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Charlie Santos na Música Popular Macaense

 CASA DE MACAU (versão 2010)

Charlie Sntos na Casa de Macau de São Paulo, Natal de 2011

Charlie Santos de nome artístico, também conhecido pelos amigos e familiares de Canicha, chama-se Carlos Alberto da Silva Santos e nasceu em Lisboa, mas macaense de formação.  Seu pai natural de Lisboa e sua mãe de Macau, nasceu em Portugal quando seus pais, oriundos de Macau, foram lá viver.  Em 1953, retornaram para Macau, onde Canicha viveu a sua juventude apreciando as músicas pop, inglesas e americanas, dos anos 50 e principalmente de 60 e já começava a tocar violão em 1963.  Pouco depois de aprender seus primeiros acordes, já com alguma prática, brincava de inventar suas próprias canções.

Em Dezembro de 1967, emigrou para o Brasil em companhia do autor deste blog, a bordo do navio holandês MV Tchitchalenka numa viagem de 48 dias, incluindo paradas em vários portos da Ásia, África e finalmente Santos, tendo antes parado no Rio de Janeiro.  Logo no ano seguinte, em 1968 já compunha a sua primeira canção em inglês “All I Wanna Do is Cry”.  Em 1992, conseguiu, com recursos próprios, gravar um CD com músicas de composições próprias, nelas incluindo a famosa canção no meio da Comunidade Macaense mundial - Casa de Macau – que teve várias versões, inclusive uma acústica e mais melodiosa.

Depois do primeiro CD, Canicha não parou mais de gravar discos, sempre com recursos próprios, uma sina de vários músicos macaenses por falta de apoio ou de quem se interessasse a oferecer apoio para a cultura expressa em música, preferencialmente direcionada para outras áreas.  Formado na geração dos anos 60, em que os macaenses preferiam a música inglesa e americana, assim denominada de Pop Music, quase a totalidade delas são no estilo e cantadas em inglês.  Porém três composições em português fizeram parte do seu repertório, duas delas aqui reproduzidas: Casa de Macau (versão de 2010) e Lembranças.

Charlie Santos que conta com um conjunto musical profissional, de alta nível, ensaia quase que semanalmente num estúdio, sempre visando a gravação de músicas Pop dos tempos da sua juventude.  E em Maio de 2012, já dizia ao autor deste blog que se preparava para lançar novo disco, dentre de inúmeros porém não comerciais.  Charlie faz o seu investimento na música meramente por gostar e sentir-se realizado, como se estivesse a procurar satisfazer esse seu hobbie insaciável.  Seria algo como muitos gostariam: poder fazer o que gosta.  E que bom que o Canicha, ou Charlie Santos, consegue ter essa satisfação, ainda fazendo bem o que gosta.

Charlie Santos e o seu conjunto na Casa de Macau de São Paulo – Natal 2011

Seu site

www.charliesantos.com.br

Ouçam abaixo a canção Lembranças, sua composição:

Charlie Santos fez sucesso no Encontro das Comunidades Macaenses 2010 em Macau

Dia de Nossa Senhora de Fátima em Macau, 2012

Novamente em Macau, vimos a repetição de uma tradição que perdura há 83 anos com a procissão de Nossa Senhora de Fátima no dia 13 de Maio.  Não canso de publicar esta notícia anualmente, pois para um macaense da diáspora que, como tantos outros que emigraram para outros países com temor de um suposto futuro sombrio de Macau, ora pela transição da soberania dos portugueses para a China, ora pelos acontecimentos na terra consequentes da revolução cultural da era Mao, é um grande alívio ver que essas avaliações sinistras não vingaram.  E quero acreditar na sensatez pela manutenção do sistema atual de Um País, Dois Sistemas, que permitiu a Macau manter um status diferente das cidades do continente chinês, tal como a Procissão de Nossa Senhora de Fátima o que traduz em tolerância e liberdade religiosa nessa Cidade do Santo Nome de Deus – Macau. Bem haja o bom senso dos governantes e mandatários, e o respeito pelo acordo de transição da soberania.

A procissão que percorre cerca de 2 quilometros da Igreja de São Domingos, na parte baixa da cidade, até a Ermida da Penha, igreja localizada  no topo de uma colina, é com certeza uma daquelas de maior percurso, se não a única.  Vejam abaixo o que o Jornal Tribuna de Macau (www.jtm.com.mo) publicou a respeito na sua edição de 14 de Maio, e depois veja o vídeo publicado no You Tube (obrigado Jorge Coimbra/Portugal pelo link).  As fotos também são do jornal:

A procissão inicia-se na Igreja de São Domingos

JORNAL TRIBUNA DE MACAU – edição de 14/05/2012 – por Pedro André Santos

FÉ ENCHEU RUAS DA CIDADE RUMO À PENHA

A comunidade católica de Macau voltou a encher ontem as ruas da cidade para assistir e participar na procissão de Nossa Senhora de Fátima que, como é habitual, percorreu as ruas entre a igreja de São Domingos e a ermida da Penha

A Igreja de São Domingos voltou a ser o ponto de partida para a peregrinação da Procissão de Nossa Senhora de Fátima de 13 de Maio, reunindo não apenas fiéis como também turistas e alguns curiosos que não se mostravam indiferentes às rezas em coro e em várias línguas.

Cerca das 18 horas começou a missa dentro da igreja complemente cheia, enquanto outros tantos aguardavam cá fora pelo início da caminhada. Se grande parte da multidão era constituída por fiéis que acompanham as celebrações há muito tempo, havia outros que se estreavam. “Sei que é uma festividade importante em Macau e por isso queria participar. Apesar de não ser católica gosto de ver a tradição em Macau”, afirmou ao JTM May, uma jovem residente do território.

Foram cerca de três milhares os fiéis que, entoando cânticos de louvor, vieram para a rua, depois da celebração da missa em São Domingos, percorreram a baixa da cidade, e rumaram ao monte da Penha, já depois do pôr-do-sol. A imagem de Nossa Senhora, rodeada de flores, era transportada por “meninas da Congregação de Fátima”, seguindo-se um “mar” de gente de todas as idades que fizeram questão de participar num dos momentos religiosos mais marcantes no território.

O caminho ainda é longo e custa mais com a temperatura que se fez sentir, mas para alguns existem forças que acabam por tornar tudo mais fácil. “É a fé. É sentirmo-nos bem numa espécie de recolhimento” afirmou Maria de Lurdes, uma portuguesa de 80 anos radicada em Macau durante mais de metade da sua vida. “Venho sozinha e aproveito para fazer rezas aos meus entes queridos que já partiram”, acrescentou ao JTM.

Em toada lenta mas ritmada fez-se o resto do percurso pela Avenida da Praia Grande até à ermida da Penha, um dos pontos mais altos da cidade, com uma multiculturalidade bem patente nos cânticos entoados em três línguas: português, inglês e chinês.

A fé católica acaba por ser o grande elo de ligação entre os muitos presentes na procissão que conta sempre com uma comunidade muito devota. “É um dia com um significado muito relevante, para as pessoas mostrarem o seu amor. É muito importante para a fé católica”, afirmou ao JTM a Irmã Jenny, das Filipinas.

Igreja de São Domingos, missa antes do início da procissão

UM LEGADO DA COMUNIDADE PORTUGUESA

 A comunidade portuguesa continua a deixar bem vincada a sua presença nas celebrações religiosas, com destaque para a procissão de ontem, mas não só. “A Procissão de Nossa Senhora de Fátima e a Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos, antes da Quaresma, representam os momentos mais fortes a nível religioso em Macau. É sempre um evento que tem muita gente presente, há pessoas que vêm de Hong Kong de propósito. Não sei dizer qual das comunidades traz mais gente, mas a comunidade portuguesa é sempre devota”, afirmou ao JTM o padre Albino Pais.

Uma opinião, de resto, também partilhada pelo padre Luís Sequeira, sublinhando a importância da multiculturalidade do 13 de Maio. “As pessoas responsáveis têm juntado ao português-macaense a comunidade chinesa, participando com mais padres chineses também. O terço é já feito em três línguas também, português, inglês, e chinês, representando uma afirmação positiva em termos de expressão cristã na China”, referiu, lamentando, contudo, a participação limitada da comunidade portuguesa da metrópole.

“Por um lado, é um legado da comunidade portuguesa no contexto da fé cristã na China, com particular ênfase na missa de Fátima. É uma afirmação da dimensão política de um país, dois sistemas, uma realidade em que Macau se manifesta. É uma afirmação de liberdade e de sentido de comunhão que continua a aumentar”, concluiu ao JTM.

Desde o já longínquo ano de 1929 que a 13 de Maio as ruas se enchem de gente de fé, uma tradição mantida em Macau até nos dias de hoje, mesmo após a transferência de soberania do território.

cerca de três mil pessoas acompanharam a procissão

a procissão chega ao fim na Ermida da Penha

VEJA O VÍDEO PUBLICADO NO YOU TUBE NO CANAL DA CHINESA KOSEONGWON DE MACAU

Dia das Mães na Casa de Macau de São Paulo

No domingo de 13 de Maio, Dia das Mães e de Nossa Senhora de Fátima, as datas foram comemoradas na Casa de Macau de São Paulo.  Lá pelas 11:00 horas foi celebrada uma missa no salão nobre da Sede, com a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, pelo Vigário da Igreja N. Sra. da Esperança, Padre Vicente Gilson dos Santos, contando com a participação de cerca de 40 pessoas entre associados e convidados.  Mesmo que as datas não coincidam, como aconteceu desta vez, já que o Dia das Mães é comemorada no 2º domingo de Maio, a Casa de Macau sempre festeja as duas datas em conjunto.

A benção com a imagem de Nossa Senhora de Fátima

Para o almoço especial, cerca de 80 associados e amigos puderam saborear o cardápio que contou com os seguintes pratos:

.        Caldo de Agrião

·        Ovos Milenares com Gengibre e Pepino Agridoce

·        Salada Verde com Tomate

·        Costelinha Chá Siu

·        Frango branco ao Molho de Gengibre

·        Porco Agridoce

·        Carne fatiada com Brócolis ao Molho de Ostra

·        Chau Min com Frutos do Mar

·        Sobremesa:  Bolo e Pudim

Antes das pessoas se servirem, Padre Gilson fez uma oração e abençoou

Depois do almoço, os jovens deram a sua mensagem de felicitações às mães e a todas as mulheres presentes.  Em seguida foram distribuídos brindes a todas as mulheres.

Monique Assis que participou do II Encontro de Jovens em Macau, leu a sua mensagem pelo tablet que teve a felicidade de comprar na  viagem.

Finalizada a festa, a Direção e seus colaboradores já falavam da programação para a festa do Dia de Macau em 24 de Junho, que ao contrário de outras ocasiões, e devido à data cair num domingo, não será mais comemorada em conjunto com o aniversário da Casa em 31 de Julho.

A Expo do Sagres no Macau Cultural Center (EUA/USA)

Dos Estados Unidos, através de Henrique Manhão, chega um relato em inglês com fotos sobre a exposição de fotos sobre a nau-escola Sagres realizada no Centro Cultural Macau (Macau Cultural Center), edifício-sede das três associações macaenses de Califórnia. A tradução foi feita pelo autor deste blog. Veja:

Mostra fotográfica da nau-escola portuguesa NRP Sagres

por Maria Fátima Gomes

O Instituto Internacional de Macau e o Centro Cultural Macau promoveram uma exposição de fotos da nau-escola NRP Sagres no domingo de 6 de Maio de 2012.  A mostra ocorreu na sede do Centro em Fremont, EUA.

As 50 fotos expostas foram feitas pelo português Joaquim Magalhães de Castro na sua viagem pela nau-escola de Goa, Índia, a Alexandria. Um vídeo mostrava a vida a bordo da tripulação de 146 homens. A exposição comemora os 50 anos do Sagres como nau-escola sob a bandeira portuguesa, e faz parte de uma ampla iniciativa que acontecerá ao longo do ano de 2012.

Visitaram a mostra os membros das três associações macaenses locais, quais sejam, a Casa de Macau dos EUA, Lusitano Club e a UMA União Macaense Americana, bem como contou com a presença da comunidade portuguesa de Califórnia e a comunidade em geral.

Os três presidentes das associações, Henrique Manhão, Maria Roliz e Maria Fátima Gomes e outros diretores do Centro Cultural, Nuno Prata Cruz, Albertino Rosa e Flávia Greubel recepcionaram os visitantes.  Estiveram também presentes, Lionel Goulart do Museu Histórico Português, Bernie Goulart da Sociedade do Patrimônio Português.  Uma das visitantes, Maria Benedita da Costa Ferreira Viegas e Celso Viegas da Union City estavam particularmente encantados com a mostra visto que seu pai, o oficial Eduardo Ferreira Cardoso, conhecido também por “Bailundo” que significa ”homem forte”, era o comandante do 1º e 2º Sagres em Portugal.

Maria Benedita, por seu lado, lembrava que esteve a bordo do Sagres acrescentando que o presidente de Portugal dizia que só viajaria no Sagres se o “Bailundo” estivesse no comando da embarcação.

As fotos foram feitas por Maria Roliz e Maria Fátima Gomes.

Centro Cultural Macau (Macau Cultural Center)

PHOTO EXHIBIT OF THE PORTUGUESE SCHOOL SHIP NRP SAGRES

By Maria Fatima Gomes

The International Institute of Macau and the Macau Cultural Center presented a Photo Exhibition of the Portuguese school ship NRP SAGRES at the MCC building in Fremont on Sunday, May 6th, 2012.  The exhibit had 50 photos done by Joaquim Magalhaes de Castro which focused on the 40 days he spent aboard the NRP SAGRES from Goa to Alexandria.  This Exhibit, accompanied by a video which was shown continuously, purports to be a trustworthy and emotive record of the intensive daily work performed by a fantastic crew of 146 men.  This Photo Exhibition was to commemorate the 50 years of the NRP Sagres as a school-ship under the Portuguese flag, and is part of a vast initiative that will take place during the year of 2012. 

The exhibit was enjoyed by members of the three Casas: Casa de Macau, Lusitano, and União Macaense Americana; members of the Portuguese Community in California; as well as the community at large.  The three Presidents of the Casas: Henrique Manhao, Maria Roliz, and Maria Fatima Gomes were there with the other directors of MCC: Antonio Capitule, Nuno da Cruz, Albertino da Rosa, and Flavia Greubel to welcome the guests.  Attending to enjoy the exhibit were Lionel Goulart of the Portuguese Historial Museum, Bernie Goulart of the Portuguese Heritage Society, and Arthur Britto of the Macau Arts Culture Heritage Institute.  Of the many attendees Maria Benedita da Costa Ferreira Viegas and Celso Viegas of Union City were particularly delighted with the exhibit because her father, Officer Eduardo Ferreira Cardoso aka “Bailundo” meaning Strong Man, was in charge of the 1st and 2nd SAGRES in Portugal.  Maria Benedita shared that she has many memories of being on the deck of the SAGRES; she also shared that the President of Portugal at that time would only sail out when Bailundo was commanding the vessel.

