracteriza como conjunto arquitetônico dos mais importantes dentre os remanescentes no Brasil.
Do simples colonial ao rebuscado barroco, da austeridade vitoriana à suntuosidade neoclássica, a diversidade de estilos marca presença nas fachadas.  O estado de preservação caracteriza os imóveis construídos para ocupação militar, residencial, comercial ou religiosa, já que a cidade se concentrava naquela região até o final do século passado. Com o crescimento do porto e a instalação da Ferrovia Santos-Jundiaí, houve necessidade de sanear o restante da ilha, o que levou ao deslocamento da população para a praia.

Santos é, enfim, uma cidade cheia de cultura impressa em seus monumentos, museus e artes. Cidade sempre preparada para receber turistas o ano inteiro, dispõe de muitas formas de lazer, entretenimentos, comércio, hospedagens, passeios, etc. Em 1998, a Organização das Nações Unidas apontou a cidade de Santos como a primeira no estado de São Paulo em qualidade de vida, e a terceira do Brasil.

Patoá: receita de ló pák kôu/bebinga de nabo à moda da Mariazinha

Mariazinha ousou ao enviar a receita do ló pák kôu ou bebinga de nabo – em patoá/patuá.  Orgulhosa diz: iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso (iou-sa: a minha ou o meu / sã: é ou são / uide: muito/a / sabroso: saboroso/a).

Agora o desafio aos macaenses, que em termos teriam a obrigação de saber um pouco do patoá: conseguiriam entender o patoá suficientemente para preparar o ló pák kôu da Mariazinha? Ainda ela dále de misturar o inglês e algo em português e chinês/cantonense, seguindo um dos costumes de uma parcela dos macaenses de misturar o patoá com 3 línguas!!! Então vamos lá para a receita:

Bebinga de Nabo

Tánto genti já pedi  receita di iou-sa Bebinga di Nabo.  Nuncassã gabá, mas quim já comê sabe qui iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso.  Como iou  nuncassã egoista ramendá tánto genti qui caregá receita até tumulo e como iou sã genti antigo,  iou  já   iscrevê  na 4 lingu: Português, Inglês, Chinês e Patuá.  Si vôs sã maquista  di vedade  lôgo entendê mas si nunca entendê mandá unga email pa iou,  iou lôgo isplicá tim-tim pa tim-tim.

Bebinga de Nabo a Moda de Mariazinha Carvalho

Ingredientes:

Dôs Nabo grandi

Sei tiu láp-chéong

One big láp-yôk

Unchino di há-mâi

Lôk cheak tông-ku

Tres dentes de alho

Two cups of rice or chim-mâi-fân

Sal a gosto

Using a big pan, primeiramente, páu-heóng sin-tâu.  Depois cá láp-cheóng, láp-yôk, há-mâi, tông-ku, estunga chincha cortá fino-fino.  Deixa cozer até ficar nâm-nâm-têi.  Then you add ló-pák chit iât-si iât-si ou ralado se preferir pa ensopá estunga sabor di láp-mêi, j´olá! Cozê unchinho más.

Afterwards, you mix in the rice flour, ou seja, chim-mâi-fân, you can buy at Liberdade (São Paulo Chinatown)  or onçôm-onçôm pôde fazê na casa.  Very easy, châm mâi overnight, next day botá unchinho di agua no liquidificador  batê, cavá jugá dentro di mistura di nabo co láp-mêi.  Pegá unga colê di páu virá vai virá vem até chegar o ponto certo.  Be very careful, non pôde ficá nem duro-duro nem mole-mole ramendá pet-pet ou papa-papa, understand? A seguir transfere a massa  para um pirex.  Pa ornamentá, chapá-chapá rodela di láp-cheóng co tông-ku na riva, cavá  tân nunga vóc for  approximately one hour.

Foto de um ló pák kôu ou bebinga de nábo (não é o da receita nem da Mariazinha) que faz parte da gastronomia macaense, candidata a Património Cultura Imaterial de Macau. 

blogue Como Tá Vái? (em patuá) já está no ar

E já está no ar, o blog ou blogue Como Tá Vái? (como vai você ou como estás tu?) que o Miguel de Senna Fernandes já avançava dias atrás sobre o seu lançamento.  O endereço eletronico é - http://comotavai.wordpress.com – da mesma plataforma WordPress deste blog, que aliás o prefiro mais que o blogspot, tanto que mudei-me do outro para cá há bom tempo.

Para quem não saiba, o Patuá ou Patoá é um dialecto de Macau (exemplo no Brasil, o português caipira).  Para saber mais sobre o dialecto visite aquele blogue e o site Projecto Memória Macaense e aqui, pesquise pela Categoria – Patuá  – na coluna à direita.

Na minha mensagem/comentário no blogue, ofereci o contributo do Projecto Memória Macaense e do Crónicas Macaenses com o farto material de patuá disponível que pode ser copiado, além dos vídeos produzidos pelo site PMM das apresentações do patuá de São Paulo que poderão ser inseridos na forma que convir ao Miguel.  Fica assim publicamente divulgada esta autorização.

O Miguel é um sujeito muito criativo, admiro muito os seus trabalhos, especialmente quando põe o humor no meio, sem deixar de o citar bem musicalmente.  Espero que ele coloque os vídeos de Patuá em Um Minuto, fabulosos, muito bem produzidos, e tive a oportunidade de publicar um deles aqui, tendo eu filmado diretamente da tela na sua conferência do Encontro 2010, após devidamente autorizado pelo autor. Em vez de ficar falando mais a respeito, que tal visitar este novo blogue macaense, mais um esforço de um conterrâneo pela preservação da nossa identidade e cultura?

Antes, leiam a apresentação publicada no blogue Como Tá Vái?

Este é um pequeno cantinho sobre a Língu Maquista, mais conhecida por Patuá de Macau.

Não é um manual linguístico, nem tão-pouco sou linguista. Trata-se antes de uma exposição parcelar de ideias e reflexões pessoais sobre vários aspectos da língua dos nossos antepassados.

É consabido que existem várias correntes sobre o que deve ser o Maquista, como ele deve ser expresso e qual a sua “proximidade” com o Português padrão. Com o devido respeito a todas, a proposta que se apresenta aqui, vem na linha dos trabalhos do saudoso José Adé dos Santos Ferreira e da Dra. Graciete Batalha, que tiveram a virtualidade de conferir maior consistência e uniformidade ao crioulo, pressuposto fundamental para subsistência de qualquer uma Língua. Julgo dever seguir e dar continuidade ao que já foi feito, fazendo-se as necessárias adaptações no que for estritamente necessário.

Esta página electrónica tem essencialmente uma finalidade prática e por isso as considerações aqui vertidas sobre o Crioulo estão despidas de rigor científico-linguístico. Depois, a sua estrutura não será a que encontramos num manual didático típico. Ela é antes essencialmente temática, composta de artigos e apontamentos avulsos, porém com referências e redireccionamentos recíprocos.

Esta página é elaborada a contar com a colaboração de todos quanto tenham pela Língu Maquista um especial carinho. Desta feita, os comentários, esclarecimentos e as questões que se levantem serão bem vindas, pois só virão a enriquecer este blogue.

Com isto espero poder incentivar e promover a aprendizagem do nosso vetusto Crioulo.”

E quem é o autor? O texto é do blogue. Veja a seguir as fotos que fiz do Miguel no Encontro Macau 2007.  Ele não escapa das minhas lentes sempre que assisto qualquer conferência sua, e essas foram a respeito do patuá, muito óbvio.  Tal como o seu pai Henrique de Senna Fernandes, o Miguel gesticula muito e as minhas lentes fotográficas agradecem:

Miguel de Senna Fernandes, advogado de profissão,  adepto incondicional do Patuá de Macau. Co-fundador do grupo de teatro maquísta Dóci Papiaçám di Macau, é o autor de praticamente todas as peças escritas na língu maquista apresentadas nos dezanove anos de existência da troupe.

Johnny Reis: fotos-memória e a notícia do jornal

Em 2003 estive em Macau pelo site Projecto Memória Macaense, a convite da Comissão Organizadora, que novamente agradeço publicamente pelo apoio, para participar da Reunião Preliminar dos Representantes das Casas de Macau para o Encontro Macau 2004.  Nos diversos eventos da Reunião, pude assistir à apresentação do Johnny Reis nos teclados a tocar com o conjunto musical The Rockers.  Um deles foi a missa celebrada na Igreja São Domingos, quando tocaram com o coral do Dóci Papiaçám di Macau.  O outro foi no Clube Militar, no jantar oferecido pelos Organizadores que reuniu também diversos residentes de Macau, momento em que pude rever gente conhecida.

