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Redação em português premiada pela UNESCO

Agradecendo a informação de Dr. Jorge Rangel, publico abaixo a redação em português vencedora do concurso promovido pela UNESCO do Brasil e A Folha Dirigida cujo tema foi: Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade.  Foram recebidas 41.329 inscrições, das quais, 100 textos foram selecionados para compor a coletânea da imagem acima e que podem ser lidos no arquivo em PDF abaixo (clicar no texto), no qual, há tradução para o inglês e francês:

Coletanea 100 Textos de Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade

A autora e vencedora do concurso de redação foi a estudante carioca de 26 anos: Clarice Zeitel Vianna Silva da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro/Brasil. O blog do UOL assim a classificou: “Imperdível para os amantes da Língua Portuguesa, e, claro, também para professores.  Isso é o que se chama de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases“.

Leia abaixo a redação premiada:

‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.  O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!  A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?   Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos …
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

Clarice Zeitel Vianna Silva

 

A língua portuguesa morre aos poucos em Macau?

A entrevista(vide abaixo) concedida ao Jornal Tribuna Macau por Frederico Martins e Eduardo Ambrósio, meus amigos desde os tempos de juventude em Macau e no Seminário de São José, é oportuna para questionar: a língua portuguesa morre aos poucos em Macau?.  O Frederico alerta que certa parcela dos macaenses residentes em Macau não estão a se preocupar com o aprendizado da língua portuguesa por seus filhos.  Hoje se se preocupam a estudar o mandarim e o inglês, compreensível, pois Macau foi devolvida para a China e a língua inglesa praticamente é um item obrigatório no curriculum escolar, e com isso, já que os portugueses deixaram a administração da território, não há mais preocupação em aprender o português e nem praticá-lo.

Já faz algum tempo que percebo nas minhas viagens a Macau, apesar de pouca frequência, que se prefere falar aquelas duas línguas que o português, tanto por conveniência, preferência, convivências, etc etc. Não sei exatamente dizer se isso já ocorre, mesmo antes da transição, mas quer me parecer que sim, e que talvez tenha evoluído após Macau ter se tornado um território chinês.

Fico aqui a pensar que se falamos em preservar a cultura macaense, a gastronomia, o patoá, não deveriamos também falar na preservação da língua portuguesa no meio macaense? Como podemos tomar estas atitudes e iniciativas desprezando a nossa língua mãe? Afinal a existência e a definição do macaense está estritamente ligada a ela. Até seria favorável que se houvesse um movimento sensato e racional em sua defesa e preservação no meio macaense.

Seria cómico se não fosse trágico pensarmos que no continente da China, há muitos chineses a estudar a língua portuguesa já de olho na evolução dos negócios com países lusófonos, tal como o Brasil que é um dos seus principais parceiros comerciais, e quem sabe seriam os seus salvadores em Macau, ou numa situação hipotética, pelos chineses residentes no Brasil, nos seus 200 mil ou mais, que já arranham o português ou o falam com certa fluência. Até seria muito triste pensar que, enquanto os chineses avançam no seu aprendizado, os macaenses vão desaprendendo a sua língua mãe???!!!

Veja então a citada entrevista e um apelo – VISTA A CAMISA DA LÍNGUA PORTUGUESA EM MACAU.  NÃO DEIXE-A MORRER NA NOSSA TERRA!!!

(clique na imagem para ampliar)

Conferência sobre a Língua Portuguesa?

Nos Encontros vemos, Conferência sobre o Patúa, Conferência  sobre a Gastronomia, e … que tal se houvesse uma Conferência sobre a Língua Portuguesa principalmente dirigida à comunidade macaense de língua inglesa? Uma conferência para destacar a importância da língua portuguesa como um legado a ser preservado.

Pois se falamos em preservar as nossas raízes, nossa cultura, “our heritage”, etc., então tudo isso tem que necessariamente passar pela língua portuguesa, que é a origem de tudo isso.  Se existe esta Macau de Encontros, é porque os portugueses, que falam o português, lá estiveram em Macau e criaram essas raízes ao longo dos 420 anos.

Temos que reconhecer que os falantes da língua inglesa, lá tiveram as suas origens em localidades em que não lhes foi proporcionado condições para o aprendizado do português, ou então, muitos perderam a prática por falta de uso (disso lamento do meu cantonense, mas esforço-me a relembrar …).  Daí, se o patuá é pitoresco para muitos, então o português também pode ser!  Talvez cultivasse o belo da nossa língua portuguesa e explicar a sua importância na preservação do nosso “heritage”.

Sobre isso, tive a sensação de estar numa espécie de “Torre de Babel” numa das conferências em que, 2 palestrantes falaram em português – muitos não entenderam!  Daí outros 2 palestrantes falaram em inglês – outros não entenderam – talvez menos, pois os de língua portuguesa, em grande parte, são bilingues, nem que, mais ou menos!

Um caso para se pensar a respeito, para sermos honestos conosco, quando falamos em “preservar” e esquecemos que temos que preservar a língua portuguesa!

A nossa Língua Portuguesa tão sofrida

Estava a dizer que faria aqui os comentários do Encontro. Ainda não os fiz e andei meio ausente daqui, mas farei.

O que me leva a vir aqui com uma nova postagem, é o que viram no quadro “um apoio, um apelo” no meu portal Projecto Memória Macaense.

Talvez muitos me perguntam do motivo de apegar-me tanto na defesa da língua portuguesa no nosso meio macaense.

Vem de longe meus amigos e minhas amigas !!! Penso que “ser macaense” ou fazer parte da comunidade macaense, é antes de tudo, reconhecer e respeitar as nossas origens.

Como falar que as defende, que luta para preservá-las, que se preocupa com a continuidade das nossas tradições e cultura, sem falar no tão falado, continuidade das Casas de Macau, se, a primeira coisa que se faz, é dar um “tiro” na sua principal origem, a língua portuguesa falada pelos portugueses que chegaram a Macau, há cerca de 440 ou 450 anos (tanto faz)? Estariamos sendo honestos quando batemos no peito e falamos tais coisas?

Por outro lado, vejo um contraste e tanto, até penso que andamos na contramão no curso da política da RAEM, isto é, da RPC.

Vimos acontecer na RAEM ou Macau, como queiram, mas neste caso, seria a RAEM mesmo pela situação política do evento, os 1ºs Jogos da Lusofonia em 2006. Isto não aconteceu na administração portuguesa, mas sim, nos novos tempos de Macau, pós transição. Estive lá e como relatei numa outra postagem, na sala de imprensa no Estádio de Macau, assisti a uma conversa entre dois jovens chineses, em português, num esforço para praticar a fala da nossa língua. Comentava orgulhoso um deles “nós macaenses …”. Emocionei-me ao ver o esforço do jovem que parecia pensar, “se falo português, posso me considerar macaense” (não precisava disso, meu caro jovem, pensava comigo). Ainda comentava ele que lamentava que, em Macau, havia pouco interesse da população em aprender o português, coisa que não acontecia na RPC, no continente.

De facto, leio nas notícias que há um grande interesse na China para o aprendizado do português, dado às iniciativas do País em desenvolver relações comerciais ou não, com Países de Língua Portuguesa.
Agora pensem comigo, os chineses se esforçam para aprender o português para poderem se entender com os Países Lusófonos, e nós macaenses ??? O que fazemos com a nossa língua portuguesa? O que fazemos para retribuir ao nobre gesto da RAEM de manter a língua portuguesa como a 2a. língua oficial da cidade? Qual o nosso esforço para retribuir a uma Nação que soube apoiar os nossos Encontros, coisa que nunca esperavamos, e essa Nação, a RPC, procura estreitar relações com Países que falam o português, no Brasil, são cerca de 200 milhões ???
Será que certa ala de macaenses não estão na contramão das iniciativas da RPC, quando sugerem que se deixe de falar o português para certas conveniências? E depois vamos pedir apoio da RPC às nossas iniciativas, quando não apoiamos as dela com certos gestos? Será que não está aí a falta de alguma coerência? Será que estamos cometendo o nosso suicídio? Será que os próprios macaenses não estariam procendendo para a extinção da sua raça? Não falo de forma genérica, pois sei que muitos compartilham com as minhas preocupações e questionamentos.
Estas questões passam pela minha cabeça e tenho as minhas respostas, que prefiro não torná-las públicas.

Assim, um apelo meu! Respeitem a nossa língua portuguesa! Procurem soluções, mas não aquela de exterminar o português de eventos que, pasmem, procuram transmitir aos jovens a nossa cultura, as nossas tradições, as nossas origens, etc., mas na contramão, dizer a eles que a língua é o que menos importa e que seja aquela que mais convém. Pois não basta aqueles “pobres” jovens falantes do português, e que não dominam o inglês, ficar a chupar os dedos e procurar entender o porque do desprezo da sua língua nativa em eventos de 2007.
Infelizmente, não posso fechar os olhos e dizer “deixa pra lá, não esquente a cabeça”, se ouço comentários a respeito. Não se pode pensar que Portugal e Brasil são países (onde se fala o português) de 3º mundo, portanto …, pois a RPC não pensa assim !!!