The photos of the exhibit were taken by Maria Roliz and Maria Fatima Gomes

Macau, The Thunders

Logo oficial da MPM por Rigoberto Rosário Jr

MPM – MÚSICA POPULAR MACAENSE

Macau, uma canção cantada em português pelo grupo musical The Thunders em 1970, faz a estréia das Páginas dedicadas a divulgar as músicas que compõem a MPM Música Popular Macaense, dentro da ótica deste blog e do site Projecto Memória Macaense.

A canção de composição de um dos seus componentes, Rigoberto Rosário Jr. “Api”, faz parte de um disco de vinil lançado na época com quatro canções, duas cantadas em português e duas em inglês.  Canta a terra natal dos membros do grupo e é praticamente um hino dos macaenses e provoca emoção aos seus ouvintes.

Veja a seguir o que consta do livrinho que acompanhou o último CD dos The Thunders lançado em Novembro de 2004, por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses, que reviveu para a ocasião, a vida musical do grupo musical que fez sucesso nos anos 60 e 70 em Macau:

‘Macau, terra minha’: quinze horas em estúdio

Robert Ascott chama um dia o Herculano e o Rigoberto e diz-lhes que pretende “um disco com um som mais cheio, juntando a orquestra sinfônica dos estúdios da EM l”. O Rigoberto tinha algumas composições inéditas do seu repertório, mas apesar disso resolveu abdicar delas e fazer algo que já estava há tempos na calha, desde que tinha composto “She’s in Hong Kong”: uma canção dedicada a Macau. Pediu três dias para o fazer, e assim surgiu “Macau, terra minha”, que foi imediatamente aprovada por Ascott e pelo maestro Vic Cristobal.

Na noite de folga do Nightbird gravaram nos estúdios da EM1, entrando às nove da noite de um dia e saindo, exaustos, perto do meio-dia do seguinte. A Orquestra de Vic Cristobal gravou em seguida os violinos, violoncelos e instrumentos de sopro, para depois se fazer a mistura.

Foi a canção mais popular dos Thunders, quer junto das audiências de Macau, quer no exterior. Vários conjuntos a interpretaram, foi usada para aberturas de programas, música de fundo para espectáculos e nas mais diversas ocasiões. Foi igualmente uma das mais cantadas aquando da transferência de Macau para a China, em 1999. O dirigente da EM l lembrou-se de pedir uma audiência ao Governador de Macau, General Nobre de Carvalho, para os Thunders lhe fazerem a entrega simbólica do primeiro exemplar do disco antes deste ser colocado no circuito comercial. A projecção que o caso teve na imprensa foi bastante para o disco se vender ainda mais. (Cecília Jorge)

em inglês:

“Macau, terra minha”: fifteen hours in a studío

One day Robert Ascott called Herculano and Rigoberto and told them that he wanted a “record with a fuller sound, combining EMI studio’s symphonic orchestra”.

Rigoberto still had some originals he had never played, but nevertheless he decided not to use them and do something he had been intending to do for quite sometime, ever since he wrote “She is in Hong Kong”: a song dedicated to Macau. He asked for three days to do it, and that is how he carne up with “Macau Terra Minha”, which was immediately approved by Ascott and maestro Vic Cristobal.

They spent their night-off from the Nightbird at EMI recording studios, starting at 9 p.m. and ending about noon the following day totally exhausted. Vic Cristobal’s Orchestra recorded the entire strings and wind instruments tracks on a row, so it would be used afterwards for editing and mastering. It would be the Thunders most popular song, in Macau as well as abroad. Several other bands made covers of this song, it was used as an overture for programs, and it was also turned into the soundtrack for many shows on various occasions. It was also one of the most heard ballads during the time of Macau’s handover to China, in 1999.

EMI’s chairman had the good thought of asking for an audience with Macau’s Governor General Nobre de Carvalho, so that the Thunders could offer him the number one copy of the record, in a symbolic gesture before it was made available for sale. The press coverage of the event was enough to increase the sales

MACAU pelos The Thunders em versão original do 1º disco em 1970

publicação na imprensa de Macau

A canção teve versão em chinês e em patoá e foi cantada por vários grupos musicais, até gravada em cd e fita cassete pela Tuna Macaense.  A que se destacou por marcar o fim da administração portuguesa de Macau em Dezembro de 1999 foi cantada em patoá, dialecto macaense candidata a Património Mundial na forma de teatro, pelo coral Dóci Papiaçám di Macau.  O vídeo abaixo divulgado no canal do ZitoDrummer na YouTube é uma produção da TDM-Televisão de Macau e foi uma apresentação do coral em Outubro de 1999 no Centro Cultural de Macau:

Logo de lançamento da MPM produzido pelo autor deste blog do Projecto Memória Macaense. Complementa o logo oficial.

Mais Minchi de Cecília Jorge

Complementando a postagem anterior <Minchi por Cecília Jorge, com 2 receitas> publico mais 3 receitas de minchi (Brasil: carne moída) que foram citadas no final do texto.  Bom apetite:

MINCHI MISTO DE VACA E PORCO

carne de vaca -> 250 gr.

carne de porco -> 250 gr.

Alho -> 2 dentes, picados

Cebola -> 2 grandes, picadas

molho de soja escuro (lou châu) -> 1 colher de sopa

claro (sám châu) -> 2 colheresdesopa

fécula de milho -> 1 colher de chá

banha de porco (ou óleo) -> q.b. (a gosto)

açúcar e pimenta -> q.b.

batata frita, aos quadradinhos -> q.b.

Limpar bem as carnes de vaca e de porco de gorduras, picar e temperar, separadamente, com uma pitadinha de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho.

Aquecer bem num tacho a banha (ou o óleo) com o alho picado e fritar primeiro a carne de porco, juntar minutos depois a carne de vaca, virando e carregando as carnes para as cozer por igual e soltar. Juntar a cebola picada e tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo. Juntar o molho de soja escuro só pouco antes de retirar do lume, deixando absorver bem. Acompanhar com a batata frita, que se pode misturar à carne ou colocar só por cima.

 

PÃEZINHOS FRITOS

Eram presença obri­gatória nos “chás-gordos” macaenses e são uma das formas de aproveitamento do minchi de porco, ao qual se acrescenta, ao fritar, um pouco de açafrão ou curcuma. Há quem acrescente malaguetas (chile) picadas a esse minchi ou o faça com caril. Os pães, salgados, de preferência redondos e com cerca de seis centímetros de diâ­metro, são generosamente recheados com minchi depois de se lhes abrir uma pequena “janela” quadrada, que é depois de novo tapada. Fritam-se em óleo bem quente e são postos a escorrer antes de servir.

 

LUC-KIT

Croquetes panados que re­sultam de um aproveita­mento do minchi, seja misto, só de porco ou só de vaca.  Faz-se um purê de batata sim­ples e consistente e formam-se croquetes com recheio de minchi e invólucro de purê. Passam-se por ovo batido e pão ralado antes de fritar.

Minchi por Cecília Jorge, com 2 receitas

Na sua série Tacho do Diabo publicada nos anos 90 na Revista Macau, Cecília Jorge escreve sobre o Minchi (Brasil: carne moída), prato típico da gastronomia macaense, e nesta postagem publico duas receitas e na próxima outras três que são citadas no texto.  O artigo foi publicada na edição de Junho de 1992 da Revista Macau:

VENHAM DAÍ OS MINCHI

de Cecília Jorge (Junho 1992)

Nenhum prato típico macaense parece ser tão estimado e tão popularizado como o minchi, especialidade que merece a honra de estar incluída no mínguo jargão luso dos cantonenses, ao ponto de o seu nome ser entendido na praça e nos supermercados.

 

Minchi, ou minche ou mesmo minxi (carne moída) , deve ser corruptela do inglês minced, picado. Quando e por quem foi criado não se sabe, e o mais lógico será ter havido mais do que um autor e uma legião de cultores deste sabor muito próprio aos macaenses.

Porque minchi é macaense, castiço, fruto da convivência de gostos orientais e ocidentais: é a carne cortada em picadinho, para facilitar a vida a quem come (à boa maneira chinesa), e refogada com alho e muita cebola picadinha (à portuguesa). E é o molho de soja casado (às vezes) com um chouriço de carne, com o ovo estrelado a cavalo, mais as batatinhas aos quadradinhos, para se comer com arroz branco, insosso. Ou na versão mais requintada, de entre as muitas dezenas que existem: um minchi de pombo, de camarão ou de peixe.

Não há dois minchi iguais, mesmo que a receita emprestada seja seguida à risca… mas, por paradoxal que possa parecer, um determinado minchi sabe sempre da mesma maneira quando é “marca da casa”, quando parte da mesma cozinheira.

Diz quem sabe, que a singeleza não vem tanto de um qualquer segredo mantido a sete chaves e herdado em sentido descendente da cadeia genealógica como do cunho pessoal, de força e temperamento, e do manipular, do dosear dos temperos, da maneira como se pica a carne, que os mestres faziam com dois parões (cutelos chineses), e das voltas que se lhe dá, ao lume, sabendo quando e como a revirar no tacho para tirar dela o melhor aroma.

E o minchi, quando é bom, sabe mesmo bem; cria hábito, cria vício, traz grande fama a quem o faz, a ponto de ser falado nos convívios de café, recordado pelos gastrónomos.  A excelência de um minchi, quando vicia a ponto de a “vítima” não se servir de mais nada dos milhentos acepipes colocados ao seu dispor, atirando-se, de colher em riste, a uma montanha de minchi por cima do arroz branco, dá mesmo origem a uma alcunha muito popular nesta comunidade: o minchi.

A partir do minchi é imensa a capacidade criativa, em busca de uma refeição diferente: são os croquetes, os chilicotes, os pãezinhos recheados; são as mil e uma misturas utilizando outras carnes e vegetais; é o arroz chau-chau; o desenjoo de uma bebinca só de nabos — que não vem, ainda, ao caso.

Dizia um gastrónomo — visivelmente rendido aos sabores da cozinha macaense — tratar-se do melhor prato sino-europeu do mundo e favorito entre os macaenses.

António Vicente Lopes, que em 1977 publicou em Macau as Receitas da Cozinha Macaense, aventava a hipótese de o minchi ter sido aperfeiçoado em Hong Kong, após a primeira diáspora dos macaenses, em 1840, nessa direcção e quando Hong-Kong ficou sob a administração britânica e os nossos recursos trilingues eram muito procurados bem como os nossos conhecimentos euro-orientais dos povos, costumes e comércio.

Obviamente, António Lopes inclui no seu livro nem mais nem menos do que dezasseis receitas de minchi, com variações e aditamentos, que vão desde o minchi de carne congelada de porco e de vaca ao minchi de caril de peixe e aos pastéis, croquetes e hamburguers de minchi (!). Mãozinha de fada devia ter a Ah-Chun, a estimada cozinheira chinesa durante 47 anos dedicada à família de Lopes, a quem ele homenageia no prefácio às Receitas da Cozinha Macaense. É o próprio António Lopes que nos sugere que façamos minchi (…) às dez libras de cada vez para se guardar no congelador em pacotes de uma a duas libras para uso imediato numa variedade de pratos.

Copiando descaradamente o exemplo deste cultor do minchi, ao inserirmos cinco variantes do picadinho, fazemo-lo numa tardia e insuficiente mas sincera homenagem a outra das grandes intérpretes anónimas da culinária macaense: Ah-Noi, de apenas metro e meio de altura, que durante meio século dominou cozinha e copa num casarão do Beco do Lilau, dando de comer a quatro comilonas gerações de Jorges e amigos. Ela e o casarão abandonaram-nos, mas quem provou não esquece, decerto, o sabor do seu minchi, ou de fosse o que fosse que ela se lembrasse de cozinhar.

Apresentamos apenas cinco das suas variantes: a mais vulgar, de carne com batatinhas; só de porco; a mosca, como no Lilau se chamava ao minchi com “orelhas de rato”; pãezinhos fritos de minchi; e lúc-kit, os croquetes de minchi, como Ah-Noi lhes chamava talvez por serem enrolados (lúc, em cantonense) sobre pão ralado.

Apenas dois conselhos vindos da Ah-Noi, mas hoje praticamente impossíveis de seguir: usar sempre carne fresca, picada na altura, e nunca requentar mais do que uma vez o mesmo minchi — rouba-lhe todo o gosto.

2 RECEITAS DE MINCHI

MINCHI DE PORCO

carne de porco –> 250 gr.

Alho –> 1 dente, pisado

cebola-da-índia -> 2 pequenas, picadas

cebolinho picado –> q.b. (a gosto)

molho de soja claro (sám châu) -> 1 colher de sopa

fécula de milho -> meia colher de chá

banha de porco (ou óleo) – > q.b.

açúcar e pimenta –> q.b.

Limpar a carne de tendões, picar miudinho. Temperar com uma pitadinha de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho. Aquecer bem a banha (ou o óleo), aloirar o alho, retirar, fritar em seguida a cebola e o cebolinho e logo depois a carne, virando e carregando com a espátula para a soltar. Tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo.

MOSCA

carne de porco -> 250 gr.

“orelhas de rato”*, (demolhadas, limpas e picadas) ->15 gr.

Alho -> 1 dente, pisado

cebolinho picado -> q.b. (a gosto)

molho de soja claro (sám châu)  -> 1 colher de sopa

fécula de milho -> 1/2 de chá

banha de porco (ou óleo) -> q.b.

açúcar e pimenta -> q.b.

aletria** (para ornamento) -> q.b.

Limpar a carne de gorduras e tendões, picar miudinho. Temperar com uma pitada de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho. Aquecer bem a banha (ou o óleo), aloirar o alho e retirar, fritar o cebolinho e logo a seguir a carne, virando e carregando com a espátula para a soltar. Tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo. Acrescentar os fungos cerca de um minuto antes de retirar do lume, misturando bem.

*as “orelhas de rato” (van ii ) são fungos. Devem ser demolhados em água morna durante cerca de cinco minutos e depois escolhidos e muito bem lavados com água fria porque trazem areia e muitas impurezas agarradas à raiz.

** a aletria frita-se em óleo fervente, em mancheias, mas com cuidado porque queima em poucos segundos.

(Brasil: orelhas de rato – van ii em chinês cantonense, podem eventualmente ser encontradas nas lojas de alimentos chineses da Praça da Liberdade, São Paulo – Tou Wa ou do Ricardo, ao lado de MacDonald)

Nota: Em São Paulo, a carne moída (equivalente ao minchi) não é um prato disponível em restaurantes como em Macau, mas é preparado com macarrão à bolonhesa com molho de tomate, como recheio de pastel de carne e tantas outras receitas que podem ser achadas na Busca na internet digitando Carne Moída, Brasil.  Pode não ter o charme do Minchi, como em Macau, mas é bastante utilizada na culinária brasileira e pode ser comprada em qualquer açougue e supermercado, já pronta e fresquinha, ou pedir para moer na hora, tendo classificação de carne moída de 1ª ou de 2ª, mais barata.

Jantar no Culau, memórias de Alda de Carvalho Ângelo

Os pais do autor do blog, em pé, Marcelina e Álvaro da Luz

No seu livro publicado em São Paulo, Brasil, em 1965, <Fragmentos do Oriente>, a escritora macaense Alda de Carvalho Ângelo recorda os velhos tempos de convívios nos restaurantes chineses: <culau> em Macau, provavelmente nos anos 40.  É um costume que ainda se mantém em Macau (ex-colónia portuguesa na China) com algumas alterações.  As fotos do meu acervo são dos anos 50 e 60 em Macau:

CULAU

(restaurante chinês)

um texto de Alda de Carvalho Ângelo

“Vamos jantar no culau?” — Que frase mais grata ao ouvido! Que infelizmente há muitos e muitos anos não tenho o prazer de a ouvir. “Ah! saudades desses tempos que já lá vão!” — Como gosto de me sentar esquecida num canto, no meu canto preferido e deixar correr o pensamento para os tempos em que essa expressiva frase “vamos jantar no culau” era bem possível, bem praticarei. Não precisava ser festa, data especial, comemorações para nos darmos ao luxo de comer num culau. Qualquer alegria era pretexto. Qualquer pretexto era alegria. Por que não se pode pensar em comer no culau e se sentir triste ao mesmo tempo. Pelo menos, aparentemente, momentaneamente, todas as tristezas são relegadas ao segundo plano e a alegria reina única e exclusiva. Por que?

Ah! o por quê! o por quê de tudo nesta vida. Por quê… Vamos jantar no culau?” — Vamos! É aniversário? Está certo, É aumento de salário? Está certo. É rateio? Também está certo. Não importa quanto venhamos a pagar, contanto que seja uma noite de alegria. E os grupos — 8, 9, 10 — 20 — 100 ou mais — o número também não importa. Contanto que não seja de menos. Porque não se vai só a um culau! Nem a dois, nem a três. nem a quatro. O interessante dez no mínimo! E, quanto mais frio, melhor! Mais vontade de comer! Maior o apetite! Mais necessidade de sentirmos o calor da alegria, o aconchego dos amigos!

Paremos à porta. O restaurante pode ser de luxo, pode ser modesto, pode ser mais ou menos, de aspecto velho e pobre. Não importa. Passemos para o lado de dentro. Subamos a escada ou entremos no elevador. As salas são divididas em reservados, separados por portas desmontáveis e dobráveis. Cada reservado comporta 10 a 12 comensais. Maior número de comensais maior o espaço do reservado. É só desmontar a série de portas que separa um reservado do outro. Uma sala é passível de receber até mais de cem comensais, bastando para isso desmontar todas as separações. Era assim no tempo em que eu estava na China.

Vamos ao nosso jantar. Geralmente entramos num culau às 6,30 ou 7 horas e só daí saímos entre 9 e 10 horas. Isto é, quando alguém, ou melhor, ninguém inventa jogar o Majong. Nesse caso, a ida para o culau é às 5 da tarde ou mais cedo e a saída talvez à meia noite.

O reservado, dependendo do restaurante, é geralmente espaçoso, podendo 10 a 12 pessoas mover-se à vontade. No centro, uma grande mesa redonda, à sua volta, 10 a 12 banquetas (hoje se usam cadeiras). Ao fundo, perto da janela, um grande canapé, sobre o qual se pode estirar, querendo. Ao longo das paredes laterais cadeiras e mesinhas de pau preto, dispostas de forma a que cada mesinha é ladeada por duas cadeiras. Sobre as mesinhas quá-chi à vontade. O quá-chi (pevide – semente de melancia), vermelho ou preto, serve para “fazer-a-boca”, expressão macaense que quer dizer “mordiscar, entreter a boca, enquanto espera”.

O Fó-quei (o garção chinês) anota a lista dos pratos com um ou dois do grupo. Os outros, com uma perícia extraordinária, seguram a parte chata da pevide com os dedos polegar e indicador da mão direita, introduzem o quá-chi pela aresta entre os dentes, dão uma ligeira mordida, entreabrindo assim as duas cascas; giram ligeiramente de modo a que a parte chata fique para cima e, com a ponta da língua, afastam imperceptivelmente as duas metades da casca, e, novamente, com os dentes, como uma pinça, seguram a minúscula amêndoa e, uma vez a amêndoa bem segura pelos dentes… a casca é puxada para a frente estre os dedos indicador e polegar. Toda essa operação é concluída em frações de segundo. E ao mesmo tempo que os dedos e os dentes trabalham, a conversa se generaliza numa alegre vozearia.

O Fó-quei, completamente alheio ao que fazem os comensais, continua sua rotina. Sai com a lista de pratos, volta pouco depois, estende a toalha na mesa, arruma os vun (tigelinhas e os fát-chi (pauzinhos); sai novamente, volta com as toalhas perfumadas e, à cada um dos comensais, oferece uma toalha para limpar as mãos. (As toalhas perfumadas são trazidas novamente no meio do jantar e quase no final).

Os primeiros três ou quatro pratos são para abrir o apetite: um pratinho de pei-tán (ovos pretos transparentes. São ovos que foram envolvidos em cal e enterrados por um mês ou mais. Fazem muito bem à saúde). Esses ovos cortados em oito em sentido longitudinal são servidos com fatias de gengibre. Um pratinho de chouriço china (lap-cheóng) cortado enviesado, bem fininho; um pratinho de peixe salgado…

Segue-se uma sopa ou caldo, geralmente preferimos o gui-chi-tóng (sopa de barbatana de tubarão), e, sem pressa, com todo o vagar, com a lentidão que caracteriza os jantares chineses, um prato após outro é servido: carne, frango, porco, ovos, camarões, miúdos, carangueijos, verduras… sem acompanhamento de pão nem de arroz, Tudo isso para comermos lentamente, acompanhado de vinho de fermentação de arroz e… muitas risadas e conversas.

E, no fim, quando já estamos quase nos rebentando de cheios, é servido o arroz chau-chau, em chinês cháu-fán, arroz frito com ovos, camarão, chouriço china e…

E já cansados de tanto comer, a nós mesmos prometemos que, no futuro, seríamos mais comedi dos, que espaçaríamos os jantares no culau, que…

Esquecidos os primeiros momentos de mal-estar de super-cheios, lá estávamos nós, dias depois combinando novamente para novo jantar no culau…

“Conversa entre a Malta” no Facebook, você já faz parte?

Conversa entre a Malta ... papiá, papiá ...(Brasil: bate papo, bate papo)

Sugerido pelo Arnaldo Martins, que me introduziu ao Grupo no Facebook, para sua divulgação junto à malta (Brasil: o pessoal), venho aqui cumprir o meu papel como membro, não só por isso mas com todo o prazer, pois o Fórum, Blog ou Grupo, como queiram chamar ou serem chamados, é um irmão-gêmeo do Crónicas Macaenses por utilizar o brilhante logo criado pelo Rigoberto “Api” Rosário Jr e o mesmo slogan deste blog.  Afinal, todos fazemos parte de uma Casa Macaísta, com certeza!

O Grupo basicamente reúne gente que tem ou teve ligação com Macau e a sua gente Macaense, pois os assuntos giram em torno dos temas, tanto atuais como antigos, mas a primeira principalmente.  Daí, você sabe, os comentários podem evoluir e vai longe.  Para quem está longe de Macau, como eu da diáspora, é até interessante pois podemos nos inteirar dos assuntos atuais, embora nada de política, e ver como a comunidade macaense está a viver na nossa terra ou mesmo lá fora. Além de tudo poder encontrar velhas amizades ou conhecidos, ou mesmo macaenses anônimos perdidos em Macau, e de quem pouco se sabe, ou nada falam deles, aliás nada usual.

Até há pouco os números já giram em torno de 650 membros e a crescer a toda a hora.  Quem sabe, com esta dica, possa crescer um pouquinho mais.  Mas é interessante ver que da criação virtual do Grupo, a realidade se concretizou.  Pelo visto, já realizaram 2 jantares de confraternização entre os membros residentes em Macau.  Parece ser um grupo animado e descontraído, muito saudável!

Assim, quem já é do Facebook, digite em Procurar  – Conversa entre a Malta – e já vai achar o link.  Caso contrário se quiser participar, terá que se cadastrar e depois realizar a operação.  No começo vai achar tudo muito complicado, pois são tantos cliques, mas depois com o tempo se acostuma e vai aprendendo mais como está a acontecer comigo.  O Grupo no seu blog interno da rede social, tal como o Crónicas Macaenses, não tem nenhuma finalidade lucrativa de qualquer espécie e nem se mete em política.  Estamos aí para se agregar e se divertir.

Veja a malta toda animada nos seus convívios em Macau:

Vão dizer que é "clube do bolinha" que só tem homem, mas calma, veja fotos mais abaixo, há mulheres, até a Rita Santos apareceu por lá e cantou umas canções

O Elvis de Macau ou Rudy Sousa, grande sujeito, abrilhantou o jantar com o seu show. Veja o logo atrás.

Olha aí, também tem mulheres (gajas também e não só gajos). A 5ª mulher, a contar da esquerda, é a "Doctora Corazon", uma figura típica do Grupo que alegra o ambiente com os seus comentários mistos de português, inglês, castelhano/espanhol etc. Muito engraçada! É de Bogotá, Colômbia ... mas como foi parar em Macau, do outro lado do mundo? A "trabajo" talvez! E olha o José Pereira Coutinho fazendo o seu ok!!!

da esquerda, Arnaldo Antonio Amante Gomes, José Maria Silva Zito e Bernardo Lameiras

* As fotos foram copiadas dos álbums do Grupo CEAM-ConversaEntreAMalta que também tem “pisidente”!!!

Logo do Crónicas Macaenses no Conversa entre a Malta no Facebook

Vi esta foto no grupo “Conversa entre a Malta” que reúne 610 pessoas (número crescente a toda a hora) no Facebook e que se refere à gente de Macau.  Qual a minha surpresa vi o logo deste blog, desenhada e oferecida por Rigoberto “Api” Rosário Jr, autor da canção <Macau>, além do que o nome do grupo é igual ao texto que escrevi abaixo dele (veja na coluna ao lado).  Se foi uma coincidência ou se serviu como inspiração, foi para mim uma imensa satisfação e acredito para o Api também!  Um grande abraço a todos os membros do grupo, do qual também faço parte.

Quanto ao Facebook, abri o meu perfil há um bom tempo atrás e nunca mais retornei, fazendo-o somente agora a procurar assimilar e aprender os mecanismos desta rede social que vai crescendo dia a dia. É praticamente um mini-blog e muito dinâmico.  Um espaço onde se pode achar e encontrar muita gente, antigos amigos e conhecidos.  Para mim encontro muitos macaenses e da comunidade, mas também gente ligada ao automobilismo brasileiro especialmente dos velhos e saudosos tempos dos anos 70 aquando da minha recente imigração ao Brasil em 1968.  Na época, já um amante de fotografia, adorava e como adoro até hoje o automobilismo, ia para o autódromo de Interlagos em São Paulo sempre que havia corrida e treinos.  Com isso tirei centenas de fotos, muitas ainda em negativos faltando revelar ou digitalizar, e até filmagens em Super 8 e o velho 8 mm.

No meu perfil no Facebook, abri três Páginas. Uma para este blog, outra para o site Projecto Memória Macaense e uma para o meu site de fotos de carros de corrida Imagens DaLuz/Velocidade.  Estou gostando da experiência e espero achar tempo para estar em todos os lugares, aqui, nos sites, no Facebook e nos álbuns de fotos do FlickR e Picasa. Mas sempre se dá um jeitinho !!!

Macaenses: Recordar é Viver (2) de Jorge “Giga” Robarts

Recebi da Mariazinha Lopes Carvalho (Brasil) outro recorte do Jornal de Macau dos anos 80, época em que Jorge “Giga” Robarts tinha a sua coluna “Recordar é Viver” a lembrar os tempos antigos dos Macaenses. Boa leitura e mate as saudades:

clicar na imagem para aumentar

onde consta Chicoio deve ser lido como Chicói (Francisco Madeira de Carvalho)

Má cheók (Mahjong), um texto de Ana Maria Amaro e a história

Mahjong é mais conhecido mundialmente, porém em Macau e em chinês no dialeto cantonense, falado no Sul da China, chama-se Má cheók.  Trata-se de um conhecido jogo chinês que a Wikipédia nos explica a respeito:

Mahjong/Má cheók

Mahjong (Mah Jongg, Majiang, Majongue, Majong, Ma-Jong, Mahjongg) é um jogo de mesa de origem chinesa que foi exportado, a partir de 1920, para o resto do mundo e principalmente para o ocidente. É composto de 144 peças, chamadas comumente de “pedras”

Segundo parece, o Mahjong moderno é descendente de um antigo oráculo que há milênios era consultado pelos adivinhos chineses. Quando seus astrônomos começaram a registrar as progressões do Sol, da Lua e dos planetas utilizavam um tabuleiro de adivinhações para prever a posição dos corpos celestes.Os movimentos destes astros no céu era registrado movendo os contadores pelas casas do tabuleiro. Este é possivelmente a origem de muitos jogos difundidos, como o Pachisi e o Mahjong. Precisamente neste último são verificados sinais desta origem de oráculo, como a inversão dos pontos cardeais (já que se trata de uma representação dos céus e não terrestre) e a divisão de treze pedras, que representam os meses do calendário lunar.

A palavra Mahjong é a transcrição livre ocidental do nome original Ma Jiang ou Ma Jiang Pai, onde Pai significa pedra, peça. Seu antecessor recebia o nome de “Jogo das folhas em tiras” porque as fichas eram feitas de papel, semelhante ao nosso baralho comum. De todo modo, a história do Mahjong é obscura e existem vários jogos antecedentes pouco documentados.

Um jogo mais ou menos similar ao que jogamos hoje foi inventado na Dinastia Tang, durante o reinado do imperador Tai Zong (626 – 649), para diversão da casa imperial e dos nobres.