Vivendo este momento de tristeza pela partida do antigo locutor do meu programa favorito – Request (quando se pede para dedicar uma música para determinada pessoa) dos anos 60, e bem que fiz alguns pedidos, queria compartilhar com vocês três fotos que fiz dessas apresentações, nas quais aparecem alguns conterrâneos que também já partiram para o descanso eterno:

(clicar nas fotos para aumentar)

Johnny Reis o 1º à sua direita, de óculos, a tocar o teclado no Clube Militar em Novembro/Dezembro de 2003. Veja o saudoso Neco Barros na bateria

Johnny Reis, o 1º à sua esquerda, com os Rockers na missa da Igreja São Domingos em Novembro/Dezembro de 2003

Com o coral do Dóci Papiaçám di Macau e os Rockers na Igreja de São Domingos em Nov/Dez de 2003.  Johnny é o 5º a contar da esquerda

Não custa nada publicar a foto dos participantes dessa Reunião, no jantar inaugural realizado no Hotel Lisboa em 26 de Novembro de 2003. Certamente vai dar para matar muitas saudades (sou o 11º da direita na fila de pé):

Veja o que o Jornal Tribuna de Macau publicou a respeito do falecimento de Johnny Reis na edição de 23/02/2012 (clicar na imagem para aumentar, e depois novamente com a lupa em +):

Carnaval Rio de Janeiro 2012: a escola de samba campeã

fotos de Alexandre Durão/G1

a Comissão de Frente inovou com o homem sanfona nas acrobacias de um ginasta romeno. Foto de Antonio Lacerda/Efi

Ala dos cangaceiros do sertão nordestino.  Foto do jornal O Povo on line/AFP

Na 4a. feira de Cinzas, dia 22, numa apuração de votos tranquila, a Escola de Samba Unidos da Tijuca foi sagrada campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2012.  O tema do seu desfile foi uma homenagem ao músico Luíz Gonzaga, autor da famosa canção Asa Branca, que completaria 100 anos neste ano se estivesse vivo, e foi baseado no ambiente do sertão do Nordeste do Brasil.

Veja 3 vídeos reproduzidos do canal do DesfileCompleto aberto ao público no You Tube, sem uma ordem definida, exibindo partes do desfile da escola campeã:

 

“O inconfundível Johnny Reis” em memória …

Estranhei hoje inúmeras visitas à postagem abaixo em 07/09/2011, mais de 80, e a resposta veio há pouco pela notícia dada por uma fonte confiável.  Faleceu nesta data: 22/02/2012 o Johnny Reis, uma referência de juventude de muitos macaenses.  Ainda vou ler a notícia nos jornais de Macau.

Descanse em paz Johnny Reis.  Nossas condolências à família.  Saudades dos tempos de você na Rádio Vila Verde.  Em sua homenagem, republico a postagem:

*um texto de Cecília Jorge – Revista Macau Junho 1998

João Sameiro Afonso ReisJohnny Reis, para a comunidade macaense que o “adoptou” — prepara-se para a reforma ao sol do Algarve, a ocupar-se da neta predilecta.  Ao fim de trinta anos, completados em 1996 como “músico” semi-profissional, além da Função Pública, vai sobejar-lhe tempo para descansar e recordar peripécias na cena do “show-bizz” local, algumas já referidas no artigo de Rigoberto do Rosário que a Revista MacaU publica.  Natural de Braga, veio para Macau em 1939 numa comissão de serviço do pai que acabou por se prolongar por causa do deflagrar da II Grande Guerra e posterior entrada do pai para o Corpo da PSP. Foi adiando o gozo da licença a Portugal e o seu primeiro regresso à terra natal, de onde saíu ainda criança, deu-se só em 1993. Considera-se “macaense”.  “A música ajuda as pessoas a viver a vida”, refere ao explicar a estreita ligação (sua e dos seus “conterrâneos”) a esta forma de passar o tempo.

Com a mesma voz de timbre quente, com que encantou quem o ouviu cantar durante tantos anos em nights-clubs, festas e festivais, e foi apresentando programas radiofónicos e noticiários, diz-nos que a memória o trai quando quer referir datas e alguns nomes. Mas se o diálogo se proporcionar, as cenas avivam-se e a “voz” também, com a fluência das palavras que nunca se deixaram contaminar pela pronúncia típica de Macau.

No início da aventura musical — mais ou menos em 1966, ainda a Rádio Vila Verde se situava na esquina da Francisco Xavier Pereira —, Johnny, Nuno e Alberto Senna Fernandes, Tony Hyndman, Sonny Gomes e Kenny Barnes entretinham-se a “fazer música”. Nessa altura, os dois últimos, mais profissionais, marcavam o ritmo “batendo as palmas”… Os agrupamentos mais certinhos vieram depois, como os uniformes: com camisas axadrezadas com faixas “à toureiro”, a princípio, depois blazers, cinzentos, e mais tarde vermelhos. (Os “Rockers”, assinalados com o monograma R, e os “Four Aces” com quatro ases, de naipe diferente para cada componente).

Tocaram em todos os locais onde era possível tocar — recorda hoje Johnny Reis. Tocavam igualmente todos os instrumentos em que pusessem as mãos, apreendendo todos “de ouvido” e uns com os outros…

A carestia de vida e do equipamento levou inclusivamente a que, uma vez, a avalizar um empréstimo pedido a Guilherme Silva, gerente da Pousada de Macau, para compra dum xilofone, providenciassem música de dança no seu restaurante durante uns tempos.

Mas, se foram muitas as actuações do grupo, que mudou mais de nome do que de componentes — tocando no Hotel Riviera, no Bela Vista, no Estoril, na Pousada de Macau, no “Helena” que ficava na Ponte-Cais nº 16, em todos os Clubes e Associações, no Clube Recreio e até no Indian Club de Hong Kong, mais foram as oportunidades perdidas.  Tratando-se de funcionários públicos que se agrupavam pelo gosto da música, pelo prazer de entreter amigos e um público animado, e para complementar o salário, as limitações da pesada burocracia dos anos 60 e 70 impediram-nos de “voar mais alto”.

Johnny ainda hoje lamenta não terem podido aceitar um convite do “Paramount” de Hong Kong para substituirem “Giancarlo and his Combo” naquela boite de luxo ou mesmo noutras actuações em Hong Kong. E Mário Sequeira lembra-se dos problemas , depois da transferência para “a outra banda” (Ilha da Taipa), com autorizações para ir a Macau actuar em festas, ou por exemplo no Macau Palace. Transportes, só em tancares ou barcos condicionados à maré. Mas vezes houve também que a timidez e relutância dos camaradas do grupo os impediu de actuar em programas de grande audiência da Televisão de Hong Kong.  Estreou-se na emissora VilaVerde, que começou a funcionar em 1948 com Johnny Alvares como engenheiro de som e seu irmão Walter Reis, locutor.  Acabara de sair da tropa. E apresentou programas como os “Hit Parade”, “Yours for the Asking” (em inglês) e os “Request”, de grande audiência, porque dias havia em que o carteiro despejava na emissora quilos de cartas com pedidos de discos e se preenchiam 5 folhas A4 com dedicatórias de cada canção. Eram tantas e tão fiéis as radiouvintes que chegou a ser necessário apaziguar pais que julgaram atentatório do bom nome das filhas a frequência alarmante de dedicatórias públicas dos (múltiplos) enamorados. Alegavam forte “distracção em horas de estudo”. E o meio-termo foi a proibição de inclusão de apelidos.  A voz de Johnny era inconfundível. E contudo, quando uma vez, em desespero de causa, quis evitar o pior no seu programa “Disco-Mistério” (oferta de discos de 45 rotações a quem identificasse o vocalista), e cantou com música de fundo, não houve um único ouvinte que o reconhecesse. É claro que disseram ser batota… mas o certo é que já pesava estar a custear ele próprio os prémios, quando lhe faltou o financiamento prometido. Graça teve também aquela vez quando, habituado a improvisar, e depois de anunciar o início da transmissão do “Terço do Bairro”, teve que fazer as vezes do sacerdote que faltou.

Era indiscutivelmente um bom profissional da rádio, pela experiência, pela dicção, pela voz, pela presença, e simpatia contagiante. Lembra-se das últimas locuções na Vila Verde, quando durante os incidentes de 1966 teve que ler comunicados oficiais à população na qual se minimizava a situação, ao mesmo tempo que, pela janela aberta do estúdio se ouviam disparos e o tiroteio na cidade. O canal em língua portuguesa encerrou pouco depois.  E Johnny passou a funcionar na ERM, localizada na torre do edifício dos CTT.

