Camilo Pessanha tirou o curso de direito em Coimbra. Procurador Régio em Mirandela (1892), advogado em Óbidos, em 1894, tr
ansfere-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado, em 1900, conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a Fernando Pessoa que era, como Mário de Sá-Carneiro, apreciador da sua poesia.
Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969.
Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. Camilo Pessanha morreu no dia 1 de Março de 1926 em Macau. (Wikipédia)
fotografias de Rogério P.D. Luz
Viola Chinesa
Ao longo da viola morosa Vai adormecendo a parlenda, Sem que, amadornado, eu atenda A lengalenga fastidiosa. Sem que o meu coração se prenda, Enquanto, nasal, minuciosa, Ao longo da viola morosa, Vai adormecendo a parlenda. Mas que cicatriz melindrosa Há nele, que essa viola ofenda E faz que as asitas distenda Numa agitação dolorosa? Ao longo da viola, morosa ...
Singra o navio. Sob a água clara Vê-se o fundo do mar, de areia fina ... - Impecável figura peregrina. A distância sem fim que nos separa! Seixinhos da mais alva porcelana, Conchinhas tenuemente cor-de-rosa, Na fria transparência luminosa Repousam, fundos, sob a água plana E a vista sonda, reconstrui, compara. Tantos naufrágios, perdições, destroços! - Ó fúlgida visão, linda mentira! Róseas unhinhas que a maré partira ... Dentinhos que o vaivém desengastara ... Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos ...

