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Mais Minchi de Cecília Jorge

Complementando a postagem anterior <Minchi por Cecília Jorge, com 2 receitas> publico mais 3 receitas de minchi (Brasil: carne moída) que foram citadas no final do texto.  Bom apetite:

MINCHI MISTO DE VACA E PORCO

carne de vaca -> 250 gr.

carne de porco -> 250 gr.

Alho -> 2 dentes, picados

Cebola -> 2 grandes, picadas

molho de soja escuro (lou châu) -> 1 colher de sopa

claro (sám châu) -> 2 colheresdesopa

fécula de milho -> 1 colher de chá

banha de porco (ou óleo) -> q.b. (a gosto)

açúcar e pimenta -> q.b.

batata frita, aos quadradinhos -> q.b.

Limpar bem as carnes de vaca e de porco de gorduras, picar e temperar, separadamente, com uma pitadinha de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho.

Aquecer bem num tacho a banha (ou o óleo) com o alho picado e fritar primeiro a carne de porco, juntar minutos depois a carne de vaca, virando e carregando as carnes para as cozer por igual e soltar. Juntar a cebola picada e tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo. Juntar o molho de soja escuro só pouco antes de retirar do lume, deixando absorver bem. Acompanhar com a batata frita, que se pode misturar à carne ou colocar só por cima.

 

PÃEZINHOS FRITOS

Eram presença obri­gatória nos “chás-gordos” macaenses e são uma das formas de aproveitamento do minchi de porco, ao qual se acrescenta, ao fritar, um pouco de açafrão ou curcuma. Há quem acrescente malaguetas (chile) picadas a esse minchi ou o faça com caril. Os pães, salgados, de preferência redondos e com cerca de seis centímetros de diâ­metro, são generosamente recheados com minchi depois de se lhes abrir uma pequena “janela” quadrada, que é depois de novo tapada. Fritam-se em óleo bem quente e são postos a escorrer antes de servir.

 

LUC-KIT

Croquetes panados que re­sultam de um aproveita­mento do minchi, seja misto, só de porco ou só de vaca.  Faz-se um purê de batata sim­ples e consistente e formam-se croquetes com recheio de minchi e invólucro de purê. Passam-se por ovo batido e pão ralado antes de fritar.

Minchi por Cecília Jorge, com 2 receitas

Na sua série Tacho do Diabo publicada nos anos 90 na Revista Macau, Cecília Jorge escreve sobre o Minchi (Brasil: carne moída), prato típico da gastronomia macaense, e nesta postagem publico duas receitas e na próxima outras três que são citadas no texto.  O artigo foi publicada na edição de Junho de 1992 da Revista Macau:

VENHAM DAÍ OS MINCHI

de Cecília Jorge (Junho 1992)

Nenhum prato típico macaense parece ser tão estimado e tão popularizado como o minchi, especialidade que merece a honra de estar incluída no mínguo jargão luso dos cantonenses, ao ponto de o seu nome ser entendido na praça e nos supermercados.

 

Minchi, ou minche ou mesmo minxi (carne moída) , deve ser corruptela do inglês minced, picado. Quando e por quem foi criado não se sabe, e o mais lógico será ter havido mais do que um autor e uma legião de cultores deste sabor muito próprio aos macaenses.

Porque minchi é macaense, castiço, fruto da convivência de gostos orientais e ocidentais: é a carne cortada em picadinho, para facilitar a vida a quem come (à boa maneira chinesa), e refogada com alho e muita cebola picadinha (à portuguesa). E é o molho de soja casado (às vezes) com um chouriço de carne, com o ovo estrelado a cavalo, mais as batatinhas aos quadradinhos, para se comer com arroz branco, insosso. Ou na versão mais requintada, de entre as muitas dezenas que existem: um minchi de pombo, de camarão ou de peixe.

Não há dois minchi iguais, mesmo que a receita emprestada seja seguida à risca… mas, por paradoxal que possa parecer, um determinado minchi sabe sempre da mesma maneira quando é “marca da casa”, quando parte da mesma cozinheira.

Diz quem sabe, que a singeleza não vem tanto de um qualquer segredo mantido a sete chaves e herdado em sentido descendente da cadeia genealógica como do cunho pessoal, de força e temperamento, e do manipular, do dosear dos temperos, da maneira como se pica a carne, que os mestres faziam com dois parões (cutelos chineses), e das voltas que se lhe dá, ao lume, sabendo quando e como a revirar no tacho para tirar dela o melhor aroma.

E o minchi, quando é bom, sabe mesmo bem; cria hábito, cria vício, traz grande fama a quem o faz, a ponto de ser falado nos convívios de café, recordado pelos gastrónomos.  A excelência de um minchi, quando vicia a ponto de a “vítima” não se servir de mais nada dos milhentos acepipes colocados ao seu dispor, atirando-se, de colher em riste, a uma montanha de minchi por cima do arroz branco, dá mesmo origem a uma alcunha muito popular nesta comunidade: o minchi.

A partir do minchi é imensa a capacidade criativa, em busca de uma refeição diferente: são os croquetes, os chilicotes, os pãezinhos recheados; são as mil e uma misturas utilizando outras carnes e vegetais; é o arroz chau-chau; o desenjoo de uma bebinca só de nabos — que não vem, ainda, ao caso.

Dizia um gastrónomo — visivelmente rendido aos sabores da cozinha macaense — tratar-se do melhor prato sino-europeu do mundo e favorito entre os macaenses.

António Vicente Lopes, que em 1977 publicou em Macau as Receitas da Cozinha Macaense, aventava a hipótese de o minchi ter sido aperfeiçoado em Hong Kong, após a primeira diáspora dos macaenses, em 1840, nessa direcção e quando Hong-Kong ficou sob a administração britânica e os nossos recursos trilingues eram muito procurados bem como os nossos conhecimentos euro-orientais dos povos, costumes e comércio.

Obviamente, António Lopes inclui no seu livro nem mais nem menos do que dezasseis receitas de minchi, com variações e aditamentos, que vão desde o minchi de carne congelada de porco e de vaca ao minchi de caril de peixe e aos pastéis, croquetes e hamburguers de minchi (!). Mãozinha de fada devia ter a Ah-Chun, a estimada cozinheira chinesa durante 47 anos dedicada à família de Lopes, a quem ele homenageia no prefácio às Receitas da Cozinha Macaense. É o próprio António Lopes que nos sugere que façamos minchi (…) às dez libras de cada vez para se guardar no congelador em pacotes de uma a duas libras para uso imediato numa variedade de pratos.

Copiando descaradamente o exemplo deste cultor do minchi, ao inserirmos cinco variantes do picadinho, fazemo-lo numa tardia e insuficiente mas sincera homenagem a outra das grandes intérpretes anónimas da culinária macaense: Ah-Noi, de apenas metro e meio de altura, que durante meio século dominou cozinha e copa num casarão do Beco do Lilau, dando de comer a quatro comilonas gerações de Jorges e amigos. Ela e o casarão abandonaram-nos, mas quem provou não esquece, decerto, o sabor do seu minchi, ou de fosse o que fosse que ela se lembrasse de cozinhar.

Apresentamos apenas cinco das suas variantes: a mais vulgar, de carne com batatinhas; só de porco; a mosca, como no Lilau se chamava ao minchi com “orelhas de rato”; pãezinhos fritos de minchi; e lúc-kit, os croquetes de minchi, como Ah-Noi lhes chamava talvez por serem enrolados (lúc, em cantonense) sobre pão ralado.

Apenas dois conselhos vindos da Ah-Noi, mas hoje praticamente impossíveis de seguir: usar sempre carne fresca, picada na altura, e nunca requentar mais do que uma vez o mesmo minchi — rouba-lhe todo o gosto.

2 RECEITAS DE MINCHI

MINCHI DE PORCO

carne de porco –> 250 gr.

Alho –> 1 dente, pisado

cebola-da-índia -> 2 pequenas, picadas

cebolinho picado –> q.b. (a gosto)

molho de soja claro (sám châu) -> 1 colher de sopa

fécula de milho -> meia colher de chá

banha de porco (ou óleo) – > q.b.

açúcar e pimenta –> q.b.

Limpar a carne de tendões, picar miudinho. Temperar com uma pitadinha de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho. Aquecer bem a banha (ou o óleo), aloirar o alho, retirar, fritar em seguida a cebola e o cebolinho e logo depois a carne, virando e carregando com a espátula para a soltar. Tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo.

MOSCA

carne de porco -> 250 gr.

“orelhas de rato”*, (demolhadas, limpas e picadas) ->15 gr.

Alho -> 1 dente, pisado

cebolinho picado -> q.b. (a gosto)

molho de soja claro (sám châu)  -> 1 colher de sopa

fécula de milho -> 1/2 de chá

banha de porco (ou óleo) -> q.b.

açúcar e pimenta -> q.b.

aletria** (para ornamento) -> q.b.

Limpar a carne de gorduras e tendões, picar miudinho. Temperar com uma pitada de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho. Aquecer bem a banha (ou o óleo), aloirar o alho e retirar, fritar o cebolinho e logo a seguir a carne, virando e carregando com a espátula para a soltar. Tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo. Acrescentar os fungos cerca de um minuto antes de retirar do lume, misturando bem.

*as “orelhas de rato” (van ii ) são fungos. Devem ser demolhados em água morna durante cerca de cinco minutos e depois escolhidos e muito bem lavados com água fria porque trazem areia e muitas impurezas agarradas à raiz.

** a aletria frita-se em óleo fervente, em mancheias, mas com cuidado porque queima em poucos segundos.

(Brasil: orelhas de rato – van ii em chinês cantonense, podem eventualmente ser encontradas nas lojas de alimentos chineses da Praça da Liberdade, São Paulo – Tou Wa ou do Ricardo, ao lado de MacDonald)

Nota: Em São Paulo, a carne moída (equivalente ao minchi) não é um prato disponível em restaurantes como em Macau, mas é preparado com macarrão à bolonhesa com molho de tomate, como recheio de pastel de carne e tantas outras receitas que podem ser achadas na Busca na internet digitando Carne Moída, Brasil.  Pode não ter o charme do Minchi, como em Macau, mas é bastante utilizada na culinária brasileira e pode ser comprada em qualquer açougue e supermercado, já pronta e fresquinha, ou pedir para moer na hora, tendo classificação de carne moída de 1ª ou de 2ª, mais barata.

Cíntia Serro e o seu livro de receitas de culinária macaense

Cíntia Serro na sua participação na conferência de Gastronomia realizada no Encontro das Comunidades Macaenses, alertava que a tradicional gastronomia macaense “não se deve deixar perder ou cair no esquecimento”.  Realçava no entanto que “ainda bem que hoje em dia se está a despertar para uma realidade que nos identifica”, a frisar que tinha inúmeras receitas manuscritas, herdadas da sua tia que carinhosamente a chama de tia/mãe, Albertina Martins de Carvalho Borges, atualmente com 92 anos.  Foi com ela que aprendeu a cozinhar e conhecer os segredos da culinária macaense.

Cíntia de Carvalho Conceição do Serro, nascida em Macau em 1943 e criada na freguesia de São Lourenço, despertou interesse do IIM- Instituto Internacional de Macau que decidiu patrocinar o lançamento de um livro, ricamente ilustrado, com cerca de 200 páginas contendo essas receitas, muitas tradicionais e algumas desconhecidas do público macaense.  No seu site, o IIM, nas palavras do secretário geral Rufino Ramos, justificou o apoio como “a oportunidade de divulgar os segredos da centenária gastronomia macaense e a iminente classificação desta como património imaterial da RAEM”.

Já uma “amiga da Casa”, Cíntia escolheu a Casa de Macau de Toronto, Canadá, para fazer o primeiro lançamento do livro no dia 18 de Março de 2012. Numa cerimónia singela, mas soberba a servir diversos pratos da culinária macaense, a presidente da Casa, Mónica Alves, fez as apresentações e em seguida, Cíntia, a falar em português e inglês, disse que estava a realizar um grande sonho, esperando que o livro possa contribuir para divulgação da gastronomia macaense. Ainda agradeceu o Instituto Internacional de Macau pelo apoio, especialmente à pessoa de Jorge Rangel, que foi representado pelo secretário geral Rufino Ramos.

O “Livro de Receitas da minha Tia/Mãe Albertina”, editado em português, com previsão para versão inglesa, brevemente será lançado em Macau e depois em Lisboa.  No boletim da Casa de Macau de Toronto de 26 de Março podia-se ver um aviso que ainda havia alguns exemplares para venda a $ 20,00 (dólares canadenses/canadianos), dando uma idéia do seu preço.

Nós aqui do Brasil, vamos ver se conseguimos comprá-lo pelo site do Instituto Internacional de Macau, aliás para seu conhecimento, faça uma visita e veja inúmeros livros que falam sobre Macau à venda. Uma sugestão ao IIM, que tal enviar umas dezenas de exemplares para cada Casa de Macau, de forma a permitir a comunidade macaense da diáspora adquirir o livro? Assim não teríamos que esperar por uma próxima viagem a Macau para fazê-lo. Ou então, para não haver desperdício, pois deve ter uma produção limitada, as Casas poderiam aceitar encomendas pagas antecipadamente pelos sócios ou interessados.  Seria um esforço para auxiliar na divulgação da culinária macaense, e uma atitude positiva para aqueles que estão longe de Macau e das suas livrarias.

Glória Soares Anok, editora do boletim da Casa de Macau de Toronto, gentilmente enviou as fotos abaixo com legendas, link para um vídeo-foto clip e um texto em inglês, por mim traduzido, a respeito do evento ocorrido na associação:

Tradução:

“Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina”

Cíntia do Serro

A Casa de Macau de Toronto teve a honra de ter sido a primeira sede de lançamento do livro de receitas de Cíntia Serro. O evento, de grande sucesso, foi realizado na nossa associação no dia 18 de Março de 2012, um domingo.

Além da participação dos nossos sócios e amigos convidados da Cíntia, o evento contou com a presença de ilustre convidado: Dr. Rufino Ramos (representante de Dr. Jorge Rangel) do IIM Instituto Internacional de Macau, o editor do livro. Comendador Gustavo da Roza e António Jorge da Silva foram também convidados , já que estavam na cidade a participar de uma Conferência Portuguesa na Universidade de Toronto.

Cíntia vai estar em Macau em Junho para fazer o segundo lançamento do seu livro, e mais tarde, ainda neste ano, em Portugal.  Para felicidade dos leitores (de língua inglesa),  uma versão em língua inglesa do Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina será lançada ainda neste ano.

*fotos e texto elaborado com consulta ao site do Instituto Internacional de Macau, site da Casa de Macau de Toronto, Jornal Tribuna de Macau e o blog PCB Magazine.

Cíntia Serro na Conferência de Gastronomia do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010

fotos de Rogério P.D. Luz

O artigo de Jorge Rangel publicado no Jornal Tribuna de Macau em 10/04/2012

clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez com a lupa em +

Minchi: 4 receitas da Alda Carvalho Ângelo

Complementando a postagem anterior sobre o livro Fragmentos do Oriente da Alda de Carvalho Ângelo e duas receitas de Minchi (carne moída), publico outras quatro completando as seis divulgadas. Bom lembrar que a Dna. Alda escreveu as receitas no Brasil, portanto adaptadas para melhor compreensão dos brasileiros.

Ovos recheados com minche

Cozinhe uns ovos duros (a quantidade que quiser rechear). Depois de frio, corte ao meio, em sentido longitudinal. Tire as gemas com cui-dado. Esmague as gemas com o minche e encha as claras com esta mistura, deixando a superfície ligeiramente abaulada. Passe cada uma dessas metades em ovo batido e depois em farinha de rosca e frite em óleo quente. Enfeite com folhas de alface.

O Minchi ou Minche faz parte da Gastronomia Macaense, candidata a Patrimônio Cultural Intangível de Macau, Os pratos expostos na foto fazem parte da gastronomia e foram servidos numa festa na Casa de Macau de São Paulo de 2008. Compõem o que chamamos de Chá Gordo

Madeira fán (arroz frito com minche)

Receita para 6 pessoas

Prepare:

minche com 1/2 kg de carne moída e cebola

verde picadinha. 1/2 kg de arroz branco  (deixe esfriar).

Outros ingredientes:

3-4 ovos mexidos (frite em banha e quebre com o garfo em pedacinhos)

100 grs. de presunto picadinhos

3 galhinhos de cebola verde picadinha

Frite o arroz com a cebola verde. Junte metade da porção de minche, metade da porção de pedacinhos de ovos e metade da porção de presunto picadinho. Arrume o arroz frito numa travessa e, por cima, cubra com a outra metade do minche, ovos e presunto picadinho. Sirva com pickles.

foto do livro de culinária macaense de Cecilia Jorge

Espaguete e minche ao forno

Prepare minche com 1/2 kg   de carne moída e cebolinha.

Leve a cozinhar em água fervendo um pacote (aproximadamente 1/2 kg.) de espaguete bem fino (n.° 0). Escorra num passador, borrife água fria e deixe escorrer bem.

Outros ingredientes:

100 a 150 grs. de queijo parmesão ralado

10-12 azeitonas verdes  (cortadas fininhas)

1 folha de louro

1 cebola de tamanho médio

1/2 kg. de tomates maduros

2 colheres de sopa de massa de tomate.

Faca um bom refogado, junte o minche e as azeitonas. Cozinhe em fogo brando por uns cinco minutos. Despeje metade do refogado sobre o macarrão, junte umas colheres de queijo parmesão ralado e misture tudo muito bem.

Unte de manteiga uma forma que possa ir ao forno. Arrume nela 1/3 parte do minche refogado, polvilhe ligeiramente de queijo ralado, uma camada de espaguete, uma ligeira camada de minche, novamente queijo ralado, o restante de espaguete e, por cima. o minche. Polvilhe com parmesão ralado e, por cima de tudo, polvilhe com farinha de rosca. Vai ao forno quente por 1/2 hora, aproximadamente.

Nabo chau-chau porco

Corte em tiras fininhas um ou dois nabos. Faça um minche de porco com cebola verde, junte o nabo fininho e deixe cozinhar em fogo brando até amolecer o nabo. Precisando, pode-se acrescentar meia xícara (chávena) de água. Junte uma colher de sopa de molho de soja.

Pode-se fazer este chau-chau também com rabanas, repolho, ou vagens cortadas em tiras bem fininhas.

Com qualquer um desses pratos fica ótimo comer com o arroz branco; minche de carne com cebolinha e chouriço china cucús. O tipo que mais se aproxima ao chouriço china é a linguicinha sem pimenta bem curada.

Alda de Carvalho Ângelo, seu livro, seu minchi

a capa do livro com a reprodução em bico de pena do seu esposo Amílcar Ayala Orois Ângelo

Atualização 15/04/2012: Infelizmente, pelo comentário do seu filho Alberto  (vide abaixo clicando no Comentário) Alda Carvalho Ângelo faleceu em Fevereiro de 2010.  Peço uma oração pela paz da sua alma.  Descanse em paz Dona Alda!

ALDA MARTINS DE CARVALHO ÂNGELO, macaense, natural de Macau, reside em São Paulo segundo últimas informações, porém já faz um bom tempo que não temos notícias da nossa conterrânea.  Na última vez que esteve na Casa de Macau percebia-se que a Dna. Alda vivia as limitações que acometem muitas pessoas de idade.

Tenho boas lembranças da Dna. Alda que costumava frequentar a nossa casa.  Era amiga da minha mãe e sempre estava acompanhada do seu esposo, Amílcar Ângelo, de boa prosa e culto, contava que fotografou para a National Geography, até que partiu para o seu descanso eterno. Na época do Natal, era na sua casa, vizinha da nossa na região central, que a malta se reunia para um almoço.  Lembro-me do seu Diabo, que logo publicarei a receita.  Naquela época nos anos 70, era uma festa só e nos apertavamos no seu apartamento da Rua Abolição, insuficiente para comportar a todos, obrigando alguns a ficar no corredor.  Era um bom momento para matar as saudades de Macau, pois a maioria era recém imigrante.  Faço votos para que ela esteja bem, e ao publicar a sua obra, quero prestá-la uma singela homenagem.

A malta macanse nos anos 70 em reunião na casa de um conterrâneo em São Paulo, Brasil, por ocasião da visita do Padre Moreira.  Na 1a. fila, eu sou o 4º a contar da esquerda, após o Pe. Moreira.  A Dna. Alda, a 6ª da esquerda na fila do meio, ao lado da minha esposa, a 5ª.  Amílcar Ângelo é o 3º da última fila, da esquerda. Como não tenho o nome de todos, fico devendo a legenda completa para depois. Agora, se alguém puder prestar um bom serviço, favor informar no seu Comentário desta postagem.

‘O livro “Fragmentos do Oriente”

O livro, de sua autoria, foi publicado em São Paulo, Brasil, em 1965.  Dedicou-o à sua mãe Cândida Maria dos Remédios Carvalho, falecida em Macau em 14 de Janeiro de 1965.  A apresentação:

“Rápidos apanhados da vida cotidiana: de usos e costumes: aspectos folclóricos: bombardeamento de Hong-Kong durante a segunda guerra mundial; viagens; culinária chinesa e macaense; que, a traços largos através de contos e narrativas, são focalizados pela autora que é natural de Macau, colônia portuguesa ao sul da China, onde viveu durante trinta anos.”

ALDA MARTINS DE CARVALHO ÂNGELO. Escritora portuguesa, é autora do livro “Taquigrafia Portuguesa Pitman” editado pela Casa Pitman de Londres, Inglaterra; selecionou e tomou parte na tradução “Maravilhas do Conto Chinês” editado em São Paulo, Brasil; colaborou em revistas e jornais do Rio de Janeiro e São Paulo. É membro da União Brasileira de Escritores, da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e Associação dos Profissionais de Imprensa de São Paulo. Brasil.

Alda escreve sobre o Minche e dá várias receitas.  Duas estão publicadas aqui e outras quatro: ovos recheados com minche,madeira fán (arroz frito com minche), espaguete e minche ao forno e nabo chau-chau porco, numa futura postagem.

Minche (carne moída no Brasil)

O arroz e minche é para os macaenses o que o arroz e peixe salgado é para os chineses, o que o arroz e feijão é para os brasileiros. A palavra minche teria vindo do inglês “mince” (moer), ten­do sofrido transformações como “minci” ou “minchi” e finalmente para minche.

Este prato, de fácil preparo, de gosto deli­cado, exótico, urna combinação ocidental-oriental, digamos, de apresentação ocidental com as carac­terísticas orientais, é um prato de grande versatibilidade. Tudo se é possível fazer com o minche. Ele pode ser servido tanto na mesa do pobre como na do rico, simples ou enfeitado; pode ser servido com o pão ou com o arroz branco; pode ser como complemento de outros pratos; serve para acen­tuar o gosto de certas comidas; pode ser comido frio ou quente; pode ser guardado para o dia seguinte para fritar arroz, para fazer omeletes, rechear ovos, bolinhos de batatas; pode ser frito com legumes… as possibilidades do minche, do prato nacional macaense, são ilimitadas.

Não me é possível neste singelo trabalho trans­mitir aos leitores tudo sobre a cozinha macaense — isso encheria um livro de bom volume, que, se Deus quiser, será para a próxima vez. No mo­mento, escolhi um número de receitas de pratos mais representativos da mesa macaense. Isto, sim, está dentro do propósito do presente trabalho: um pouquinho de tudo trazer para cá. Isto explicado, vamos ao minche. que os leitores, certamente, de­vem estar curiosos por conhecê-lo:

Minche sutate (minha receita, adaptada para o meio)

Receita para 4-6 pessoas.

1/2 kg. de carne moída (eu prefiro eu mesma moer a carne.,  sem  as pelancas)

1 cebola de tamanho médio cortada em rodelas fininhas

2 colheres de sopa de molho de soja (shoy-ú / sutate)

1 colher de chá de açúcar

l pitadinha de pimenta  em pó  (pimenta do reino)

l dente de alho batidinho Não precisa de sal.

Frite as rodelas de cebola em separado até começarem a alourar. Tire para um prato. Ponha novamente banha na frigideira (mais ou menos uma colher de sopa) e, quando ela estiver quente, frite o alho até dourado; junte a carne e com um garfo — em Macau com, uma chareta, colher em forma de concha feita com casca de coco — quebre bem a carne. Frite até secar toda a água. Junte então, a cebola frita, açúcar, pimenta do reino e shoy-u. Continue fritando até o líquido ficar bem reduzido, mexendo de quando em quando com o garfo. Sirva com arroz branco.

A diferença entre minha receita e a de Macau é a seguinte: Lá usa-se dois tipos de molho de soja. O branco — Pák-si-iau — e o preto — Têc~ iau —, este último só umas gotinhas, dispensan­do-se o açúcar, uma vez que o “têc-iau” já é doce. Lá se usa, também, juntamente com a cebola, a cebola seca que não tenho encontrado aqui. Al­gumas famílias preferem temperar a carne pre­viamente com os ingredientes e depois fritar.

Minche de carne de porco

serve 6

1/2 kg. de carne de porco moída

3-4 galinhos de cebola verde picadinhos

l colher de sopa de molho de soja (si iau / sutate)

Numa frigideira, frite a cebola verde em banha quente, junte a carne de porco moída e, com um garfo, quebre bem a carne, deixando-a bem solta e seca. Tempere com uma pitadinha de sal e pimenta do reino. Regue com o molho de soja.

Variações

Pode-se fazer o minche com metade, ou uma parte, de carne de porco e outra, de carne de vaca.

Pode-se juntar ao minche uma batata frita, em dadinhos bem pequeninos. Os dadinhos podem ser arrumados em volta do minche ou misturados com a carne.

Pode-se juntar ervilhas cozidas, em redor, ou misturadas.

Nota do Editor: A receita foi escrita em 1965, época em que os produtos chineses importados eram bem limitados em São Paulo, ao contrário da atualidade quando aqui há praticamente de tudo no bairro da Liberdade e região da 25 de Março. Importante citar que as receitas visavam o público brasileiro.

Patoá: receita de ló pák kôu/bebinga de nabo à moda da Mariazinha

Mariazinha ousou ao enviar a receita do ló pák kôu ou bebinga de nabo – em patoá/patuá.  Orgulhosa diz: iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso (iou-sa: a minha ou o meu / sã: é ou são / uide: muito/a / sabroso: saboroso/a).

Agora o desafio aos macaenses, que em termos teriam a obrigação de saber um pouco do patoá: conseguiriam entender o patoá suficientemente para preparar o ló pák kôu da Mariazinha? Ainda ela dále de misturar o inglês e algo em português e chinês/cantonense, seguindo um dos costumes de uma parcela dos macaenses de misturar o patoá com 3 línguas!!! Então vamos lá para a receita:

Bebinga de Nabo

Tánto genti já pedi  receita di iou-sa Bebinga di Nabo.  Nuncassã gabá, mas quim já comê sabe qui iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso.  Como iou  nuncassã egoista ramendá tánto genti qui caregá receita até tumulo e como iou sã genti antigo,  iou  já   iscrevê  na 4 lingu: Português, Inglês, Chinês e Patuá.  Si vôs sã maquista  di vedade  lôgo entendê mas si nunca entendê mandá unga email pa iou,  iou lôgo isplicá tim-tim pa tim-tim.

Bebinga de Nabo a Moda de Mariazinha Carvalho

Ingredientes:

Dôs Nabo grandi

Sei tiu láp-chéong

One big láp-yôk

Unchino di há-mâi

Lôk cheak tông-ku

Tres dentes de alho

Two cups of rice or chim-mâi-fân

Sal a gosto

Using a big pan, primeiramente, páu-heóng sin-tâu.  Depois cá láp-cheóng, láp-yôk, há-mâi, tông-ku, estunga chincha cortá fino-fino.  Deixa cozer até ficar nâm-nâm-têi.  Then you add ló-pák chit iât-si iât-si ou ralado se preferir pa ensopá estunga sabor di láp-mêi, j´olá! Cozê unchinho más.

Afterwards, you mix in the rice flour, ou seja, chim-mâi-fân, you can buy at Liberdade (São Paulo Chinatown)  or onçôm-onçôm pôde fazê na casa.  Very easy, châm mâi overnight, next day botá unchinho di agua no liquidificador  batê, cavá jugá dentro di mistura di nabo co láp-mêi.  Pegá unga colê di páu virá vai virá vem até chegar o ponto certo.  Be very careful, non pôde ficá nem duro-duro nem mole-mole ramendá pet-pet ou papa-papa, understand? A seguir transfere a massa  para um pirex.  Pa ornamentá, chapá-chapá rodela di láp-cheóng co tông-ku na riva, cavá  tân nunga vóc for  approximately one hour.

Foto de um ló pák kôu ou bebinga de nábo (não é o da receita nem da Mariazinha) que faz parte da gastronomia macaense, candidata a Património Cultura Imaterial de Macau. 

Candidaturas do Teatro Maquista e da Gastronomia Macaense: saiba mais …

No site do Museu de Macau (link abaixo) pode-se ver os vídeos e os boletins de inscrição em arquivo pdf do Teatro Maquista (Teatro em Patuá) e da Gastronomia Macaense.  Nesses boletins são expostos os motivos para as candidaturas a Património Cultural Imaterial de Macau:

http://www.macaumuseum.gov.mo/macauheritage/HeritageShowTime2012_port.htm

Logo mais abaixo da página do site, há uma mensagem para o qual solicito especial atenção e reproduzo aqui.  A consulta popular, pelo visto, é limitada aos “residentes locais (de Macau)”, pelo que se faz aqui um apelo aos qualificados para tal,  para que escrevam e manifestem seu apoio para essas candidaturas macaenses.  Eis o que consta do site referente ao assunto:

“Os residentes locais que tenham alguma opinião ou objecção em relação às candidaturas ou às suas avaliações, podem fazer o seu envio por correio ou por fax (no. 2835 8503) ou a entrega em mão, de um documento escrito relatando as suas razões e fundamentos para o Museu de Macau (endereço: Praceta do Museu de Macau, Nº 112, indicando no envelope a designação “Opinião sobre as candidaturas ao Património Cultural Imaterial”), antes do termo do prazo da consulta. Toda a correspondência deve indicar o remetente, o seu endereço, telefone e forma preferida de contacto, de forma a permitir que o Instituto Cultural possa processar o assunto e emitir as recomendações adequadas. Em caso de dúvidas é favor de visitar o sítio de internet do Museu de Macau no endereço: www.macaumuseum.gov.mo ou de contactar o Sr. Tou através do telefone 8394 1209.”

A Mariazinha Conceição Carvalho, do Teatro Maquista de São Paulo, escreve uma mensagem em Patuá saudando as candidaturas:

“Co pêto inchido di orgulho , iou ta da unga grandi ucho pa vôs, “Parabens”.  Di tanto lutá já ficá aprovado “Gastronomia Macaense e Teatro em Patua”  a Patrimonio Cultural Imaterial de Macau.  Nôs tudo qui sã “amante” di patuá ta uide filiz juntado co vôs e tudo genti di “Dóci Papiaçám di Macau”.

Mariazinha Carvalho e Armando Ritchie na peça do Teatro Maquista de São Paulo (Teatro em Patuá) de ‘Futebol’ em Julho de 2011 na Casa de Macau de São Paulo (fotografia de Rosa Cruz)

Nesta foto, Mariazinha Carvalho fez uma interpretação em Patuá com Pedro Almeida ‘Mensagem de Fé e Esperança‘, na Festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, cujo vídeo pode ser visto na postagem deste blog. É de se louvar o apoio da Casa de S.Paulo para o Patuá.

Gastronomia Macaense e Patuá: candidaturas (pré) aprovadas p/Património Imaterial

Foi uma dura ‘batalha’, mas enfim, as candidaturas da Gastronomia Macaense e do Teatro em Patuá (perceba que não é o dialecto patuá em si, mas a forma como é apresentada em Teatro) foram aprovadas por um júri escolhido pelo Museu de Macau, juntamente com outras duas abaixo especificadas na reportagem. Agora seguem para uma ‘consulta pública’.

Diante disso, vamos todos oferecer o nosso apoio para que no final tudo dê certo e tenhamos essas candidaturas plenamente aprovadas.  O site Projecto Memória Macaense e o blog Crónicas Macaenses dão o seu apoio.

Veja como o Jornal Tribuna de Macau, edição de 09/Fev, publicou a respeito:

Receita de Tchin Tôi (fritos de sésamo e feijão), e Tai Long Kou

A Cecília Jorge na sua série do Tacho do Diabo publicada na Revista Macau anos 1993 e 1994, explica que o Tchin Tôi é um doce tradicional que faz parte da quadra festiva do Ano Novo Lunar, incluindo o Tai Long Kou (pudim de Ano Novo) que é tão importante e indispensável para os chineses, quanto o bolo-rei para os portugueses em período natalício.

Trago aqui a receita do Tchin Tôi, que está republicada com a do Tai Long Kou na seção de Gastronomia Macaense do site  Projecto Memória Macaense (o link/ligação está na página de entrada).  Aqui em São Paulo, este doce pode ser encontrado nas lojas chinesas de produtos alimentícios, tanto na Liberdade como na 25 de Março, importante reduto chinês de comércio, onde você cruza com chineses em qualquer calçada, tanto a falar o mandarim como o cantonense. Até dá saudades de Macau, mas também as mata. Como no mundo inteiro, dominam o comércio e vendem de tudo, tanto que não compensa mais trazer coisas de Macau ou da China nas nossas viagens, como enfeites e quinquilharias, pois tem quase tudo aqui.

Há 3 semanas atrás compramos uma bandeja com 6 unidades na Rua Florêncio Abreu, no trecho entre a Av. Senador Queiroz e a Rua Paula Souza. A minha esposa brasileira Mia adora o tchin tôi, mas eu não o aprecio, sem que com isso eu deixe de divulgar a receita que espero seja útil a alguém. Alias descobri essa loja por acaso.  É grande com boa variedade de produtos, alguns não encontrados na Liberdade.  Numa prateleira tinha 5 sacos plásticos de Iâu Tchau Kuâi.  Pegamos 4 e fomos gentis em deixar um.  Cada saco tinha 3 unidades e custa R$ 5,00 ou cerca de US$ 3 a 3,50.  Diz o chinês que o produto chega diariamente na parte da tarde.  Ele até se surpreendeu com o grande volume de produtos que compramos, ainda mais por uma brasileira que conhecia seus nomes em cantonense.  Foi aquela expressão “aiááá … vocês gostam tanto de coisas chinesas”.  Eu logo expliquei “sou de Macau” e ele “ahhhhh …”.

TCHIN-TÔI (FRITOS DE SÉSAMO E FEIJÃO)

farinha de arroz glutinoso – 600 gramas

farinha de trigo – 175 gramas

batata doce (descascada) – 250 gramas

feijão encarnado (em purê) – 350 gramas

açúcar – 3 colheres de sopa

sementes de sésamo (demolhadas e escorridas) – 125 gramas

água – 1,5 dl

Para fazer a massa, cortar as batatas doces em quartos e cozê-las em vapor, esmagando–as depois em purê, de preferência manualmente, com um garfo.

Juntar o purê de batata ao açúcar e às duas qualidades de farinha (que se peneiram juntas), adicionando aos poucos a água para ligar, sovando bem a massa, formar pequenas bolas de aproximadamente 5 cm de diâmetro, nas quais se carrega com um dedo para fazer um buraco que se enche com uma colherinha de purê de feijão, voltando a fechar.

Rolar as bolas nas sementes de sésamo carregando-as bem para fazer agarrar bem as sementes à massa e obter uma cobertura completa.

Fritar as bolas em óleo bem quente, até insuflarem e tomarem uma cor doirada. Convém colocar bastante óleo na frigideira para poder empurrar as bolas para o fundo, e fritá-las por igual.

Receitas de culinária macaense de Shanghai 1934

Estava num domingo normal na Casa de Macau de São Paulo para convívio e almoço, quando vi a Manuela Canavarro Agoston com um livro um tanto velho.  Curioso, fui lá ver o que era.  Qual a minha surpresa, um livro encadernado de receitas de 1934 compostas por folhas datilogradas.  Uma raridade, até uma peça de museu.

Constava a autora, que poderia ser das receitas ou da colecionadora e datilógrafa, como Guilly Canavarro Remedios.  Uma assinatura dizia que a proprietária, ou a última dela, ser a Augusta de Figueiredo e Canavarro que datava com a assinatura,  Shanghai 30/5/1939 à moda portuguesa (bem que poderia datar à inglesa 5/30/39.  Aliás os apelidos/sobrenomes apontam para as famílias macaenses e portuguesas de Shanghai, nos tempos anteriores à revolução na China que as obrigaram a abandonar a cidade, muitos só com a roupa do corpo.  Eram os Canavarros, Remedios (sem acento), Figueiredo, Collaço, Barradas e tantos outros, que hoje estão espalhados pelo mundo. Perderam tudo! Hong Kong e Macau foram os principais destinos. Quem estudava na Escola Comercial nos velhos tempos, deve-se lembrar do centro de refugiados na mesma rua.  Aliás quem não se lembra dos (lamentáveis e infelizes) conflitos entre a malta macaense e os “shanghainistas (como se dizia antigamente e até hoje).  Era triste, não precisava ser assim, embora essa rivalidade era uma autêntica rivalidade da época, que infelizmente, ainda ligeiramente (politicamente correto pra dizer) transportada para os dias de hoje.  Aliás essas rixas regionais não são privilégio dos macaenses, no Brasil também as vemos entre o Sul e o Nordeste, especialmente, e você me diz se também não nos seus países de acolhimento, se és da diáspora.

Deixando esta triste conversa de lado, quando vi o livro, logo pedi para fotografar umas páginas pois digitalizá-las, com certeza iria estragá-lo ao fazer a dobra, mas lá estava eu com uma simples câmera naquele dia e o resultado não tanto agradou-me.  No entanto, penso que vai dar para ler as receitas em inglês.  Não as traduzi para não correr o risco de cometer erros, e de repente ao invés de fazer uma capela vais fazer um minchi si iau, hehehe!!!

Publico aqui uma só, do Peixe Esmargal, e o resto das receitas (arroz gordo, bolo menino, capela, cheese toast, chilicote de rabono, cria cria, isca, rolette, além de uma tabela de conversão tael=onça/oz) estão publicadas no site Projecto Memória Macaense que já possui 23 páginas dedicadas à Gastronomia Macaense com inúmeras receitas.  O link/ligação está na página principal. Vão dizer que já têm algumas dessas receitas, mas perceba que elas são de 1934.  Pode ter algo diferente, um diferencial para aquele sabor melhor.  Vale tentar, se conseguir entender o inglês lá escrito e as medidas, um tanto complicadas.

Agora, porque o Peixe Esmargal aqui?  É que o meu cunhado, Alex Sales (Califórnia/EUA) era especialista nisso.  Acho que ainda o é!!! Então vejamos (clicar na imagem para aumentar):

Restaurante Carlos e a Gastronomia Macaense

Saiu no Jornal Tribuna de Macau, edição de 15/09/2011. O restaurante Carlos junta-se ao Long Kei, Fat Siu Lau e Solmar ao obter o título de confrade extraordinário da Confraria de Gastronomia Macaense. Parabéns !!!

Toda notícia da Gastronomia Macaense é sempre bem-vinda. Faz bem para preservação do que há de mais precioso da nossa cultura, além do que “abre o apetite”.  Felizes dos macaenses residentes em Macau, pois se deu vontade de comer um prato macaenses, é só dirigir-se a um dos inúmeros restaurantes, neste caso, o Carlos, e mata a vontade.  Para nós, macaenses da diáspora, já fica muito mais difícil … uide difícil … nunca sám igual Macau … paciência !!! Ah … isto sem falar numa comida china autêntica … é só eles irem lá na esquina … qualquer esquina … e lá está um estabelecimento de fitas e pedir um bom van tan min !!!

clicar na imagem para aumentar e ler melhor a notícia … (foto: da esquerda – Luís Machado-presidente da Confraria, Sebastião Rosa, Henrique Castilho e José Manuel Rodrigues)

Mesa de comisaina macaense, com certeza!!!

A mesa de comisaina macaense nestas fotos mostram sempre a presença de ingredientes do Chá Gordo.  Coisas típicas de uma festa macaense ou reunião familiar.

O evento na Escola Infantil no Encontro 2010 foi uma clara demonstração de como se come bem em Macau.  Foi uma fartura de encher os olhos e o estômago. O tempo passa, os anos avançam, mas a tradição macaense de mesa farta e saborosa se mantém.  E salve a comisaina macaense !!!

Uma festa de aniversário nos anos 60, apresentando os meus pais à direita e minhas tias e tio.

Festa de casamento do meu irmão José com a Fátima, no Hotel Estoril, anos 60.

Abaixo, 2 fotos enviadas por Mariazinha Lopes Carvalho dos seus tempos antigos em Macau.  Ela em evidência, 1º plano, dançando. Veja a mesa farta !

Receita: Camalengada ou Doce Camalenga

Recente publicação do site Projecto Memória Macaense traz um texto da série Tacho do Diabo da Cecília Jorge, “a Doce Camalenga“, com 3 receitas e uma boa explicação sobre a camalenga, ou tung-kuá, em chinês, ou no Brasil, jerimu ou jirimu.  A Cecília é especialista no assunto, uma pena que esta série foi de curta duração.  Foi publicada na Revista Macau no ano de 1993 e 1994. Aliás a Cecília quando se mete a fazer uma coisa, faz muito bem!

Fica assim o convite para visitarem o PMM e constatar que o site tem 20 páginas publicadas sobre a Gastronomia Macaense, com diversas receitas da Celestina, Comunidade Macaense de S.Paulo e Rio, esta série da Cecília, etc. Ainda há muito para se publicar, assim que puder. Na página de entrada você verá o link para a Página Guia da Gastronomia, onde poderão ver o que o site tem a respeito.  Estes Guias, além do Mapa do Site,  que procurei criar no PMM, servem para orientar e auxiliar você na busca de assuntos que o site dispõe.  Estou a revisar todas as páginas, pois algumas  se desconfiguraram após a publicação, coisa que se espera que o provedor Tripod resolva.

Sobre o Doce Camalenga, a minha mãe Marcelina da Luz, o fazia muito bem.  Lembro-me dos tempos de infância em Macau que gostava passá-lo no pão (min páu), especialmente quando ainda estava meio quente, após o preparo.  Saudades da minha mãe que cozinhava muito bem, tanto comida como doces ou salgados.

CAMALENGADA

Abóbora camalenga (ralada) – 3 kgs

Açúcar em pedra – 1 kg

folhas de figueira – 6

Lava-se e descasca-se a abóbora, ralando-a em fios longos. Envolve-se a polpa ralada num pano limpo e espreme-se bem para retirar todo o líquido.

Branqueia-se a abóbora (i.e. escaldar rapidamente em água a ferver) e volta-se a espremer, guardando o líquido. Junta-se a esse líquido um litro de água e fervem-se as folhas de figueira (previamente lavadas, esfregadas com uma escovinha, limpas de nervuras e partidas em bocados), durante cerca de meia hora. Retiram-se as folhas de figueira e coloca-se o açúcar, que deve ficar em ponto de espadana. Junta-se então a abóbora ralada e coze-se, mexendo sempre, até o doce se soltar do fundo do tacho. Guarda-se de preferência em frascos fechados ou em potes de barro.

Tese de mestrado de Alexandra Rangel: Comunidade Macaense

“Esta dissertação de Mestrado é sobre os macaenses, os “filhos da terra”, descendentes de várias gerações de cruzamentos de portugueses com orientais, resultando desta miscigenação uma comunidade com características próprias. A culinária, o dialecto (patuá) e as festividades tradicionais demonstram a base cultural portuguesa e as influências recebidas dos países asiáticos vizinhos do território com mais de 400 anos de presença portuguesa, devolvido à China em Dezembro de 1999. Actualmente, Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, regida por uma Lei Básica, elaborada em conformidade com a Declaração Conjunta Luso-Chinesa, firmada em 1987. Esta Lei garante aos residentes do território, incluindo os de ascendência portuguesa, a manutenção da sua maneira de viver e os direitos que tinham anteriormente. É feito um enquadramento histórico, para que melhor se compreenda o nascimento e o percurso desta comunidade, e são identificados os desafios que se lhe colocam, hoje, bem como o seu singular legado cultural.
Abstract: This Master of Arts thesis is about the Macanese, the filhos da terra (the “sons of Macau”), who descend from several generations of intermarriages between the Portuguese and Asians. The miscegenation resulted in a community with specific cultural traits. The cuisine, the dialect and the traditional festivals show us the Portuguese cultural base mixed with influences received from the neighbouring Asian countries. Macau was handed back to China in December of 1999, ending more than 400 years of Portuguese presence. Macau is presently a Special Administrative Region of the People’s Republic of China and its Basic Law was written in conformity with the Sino-Portuguese Joint Declaration which was signed in 1987. The Basic Law guarantees the way of life and the rights the residents – including those of Portuguese descent – enjoyed before the handover. A historical background is provided for a better understanding of this community, from its beginning until today, and the new challenges it is facing, as well as its important cultural legacy, are identified.”

No link abaixo, clique na ligação constante do quadro “Ficheiros deste Registo” e vejo o belo trabalho da Alexandra Sofia de Senna Fernandes Hagedorn Rangel, filha de Jorge Rangel do IIM-Instituto Internacional de Macau:

http://repositorio.ul.pt/handle/10451/3906

ou veja no arquivo em pdf abaixo (11 Mb) – clicar para abrir:

Alexandra Rangel tese mestrado ulfl081900_tm (fonte: site da Universidade de Lisboa na ligação acima)

*Divulgação possível graças ao e-mail de Maria João Santos Ferreira, macaense e bibliotecária do Museu de Ciência de Lisboa, e autora de livro de receitas da gastronomia macaense. Obrigado!

Um dia de gastronomia – Encontro 2010

No seu 6º dia de atividades, 2 de Dezembro foi o dia recheado de gastronomia macaense. Logo cedo, às 9 e tal, o autocarro/bus já nos levou para Mong Há onde se realizaria a conferência. Com uma boa platéia, pouco maior que a do patuá, pude comprovar que a gastronomia de um modo desperta mais atenção, pois afinal mexe com um dos maiores prazeres do ser humano. Comer! Saboerar! Deliciar!

Já lá as palestrantes macaenses nos trouxeram boas lembranças do passado, a falar de muitos pratos que provocaram delírios na platéia, com o representante da confraria do Algarve a apresentar um video turistico da região, mais focado no natureza. O Luís Machado ficou muito à vontade para comandar a conferência, embora incomodado, como a maioria, pelos telefones móveis/celulares que insistiam marcar presença. Por outro lado, senti um otimismo um pouco maior nesta preferência nacional macaense, para a sua classificação como Património Intangível da Unesco. Pareceu-me que tem melhor base e estrutura de apoio para esta finalidade. Vamos torcer para que a iniciativa seja bem sucedida.

Depois dos participantes enfrentarem uma pequena subida íngreme, os participantes na maior parte com certa idade, alcançaram o restaurante do Instituto de Formação Turística. Todos vivos, mesmo que a batida de coração tenha aumentado um bocado! O almoço no lugar onde se aprende a arte de cozinhar, merece todos os elogios. Um dos melhores sabores experimentados em Macau. Penso que não é à toa que desfruta de boa fama no Oriente!

À noite, a recepção foi novamente no monumental Hotel Grand Hyat, ao lado desta City of Dreams que ainda preciso conhecer, embora lá sei se vai dar tempo. Alegrava os olhos ver o desfile dos confrades da gastronomia com seus trajes típicos. O salão encheu-se de gente!

Foi muito interessante ver toda a cerimónia das confrarias que devem ter lido nos jornais. Só fiquei um pouco preocupado, quando muita gente estava no palco para a parte final quando “assinavam em baixo” os acordos. Talvez mais de 50! Pensava que se a base iria resistir, mas ainda bem que tudo deu certo e a estrutura era resistente e bem montada.

aguarde por mais fotos da festa ...

 

Achei interessante os restaurantes Long Kei, Fat Siu Lau e Solmar serem conferidos com o título de confrades extraordinários. Merecem pela tradição de seus nomes e lugares.

Agora enquanto estava na fila da comida, iniciou-se a programação com o grupo de dança folclórico português com muitos rostos orientais. Até conseguir chegar na minha mesa e apanhar a minha câmera fotográfica e de video, o grupo despedia-se. Foi uma pena!

Na verdade, antes já assistimos a um “show”. Um confrade da CEUCO a cantar o hino deles. Um soprano com uma voz que até podia quebrar um copo de vidro. Bela apresentação que merceu muitos aplausos.

Em seguida, José Luís Pedruco Achiam cantou a canção tema da peça em patuá do Dóci Papiaçam (que era aguardado para o Encontro mas acabou cancelado). Uma excelente performance que aponta um dos novos talentos musicais macaense.

A Elsa Denton apareceu no palco com 2 dançarinos e fez o seu 2º show. Aliás foi acertado que os artistas fariam no máximo 2 apresentações, salvo uma exceção ou outra. A Elsa é eficiente no palco, que até me perguntaram se ela era profissional. Ficou a pergunta sem resposta!

Com o seu teclado situado no meio do palco, Armando Santos também apresentou-se pela 2ª vez. Pensei que ele iria lançar o seu novo cd. No entanto, ouvimos novas interpretações do Armando que sempre nos agrada.

Já a Tuna Macaense com sua roupagem preta no lugar do vermelho, também apresentava-se pela 2ª vez. A Tuna dispensa comentários. São profissionais com qualquer formação.

E enquanto estava a fotografar e também participar do grupo de ex-moradores de São Lourenço, a Ramana Vieira junta-se à Tuna e canta “Macau” (de Rigoberto Rosário Jr.), num tom baixo e um tanto diferente em certas entonações principalmente nas partes finais de certos trechos da canção. Em tempo consegui filmar a apresentação. Ouvi dizer, e concordo, uma das melhores interpretações de Macau já ouvidas. Depois com toda a justiça, cantou outras canções com a sua bela e possante voz. Justiça porquê? Lembrem-se que noutra postagem falei que ela cantou sem acompanhamento musical? Para cumprir o seu compromisso, coisa que pouco artista aceitaria fazer!

Relembrando os anos dourados de 60, finalmente aparece o Michael Remedios (sem acento no “e”) e seu ressuscitado conjunto The Mystics. Cantou umas canções antigas que tanto queriamos ouvir e também outros sucessos. Muito bom!!! E foi a última apresentação do dia.

Como já se tornava habitual, o povo saia antes do final do show dos The Mystics, pois aquele velho anúncio que os autocarros/bus já estavam disponíveis para nos levar ao hotel, era o sinónimo de fim de festa!!! E o povo todo já se apressava para não perder o bus.

A enquete/o inquérito da Gastronomia Macaense

Penso que já devem ter visto ou participado no Projecto Memória Macaense. Surpreende a vantagem dos homens com quase o dobro de votos das mulheres. Não esperava tanto!
Vários motivos podem ter contribuído. Ou os homens são reconhecidamente os melhores. Ou os internautas votantes são na maioria homens, ou são os homens que repetidamente andam votando neles sendo as mulheres mais discretas. Lá sei, lá sei mesmo!!!
Na semana que vem, depois da Páscoa, talvez será o momento de encerrar o bem sucedido inquérito, como mais se diz em Macau, ou enquete/pesquisa, mais falado no Brasil.
Aliás, por acaso, se der certo, esta iniciativa do PMM poderá ter contribuído para um concurso de Gastronomia Macaense em Macau- homens x mulheres, ou mulheres versus homens. Para o PMM será uma honra, se isto for viável e vier a acontecer. Muito agradecido. No fim quem ganha, é a nossa cultura, a preservação da nossa Gastronomia. São os macaenses!
Sobre a Gastronomia, vejam o artigo do Henrique Manhão sobre o Acaio (Alberto D’Assumpção), presidente da Casa de Macau do Rio de Janeiro, no Jornal Tribuna de Macau de 30/03/2010, que é um mestre na culinária macaense. Lembro-me que pude saborear o seu delicioso tacho, quando visitamos o Rio com uma comitiva de São Paulo em 2001. Além disso, o Acaio deu uma aula de culinária em São Paulo que foi muito bem sucedido. A reportagem ainda traz uma foto dele muito bem feita (palavra de fotógrafo que sou), uma característica do Acaio que é primoroso na sua apresentação pessoal, como o foi quando depôs sobre os 10 Anos da RAEM publicado no MacaenseBR e no JTM.
Logo irei somar aos esforços do Henrique para falar no jornal sobre a Gastronomia Macaense, assim que der tempo, para fazer umas entrevistas e reportagens externas, sobre alguns homens cozinheiros em São Paulo, complementando o meu artigo publicado no JTM e neste blog.

Os homens na Gastronomia Macaense

A Gastronomia Macaense é o ponto forte dos temas macaenses, tanto na imprensa, sites ou na roda de amigos. Até o Manhão disse no seu artigo no JTM, que pelos depoimentos interessantes recebidos dava para escrever um livro. Vai em frente, Henrique! Sucesso!
Sempre dá água na boca, só de lembrar ou ouvir como se faz este prato ou outro. Até chega a criar uma competição saudável e divertida, quando os “concorrentes” comentam dos pratos que os outros preparam. Aquela conversa de “o meu é o melhor” desperta curiosidade quanto à receita que “ele” utiliza. Aposto que você já ouviu de um concorrente falar do prato de outro concorrente, é o tal de “aiá, falta isto falta aquilo”, muito comum no ló pák kou, tal como “está duro”, ou “muito pobre, pouco recheio”.
Alguns são extremamente reservados. “Porque revelar os meus segredos aos concorrentes?”, outros abertos, contam os detalhes, ou se contam, hummmm !!! Até tem uma linha de “cozinheiros” que falam abertamente que fazem de cabeça e “a olho”, e nem sabem dar receitas. Bom, talvez na hora de elaborar, façam um esforço. Enfim, isso é saudável além de pitoresco.
O meu tema são os homens “cozinheiros” da culinária macaense. No Brasil são quantos? Estou aqui a fazer as contas. Do que sei e ouvi falar são 7 que têm certo destaque e são conhecidos. Mas penso que deve haver mais. Aqueles “mineirinhos”, quietos no seu canto que cozinham bem à beça mas ninguém fala deles ou não se expõem ao público.
Até dá margem para imaginar como seria interessante uma competição específica. Cozinheiros x cozinheiras !!! Quem cozinha melhor, os homens ou mulheres? Pelo menos no concurso que aconteceu no Encontro de 2004, as mulheres ganharam a disputa. A dupla Isabel Pedruco /Isabel Batalha foi vitoriosa e olha que havia homens na parada !!! Mesmo assim, vale sempre perguntar: qual a sua opinião? Eu, politicamente correto, vou deixar de opinar. Para mim, sempre serão bem-vindos qualquer prato macaense, seja de homem ou mulher cozinheira, mas que me façam matar as saudades da terrinha, da minha mãe (aliás, foi uma excelente cozinheira, sem querer ser um filho “engraxa sapato ou puxa-saco”, pois ela hoje desfruta do seu descanso eterno) e fazer-me desfrutar dessas delícias da nossa culinária, que precisamos preservar a qualquer custo. E sobre isso, os meus elogios pela criação da Confraria da Gastronomia Macaense, que hoje tem um novo presidente, o Luís Machado, que merece total apoio para esta tarefa importante em prol da nossa cultura e memória.

Culinária Macaense

09 de Janeiro de 2007 – Confraria da Gastronomia Macaense
Hoje vai ser fundada a Confraria. É mais um passo louvável para consolidar a cultura e tradições macaenses, juntamente com o patuá que se candidata a Património Universal Intangível.
O noticiário está no Jornal Tribuna de Macau
www.jtm.com.mo na edição desta data.
Mas, falando da culinária macaense, entre tanta gente capacitada, alguns com mais divulgação, outras desconhecidas e é dessas últimas que faço uma pergunta:
VOCÊS CONHECEM A CULINÁRIA MACAENSE DA NATÉRCIA LUZ SILVA?
Pode parecer coisa de família Luz, afinal é a minha irmã, mas quem provou a culinária dela não nega o talento. Huummm, sempre aqueles pratos deliciosos que faz a gente viajar por momentos a Macau. Ela é super discreta. Nem se candidatou ao concurso de culinária do Encontro. Até talvez me desautorize a fazer esta divulgação. Mas, antes que ela me peça para retirar este editorial, tenho que fazer justiça para mais uma anónima e excelente expert da cozinha macaense. Quem provou, me apoiaria. Assim, convido-os a reler a pergunta acima … fica no ar. Um dia, trarei mais detalhes !!! (R.Luz)