Ruby de Senna Fernandes, uma das poucas intérpretes locais do fado e música ligeira na década de 60, acompanhada pelos “Rockers”

“Ai, não nos calam”, a versão portuguesa de “Ai, se eu te pego”

Gostei da versão portuguesa, um jeito criativo de protestar.  Particularmente não sou lá um fã do “Ai, se eu te pego” do brasileiro Michel Teló. Até que não aguento mais este “endeusamento” da canção pela tv, para não dizer, pelos globais.  É um exagero, ainda bem que com o tempo o sucesso passa e devem logo dar uma trégua aos nossos ouvidos aqui no Brasil.

Assim convido os amigos visitantes a verem o vídeo do “Ai, não nos calam”, e os meus votos para que Portugal consiga superar essa crise, que infelizmente deve durar para passar, mas um dia passa, se alguém sobreviver até lá

*Obrigado JPSenna Fernandes pelo e-mail link!!!

Carnaval São Paulo 2012 – vídeos da Escola campeã

foto da Mocidade Alegre 2012 / O Povo on line/AFP

No Carnaval de São Paulo 2012, apesar do vergonhoso desfecho com cenas de pura ignorância na apuração de votos, com uso de violência por parte de integrantes de algumas Escolas de Samba e de seus simpatizantes, inconformados com o resultado que não lhes dava a vitória e outros alegados, foi declarada vencedora a – Escola de Samba da Mocidade Alegre.  O tema da escola foi o escritor Jorge Amado.

Veja alguns vídeos com trechos do desfile da campeã, sem ordem ou sequência correta conhecida, publicados pelo usuário DesfileCompleto na You Tube publicamente, que aqui simplesmente reproduzo sem entanto ter qualquer responsabilidade com a iniciativa deste divulgador que desconheço. Para sua informação, cada Escola tem 01:15min para percorrer os 530 metros (por 14 metros de largura) do Sambódromo:

Carnaval em Macau … antigamente

Com o passar dos anos. e, mais tarde, com a revolução de 25 de Abril de 1974. aquelas centenas de militares que nos acostumamos a ver pelas ruas, desapareceram. Ficaram os macaenses e os chineses … … Os casamentos realizados entre macaenses. ou entre macaenses e metropolitanos, faziam com que as tradições se perpetuassem através das novas gerações … … os macaenses acabaram por sofrer alguma influência deste convívio mais próximo com a comunidade chinesa, seja na língua, na culinária ou nos costumes. Naqueles casamentos onde a componente chinesa é mais forte, as nossas tradições foram sendo esquecidas. dando lugar a usos e costumes que não são nossos“, assim Mário José Nogueira, em 1993, deu um panorama do que poderia ter sido um dos motivos para a diminuição de interesse pelas Tunas, e consequentemente das festas carnavalescas.

Pode isto ter contribuído para o fim do Carnaval em Macau, bom salientar, um dos motivos, eu acrescentaria que também pela modernidade musical com o Elvis e dos Beatles, essa invasão da música inglesa e americana que acabou gerando uma preferência por parties, como um outro motivo.  Vivi bem os anos 60 em Macau e confesso que de Carnaval, lembro que nessa época, como estudava no Seminário, os padres nos convocavam para um retiro espiritual e de orações, para nos afastar dos dias de pecado.  Além do que por falta de uma melhor comunicação como hoje, só imaginavamos o Carnaval, atribuído ao Brasil, pelos filmes, já que nem tv tinhamos.  Imaginavamos que em cada esquina do Brasil, havia um brasileiro tocando pandeiro e sambando, aliás uma coisa que ainda se imagina até hoje.  Só ver o filme de desenho animado – Rio – onde o cão bulldog aparece com a ridícula fantasia de “frutas na cabeça“, tipo Carmen Miranda nos EUA, ou era brasileiro sambando por tudo quanto é lado, e outras coisas absurdas, etc etc.  O brasileiro curte o Carnaval e sai para a folia, mas nem todos que seriam a maioria.  Prefere-se mais aproveitar o feriadão de 4 ou 5 dias para viajar ou curtir a cidade tranquila com menos gente.  Até poucos assistem aos desfiles pela tv.  Eu insisto em assistir todos os anos, mas cansa-se muito a vista pelo movimento das cenas e logo o cochilo vem.  Uma pena que acaba-se dormindo mais no sofá do que ficar acordado assistindo as belas escolas de samba, cada vez mais sofisticadas, e se me desculpem,  as de São Paulo já estão praticamente no nível do Rio.

Mas voltando ao assunto de Carnaval de Macau, no artigo de Veiga Jardim na Revista Macau de Maio de 1993, publicado no site do Projecto Memória Macaense (As Tunas de Macau), recorda-se como eram os carnavais com as disputas das Tunas e o desfile pelas ruas, tais como os Trios Elétricos do Brasil.  Transcrevo uns trechos do extenso artigo:

“Herança directa das tunas portuguesas, as tunas de Macau sempre foram presença obrigatória no Carnaval e em outras festas populares:  tunas houve muitas, entre os anos 30 e fins de 40, já que nem o período da guerra tirou aos macaenses o gosto pelo convívio e pela folia. Nomes como a Harmonia e a Tuna Macaense são ainda lembrados por quem participou nos assaltos e desfiles carnavalescos.”

As tunas formavam-se por altura do Carnaval e de uma especificidade local – o Micareme (cerca de 40 dias após o Entrudo), nascida do facto das pessoas não se contentarem com uma semana de folia e tentarem prolongar a festança, mesmo contra as críticas dos párocos que achavam muito pouco adequado foliar durante a Quaresma. … … O elemento feminino, que se destacava nos bailes e desfiles de mascarados, surgia nas tunas apenas como porta-bandeira.”

E, o Mário José Nogueira (na foto acima: o 1º à esquerda da fila de frente) comenta:

“De um modo geral a existência das tunas estava condicionada às comemorações do Carnaval. É claro que durante o resto do ano não ficávamos completamente inactivos. A cidade mudou muito. Antigamente realizavam-se enormes feiras, quermesses, festas religiosas e, muitas das vezes íamos lá tocar.”

“… No Carnaval inevitavelmente tocávamos marchinhas. Nos bailes fechados tocávamos música de dança. Mas deixe-me contar-lhe a história: dois meses antes do Carnaval, reuníamo-nos duas vezes por semana para ensaiar. É bom frisar que nenhum de nós recebia um avo. Mesmo os uniformes e as fantasias eram comprados com dinheiro do nosso próprio bolso. Aqueles que não podiam, recorriam ao presidente da tuna que, de um modo geral, era alguém com mais recursos e que garantia este tipo de despesas. Também era através do presidente que os clubes e as pessoas em geral convidavam as tunas para participar dos bailes e festas. Havia em Macau diversos clubes que organizavam grandes bailes, durante os quatro dias do Carnaval. Estes eram o Clube Macau (no Largo de Sto. Agostinho), Clube Militar (no Jardim de São Francisco), Clube dos Sargentos (cujo verdadeiro nome era Clube Recreativo 1° de Junho, situado perto do mercado da Mitra). e o Clube MELCO (situado na Areia Preta. onde hoje é o Bairro Hip-On). Havia os bailes do Sábado Gordo e do Domingo de Carnaval. Na terça-feira havia o Carnaval dos Casados e na quarta-feira de cinzas praticamente já não havia mais nada. Éramos. por exemplo. convidados para tocar no Clube Macau. durante um baile que começava às 9.30 da noite. A tuna saía da sua freguesia de origem e. tocando, marchava pela cidade até o clube, Muitas vezes fizemos longos percursos debaixo de chuva. desde o Tap-Seac até lá em cima. no Largo de Sto, Agostinho. Tinha horário para começar mas não tinha para acabar, Tocávamos até às 5 da manhã e depois ainda íamos à Novena de N.S.dos Passos, que normalmente coincidia com a época do Carnaval. Comíamos qualquer coisa – depois de já termos, durante a noite. comido não sei quantas vezes – e.finalmente. voltávamos para casa. Era divertido, mas muito cansativo.. .”

“Os músicos não se mascaravam, mas havia umas boas dezenas ou centenas de foliões que se fantasiavam e aos quais se poderia, eventualmente. misturar um grupo de agitadores pondo em risco a segurança das pessoas. Em Macau havia um carnaval de rua espontâneo e as tunas eram, de certa forma, o ponto alto destas festividades. Os sócios dos clubes juntavam-se ao grupo, durante a marcha. de modo que quando chegávamos ao fim do percurso a festa já estava bastante animada…”

a mulher como porta-bandeira (tal como nas escolas de samba no Brasil)

Veiga Jardim finaliza a sua matéria sobre As Tunas de Macau, assim:

Após estes depoimentos, plenos de ricas vivências, fica-nos a impressão de que, quase sem sentir, Macau, abrigo provisório de uma cultura tão peculiar, foi perdendo um pouco da sua personalidade com o desaparecimento das tunas. As guerras, a emigração e as revoluções – circunstâncias históricas imponderáveis – conduziram caprichosamente os destinos deste pequeno pedaço de terra que, em breve, não mais pertencerá aos seus filhos. … No entanto, onde estiverem, se cá não puderem permanecer, levá-la-ão consigo, no seu sangue e nas suas memórias, pois na verdade, são eles os protagonistas da sua própria história.” (Veiga Jardim é um maestro brasileiro que residiu em Macau por uns tempos, compôs e executou toda a trilha sonora do filme A Trança Feiticeira de Henrique Senna Fernandes)

É bom ler que há manifestações de pessoas em Macau para o retorno destes velhos costumes.  Torço para que tudo dê certo e que haja adesão da população macaense e portuguesa.

Ruínas de São Paulo: pensaram em reconstruir a Igreja … !!!

foto: Rogério P.D. Luz

As Ruínas de São Paulo em Macau são as ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus e do adjacente Colégio de São Paulo.  Exemplo único da arquitetura barroca na China, a fachada em granito foi o que sobrou do incêndio que começou nas cozinhas do colégio em 1835, por volta das 18:00 às 20:15 hrs.  Em 2009, foi classificada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.  Só que não teria obtido essa classificação e nem seria o principal ponto turístico de Macau nos dias de hoje, caso tivessem sido concretizadas as iniciativas em 1904 para a sua reconstrução.

Veja o que o grande historiador Padre Manuel Teixeira conta a respeito no seu livro Toponímia de Macau:

“A igreja começada em 1602, ficou concluída em 1603, sendo inaugurada na noite do Natal, tendo trabalhado nela cristãos japoneses fugidos da sua pátria devido às perseguições contra a religião.

A fachada levou muitos anos a construir. Peter Mundy diz que a obras de cantaria já estava pronta em 1637; Cardim informa que ainda em 1640 se colocou nela uma imagem de N. Senhora; em 1608, fez-se a porta da igreja, da banda de oeste com seu arco de pedra e o corredor do coro.

A 26 de Janeiro de 1835, um incêndio devorou completamente a Igreja e o Colégio de S. Paulo, ficando apenas de pé a fachada da Igreja.

Houve alguém que sonhou na reconstrução de S. Paulo.

O sonhador foi o dr. António José Gomes, que nós muito bem conhecemos.

A 4 de Dezembro de 1904, o bispo de Macau D. João Paulino d’Azevedo e Castro celebrou missa nas Ruínas de São Paulo e lan­çou a primeira pedra para a reconstrução desse antigo e histórico templo, destinado à futura igreja paroquial de Santo Antônio.

Subiu a um púlpito improvisado o Pe. Dr. António José Go­mes, pároco da Santo António que, num sermão empolgante, pediu fundos para essa obra. Dizia ele:

«Este lugar é santo! estas venerandas ruínas, esta mole imensa de granito, aprumada e indestrutível, este majestoso frontispício, este colosso três vezes secular, que a despeito do olvido dos homens e das injúrias do tempo, se ergue ainda em toda a sua envergadura arquitectónica, rasgando as nuvens e desfraldando em pleno céu o lábaro sacrossando da Redenção… tudo isto está clamando que este lugar é santo…

Uma escadaria, a mais ampla, a mais bela, a mais bem lançada que os meus olhos têm contemplado, servindo de escoadouro de lavaduras infectas, transformada em limiar de casas de gentio…

Ai! Quantas injúrias não tens tu sofrido, ó preciosa relíquia da arte cristã! Tentaram roubar-te os santos de bronze, que ador­nam os teus nichos, para os fundirem, mas os santos não cederam o seu posto, foram mutilados, mas ficaram inabaláveis! Estilharam-te as colunas, britaram-te os capiteis, quebraram-te os ângulos, man­charam e poluíram as tuas bases … e, não obstante, tu aí estás ainda em pé, miraculosamente, para pungir a consciência de todos e cada um»!

Na peroração o dr. Gomes convidou os ouvintes a jurar que reconstruiriam a Igreja da Madre de Deus: «Soou a hora solene, chegou o momento crítico, o momento decisivo … o momento de fazermos sobre estas ruínas o mais solene dos juramentos!

«Ah! se no meio de vós está alguém atrabiliário, algum inimigo desta obra santa e patriótica . . . saia! . . . fuja deste recinto . . . não queira ser um perjuro!»

Neste momento, um soldado disse para os que estavam junto dele: — «Não, eu é que não juro»; saltou e fugiu dali para não ser perjuro.

O orador, a quem passou despercebido o incidente, continuou: — «Ninguém sai? . . . Ninguém se retira?».

E então fez o juramento, em nome de todos: — «A cidade de Macau, pela boca do vosso ministro, jura hoje solenemente, à face do céu e da terra, desagravar o Vosso Santo Nome, restituir-vos a vossa herança!»

E terminava entusiasmado: — «Avante, senhores, avante pela reconstrução de São Paulo!»

Organizaram-se lotarias, promoveram-se quermesses e festas para angariar fundos, mas pouco se conseguiu.

Foram mandadas fazer na América várias tapeçarias com as gravuras da fachada, do bispo D. João Paulino e outros motivos religiosos. Mas, quando se abriu a grande remessa, viu-se que os ba­cios tinham no fundo a vera imagem do prelado!!! Foram logo retirados da venda.

Existe ainda na Diocese um fundo dumas $ 20 000,00 em acções, chamado «Fundos da Reconstrução de S. Paulo».

Já antes do dr. Gomes, aparecera outro entusiasta da reconstrução: era o rico proprietário, comendador Albino da Silveira, que tencionava empregar a sua fortuna nessa obra. Chegou a mandar fazer o plano da igreja, aproveitando a fachada, mas com a sua mor­te em 31 de Outubro de 1902 morreu o seu projecto.”

No desenho de Cheong Pow de 1818, pode-se ver a Igreja Madre de Deus ou São Paulo antes do incêndio.  Está na sua lateral esquerda

a Igreja de Madre de Deus/São Paulo e o Colégio São Paulo após o incêndio (fonte: Um Museu em Espaço Histórico do Museu de Macau)

Interior da Madre de Deus depois do incêndio de 1835.  Desenho de George Chinnery, pintor inglês que retratou Macau em centenas de desenhos durante a sua estadia em Macau de 1825 a 1852

Brasil: Catedral de Maringá, a mais alta da América Latina

Em 2009, decidimos fazer uma loucura e viajar de carro para Foz de Iguaçú, onde estão as belas Cataratas de Iguaçú uma visita obrigatória para quem vem ao Brasil, com intuito de  passar um Natal diferente.  Fica a 1.100 km de São Paulo.  O máximo que fiz até na época foi de 550 km para o Rio via litoral.  Foi uma bela e tranquila viagem, pouco cansativa, revezando com a minha esposa na condução.  Outro dia lhes conto sobre isso.

O motivo desta postagem é para lhes mostrar imagens da Catedral de Maringá, no Estado do Paraná, localizada na cidade de Maringá, onde fiz uma pausa nessa viagem para pernoitar, após ter rodado cerca de 700 km.  Fiquei impressionado com a Catedral pela sua altura e modernidade, e fiz um ensaio fotográfico que publiquei no FlickR da Yahoo.  A 1ª foto abaixo recebeu mais de 300 visualizações sem eu tê-la divulgado, o que me surpreendeu.  Poderão perceber depois que gosto de fotografar igrejas católicas.  Não sei bem porque, talvez não só pela religiosidade, mas também pela sensação de paz de espírito que os templos católicos nos transmitem.  Vejamos:

A Catedral de Maringá ou Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória é o monumento símbolo da cidade de Maringá, no estado do Paraná.

A Catedral Basílica de Maringá é a mais alta catedral da América Latina. Foi inspirada e idealizada na era dos “Sputniks” (a palavra “poustinikki” designa o peregrino que se afasta do mundo para ficar mais perto de Deus[carece de fontes]). Sua arquitetura é moderna e arrojada, foi idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci. É o 10º monumento em altura no mundo e o segundo na América do Sul.De forma cônica, possui um diâmetro de 50 metros e uma nave única, circular, com diâmetro interno de 38 metros. O cone possui uma altura externa de 114 metros, sustentando uma cruz de 10 metros, perfazendo um total de 124 metros de altura. Sua capacidade é de 3.500 pessoas, que podem ser distribuídas em duas galerias internas superpostas.

A porta principal está voltada para o norte; a Capela do Santíssimo para o sol nascente e a do Batistério para o poente. Ao sul a grande porta que leva a cripta, onde serão sepultados os Bispos, e que está sob o altar mor. No interior dos dois cones a 45 metros de altura, encontra-se o ossário, com 1.360 lóculos, que os fiéis adquirem para guardar os restos mortais de seus entes queridos.

Sua pedra fundamental, um pedaço de mármore retirado das escavações da Basílica de São Pedro pelo Papa Pio XII, foi lançada em 15 de agosto de 1958 em cerimônia promovida pelo Bispo Diocesano, Dom Jaime Luiz Coelho, e presidida pelo então Arcebispo de Curitiba, dom Manuel da Silveira D’Elboux. A Catedral, dedicada a Nossa Senhora da Glória, foi construída no período de julho de 1959 a maio de 1972. Sua obras em concreto foram concluídas quase quatorze anos depois, em 10 de maio de 1972. A Catedral foi então consagrada no dia 3 de maio de 1981. Em 21 de janeiro de 1982 recebeu o título de Catedral Basílica Menor.  Contornando a Catedral estão os espelhos d’água, fontes luminosas com chafariz que jorram suas águas a mais de 5 m de altura. Localiza-se na Avenida Tiradentes, Zona 1.

Características físicas:
Altura: 114 m de altura + 10 m de cruz no topo  /  Altura livre: 84 metros  /  Diâmetro externo: 50 m  /  Diâmetro Interno: 38 m
Vitrais: 16, de autoria de Lorenz Osterroht  /  Crucifixo: feito de madeira com 7 m, obra do escultor Conrado Moser / Capacidade: 4.700 pessoas.
fonte: Wikipedia

Maringá é um município brasileiro, localizado no norte central do Estado do Paraná. É uma cidade média-grande planejada/planeada e de urbanização recente, sendo a terceira maior do Estado e a sétima mais populosa da região sul do Brasil. Destaca-se pela qualidade de vida e por ser um importante entroncamento rodoviário regional. A cidade é uma das mais arborizadas do país.De acordo com o IBGE, Maringá possui uma população de 357 117 habitantes.

foto da Wikipédia

UMA promove Rock ‘n Roll dinner dance (jantar dançante)

A UMA que é União Macaense Americana, uma tradicional e antiga agremiação macaense dos Estados Unidos, a primeira a ser fundada, promoveu um jantar dançante para os seus associados e amigos.  O Henrique Manhão que lá esteve na animada festa, enviou-me um link do álbum com 120 fotos publicado pelo fotógrafo Robert Roliz, que é irmão da Maria Roliz, presidente da Macau Cultural Center-MCA em Califórnia da qual a UMA faz parte e divide as instalações com outros 2 clubes macaenses, a Casa de Macau dos EUA e Lusitano Club.

Conheci o Robert Roliz (dos EUA) no Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010.  Dividi com ele os espaços para registrar todos os eventos, mas confesso que ele tirou muito mais fotos que eu, além de filmar também, como o fiz. Às vezes eu ficava na frente dele e vice-versa, mas foi divertido. É um rapaz incansável.  Admirei o esforço dele. “Hi Robert, how are you?” !!!

Clique no link abaixo e veja o álbum com as fotos do Robert Roliz:

UMA Rock ‘n Roll Dinner Dance 2012

Os direitos do idoso no Brasil em cartilha

O amigo Roberto Gomes repassou-me um e-mail de José Luíz, anexando uma “cartilha do idoso” muito bem elaborada, válido para o Brasil, que penso ser útil a divulgação.  Inclusive os amigos de outros países poderão fazer uma comparação dos direitos e benefícios com a sua localidade. Assim o José Luíz justificou:

A matéria anexa (27 folhas) é importante para todos(as), principalmente para aqueles(as) que lutam pelo fiel cumprimento da legislação brasileira e respeito aos Idosos. Uma “cartilha para idosos” muito bem elaborada por quem conhece e se preocupa com o exercício pleno da cidadania.”

Clique no texto abaixo para baixar o arquivo em PDF de 2,29Mb, boa leitura e conscientização dos direitos da Terceira Idade – Respeite os Idosos hoje pois amanhã você será um deles:

Cartilha dos direitos dos Idosos no Brasil

Pastéis de Belém e o seu segredo

Em Macau, temos o Tán Tat que é vendido na maioria das padarias.  São uma delícia, tais como os Pastéis de Belém.  Nos dias de hoje até diriam que foi pirateado como estamos acostumados a ver com outros produtos, como os relógios. Mas pela aparência, são exatamente iguais, e quanto ao sabor etc., os amigos de Portugal poderão dizer qual necessariamente é a diferença.  Em resumo, os dois são ótimos.  Se em duas bocadas você come um Pastel de Belém ou um Tán Tát, então 5 unidades em 3 minutos não é um exagero.  Numa outra postagem, publicarei outro texto da Cecília Jorge sobre o Tán Tát com receita !!! E verão que não foram os chineses que copiaram … Quanto aos fabricados no Brasil, em geral pelos portugueses locais, minhas desculpas, não tem nada a ver.  Bem diferentes e inferiores !!!

acima: foto de Rogério P.D. Luz / demais abaixo: fotos de Eduardo Tomé

PASTEIS DE BELÉM O SEGREDO QUE FUGIU DE UM MOSTEIRO

por Cecília Jorge – Revista Macau de Novembro de 1998

Quando se fala em pastéis de nata, há logo sempre quem se lembre dos de Belém. Mais ainda: quem é mesmo aficionado dos pastéis de Belém diz logo que “não são uns simples pastéis de nata. Que os de Belém são únicos, especiais”. Mas até aí, receitas e patentes registadas de pastéis há várias, todas ali da zona e todas com designações diferentes, e a reivindicar a garantia de “receita única e legítima”, como sejam os pastéis do Restelo, dos Jerónimos, do Bom Sucesso, dos Belenenses, etc.
Seja como for, é provavelmente das poucas guloseimas que se conseguiram implantar, com um mercado específico, já que os fregueses se deslocam mesmo à mais conhecida das pastelarias de “fornada constante” — a velha Fábrica de Belém — para os comprar e para se renderem deliciados à tentação de os ir provando antes mesmo de sair do recinto. E são produto de exportação com tratamento especial e embalagem cuidada.
É difícil resistir-lhes, já que os servem tradicionalmente quentinhos a sair do forno ou amornados (que frios já não se usam…)e nessa altura a combinação dos aromas da canela e da manteiga quente da massa folhada é intensa. Quem gosta, gosta mesmo muito. Além disso uma “bica” lisboeta com o pastel de nata é ainda hoje (em época de abstinências alimentares recomendadas pelos dietistas) uma bela combinacão!
Mas vejamos como surgiu o pastel de nata, antes de se chamar de Belém… Dizem as enciclopédias consultadas, e alguns livros de mestres vários, que o pastel de nata era um dos muitos mimos da doçaria a que se entregavam frades e freiras, nos intervalos das orações e do bem-fazer, sobretudo nos mosteiros e conventos da região de Lisboa, pelo menos no Largo Andaluz e em Marvila. A gastronomia e doçaria portuguesas devem aliás muito à criatividade monástica, pois que aos exímios monges e freiras, para além do estudo, das preces e penitências, sobejavam sempre tempo e gêneros alimentícios variados e suficientes para se dedicarem à invenção (e deglutição) de iguarias diversas. Mas não foi só em Portugal, porque de outros países europeus se poderá falar do mesmo modo.
Dos pastéis de Belém diz-se que o culpado, o responsável pela fuga do segredo – que o havia — para o lado de lá dos muros do mosteiro foi um frade dos Jerónimos, que, encarregado de abastecer a despensa do dito, se descaiu no meio de longa e desatenta conversa ao falar no assunto a um armazenista, “todo ouvidos”, junto ao Restelo aonde costumava fazer as compras
Provam os registos que o perspicaz armazenista foi logo a correr registar a patente em 1837 e abrir uma pastelaria e posto de venda na Rua de Belém, com adaptações feitas num velho edifício que já lá existia e onde é hoje a Fábrica dos Pastéis. Chamava-se ele Sebastião e guardou a sete chaves o segredo do frade, porque “no segredo está a alma do negócio” e porque, com ou sem patente, os riscos de cópia eram reais, pelo muito que estava em jogo. Tê-lo-á passado em exclusivo ao seu aprendiz de confiança, Abílio Soares, que também o guardou durante sete décadas, a trabalhar sozinho e com reconhecida dedicação fechando-se na fase mais sigilosa da preparação dos pastéis, até morrer.
Um genro de Abílio Soares é autodenominado herdeiro da verdadeira “receita antiga” do frade sendo na altura chefe-pasteleiro na fábrica de Belém. O segredo dos pastéis continua bem guardado, sendo muito poucos — os indispensáveis — que presentemente o conhecem, dentro e fora da fábrica. E todos juraram manter sigilo.
Com tanto risco a correr, e estando em causa um negócio tão rendoso, os pasteleiros, sendo poucos, funcionam em alternância e revezam-se no trabalho, para que o merecido descanso toque a todos. Fecham-se habitualmente na Oficina do Segredo, onde são feitos o recheio e a massa dos pastéis. É só depois que os ingredientes são trazidos para fora da sala, onde o resto dos ajudantes faz a sua parte: as mulheres forram as formas com pedacinhos de massa e os homens deitam o recheio e levam os tabuleiros ao forno. Os pastéis são feitos em largas doses para dar vazão ao consumo, mas são metidos no frigorífico e só são levados ao forno à medida das necessidades, a fim de que os fregueses os possam saborear “acabadinhos de cozer”.  Segredo e primazias? Talvez, mas nestas e noutras coisas o que funciona é sempre o gosto das gentes.  É isso que convence melhor o freguês e o faz regressar ao antro da tentação.  E o controversso pastel de nata lá vai arrastando consigo os gulosos.

o átrio de entrada da enorme fábrica dos Pastéis de Belém fundada em 1837

o responsável (em 1998) pelo fabrico dos afamados pastéis, chefe Eliseu Rodrigues, junto à “oficina do segredo”

Carnaval: em directo/ao vivo os desfiles das escolas de samba + vídeos

No link abaixo, assista no site da Rede Globo, em directo/ao vivo, os desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial de São Paulo que acontecem a partir das 23:00 horas de Sexta-Feira (20/Fev) e do Sábado.  Os desfiles terminam por volta das 07:00 hrs. da manhã. Façam as contas do fuso horário: Macau + 11 horas / EUA/Los Angeles: – (menos) 6 horas / Portugal + 2 horas / Austrália + 13 horas / Bruxelas: + 3 horas

http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2012/desfile-apuracao/cobertura/

Os desfiles do Rio de Janeiro começam mais ou menos às 22:00 horas de Domingo (22/Fev) e Segunda-Feira e terminam também por volta das 07:00 às 08:00 hrs. da manhã.

Nesta página ,você também pode ver os vídeos dos desfiles realizados em clips curtos e de grande beleza visual.  Vale a pena conhecer o verdadeiro Carnaval brasileiro.

Não esqueçam de ligar o som do próprio vídeo.  Passe o mouse/rato sobre ele e clique no alto-falante se estiver com um ‘x’.

Bom espectáculo e Bom Carnaval !!!

Vídeos do show musical de Charlie Santos Group

Charlie Santos, ou melhor, Canicha, ou melhor, Carlos Alberto da Silva Santos, já é um habitué das minhas postagens, e mais uma vez está aqui.  Na festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, o Charlie apresentou-se lá com a sua banda, e, não bastasse isso, contratou profissionais de vídeo para gravar o show, na qualidade vista em vídeos-clips na tv.  Essa dedicação dele é sempre de se admirar, ainda mais pela sua persistência, pois há anos vive pela música com bom investimento, simplesmente porque gosta e nada de ganhar dinheiro com isso, aliás gasta bem para esse seu hobbie.

Veja abaixo o resultado do excelente trabalho e a banda brasileira profissional que o Charlie tanto quis levar para Macau nos Encontros, mas, o custo que teria que arcar sózinho até agora inviabilizou o projeto:

Charlie Santos Group canta Eleanor Rigby (dos Beatles):

e, esta interpretação do Singin’ the Blues:

*Atualização em 22/02/2012: Veja o que o JTM falou a respeito

Macaense: uma conversa em patuá + 3 línguas

Que o macaense, nas suas conversas, mistura o português com  chinês e o inglês mais o patuá, é sabido!  Nem todos, digamos, mas uma parcela da nossa gente.  Eu, por exemplo, não faço isso.  Ainda mais que estudei no Seminário de São José: “o Padre iria dar um belo puxão de orelha pois lá isso era proibido.  Só era permitido falar o português”, hehehe!!!

A Mariazinha Conceição Lopes Carvalho, a nossa matriarca do patuá no Brasil e escritora genuína de várias peças em patuá, diversas já encenadas na Casa de Macau de São Paulo-CMSP, a meu pedido, desengavetou uma das suas obras do dialecto para comemorar a candidatura (praticamente) confirmada para Património Cultural Imaterial de Macau.  É um diálogo, já apresentado numa das festas da CMSP, no qual exemplifica bem como duas macaenses conversam, a misturar essas 3 línguas mais o patuá:

a foto é da peça teatral em patuá: O Passaporte, encenada na Casa de Macau de São Paulo em 2009.  Da esquerda: Armando Ritchie e Mariazinha Carvalho.  O video em 4 capítulos produzido pelo Projecto Memória Macaense pode ser visto no seu site ou no meu canal do You Tube

NÔS MAQUISTA-MAQUISTA (por Mariazinha Lopes Carvalho)

Nosôtro tudo, maquista-maquista ispalhado na mundo fora, quelóra ficá vêlo, virá-virá pensá, co coraçám chipido, ôlo mulado,  di nossa infância/juventude na Macau.  Pensá di nossa vóvó-vôvô, atio-atio, titi-titi, mamá-papá, amigo-amigo.  Qui tanto já vai-ia, qui saudádi! Di tanto qui já dessá nosôtro, ilôtro já pôde abrí unga “Casa de Macau de Céu” grándi qui grándi, bunito qui bunito nuncassã?.

Hoji, iou vêm pa abri ôlo di vosôtro tudo maquista-maquista. Uvi, prestá atençám. Vosôtro já pará pa pensá unchinho como nôs sã unga “raça” uide especial/singular/unique? Qui modo? Olá, quelóra pichote azinha-azinha nôs ta falá 4 lingu:  Português, Inglês, Chinês e Patuá, qui capaz! Qui ôtro genti têm estunga capacidadi?  Pa nôs sã uide fácil.  Qui  manéra? Dessá iou isplicá.  Nôs já nacê nunga terra qui sã di Portugal, têm vizinhança Ongcông qui sã di Inglaterra, cercado di china-china pa tudo vanda, nossa vóvó/vôvô falá patuá.  Nôs divéra têm sórti. Destunga manéra quelóra dôs maquista encontrá  nossa conversa certo lôgo virá unga chauchaulada.  Somente unga maquista pôde entendê ôtro maquista.    Olá!

“Carlota my dear friend, I haven´t seen you for a long time, how are you.”

“Olá Venância, estou bem graças a Deus.  E tu como estás de saúde?”

“M-hâi quêi chêng sân.  Iâu-si tâu-tông iâu-si tôu-tông.  Chân hâi má-fán.”

“Aia sâ assi-ia, vôs tamêm já ficá vêla-ia, dói aqui, dói ali.” 

Têm maquista inda más  capaz, falá 4 lingu nunga só tacada (frase).  Querê uví? 

“Ontem  encontrei com a minha amiga Malichai no Shopping.  Qui medónha, cara marelo, ôlo patucado.  I was really shocked. I have never seen her like this before.  Chân hâi iâm kông.”

Assi iou-sa amigo-amigo maquista ispalhado na tudo vanda di mundo, lembrá, nôs sã genti di sorti porque já nacê na Macau.  Si alguém perguntá “quim sã vôs?”, respondê  co pêto inchido di orgulho: “Nôs sã MAQUISTA”.

Nota: Faça qualquer coisa em favor do patuá.  É como se diz, qualquer iniciativa para divulgar o patuá sempre irá contribuir para que seja reconhecido como Património Cultural Imaterial, pois o mantém em evidência para convencer que não está morto mas bem ativo, mesmo que seja uma candidatura do Teatro Maquista, em patuá. Aqui a gente procurar fazer a nossa parte!

Candidaturas do Teatro Maquista e da Gastronomia Macaense: saiba mais …

No site do Museu de Macau (link abaixo) pode-se ver os vídeos e os boletins de inscrição em arquivo pdf do Teatro Maquista (Teatro em Patuá) e da Gastronomia Macaense.  Nesses boletins são expostos os motivos para as candidaturas a Património Cultural Imaterial de Macau:

http://www.macaumuseum.gov.mo/macauheritage/HeritageShowTime2012_port.htm

Logo mais abaixo da página do site, há uma mensagem para o qual solicito especial atenção e reproduzo aqui.  A consulta popular, pelo visto, é limitada aos “residentes locais (de Macau)”, pelo que se faz aqui um apelo aos qualificados para tal,  para que escrevam e manifestem seu apoio para essas candidaturas macaenses.  Eis o que consta do site referente ao assunto:

“Os residentes locais que tenham alguma opinião ou objecção em relação às candidaturas ou às suas avaliações, podem fazer o seu envio por correio ou por fax (no. 2835 8503) ou a entrega em mão, de um documento escrito relatando as suas razões e fundamentos para o Museu de Macau (endereço: Praceta do Museu de Macau, Nº 112, indicando no envelope a designação “Opinião sobre as candidaturas ao Património Cultural Imaterial”), antes do termo do prazo da consulta. Toda a correspondência deve indicar o remetente, o seu endereço, telefone e forma preferida de contacto, de forma a permitir que o Instituto Cultural possa processar o assunto e emitir as recomendações adequadas. Em caso de dúvidas é favor de visitar o sítio de internet do Museu de Macau no endereço: www.macaumuseum.gov.mo ou de contactar o Sr. Tou através do telefone 8394 1209.”

A Mariazinha Conceição Carvalho, do Teatro Maquista de São Paulo, escreve uma mensagem em Patuá saudando as candidaturas:

“Co pêto inchido di orgulho , iou ta da unga grandi ucho pa vôs, “Parabens”.  Di tanto lutá já ficá aprovado “Gastronomia Macaense e Teatro em Patua”  a Patrimonio Cultural Imaterial de Macau.  Nôs tudo qui sã “amante” di patuá ta uide filiz juntado co vôs e tudo genti di “Dóci Papiaçám di Macau”.

Mariazinha Carvalho e Armando Ritchie na peça do Teatro Maquista de São Paulo (Teatro em Patuá) de ‘Futebol’ em Julho de 2011 na Casa de Macau de São Paulo (fotografia de Rosa Cruz)

Nesta foto, Mariazinha Carvalho fez uma interpretação em Patuá com Pedro Almeida ‘Mensagem de Fé e Esperança‘, na Festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, cujo vídeo pode ser visto na postagem deste blog. É de se louvar o apoio da Casa de S.Paulo para o Patuá.

A história de fundação de Macau, segundo Padre Teixeira

Perspectiva de Macau, 1598 (Th. De Bry)

No Caderno – Primórdios de Macau – Padre Manuel Teixeira escreve a sua versão sobre a Fundação de Macau, que, segundo ele, custou-lhe 4 décadas de procura por uma solução do mistério da origem de Macau.  E a conclusão foi essa:

FUNDAÇÃO DE MACAU (por Padre Manuel Teixeira)
Há cerca de quatro décadas que procuramos ansiosamente a solução de um mistério: qual a origem de Macau? Uma tradição quadrissecular afirma que Macau foi concedido aos portugueses em 1557, como prêmio pela repressão de piratas chineses que infestavam os mares da China do sul.
Mas, depois do exame atento dos documentos chineses e portugueses e de todas as versões até hoje apresentadas, chegámos às seguintes conclusões:
1.  Os portugueses estabeleceram-se em Macau à roda de 1557 para comerciar com os chineses, com o conhecimento e consentimento destes;
2.  Este estabelecimento não foi o prêmio de batalha alguma;
3.  Deu-se realmente um encontro com os piratas, não em 1557 mas em 1564;
4.  Este encontro com os piratas em 1564 veio confirmar a posse de Macau pelos portugueses;
5.  Tendo-se confundido estes dois acontecimentos, antecipou-se para 1557 o incidente de 1564 e daqui nasceu a tradição de que Macau foi concedido em 1557, como recompensa pela vitória contra os piratas;
6.  Não houve chapa alguma imperial pela qual fosse reconhecida oficialmente a posse de Macau.
O que realmente se deu foi o seguinte: os portugueses pretendiam comerciar com a China, mas esta estava hermeticamente fechada aos estrangeiros; houve que recorrer ao comércio de contrabando.
Tendo falhado as tentativas de Liampó (Ningpó), província de Chekiang e de Chincheo (Ch’uan-Chau), província de Fukien, os nossos comerciantes vieram para a ilha de Sanchoão (Seung-Chuan ou Seung-Chuen), província de Cantão, onde comerciaram até 1553, e para a ilha de Lampacao (Lam-Pak-Kau), província de Kuangtung, onde estiveram até 1560. No entanto, já desde 1555 freqüentavam Macau e, como verificaram ter melhor clima, abandonaram Lampacao em 1560 e continuaram em Macau, agora com a tolerância das autoridades de Cantão.
Aqui, como nas outras localidades, levantavam barracas provisórias. Concorriam ao comércio os chineses do continente e, sobretudo, os de Cantão. Terminado este, destruíam as barracas e regressavam a Malaca. Mas, pouco a pouco, foram-se fixando em Macau com o consentimento dos chineses, que tiravam lucro do negócio com os estrangeiros.
Em 1564, com a derrota dos piratas, os chineses não mais incomodaram os portugueses.

Perspectiva de Macau, 1626 (John Spencer)

Porto de Macau, gravura de 1641 do Livro das Plantas das Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental

Portugal, visite seus museus virtualmente

Mosteiro dos Jerónimos  (fotografia de Rogério P.D. Luz)

Graças à tecnologia atual, podemos fazer uma visita virtual dos museus, mosteiros e castelos de Portugal.  Nos links abaixo, você tem uma visão em 360° dos locais e seus diversos ambientes.  Bom passeio !!!

Nota: a) conforme a capacidade da sua conexão em banda larga, pode demorar um pouco o carregamento das imagens; b) no canto inferior esquerdo, clique para ver outros ambientes; c) clicando na seta < ou > você faz um giro de 360°

1) Links diretos

Mosteiro dos Jerónimos – Lisboa

http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=75047666-4597-4a28-ae77-9b7567c4732b

Convento de Cristo – Tomar

http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=82e66d80-439e-4f29-bc9b-576e98efee57

Mosteiro da Batalha

http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=42bb5d98-e786-4f02-bb5f-2aa349af28dd

Mosteiro de Alcobaça

http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=c26617b5-acd3-422e-998f-5bd163a99efc

2) link’s indiretos :
Depois de entrar na página, clique em Visita Virtual no lado direito superior:

Fortaleza de Sagres

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Fortaleza_Sagres.aspx

Mosteiro Santa Clara Velha – Coimbra

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Mosteiro_Santa_Clara_Velha.aspx

Mosteiro de São Martinho Tibães – Braga

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Monumentos/Pages/Mosteiro_Sao_Martinho_Tibaes.aspx

Museu Grão Vasco – Viseu

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_Grao_Vasco.aspx

Museu Nacional do Azulejo – Lisboa

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_Nacional_Azulejo.aspx

Museu Nacional de Arte Antiga – Lisboa

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Museus/Pages/M_nacional_arte_antiga.aspx

Palácio Nacional da Ajuda – Lisboa

http://www.culturaonline.pt/MuseusMonumentos/Palacios/Pages/PN_Ajuda.aspx

Poesias de Camilo Pessanha

Camilo Pessanha tirou o curso de direito em Coimbra. Procurador Régio em Mirandela (1892), advogado em Óbidos, em 1894, transfere-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado, em 1900, conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a Fernando Pessoa que era, como Mário de Sá-Carneiro, apreciador da sua poesia.
Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969.
Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. Camilo Pessanha morreu no dia 1 de Março de 1926 em Macau. (Wikipédia)

fotografias de Rogério P.D. Luz

Viola Chinesa
Ao longo da viola morosa
 Vai adormecendo a parlenda,
 Sem que, amadornado, eu atenda
 A lengalenga fastidiosa.
Sem que o meu coração se prenda,
 Enquanto, nasal, minuciosa,
 Ao longo da viola morosa,
 Vai adormecendo a parlenda.
Mas que cicatriz melindrosa
 Há nele, que essa viola ofenda
 E faz que as asitas distenda
 Numa agitação dolorosa?
Ao longo da viola, morosa ...

Singra o navio. Sob a água clara
 Vê-se o fundo do mar, de areia fina ...
 - Impecável figura peregrina.
 A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
 Conchinhas tenuemente cor-de-rosa,
 Na fria transparência luminosa
 Repousam, fundos, sob a água plana
E a vista sonda, reconstrui, compara.
 Tantos naufrágios, perdições, destroços!
 - Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira ...
 Dentinhos que o vaivém desengastara ...
 Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos ...

Morre Whitney Houston aos 48 anos

Assistimos o filme “O Guarda-Costa (The Bodyguard)” no qual o seu guarda-costa a salva de perigos e atentados contra a sua vida, mas … desta vez, ele não a conseguiu salvar.  Morreu Whitney Houston, uma notícia que vai se desenrolar com apuração da causa.

Veja o vídeo dela cantando – I Will Always Love You – a canção que nos marcou muito com a sua possante e bela voz.  Descanse em paz, Whitney,  com a sua bela canção que nos fará sempre lembrar de você:

Desfile de Moda no Encontro Macau 2004

No Encontro das Comunidades Macaenses – Macau 2004, pudemos assistir a um desfile de moda do renomado estilista macaense: Paulo de Senna Fernandes na Torre de Macau, no jantar oferecido pelo Chefe do Executivo da RAEM em 29/Novembro.  O estilista Paulo, conforme o artigo publicado no jornal Hoje Macau de 15/Nov/2011 (vide mais abaixo), é fundador e presidente da AMM-Associação Moda Macau e sonha em promover o Macau Fashion Week, como já acontece em várias partes do mundo, a exemplo do SPFW-São Paulo Fashion Week, que recentemente aconteceu no Pavilhão da Bienal a mostrar a moda para o próximo inverno brasileiro.

Quando posso, ou consigo credencial de imprensa, embora não o seja, gosto de fotografar desfiles de moda, mas faz bom tempo que fiz o meu último trabalho.  Aprecio o ambiente, o chique e a beleza feminina.  Um dia ainda irei fotografar os desfiles da  SPFW ou quem sabe, de Macau.  Enquanto isso, veja os meus álbuns de fotografia de desfiles de moda (clicar nos textos para acessar): Fenit 2008 e Fenit 2007.

Em 2004, fiz as fotos abaixo quando a minha máquina fotográfica ainda era bem simples e estava mal posicionado pelo espaço disponível.  Depois das fotos, veja o artigo do jornal:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal Hoje Macau 15/11/2011

Agora Macau Sã Assi (é assim) ???!!!

Circulam pela Internet, através de e-mails entre macaenses, 3 fotos que mostram Macau lotada … não … lotadíssima … não … põe mais e mais nisso .. excessivamente lotada de gente … sabe o que é trânsito congestionado/engarrafado, daqueles que você desliga o motor e sai do carro pois não anda … é algo assim.  Se fosse eu, talvez parava num restaurante, se pudesse entrar, é óbvio, almoçava, tomava um ice cream, um café, e quem sabe, depois ao sair ainda encontrava os mesmos gajos/caras no mesmo lugar … hehehe!!!

Pela decoração da rua, penso que foi no Ano Novo Chinês, como aventou um dos macaenses ‘repassadores’ de e-mail.  Um deles comentava “acho isto extremamente assustador: 20 minutos do BNU até os Correios (talvez uns 200 metros, ou 1 minuto para percorrer 10 metros)”.  Outro atribui ao excesso de turistas vindo do Continente da China, acrescentando que já é difícil circular pelo Largo Senado, entrar na Farmácia Popular ou no Watson’s, e que em Hong Kong (talvez a imprensa) classifica isto como uma ‘praga de gafanhotos (com o devido respeito às pessoas, quais sejam elas e a origem, apenas uma forma de expressão, asim entendi o escrito)”.  E nos emails o assunto é “Agora, Macau Sã Assi … assustador”.

De fato, na última viagem que fiz em 2010, percebi um excesso de pessoas na região central, Largo do Senado e adjacências, e nas Ruínas de São Paulo, o que me fez evitar esses locais durante o dia e especialmente nos fins de semana.  Agora, se eu tinha vontade de ir a Macau no Ano Novo Chinês … pode esquecer … ‘nem morto’ !!! E ao amigo Api, lembras da sua canção Macau, neste trecho: “Macau … trazes a lembrança de uma quinta … és tranquila e bonita, símbolo da paz …” ??? Bom, está certo, eram os anos 60 e 70 …

1) O Largo do Senado decorado para o Ano Novo Chinês (?)

2) Isso me parece a ladeira que leva às Ruínasde São Paulo (?) … simplemente absurdo alguém se conformar em ficar neste congestionamento/engarrafamento de gente … 3) Aqui é aquela escadaria que leva à Catedral da Sé, ou a Av. Almeida Ribeiro (teria sido mais inteligente ir para o outro lado da calçada, mais livre … também … ou então subir as escadarias e descer atrás dos Correios .. aiaiai):

Gastronomia Macaense e Patuá: candidaturas (pré) aprovadas p/Património Imaterial

Foi uma dura ‘batalha’, mas enfim, as candidaturas da Gastronomia Macaense e do Teatro em Patuá (perceba que não é o dialecto patuá em si, mas a forma como é apresentada em Teatro) foram aprovadas por um júri escolhido pelo Museu de Macau, juntamente com outras duas abaixo especificadas na reportagem. Agora seguem para uma ‘consulta pública’.

Diante disso, vamos todos oferecer o nosso apoio para que no final tudo dê certo e tenhamos essas candidaturas plenamente aprovadas.  O site Projecto Memória Macaense e o blog Crónicas Macaenses dão o seu apoio.

Veja como o Jornal Tribuna de Macau, edição de 09/Fev, publicou a respeito:

Redação em português premiada pela UNESCO

Agradecendo a informação de Dr. Jorge Rangel, publico abaixo a redação em português vencedora do concurso promovido pela UNESCO do Brasil e A Folha Dirigida cujo tema foi: Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade.  Foram recebidas 41.329 inscrições, das quais, 100 textos foram selecionados para compor a coletânea da imagem acima e que podem ser lidos no arquivo em PDF abaixo (clicar no texto), no qual, há tradução para o inglês e francês:

Coletanea 100 Textos de Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade

A autora e vencedora do concurso de redação foi a estudante carioca de 26 anos: Clarice Zeitel Vianna Silva da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro/Brasil. O blog do UOL assim a classificou: “Imperdível para os amantes da Língua Portuguesa, e, claro, também para professores.  Isso é o que se chama de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases“.

Leia abaixo a redação premiada:

‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.  O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!  A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?   Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos …
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

Clarice Zeitel Vianna Silva

 

Bolero de Ravel no filme de Claude Lelouch, lindo!!!

Sou um eterno fã (fan) dos filmes de Claude Lelouch, diretor francês dos marcantes Um Homem e Uma Mulher e Viver por Viver, sem falar no Retratos da Vida (Les Uns et Les Autres), motivo desta postagem.  Achei o DVD na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br) que vendia um kit com outro video do Viver por Viver.  A sensibilidade do diretor é incrível nas imagens e a fotografia.  Não se preocupa muito com diálogos, as imagens, cenas e gestos dizem tudo.  Até nos leva a um mundo imaginário.  A música da orquestra de Francis Lai e de Michel Legrand neste e noutros filmes é fantástica, simplemente emocionante. Os meus vídeos sob a sigla do Projecto Memória Macaense se inspiram no Claude Lelouch.

O vídeo que publico abaixo, é da última parte do filme com Jorge Donn numa coreogafia incrível a dançar ao som do Bolero de Ravel.  Não precisa dizer que a música é líndissima e emociona sempre.  Evolui lentamente para nos dar tempo para refletir sobre a vida.

O filme conta a saga de 4 famílias durante e após a 2ª Guerra Mundial, e que se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da música e do drama.  Intermediando as cenas da dança, Claude Lelouch sensibiliza ao mostrar os personagens do drama no conforto dos seus lares ou na platéia, a trocar olhares como se estivessem a rever as suas vidas até aquele estágio.

Assisti esta parte umas 4 vezes e pús-me também a refletir sobre a saga da Diáspora Macaense.  Ao som do Bolero de Ravel e a dança de Jorge Donn, fiquei a pensar na nossa saga, ao deixar a amada terra e nos meter num mundo desconhecido e enfrentar dificuldades desconhecidas.  Naquele tempo, as nossas viagens se limitavam a Hong Kong, Taipa e Coloane.  Não era que nem hoje, que pegar o avião e visitar outros países é coisa simples.  Eu e como muitos conterrâneos enfrentamos dficuldades na adaptação aos países de acolhimento.  Foi uma dura trajetória até chegarmos aos dias de hoje. Assim, aos Macaenses da Diáspora, se me permitem, queria dedicar este vídeo para nós.  Assistam e relembrem a trilha da sua vida fora da terra de origem:

Nossa Senhora de Fátima: filme e documentário

O Rui Francisco enviou-me um link para o vídeo/documentário no YouTube: “Fátima, revelações dos segredos aos videntes Lúcia, Francisco e Jacinta” produzido por um blog brasileiro “As Aparições de Jacareí (Estado de São Paulo/Brasil)” com narrativa sobre o milagre de Fátima:

Na coluna ao lado do vídeo há outros links para diversos vídeos sobre Fátima, entre eles, um filme americano “O Milagre de Nossa Senhora de Fátima” dublado em português.  Como um devoto de N.S. de Fátima, sinto-me feliz por poder c ompatilhá-los com vocês numa publicação própria. Visitei Fátima em 1996 e é uma promessa para mim retornar ao Santuário em Portugal.  Logo lhes falarei do Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, no Brasil, onde já estive 3 vezes e produzi muitas imagens para tentar transmitir a religiosidade que se sente no ar,  uma imensa paz de espírito: