Arquivos

Padre Manuel Teixeira, 100 anos

Em 15 de Abril de 2012 fez 100 anos que nasceu o Monsenhor Manuel Teixeira, ou simplesmente, Padre Teixeira, um grande historiador de Macau. Natural de Freixo-de-Espada-à-Cinta, faleceu em Chaves no dia 15 de Setembro de 2003.

Para lembrá-lo, vou publicar um texto das suas memórias do Seminário de São José.  Padre Teixeira foi professor dos tempos em que eu era aluno externo nos anos 60.  À sua memória, Mestre:

O SEMINÁRIO DO MEU TEMPO

por Monsenhor Manuel Teixeira – Revista Macau Outubro de 1996

Fui seminarista do Seminário de S. José, de Macau, de 1924 a 1933, e professor de 1931 a 1946. Vou descrever as minhas impressões do edifício e dos seus ocupantes, professores, seminaristas e duas espécies de alunos, internos e externos, de 1924 a 1933.

Galeria de figuras ilustres

O Seminário tem um corredor de 80 metros de comprimento que termina num grande salão. Abrindo-se a porta desse salão, serão 100 metros, ou seja, o maior corredor de Macau.

O Seminário foi fundado pelos Jesuítas em 1728 e foram eles os seus directores e professores, em várias épocas: 1728-1762, 1862-1871, 1890-1910, 1930-1939.

Ciosos das suas sucessivas gerações de gigantes, colocaram na parede desse longo corredor as grandes figuras inacianas, de Macau e da China, sobretudo os grandes astrônomos de Pequim.

Os Lazaristas, que lhes sucederam em 1780, não colocaram nenhum dos seus. E foi pena, porque um lazarista, S. João Gabriel Perboyre, que ensinou francês e aprendeu chinês no Seminário, foi o único professor canonizado, até hoje. O seu professor de chinês, Pe. Joaquim Afonso Gonçalves, da mesma Congregação de S. Vicente de Paulo, foi o maior sinólogo português.

Ao passar por esse longo corredor, eu meditava na vida heróica dessas gerações de gigantes que vinham para o longínquo Oriente desprendidos de tudo e de todos, para aqui trabalhar e morrer, sem intenção de regressarem à terra natal.

Não vinham buscar ouro nem prata, nada queriam nem recebiam do seu Governo. Desejavam apenas que este os deixasse trabalhar, para maior glória de Deus.

E que fez o Governo? Em vez de os ajudar na sua missão de bem-fazer, só lhes punha entraves.

Vede o que sucedeu aos Jesuítas: expulsos em 1762, 1871 e 1910. Em 1939, saíram voluntariamente.

Quantos aos Lazaristas, que para cá vieram em 1780, foram expulsos pelo liberalismo, em 1834.

A vida do Seminário ressentiu-se devido a estes choques brutais, e a educação da juventude macaense sofria tratos duma esfera de futebol.

Até que um dia veio um pé de vento e fez voar até os retratos desses gigantes.

Nem sombra ficou deles.

Essas paredes ficaram nuas.

Caíram no olvido as memórias gloriosas desses homens que foram dilatando a Fé e sustentando o Império.

O longo corredor de 80 metros ficou mudo.

Quando voltarão essas figuras a ocupar os seus lugares?

Árvores seculares

Para recreio dos alunos havia e há duas grandes hortas. Nelas vicejavam gigantescas baneanas, cujas ramadas se tocavam umas às outras, abrigando os jovens do sol tropical.

Eram árvores bicentenárias, as mais antigas e maiores de Macau.

Sentaram-se à sua sombra, durante dois séculos, gerações e gerações de estudantes.

Um dia, passou um pé de vento e tombou esses gigantes, que não mais se ergueram.

E tudo o vento levou!

Professores e alunos

Havia óptimos professores no Seminário. Os Jesuítas haviam sido os grandes educadores da juventude macaense.

O Pe. Gonçalves, lazarista, formara muitas dezenas de sinólogos, que se espalharam pelos consulados portugueses de toda a China e foram os seus intérpretes.

O tufão de 1910 foi fatal para a educação em Macau.

O Seminário apanhou tal choque que nunca mais se restabeleceu completamente.

Em vez de religiosos treinados para o ensino, lançou-se mão de padres seculares, que serviam bem para curas de almas, mas não para o ensino.

O pároco de Santo Antônio, que se tinha licenciado em teologia, em Roma, foi nomeado reitor desse Seminário-fantasma.

Chamo-lhe assim porque a República de 1910 fez andar à roda as cabeças juvenis e um bom grupo de rapazes portugueses trocou o casarão do Seminário pelo casarão do Quartel de S. Francisco.

Saíram roídos de amarguras e gravaram as suas saudades num opúsculo muito sentimental, que eu li com emoção (creio que não existe hoje um único exemplar). Foi uma debandada ordeira, sem fel, nem vinagre, nem ódio ou rancor.

Ficaram no Seminário apenas os chineses e muito poucos portugueses.

Era o tecer e destecer da teia de Penélope.

O reitor, com medo de fantasmas, mascarou-os com um uniforme colegial, tirando-lhes a batina.

Esses poucos portugueses ordenaram-se em 1914, 1917 e 1919.

Estava-se nesta apagada e vil tristeza quando se ergueu uma nova esperança, com a nomeação de D. José da Costa Nunes para bispo de Macau, em 1920.

Mandou vir de Portugal e dos Açores várias levas de candidatos à vida eclesiástica.

De 1924 a 1939

O Seminário estava a cargo do clero secular.

Em 1924, chegou o meu grupo de cinco rapazes, precedido doutro grupo duma dúzia de açoreanos, em 1922. Em 1925, novo grupo de portugueses, continuando este afluxo até 1939.

D. José, vendo que os padres seculares não estavam treinados, confiou, em 1930, o Seminário aos Jesuítas. Mas estes, em geral, também não estavam preparados.

Se os padres seculares tinham vindo das paróquias de Macau e das Missões de Timor, Singapura, Malaca, os Jesuítas também não vieram de colégios nem de universidades; vieram das Missões, e alguns bastante velhos, sem nunca haverem ensinado na sua vida.

De 1924 a 1930, todos os meus professores foram padres seculares. Havia um que era competentíssimo na matéria, mas péssimo na profissão: o meu professor de francês, Pe. Régis Gervaix, que havia abandonado o Instituto das Missões Estrangeiras de Paris. Era tão competente que em 1925 foi nomeado professor de literatura francesa na Universidade do Governo Chinês, em Pequim. Era então o único historiador de Macau.

Publicava óptimos livros em prosa e verso.

Mas essas actividades impediam-no de se dedicar ao ensino. Nada ensinava; mas como não falava português e só falava francês, a sua língua materna, aprendemos melhor o francês.

Quanto ao professor de físico-químicas e ciências naturais, era o cura da sé, Con. João Clímaco do Rosário. Nunca preparava as lições. Nós, sabendo disso, podíamos dar todos os disparates, que ele não tugia nem mugia.

O professor de direito canónico foi o padre jesuíta Manuel Fernandes Ferreira. Tinha ido para Timor como missionário, em 1899, e nunca tinha visto o direito canónico, que só foi publicado 18 anos depois. Nas aulas, lia os cânones em latim, sem comentários, enquanto os alunos dormiam e eu fazia poesias.

O único professor competente foi o Pe. Elias Marcai Pequito, sj, que concluiu os estudos na América e veio para o Seminário em 1930. Fiz com ele toda a teologia e aproveitei muito.

Em 1929, encerrou-se o internato e os colegiais regressaram às suas terras.

Em 1939, os Jesuítas abandonaram o Seminário, que foi retomado pelos seculares, até 1968, ano em que deu o último suspiro.

Seminário-Liceu-Escola Comercial, Internato-Externato

Quando eu lá ingressei, em 1924, o Seminário de S. José era tudo isto: seminário para os candidatos aos sacerdócio, liceu para todos, escola comercial para os candidatos às carreiras profissionais, internato e asilo de órfãos para os rapazes, de várias partes do Oriente, e externato para a juventude macaense.

O Liceu oficial e a Escola Comercial estavam praticamente às moscas; o Seminário regurgitava de alunos: portugueses, timorenses, hongkonguenses, malaqueiros, singaporeanos e até macaenses do Japão. Uma verdadeira Arca do Noé.

E se mais mundo houvera, lá coubera.

Em 1923, freqüentaram o Seminário 122 internos e 343 externos. O curso de língua francesa era dado em francês; o curso de música, por um maestro competentíssimo, vindo de Itália; o curso liceal abrangia todas as matérias do Liceu; o curso de inglês abrangia duas partes, a língua inglesa e o curso comercial.

Em 1898, tomava a direcção desse curso um homem que o elevou ao mais alto nível, o inglês Pe. Arkwright; mas esse homem tinha um pecado original, que é imperdoável ao liberalismo, o de ser jesuíta.

Os bancos e as firmas comerciais inglesas de todo o Extremo Oriente recebiam, de braços abertos, os que tivessem tirado o curso comercial sob a direcção do Pe. Arkwright, mas o seu pecado original era imperdoável e a República maçónica de 1910 deu-lhe o grande prêmio pelos grandes serviços prestados à juventude macaense: em vez de colocar o seu retrato no salão nobre do Senado, na galeria dos cidadãos beneméritos de Macau, escorraçou-o daqui.

Mais, o padre jesuíta italiano Francisco Xavier Rôndina, professor do Seminário de 1862 a 1872, que formara muitos macaenses ilustres, teve o seu retrato no salão nobre do Senado de 1872 a 1910, mas o seu terrível e horrendo pecado original nem após a morte encontrou remissão: esse retrato foi apeado pela maçonaria em 1910.

E até hoje não se repararam estes grandes atentados contra a cultura macaense!

Cultura física e intelectual

Em 1924, foi nomeado reitor o Pe. Francisco Bonito Bragança, natural de Tondela.

Fora durante muitos anos pároco da igreja de S. José, da Missão Portuguesa de Singapura, e ali deixou um grande nome; e, ao sair, muitas saudades.

Era muito rigoroso. Mas como os eurasianos eram, e são, gente humilde, aceitavam de boa maneira todo o seu rigorismo.

No Seminário não sucedeu o mesmo. Criou–se um grande mal-estar; e o Pe. Régis Gervaix dizia que ele era como um veado numa loja de louça: partia tudo.

Não se sentindo bem, vários padres abandonaram o Seminário e a Diocese.

Ele esquecia-se da regra básica que deve nortear todos os superiores: Portiter et suaviter, ou seja, firme nos princípios, mas suave na sua aplicação; ou, como diz a Bíblia: Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito (Zac. 4, 6).

No entanto, como era apaixonado pelo desporto, promovia-o entre os internos e externos.

Em 1926, o Governador de Macau, Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães (a quem chamávamos o Má Má) promoveu o campeonato escolar; o Seminário ganhou quase todos os prêmios, incluindo o das regatas, em que entrou a Escola de Pilotagem.

Manifestações culturais

Sendo o Seminário a única escola de Macau que, além do curso secundário, ministrava as classes superiores de filosofia e teologia, era normal que excedesse todas as escolas no campo da cultura e desporto.

De 1/1/1919 a 1/7/1919, os colegiais publicaram uma revista semanal — Juventude —, de fraco valor literário; os seminaristas abriram a “secção dos novos” no Boletim Eclesiástico.

Por iniciativa do aluno teólogo António da Silva Rego, fundou-se, em 2/9/1925, a Academia da Imaculada, com sessões mensais, nas quais quatro ou cinco alunos recitavam perante todos os seminaristas as suas produções literárias em prosa e verso.

Havia ainda os improvisos.  No mesmo dia da sessão académica, era dado um texto bíblico a um aluno para ele o desenvolver. Havia alunos que desenvolviam brilhantemente  esse  texto. Mas houve um, Norberto de Oliveira Barros, que foi o cavaleiro da triste figura. O texto era: Pauculum et videbitis me, et iterum pauculum et non videbitis me (mais um pouco e ver-me-eis, e ainda um pouco e não me vereis). Ele recitou o texto e fez como a ”lágrima” de Guerra Junqueiro: Tremeu, tremeu, tremeu e caiu silencioso. Ele disse o texto, fugiu do palco e ninguém mais o viu: Et non videbitis me.

Coitado! Foi morrer a Timor, fuzilado pelos japoneses, que queimaram o seu corpo!

Formaram-se na Academia da Imaculada vários escritores, poetas e oradores.

Em Timor, esses rapazes, já padres, fundaram a revista Seara, que durou até à ocupação japonesa; em Singapura, a revista Bally, em inglês, que se extinguiu há pouco.

Em Macau, o professor António José Gomes fundou o diário A Pátria, que começou em 1/12/1925 e desapareceu em 30/4/1928, com a morte do seu fundador.

Historiadores e poetas

O poeta mais famoso foi o Dr. António José Gomes, que publicou a Vida de Cristo num grosso volume, intitulado A Cristíade, em hendecassílabos, à imitação de Os Lusíadas. Consumiu a vida inteira na confecção deste poema.

Outro poeta de grande mérito, o de maior inspiração lírica, foi Mons. José Machado Lourenço, que publicou vários livros de poesia e inúmeros poemas em vários jornais e revistas de Macau e dos Açores.

Poetas secundários foram os padres António da Silva Rego, Ezequiel Enes Pascoal, Jorge Barros Duarte e Artur Basílico de Sá. O historiador máximo foi o Pe. Doutor António da Silva Rego, que publicou em 12 grossos volumes a Documentação para a História das Missões do Padroado Português no Oriente e outros livros sobre as Missões Portuguesas de África.

O seu discípulo Artur Basílico de Sá publicou quatro grossos volumes sobre a Documentação do Padroado na Insulíndia.

As obras destes dois historiadores obtiveram renome internacional, constituindo a base de todos os estudos sobre essas Missões.

O Pe. Jorge Barros Duarte, natural de Timor, passou a vida a publicar livros em prosa e verso sobre a história e a etnografia da sua terra. Mons. Antônio André Ngan editou vários livros pedagógicos sino-portugueses.

Na história bicentenária do Seminário de S. José nunca houve uma floração tão esplêndida e fecunda como a de 1924 a 1939.

Da geração de 1924, só restam três: D. Jaime Garcia Goulart, Benjamim Pedro Shek e o autor destas linhas.

“Recordar é Viver” de Giga Robarts, foto de 1950

O macaense Jorge “Giga” Robarts tinha publicações no diário Jornal de Macau (devidamente corrigido pelo Giga), nos anos 80, com o tema “Recordar é Viver”, aliás uma frase muito popular até os dias de hoje.  Esta que publico abaixo é de 1987, provavelmente Julho, informação obtida no verso do recorte de jornal através de anúncio do Leal Senado.  A Mariazinha Lopes Carvalho gentilmente quis partilhar o recorte com a comunidade macaense e enviou-me para publicação.  Agradeço muito, pois as fotos antigas do meu arquivo são limitadas e sempre dependo de colaboração dos conterrâneos, escassa hoje em dia, mas entendo, os tempos mudaram desde que lancei o site Projecto Memória Macaense em 2003, uma vez que outros meios de comunicação tal como a rede social Facebook, hoje em dia, já tomam o lugar de um blog ou site criados para esta finalidade.  Só resta adaptar-se aos novos tempos até que estes recomendem a saída do ar, ou uma alteração de direcionamento do conteúdo.

Enquanto isso não acontecer, vejam o que o Giga escreveu e nomeou as pessoas na foto.  A Mariazinha, que recebeu este recorte da Olívia César, complementa com umas informações atualizadas  se alguém tiver algo a mais para acrescentar, seja bem-vindo através do seu comentário.  Aliás falando do Giga Robarts, penso que é daqueles macaenses que teriam capacidade para fazer algo mais, como publicar um livro de tanto que tem para contar, mas infelizmente, o macaense muitas vezes enfrenta certa resistência para ter um apoio, ou ser procurado para tal, pois de um modo o filho da terra é discreto “não gosta de pedir“, um tanto orgulhoso, ou não tem o devido reconhecimento.  Enquanto isso, outros que não têm a característica ganham o seu espaço … e o talento macaense acaba se desperdiçando ou esquecido … para sempre. Embora, convenhamos, vários tiveram também o seu espaço e várias obras foram publicadas, como Henrique de Senna Fernandes, Adé, Cíntia Serro e tantos outros.  No entanto, vale dizer que  Macau sã assi

clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez com a lupa em +

a imagem tem resolução suficiente para impressão e ser guardada como recordação por quem interessar

- Mariazinha Lopes Carvalho complementa:

Sónia de Jesus (Macau), Norma Carvalho Sousa (Portugal), Margarida Nogueira (Portugal), Mercês Jorge (Brasil), Noémia Baptista (Macau ou Portugal?), Ermelinda Baptista (Macau ou Portugal), Olga Baptista (Macau), Fátima Badaraco (falecida), Elsa Osório (falecida), Geraldina Robarts (falecida).

- No entanto, Jorge “Giga” Robarts complementa no seu comentário que foi feito na postagem seguinte dos Jovens Macaenses:

Gostei do blog.(é assim que se chama?).A minha amiga Mariazinha enganou-se em algumas pessoas.  A Margarida Nogueira vive há + de um ano com seu marido Infante, em Brighton, Inglaterra. As irmãs Ermelinda, Olga e Noémia vivem todas em Macau, costumam vir de férias em Julho/Agosto.

Rita Xavier, macaense, conquista 2 títulos mundiais de Kung Fu

Rita Xavier em 1º lugar

Rita Xavier, natural de Macau e residente em Portugal, ganhou dois títulos Mundiais de Kung Fu, nas categorias Masters Punhos Soft e Armas Soft no World All Styles Championship 2012, uma das mais importantes competições internacionais da modalidade, organizada em Torres Novas, em Portugal, nos dias 23, 24 e 25 de Março.

Rita competiu pela Escola de Kung Fu NT (Porto), de Nuno Terróia, que disputou o campeonato com 21 atletas e obteve 13 títulos Mundiais, 10 vice-campeões e 5 terceiros lugares.  Os 13 títulos Mundiais conquistados pelos sete atletas portugueses foram: Joana Pinto (Punhos 6/7 Anos Open), Pedro Moniz (Punhos 8/9 nos Open), Laura Terróia (Armas 10/12 Anos Open-cast/negros), Mafalda Ramos (13/14 Anos Punhos Soft), Mariana Tavares (quatro títulos em 13/ 15 anos Punhos, Armas, Combate e Forma de Grupo), Maria Ramos (dois títulos em 17/18 Anos de Punhos Hard e Armas Hard) e Rita Xavier (em Seniores Femininos: dois títulos em Masters Punhos Soft e Armas Soft). Ao todo, a competição contou com 3.600 participantes, provenientes de quarenta e quatro países diferentes, incluindo o Brasil.

O mestre do Espaço de Kung Fu NT que tem a referência Força dos Sentidos, Nuno Terróia, feliz com os títulos conquistados pela sua escola declarou “esta vitória é um grande orgulho para nós e também para Portugal, sendo o resultado das muitas horas de trabalho, concentração e dedicação dos nossos atletas”.

Rita Xavier é médica em Portugal, nasceu em Macau e é filha do macaense (engº) José Lancelote Xavier e de Manuela Xavier (Algarve/Portugal).

Parabéns Rita, para nós macaenses é um grande orgulho que uma “filha da terra” tenha conquistado tão importantes títulos mundiais.

* grato Fernando ‘Nano’ Branco e André Branco pelas dicas e fotos

Cíntia Serro e o seu livro de receitas de culinária macaense

Cíntia Serro na sua participação na conferência de Gastronomia realizada no Encontro das Comunidades Macaenses, alertava que a tradicional gastronomia macaense “não se deve deixar perder ou cair no esquecimento”.  Realçava no entanto que “ainda bem que hoje em dia se está a despertar para uma realidade que nos identifica”, a frisar que tinha inúmeras receitas manuscritas, herdadas da sua tia que carinhosamente a chama de tia/mãe, Albertina Martins de Carvalho Borges, atualmente com 92 anos.  Foi com ela que aprendeu a cozinhar e conhecer os segredos da culinária macaense.

Cíntia de Carvalho Conceição do Serro, nascida em Macau em 1943 e criada na freguesia de São Lourenço, despertou interesse do IIM- Instituto Internacional de Macau que decidiu patrocinar o lançamento de um livro, ricamente ilustrado, com cerca de 200 páginas contendo essas receitas, muitas tradicionais e algumas desconhecidas do público macaense.  No seu site, o IIM, nas palavras do secretário geral Rufino Ramos, justificou o apoio como “a oportunidade de divulgar os segredos da centenária gastronomia macaense e a iminente classificação desta como património imaterial da RAEM”.

Já uma “amiga da Casa”, Cíntia escolheu a Casa de Macau de Toronto, Canadá, para fazer o primeiro lançamento do livro no dia 18 de Março de 2012. Numa cerimónia singela, mas soberba a servir diversos pratos da culinária macaense, a presidente da Casa, Mónica Alves, fez as apresentações e em seguida, Cíntia, a falar em português e inglês, disse que estava a realizar um grande sonho, esperando que o livro possa contribuir para divulgação da gastronomia macaense. Ainda agradeceu o Instituto Internacional de Macau pelo apoio, especialmente à pessoa de Jorge Rangel, que foi representado pelo secretário geral Rufino Ramos.

O “Livro de Receitas da minha Tia/Mãe Albertina”, editado em português, com previsão para versão inglesa, brevemente será lançado em Macau e depois em Lisboa.  No boletim da Casa de Macau de Toronto de 26 de Março podia-se ver um aviso que ainda havia alguns exemplares para venda a $ 20,00 (dólares canadenses/canadianos), dando uma idéia do seu preço.

Nós aqui do Brasil, vamos ver se conseguimos comprá-lo pelo site do Instituto Internacional de Macau, aliás para seu conhecimento, faça uma visita e veja inúmeros livros que falam sobre Macau à venda. Uma sugestão ao IIM, que tal enviar umas dezenas de exemplares para cada Casa de Macau, de forma a permitir a comunidade macaense da diáspora adquirir o livro? Assim não teríamos que esperar por uma próxima viagem a Macau para fazê-lo. Ou então, para não haver desperdício, pois deve ter uma produção limitada, as Casas poderiam aceitar encomendas pagas antecipadamente pelos sócios ou interessados.  Seria um esforço para auxiliar na divulgação da culinária macaense, e uma atitude positiva para aqueles que estão longe de Macau e das suas livrarias.

Glória Soares Anok, editora do boletim da Casa de Macau de Toronto, gentilmente enviou as fotos abaixo com legendas, link para um vídeo-foto clip e um texto em inglês, por mim traduzido, a respeito do evento ocorrido na associação:

Tradução:

“Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina”

Cíntia do Serro

A Casa de Macau de Toronto teve a honra de ter sido a primeira sede de lançamento do livro de receitas de Cíntia Serro. O evento, de grande sucesso, foi realizado na nossa associação no dia 18 de Março de 2012, um domingo.

Além da participação dos nossos sócios e amigos convidados da Cíntia, o evento contou com a presença de ilustre convidado: Dr. Rufino Ramos (representante de Dr. Jorge Rangel) do IIM Instituto Internacional de Macau, o editor do livro. Comendador Gustavo da Roza e António Jorge da Silva foram também convidados , já que estavam na cidade a participar de uma Conferência Portuguesa na Universidade de Toronto.

Cíntia vai estar em Macau em Junho para fazer o segundo lançamento do seu livro, e mais tarde, ainda neste ano, em Portugal.  Para felicidade dos leitores (de língua inglesa),  uma versão em língua inglesa do Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina será lançada ainda neste ano.

*fotos e texto elaborado com consulta ao site do Instituto Internacional de Macau, site da Casa de Macau de Toronto, Jornal Tribuna de Macau e o blog PCB Magazine.

Cíntia Serro na Conferência de Gastronomia do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010

fotos de Rogério P.D. Luz

O artigo de Jorge Rangel publicado no Jornal Tribuna de Macau em 10/04/2012

clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez com a lupa em +

Miss Macau 1996, o 4º título das Pedruco

Folheando a Revista Macau, edição de Outubro 1996, vi um curto artigo nas páginas do Noticiário que o título de Miss Macau 1996, coube pela quarta vez a outra Pedruco.  Desta vez foi a Guiomar Pedruco, que sucedia a sua irmã Geraldina que foi a Miss Macau 1995.  Infelizmente não tenho nenhuma edição da Revista Macau do ano 1995 para pesquisar a notícia da sua eleição.  Se conseguir a edição que fale a respeito, farei a publicação.

Vejamos o que foi publicado:

MISS MACAU — A estudante Guiomar Pedruco, 21 anos, foi eleita Miss Macau 1996, sucedendo à sua irmã Geraldina Pedruco, vencedora do concurso em 1995.

Lei Fei, 22 anos, foi coroada primeira Dama de Honor e Miss Fotogenia, enquanto Chiu Nga Ling, 20 anos, foi eleita segunda Dama de Honor. O título de Miss Simpatia foi atribuído a Chan Lei Man, 24 anos.

Com a conquista do título de 1996, a família Pedruco chamou a si a quarta vitória no concurso organizado pelos Serviços de Turismo, depois de idênticas proezas em 1989, por Guilhermina Pedruco, em 1993, por Isabela Pedruco, e em 1995, por Geraldina Pedruco.

Nota: Para ver as postagens a respeito das Pedruco e os seus títulos de Miss Macau, pesquise na coluna da direita em Categorias e clique no título (em sub-título da categoria Macaenses)

Náno Branco canta “A Teenager in Love” – vídeo

Na festa de Natal de 2011 da Casa de Macau de São Paulo, Fernando “Náno” Branco, a convite, cantou com o conjunto musical do Charlie Santos (Carlos Alberto).  A canção escolhida, para reviver os tempos dos festivais de música em Macau dos anos 60, quando se apresentava com o seu grupo “The Greycoats” foi – A Teenager in Love. O vídeo foi gravado por uma equipe profissional contratado pelo próprio Charlie, que também se apresentou para o grande público presente.  Veja o vídeo divulgado pelo Charlie:

Aproveito a postagem para publicar o artigo que escrevi sobre o Náno e os Greycoats, em 05/Nov/2010, e publicado no Jornal Tribuna de Macau (na foto, o Náno é o que está deitado):

Clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez

 

Macaenses de Hong Kong Shanghai Bank – anos 60

CLICAR NA FOTO PARA AUMENTAR E DEPOIS MAIS UMA VEZ

A foto dispensa palavras.  É pura saudade.  Muitos conterrâneos conhecidos, diversos já faleceram.  Pena que o meu irmão José da Luz não esteja na foto, pois ele também lá trabalhou.  Talvez ele ainda não tivesse ido para Hong Kong.  Algumas pessoas não estão identificadas, assim, o espaço aqui está aberto para quem queira colaborar, ou até eventualmente retificar alguma identificação.

* Grato Mariazinha Lopes Carvalho (Antoninho Lopes no nº 40 é o irmão dela) e Luís Garcia pelos e-mails

* António Capitulé complementa: 63 –  Manuel Sequeira;  64 – Rui Aires da Silva;  66 – Francisco (minchi) Mendes;  69 – Johnny Fernandes

Alda de Carvalho Ângelo, seu livro, seu minchi

a capa do livro com a reprodução em bico de pena do seu esposo Amílcar Ayala Orois Ângelo

Atualização 15/04/2012: Infelizmente, pelo comentário do seu filho Alberto  (vide abaixo clicando no Comentário) Alda Carvalho Ângelo faleceu em Fevereiro de 2010.  Peço uma oração pela paz da sua alma.  Descanse em paz Dona Alda!

ALDA MARTINS DE CARVALHO ÂNGELO, macaense, natural de Macau, reside em São Paulo segundo últimas informações, porém já faz um bom tempo que não temos notícias da nossa conterrânea.  Na última vez que esteve na Casa de Macau percebia-se que a Dna. Alda vivia as limitações que acometem muitas pessoas de idade.

Tenho boas lembranças da Dna. Alda que costumava frequentar a nossa casa.  Era amiga da minha mãe e sempre estava acompanhada do seu esposo, Amílcar Ângelo, de boa prosa e culto, contava que fotografou para a National Geography, até que partiu para o seu descanso eterno. Na época do Natal, era na sua casa, vizinha da nossa na região central, que a malta se reunia para um almoço.  Lembro-me do seu Diabo, que logo publicarei a receita.  Naquela época nos anos 70, era uma festa só e nos apertavamos no seu apartamento da Rua Abolição, insuficiente para comportar a todos, obrigando alguns a ficar no corredor.  Era um bom momento para matar as saudades de Macau, pois a maioria era recém imigrante.  Faço votos para que ela esteja bem, e ao publicar a sua obra, quero prestá-la uma singela homenagem.

A malta macanse nos anos 70 em reunião na casa de um conterrâneo em São Paulo, Brasil, por ocasião da visita do Padre Moreira.  Na 1a. fila, eu sou o 4º a contar da esquerda, após o Pe. Moreira.  A Dna. Alda, a 6ª da esquerda na fila do meio, ao lado da minha esposa, a 5ª.  Amílcar Ângelo é o 3º da última fila, da esquerda. Como não tenho o nome de todos, fico devendo a legenda completa para depois. Agora, se alguém puder prestar um bom serviço, favor informar no seu Comentário desta postagem.

‘O livro “Fragmentos do Oriente”

O livro, de sua autoria, foi publicado em São Paulo, Brasil, em 1965.  Dedicou-o à sua mãe Cândida Maria dos Remédios Carvalho, falecida em Macau em 14 de Janeiro de 1965.  A apresentação:

“Rápidos apanhados da vida cotidiana: de usos e costumes: aspectos folclóricos: bombardeamento de Hong-Kong durante a segunda guerra mundial; viagens; culinária chinesa e macaense; que, a traços largos através de contos e narrativas, são focalizados pela autora que é natural de Macau, colônia portuguesa ao sul da China, onde viveu durante trinta anos.”

ALDA MARTINS DE CARVALHO ÂNGELO. Escritora portuguesa, é autora do livro “Taquigrafia Portuguesa Pitman” editado pela Casa Pitman de Londres, Inglaterra; selecionou e tomou parte na tradução “Maravilhas do Conto Chinês” editado em São Paulo, Brasil; colaborou em revistas e jornais do Rio de Janeiro e São Paulo. É membro da União Brasileira de Escritores, da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e Associação dos Profissionais de Imprensa de São Paulo. Brasil.

Alda escreve sobre o Minche e dá várias receitas.  Duas estão publicadas aqui e outras quatro: ovos recheados com minche,madeira fán (arroz frito com minche), espaguete e minche ao forno e nabo chau-chau porco, numa futura postagem.

Minche (carne moída no Brasil)

O arroz e minche é para os macaenses o que o arroz e peixe salgado é para os chineses, o que o arroz e feijão é para os brasileiros. A palavra minche teria vindo do inglês “mince” (moer), ten­do sofrido transformações como “minci” ou “minchi” e finalmente para minche.

Este prato, de fácil preparo, de gosto deli­cado, exótico, urna combinação ocidental-oriental, digamos, de apresentação ocidental com as carac­terísticas orientais, é um prato de grande versatibilidade. Tudo se é possível fazer com o minche. Ele pode ser servido tanto na mesa do pobre como na do rico, simples ou enfeitado; pode ser servido com o pão ou com o arroz branco; pode ser como complemento de outros pratos; serve para acen­tuar o gosto de certas comidas; pode ser comido frio ou quente; pode ser guardado para o dia seguinte para fritar arroz, para fazer omeletes, rechear ovos, bolinhos de batatas; pode ser frito com legumes… as possibilidades do minche, do prato nacional macaense, são ilimitadas.

Não me é possível neste singelo trabalho trans­mitir aos leitores tudo sobre a cozinha macaense — isso encheria um livro de bom volume, que, se Deus quiser, será para a próxima vez. No mo­mento, escolhi um número de receitas de pratos mais representativos da mesa macaense. Isto, sim, está dentro do propósito do presente trabalho: um pouquinho de tudo trazer para cá. Isto explicado, vamos ao minche. que os leitores, certamente, de­vem estar curiosos por conhecê-lo:

Minche sutate (minha receita, adaptada para o meio)

Receita para 4-6 pessoas.

1/2 kg. de carne moída (eu prefiro eu mesma moer a carne.,  sem  as pelancas)

1 cebola de tamanho médio cortada em rodelas fininhas

2 colheres de sopa de molho de soja (shoy-ú / sutate)

1 colher de chá de açúcar

l pitadinha de pimenta  em pó  (pimenta do reino)

l dente de alho batidinho Não precisa de sal.

Frite as rodelas de cebola em separado até começarem a alourar. Tire para um prato. Ponha novamente banha na frigideira (mais ou menos uma colher de sopa) e, quando ela estiver quente, frite o alho até dourado; junte a carne e com um garfo — em Macau com, uma chareta, colher em forma de concha feita com casca de coco — quebre bem a carne. Frite até secar toda a água. Junte então, a cebola frita, açúcar, pimenta do reino e shoy-u. Continue fritando até o líquido ficar bem reduzido, mexendo de quando em quando com o garfo. Sirva com arroz branco.

A diferença entre minha receita e a de Macau é a seguinte: Lá usa-se dois tipos de molho de soja. O branco — Pák-si-iau — e o preto — Têc~ iau —, este último só umas gotinhas, dispensan­do-se o açúcar, uma vez que o “têc-iau” já é doce. Lá se usa, também, juntamente com a cebola, a cebola seca que não tenho encontrado aqui. Al­gumas famílias preferem temperar a carne pre­viamente com os ingredientes e depois fritar.

Minche de carne de porco

serve 6

1/2 kg. de carne de porco moída

3-4 galinhos de cebola verde picadinhos

l colher de sopa de molho de soja (si iau / sutate)

Numa frigideira, frite a cebola verde em banha quente, junte a carne de porco moída e, com um garfo, quebre bem a carne, deixando-a bem solta e seca. Tempere com uma pitadinha de sal e pimenta do reino. Regue com o molho de soja.

Variações

Pode-se fazer o minche com metade, ou uma parte, de carne de porco e outra, de carne de vaca.

Pode-se juntar ao minche uma batata frita, em dadinhos bem pequeninos. Os dadinhos podem ser arrumados em volta do minche ou misturados com a carne.

Pode-se juntar ervilhas cozidas, em redor, ou misturadas.

Nota do Editor: A receita foi escrita em 1965, época em que os produtos chineses importados eram bem limitados em São Paulo, ao contrário da atualidade quando aqui há praticamente de tudo no bairro da Liberdade e região da 25 de Março. Importante citar que as receitas visavam o público brasileiro.

“O inconfundível Johnny Reis” em memória …

Estranhei hoje inúmeras visitas à postagem abaixo em 07/09/2011, mais de 80, e a resposta veio há pouco pela notícia dada por uma fonte confiável.  Faleceu nesta data: 22/02/2012 o Johnny Reis, uma referência de juventude de muitos macaenses.  Ainda vou ler a notícia nos jornais de Macau.

Descanse em paz Johnny Reis.  Nossas condolências à família.  Saudades dos tempos de você na Rádio Vila Verde.  Em sua homenagem, republico a postagem:

*um texto de Cecília Jorge – Revista Macau Junho 1998

João Sameiro Afonso ReisJohnny Reis, para a comunidade macaense que o “adoptou” — prepara-se para a reforma ao sol do Algarve, a ocupar-se da neta predilecta.  Ao fim de trinta anos, completados em 1996 como “músico” semi-profissional, além da Função Pública, vai sobejar-lhe tempo para descansar e recordar peripécias na cena do “show-bizz” local, algumas já referidas no artigo de Rigoberto do Rosário que a Revista MacaU publica.  Natural de Braga, veio para Macau em 1939 numa comissão de serviço do pai que acabou por se prolongar por causa do deflagrar da II Grande Guerra e posterior entrada do pai para o Corpo da PSP. Foi adiando o gozo da licença a Portugal e o seu primeiro regresso à terra natal, de onde saíu ainda criança, deu-se só em 1993. Considera-se “macaense”.  “A música ajuda as pessoas a viver a vida”, refere ao explicar a estreita ligação (sua e dos seus “conterrâneos”) a esta forma de passar o tempo.

Com a mesma voz de timbre quente, com que encantou quem o ouviu cantar durante tantos anos em nights-clubs, festas e festivais, e foi apresentando programas radiofónicos e noticiários, diz-nos que a memória o trai quando quer referir datas e alguns nomes. Mas se o diálogo se proporcionar, as cenas avivam-se e a “voz” também, com a fluência das palavras que nunca se deixaram contaminar pela pronúncia típica de Macau.

No início da aventura musical — mais ou menos em 1966, ainda a Rádio Vila Verde se situava na esquina da Francisco Xavier Pereira —, Johnny, Nuno e Alberto Senna Fernandes, Tony Hyndman, Sonny Gomes e Kenny Barnes entretinham-se a “fazer música”. Nessa altura, os dois últimos, mais profissionais, marcavam o ritmo “batendo as palmas”… Os agrupamentos mais certinhos vieram depois, como os uniformes: com camisas axadrezadas com faixas “à toureiro”, a princípio, depois blazers, cinzentos, e mais tarde vermelhos. (Os “Rockers”, assinalados com o monograma R, e os “Four Aces” com quatro ases, de naipe diferente para cada componente).

Tocaram em todos os locais onde era possível tocar — recorda hoje Johnny Reis. Tocavam igualmente todos os instrumentos em que pusessem as mãos, apreendendo todos “de ouvido” e uns com os outros…

A carestia de vida e do equipamento levou inclusivamente a que, uma vez, a avalizar um empréstimo pedido a Guilherme Silva, gerente da Pousada de Macau, para compra dum xilofone, providenciassem música de dança no seu restaurante durante uns tempos.

Mas, se foram muitas as actuações do grupo, que mudou mais de nome do que de componentes — tocando no Hotel Riviera, no Bela Vista, no Estoril, na Pousada de Macau, no “Helena” que ficava na Ponte-Cais nº 16, em todos os Clubes e Associações, no Clube Recreio e até no Indian Club de Hong Kong, mais foram as oportunidades perdidas.  Tratando-se de funcionários públicos que se agrupavam pelo gosto da música, pelo prazer de entreter amigos e um público animado, e para complementar o salário, as limitações da pesada burocracia dos anos 60 e 70 impediram-nos de “voar mais alto”.

Johnny ainda hoje lamenta não terem podido aceitar um convite do “Paramount” de Hong Kong para substituirem “Giancarlo and his Combo” naquela boite de luxo ou mesmo noutras actuações em Hong Kong. E Mário Sequeira lembra-se dos problemas , depois da transferência para “a outra banda” (Ilha da Taipa), com autorizações para ir a Macau actuar em festas, ou por exemplo no Macau Palace. Transportes, só em tancares ou barcos condicionados à maré. Mas vezes houve também que a timidez e relutância dos camaradas do grupo os impediu de actuar em programas de grande audiência da Televisão de Hong Kong.  Estreou-se na emissora VilaVerde, que começou a funcionar em 1948 com Johnny Alvares como engenheiro de som e seu irmão Walter Reis, locutor.  Acabara de sair da tropa. E apresentou programas como os “Hit Parade”, “Yours for the Asking” (em inglês) e os “Request”, de grande audiência, porque dias havia em que o carteiro despejava na emissora quilos de cartas com pedidos de discos e se preenchiam 5 folhas A4 com dedicatórias de cada canção. Eram tantas e tão fiéis as radiouvintes que chegou a ser necessário apaziguar pais que julgaram atentatório do bom nome das filhas a frequência alarmante de dedicatórias públicas dos (múltiplos) enamorados. Alegavam forte “distracção em horas de estudo”. E o meio-termo foi a proibição de inclusão de apelidos.  A voz de Johnny era inconfundível. E contudo, quando uma vez, em desespero de causa, quis evitar o pior no seu programa “Disco-Mistério” (oferta de discos de 45 rotações a quem identificasse o vocalista), e cantou com música de fundo, não houve um único ouvinte que o reconhecesse. É claro que disseram ser batota… mas o certo é que já pesava estar a custear ele próprio os prémios, quando lhe faltou o financiamento prometido. Graça teve também aquela vez quando, habituado a improvisar, e depois de anunciar o início da transmissão do “Terço do Bairro”, teve que fazer as vezes do sacerdote que faltou.

Era indiscutivelmente um bom profissional da rádio, pela experiência, pela dicção, pela voz, pela presença, e simpatia contagiante. Lembra-se das últimas locuções na Vila Verde, quando durante os incidentes de 1966 teve que ler comunicados oficiais à população na qual se minimizava a situação, ao mesmo tempo que, pela janela aberta do estúdio se ouviam disparos e o tiroteio na cidade. O canal em língua portuguesa encerrou pouco depois.  E Johnny passou a funcionar na ERM, localizada na torre do edifício dos CTT.

Ruby de Senna Fernandes, uma das poucas intérpretes locais do fado e música ligeira na década de 60, acompanhada pelos “Rockers”

José Vicente Jorge no Suplemento de HojeMacau em e-book

O Suplemento do Jornal HojeMacau entrou na era do e-book (electronic book ou livro eletronico ou digital), e para quem não saiba, lê-se como se estivesse a folhear um livro manipulando com o mouse/rato para aumentar/diminuir e mudar de página.

Na edição abaixo, os netos Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros falam do livro sobre o macaense José Vicente Jorge.  Dêm uma olhada clicando no link abaixo:

h-30-12-11

Graça Pacheco Jorge

Pedro Barreiros

O que li no Jornal Tribuna de Macau

Abaixo, notícias que li no Jornal Tribuna de Macau (www.jtm.com.mo) que publico para quem não as leu ou para sua releitura:

(clicar nas imagens para leitura no formato maior)

a) Falecimento: Notícia triste do falecimento de José Luís Machado. Era o pai do Luís Machado que é presidente da Confraria da Gastronomia Macaense (em Macau) e um dos integrantes do grupo teatral Dóci Papiaçam di Macau (teatro em patoá de Macau).  Ao amigo Luís Machado e à família as nossas sinceras condolências:

2) António Estácio divulga o seu novo livro: O amigo que já publicou diversos livros das suas vivências em Macau, retorna à terra para divulgar o seu novo livro “Sra. Bijagó” na Livraria Portuguesa.  Vejam o que saiu no JTM a respeito:

3) Alberto Alecrim recorda a queda de Goa: Foi uma experiência de vida e tanto para o Alecrim, de estar presente naquele momento histórico do fim da Índia Portuguesa em Dezembro de 1961.  Viveu a história!!! Cedo ou tarde as colónias portuguesas de Goa, Damão e Diu, no território indiano, iriam ser devolvidas ou retomadas pela Índia.  Pena que foi com o uso da força.  E também lamentável que o retorno das tropas portuguesas a Portugal tenha sido ignorado, como se tivessem sido “traidores ou covardes” ao se recusarem a lutar “até o último homem”. Teria sido um massacre dada a superioridade militar indiana.  Lembro bem que naquela época com 11 anos de idade, movido por um grande sentimento patriótico, fiquei a nutrir um ódio danado dos indianos, e por um bom tempo:

Notícias da Comunidade Macaense (18/01/2012)

1) Nota de falecimento: Triste notícia recebida pelo e-mail do Luís Garcia nesta data, informa que faleceu o Dr. Delfino Ribeiro, conhecido advogado macaense.  Peço uma oração pela paz da sua alma. O Jornal Tribuna de Macau também noticiou, conforme abaixo:

2) Macaense representa Hong Kong no Brasil: Marina Barros comunica que foi nomeada pela Invest Hong Kong como – Consultor Executivo para o Brasil.  Veja o comunicado no arquivo em pdf abaixo:

Press_release_portugues_Marina_Barros

3) Vídeo dos 15 anos da ADM – Associação dos Macaenses: No site da ADM foi divulgado o vídeo abaixo com o seguinte texto, conforme recomendado no e-mail do Rogério Monteiro:

ADM – 15 anos de existência e as perspectivas para o Futuro

A ADM nasceu em 1996, pelas mãos de Luiz Pedruco, José Monteiro Júnior e Mário Évora. Palavras discursadas durante o jantar do 15º. Aniversário da ADM, Miguel de Senna Fernandes assegurou que “o universo de sócios tem-se diversificado”, com muitos “profissionais de várias quadrantes” o que deixa os responsáveis da associação “satisfeitos e confiantes no futuro”. Com orgulho no passado, o presidente lembrou, contudo, que a ADM é “humilde” e que sabe muito bem “de onde veio e para onde irá”. As perspectivas para o futuro tende-se para a “necessidade de rejuvenescimento” e que a “aposta na geração mais nova deve ser sempre uma prioridade”.

O vídeo recorda as memórias do passado e destaca as perspectivas de mudança no futuro, com uma cara mais nova da Associação.

Créditos finais na realização do vídeo:

Edição: Elisabela Larrea
Design Gráfico: Derek da Rocha Hoo e António Monteiro
Voz de Narração: Miguel de Senna Fernandes
Agradecimentos especiais: Adriano Cardoso

4) Casa de Macau de São Paulo comemora o Ano Novo Chinês: e-mail recebido traz o seguinte comunicado:

KUNG HEI FAT CHOI – 22 de Janeiro de 2012

Convidamos a todos os associados para participarem da nossa próxima festa comemorativa do “Ano Novo Chinês – Dragão” no domingo dia 22.01.2012 as 12:30, mediante a seguinte programação:

1)    Almoço com o seguinte cardápio desta época festiva:

- Leitão assado à moda chinesa.

- Legumes de Bonzo (lo hon chai).

- Porco Agridoce.

- Verduras Refogadas (chau choi).

2)  Chá da tarde com as seguintes delícias festivas:

- Macarrão à moda chinesa (Lou min) e outros quitutes.

3)  Aperitivos chineses kwá chi   (sementes vermelhas ou pretas)

- Doces chineses tong kó, (frutas ou legumes cristalizadas).

4)  Além da “culinária chinesa” mencionada, há ainda a programação para diversão          nesse dia festiva, a saber:

- Mah Jong (jogo chinês de “quatro direções”);

- Poker;

- Bingo

- Dado farinha (jogo típico macaense).

PREÇO POR PESSOA: R$10,00 (dez reais) para associados em dia com as suas mensalidades, e R$30,00 (trinta reais) para não associados, convidados e outros.

TRAJE: Preferencialmente traje chinês.

Daniel Ferreira – pegar no microfone … e cantar

(Daniel 1º à direita com os The Thunders, Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr., Alex Airosa e Manuel Costa na bateria)

Daniel Ferreira
Pegar no microfone … e cantar

por Cecília Jorge – publicado na Revista Macau em 1998

Daniel Ferreira (de Macau) é mais um caso de talento na juventude dos anos 60 que se entregou à música e se dedicou a fundo ao desporto (hóquei em campo, futebol, karatê). E pouco tempo lhe sobrava para além dos estudos, feitos no Seminário de São José — escola a que deve, decerto, a sua fluência e firme domínio da língua portuguesa, para além do inglês e do cantonense que todo o macaense fala.

É conhecido sobretudo como vocalista, sendo poucos os que,da sua geração e da anterior, não se lembrem da maneira como interpretava canções celebrizadas por Tom Jones, ou o “Unchained Melody” dos Righteous Brothers. E como se não bastasse o ter boa voz, fadou-Ihe o destino ter ainda melhor aparência … pelo que admiradoras e fãs enchiam as audiências. E no entanto, começou “por brincadeira, a tocar bateria com grupos de amigos e em casas de alguns, até um dia se lembrar de pegar no microfone…e cantar”— como nos diz, hoje, ainda divertido com a recordação.

Estava-se em plena febre dos Shadows e dos Beatles, e os irmãos Ritchie já tinham formado uma banda para ensaios e festas, a que ele aderiu.

Estreou-se numa festa do Liceu em 1965 e recorda-se que o reitor, então Énio Ramalho, gostou tanto da sua actuação que o incitou a continuar. O convite para se juntar aos “Thunders” — grupo praticamente consagrado— chegou pouco depois, por insistência do seu amigo Herculano Airosa. Daniel preferiu cantar quase sempre em inglês, o que por vezes lhe valeu algumas discriminações em Macau. Há quem se recorde, porém, de outra linguagem universal em que era exímio, o assobio. Colocavam- lhe habitualmente dois microfones quando interpretava temas dos filmes “For a few dollars more”, “A Fistfull l of Dollars”, ou “The Good,the bad and the ugly” que primavam pela assobiadela cheia de sonoridade… Os “spaghetti westerns” assim classificados por serem realizados por italo-americanos.

Foram muitas as desistências, pela certeza firme de não querer fazer carreira como andarilho da música. O serviço militar apanhou- o assim que concluiu o 5a ano do Seminário de São José, por seis meses, separando-se então dos “Thunders”.

Pouco depois, juntava-se a outro grupo de rapazes — “Midnight Riders”— que actuavam todas as noites no Casino “Macau Palace”, a troco de 25 patacas por noite: “cantar três noites por semana, ou seja, receber semanalmente 75 patacas para quem ganhava 300 patacas por mês como funcionário da Assistência era irrecusável”— comenta.

Nessa altura já Daniel se tinha perdido de amores, casado e passado à condição de pai…

Actuou no Clube Militar e noutros locais, e lembra-se de como Roberto Petrovich passava todas as noites por onde se encontrassem e Daniel lhe ensinava aquilo que também outros lhe ensinaram a ele, “a colocar a voz”, a tirar partido de determinadas canções. E Petrovich, um jovem de ascendência russa e com as capacidades de um Engelbert Humperdink era mesmo talentoso. Acabou por substituir o “professor” nos “Midnight Riders” (que reunia na altura Daniel, Sonny Gomes, Alberto Amante, Jerónimo Hung e Mário Pistacchini).

Foi vocalista de vários outros conjuntos, cantou a solo no Hotel Estoril, no bar “Mermaid” e no “Portas do Sol” do Hotel Lisboa. Foi várias vezes abordado para se tornar profissional (e lembra-se da insistência de Adé dos Santos Ferreira, nesse sentido). E recorda-se sobretudo quando, por uma questão de princípios, perdeu um contrato para actuar mensalmente no “Star Show” da TVB de Hong Kong e em vários clubes nocturnos. O convite contemplava-o só a ele, a solo, e não quis abandonar o grupo. Estava-se em 1971.

Quatro anos depois partiu para Hong Kong, onde foi funcionário do Consulado do Brasil até 1978. Emigrou para os Estados Unidos, experiência gratificante, onde se sentiu realizado profissionalmente, trazendo recordações dos dez anos em que trabalhou no Banco do Brasil em Los Angeles.
Regressou a Macau por circunstância de um acaso, que ainda hoje lhe faz confusão. Vinha passar férias. m em 1988 quando o dr. Car los Assumpção, o presidente da Assembleia Legislativa, por quem tem uma profunda admiração e muita saudade, o desafiou a ser seu secretário pessoal. Aceitou… apenas para o ver morrer pouco depois. A partir daí, foi mudando de emprego e hoje (1998) está como responsável pela segurança na cadeia de Coloane, lugar pouco invejável, mas que ele encara como outro cargo qualquer. E vai-se deixando ficar em Macau… o futuro a Deus pertence!.

Daniel Ferreira não se arrepende de ter preferido “cantar, só por cantar…”. Hoje fá-lo com o mesmo empenho, mas só para os amigos e em salas privadas, com a vida facilitada pelos karaoke.

(Daniel Ferreira, da esquerda com os The Thunders, ao lado de Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr. e Alex Airosa)

Nota: Tive uma boa conversa com o Daniel na APOMAC quando viajei a Macau para o Encontro de 2010.  Muitas coisas que contou estão de acordo com o texto da Cecília Jorge.  Revelou-se um eterno apaixonado cujo “grande problema” é que quando isso acontece quer casar, motivo de somar mais de um casamento na sua vida. O Daniel estudou comigo no Seminário de São José e ele era uma espécie de “protetor”.  Lá estava ele presente quando a força física era necessária.  Hoje confessa que leva uma vida confortável de aposentado na sua terra natal.  Abraços ao antigo colega de classe.(Rogério Luz)

Fátima de Santos Ferreira, entrevista ao JTM

Bem lembrado pela sua irmã, Maria João, vejam o que a Fátima dos Santos Ferreira falou em entrevista concedida ao Jornal Tribuna de Macau em Dezembro do ano passado, assunto de interesse da comunidade macaense.

Lembro que em 2007, a Fátima, macaense residente em Macau, foi nomeada e eleita 1ª vice-presidente (são dois vices) do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses, cargo mantido na eleição de 2010.  Naquela ocasião eu, da diáspora macaense, que ocupava um dos cargos eleito em 2004 juntamente com outro macaense, também da diáspora, opinei neste blog e foi divulgado em destaque no jornal católice O Clarim, que de acordo com os Estatutos, a Presidência somente poderia ser ocupada por um residente de Macau.  Pois bem, se, a rigor, o vice assume na falta do presidente, nada mais justo que uma das 2 vice-presidências fosse preenchida por uma pessoa viável à função.

Não sei se a minha opinião tenha causado algum mal estar, que me desculpem pela sinceridade despida de pretensão de cargos, não foi com intenção de tumultuar, mas falar o que era preciso e de acordo com os Estatutos, e fiquei contente ao saber que a Fátima estava indicada para o cargo.  Deixei-o satisfeito, bem como o outro vice, que no seu lugar foi assumido por um macaense da diáspora americana.  Novamente me desculpem se deixo de citar os nomes, pois achei melhor assim. Particularmente, acho que devemos encarar com serenidade essa disputa de vices, despido de qualquer litígio frontal ou de bastidores, e que ora se repete no ano que vem, quando se realiza, assim se espera, o novo Encontro das Comunidades Macaenses e a eleição de órgãos sociais do Conselho para o triénio 2013-2016.

Coronel Mesquita, breve biografia

Dando sequência às duas postagens anteriores a respeito do coronel Vicente Nicolau Mesquita (vide), penso que muitos ou alguns macaenses tenham apenas a visão dele como o herói da batalha do Passaleão, que justificava a estátua que ficava no Largo do Senado, mas não conheciam o outro lado escuro da sua vida. Pois, infelizmente, também foi um criminoso.  Assassinou a esposa e a filha, e depois suicidou-se.  Leiam esta breve biografia do Coronel Mesquita, que consta do artigo “O Guardião da Necrópole” de autoria de Amadeu Gomes de Araújo (Revista Macau-Fevereiro 1997)  e conheçam esta triste história:

Realia

À sombra de São Lourenço

A família de Vicente Nicolau de Mesquita fixou-se em Macau, na freguesia de S. Lourenço, na primeira metade do século XVIII. Ali nasceu o seu bisavô, José da Cruz de Mesquita, em 14 de Outubro de 1744; o avô, João de Mesquita, e o pai, Frederico Albino, advogado no auditório de Macau. Ele próprio, Vicente Nicolau, nasceu em S. Lourenço, a 9 de Julho de 1818, ali foi baptizado, viveu, casou e morreu.

Em 9 de Junho de 1835 assentou praça como voluntário no Batalhão do Príncipe Regente. Tinha então 16 anos. Aos 17 casou com a crioula Balbina Maria da Silveira, de quem teve cinco filhas, três das quais faleceram no mês de Maio de 1842, com intervalos de uma semana.

Em 25 de Agosto de 1849, com 31 anos de idade, comandou o assalto ao forte chinês de Passaleão, transformando-se numa figura heróica, prestigiada, da sociedade macaense.

Quando enviuvou, após 24 anos de casamento, desposou Carolina Maria Josefa da Silveira, irmã da primeira mulher, mas 11 anos mais nova. Meses depois, falecia a quarta filha.

Crises de ciúmes e outros graves problemas familiares envolvendo dois dos filhos do segundo casamento, associados a invejas e questiúnculas do pequeno mundo macaense, fizeram de Mesquita um homem atormentado e perturbaram- lhe a mente.

Desnorteado, mas apercebendo-se da aproximação de uma tragédia, procurou o apoio do bispo, D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, e do Governador, Joaquim José da Graça. Ambos lhe recusaram a ajuda solicitada. Já sem controlo, pretendendo salvar o que, no seu perturbado código de valores, considerava a honra de pai e de militar, num ataque de loucura, assassinou a esposa e uma filha, suicidando-se em seguida. Era Dia do Pai, S. José — 19 de Março de 1880.

A sociedade recusou-lhe uma campa cristã e lançou-o na terra anônima dos réprobos. Proscrito, aguardaria 30 anos pela reabilitação. Quando, em 14 de Outubro de 1937, falecia no asilo da Misericórdia, com 95 anos de idade, solteira, Leopoldina Rosa, última dos seus oito filhos, extinguia-se a secular geração dos Mesquita.

À sombra de S. Lourenço, cumpriu-se uma triste sina…

Miss Macau 1994

Em 1994 não foi a vez de uma macaenses ganhar o concurso de Miss Macau.  A estudante chinesa, recém-residente em Macau, Chen Ji Min, levou o título principal, além de também ter sido eleita Miss Fotogenia pelos fotógrafos, a exemplo da Miss Macau do ano anterior.  No entusiasmo da conquista do título prometeu que vai estudar português.  Se o fez, está muito bem servida nos dias de hoje, e pode vir para o Brasil que a China está com altos investimentos no País.

João Fernandes que redigiu o texto do artigo a respeito na Revista Macau de Outubo de 1994, qualificou a bela chinesa detentora de um “sorriso tranquilo” e que bem mereceu o título de Miss Macau.  Chen ganhou 200 mil patacas em dinheiro (hoje cerca US$ 25.000,00), mais um automóvel e um apartamento em Shun Tak, a 90 km de Macau.

Em 2º lugar classificou-se Daniela Maria Mendes, à esquerda na foto acima, e diga-se de passagem, mui bela!!! Sem falar na 3a. colocada Lao Hio e a Miss Simpatia, Teresa Ung , ambas também mui belas.  Deve ter sido uma decisão mui difícil para o júri.

Miss Macau 1993

Em 1989 foi a sua irmã Guilhermina que ganhou o concurso de Miss Macau (vide postagem neste blog), e em 1993 foi a vez da Isabela Madeira Pedruco.  Na época com 20 anos, a macaense Isabela, natural de Macau (que em 1993 ainda era colónia portuguesa na China), além de conquistar o público logo de início, ainda ganhou o título de Miss Fotogenia atribuído pelos fotógrafos, e não é para menos, observem o olhar cativante dela.  Faz a alegria de qualquer fotógrafo.

A noite foi bem macaense, pois outra candidata Lisa dos Santos Lewis, 20 anos, ficou em 2º lugar (1ª Dama de Honra), seguida da chinesa, escultural, Chan King Mut, 20 anos, em 3º.  Completando o quadro de macaenses bem sucedidas, Gabriela Lopes da Silva, natural de Macau, foi eleita Miss Simpatia pelas suas colegas concorrentes.

Isabela Madeira Pedruco ganhou na época prémios na ordem de um milhão de patacas (hoje seria em torno e US$ 125.000, mas depende da cotação em 1993), incluindo um apartamento e um automóvel.  Só mesmo Macau para dar prémios deste nível.

Macau, atualmente, está sem concurso de Miss, porém parece que há promessa para seu retorno.  Também com os casinos e tanto dinheiro a rolar por aí, não haveria motivos para que não aconteça isso.

Para os leitores brasileiros, podem ver a mistura de raças que Isabela bem exemplifica.  Embora não conheça quais sejam elas na Isabela, julgo que poderia arriscar a dizer, portuguesa e chinesa.

(fonte e fotos: Revista Macau 1993)

Canicha, o Charlie, este gajo gosta de música !!!

Charlie no Encontro das Comunidades Macaenses – Macau 2010

Gajo, em Portugal, ou, Cara, no Brasil, tanto faz, mas, este cara/gajo gosta de música mesmo!  É o Carlos Alberto dos Santos, ou Canicha, ou nome artístico, Charlie Santos.  Ensaia adoidado com o seu conjunto brasileiro de qualidade, profissionais de melhor nivel.  Grava discos e já lançou cds de montão. Nem tenho conta de quantos foram. Felizmente, tem recursos suficientes para bancar este seu hobbie a nível amador.  Não atua profissionalmente, pois afinal de contas tem um belo emprego. Música sempre foi o motivo da vida dele, desde jovem até hoje, já sessentão e pouco.  Não precisou de revival, pois nunca abandonou a música. Tem um ouvido afinado e por isso é muito exigente, de dar dó. Sabe de tudo da história dos músicos e das músicas, até me corrigiu quando publiquei um vídeo com o nome incompleto da música com um pequeno histórico.  Não é mole!!!

Tem uma série de vídeos divulgados no YouTube com músicas dos anos 60, principalmente, isto é, do meu tempo, época de ouro da nossa juventude. Presta tributo aos seus ídolos e cantores preferidos, só que com músicas cantadas por ele.  A toda hora recebo convites para assitir a um seu novo vídeo.

Publico este abaixo pois presta tributo a uma das duplas mais populares dos anos 60 – Peter & Gordon – com a música que adoro – A World Whitout Love – que me lembra muito da Rádio Vila Verde.  Ainda tenho esta música gravada do programa Request, acreditem de um gravador de rolo, só que a fita ainda a tenho, mas o gravador Panasonic que trouxe de Macau estragou-se, uma pena! Um dia ainda vou descobrir quem o conserte, pois tenho gravações históricas das rádios de Macau e de Hong Kong que gostaria.  Não dá para reproduzir noutros gravadores de rolo, pois usava uma velocidade baixa específica que esse tinha.  Procurava economizar pois não tinha muito dinheiro para ficar comprando fitas de rolo. Deixando essa conversa de lado, vamos assistir o vídeo:

Api na festa do PCB-Portugal

O Api – Rigoberto Rosário Jr., autor da canção Macau, estava lá na festa do PCB (Partido Comes-Bebes) do animado grupo de macaenses de Portugal. Era a festa do bolo bate-pau realizada em 17/09/2011.  Ele, em viagem a Portugal e alguns países da Europa, já tinha me avisado que iria cantar acompanhado pelo teclado do meu amigo de juventude e de escola em Macau, António Canhota.  Aliás o Canhota tocava no nosso grupo musical de escola, mas só tocavamos de brincadeira, uma coisa de reunião de amigos de escola. Ele agora está meio carequinha, mas no problem, coisas de idade … hehehe … abraços amigo Canhota.  Feliz de te ver ainda ativo com a música, agora tocando muito bem o teclado.  Aliás, ele já tocava este instrumento musical quando fazia parte da Tuna Macaense dos anos 70. Lembra? aquele da fita cassete. O pioneiro!  Está divulgado no Projecto Memória Macaense.

Aliás o PCB é diveras um grupo muito animado dos macaenses de Portugal, que comemorou, com bolo e tudo, 4 anos de aniversário do site deles – Gente de Macau – no www.gentedemacau.com em 07/07/2011.  Meus parabéns!!! Quem sabe, um dia a gente macaense daqui de São Paulo, numa eventual visita a Portugal para um encontro luso-brasileiro-macaense, possa se reunir com vocês para saborearmos este tal de “comes-bebes”, que pelas fotos, dá mesmo água-na-boca.  Se acontecer, queria estar lá para fazermos um trabalho em conjunto dos 2 sites macaenses!!! Saudações macaenses!!!

Api, boa viagem e bom passeio.  Na sua volta, vamos conversar muito e ver as suas fotos e vídeos.  Bela viagem de turismo que está a fazer, que bom!!!

No site da Gente de Macau, clique em Álbum do PCB e veja mais imagens desta animada festa macaense. Tem muita gente conhecida. As 2 fotos são do site, pedindo licença.

O inconfundível Johnny Reis

*um texto de Cecília Jorge – Revista Macau Junho 1998

João Sameiro Afonso ReisJohnny Reis, para a comunidade macaense que o “adoptou” — prepara-se para a reforma ao sol do Algarve, a ocupar-se da neta predilecta.  Ao fim de trinta anos, completados em 1996 como “músico” semi-profissional, além da Função Pública, vai sobejar-lhe tempo para descansar e recordar peripécias na cena do “show-bizz” local, algumas já referidas no artigo de Rigoberto do Rosário que a Revista MacaU publica.  Natural de Braga, veio para Macau em 1939 numa comissão de serviço do pai que acabou por se prolongar por causa do deflagrar da II Grande Guerra e posterior entrada do pai para o Corpo da PSP. Foi adiando o gozo da licença a Portugal e o seu primeiro regresso à terra natal, de onde saíu ainda criança, deu-se só em 1993. Considera-se “macaense”.  “A música ajuda as pessoas a viver a vida”, refere ao explicar a estreita ligação (sua e dos seus “conterrâneos”) a esta forma de passar o tempo.

Com a mesma voz de timbre quente, com que encantou quem o ouviu cantar durante tantos anos em nights-clubs, festas e festivais, e foi apresentando programas radiofónicos e noticiários, diz-nos que a memória o trai quando quer referir datas e alguns nomes. Mas se o diálogo se proporcionar, as cenas avivam-se e a “voz” também, com a fluência das palavras que nunca se deixaram contaminar pela pronúncia típica de Macau.

No início da aventura musical — mais ou menos em 1966, ainda a Rádio Vila Verde se situava na esquina da Francisco Xavier Pereira —, Johnny, Nuno e Alberto Senna Fernandes, Tony Hyndman, Sonny Gomes e Kenny Barnes entretinham-se a “fazer música”. Nessa altura, os dois últimos, mais profissionais, marcavam o ritmo “batendo as palmas”… Os agrupamentos mais certinhos vieram depois, como os uniformes: com camisas axadrezadas com faixas “à toureiro”, a princípio, depois blazers, cinzentos, e mais tarde vermelhos. (Os “Rockers”, assinalados com o monograma R, e os “Four Aces” com quatro ases, de naipe diferente para cada componente).

Tocaram em todos os locais onde era possível tocar — recorda hoje Johnny Reis. Tocavam igualmente todos os instrumentos em que pusessem as mãos, apreendendo todos “de ouvido” e uns com os outros…

A carestia de vida e do equipamento levou inclusivamente a que, uma vez, a avalizar um empréstimo pedido a Guilherme Silva, gerente da Pousada de Macau, para compra dum xilofone, providenciassem música de dança no seu restaurante durante uns tempos.

Mas, se foram muitas as actuações do grupo, que mudou mais de nome do que de componentes — tocando no Hotel Riviera, no Bela Vista, no Estoril, na Pousada de Macau, no “Helena” que ficava na Ponte-Cais nº 16, em todos os Clubes e Associações, no Clube Recreio e até no Indian Club de Hong Kong, mais foram as oportunidades perdidas.  Tratando-se de funcionários públicos que se agrupavam pelo gosto da música, pelo prazer de entreter amigos e um público animado, e para complementar o salário, as limitações da pesada burocracia dos anos 60 e 70 impediram-nos de “voar mais alto”.

Johnny ainda hoje lamenta não terem podido aceitar um convite do “Paramount” de Hong Kong para substituirem “Giancarlo and his Combo” naquela boite de luxo ou mesmo noutras actuações em Hong Kong. E Mário Sequeira lembra-se dos problemas , depois da transferência para “a outra banda” (Ilha da Taipa), com autorizações para ir a Macau actuar em festas, ou por exemplo no Macau Palace. Transportes, só em tancares ou barcos condicionados à maré. Mas vezes houve também que a timidez e relutância dos camaradas do grupo os impediu de actuar em programas de grande audiência da Televisão de Hong Kong.  Estreou-se na emissora VilaVerde, que começou a funcionar em 1948 com Johnny Alvares como engenheiro de som e seu irmão Walter Reis, locutor.  Acabara de sair da tropa. E apresentou programas como os “Hit Parade”, “Yours for the Asking” (em inglês) e os “Request”, de grande audiência, porque dias havia em que o carteiro despejava na emissora quilos de cartas com pedidos de discos e se preenchiam 5 folhas A4 com dedicatórias de cada canção. Eram tantas e tão fiéis as radiouvintes que chegou a ser necessário apaziguar pais que julgaram atentatório do bom nome das filhas a frequência alarmante de dedicatórias públicas dos (múltiplos) enamorados. Alegavam forte “distracção em horas de estudo”. E o meio-termo foi a proibição de inclusão de apelidos.  A voz de Johnny era inconfundível. E contudo, quando uma vez, em desespero de causa, quis evitar o pior no seu programa “Disco-Mistério” (oferta de discos de 45 rotações a quem identificasse o vocalista), e cantou com música de fundo, não houve um único ouvinte que o reconhecesse. É claro que disseram ser batota… mas o certo é que já pesava estar a custear ele próprio os prémios, quando lhe faltou o financiamento prometido. Graça teve também aquela vez quando, habituado a improvisar, e depois de anunciar o início da transmissão do “Terço do Bairro”, teve que fazer as vezes do sacerdote que faltou.

Era indiscutivelmente um bom profissional da rádio, pela experiência, pela dicção, pela voz, pela presença, e simpatia contagiante. Lembra-se das últimas locuções na Vila Verde, quando durante os incidentes de 1966 teve que ler comunicados oficiais à população na qual se minimizava a situação, ao mesmo tempo que, pela janela aberta do estúdio se ouviam disparos e o tiroteio na cidade. O canal em língua portuguesa encerrou pouco depois.  E Johnny passou a funcionar na ERM, localizada na torre do edifício dos CTT.

Ruby de Senna Fernandes, uma das poucas intérpretes locais do fado e música ligeira na década de 60, acompanhada pelos “Rockers”

Rigoberto Rosário (pai-92 anos), faleceu

Faleceu em São Paulo/Brasil, em 26/08/2011 com 92 anos de idade,  Rigoberto Rosário, pai do Rigoberto Rosário Jr. Api (autor da canção Macau).  A missa do 7º dia será no dia 31 Agosto  (4a. feira), na Paróquia do Divino Espírito Santo, à Rua Frei Caneca, 1047, às 17:30 hrs.

Sr. Beto, como o chamavamos, na sua juventude em Macau, sua terra natal onde estudou no Liceu, era um esportista. Fez parte da 1a. equipa de hóquei em Macau, na qual integravam, entre outros, Chaine Airosa e José dos Santos Ferreira “Adé“, o pai do patuá. Falante e saudosista, gostava de contar histórias dessa época.

Deixa saudades!!! Peço uma oração pela paz da sua alma.

Foto tirada no ano de 1940. Uma parte da Seleção de Hóquei de Macau. De pé: João Nolasco, Alexandre Airosa (Chaine) e José dos Santos Ferreira (Adé). De joelhos: Rigoberto do Rosário (Beto) e Laertes da Costa.

Liceu de Macau / Grupo da 3a. classe B.  Vencedor de 1936.  De pé, da esq.: Alexandre Airosa (juíz) / Alexandre Gonçalves / Américo Ângelo /`Pedro P.do Rosário / Arnaldo Mendes / José Santos Ferreira (Adé) / Rigoberto Rosário / João Nolasco da Silva

Agachados: Arnaldo da Silva / Raul da Rosa Duque / Fernando Moraes

Mulher Macaense, quem fala dela?

Guilhermina Pedruco, Miss Macau 1989

Acabo de assistir na tv a eleição da Miss Brasil 2011 que elegeu a candidata do Estado do Rio Grande do Sul, Priscila Machado, uma bela gaúcha da região mais européia do Brasil, vizinha da Argentina e do Uruguai.  As gaúchas são sempre favoritas, pois sempre trazem belas candidatas de uma região especialmente composta por imigrantes alemães, italianos e portugueses.  Mas não vim aqui para falar desse concurso, pois enquanto assistia o programa, por momentos fiquei a pensar na mulher macaense.  Quem fala dela?

Falamos da nossa terra Macau, da nossa memória, a comunidade, gastronomia, patuá, música etc … Boa parte das fotos publicadas aparecem mais homens que mulheres.  Até fiz essa observação achando que o que publicava, estava masculino demais.  Procuro o feminino, mas pouco material tenho.  São mais de homens músicos, hoquistas, futebolistas, alunos e ex-alunos etc. Mostrar a mulher macaense de hoje e de ontem? um pouco difícil.  Dei destaque para as belas Pedruco, misses de Macau, como nesta postagem, da Guilhermina em 1989, quando foi coroada com 19 anos de idade.

Se disserem que muitas, outrora belas nos anos 50, 60 …, já estão mais maduras ou com mais idade, então responderia, podemos falar delas dos anos 60, digamos, da minha época de ouro em Macau.  Tinha lá várias que eu admirava a beleza, mas não ouso falar os nomes (vais ficar mortinho de curiosidade, paciência! Fale você …)  Mas não necessariamente da beleza que temos que enaltecer, mas a mulher macaense em si.

A mulher macaense pode ser, puramente portuguesa, mestiça de português e chinês, macaense de múltiplas misturas como das Índias, Malacas, Timor, mestiça com inglês e daí por diante. Qual predomina? Diria a mestiça de português e chinês, ou macaense tradicional  com chinês? Pode ser! Ou então, poderiamos incluir a puramente chinesa, que no entanto, estudou em escola portuguesa e tem o nome português.  Acho que sim, porque não?

Fico imaginando coisas, como abrir páginas no Projecto Memória Macaense para abrigar referências à mulher macaense, ou abrir uma enquete para as pessoas colocarem os nomes das mulheres macaenses mais bonitas de uma época, por exemplo dos anos 50 e 60, ou … ah … imaginação!!! O caso é que tudo isso depende de colaboração externa.

Bom, divaguei sobre o tema.  Se pouco ou nada conseguir fazer, pelo menos toquei no assunto.  Falei da Mulher Macaense, lembrei-me de você !!! E a publicação das fotos desta beldade macaense, Guilhermina Pedruco, é um esforço para homenageá-la.

A propósito, se residisse em Macau, eu procuraria fotografar as mulheres macaenses e fazer ampla divulgação, para que o mundo conhecesse como elas são. Mas eu aqui, do outro lado do mundo, quanto posso fazer? Muito pouco.  Assim, uma sugestão aos amantes de fotografia em Macau e porque não, da Diáspora: tirem fotos, abram um álbum (Picasa, FlickR etc)  ou blog, ou Facebook, etc, e divulguem (me mande o link).  Se quiserem me mandar umas fotos, eu divulgo aqui ou no PMM. E olha que em Macau temos excelentes fotógrafos macaenses.

As fotos são da Revista Macau nº 18 de 1989.  Não há referências quanto ao fotógrafo.  Se alguém quiser comentar informando o seu nome, agradeço!

Hércules António, conheça-o

Na postagem Acervo de Hércules António pedia informações ou contato com um dos seus familiares, em função de um DVD que tinha em meu poder, das filmagens feitas por ele e que estão sendo repartidas em vídeos divulgados no YouTube pelo Projecto Memória Macaense.

Para minha alegria, o apelo foi atendido e tive o contato da Cremilda, sua filha, que gentilmente enviou dados sobre o Hércules António e várias fotos, além de uma crónica que ele escreveu para o Jornal Tribuna sobre as suas viagens.  O PMM abriu uma página no site (veja em Gente) com várias fotos e os 3 primeiros vídeos editados – o VI Grande Prémio de Macau, Parada Militar do Dia de Portugal e vistas de Macau dos anos 60 ou fim de 50.

Conheça então o Hércules António:

Hércules António nasceu em Macau, em 2 de Dezembro de 1922.  De pai português e mãe chinesa, casou-se em 21/Agosto/1949 com Ana Lisboa António com quem teve 5 filhos.  Estudou no Seminário de São José e na Escola Comercial Pedro Nolasco.

Na década de 50, trabalhou em Macau nos Serviços de Saúde e nos Serviços Sínicos.  Foi convidado para lecionar o primeiro curso de chinês no Liceu Nacional Infante Dom Henrique. 

Concluiu o curso de solicitador que lhe permitiu montar seu esritório após a reforma da função pública.  Abriu a sua fábrica de produção de porcelana em Macau que exportava para a Europa e Oriente Médio. Na década de 80, instalou em Portugal um armazém e escritório para venda de artigos orientais. Veio a falecer em Portugal em 25 de Fevereiro de 1985.

Amava viajar, tanto que escrevia para o Jornal Tribuna suas crónicas das viagens. Dessa paixão, tinha o sonho de comprar o seu barco de recreio que acabou se concretizando, e baptizou-o com o seu póprio nome.  Outro dos seus passatempos favoritos era de filmar, facto que possibilitou a montagem de diversos vídeos históricos aqui exibidos, e que o PMM na sua divulgação, os dedica à sua memória.

o barco de recreio era o seu sonho concretizado

Armando Rozário, conheça-o

(antes de ler esta postagem, veja a anterior, “Armando Rozário, quem é ele?”)

Complementando a postagem anterior conforme recomendação acima, trago-lhes um perfil de Ruy Castro que fala sobre o Armando Rozário:

Um perfil de Ruy Castro:

ARMANDO ROZÁRIO: O FOTÓGRAFO QUE COBRIU A TOMADA DO PODER NA CHINA POR MAO TSÉ- TUNG

O fotojornalista Armando Rozário, nosso colunista, esteve no Rio de Janeiro participando, na Toca do Vinícius, do ato de gravação da placa de cimento número 50, pelas mãos do jornalista e escritor Ruy Castro, seu amigo dos velhos tempo de papo em Ipanema com a famosa e irreverente turma do Pasquim. Ruy, ao lado de 49 personalidades do mundo artístico e literário, faz parte agora do Acervo de Mãos Calçada da Fama de Ipanema, que completou 37 anos.

Em seu livro “Ela é Carioca”, Ruy Castro conta a fascinante história do chinês que veio para o Brasil e se tornou um dos mais importantes fotógrafos e o primeiro a entrar com um processo e ganhar a causa na Justiça contra um veículo de imprensa (revista Manchete) por ter usado uma foto sua atribuída a outro, criando jurisprudência para outros casos.

A foto, de 1968, era de dona Júlia, mãe do ex-presidente Juscelino. Diz Castro: -”Ao chegar ao Rio, em 1955, e ir trabalhar na Manchete, Armando Rozário chamou a atenção por três motivos: 1) ser chinês, apesar do nome; 2) falar pouco, só o essencial, e quase num sussurro; 3) ser o maior prodígio da fotografia que aparecera por aqui.

 Tinha 24 anos, mas já era um veterano. Quando adolescente, fotografara a tomada do poder na China por Mão Tsé-tung para uma agência americana da qual era correspondente e trazia toda a técnica que aprendera com os mestres orientais e europeus da fotografia. Foi um dos primeiros a usar câmeras 35 milímetros no Brasil, a saber explorar a cor e a fotografia sem flash, com luz ambiente, apesar da pouca sensibilidade dos filtros da época. Era craque também em laboratório: entendia de filme e revelação, coisa então rara entre nós. E era tão econômico para fotografar quanto para falar: ao sair à rua a trabalho, não ficava clicando à toa. Fazia poucas fotos – todas surpreendentes e perfeitas. Os olhos amendoados, que pareciam não combinar com o nome, se explicavam.

Ele nascera em Hong Kong, seu pai era português de Macau, sua mãe, francesa e sua primeira línguas fora inglês. Quando o Japão ocupou Hong Kong na Segunda Guerra, eles fugiram para Macaé, onde Rozário aprendeu inglês com os jesuítas. Numa família inteira de economistas, só ele se interessou por câmeras e lentes. Formou-se em fotografia em Cambridge, Inglaterra.

 Em 1956, pela Manchete, Rozário e o repórter Carlinhos Oliveira acompanharam o dr. Noel Nutels ao Xingu. Começou ali sua longa ligação com as coisas do Brasil. Nunca mais deixou de fotografar índio, bicho ou planta, mesmo que, por duas vezes, o ataque de inimigos ocultos e traiçoeiros quase lhe custasse a vida. Da viagem ao Xingu, Rozário herdou um vírus na coluna, que por algum tempo o deixou paralítico (foi salvo pelo neurocirurgião Abraão Ackerman).

De outra viagem, no ano seguinte, esta à Amazônia e a serviço de O Cruzeiro, trouxe uma queimadura que lhe atrofiou a perna e a medicina oficial não soube identificar nem tratar (foi salvo pela homeopatia). O currículo de Armando Rozário é quase insuperável. Além de Manchete e O Cruzeiro, suas fotos estão nas coleções do Jornal do Brasil e de revistas como Senhor, Cláudia, Realidade, Quatro Rodas (muitas vezes tomando edições inteiras), da francesa Paris-Match, da japonesa Photo International, da Encyclopedia Britannica e de mais publicações internacionais do que até ele conseguiu seguir a pista.

O fotógrafo húngaro-americano Philippe Halsmann, um dos bambas da agência Magnum, teve-o como seu assistente no Rio e convidou-o a ir trabalhar com eles em Nova York – equivalia a ser contratado pelo Santos de Pelé, se Rozário fosse jogador de futebol. Nos anos 50 e 60, foram muitos os convites como esse, mas Rozário nunca pensou seriamente em deixar o Brasil – exceto em 1960, quando foi para Paris como correspondente de Senhor e fotografou o encontro entre Kruchev e De Gaulle. Voltou em um ano.

No Brasil, havia Ipanema. Ele era um cidadão da rua Jangadeiros, freqüentador do Zeppelin (onde levantava no ar e pegava com a mão vinte cartões de chope) e, em 1965, seria um dos fundadores da Banda. De todas as tribos que fotografava pelo Brasil, nenhuma o fascinava tanto quanto a de Ipanema, talvez por ser a única em que todos se julgavam caciques – e dentro dos limites da aldeia, eram mesmo. O espírito independente de Ipanema se coadunava com o seu e, entre expor em galerias de arte e deitar suas fotos na grama da Feira Hippie, na praça General Osório, a convite de Hugo Bidet, chegou a preferir a segunda alternativa. Rozário achava que as fotografias deveriam merecer galerias próprias.

 Assim, em 1973, ajudou a criar em Ipanema a Photo Galeria, pioneira em tratar o tratar o trabalho dos fotógrafos brasileiros como obras de arte, com fotos numeradas e assinadas. Sua independência refletia-se em todas as frentes: ele foi o primeiro fotógrafo brasileiro a processar um poderoso veículo por usar uma foto sua e atribuí-la a outro, depois de tê-lo demitido porque a dita foto estaria “fora de foco”. A foto, de 1968, era um retrato de dona Júlia, mãe do ex-presidente Juscelino. Seu advogado foi o circunspecto dr. Mânlio Marat d`Almeida Acquistapace (na vida real, o Marat da Banda de Ipanema e dos Chopnics) e a causa levou sete anos para ser concluída, no Rio e em Brasília – com a vitória de Rozário.

 Isso firmou jurisprudência que viria beneficiar todos os seus colegas: a partir daí, as empresas jornalísticas passaram a tomar cuidado ao republicar as fotos de seus antigos contratados. Isso não tornou Armando Rozário muito popular nessas empresas. O que explica por que, desde meados dos ano 70, ele tenha se dedicado a outras atividades dentro de seu ramo, como testar equipamentos para os laboratórios internacionais de fotografia que se instalavam no Brasil, escrever uma coluna altamente especializada na Folha de S. Paulo e, principalmente, usar a fotografia para a causa da ecologia.

Em 1978 Rozário liderou uma cruzada nacional pela salvação do rio São João, em Barra de São João, perto de Macaé, ameaçado pela instalação de uma fábrica de álcool anidro. O rio banhara o poeta Casimiro de Abreu (1839-1860), nascido ali, e a região, que inspirava o pintor Pancetti, era mais um paraíso na mira da covarde industrialite brasileira. A campanha começou com uma exposição de fotos de Rozário e dos quadros de Pancetti no Museu Nacional de Belas-artes e, durante aquele ano, tomou os jornais, revistas, as telas dos cinemas e a tv Globo.

Por causa dela, a usina foi obrigada a instalar uma bacia de decantação que manteve a poluição em níveis suportáveis, com isso salvando também todo o litoral de Macaé e Búzios. Rozário nunca mais saiu de Barra de São João e Macaé, onde passou a editar pequenos jornais em inglês dedicados à preservação da região. Descobriu que, como macaense, sua responsabilidade era dupla: os cidadãos de Macaé são macaenses – e os da portuguesa Macau também.

Fotos do Armando Rozário do Rio São João:

Armando Rozário, quem é ele?

O Armando Rozário descobriu o Projecto Memória Macaense nas suas profundas pesquisas na Internet.  Dizia que foi por uma referência ao site na sua pesquisa sobre o seu antigo professor de inglês, Padre Cooney S.J que lecionava no Colégio São Luís Gonzaga em Macau e Wah Yan College em Hong Kong, de 1943 a 1947 .

Desta feita, passou a enviar-me material muito valioso, entre os quais, a fotografia mais antiga de Macau, de 1844 e outras tantas fotos e informações, como o mais antigo livro impresso em Macau e a origem da nossa denominação – Macaense ou Macaensi – que data desde 1588 (postagens em breve e no PMM)

Ele mora no Cabo Frio, bela cidade litorânea do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Sua apresentação: “minha avó chinesa nasceu em Macau. Do lado da minha mãe, tenho sangue francês e chinês.  Meu pai, Arthur Rozário é macaense e nasceu em Hong Kong. O nome de solteira da minha mãe é Henriette Marie Louise Demée. Sou primo do Luís Demée, o famoso artista macaense“. Tem vários parentes a residir nos EUA e Canadá.

Pelo seu importante trabalho realizado no Brasil, que verão no “perfil” na próxima postagem, gente famosa literária fez referências a ele nas suas crónicas, quando o assunto era a ameaça ao Rio São João com a construção de uma usina, tais como:

Carlos Drummond de Andrade, poeta e contista brasileiro, no Jornal do Brasil 1978, num dos trechos da sua crónica  “O Rio, Os Pescadores, A Morte”, escreve: ” … Conclusão feita de perguntas não é conclusão. Mas resta a impressão de que, para exigir do Governo o cumprimento mais positivo de suas obrigações sociais, devemos também exigir de nós mesmos o funcionamento de nosso espírito público, do nosso sentimento de comunidade. Como fez agora esse fotógrafo Armando Rozário, nascido em Hong-Kong, filho de um chino-português e de uma francesa, amante das doces praias de pescadores do Rio São João. Vivendo a vida desses homens simples e indefesos, senti aproximar-se o perigo que vai desabar sobre as águas, e botou a boca no mundo. Sua campanha começa a ocupar a atenção dos grandes jornais. Que ela sensibilize a população e salve o rio, ameaçada de morrer como habitat natural, é o que a gente deseja. De qualquer modo, vale como exemplo. A defesa da Terra começa no interior de cada um de nós, como se aperta um botão de luz.”- Carlos Drummond de Andrade, Jornal do Brasil, Junho de 1978

Otto Lara Rezende, outro famoso  jornalista e escritor, na sua crónica “Barra Poética” publicada no jornal “O Globo” em Julho de 1978, cita num dos trechos: “… É essa pátria de sonho e realidade, poética, que aqui está visível, graças ao
milagre do pincel de Pancetti e da câmara de Armando Rozário. Sou insuspeito para falar, porque sou amigo de ambos. Conheci e freqüentei Pancetti, sua arte reveladora, criadora e preservadora de beleza; também da beleza natural, como é o caso da sua série de telas do Rio São João.
O mesmo rio corre tranqüilo e indene nas fotografias desse mestre fotógrafo que é Armando Rozário. Encontrei-o e admirei-o assim que chegou ao Brasil. (1955). Rozário veio de longe, do outro lado do mundo, da China, de Macau,
para aqui nos descobrir o que, por amor do belo, deve permanecer intacto. Como Casimiro de Abreu, Rozário tem sangue português. Ao contrário de Casimiro, sua arte não se derrama para além de uma disciplina que lhe é essencial ao equilíbrio. Numa vida curta, o poeta romântica juntou as duas margens do Atlantico na mesma sensibilidade. Numa vida que desejamos chinesamente longa, o fotógrafo realista traz na sua refinada sensibilidade os dois extremos do
mundo”.

Enfim, para conhecer melhor este macaense de Hong Kong que teve importante papel na vida brasileira, talvez pouco conhecido entre nós, como eu que não o conhecia, veja a próxima postagem na crónica Um Perfil de Ruy Castro. Assim, caro Armando Rozário, justiça seja feita, o seu trabalho passa a ser conhecido pelos leitores deste blog e do site Projecto Memória Macaense.  Parabéns pelo seu belo trabalho e estamos orgulhosos de você!!!

Sonny Gomes, tributo a um músico macaense

António Gomes … quem é? É o Sonny Gomes …!!! Ah, agora sim, eu o conheço” Mais ou menos nesse tom, o “Api” Rigoberto Rosário Jr. inicia a sua dedicatória ao que ele chama “um dos melhores músicos com quem trabalhou e conheceu … um gajo muito camarada, honesto e leal“. Com essa dedicatória, 3 músicas, 1 vídeo e várias fotos, o Projecto Memória Macaense – www.memoriamacaense.org/projectomemoriamacaense – publicou uma página com o título acima. Logo na página de entrada do site vocês verão o link.

O Sonny foi um dos fundadores dos The Thunders.  O Api entrou no conjunto após a sua saída.  Já quando eles passaram a atuar profissionalmente em Hong Kong nos anos 70, o Sonny voltou para os Thunder após a saída do Lelé Rosa Duque que retornava para Macau. E com ele, foi a última formação do conjunto que dissolveu-se pouco depois.

A sua voz melodiosa que contrasta com o seu jeito e até a aparência, pois adorava luta marcial, coisas de polícia, tanto que integrou o PJ, agrada aos ouvidos e tem nível internacional, nada perdendo para os cantores originais das canções divulgadas.  Elas são, Gina, Sea of Love e The Wonder of You.

Estava para um dia abrir uma página para ele, já na antiga versão do site PMM, pois tinha recebido uma das canções do Zito Estorninho que tocou com ele num conjunto (a informar o nome) como baterista, aliás o Zito deve ter feito aquela filmagem do ensaio em que o Sonny cantou Gina, mas acabou ficando na pendência.  Outro dia, descobri nos meus arquivos salvados do que recebo de e-mails, as 2 canções e mais este vídeo.  Aí lembrei que o Api tocava com ele e pedi que escrevesse uma dedicatória.  E, assim, finalmente consegui abrir uma bela página para homenagear e prestar um tributo a este músico macaense que não está mais conosco na terra.  Que ele esteja descansando em paz e fique contente por ser relembrado.

Acho importante que, de grão em grão, o PMM e este blog consegue resgatar a memória de diversos macaenses (e da gente da comunidade macaense).  Não será completamente e nem de todos, coisa impossível, mas à medida que recebo material ou os localizo em algum lugar (jornal ou revistas), vou procurando fazer a divulgação dentro das minhas possibilidades e disponibilidade.

Assim, fica o convite para visitar o PMM e ver essa página.  Um singelo tributo mas feito de coração e com certa emoção.

Esta foi a última formação dos The Thunders, antes da sua dissolução.  O CD é caseiro, apenas para lembranças.  É a gravação de uma das suas apresentações (profissionais) no Mocambo. Na foto vemos, da 1a. fila, a partir da esquerda: Alex Airosa, Sonny Gomes e Gabriel Yuen. Atrás, da esquerda, Rigoberto “Api” Rosário Jr. e o filipino Avelino Cortez Jr. Para quem não sabe, o Api é o compositor da canção Macau que emociona a todos!

José Luís Pedruco Achiam … ele tem estilo !!!

Tinha 12 anos em 1994 e posa com a mãe (veja abaixo)

16 anos depois, no Encontro de 2010, faz seu show cantando Sabroso Nunca, em patuá

Acho que devem ter visto o vídeo-clip do (ou da) Dóci Papiaçám di Macau – Macau Sã Assi – algumas postagens atrás, no qual o cantor, o astro, é o José Luís Pedruco Achiam.

Para mim, um macaense da diáspora,  ele era um grande desconhecido, até que o Rigoberto “Api” Rosário Jr. avisou-me que ele era o cantor da canção-tema de sua composição (com adaptação de Miguel Senna Fernandes) da peça teatral “Sabroso Nunca”, que “por pouco” iamos assistir no Encontro 2010, mas que infelizmente não deu certo.

Ouvi a canção (vocês podem ouvir no Projecto Memória Macau – procurem pelo Guia Musical) e logo pensei “eis um novo astro e cantor macaense”.  Na festa da Gastronomia Macaense, ele foi o primeiro a se apresentar conforme a 2ª  foto acima, e percebi que “esse gajo tem estilo”, tem talento.  É mais um macaense da nova geração que desponta dentro do nosso limitado mundo artístico.  Segue a linha do outro talentoso macaense Germano Bibi Guilherme.

Penso que o José Achiam é um residente de Macau (?). Se assim for, ou não for, mas tem a divulgação em Macau, ele e tantos outros jovens macaenses residentes nos obrigam a refletir e a perceber que a maior esperança de continuidade e preservação da nossa cultura, está mais precisamente – em Macau.  Por conta de alguns contatos com esta gente jovem residente de várias áreas nos Encontros, e também a julgar simplesmente pelos videos do Dóci Papiaçám e do Miguel Senna Fernandes, vê-se que em Macau há uma boa participação dos jovens em várias atividades.  O potencial do futuro macaense mora em Macau.  A nova geração da diáspora, cumpre o seu importante papel de divulgar Macau e a cultura macaense nos países de acolhimento dos seus pais. Não podemos desprezar a sua importância e para tanto são bem-vindos os Encontros dos Jovens em Macau, bem como, não podemos deixar de dar o valor ao jovem macaense residente que tem boa participação em atividades de várias áreas ou que talvez poderia ter ainda mais, se houvesse um incentivo extraordinário. Na verdade, vocês residentes podem dizer melhor que eu, que moro no outro lado do mundo.

A 1a. foto faz parte do “Album – Macanese People – 1994″ da revista em inglês Review of Culture nº 20 do Instituto Cultural de Macau, com o belo trabalho fotográfico de Eduardo Tang Meng Wai.  Já divulguei outras fotos desse Album do António Robarts e das belas irmãs Pedruco.  Na foto, o José Luís Pedruca Achiam tinha 12 anos e consta que ele nasceu em Sidney/Austrália.  Ele posa com a sua mãe Luísa Maria da Silva Pedruco Novo, nascida em Macau, na época com 36 anos, secretária executiva e de pais macaenses.

A Casa de Macau em Portugal

A pesquisar as edições da Revista Macau de 1994, encontrei esta inserção (série II de 24/04/1994) no artigo de Carlos Pinto Santos “Os Livros da Profissão e a Ética Democrática” que fala do trabalho de Carlos Estorninho, e julguei útil a publicação para que conheçam um pouco a história da Casa de Macau em Portugal:

A Casa de Macau (em Portugal)

Quando da aprovação dos estatutos, em 11 de Junho de 1966, a Casa de Macau era um projecto com mais de vinte anos de gestação a que se tinham dedicado muitos macaenses radicados em Portugal. Mas a vontade de dispor de um lugar de convívio foi durante muito tempo contrariada por um Governo que teve sempre como regra desconfiar de todas as formas de associativismo estranhas à sua própria iniciativa.

A ideia de um espaço para proporcionar solidariedade, exibir peculiaridades culturais, debater registos históricos, relembrar vivências, divulgar realidades de Macau e de outras comunidades de origem portuguesa no Extremo Oriente, talvez tenha surgido, pela primeira vez, no decurso da homenagem que, em 1942, foi prestada, na Pastelaria Império, em Lisboa, por cerca de trinta macaenses ao tenente Filipe Ó Costa, o introdutor do hóquei em campo no território e antigo professor de alemão no Liceu de Tap Seac.

Carlos Estorninho e outros participantes no almoço da Império efectuaram diversas reuniões para delinear o projecto mas as tentativas saíram goradas por intransigência do regime. Por ocasião do centenário de Macau, em 1955, procuram concretizá-lo através da Sociedade de Geografia, chegando a elaborar um programa de comemorações e a cunhar uma medalha da efeméride. Foram compelidos a suspender a iniciativa, julgada inoportuna pelas autoridades.

A persistência dos macaenses e de muitos outros ligados afectivamente a Macau, apoiada pela influência que alguns dispunham nos gabinetes ministeriais, resultou, finalmente, na permissão concedida em 1966.

Face à proibição do Governo de os estudantes se inscreverem como “sócios ordinários” — todos os estudantes oriundos do ultramar só podiam ser membros de plenos direitos na Casa dos Estudantes do Império —, os estatutos criam a categoria de “sócios especiais” onde se incluem também as mulheres e os menores de 21 anos.

Para os corpos gerentes do primeiro triénio são escolhidos o general Flávio dos Santos, presidente da Assembleia Geral, Armando Hagatong, presidente da Direcção, e António Maria da Silva, antigo deputado por Macau, presidente do Conselho Fiscal. Carlos Estorninho, Augusto Nolasco, Henrique Serpa Pimentel, Rangel de Almeida, integram, entre outros, a direcção. Alugadas as instalações do Príncipe Real, as obras são custeadas com campanhas de angariação de fundos, cotização de sócios e contribuições de alguns beneméritos: Leal Senado, Banco Nacional Ultramarino, Stanley Ho, etc. Pouco depois da inauguração das instalações, 24 de Junho de 1969, são já 500 os sócios da Casa de Macau.

A actividade cultural desenrola-se a bom ritmo, sucedendo-se palestras, exposições, quinzenas temáticas, sessões de filmes sobre a terra longínqua. Às quartas-feiras a sala de refeições enche-se de gente gulosa de cozinha típica macaense. Organizam-se romagens a Macau a preços muito acessíveis.

Em Junho de 1974, a pacata actividade da Casa de Macau é interrompida com a ocupação das instalações. Durante quase cinco anos as instalações ficam seladas pelas autoridades

Reabre, em Fevereiro de 1979, restaurada e com estatutos revistos e simplificados. Carlos Estorninho é presidente da direcção no triénio 1979-1981.

Carlos Estorninho com amigos, à porta do Clube Desportivo “Os Argonautas” (1932)

Alunos e professores do velho Liceu de Macau, no ano lectivo 1924-25, distinguindo-se Camilo Pessanha (2a. fila, o 1º da esquerda – de chapéu).  Carlos Estorninho é a 4a. criança (da esquerda para a direita) sentada

Carlos Estorninho, estudante, em Coimbra, com membros da família Senna Fernandes

Pe. Dr. Arquimínio Rodrigues da Costa

Nasceu o Revdo. Pe. Dr. Arquiminio Rodrigues da Costa em São Mateus da Ilha do Pico, Açores, em 8 de Julho de 1924.

Para quem estudou no Seminário de São José, em especial, aqui  a biografia do Pe. Arquimínio publicado no livro da escola de resumo das atividades até 1964.  Eu o conhecia como uma pessoa discreta:

“Veio para Macau em 1938, na companhia de Mons. José Machado Lourenço, dando entrada no Seminário Diocesano de São José de Macau no dia 8 de Dezembro do mesmo ano. Aqui fez, com distinção, todos os seus estudos eclesiásticos.

Completado o Curso Teológico, em Junho de 1949, foi logo nomeado professor do Seminário Diocesano.

Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 6 de Outubro de 1949, dizendo a sua Missa Nova no dia 9 do mesmo mês e ano.

Foi Prefeito de Disciplina do Seminário, desde 1949 até 1953.

De Fevereiro de 1955 a Maio de 1956, ficou Reitor interino do Seminário, em virtude de se ter ausentado, em gozo de licença graciosa, o Reitor, Revdo. Cón. Juvenal A. Garcia.

Em 25 de Julho de 1956, deixou Macau, seguindo de licença graciosa para a sua terra natal.

Secundando os desejos do sr. D. Policarpo da Costa Vaz, então Bispo de Macau, seguiu depois, em 1957, para Roma, onde frequentou, com distinção, a Pontifícia Universidade Gregoriana, licenciando-se em Direito Canónico, em 1959.

Chegou, novamente, a Macau no dia 15 de Outubro, sendo logo nomeado Prefeito de Disciplina e professor do Seminário.

Em 1 de Agosto de 1961 foi nomeado Reitor interino, na substituição do Reitor, Revdo. Cón. Juvenal A. Garcia, que pedira a sua exoneração; passou para Reitor efectivo em 30 de Novembro do mesmo ano.

A 29 de Agosto de 1963, foi nomeado Governador do Bispado de Macau, na ausência do sr. Bispo, em Roma, exercendo o dito cargo até meados de Dezembro.”

Telma Antunes Brito, ela gosta do que faz

A Telma (no centro da foto), minha prima por adoção, pois foi casada com o meu falecido primo Américo Brito, atualmente mora no Canadá e está em visita a São Paulo, Brasil, de onde emigrara para lá há alguns anos.  Como não poderia deixar de fazer, participou do convívio da Terceira Idade (e associados em geral) na Casa de Macau de São Paulo no dia 15 passado, uma 4a. feira.

Como ainda não cheguei na Terceira Idade … quase quase, quero chegar lá … enquadrei-me nos “associados em geral” e fui lá conviver com os associados da Casa, e ao mesmo tempo fazer uma cobertura para o Projecto Memória Macaense.  Está já lá publicada com várias fotos e um texto mais completo.

Após o almoço, a Mariazinha (1ª da esquerda da foto), a dama do patuá de S.Paulo, me segura no braço e avisa “não saia da sala que vai ter uma surpresa”. E lá apareceram as 3 acima, todas vestidas de havaianas.  Procuravam lembrar uma antiga festa da CMSP nos anos 90 chamada Noite de Hawai em que houve até um concurso de Miss Hawai.  Naqueles tempos, todos eramos mais jovens e com mais disposição, nada mais óbvio !!! É engraçado fazer esta singela observação, mas é objeto de conversas quando se fica a imaginar o que fazer nas festas.  Outrora, nos anos 80 e 90, era fácil, tinha muito mais gente e mais jovens uns 20 anos, havia disposição para qualquer coisa.  Hoje, já menos gente e envelhecidos, nossas atividades são mais limitadas. Uma constatação e um espelho do que é a comunidade macaense nos dias de hoje.

A Telma, mesmo já fora das atividades da Casa por morar no Canadá, não hesitou em participar deste show improvisado.  Disseram que só ensaiaram 2 dias.  Afinal de contas, era só para divertir a gente idosa. Eu observava a expressão dela enquanto dançava.  Demonstrava um empenho grande interno e a alegria de estar lá entretendo as pessoas da Terceira Idade.  Penso que ela relembrava aqueles velhos tempos enquanto residente em São Paulo, em que se dedicava de corpo e alma às atividades desta brava gente.  Vivi esses tempos, inclusive ela foi vice-presidente duma gestão em que participei com diretor cultural. Uma constatação que não poderia deixar de fazer uma referência neste blog.  A Telma, de facto, gosta do que faz e do que fazia enquanto em São Paulo.

Além dessa atividade, a Telma sempre foi uma companheira da Mariazinha Conceição Carvalho, esposa do Chicói (Francisco Madeira de Carvalho), quando se tratava de teatro ou apresentações de patuá.  Participou de várias peças teatrais que nos fizeram muito rir.  Ainda mais com uma mestre como a Mariazinha, uma expert no patuá, que ainda falta ser devidamente reconhecida e o piortem várias peças e textos guardados na gaveta.  Várias vezes pedi para ela colocar no papel para não perder este valioso trabalho, ou seja, num livro. Mas ainda falo da Mariazinha numa futura postagem.

Quanto a Nanette Placé, a primeira à direita da foto, foi nomeada Diretora Cultural da atual gestão da Casa de Macau de São Paulo.  Ela é uma mulher entusiasmada pelo seu trabalho, transbordando de alegria. Conheço-a bem nisso. Espero que ela tenha ótimos resultados no seu cargo que assume após longa ausência do Brasil, retornando de Londres. Sucesso Nanette!!!