Em toda a Ásia o Mahjong adquiriu enorme popularidade, de modo que muitos países o consideram como jogo nacional; existem variantes japonesa, coreana, vietnamita, filipina, e é normal que quaisquer festas, celebrações e até mesmo negócios importantes acabem em algumas partidas de Mahjong. Também devemos nos lembrar que existe uma variante israelita.

Com o tempo foram-se abandonando as cartas de papel com que se jogavam nos primórdios, começando a serem fabricadas peças de marfim ou osso, todas elas sobre o bambu, e as mais modernas de baquelita ou plástico, que são relativamente baratas e duradouras. Existem jogos de Mahjong que são verdadeiras obras de arte.

Pedindo permissão à Sra. Ana Maria Amaro, publico a seguir um texto (em português de Portugal) do seu livro acima sobre o tema:

Uma mesa de jogo Má cheók (Mahjong) no Clube Macau, em Macau, nos anos 60. Da esquerda: Dina Tavares, Marcelina Luz (mãe do autor deste blog), Carmem Estorninho (minha tia) e Amélia Ferreira.

MÁ CHEÓK

por Ana Maria Amaro

(veja glossário no final para entender o chinês em itálico)

Com o descer da tarde a loja escureceu e, ao fundo, no seu trono, forrado de papéis vermelhos, Buda, rabiscado e colorido, fitando os pivetes e as tigelinhas das ofertas, resplandeceu sob a pequena lâmpada escarlate, recém-acesa.

Os montes de sedas arabescadas e as fazendas de felpa, esquecidas junto à grande tesoura e ao velho ferro de brasas incandescentes, foram arrumadas, em monte, ao lado das cabaias setinosas, já cozidas.

Chan t’oi, a mesa redonda, das refeições, com as suas manchas gordurosas, foi, de novo, armada no escuso canto de velada luz e as 144 pedras brancas do Má Chéok, com os seus sinais coloridos, rebocadas de verde luminoso, rebolaram sobre o tampo, ensurdecedoramente.

O Chong de ébano girou e o patrão, olhando, de relance, os dois empregados mais novos, que aplicavam, sob a fraca lâmpada, as últimas costuras na obra a entregar no dia seguinte, tirou, à sorte, os parceiros.

Pelas grades de madeira, corridas, transversalmente, na pequena porta, por onde se podia ver toda a alfaiataria de Lao Kei, passava a luz amarelada do interior, que brincava no passeio, desenhando alongadas sombras, a rasar os esguios pivetes vermelhos que, em molho, num ângulo do degrau, espetados o chão, formavam pequenas constelações cor de púrpura.

Quatro ventos, um de cada quadrante, marcados nas quatro pedras a escuro azul, os fong, foram escolhidos por Lao Kei, entre as demais pedras e, depois de separados, colocados em linha, voltados para baixo.

Mais duas pedras, ao acaso, foram tiradas dentre aos restantes, uma par e outra ímpar que, voltadas para cima, nos extremos das outras quatro, indicavam por onde se deveria começar a contagem para sortear o banqueiro e os respectivos lugares.

O Chong de ébano foi, rapidamente, colocado sobre uma das pedras alinhadas, ao acaso, e os dois dados, de arestas rombas com o iât e o sâm em pintas vermelhas, sobressaindo das demais, pintalgadas a preto, lançados duas vezes por cada um dos jogadores.

Foi o filho mais velho do patrão quem somou maior número par de pontos e, por isso, retirou, lesto, o primeiro fong do lado da pedra par, no que foi imitado pelos demais parceiros, sucessivamente, e por ordem decrescente de pontuação.

Dentre estes fong, incógnitos calhou, pela sorte, o vento leste ou tong ao velho Lao Kei, que pôde escolher, portanto, na mesa o lugar a seu prazer.

Como patrão, tomou o lugar de honra, voltado para a porta, tendo-se sentado os restantes, de acordo com os ventos correspondentes às suas pedras. Contrariamente à nossa rosa-dos-ventos, à sua direita sentou-se o nâm (o sul), à sua esquerda o pak (o norte) e, adiante de si, o sâi (o ocidente).

Na série dos ventos coube ao segundo filho de Lao Kei a pedra coberta pelo chong e foi ele, pois, o banqueiro ou chong do primeiro jogo, arrecadando, logo, a pequenina peça de ébano, os dados e as fichas, que lhe ficariam confiados.

E, então, todos já sentados, mudaram-se, convencionalmente, os ventos, passando o banqueiro a ser o vento leste e os demais parceiros, a serem os ventos correspondentes aos lugares ocupados.

As pedras empilhadas foram, então, rápida e ruidosamente revolvidas, num baralhar alucinante, em que todas as mãos mexiam, envolviam e faziam rebolar, em ressonante monotonia.

O jogo não era forte e as flores foram retiradas e feitos, lentamente, 17 montinhos, de duas pedras, sobrepostas, que cada parceiro colocou à sua frente, formando um pequeno muro ou muralha que, em conjunto, desenhou um pequeno quadrado, a meio da mesa.

Logo o chong iniciou o jogo, lançando os dois dados. Como somou cinco pontos e esta soma atribuia-lhe a vantagem da segunda jogada, agitou, mais uma vez, os dois pequeninos cubos rombos, de marfim, somando, desta feita sete pontos pelo que, contando doze montes de pedras, da direita para a esquerda, abriu a muralha.

Uma vez a muralha aberta, foram desta retiradas, lesta e sucessivamente, em alternados grupos de duas, catorze pedras, pelo chong e treze pelos demais parceiros, que, rapidamente, as iam alinhando em sua frente, agrupando-as, já. por sequências ou pares.

Breve expectativa precedeu o lançamento, na mesa, da primeira pedra, pelo banqueiro.

O parceiro nâm tirou uma pedra da muralha, jogando uma das suas e, por fim, cada um, foi comprando uma pedra e deitando outra, na mesa, prosseguindo o jogo, entusiasticamente, na mira de fazer pongs ou kongs, chis e pares, em especial de trunfos ou ventos para ganhar a fazer alguns fanes.

As pedras eram batidas, fragorosas. uma a uma, em sucessão, sobre a mesa de madeira dura … E a noite avançava e os jogos sucediam-se, entremeados de exclamações de kong ou pong, de quem completava os tão desejados grupos, necessários para ganhar.

Finalmente, fazia-se má chéok, terminando cada jogo pelo grito feliz de quem acabava de completar o seu último conjunto.

As rodas verdes e vermelhas, os esguios bambus, os ventos, os chinas, e os capitães ou trunfos, voltavam a desemparelhar-se para, sobre a mesa, mais uma vez, ruidosamente, se confundirem, nas suas capinhas cor de jade, voltadas para cima.

A animação do jogo aumentava com o suceder das horas e o entusiasmo recrudescia, recrudescendo a velocidade e ampliando-se os ruídos das arestas dos pequenos prismas, rebolando, uns sobre os outros, em dissonância de atrito sobre a dura teca ou pau rosa do tampo da mesa.

Entretanto, os últimos pontos iam sendo dados pelos aprendizes na setinosa cabaia acolchoada a entregar no dia seguinte, o que já não faria “perder a face” ao comprometido alfaiate que, no seu entusiasmo de jogador, já, por completo, a olvidara.

Na loja próxima, sobre a pequena mesa rectangular, de tampo laçado, com as suas gavetinhas próprias para guardar fichas e pagamentos, outra partida de má chéok iniciara-se também e, cá fora, os ruídos sobrepunham-se, interferindo-se e multiplicando-se.

Na noite, cada som e cada ressonância do entrechocar das pedras, eram ampliados pelo silêncio e pela escuridão e levados, ao longo dos passeios, transbordando de cada porta, de cada janela gradeada. Lá dentro, no ambiente morno, onde o cheiro a pano recém-engomado, tudo envolvia, os grandes espelhos prateados, pintalgados de caracteres, reflectiam, indiferentes, a repetida cena de todos os serões. . .

No seu trono vestido de papéis vermelhos, o Kwan Kong, um Deus-herói protector dos comerciantes, olha a cena banal, do alto do seu cavalo, em cujas crinas escuras, a extremidade das suas barbas ponteagudas e ancestrais, se perdem e se confundem e, nos seus lábios indefiníveis parece desenhar-se um pálido e condescendente sorriso de cumplicidade

Chinês cantonense > Português

Chi – Seqüência de três pedras do mesmo naipe

Chông – Peça, geralmente em ébano, com uma cavidade circular, por onde se vê um disco que gira no interior, onde estão marcados os quatro ventos.

Chóng – Nome porque é designado o banqueiro

Fan – Designa dever, o que corresponde a dobrar a pontuação final, por cada um

Fong – Vento

lat – Um

Kong – Grupo de quatro pedras iguais

Má chéok – Antigo jogo de cartas chinês. O mesmo que mahjong

Nâm – Sul

Pak – Norte

Sai – Oeste

Tóng – Leste

Fong – Grupo de três pedras iguais

Sâm – Três

Sâi – Quatro

Perder a face – Perder a honra e a dignidade

*O livro Aguarelas (Brasil: Aquarelas) de Macau é de autoria de Ana Maria Amaro e uma edição de CTM/CDP Fundação Macau, editado em Macau no ano de 1998

Algumas palavras podem estar convertidas automaticamente do português de Portugal para o do Brasil em acentuação, devido ao computador do autor estar com a versão brasileira.

(com esta publicação este blog completa 400 postagens)

Casa de Macau de Austrália, para seu conhecimento …

Ah, essa Austrália tão longínqua da sede deste blog no Brasil, distante 13.350 km de São Paulo no percurso aéreo, de 19 a 23 horas de voo.  E lá tem uma Casa de Macau de Austrália sediada na cidade mais populosa de Sydney com quase 800 sócios espalhados pela grande ilha e a outra ilha de Tasmânia.  A Casa também chamada de Casa Down Under possui uma sede própria que a chamam de Centro Cultural Macaense.  Chamam-na de “modesta” mas o que se deve prezar é que é – própria.  Tamanho não é documento, o que interesse é que no documento consta a Casa como sua única proprietária, algo que devem ter almejado há anos.  Pelo histórico do site, em 1999, antes (?) da transferência da soberania* os fundos foram providenciados pelo antigo Governo Português para esta destinação. E é lá que os meus primos das famílias Viana e Estorninho moram e são sócios.

Esta é a sua Sede que podem a achar singela, mas que certamente é motivo de orgulho da Comunidade Macaense de Austrália e tem o meu reconhecimento:

O site da Casa está neste endereço eletronico – www.casademacau.org.au – que merece uma visita para conhecerem as atividades da comunidade, que mesmo estando escrito apenas em língua inglesa, sempre se dá para ter uma idéia para aqueles que não a dominam.  A comunidade macaense da Austrália por ser formada de gente oriunda de Macau, e de Hong Kong e Shanghai, ambas em que praticamente falavam o inglês (exceto aqueles que nasceram em Macau e emigraram para as localidades à busca de emprego), e além dos natos no País de acolhimento dos seus pais e avós, e estando numa Nação de língua inglesa acabam adotando-a nas suas atividades em geral.  Assim também acontece nos Estados Unidos e no Canadá onde parte da comunidade somente domina a língua inglesa.

A sua Direção de 2012:

(da esquerda) Mary Basto Rigby, Brendan Basto, Josefa Coelho,
Leonor (Nina) Deacon, Marcus Gutierrez, Ed Rozario, Therese Alonco,
Lizette Viana Akouri e Judy Rocha

No site, estão dois textos que contam sobre a aquisição da Sede e a festa de inauguração.  Publico as versões em língua portuguesa, por mim traduzidas, e as originais em inglês:

A compra da Sede

Desde 24 de Maio de 2007, a Casa de Macau de Austrália tornou-se proprietária de modesta propriedade isolada em Sydenham, Sydnei.  Depois de passar sete anos à procura de um local apropriado, e depois de várias tentativas mal-sucedidas, nossa Casa agora possui uma propriedade que podemos chama-la de “a nossa”.

É um capítulo emocionante da história da nossa Casa, pois nos permite ter uma base na qual poderemos continuar a promover a nossa singular cultura e legado com nosso lema “Manter Viva a Comunidade Macaense”.

A Direção deseja agradecer os sócios que nunca perderam a esperança de um dia conseguirmos atingir o nosso principal objetivo – consciente da destinação estabelecida pelos patrocinadores dos generosos fundos provenientes de Macau em 1999, para o fim específico  de cumprimento do nosso compromisso e aspirações de tantos dentro da nossa Casa e à família a que fazemos parte.  Estamos agradecidos e sensibilizados por este apoio financeiro para o benefício da nossa comunidade.

In english – How they became the owner 

From the 24th May 2007 Casa de Macau Australia became the owner of a modest stand alone property at Sydenham, Sydney. After seven years of searching for an appropriate site, and several unsuccessful attempts, our Casa now has a place to call our own.

This is an exciting chapter of our Casa’s history as it will allow us to have a base from which we can continue to promote our unique culture and heritage with our motto: “Keeping the Macanese Community Alive”.

The Committee, wish to thank the members who never lost faith that we would one day achieve our main objective – cognisant of the mandate set by the providers of the generous funds from Macau in 1999 for this specific purpose in fulfilling our commitment and the aspirations of so many within our Casa and the global family that we belong to. We are grateful and appreciative of this financial support for the benefit of our community.

João Estorninho, à esquerda, é meu primo. Abraço João!

A festa de inauguração da nova Sede da Casa de Macau de Austrália

Em 16 de Maio de 2009, o Centro Cultural Macaense localizado em Sydenham, Sydney, Austrália foi oficialmente inaugurado com o descerramento da placa pelo presidente fundador Vasco Fernando Rodrigues.  A Sede foi abençoada por Fr John Pearce bem como a imagem de Nossa Senhora de Fátima em decorrência da celebração da data de 13 de Maio.

Participaram do evento, além de membros da Direção da Casa de Macau, quatro representantes estaduais de Queensland, Sul de Austrália, Victoria e Perth; o Cônsul Geral de Portugal em Sydney,  Simeão Pinto de Mesquita, membro do Parlamento (Deputado no Parlamento Português da Imigração pelo Círculo de Fora da Europa) de Portugal, Carlos Pascal Gonçalves;  Helen Wong, gerente geral da Macau Government Tourist Office em Sydney e Ben Zaubzer, gerente de marketing , e gerente de eventos, Nick Griffin; presidente of Sydney Portuguese Community Club,  Alberto Marques e o editor do jornal O Português na Austrália,  Tony Martins.

Desculparam-se pela ausência, José Manuel Rodrigues do Conselho das Comunidades Macaenses, cuja carta explicativa foi lida em português, patoá e em inglês por Rogério Fernandes, além de Carlos Monjardino da Fundação Oriente, Gabriela César, Jorge Rangel do Instituto Internacional de Macau , J.Antunes do Turismo de Macau e Morris Hana da OAM, Marrickville Council.

Convidados especiais e sócios desfrutaram do chá de tarde macaense e das festividades, com muita descontração, baile e exibição de Tai Chi, e outros apreciaram a coleção de livros e de história da biblioteca.

O Turismo de Macau ofereceu ao Centro uma coleção de 20 gravuras de Macau, que decoram as paredes das salas sociais, a biblioteca e área de convívio. Nossos agradecimentos a Helen Wong e a sua equipe da MGTO.  Um belo arranjo de flores foi oferecido por Francisco Manhão, presidente da APOMAC com os votos de sucesso.

Agradecimento especial ao presidente fundador Vasco Fernando Rodrigues e à sua esposa por terem-se deslocado da costa sul para Sydney a fim de comemorar conosco este significativo dia histórico da nossa Casa, e contribuir para o sucesso deste inesquecível evento.

Cabe agora aos membros utilizar a Sede e torna-la numa acolhedora e receptiva Casa.

in english

Macanese Cultural Centre Opens

    On Saturday 16th May 2009 the Macanese Cultural Centre, located in Sydenham, Sydney Australia, was officially opened with the plaque unveiled by the Founding President Vasco Fernando Rodrigues. The Blessing was conducted by Fr John Pearce, Parish Priest of St Bridgid at Marrickville including the Feast of Our Lady of Fatima celebrated on 13th May and blessing of Our Lady’s statue.

Joining in the celebration with the Casa Committee, four Interstate Representatives (from Queensland, South Australia, Victoria and Perth); and members on this auspicious occasion was the Consul General of Portugal in Sydney, Mr. Simeao Pinto de Mesquita, Member of Parliament (Deputado no Parliamento Portugues da Imigracao pelo Circulo de For a da Europa) from Portugal, Carlos Pascao Goncalves; Mrs. Helen Wong, General Manager of Macau Government Tourist Office in Sydney and Ben Zaubzer, Marketing Manager and Events Manager, Nick Griffin; President of Sydney Portuguese Community Club, Mr Alberto Marques and Editor from O Portugues na Australia, Mr Tony Martins..

Formal apologies were received from:

• Dr. Jose Manuel de Oliveira Rodrigues, President of the Standing Committee of the Macanese Communities Council and President of the Management Committee of APIM. Dr. Rodrigues requested that his letter be read. This was covered in Portuguese, Patua and English by Rogerio Fernandes.

• Dr. Carlos Monjardino, President, Board of Directors, Fundação Oriente, Portugal

• Gabriela Cesar

• Jorge Rangel, President of the International Institute of Macau

• Mr. J Antunes, Director, Macau Government Tourist Office, Macau

• Councillor Morris Hanna, OAM, Marrickville Council

Special guests and invited members enjoyed a Macanese style afternoon tea. Following the formal proceedings other members dropped in to share and partake in the celebration and festivities. Resulting in much chatter and laughter throughout the Centre, dancing and Tai Chi – including some quieter members keen to view the collection of books and history in the Library.

Macau Government Tourist Office in Sydney presented the MCC with a collection of 20 framed pictures of Macau. This generous donation adorns the walls of the main rooms, Library and family area. Our gratitude to Helen Wong and her team at MGTO. A beautiful floral arrangement was gratefully received from Francisco Manhao, President of the Associacao dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), with their warm wishes of success.

Special thanks to our Founding President, Vasco Fernando Rodrigues and Mrs Rodrigues for coming up to Sydney from the south coast to be with us to celebrate this significant day in the history of our Casa and to help make this a successful and unforgettable event.

It is now up to our members to utilise the ‘sede’ and help make it a warm and welcoming ‘Casa’.

Eis o Boletim (Newsletter) publicado em Janeiro 2012, que relata as atividades da Casa

Clicar no texto abaixo para ler:

Casa.de.Macau.Australia.boletim.Jan2012

Nota: *“Transferência de soberania”: para quem não saiba, Portugal devolveu Macau para a China após uma presença de cerca de 440 anos, que com isso, nasceu a comunidade macaense.

Padre Manuel Teixeira, 100 anos

Em 15 de Abril de 2012 fez 100 anos que nasceu o Monsenhor Manuel Teixeira, ou simplesmente, Padre Teixeira, um grande historiador de Macau. Natural de Freixo-de-Espada-à-Cinta, faleceu em Chaves no dia 15 de Setembro de 2003.

Para lembrá-lo, vou publicar um texto das suas memórias do Seminário de São José.  Padre Teixeira foi professor dos tempos em que eu era aluno externo nos anos 60.  À sua memória, Mestre:

O SEMINÁRIO DO MEU TEMPO

por Monsenhor Manuel Teixeira – Revista Macau Outubro de 1996

Fui seminarista do Seminário de S. José, de Macau, de 1924 a 1933, e professor de 1931 a 1946. Vou descrever as minhas impressões do edifício e dos seus ocupantes, professores, seminaristas e duas espécies de alunos, internos e externos, de 1924 a 1933.

Galeria de figuras ilustres

O Seminário tem um corredor de 80 metros de comprimento que termina num grande salão. Abrindo-se a porta desse salão, serão 100 metros, ou seja, o maior corredor de Macau.

O Seminário foi fundado pelos Jesuítas em 1728 e foram eles os seus directores e professores, em várias épocas: 1728-1762, 1862-1871, 1890-1910, 1930-1939.

Ciosos das suas sucessivas gerações de gigantes, colocaram na parede desse longo corredor as grandes figuras inacianas, de Macau e da China, sobretudo os grandes astrônomos de Pequim.

Os Lazaristas, que lhes sucederam em 1780, não colocaram nenhum dos seus. E foi pena, porque um lazarista, S. João Gabriel Perboyre, que ensinou francês e aprendeu chinês no Seminário, foi o único professor canonizado, até hoje. O seu professor de chinês, Pe. Joaquim Afonso Gonçalves, da mesma Congregação de S. Vicente de Paulo, foi o maior sinólogo português.

Ao passar por esse longo corredor, eu meditava na vida heróica dessas gerações de gigantes que vinham para o longínquo Oriente desprendidos de tudo e de todos, para aqui trabalhar e morrer, sem intenção de regressarem à terra natal.

Não vinham buscar ouro nem prata, nada queriam nem recebiam do seu Governo. Desejavam apenas que este os deixasse trabalhar, para maior glória de Deus.

E que fez o Governo? Em vez de os ajudar na sua missão de bem-fazer, só lhes punha entraves.

Vede o que sucedeu aos Jesuítas: expulsos em 1762, 1871 e 1910. Em 1939, saíram voluntariamente.

Quantos aos Lazaristas, que para cá vieram em 1780, foram expulsos pelo liberalismo, em 1834.

A vida do Seminário ressentiu-se devido a estes choques brutais, e a educação da juventude macaense sofria tratos duma esfera de futebol.

Até que um dia veio um pé de vento e fez voar até os retratos desses gigantes.

Nem sombra ficou deles.

Essas paredes ficaram nuas.

Caíram no olvido as memórias gloriosas desses homens que foram dilatando a Fé e sustentando o Império.

O longo corredor de 80 metros ficou mudo.

Quando voltarão essas figuras a ocupar os seus lugares?

Árvores seculares

Para recreio dos alunos havia e há duas grandes hortas. Nelas vicejavam gigantescas baneanas, cujas ramadas se tocavam umas às outras, abrigando os jovens do sol tropical.

Eram árvores bicentenárias, as mais antigas e maiores de Macau.

Sentaram-se à sua sombra, durante dois séculos, gerações e gerações de estudantes.

Um dia, passou um pé de vento e tombou esses gigantes, que não mais se ergueram.

E tudo o vento levou!

Professores e alunos

Havia óptimos professores no Seminário. Os Jesuítas haviam sido os grandes educadores da juventude macaense.

O Pe. Gonçalves, lazarista, formara muitas dezenas de sinólogos, que se espalharam pelos consulados portugueses de toda a China e foram os seus intérpretes.

O tufão de 1910 foi fatal para a educação em Macau.

O Seminário apanhou tal choque que nunca mais se restabeleceu completamente.

Em vez de religiosos treinados para o ensino, lançou-se mão de padres seculares, que serviam bem para curas de almas, mas não para o ensino.

O pároco de Santo Antônio, que se tinha licenciado em teologia, em Roma, foi nomeado reitor desse Seminário-fantasma.

Chamo-lhe assim porque a República de 1910 fez andar à roda as cabeças juvenis e um bom grupo de rapazes portugueses trocou o casarão do Seminário pelo casarão do Quartel de S. Francisco.

Saíram roídos de amarguras e gravaram as suas saudades num opúsculo muito sentimental, que eu li com emoção (creio que não existe hoje um único exemplar). Foi uma debandada ordeira, sem fel, nem vinagre, nem ódio ou rancor.

Ficaram no Seminário apenas os chineses e muito poucos portugueses.

Era o tecer e destecer da teia de Penélope.

O reitor, com medo de fantasmas, mascarou-os com um uniforme colegial, tirando-lhes a batina.

Esses poucos portugueses ordenaram-se em 1914, 1917 e 1919.

Estava-se nesta apagada e vil tristeza quando se ergueu uma nova esperança, com a nomeação de D. José da Costa Nunes para bispo de Macau, em 1920.

Mandou vir de Portugal e dos Açores várias levas de candidatos à vida eclesiástica.

De 1924 a 1939

O Seminário estava a cargo do clero secular.

Em 1924, chegou o meu grupo de cinco rapazes, precedido doutro grupo duma dúzia de açoreanos, em 1922. Em 1925, novo grupo de portugueses, continuando este afluxo até 1939.

D. José, vendo que os padres seculares não estavam treinados, confiou, em 1930, o Seminário aos Jesuítas. Mas estes, em geral, também não estavam preparados.

Se os padres seculares tinham vindo das paróquias de Macau e das Missões de Timor, Singapura, Malaca, os Jesuítas também não vieram de colégios nem de universidades; vieram das Missões, e alguns bastante velhos, sem nunca haverem ensinado na sua vida.

De 1924 a 1930, todos os meus professores foram padres seculares. Havia um que era competentíssimo na matéria, mas péssimo na profissão: o meu professor de francês, Pe. Régis Gervaix, que havia abandonado o Instituto das Missões Estrangeiras de Paris. Era tão competente que em 1925 foi nomeado professor de literatura francesa na Universidade do Governo Chinês, em Pequim. Era então o único historiador de Macau.

Publicava óptimos livros em prosa e verso.

Mas essas actividades impediam-no de se dedicar ao ensino. Nada ensinava; mas como não falava português e só falava francês, a sua língua materna, aprendemos melhor o francês.

Quanto ao professor de físico-químicas e ciências naturais, era o cura da sé, Con. João Clímaco do Rosário. Nunca preparava as lições. Nós, sabendo disso, podíamos dar todos os disparates, que ele não tugia nem mugia.

O professor de direito canónico foi o padre jesuíta Manuel Fernandes Ferreira. Tinha ido para Timor como missionário, em 1899, e nunca tinha visto o direito canónico, que só foi publicado 18 anos depois. Nas aulas, lia os cânones em latim, sem comentários, enquanto os alunos dormiam e eu fazia poesias.

O único professor competente foi o Pe. Elias Marcai Pequito, sj, que concluiu os estudos na América e veio para o Seminário em 1930. Fiz com ele toda a teologia e aproveitei muito.

Em 1929, encerrou-se o internato e os colegiais regressaram às suas terras.

Em 1939, os Jesuítas abandonaram o Seminário, que foi retomado pelos seculares, até 1968, ano em que deu o último suspiro.

Seminário-Liceu-Escola Comercial, Internato-Externato

Quando eu lá ingressei, em 1924, o Seminário de S. José era tudo isto: seminário para os candidatos aos sacerdócio, liceu para todos, escola comercial para os candidatos às carreiras profissionais, internato e asilo de órfãos para os rapazes, de várias partes do Oriente, e externato para a juventude macaense.

O Liceu oficial e a Escola Comercial estavam praticamente às moscas; o Seminário regurgitava de alunos: portugueses, timorenses, hongkonguenses, malaqueiros, singaporeanos e até macaenses do Japão. Uma verdadeira Arca do Noé.

E se mais mundo houvera, lá coubera.

Em 1923, freqüentaram o Seminário 122 internos e 343 externos. O curso de língua francesa era dado em francês; o curso de música, por um maestro competentíssimo, vindo de Itália; o curso liceal abrangia todas as matérias do Liceu; o curso de inglês abrangia duas partes, a língua inglesa e o curso comercial.

Em 1898, tomava a direcção desse curso um homem que o elevou ao mais alto nível, o inglês Pe. Arkwright; mas esse homem tinha um pecado original, que é imperdoável ao liberalismo, o de ser jesuíta.

Os bancos e as firmas comerciais inglesas de todo o Extremo Oriente recebiam, de braços abertos, os que tivessem tirado o curso comercial sob a direcção do Pe. Arkwright, mas o seu pecado original era imperdoável e a República maçónica de 1910 deu-lhe o grande prêmio pelos grandes serviços prestados à juventude macaense: em vez de colocar o seu retrato no salão nobre do Senado, na galeria dos cidadãos beneméritos de Macau, escorraçou-o daqui.

Mais, o padre jesuíta italiano Francisco Xavier Rôndina, professor do Seminário de 1862 a 1872, que formara muitos macaenses ilustres, teve o seu retrato no salão nobre do Senado de 1872 a 1910, mas o seu terrível e horrendo pecado original nem após a morte encontrou remissão: esse retrato foi apeado pela maçonaria em 1910.

E até hoje não se repararam estes grandes atentados contra a cultura macaense!

Cultura física e intelectual

Em 1924, foi nomeado reitor o Pe. Francisco Bonito Bragança, natural de Tondela.

Fora durante muitos anos pároco da igreja de S. José, da Missão Portuguesa de Singapura, e ali deixou um grande nome; e, ao sair, muitas saudades.

Era muito rigoroso. Mas como os eurasianos eram, e são, gente humilde, aceitavam de boa maneira todo o seu rigorismo.

No Seminário não sucedeu o mesmo. Criou–se um grande mal-estar; e o Pe. Régis Gervaix dizia que ele era como um veado numa loja de louça: partia tudo.

Não se sentindo bem, vários padres abandonaram o Seminário e a Diocese.

Ele esquecia-se da regra básica que deve nortear todos os superiores: Portiter et suaviter, ou seja, firme nos princípios, mas suave na sua aplicação; ou, como diz a Bíblia: Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito (Zac. 4, 6).

No entanto, como era apaixonado pelo desporto, promovia-o entre os internos e externos.

Em 1926, o Governador de Macau, Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães (a quem chamávamos o Má Má) promoveu o campeonato escolar; o Seminário ganhou quase todos os prêmios, incluindo o das regatas, em que entrou a Escola de Pilotagem.

Manifestações culturais

Sendo o Seminário a única escola de Macau que, além do curso secundário, ministrava as classes superiores de filosofia e teologia, era normal que excedesse todas as escolas no campo da cultura e desporto.

De 1/1/1919 a 1/7/1919, os colegiais publicaram uma revista semanal — Juventude —, de fraco valor literário; os seminaristas abriram a “secção dos novos” no Boletim Eclesiástico.

Por iniciativa do aluno teólogo António da Silva Rego, fundou-se, em 2/9/1925, a Academia da Imaculada, com sessões mensais, nas quais quatro ou cinco alunos recitavam perante todos os seminaristas as suas produções literárias em prosa e verso.

Havia ainda os improvisos.  No mesmo dia da sessão académica, era dado um texto bíblico a um aluno para ele o desenvolver. Havia alunos que desenvolviam brilhantemente  esse  texto. Mas houve um, Norberto de Oliveira Barros, que foi o cavaleiro da triste figura. O texto era: Pauculum et videbitis me, et iterum pauculum et non videbitis me (mais um pouco e ver-me-eis, e ainda um pouco e não me vereis). Ele recitou o texto e fez como a ”lágrima” de Guerra Junqueiro: Tremeu, tremeu, tremeu e caiu silencioso. Ele disse o texto, fugiu do palco e ninguém mais o viu: Et non videbitis me.

Coitado! Foi morrer a Timor, fuzilado pelos japoneses, que queimaram o seu corpo!

Formaram-se na Academia da Imaculada vários escritores, poetas e oradores.

Em Timor, esses rapazes, já padres, fundaram a revista Seara, que durou até à ocupação japonesa; em Singapura, a revista Bally, em inglês, que se extinguiu há pouco.

Em Macau, o professor António José Gomes fundou o diário A Pátria, que começou em 1/12/1925 e desapareceu em 30/4/1928, com a morte do seu fundador.

Historiadores e poetas

O poeta mais famoso foi o Dr. António José Gomes, que publicou a Vida de Cristo num grosso volume, intitulado A Cristíade, em hendecassílabos, à imitação de Os Lusíadas. Consumiu a vida inteira na confecção deste poema.

Outro poeta de grande mérito, o de maior inspiração lírica, foi Mons. José Machado Lourenço, que publicou vários livros de poesia e inúmeros poemas em vários jornais e revistas de Macau e dos Açores.

Poetas secundários foram os padres António da Silva Rego, Ezequiel Enes Pascoal, Jorge Barros Duarte e Artur Basílico de Sá. O historiador máximo foi o Pe. Doutor António da Silva Rego, que publicou em 12 grossos volumes a Documentação para a História das Missões do Padroado Português no Oriente e outros livros sobre as Missões Portuguesas de África.

O seu discípulo Artur Basílico de Sá publicou quatro grossos volumes sobre a Documentação do Padroado na Insulíndia.

As obras destes dois historiadores obtiveram renome internacional, constituindo a base de todos os estudos sobre essas Missões.

O Pe. Jorge Barros Duarte, natural de Timor, passou a vida a publicar livros em prosa e verso sobre a história e a etnografia da sua terra. Mons. Antônio André Ngan editou vários livros pedagógicos sino-portugueses.

Na história bicentenária do Seminário de S. José nunca houve uma floração tão esplêndida e fecunda como a de 1924 a 1939.

Da geração de 1924, só restam três: D. Jaime Garcia Goulart, Benjamim Pedro Shek e o autor destas linhas.

Jovens Macaenses: “Um Grande Salto Para Frente”

Parafraseando o programa de Mao Tsé Tung chamado “Um Grande Salto para Frente”, pensei em assim definir o II Encontro dos Jovens Macaenses 2012 realizado em Macau (China), especialmente ao ver as duas fotos acima publicadas no Jornal Tribuna de Macau.

A princípio procurei por rostos da geração antiga macaense, não os encontrei.  Os mais velhos eram os membros do Gabinete de Ligação do Governo Central (da República Popular da China) na RAEM, que receberam a visita dos jovens macaenses, e tão somente eles, que mesmo sendo uma formalidade em cumprimento a um calendário de eventos, tinha o significado de um registro para todos verem o apoio dos novos mandatários de Macau.

Encostei -me na cadeira giratória e fiquei a recordar os tempos em que passei a ter uma participação mais ativa da nossa comunidade, tanto através da Casa de Macau de São Paulo como pelo meu site PMM, a partir do ano 2000.  Eram as reuniões preliminares para o Encontro das Comunidades Macau, os Encontros em si, as reuniões para formação do Conselho das Comunidades Macaenses e as polemicas que giraram em torno dela, e outros eventos.  Recordava que nas fotos oficiais ou não, lá só tinha gente com mais idade, como eu, num período compreendido entre os meus 50 a 60 anos.  Os jovens eram vistos como um projeto futuro para a preocupante continuidade macaense.

Assim as fotos tiveram um grande significado.  Simbolicamente era o resultado de tudo que se falou e foi trabalhado a respeito dos jovens e o seu papel na “continuidade”.  Lá estavam eles, sozinhos, a comandar o “espetáculo”, a conduzir conversas de alto nível.  Era preciso delegar  e confiar nos jovens, que capacidade têm,  basta “deixar fazer” sem interferir, competindo aos mais idosos o papel de conselheiros  acreditando que terão modéstia suficiente para trocar ideias com os mais experientes, quando necessário.

Quanto à Associação que está em vias de ser formada, penso que seus estatutos estão sendo elaborados e discutidos, assim vou deixar de integrar o time de entusiasmados, embora haja motivo para tal, para avaliar com cautela o que se pretende “nos finalmente”, a sua amplitude e extensão.  Sabe-se que também na diáspora macaense-americana houve apresentação de semelhante proposta, porém não teve seguimento.

Ouvi e percebi que há certa reserva quanto à formação de novas associações na diáspora, nada contra os jovens, mas penso que quanto à atribuição de recursos para sobrevivência das Casas de Macau, porquanto ainda não recebem subsídios pontuais ou periódicos, bastante discutidos desde a transição.  Sobrevivem daqueles fornecidos pela antiga administração portuguesa de Macau, salvo erro meu com relação às Casas de outros países, pelo menos posso afirmar com relação às do Brasil que pagam as despesas com os rendimentos de aplicações financeiras, e ainda vão fazendo as contas de quanto tempo as reservas vão durar.  Os jovens, necessariamente ligados às Casas, perderão as suas ligações com Macau quando estas, com o fim dos seus recursos, fecharem as portas, salvo se houver uma associação paralela que lhes pertença e seja subsidiada.

Por fim, penso que não há como contestar que a esperança da continuidade e preservação da identidade macaense, reside nos jovens macaenses residentes em Macau, onde é o centro de tudo.  Pode-se perceber um melhor envolvimento deles nas atividades em geral, como esta do II Encontro, ou das peças teatrais em patoá entre outras.  Assim, o investimento no jovem macaense deve ser prioridade em Macau.  A diáspora será sua coadjuvante, enquanto existirem Casas de Macau.

“Recordar é Viver” de Giga Robarts, foto de 1950

O macaense Jorge “Giga” Robarts tinha publicações no diário Jornal de Macau (devidamente corrigido pelo Giga), nos anos 80, com o tema “Recordar é Viver”, aliás uma frase muito popular até os dias de hoje.  Esta que publico abaixo é de 1987, provavelmente Julho, informação obtida no verso do recorte de jornal através de anúncio do Leal Senado.  A Mariazinha Lopes Carvalho gentilmente quis partilhar o recorte com a comunidade macaense e enviou-me para publicação.  Agradeço muito, pois as fotos antigas do meu arquivo são limitadas e sempre dependo de colaboração dos conterrâneos, escassa hoje em dia, mas entendo, os tempos mudaram desde que lancei o site Projecto Memória Macaense em 2003, uma vez que outros meios de comunicação tal como a rede social Facebook, hoje em dia, já tomam o lugar de um blog ou site criados para esta finalidade.  Só resta adaptar-se aos novos tempos até que estes recomendem a saída do ar, ou uma alteração de direcionamento do conteúdo.

Enquanto isso não acontecer, vejam o que o Giga escreveu e nomeou as pessoas na foto.  A Mariazinha, que recebeu este recorte da Olívia César, complementa com umas informações atualizadas  se alguém tiver algo a mais para acrescentar, seja bem-vindo através do seu comentário.  Aliás falando do Giga Robarts, penso que é daqueles macaenses que teriam capacidade para fazer algo mais, como publicar um livro de tanto que tem para contar, mas infelizmente, o macaense muitas vezes enfrenta certa resistência para ter um apoio, ou ser procurado para tal, pois de um modo o filho da terra é discreto “não gosta de pedir“, um tanto orgulhoso, ou não tem o devido reconhecimento.  Enquanto isso, outros que não têm a característica ganham o seu espaço … e o talento macaense acaba se desperdiçando ou esquecido … para sempre. Embora, convenhamos, vários tiveram também o seu espaço e várias obras foram publicadas, como Henrique de Senna Fernandes, Adé, Cíntia Serro e tantos outros.  No entanto, vale dizer que  Macau sã assi

clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez com a lupa em +

a imagem tem resolução suficiente para impressão e ser guardada como recordação por quem interessar

- Mariazinha Lopes Carvalho complementa:

Sónia de Jesus (Macau), Norma Carvalho Sousa (Portugal), Margarida Nogueira (Portugal), Mercês Jorge (Brasil), Noémia Baptista (Macau ou Portugal?), Ermelinda Baptista (Macau ou Portugal), Olga Baptista (Macau), Fátima Badaraco (falecida), Elsa Osório (falecida), Geraldina Robarts (falecida).

- No entanto, Jorge “Giga” Robarts complementa no seu comentário que foi feito na postagem seguinte dos Jovens Macaenses:

Gostei do blog.(é assim que se chama?).A minha amiga Mariazinha enganou-se em algumas pessoas.  A Margarida Nogueira vive há + de um ano com seu marido Infante, em Brighton, Inglaterra. As irmãs Ermelinda, Olga e Noémia vivem todas em Macau, costumam vir de férias em Julho/Agosto.

As irmãs Pedruco e os títulos de Miss Macau, com vídeo

Quando navegava pelos vídeos da You Tube sobre Macau, vi por acaso um com título “Macau portuguese girl China“.  Estranhei um pouco mas logo imaginei que seria algo sobre Macaenses.  Aí, para minha surpresa, era a reprodução de uma reportagem feita pela TDM chinesa sobre o feito das quatro irmãs Pedruco que conquistaram os títulos de Miss Macau.  Para mim foi um achado, pois já tinha feito várias postagens sobre o tema, em primeiro por ser um feito da gente Macaense, e segundo, por ser um fã de concursos de misses por apreciar bem a beleza feminina.

No entanto, com o meu chinês cantonense “dos tempos da avó“, praticamente perdido por falta de prática, uma tristeza, confesso que entendi quase nada do que as irmãs Pedruco falavam.  Aliás, que cantonense fluente que elas falam … nossa … coisas que nos nossos tempos antigos em Macau, digamos dos anos 60 para trás, a gente quando morava lá, não tinha essa fluência.  Nosso chinês era “cantonense para falar com empregadas” ou ouvir histórinhas do Leóng Sôn Fông (escrevi certo? seria estórias de rádio de um chinês que fazia vozes de vários personangens). Penso, salvo erro meu, que as irmãs Pedruco estão a morar em Macau e era óbvio que elas contavam os seus feitos das quatro terem conquistados os títulos de Miss Macau, algo inédito até hoje.

Vejam primeiro o vídeo do canal de Chinadrama:

Agora vejam as imagens que capturei do vídeo, pedindo desculpas pela baixa qualidade devido ao tipo de origem, mas que servem para registrar momentos marcantes dos concursos e das irmãs Pedruco na atualidade, ou seja, aquando da gravação do vídeo que não sei a época.  Depois que descobrir volto para atualizar esta postagem:

o vídeo no final apresenta um quadro dos quatro títulos das irmãs Pedruco

Miss Macau 1989 – Guilhermina Madeira da Silva Pedruco

Miss Macau 1995 – Geraldina Madeira da Silva Pedruco

a emoção ao ser anunciada como Miss Macau

Miss Macau 1996 – Guiomar Madeira da Silva Pedruco

a emoção ao ser anunciada Miss Macau

Miss Macau 1998 – Isabela Madeira da Silva Pedruco

As irmãs Pedruco anos depois no momento da gravação do vídeo

A imagem foi ligeiramente digitalizada devido a baixa qualidade dela na captura do vídeo. Perdão!

A história das irmãs Pedruco e dos concursos de Miss Macau também está publicada na enciclopédia livre Wikipédia, em inglês.  Veja o texto em português por mim traduzido e o original na língua inglesa

As irmãs Pedruco fazem parte de uma família de quatro irmãs que competiram nos concursos de Miss Chinesa Internacional e o Miss Mundo representando Macau.  Elas são as únicas de uma família de três ou mais irmãs a competir no Miss Mundo e Miss Chinesa Internacional.  Este recorde não foi quebrado até a presente data.

As quatro irmãs são (da mais velha à mais jovem): Guilhermina Madeira da Silva Pedruco, Geraldina Madeira da Silva Pedruco, Isabela Madeira da Silva Pedruco, and Guiomar Madeira da Silva Pedruco.

O concurso de Miss Macau foi realizado em 1972 e de 1985 a 1998 todo ano no auditório do Fórum de Macau.  A ganhadora recebe $100,000 (patacas?) e a oportunidade de competir no concurso de Miss Mundo e Miss Chinesa Internacional.  Não há nenhuma competição preliminar.  O concurso tem sido realizado com ou sem patrocínio.  O patrocinador original do concurso foi a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau.  A instituição somente patrocinou o concurso de 1972.  Em 1985, a Teledifusão de Macau (TDM) assumiu a realização do concurso no anos de 1985 à 1998.  Devido à falta de apoio e baixa audiência, o concurso não teve continuidade após 1998.  De lá para cá, nenhuma representante de Macau competiu naqueles concursos internacionais.

Em 2008 o concurso de Miss Macau voltou a ser realizado e foi promotivdo pela empresa S.I. Promotion Ltd & G&L Group no complexo do casino The Venetian Macau.  A eleita foi Florence Loi. Em 2009, o concurso foi novamente realizado pela mesma empresa e no mesmo local.  A vencedora foi Laura Li.

Guilhermina Madeira da Silva Pedruco

Guilhermina é a irmã mais velha da família.  Atualmente (quando da publicação deste no Wikipedia) tem 37 anos e participou dos concursos de Miss Chinesa Internacional 1989 e Miss Mundo 1989 que foi realizado em Hong Kong. Com 19 anos na época, conseguiu ser a segunda colocada do Miss Chinesa Internacional, mas, infelizmente, não foi  uma das finalistas no Miss Mundo.  Ela é considerada como a mais bem sucedida Miss Macau a competir no Miss Chinesa Internacional, e a única que conseguiu uma premiação no concurso internacional.

O texto original em inglês – in english as written in Wikipedia

The Pedruco Sisters is a family of 4 sisters who has competed at the Miss Chinese International pageant and Miss World pageant representing Macau. They are the only family of 3 or more sisters to compete at Miss World and Miss Chinese International. This record has not been broken till this day.

The four sisters include (from oldest to youngest): Guilhermina Madeira da Silva Pedruco, Geraldina Madeira da Silva Pedruco, Isabela Madeira da Silva Pedruco, and Guiomar Madeira da Silva Pedruco.

The Miss Macau pageant was held in 1972 and from 1985 to 1998 every year in the Forum De Macau auditorium. The winner receives $100,000 and the chance to compete at Miss World and Miss Chinese International. There is no preliminary competition. The pageant has been held on and off as sponsors withdraw from the pageant. The original sponsors for the pageant were Sociedade de Turismo e Diversões de Macau. The company only sponsored the pageant for one year (1972). In 1985, Teledifusão de Macau took over the pageant and held the pageant from 1985 to 1998. Due to lack of support and lack of audience, the pageant was eventually discontinued in 1998. From 1998 to now, no Macau representative has competed at Miss World or Miss Chinese International.

In 2008 Miss Macau pageant was restored and hosted by S.I. Promotion Limited & G&L Group at The Venitian Macau. The winner was Florence Loi. The pageant returned in 2009 by S.I. Promotion Limited % G&L Group at the same location and winner is Laura Li.

Guilhermina Madeira da Silva Pedruco

Guilhermina is the oldest sister of the family. She is 37 years old now and competed at Miss Chinese International 1989 and Miss World 1989 held in Hong Kong. 19 years old at that time, she finished as second runner up at Miss Chinese International 1989 and unfortunely was unplaced at Miss World 1989. She is considered to be the most successful Miss Macau at Miss Chinese International as she is the only winner to win an award at the international pageant.

O Restaurante Miss Macau celebra a conquista dos títulos pelas irmãs Pedruco

No interior do restaurante 4 molduras com as fotos das irmãs Pedruco coroadas Miss Macau

Velhos tempos da Paróquia de S.Lourenço, Macau

Igreja de São Lourenço, Macau

Relembrar ou republicar fotos não é pecado, com certeza, não! Umas já publiquei no site Projecto Memória Macaense, mas agora volto a publicar com melhor resolução  a 300 dpi e salvas em qualidade alta, de forma a permitir a sua impressão para lembranças de seus familiares.

São fotos das vivências de quem fez parte da Paróquia de São Lourenço e das atividades da Igreja como Legião de Maria, além da minha 1ª comunhão na qual tem tanta gente conhecida, e talvez algum conterrâneo seja leitor deste blog e não tenha a foto.  A época é os anos 50, mais para o final, e talvez o início dos 60, não tenho certeza.

Clicar nas fotos para aumentar e depois mais uma vez com a lupa em +.  Parecem imagens grandes mas são pequenas no máximo um postal quando impressas.  Clique em Imprimir com Visualização e verás o tamanho real

Eu, Rogério Luz, estou na 2ª fila, o 3º, a contar do seu lado esquerdo

A minha mãe, Marcelina Luz, é a 1ª da 2ª fila, e o Padre Moreira, o 3º, a contar da esquerda.  Não vou arriscar a dizer os nomes, mas se eventualmente alguém quiser colaborar, o comentário serve para isso e agradeceria muito.

Rita Xavier, macaense, conquista 2 títulos mundiais de Kung Fu

Rita Xavier em 1º lugar

Rita Xavier, natural de Macau e residente em Portugal, ganhou dois títulos Mundiais de Kung Fu, nas categorias Masters Punhos Soft e Armas Soft no World All Styles Championship 2012, uma das mais importantes competições internacionais da modalidade, organizada em Torres Novas, em Portugal, nos dias 23, 24 e 25 de Março.

Rita competiu pela Escola de Kung Fu NT (Porto), de Nuno Terróia, que disputou o campeonato com 21 atletas e obteve 13 títulos Mundiais, 10 vice-campeões e 5 terceiros lugares.  Os 13 títulos Mundiais conquistados pelos sete atletas portugueses foram: Joana Pinto (Punhos 6/7 Anos Open), Pedro Moniz (Punhos 8/9 nos Open), Laura Terróia (Armas 10/12 Anos Open-cast/negros), Mafalda Ramos (13/14 Anos Punhos Soft), Mariana Tavares (quatro títulos em 13/ 15 anos Punhos, Armas, Combate e Forma de Grupo), Maria Ramos (dois títulos em 17/18 Anos de Punhos Hard e Armas Hard) e Rita Xavier (em Seniores Femininos: dois títulos em Masters Punhos Soft e Armas Soft). Ao todo, a competição contou com 3.600 participantes, provenientes de quarenta e quatro países diferentes, incluindo o Brasil.

O mestre do Espaço de Kung Fu NT que tem a referência Força dos Sentidos, Nuno Terróia, feliz com os títulos conquistados pela sua escola declarou “esta vitória é um grande orgulho para nós e também para Portugal, sendo o resultado das muitas horas de trabalho, concentração e dedicação dos nossos atletas”.

Rita Xavier é médica em Portugal, nasceu em Macau e é filha do macaense (engº) José Lancelote Xavier e de Manuela Xavier (Algarve/Portugal).

Parabéns Rita, para nós macaenses é um grande orgulho que uma “filha da terra” tenha conquistado tão importantes títulos mundiais.

* grato Fernando ‘Nano’ Branco e André Branco pelas dicas e fotos

Jovens de S.Paulo a caminho do Encontro em Macau

Nunca viajaram para Macau, nem sequer sabem uma palavra do chinês cantonense ou mandarim, mas não tem importância, pois vão conhecer Macau. Participar do II Encontro dos Jovens Macaenses de 2012, tomar conhecimento das propostas que lhes serão apresentadas, além de conhecer essa Macau tão falada na associação que frequentam, são alguns dos objetivos dos jovens (da esquerda) Daniela McLean, Bruno António e Monique Assis.  Bruno, o mais velho, quase nos trinta anos, tem a grande missão de fazer companhia às jovens moças ou raparigas como se diz em português de Portugal.

Boa viagem jovens macaenses paulistas e que tudo dê certo neste longo caminho para a nossa terra Macau.  Que tomem consciência das propostas apresentadas, e que um dia possa ter proveito para a diáspora macaense paulista e a sua Casa de Macau.

O Encontro tem início no domingo de Páscoa, 8 de Abril.  Sucesso !!!

Cíntia Serro e o seu livro de receitas de culinária macaense

Cíntia Serro na sua participação na conferência de Gastronomia realizada no Encontro das Comunidades Macaenses, alertava que a tradicional gastronomia macaense “não se deve deixar perder ou cair no esquecimento”.  Realçava no entanto que “ainda bem que hoje em dia se está a despertar para uma realidade que nos identifica”, a frisar que tinha inúmeras receitas manuscritas, herdadas da sua tia que carinhosamente a chama de tia/mãe, Albertina Martins de Carvalho Borges, atualmente com 92 anos.  Foi com ela que aprendeu a cozinhar e conhecer os segredos da culinária macaense.

Cíntia de Carvalho Conceição do Serro, nascida em Macau em 1943 e criada na freguesia de São Lourenço, despertou interesse do IIM- Instituto Internacional de Macau que decidiu patrocinar o lançamento de um livro, ricamente ilustrado, com cerca de 200 páginas contendo essas receitas, muitas tradicionais e algumas desconhecidas do público macaense.  No seu site, o IIM, nas palavras do secretário geral Rufino Ramos, justificou o apoio como “a oportunidade de divulgar os segredos da centenária gastronomia macaense e a iminente classificação desta como património imaterial da RAEM”.

Já uma “amiga da Casa”, Cíntia escolheu a Casa de Macau de Toronto, Canadá, para fazer o primeiro lançamento do livro no dia 18 de Março de 2012. Numa cerimónia singela, mas soberba a servir diversos pratos da culinária macaense, a presidente da Casa, Mónica Alves, fez as apresentações e em seguida, Cíntia, a falar em português e inglês, disse que estava a realizar um grande sonho, esperando que o livro possa contribuir para divulgação da gastronomia macaense. Ainda agradeceu o Instituto Internacional de Macau pelo apoio, especialmente à pessoa de Jorge Rangel, que foi representado pelo secretário geral Rufino Ramos.

O “Livro de Receitas da minha Tia/Mãe Albertina”, editado em português, com previsão para versão inglesa, brevemente será lançado em Macau e depois em Lisboa.  No boletim da Casa de Macau de Toronto de 26 de Março podia-se ver um aviso que ainda havia alguns exemplares para venda a $ 20,00 (dólares canadenses/canadianos), dando uma idéia do seu preço.

Nós aqui do Brasil, vamos ver se conseguimos comprá-lo pelo site do Instituto Internacional de Macau, aliás para seu conhecimento, faça uma visita e veja inúmeros livros que falam sobre Macau à venda. Uma sugestão ao IIM, que tal enviar umas dezenas de exemplares para cada Casa de Macau, de forma a permitir a comunidade macaense da diáspora adquirir o livro? Assim não teríamos que esperar por uma próxima viagem a Macau para fazê-lo. Ou então, para não haver desperdício, pois deve ter uma produção limitada, as Casas poderiam aceitar encomendas pagas antecipadamente pelos sócios ou interessados.  Seria um esforço para auxiliar na divulgação da culinária macaense, e uma atitude positiva para aqueles que estão longe de Macau e das suas livrarias.

Glória Soares Anok, editora do boletim da Casa de Macau de Toronto, gentilmente enviou as fotos abaixo com legendas, link para um vídeo-foto clip e um texto em inglês, por mim traduzido, a respeito do evento ocorrido na associação:

Tradução:

“Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina”

Cíntia do Serro

A Casa de Macau de Toronto teve a honra de ter sido a primeira sede de lançamento do livro de receitas de Cíntia Serro. O evento, de grande sucesso, foi realizado na nossa associação no dia 18 de Março de 2012, um domingo.

Além da participação dos nossos sócios e amigos convidados da Cíntia, o evento contou com a presença de ilustre convidado: Dr. Rufino Ramos (representante de Dr. Jorge Rangel) do IIM Instituto Internacional de Macau, o editor do livro. Comendador Gustavo da Roza e António Jorge da Silva foram também convidados , já que estavam na cidade a participar de uma Conferência Portuguesa na Universidade de Toronto.

Cíntia vai estar em Macau em Junho para fazer o segundo lançamento do seu livro, e mais tarde, ainda neste ano, em Portugal.  Para felicidade dos leitores (de língua inglesa),  uma versão em língua inglesa do Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina será lançada ainda neste ano.

*fotos e texto elaborado com consulta ao site do Instituto Internacional de Macau, site da Casa de Macau de Toronto, Jornal Tribuna de Macau e o blog PCB Magazine.

Cíntia Serro na Conferência de Gastronomia do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010

fotos de Rogério P.D. Luz

O artigo de Jorge Rangel publicado no Jornal Tribuna de Macau em 10/04/2012

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Ex-alunos do Seminário S.José, fotos da reunião 2012

Em 2012, no dia de São José em 19 de Março, a exemplo do ano anterior e pela 5ª vez, os antigos alunos externos e internos do Seminário de São José voltaram a se encontrar em Macau, primeiramente na Igreja de São José, anexa à escola, para assistir à missa celebrada pelo Bispo de Macau, Dom José Lai.  Após, reuniram-se para um jantar de confraternização.  No total, cerca de 80 ex-alunos participaram da reunião anual, sendo 50 dos externos e 30 internos ou antigos seminaristas.  José Cabral, um dos organizadores, disse ao Jornal Tribuna de Macau que o objetivo é “reavivar o passado e os tempos de escola“.

Manuel Basílio, também ex-aluno, foi o fotógrafo que gentilmente enviou-me uma série de fotos e selecionei alguns para publicação no blog.  As demais, e todas, serão posteriormente publicadas em álbum do FlickR e expostas no site do Projecto Memória Macaense para este importante registro. Muito obrigado Basílio!

Esta postagem complementa a anterior publicada no dia 21 de Março. O  autor deste blog, que também estudou o primário e o secundário completos no Seminário, saúda a todos os antigos alunos e que continuem com estes encontros todos os anos. Parabéns pela iniciativa, e quem sabe, se for possível, em 2013, talvez pudessem reunir-se excepcionalmente com os seus ex-colegas de escola da diáspora macaense que viajarem para o Encontro das Comunidades Macaenses.  Se acontecer e se eu puder viajar para Macau, certamente estarei presente para matar as saudades.

* Atualização 19.04.2011: Agradeço o comentário Rui Francisco pela retificação necessária já feita: o atual Bispo de Macau é Dom José Lai (e não Dom Domingos Lam, já falecido). Não deveriam ocorrer esses lapsos, mas infelizmente acontecem.

(clicar nas fotos para aumentar de tamanho)

Miss Macau 1996, o 4º título das Pedruco

Folheando a Revista Macau, edição de Outubro 1996, vi um curto artigo nas páginas do Noticiário que o título de Miss Macau 1996, coube pela quarta vez a outra Pedruco.  Desta vez foi a Guiomar Pedruco, que sucedia a sua irmã Geraldina que foi a Miss Macau 1995.  Infelizmente não tenho nenhuma edição da Revista Macau do ano 1995 para pesquisar a notícia da sua eleição.  Se conseguir a edição que fale a respeito, farei a publicação.

Vejamos o que foi publicado:

MISS MACAU — A estudante Guiomar Pedruco, 21 anos, foi eleita Miss Macau 1996, sucedendo à sua irmã Geraldina Pedruco, vencedora do concurso em 1995.

Lei Fei, 22 anos, foi coroada primeira Dama de Honor e Miss Fotogenia, enquanto Chiu Nga Ling, 20 anos, foi eleita segunda Dama de Honor. O título de Miss Simpatia foi atribuído a Chan Lei Man, 24 anos.

Com a conquista do título de 1996, a família Pedruco chamou a si a quarta vitória no concurso organizado pelos Serviços de Turismo, depois de idênticas proezas em 1989, por Guilhermina Pedruco, em 1993, por Isabela Pedruco, e em 1995, por Geraldina Pedruco.

Nota: Para ver as postagens a respeito das Pedruco e os seus títulos de Miss Macau, pesquise na coluna da direita em Categorias e clique no título (em sub-título da categoria Macaenses)

Macau 2000, a recordar os convívios na Reunião Preliminar

Uma postagem para recordações pessoais e dos amigos que participaram da Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, realizada em Macau de 26 de Novembro a 2 de Dezembro de 2000.  Para mim foi um momento histórico ao pisar na minha terra natal, pela primeira vez, e ver a Macau vestida de “sandálias chinesas‘.  Quando lá estive anteriormente por ocasião do Encontro de 1999, Macau ainda calçava ‘tamancos portugueses’.  Era o fim de uma linda história que precisou de cerca de 440 anos para ser contada, e o início de uma nova era na vida desta terra que chamava-se Cidade do Santo Nome de Deus, Não Há Outra Mais Leal e que passou a ter um nome mais técnico de Região Administrativa Especial.

Uma coisa que fiz questão de fazer era percorrer a cidade toda e sentir as diferenças.  Vi com tristeza os símbolos portugueses trocados pois era preciso que os novos deveriam representar os seus novos administradores, a rigor, os originais anteriores à chegada dos navegantes portugueses. Macau estava vestida de RAEM.  No entanto, estava feliz que a comunidade macaense estava sendo, de uma forma, prestigiada com o apoio do novo Governo.  A realização do Encontro 2001 era uma oportunidade para mostrá-lo, mas anteciparam para assim o fazer nessa Reunião Preliminar (veja postagem anterior – Macau 2000, os acenos positivos aos macaenses).

Veja as fotos que trazem recordações dos que partiram para o descanso eterno, a saber, o Padre Teixeira, José Achiam, Eduardo Jacinto, Joaquim Morais Alves e José Boyol Santos Ferreira. Participei da Reunião Preliminar como membro da Direção da Casa de Macau de São Paulo:

Um momento muito significativo para mim foi poder tirar uma foto com o meu antigo professor do Seminário o Monsenhor Padre Manuel Teixeira, tendo do lado esquerdo o Carlos Cordeiro da Macau Cultural Association/Vancouver/CA. Isto aconteceu na recepção de 29/11 oferecida pelo Cônsul português Carlos Frota na sua residência oficial instalada no antigo Hotel Bela Vista. Deu um certo alívio e pingos de saudades ao ver a bandeira portuguesa hasteada. Parecia que ainda vivia os tempos antigos.

Da direita, o simpático dirigente chinês da Macao Club/Toronto/Canadá, o Bispo de Macau, Sérgio Pina da Macau Cultural Association/Vancouver/Canadá e eu, Rogério P.D. Luz

O almoço no Instituto de Formação Turística, em Mon Há, onde foi realizada uma sessão da Reunião Preliminar. Da direita, eu ao lado do jornalista português José Pedro Castanheira que fez uma palestra para lançamento do seu livro "Os Últimos Cem Dias de Macau", em seguida, Armando Ritchie da Casa de Macau de São Paulo, Sérgio Pina e o saudoso José Achiam que fazia parte da Comissão Organizadora.

Palestra promovida pelo Instituto Internacional de Macau, com Jorge Rangel sentado ao lado de Joaquim Morais Alves. O IIM ofereceu um jantar no jardim das suas dependências após assinatura de convénios com algumas Casas de Macau.

Outra sessão da Reunião ocorreu no Clube Militar onde foi oferecido um belo jantar. Na foto, da esquerda, Henrique Manhão da Casa de Macau dos EUA, Fernando Pina e Francisco Rodrigues, ambos da Casa de Macau do Rio de Janeiro, Lourenço Conceição e Isabel Silva da Casa de Macau de Toronto/Canadá, Carlos Cordeiro e Sérgio Pina da Macau Cultural Association/Vancouver/Canadá, e o autor deste blog

Um momento da procissão realizada à volta da Ermida da Penha, tendo à esquerda o saudoso Eduardo Jacinto, da Comissão Organizadora ao lado do Bispo de Macau, D. Domingos Lam. Era a cerimónia de consagração de Nossa Senhora como Padroeira das Comunidades Macaenses.

O almoço no Hotel Mandarim. Da esquerda, José Achiam, Rita dos Santos, Armando Ritchie, o saudoso José Boyol Santos Ferreira que representava o Clube Lusitano de Hong Kong, Sérgio Pina, Francisco Rodrigues, Fernando Pina, Carlos Cordeiro e eu, Rogério.

Uma fotografia histórica, para mim, pois posava pela primeira vez, após a transição de Macau para a China, diante do Palácio do Governo com o símbolo da RAEM substituindo o escudo português. Ao lado de Armando Ritchie, tínhamos acabado de participar da apresentação de cumprimentos e troca de presentes com o Chefe do Executivo Edmund Ho em 31/Novembro.

Foi uma noite de emoção, muita emoção. O saudoso José Boyol Santos Ferreira ao violão começou a cantar "Macau, terra minha" do Api e Thunders. Estabeleceu-se um silêncio geral e a emoção a tomar conta dos participantes do jantar oferecido pelo Restaurante Mário. Tinhamos razão de estarmos emocionados com lágrimas a escorrer pelo rosto, a nossa Macau não era mais portuguesa como a canção se referia. Pouco a pouco ouviam-se tímidas vozes a procurar cantar com o Boyol. Superada a emoção, a canção ganhou um coral que ao final foi muito aplaudida. O José Boyol, salvo erro, falecia no ano seguinte antes da realização do Encontro 2001. Convivi com ele ouvindo-o a contar da sua doença que o vitimou pouco depois. Descanse em paz e muito obrigado pelos belos momentos de emoção.

Outro aspecto do jantar oferecido pelo Restaurante Mário com comida macaense, e 'qui sabroso', gostei muito e matei as saudades da nossa culinária. O Boyol após as emoções relatadas na foto anterior, cantou diversas canções alegrando o ambiente.

Saudades, muitas saudades.  E que privilégio poder ter vivido esses belos momentos de convívio, e o momento histórico de retorno à terra que passou a ser chamada oficialmente de RAEM.  Deus te proteja Macau!

Macau 2000, os acenos positivos aos macaenses

Faltando pouco menos de um mês para o primeiro aniversário da transição de Macau para a República Popular da China, após cerca de 440 anos de administração portuguesa, foi realizada em Macau a Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, também chamado de Encontro do Novo Milénio.  Ocorrido entre Novembro a Dezembro de 2000, reuniu os dirigentes das Casas de Macau e eu participei como membro da direção da Casa de São Paulo juntamente com o então presidente Armando Sales Ritchie.

Foram momentos históricos e inesquecíveis os encontros, pela primeira vez, com os dirigentes da nova RAEM-Região Administrativa Especial de Macau, criada em 20 de Dezembro de 1999, a saber: o Chefe do Executivo Edmund Ho, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, atual Chefe do Executivo Chui Sai On e o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da R.P.da China na RAEM Yuan Tao.

Na época, ainda não tinha este blog e nem o site Projecto Memória Macaense, e pouco imaginava que pudesse criá-los a partir de 2003, pois era um iniciante na informática e na Internet, mas redigia o Boletim da Casa de Macau e havia que recolher documentos e tirar fotos para publicação e lembranças.  A rever os meus arquivos, vi as fotos e a documentação da 1ª Reunião Preliminar da era RAEM que publico nesta e futuras postagens.

Assim, para recordar o que aconteceu nesta Reunião, publico em primeira mão, os discursos do atual Chefe do Executivo e do Comissário do Ministério que me foram cedidos pelas suas assessorias.  Neles podemos ver os acenos positivos aos macaenses, e bom que se registe, aconteceu em Novembro de 2000, menos de um ano da transição.  Vejamos:

(clicar nas imagens para aumentar, e depois mais uma vez)

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, atual Chefe do Executivo Chui Sai On discursa no jantar oferecido aos participantes da Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, em 27/Novembro/2000.  Veja abaixo o seu discurso traduzido tal qual como me foi entregue pela sua assessoria:

Abaixo, a foto oficial tirada em 30/Novembro/2000 com o Comissário Yuan Tao, e em seguida, o seu discurso traduzido, tal qual como me foi entregue pela sua assessoria:

o autor deste blog é o 3º da esquerda na 4ª fila a contar da última, atrás de Vítor Serra. O Comissário Yuan Tao é o 4º da primeira fila, a contar da esquerda. A foto nos permite matar as saudades dos que partiram para o descanso eterno, de pelo menos cinco dos participantes da Reunião.

Festividades chinesas contadas em Portugal na Fundação Casa de Macau

(no título acima, lê-se FUNDAÇÃO, uma falha do provedor americano que não previu o Ç nesse espaço)

Só mesmo em Lisboa! Por isso que falo, Portugal é a origem da Macau que vemos hoje, e é bom ver iniciativas como esta da Fundação Casa de Macau, a falar das festividades chinesas da nossa terra significativas tanto para aqueles que lá residiram, nasceram ou que tenham interesse por conhecê-las.  Os portugueses lá estiveram, se misturaram com o povo chinês de uma forma ou outra, e lá se formou uma gente chamada Macaense, portanto, os costumes chineses também fazem parte da cultura de toda essa gente.

Veja o comunicado recebido por e-mail:

CICLO DE TERTÚLIAS – 2012

Macau e as festividades tradicionais, recordadas ao fim da tarde, ao sabor de um chá chinês.

Na primeira terça-feira de cada mês, evocamos uma festividade, revemos imagens antigas, relemos textos, partilhamos memórias.

Abril – «Ching Ming» (por recair na semana Santa, esta tertúlia realizar-se-á na segunda terça-feira, dia 10 de Abril)

Maio – «Tin Hau»

Junho – «Dragão embriagado»

Julho – «Barcos Dragão»

Setembro – «Espíritos Famintos»

Outubro – «Bolo Lunar»

Blog macaense: PCB Magazine, conheces?

Um blog com publicações trimestrais: Março/Junho/Setembro/Dezembro? É isso aí! Pelo que entendi, seria uma espécie de Boletim do PCB-Partido dos Comes e Bebes, cujo lema anunciado em patuá, é: Comê, Bebê, Dançâ, Papiâ, Cantâ.  A sua redação e colaboradores conta com uma extensa lista de 15 nomes, algo difícil mas possível no PCB, que, pelo visto, continua firme e forte a promover convívios, especialmente gastronómicos, desde Julho de 2007.  A sua sede é em Portugal e o endereço é o abaixo (apesar do com.br – o blog é de Portugal):

http://www.pcbmagazine.blogspot.com.br/

Senti-me em casa ao visitar o blog que já o conheço há algum tempo, pois é uma extensão do site Gente de Macau, assim como o Crónicas Macaenses é em relação ao site Projecto Memória Macaense. O site deles completa cinco anos em Julho.  Penso que será uma bela festa com “Comes e Bebes” e boa comida macaense não irá faltar.

No blog podemos ver excelentes textos em patuá de diversos autores, a destacar a competência do Filipe do Rosário.  Aliás o Filipe era meu vizinho em Macau na infância, embora não saiba dizer se tem mais ou menos a minha idade.  Ele morava na Rua São Miguel e eu na Rua Nova São Lázaro, ambas no bairro de São Lázaro. Além disso, podemos ler vivências em Macau, antigos costumes e tantas coisas que conseguem despertar saudades dos nossos belos tempos em Macau.

Belo trabalho gente de Macau.  Continuem assim por muitos anos, pois estamos aqui na Internet para falar de nós, da Macau que nos toca no coração, nos divertir, cada um com o seu jeito de publicar, mas com um objetivo saudável.

Eleições na Casa de Macau em Portugal

Conforme divulgado no Jornal Tribuna de Macau, edição desta data, foi eleita a lista/chapa única concorrente às eleições na Casa de Macau em Portugal que se realizaram no sábado passado dia 24.  Liderada por António Faria Fernandes, a Direção eleita vai continuar a administrar a associação por mais três anos.  Vítor Serra de Almeida e Rogério Duarte Leiria foram também confirmados como presidentes da Assembléia-Geral e do Conselho Fiscal.

Destaco a árdua tarefa do presidente reeleito em procurar atrair os naturais de Macau, e aqueles com fortes ligações à antiga possessão portuguesa, conforme disse ao jornal, além fazer os sócios sentirem mais a Casa como a sua ao incrementar as atividades, tais como o Chá Gordo ocorrido no dia das eleições.  O assunto dos jovens também foi levantado como um dos desafios, o que já é notório nas Casas de Macau do mundo, e a de Portugal pelo visto não é exceção, apesar de estar localizada no País da nacionalidade da maioria dos macaenses. 

O blog Crónicas Macaenses e o site Projecto Memória Macaense desejam aos novos Órgãos Sociais muitas felicidades, parabéns e sucesso nas suas iniciativas e no cumprimento das suas metas.

Veja abaixo o artigo publicado no JTM:

Jorge Rangel na RTP e o feriado de 1º de Dezembro

Foram diversos e-mails que recebi, juntando o link para o vídeo divulgado no You Tube com excerto do debate do programa da RTP “Prós e Contras” em 19/03/2012,  cujo tema foi – Adeus Feriados.

Nele se vê a bem aplaudida intervenção de Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, a respeito do feriado de 1º de Dezembro em Portugal, entre tantos que se pretende abolir. Achei interessante a presença macaense, como a apresentadora bem destaca, num assunto da vida em Portugal.  Jorge Rangel, no último governo português de Macau, antes da transição para a China em 20/12/1999, era Secretário Adjunto para a Administração, Educação e Juventude.

E, para quem não saiba, a Wikipedia assim fala do 1º de Dezembro:  “a Restauração da Independência é a designação dada à revolta dos portugueses, iniciada em 1 de Dezembro de 1640, chefiados por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou por todo o país, contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da 4.a Dinastia Portuguesa que parte da casa de Bragança“.

Eis o vídeo:

Pôr do sol na Casa de Macau de São Paulo

Esta é a parte de trás das instalações da Casa de Macau de São Paulo, vendo-se à direita o prédio sede, no centro o ginásio onde se realizam as festas e os almoços dominicais, e à esquerda a Represa de Guarapiranga que abastece parte da cidade de São Paulo.

A Casa de Macau já está há cerca de 23 anos instalada nesta propriedade da Fundação Oriente, que é ponto turístico para a comunidade macaense mundial que visita São Paulo. Não resta dúvida que é um privilégio ter uma represa nos fundos, com bela vista, podendo-se nos fins de semanas avistar variadas embarcações a navegar.  Mais ainda, quando sentado na varanda do ginásio, poder contemplar belos pôr de sol na represa, isto é, se for daqueles que ficam ‘jogando conversa fora‘ até tarde, ou se for um dos diretores, a trabalhar até o sol se pôr anunciando que é hora de ir para casa.  Fui um deles, e com isso pude tirar as mais variadas fotos do belo espetáculo proporcionado pela natureza!  Vejamos algumas fotos que selecionei: