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Macau, The Thunders

Logo oficial da MPM por Rigoberto Rosário Jr

MPM – MÚSICA POPULAR MACAENSE

Macau, uma canção cantada em português pelo grupo musical The Thunders em 1970, faz a estréia das Páginas dedicadas a divulgar as músicas que compõem a MPM Música Popular Macaense, dentro da ótica deste blog e do site Projecto Memória Macaense.

A canção de composição de um dos seus componentes, Rigoberto Rosário Jr. “Api”, faz parte de um disco de vinil lançado na época com quatro canções, duas cantadas em português e duas em inglês.  Canta a terra natal dos membros do grupo e é praticamente um hino dos macaenses e provoca emoção aos seus ouvintes.

Veja a seguir o que consta do livrinho que acompanhou o último CD dos The Thunders lançado em Novembro de 2004, por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses, que reviveu para a ocasião, a vida musical do grupo musical que fez sucesso nos anos 60 e 70 em Macau:

‘Macau, terra minha’: quinze horas em estúdio

Robert Ascott chama um dia o Herculano e o Rigoberto e diz-lhes que pretende “um disco com um som mais cheio, juntando a orquestra sinfônica dos estúdios da EM l”. O Rigoberto tinha algumas composições inéditas do seu repertório, mas apesar disso resolveu abdicar delas e fazer algo que já estava há tempos na calha, desde que tinha composto “She’s in Hong Kong”: uma canção dedicada a Macau. Pediu três dias para o fazer, e assim surgiu “Macau, terra minha”, que foi imediatamente aprovada por Ascott e pelo maestro Vic Cristobal.

Na noite de folga do Nightbird gravaram nos estúdios da EM1, entrando às nove da noite de um dia e saindo, exaustos, perto do meio-dia do seguinte. A Orquestra de Vic Cristobal gravou em seguida os violinos, violoncelos e instrumentos de sopro, para depois se fazer a mistura.

Foi a canção mais popular dos Thunders, quer junto das audiências de Macau, quer no exterior. Vários conjuntos a interpretaram, foi usada para aberturas de programas, música de fundo para espectáculos e nas mais diversas ocasiões. Foi igualmente uma das mais cantadas aquando da transferência de Macau para a China, em 1999. O dirigente da EM l lembrou-se de pedir uma audiência ao Governador de Macau, General Nobre de Carvalho, para os Thunders lhe fazerem a entrega simbólica do primeiro exemplar do disco antes deste ser colocado no circuito comercial. A projecção que o caso teve na imprensa foi bastante para o disco se vender ainda mais. (Cecília Jorge)

em inglês:

“Macau, terra minha”: fifteen hours in a studío

One day Robert Ascott called Herculano and Rigoberto and told them that he wanted a “record with a fuller sound, combining EMI studio’s symphonic orchestra”.

Rigoberto still had some originals he had never played, but nevertheless he decided not to use them and do something he had been intending to do for quite sometime, ever since he wrote “She is in Hong Kong”: a song dedicated to Macau. He asked for three days to do it, and that is how he carne up with “Macau Terra Minha”, which was immediately approved by Ascott and maestro Vic Cristobal.

They spent their night-off from the Nightbird at EMI recording studios, starting at 9 p.m. and ending about noon the following day totally exhausted. Vic Cristobal’s Orchestra recorded the entire strings and wind instruments tracks on a row, so it would be used afterwards for editing and mastering. It would be the Thunders most popular song, in Macau as well as abroad. Several other bands made covers of this song, it was used as an overture for programs, and it was also turned into the soundtrack for many shows on various occasions. It was also one of the most heard ballads during the time of Macau’s handover to China, in 1999.

EMI’s chairman had the good thought of asking for an audience with Macau’s Governor General Nobre de Carvalho, so that the Thunders could offer him the number one copy of the record, in a symbolic gesture before it was made available for sale. The press coverage of the event was enough to increase the sales

MACAU pelos The Thunders em versão original do 1º disco em 1970

publicação na imprensa de Macau

A canção teve versão em chinês e em patoá e foi cantada por vários grupos musicais, até gravada em cd e fita cassete pela Tuna Macaense.  A que se destacou por marcar o fim da administração portuguesa de Macau em Dezembro de 1999 foi cantada em patoá, dialecto macaense candidata a Património Mundial na forma de teatro, pelo coral Dóci Papiaçám di Macau.  O vídeo abaixo divulgado no canal do ZitoDrummer na YouTube é uma produção da TDM-Televisão de Macau e foi uma apresentação do coral em Outubro de 1999 no Centro Cultural de Macau:

Logo de lançamento da MPM produzido pelo autor deste blog do Projecto Memória Macaense. Complementa o logo oficial.

Náno Branco canta “A Teenager in Love” – vídeo

Na festa de Natal de 2011 da Casa de Macau de São Paulo, Fernando “Náno” Branco, a convite, cantou com o conjunto musical do Charlie Santos (Carlos Alberto).  A canção escolhida, para reviver os tempos dos festivais de música em Macau dos anos 60, quando se apresentava com o seu grupo “The Greycoats” foi – A Teenager in Love. O vídeo foi gravado por uma equipe profissional contratado pelo próprio Charlie, que também se apresentou para o grande público presente.  Veja o vídeo divulgado pelo Charlie:

Aproveito a postagem para publicar o artigo que escrevi sobre o Náno e os Greycoats, em 05/Nov/2010, e publicado no Jornal Tribuna de Macau (na foto, o Náno é o que está deitado):

Clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez

 

Johnny Reis: fotos-memória e a notícia do jornal

Em 2003 estive em Macau pelo site Projecto Memória Macaense, a convite da Comissão Organizadora, que novamente agradeço publicamente pelo apoio, para participar da Reunião Preliminar dos Representantes das Casas de Macau para o Encontro Macau 2004.  Nos diversos eventos da Reunião, pude assistir à apresentação do Johnny Reis nos teclados a tocar com o conjunto musical The Rockers.  Um deles foi a missa celebrada na Igreja São Domingos, quando tocaram com o coral do Dóci Papiaçám di Macau.  O outro foi no Clube Militar, no jantar oferecido pelos Organizadores que reuniu também diversos residentes de Macau, momento em que pude rever gente conhecida.

Vivendo este momento de tristeza pela partida do antigo locutor do meu programa favorito – Request (quando se pede para dedicar uma música para determinada pessoa) dos anos 60, e bem que fiz alguns pedidos, queria compartilhar com vocês três fotos que fiz dessas apresentações, nas quais aparecem alguns conterrâneos que também já partiram para o descanso eterno:

(clicar nas fotos para aumentar)

Johnny Reis o 1º à sua direita, de óculos, a tocar o teclado no Clube Militar em Novembro/Dezembro de 2003. Veja o saudoso Neco Barros na bateria

Johnny Reis, o 1º à sua esquerda, com os Rockers na missa da Igreja São Domingos em Novembro/Dezembro de 2003

Com o coral do Dóci Papiaçám di Macau e os Rockers na Igreja de São Domingos em Nov/Dez de 2003.  Johnny é o 5º a contar da esquerda

Não custa nada publicar a foto dos participantes dessa Reunião, no jantar inaugural realizado no Hotel Lisboa em 26 de Novembro de 2003. Certamente vai dar para matar muitas saudades (sou o 11º da direita na fila de pé):

Veja o que o Jornal Tribuna de Macau publicou a respeito do falecimento de Johnny Reis na edição de 23/02/2012 (clicar na imagem para aumentar, e depois novamente com a lupa em +):

Vídeos do show musical de Charlie Santos Group

Charlie Santos, ou melhor, Canicha, ou melhor, Carlos Alberto da Silva Santos, já é um habitué das minhas postagens, e mais uma vez está aqui.  Na festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, o Charlie apresentou-se lá com a sua banda, e, não bastasse isso, contratou profissionais de vídeo para gravar o show, na qualidade vista em vídeos-clips na tv.  Essa dedicação dele é sempre de se admirar, ainda mais pela sua persistência, pois há anos vive pela música com bom investimento, simplesmente porque gosta e nada de ganhar dinheiro com isso, aliás gasta bem para esse seu hobbie.

Veja abaixo o resultado do excelente trabalho e a banda brasileira profissional que o Charlie tanto quis levar para Macau nos Encontros, mas, o custo que teria que arcar sózinho até agora inviabilizou o projeto:

Charlie Santos Group canta Eleanor Rigby (dos Beatles):

e, esta interpretação do Singin’ the Blues:

*Atualização em 22/02/2012: Veja o que o JTM falou a respeito

Daniel Ferreira – pegar no microfone … e cantar

(Daniel 1º à direita com os The Thunders, Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr., Alex Airosa e Manuel Costa na bateria)

Daniel Ferreira
Pegar no microfone … e cantar

por Cecília Jorge – publicado na Revista Macau em 1998

Daniel Ferreira (de Macau) é mais um caso de talento na juventude dos anos 60 que se entregou à música e se dedicou a fundo ao desporto (hóquei em campo, futebol, karatê). E pouco tempo lhe sobrava para além dos estudos, feitos no Seminário de São José — escola a que deve, decerto, a sua fluência e firme domínio da língua portuguesa, para além do inglês e do cantonense que todo o macaense fala.

É conhecido sobretudo como vocalista, sendo poucos os que,da sua geração e da anterior, não se lembrem da maneira como interpretava canções celebrizadas por Tom Jones, ou o “Unchained Melody” dos Righteous Brothers. E como se não bastasse o ter boa voz, fadou-Ihe o destino ter ainda melhor aparência … pelo que admiradoras e fãs enchiam as audiências. E no entanto, começou “por brincadeira, a tocar bateria com grupos de amigos e em casas de alguns, até um dia se lembrar de pegar no microfone…e cantar”— como nos diz, hoje, ainda divertido com a recordação.

Estava-se em plena febre dos Shadows e dos Beatles, e os irmãos Ritchie já tinham formado uma banda para ensaios e festas, a que ele aderiu.

Estreou-se numa festa do Liceu em 1965 e recorda-se que o reitor, então Énio Ramalho, gostou tanto da sua actuação que o incitou a continuar. O convite para se juntar aos “Thunders” — grupo praticamente consagrado— chegou pouco depois, por insistência do seu amigo Herculano Airosa. Daniel preferiu cantar quase sempre em inglês, o que por vezes lhe valeu algumas discriminações em Macau. Há quem se recorde, porém, de outra linguagem universal em que era exímio, o assobio. Colocavam- lhe habitualmente dois microfones quando interpretava temas dos filmes “For a few dollars more”, “A Fistfull l of Dollars”, ou “The Good,the bad and the ugly” que primavam pela assobiadela cheia de sonoridade… Os “spaghetti westerns” assim classificados por serem realizados por italo-americanos.

Foram muitas as desistências, pela certeza firme de não querer fazer carreira como andarilho da música. O serviço militar apanhou- o assim que concluiu o 5a ano do Seminário de São José, por seis meses, separando-se então dos “Thunders”.

Pouco depois, juntava-se a outro grupo de rapazes — “Midnight Riders”— que actuavam todas as noites no Casino “Macau Palace”, a troco de 25 patacas por noite: “cantar três noites por semana, ou seja, receber semanalmente 75 patacas para quem ganhava 300 patacas por mês como funcionário da Assistência era irrecusável”— comenta.

Nessa altura já Daniel se tinha perdido de amores, casado e passado à condição de pai…

Actuou no Clube Militar e noutros locais, e lembra-se de como Roberto Petrovich passava todas as noites por onde se encontrassem e Daniel lhe ensinava aquilo que também outros lhe ensinaram a ele, “a colocar a voz”, a tirar partido de determinadas canções. E Petrovich, um jovem de ascendência russa e com as capacidades de um Engelbert Humperdink era mesmo talentoso. Acabou por substituir o “professor” nos “Midnight Riders” (que reunia na altura Daniel, Sonny Gomes, Alberto Amante, Jerónimo Hung e Mário Pistacchini).

Foi vocalista de vários outros conjuntos, cantou a solo no Hotel Estoril, no bar “Mermaid” e no “Portas do Sol” do Hotel Lisboa. Foi várias vezes abordado para se tornar profissional (e lembra-se da insistência de Adé dos Santos Ferreira, nesse sentido). E recorda-se sobretudo quando, por uma questão de princípios, perdeu um contrato para actuar mensalmente no “Star Show” da TVB de Hong Kong e em vários clubes nocturnos. O convite contemplava-o só a ele, a solo, e não quis abandonar o grupo. Estava-se em 1971.

Quatro anos depois partiu para Hong Kong, onde foi funcionário do Consulado do Brasil até 1978. Emigrou para os Estados Unidos, experiência gratificante, onde se sentiu realizado profissionalmente, trazendo recordações dos dez anos em que trabalhou no Banco do Brasil em Los Angeles.
Regressou a Macau por circunstância de um acaso, que ainda hoje lhe faz confusão. Vinha passar férias. m em 1988 quando o dr. Car los Assumpção, o presidente da Assembleia Legislativa, por quem tem uma profunda admiração e muita saudade, o desafiou a ser seu secretário pessoal. Aceitou… apenas para o ver morrer pouco depois. A partir daí, foi mudando de emprego e hoje (1998) está como responsável pela segurança na cadeia de Coloane, lugar pouco invejável, mas que ele encara como outro cargo qualquer. E vai-se deixando ficar em Macau… o futuro a Deus pertence!.

Daniel Ferreira não se arrepende de ter preferido “cantar, só por cantar…”. Hoje fá-lo com o mesmo empenho, mas só para os amigos e em salas privadas, com a vida facilitada pelos karaoke.

(Daniel Ferreira, da esquerda com os The Thunders, ao lado de Armando Ritchie, Rigoberto Rosário Jr. e Alex Airosa)

Nota: Tive uma boa conversa com o Daniel na APOMAC quando viajei a Macau para o Encontro de 2010.  Muitas coisas que contou estão de acordo com o texto da Cecília Jorge.  Revelou-se um eterno apaixonado cujo “grande problema” é que quando isso acontece quer casar, motivo de somar mais de um casamento na sua vida. O Daniel estudou comigo no Seminário de São José e ele era uma espécie de “protetor”.  Lá estava ele presente quando a força física era necessária.  Hoje confessa que leva uma vida confortável de aposentado na sua terra natal.  Abraços ao antigo colega de classe.(Rogério Luz)

Canicha, o Charlie, este gajo gosta de música !!!

Charlie no Encontro das Comunidades Macaenses – Macau 2010

Gajo, em Portugal, ou, Cara, no Brasil, tanto faz, mas, este cara/gajo gosta de música mesmo!  É o Carlos Alberto dos Santos, ou Canicha, ou nome artístico, Charlie Santos.  Ensaia adoidado com o seu conjunto brasileiro de qualidade, profissionais de melhor nivel.  Grava discos e já lançou cds de montão. Nem tenho conta de quantos foram. Felizmente, tem recursos suficientes para bancar este seu hobbie a nível amador.  Não atua profissionalmente, pois afinal de contas tem um belo emprego. Música sempre foi o motivo da vida dele, desde jovem até hoje, já sessentão e pouco.  Não precisou de revival, pois nunca abandonou a música. Tem um ouvido afinado e por isso é muito exigente, de dar dó. Sabe de tudo da história dos músicos e das músicas, até me corrigiu quando publiquei um vídeo com o nome incompleto da música com um pequeno histórico.  Não é mole!!!

Tem uma série de vídeos divulgados no YouTube com músicas dos anos 60, principalmente, isto é, do meu tempo, época de ouro da nossa juventude. Presta tributo aos seus ídolos e cantores preferidos, só que com músicas cantadas por ele.  A toda hora recebo convites para assitir a um seu novo vídeo.

Publico este abaixo pois presta tributo a uma das duplas mais populares dos anos 60 – Peter & Gordon – com a música que adoro – A World Whitout Love – que me lembra muito da Rádio Vila Verde.  Ainda tenho esta música gravada do programa Request, acreditem de um gravador de rolo, só que a fita ainda a tenho, mas o gravador Panasonic que trouxe de Macau estragou-se, uma pena! Um dia ainda vou descobrir quem o conserte, pois tenho gravações históricas das rádios de Macau e de Hong Kong que gostaria.  Não dá para reproduzir noutros gravadores de rolo, pois usava uma velocidade baixa específica que esse tinha.  Procurava economizar pois não tinha muito dinheiro para ficar comprando fitas de rolo. Deixando essa conversa de lado, vamos assistir o vídeo:

Api na festa do PCB-Portugal

O Api – Rigoberto Rosário Jr., autor da canção Macau, estava lá na festa do PCB (Partido Comes-Bebes) do animado grupo de macaenses de Portugal. Era a festa do bolo bate-pau realizada em 17/09/2011.  Ele, em viagem a Portugal e alguns países da Europa, já tinha me avisado que iria cantar acompanhado pelo teclado do meu amigo de juventude e de escola em Macau, António Canhota.  Aliás o Canhota tocava no nosso grupo musical de escola, mas só tocavamos de brincadeira, uma coisa de reunião de amigos de escola. Ele agora está meio carequinha, mas no problem, coisas de idade … hehehe … abraços amigo Canhota.  Feliz de te ver ainda ativo com a música, agora tocando muito bem o teclado.  Aliás, ele já tocava este instrumento musical quando fazia parte da Tuna Macaense dos anos 70. Lembra? aquele da fita cassete. O pioneiro!  Está divulgado no Projecto Memória Macaense.

Aliás o PCB é diveras um grupo muito animado dos macaenses de Portugal, que comemorou, com bolo e tudo, 4 anos de aniversário do site deles – Gente de Macau – no www.gentedemacau.com em 07/07/2011.  Meus parabéns!!! Quem sabe, um dia a gente macaense daqui de São Paulo, numa eventual visita a Portugal para um encontro luso-brasileiro-macaense, possa se reunir com vocês para saborearmos este tal de “comes-bebes”, que pelas fotos, dá mesmo água-na-boca.  Se acontecer, queria estar lá para fazermos um trabalho em conjunto dos 2 sites macaenses!!! Saudações macaenses!!!

Api, boa viagem e bom passeio.  Na sua volta, vamos conversar muito e ver as suas fotos e vídeos.  Bela viagem de turismo que está a fazer, que bom!!!

No site da Gente de Macau, clique em Álbum do PCB e veja mais imagens desta animada festa macaense. Tem muita gente conhecida. As 2 fotos são do site, pedindo licença.

Rigo Rosário Jr. lembra os Pequenos Cantores

Você se lembra dos Pequenos Cantores do Colegio Dom Bosco? Saudades, ? Quando em Macau, gostava de assistir às suas apresentações. Eram perfeitos e cantavam muito bem.

Pois é, o Api no seu artigo de Memórias de Um Músico Macaense (Revista Macau Junho 1998), publicado na íntegra no Projecto Memória Macaense, neste link, lembra dos Pequenos Cantores no texto abaixo:

Padres, bandas e cantores

Nessa época, já não existia a Banda da Câmara Municipal regida pelo Constâncio da Silva e posteriormente pelo Placé. Em seu lugar havia a Banda da Polícia de Segurança Pública, que era formada por elementos daquela corporação, na maioria antigos alunos do Colégio Dom Bosco.

Esse colégio, por sua vez, teve a sua própria banda, onde muitos futuros músicos aprenderam o primeiro solfejo. No início, o padre Albino (o decorador do salão de festas do Clube de Macau, antes da sua ordenação) dava aulas de música e regia a banda até ser substituído pelo padre italiano César Brianza.  O padre Brianza, sobejamente conhecido, além de reger a banda do colégio, passou a dirigir também a Banda da Polícia e fundou o coral dos “Pequenos Cantores”, que chegou a dar concertos na Europa e em vários países do Extremo Oriente. O coral durou apenas enquanto o Padre Brianza o regeu e teve um final melancólico nos anos 70. A sua última apresentação foi no Cemitério de S. Miguel Arcanjo, durante o cortejo fúnebre do sacerdote-músico, acompanhado por numerosos amigos e admiradores.

Também o Colégio e Instituto Salesiano possuía a sua banda de instrumentos de sopro, que acompanhava procissões religiosas e fazia apresentações noutros colégios. Mas era a Banda do Colégio D.Bosco que participava em paradas da Mocidade Portuguesa e nas efemérides comemorativas.  Uma única tuna carnavalesca sobrevivera nos anos 50-60: a do “Negro-Rubro”, conhecido agrupamento oficial do Corpo de Bombeiros. A sua formação era quase exclusiva de elementos daquela corporação e as suas apresentações já não decorriam nos locais tradicionais das décadas de 30 e 40.  Muitos dos seus músicos participavam também da orquestra do dr. Pedro José Lobo.

Rigo Rosário Jr. “Api” e as Memórias de Um Músico Macaense

“Colourful Diamonds” em 1961: José e António Marinho, Rigoberto do Rosário, Vasco Santos e Ricardo Rosário

O Projecto Memória Macaense acaba de divulgar uma página completa do extenso artigo do Rigoberto Rosário Jr. “Api”, compositor da canção Macau – Memórias de Um Músico Macaense, que foi publicado na Revista Macau edição de Junho de 1998, com a apresentação e apoio da Cecília Jorge. Leia neste link – http://rpdluz.tripod.com/projectomemoriamacaense/historias.memoriasmusico.html

Neste artigo o Api lembra de diversas passagens dos músicos e bandas, principalmente, dos anos 60 e 70.  Vale para matar as saudades destes anos dourados de Macau, e saber de alguns detalhes que talvez você não soubesse. Vejamos:

… O primeiro convite que recebemos foi do Eduardo Jacinto, que presidia ao clube “Macaense” (antigo Clube Melco) situado no bairro da Areia Preta. Foi noite de estreia para o nosso trio e um êxito de bilheteira. Apresentaram-se também nessa noite de sábado, os “Irmãos Espírito Santo”, animando ainda mais o baile …”

… Nessa época, os “Four Aces” actuavam no restaurante da Pousada de Macau, que se situava na Rua da Praia Grande, mesmo ao lado do Palácio do Governo. Esse restaurante devia muito a fama à sua “Galinha Africana” — uma criação do chef Américo Ângelo (com curso feito na Europa) — e à sua hospitalidade …”

“Os “Heartbeats”: António Lagariça, Roberto Badaraco, Vítor Marques, Badaraco, Alberto Amante

Bandas de Macau anos 60 e 70

Os “Flipsiders” em 1963/64: Domingos Duque, Mario Pistacchini, Pinto Marques e Frederico Ritchie

FALAR DE BANDAS

Cecília Jorge – Revista Macau Agosto 1998

Foram muitas as “bandas” que entretiveram os jovens “musicais” dos anos 60 e 70, mais precisamente entre 1963 e 1970. E grande é a dor de cabeça de quem tenta traçar-lhes os contornos, as glórias, ou o rumo.  Grupos houve que “não tiveram tempo ou hipóteses de se afirmarem, sequer de se tornarem conhecidos, por causa das desavenças internas” — refere um dos integrantes, que até hoje prefere não ser citado para “não se meter em alhadas”. Pequenos conflitos que despertavam zangas entre adolescentes, sobretudo quando estavam em causa predilecções e níveis de popularidade, eram razão bastante para, literalmente, “desbandar” o grupo. Susceptibilidades aparentemente feridas, estando tudo a postos para a actuação, eram motivo suficiente para se desligarem amplificadores e tudo largar, mormente um espectáculo.

Mas para todos é hoje divertido recordar tempos em que rivalidades, a alimentar “guerrinhas”, levavam à montagem de redes baseadas em ligações de parentesco e em vésperas de concursos e festivais, se piratarem letras e arranjos musicais. Grupos havia que nos ensaios se fechavam a sete chaves em garagens ou se isolavam nos terraços para impedir tal “espionagem musical”.

Num plano de amadorismo generalizado, conjuntos que tivessem maior capacidade financeira e condescendência paterna, tinham melhor acesso à variedade, à qualidade e actualização, em discos e revistas da especialidade, e portanto ao ensaio das canções mais em voga.

De alguns não se falou, ou pouco se escreveu, precisamente porque, como Rigoberto do Rosário Jr. refere, é tarefa árdua e vã arrumá—los.  Cronologia dos factos e exactidão nos nomes apresentam-se pouco fidedignos, quando se trata de agrupamentos em Macau. E a opinião é consensual, tanto quanto confirmámos.

Mas recordemos os “Telecasters ”, que entre 1963-67 incluiram Fausto Carlos como baterista, Sonny Borges (viola-baixo), Armando Lopes (viola-ritmo, ou acompanhamento), Alberto Amante e, mais tarde, Luís Garcia.

Os “Young Ones” integraram Mário Pistacchini Jr., António Marinho além de Sonny Borges e Luís Garcia.  Os “Heartbeats”: António Lagariça, Alberto Amante, Alfredo Badaraco, Fausto Carlos e Carlos Pereira. Qualquer um deles terá participado noutros agrupamentos.  “Flipsiders” e “New Flipsiders”, sucederam-se em sete anos até alguns dos elementos mais marcantes rumarem a Portugal e ao Brasil.

Délio Silva, num improviso com Herculano Airosa e Domingos Duque

Frederico Ritchie (Pau Pau) um dos fundadores dos “Flipsiders” em 1964 (com Pistacchini, Domingos Rosa Duque e Carlbert Pinto Marques) defende como melhor formação a terceira, mais ou menos de 1967 a 1969, quando deviam a fama ao estilo vanguardista e desinibido da banda que integrava José Manuel Rodrigues como vocalista, Pau pau (contrabaixo), João (Jingo) Barros (viola-ritmo), Victor Marques (baterista), e um guitarrista-solo indonésio, o A-Chông.  Estrearam-se em 1967 em Hong Kong no “Top of The Pops Show”. Daniel Ferreira integrou a segunda formação que, além de Frederico e seu irmão Alberto Ritchie (Manga), contava Joe Lewis.

Pelo “New Flipsiders” passaram ainda Francisco Borralho, José Badaraco, Jorge Botelho e Johnny Fung.  José Manuel Rodrigues (“Joe” para as fãs de Hong Kong) partiu em 1971 para Lisboa, rumo à Faculdade de Direito, de onde regressou como advogado. Fred Ritchie, emigrado nesse ano para o Brasil ainda tocou com brasileiros e macaenses residentes no Rio de Janeiro, e é hoje empresário.

Dos “Myths” diz-se que nasceu em 1965-66, e que originalmente além de Nino Magalhães, incluia Luís Garcia como (viola-solo), Mário Pistacchini (viola-baixo) e Victor Marques (este último e Nino mais tarde substituídos por Eurico Teles e por Alberto Manuel Silva). Tendo como elemento mais estável Pistacchini, o grupo chegou a integrar numa festa liceal, para além de Sonny e Luís, o Humberto Évora (hoje médico em Macau),Veloso e Walter Reis Jr. (que se manteve activo na rádio).

Quartel dos Bombeiros, os Midnight Riders

Os Gatos Negros na Escola Comercial

O inconfundível Johnny Reis

*um texto de Cecília Jorge – Revista Macau Junho 1998

João Sameiro Afonso ReisJohnny Reis, para a comunidade macaense que o “adoptou” — prepara-se para a reforma ao sol do Algarve, a ocupar-se da neta predilecta.  Ao fim de trinta anos, completados em 1996 como “músico” semi-profissional, além da Função Pública, vai sobejar-lhe tempo para descansar e recordar peripécias na cena do “show-bizz” local, algumas já referidas no artigo de Rigoberto do Rosário que a Revista MacaU publica.  Natural de Braga, veio para Macau em 1939 numa comissão de serviço do pai que acabou por se prolongar por causa do deflagrar da II Grande Guerra e posterior entrada do pai para o Corpo da PSP. Foi adiando o gozo da licença a Portugal e o seu primeiro regresso à terra natal, de onde saíu ainda criança, deu-se só em 1993. Considera-se “macaense”.  “A música ajuda as pessoas a viver a vida”, refere ao explicar a estreita ligação (sua e dos seus “conterrâneos”) a esta forma de passar o tempo.

Com a mesma voz de timbre quente, com que encantou quem o ouviu cantar durante tantos anos em nights-clubs, festas e festivais, e foi apresentando programas radiofónicos e noticiários, diz-nos que a memória o trai quando quer referir datas e alguns nomes. Mas se o diálogo se proporcionar, as cenas avivam-se e a “voz” também, com a fluência das palavras que nunca se deixaram contaminar pela pronúncia típica de Macau.

No início da aventura musical — mais ou menos em 1966, ainda a Rádio Vila Verde se situava na esquina da Francisco Xavier Pereira —, Johnny, Nuno e Alberto Senna Fernandes, Tony Hyndman, Sonny Gomes e Kenny Barnes entretinham-se a “fazer música”. Nessa altura, os dois últimos, mais profissionais, marcavam o ritmo “batendo as palmas”… Os agrupamentos mais certinhos vieram depois, como os uniformes: com camisas axadrezadas com faixas “à toureiro”, a princípio, depois blazers, cinzentos, e mais tarde vermelhos. (Os “Rockers”, assinalados com o monograma R, e os “Four Aces” com quatro ases, de naipe diferente para cada componente).

Tocaram em todos os locais onde era possível tocar — recorda hoje Johnny Reis. Tocavam igualmente todos os instrumentos em que pusessem as mãos, apreendendo todos “de ouvido” e uns com os outros…

A carestia de vida e do equipamento levou inclusivamente a que, uma vez, a avalizar um empréstimo pedido a Guilherme Silva, gerente da Pousada de Macau, para compra dum xilofone, providenciassem música de dança no seu restaurante durante uns tempos.

Mas, se foram muitas as actuações do grupo, que mudou mais de nome do que de componentes — tocando no Hotel Riviera, no Bela Vista, no Estoril, na Pousada de Macau, no “Helena” que ficava na Ponte-Cais nº 16, em todos os Clubes e Associações, no Clube Recreio e até no Indian Club de Hong Kong, mais foram as oportunidades perdidas.  Tratando-se de funcionários públicos que se agrupavam pelo gosto da música, pelo prazer de entreter amigos e um público animado, e para complementar o salário, as limitações da pesada burocracia dos anos 60 e 70 impediram-nos de “voar mais alto”.

Johnny ainda hoje lamenta não terem podido aceitar um convite do “Paramount” de Hong Kong para substituirem “Giancarlo and his Combo” naquela boite de luxo ou mesmo noutras actuações em Hong Kong. E Mário Sequeira lembra-se dos problemas , depois da transferência para “a outra banda” (Ilha da Taipa), com autorizações para ir a Macau actuar em festas, ou por exemplo no Macau Palace. Transportes, só em tancares ou barcos condicionados à maré. Mas vezes houve também que a timidez e relutância dos camaradas do grupo os impediu de actuar em programas de grande audiência da Televisão de Hong Kong.  Estreou-se na emissora VilaVerde, que começou a funcionar em 1948 com Johnny Alvares como engenheiro de som e seu irmão Walter Reis, locutor.  Acabara de sair da tropa. E apresentou programas como os “Hit Parade”, “Yours for the Asking” (em inglês) e os “Request”, de grande audiência, porque dias havia em que o carteiro despejava na emissora quilos de cartas com pedidos de discos e se preenchiam 5 folhas A4 com dedicatórias de cada canção. Eram tantas e tão fiéis as radiouvintes que chegou a ser necessário apaziguar pais que julgaram atentatório do bom nome das filhas a frequência alarmante de dedicatórias públicas dos (múltiplos) enamorados. Alegavam forte “distracção em horas de estudo”. E o meio-termo foi a proibição de inclusão de apelidos.  A voz de Johnny era inconfundível. E contudo, quando uma vez, em desespero de causa, quis evitar o pior no seu programa “Disco-Mistério” (oferta de discos de 45 rotações a quem identificasse o vocalista), e cantou com música de fundo, não houve um único ouvinte que o reconhecesse. É claro que disseram ser batota… mas o certo é que já pesava estar a custear ele próprio os prémios, quando lhe faltou o financiamento prometido. Graça teve também aquela vez quando, habituado a improvisar, e depois de anunciar o início da transmissão do “Terço do Bairro”, teve que fazer as vezes do sacerdote que faltou.

Era indiscutivelmente um bom profissional da rádio, pela experiência, pela dicção, pela voz, pela presença, e simpatia contagiante. Lembra-se das últimas locuções na Vila Verde, quando durante os incidentes de 1966 teve que ler comunicados oficiais à população na qual se minimizava a situação, ao mesmo tempo que, pela janela aberta do estúdio se ouviam disparos e o tiroteio na cidade. O canal em língua portuguesa encerrou pouco depois.  E Johnny passou a funcionar na ERM, localizada na torre do edifício dos CTT.

Ruby de Senna Fernandes, uma das poucas intérpretes locais do fado e música ligeira na década de 60, acompanhada pelos “Rockers”

Nano Branco & Yvonne Remedios cantam (video)

Os macaenses, Fernando “Nano” Branco (Macau) e Yvonne Remedios Airosa (Hong Kong), ambos residentes em São Paulo, Brasil, cantam a canção Dream na festa dos 22 anos da Casa de Macau de São Paulo em 30/Julho/2011.  O Nano no ano passado lançou seu CD pessoal (não comercial) por ocasião do Encontro Macau 2010 em São Paulo e andou distribuindo para os amigos em Macau, embora não tenha se apresentado no evento. A Yvonne é a sua companheira que também participou como 2a. voz em algumas canções do CD produzido pelo eficiente Vainer Dias Gomes, que foi maestro da coral da Casa de Macau de São Paulo (atual Vozes de Macau) no Encontro de 2007.

O Nano, que foi o cantor dos The Grey Coats,  tem a sua página pessoal no Projecto Memória Macaense (veja no Guia Musical) onde são divulgadas algumas canções do seu CD.  Vale a pena dar uma olhada e ouvi-las, bem como para conhecer a história dos Grey Coats, ganhador do Festival de Música nos anos 60 em Macau.

Sonny Gomes, tributo a um músico macaense

António Gomes … quem é? É o Sonny Gomes …!!! Ah, agora sim, eu o conheço” Mais ou menos nesse tom, o “Api” Rigoberto Rosário Jr. inicia a sua dedicatória ao que ele chama “um dos melhores músicos com quem trabalhou e conheceu … um gajo muito camarada, honesto e leal“. Com essa dedicatória, 3 músicas, 1 vídeo e várias fotos, o Projecto Memória Macaense – www.memoriamacaense.org/projectomemoriamacaense – publicou uma página com o título acima. Logo na página de entrada do site vocês verão o link.

O Sonny foi um dos fundadores dos The Thunders.  O Api entrou no conjunto após a sua saída.  Já quando eles passaram a atuar profissionalmente em Hong Kong nos anos 70, o Sonny voltou para os Thunder após a saída do Lelé Rosa Duque que retornava para Macau. E com ele, foi a última formação do conjunto que dissolveu-se pouco depois.

A sua voz melodiosa que contrasta com o seu jeito e até a aparência, pois adorava luta marcial, coisas de polícia, tanto que integrou o PJ, agrada aos ouvidos e tem nível internacional, nada perdendo para os cantores originais das canções divulgadas.  Elas são, Gina, Sea of Love e The Wonder of You.

Estava para um dia abrir uma página para ele, já na antiga versão do site PMM, pois tinha recebido uma das canções do Zito Estorninho que tocou com ele num conjunto (a informar o nome) como baterista, aliás o Zito deve ter feito aquela filmagem do ensaio em que o Sonny cantou Gina, mas acabou ficando na pendência.  Outro dia, descobri nos meus arquivos salvados do que recebo de e-mails, as 2 canções e mais este vídeo.  Aí lembrei que o Api tocava com ele e pedi que escrevesse uma dedicatória.  E, assim, finalmente consegui abrir uma bela página para homenagear e prestar um tributo a este músico macaense que não está mais conosco na terra.  Que ele esteja descansando em paz e fique contente por ser relembrado.

Acho importante que, de grão em grão, o PMM e este blog consegue resgatar a memória de diversos macaenses (e da gente da comunidade macaense).  Não será completamente e nem de todos, coisa impossível, mas à medida que recebo material ou os localizo em algum lugar (jornal ou revistas), vou procurando fazer a divulgação dentro das minhas possibilidades e disponibilidade.

Assim, fica o convite para visitar o PMM e ver essa página.  Um singelo tributo mas feito de coração e com certa emoção.

Esta foi a última formação dos The Thunders, antes da sua dissolução.  O CD é caseiro, apenas para lembranças.  É a gravação de uma das suas apresentações (profissionais) no Mocambo. Na foto vemos, da 1a. fila, a partir da esquerda: Alex Airosa, Sonny Gomes e Gabriel Yuen. Atrás, da esquerda, Rigoberto “Api” Rosário Jr. e o filipino Avelino Cortez Jr. Para quem não sabe, o Api é o compositor da canção Macau que emociona a todos!

Dóci Papiaçám di Macau – vídeos de 1999

O grande Zito Estorninho, “um cara muito legal” como se diz no Brasil, divulgou no seu canal do YouTube, de pseudónimo ZitoDrummer, vídeos do coral do Dóci Papiaçám di Macau gravados no Centro Cultural de Macau em 05 de Outubro de 1999, antes da transição. Mais uma vez o Dóci nos emociona com as suas canções em patuá e belas interpretações.  O baterista do conjunto é o próprio Zito, sua especialidade. A cantora é a Isa Manhão, quando ainda tinha cabelos mais compridos.

Aqui vão divulgados o vídeo da canção Macau em patuá (de Rigoberto “Api” Rosário Jr./Thunders) que muitos choraram, inclusive eu, quando a ouvimos nas festividades da transição em Dezembro de 1999, inclusive postei este vídeo no YouTube. Então, vamos chorar de novo???!!! Outro vídeo é da bela canção tradicional de Macau - Bastiana – que também emociona e nos remete aos velhos tempos da nossa terra. Vejamos:

Macau em patuá

Bastiana

Parabéns Dóci Papiaçám di Macau, parabéns The Rockers, parabéns e obrigado Zito pela iniciativa da divulgação no seu canal de YouTube.

Os Chuchumecas (de Califórnia/EUA)


Escreve-me o Henrique Manhão, atual presidente da Casa de Macau (USA) Inc., juntando estas fotos e a relatar que por lá, Califórnia/EUA, outrora existia uma tuna (mista) macaense chamada “Os Chuchumecas”.  Muito boa e bastante popular, diz! Era formada por Ron Brown, Carlos Vilarama, Guy Hoffman, Unsong Ling, Filomeno da Rocha (Amo) e José Siera.  As vocalistas eram a Elsa Denton e Corie Manhão.  O grupo musical era ligado à sua Casa.

Diz que vai procurar estimular o retorno dos Chuchumecas à ativa, bem como de um antigo grupo teatral de patuá que era formado por Tony Capitulé, Daniel Rosário, Adelaide Baptista Lou e Ralph Pedruco. Isso mesmo, Henrique, é muito importante para divulgação e preservação da cultura macaense na diáspora, cuja tendência é de cada dia ir esfriando.

Para lembrar, o que é do meu conhecimento, em Toronto/Canadá, a Casa de Macau tem lá o seu grupo teatral de patuá, cujas apresentaões são gravadas em video pelo esforçado e eficiente Armando Santos e depois divulgadas no YouTube.  Eles são bons!!! Além disso, têm o seu coral, que apesar dos cabelos brancos imperar entre os seus integrantes (como em São Paulo, hehehe), é um grupo alegre e faz um bom trabalho.  Só não foram para o Encontro Macau 2010, pois nem todos podiam viajar, conforme afirmou o seu presidente Lourenço Conceição.

E quanto a Elsa Denton, que foi uma das vocalistas de Os Chuchumecas, ela tem a sua página divulgada no Projecto Memória Macaense, com fotos, música e vídeo (vejam no Guia Musical). A macaense Elsa é do tipo “show singer”, ou melhor, é cantora e ao mesmo tempo dança, como pudemos ver no Encontro Macau 2010.  Muito eficiente, canta e dança bem. Uma simpatia!!! Quanto aos demais integrantes, me perdõem, mas não os conheço e nada poderia falar deles.  Quem quiser, fique à vontade nos comentários.

José Luís Pedruco Achiam … ele tem estilo !!!

Tinha 12 anos em 1994 e posa com a mãe (veja abaixo)

16 anos depois, no Encontro de 2010, faz seu show cantando Sabroso Nunca, em patuá

Acho que devem ter visto o vídeo-clip do (ou da) Dóci Papiaçám di Macau – Macau Sã Assi – algumas postagens atrás, no qual o cantor, o astro, é o José Luís Pedruco Achiam.

Para mim, um macaense da diáspora,  ele era um grande desconhecido, até que o Rigoberto “Api” Rosário Jr. avisou-me que ele era o cantor da canção-tema de sua composição (com adaptação de Miguel Senna Fernandes) da peça teatral “Sabroso Nunca”, que “por pouco” iamos assistir no Encontro 2010, mas que infelizmente não deu certo.

Ouvi a canção (vocês podem ouvir no Projecto Memória Macau – procurem pelo Guia Musical) e logo pensei “eis um novo astro e cantor macaense”.  Na festa da Gastronomia Macaense, ele foi o primeiro a se apresentar conforme a 2ª  foto acima, e percebi que “esse gajo tem estilo”, tem talento.  É mais um macaense da nova geração que desponta dentro do nosso limitado mundo artístico.  Segue a linha do outro talentoso macaense Germano Bibi Guilherme.

Penso que o José Achiam é um residente de Macau (?). Se assim for, ou não for, mas tem a divulgação em Macau, ele e tantos outros jovens macaenses residentes nos obrigam a refletir e a perceber que a maior esperança de continuidade e preservação da nossa cultura, está mais precisamente – em Macau.  Por conta de alguns contatos com esta gente jovem residente de várias áreas nos Encontros, e também a julgar simplesmente pelos videos do Dóci Papiaçám e do Miguel Senna Fernandes, vê-se que em Macau há uma boa participação dos jovens em várias atividades.  O potencial do futuro macaense mora em Macau.  A nova geração da diáspora, cumpre o seu importante papel de divulgar Macau e a cultura macaense nos países de acolhimento dos seus pais. Não podemos desprezar a sua importância e para tanto são bem-vindos os Encontros dos Jovens em Macau, bem como, não podemos deixar de dar o valor ao jovem macaense residente que tem boa participação em atividades de várias áreas ou que talvez poderia ter ainda mais, se houvesse um incentivo extraordinário. Na verdade, vocês residentes podem dizer melhor que eu, que moro no outro lado do mundo.

A 1a. foto faz parte do “Album – Macanese People – 1994″ da revista em inglês Review of Culture nº 20 do Instituto Cultural de Macau, com o belo trabalho fotográfico de Eduardo Tang Meng Wai.  Já divulguei outras fotos desse Album do António Robarts e das belas irmãs Pedruco.  Na foto, o José Luís Pedruca Achiam tinha 12 anos e consta que ele nasceu em Sidney/Austrália.  Ele posa com a sua mãe Luísa Maria da Silva Pedruco Novo, nascida em Macau, na época com 36 anos, secretária executiva e de pais macaenses.

Um Vídeo típicamente Macaense

Simplesmente, fantástico, fabuloso !!! Até que enfim um vídeo-clip que tanto representa a nós, macaenses.  O Dóci Papiaçám e figurantes estão de parabéns.  Miguel S.Fernandes, parabéns! Como sempre, são fabulosos.  Adorei o vídeo, e chega de conversa … veja o vídeo e certifique você pessoalmente:

Moisés Bernardo e Bijú, conheces?

Dois antigos amigos macaenses que trabalhavam em Hong Kong se reúnem para tocar bandolim acompanhado de viola/violão.  Nada mais natural? Acho que não! Cada dia mais raro e difícil de se ver. Mas este convívio acabou virando um pequeno vídeo caseiro e eu o recebi via e-mail enviado por Delano Pereira. Muito obrigado!

Lá estava o Bijú, John dos Santos Hetherland (Canadá), a tocar viola na foto, que já conheço e tem uma página divulgada no Projecto Memória Macaense (veja o link no Mundo Musical PMM) com 6 músicas, mais o Moisés Bernardo, no bandolim, que com muito prazer fiquei a conhecer um pouco dele. Na imagem capturada do vídeo, os músicos macaenses tocavam “Aqui Bôbo”.

A informação veio do Bijú, que conta – “… o maestro de bandolim é também um rapaz de Macau, e tocávamos com as tunas em Macau. Ele chama-se Moisés Bernardo e é primo do falecido (no Brasil) Kai Kai, Felisberto Bañares.”  Eles, como muitos macaenses, emigraram para Hong Kong para achar trabalho, o Moisés antes dele.  Havia um convívio frequente entre os dois na colónia britânica.

Bijú recorda com certo orgulho, que em 1957 os 2 amigos participaram de um concurso em Hong Kong chamado Television Talent Time (concurso de talentos de televisão), promovido pela Rediffusion/Television Hongkong. O concurso era composto de 5 fases, cada uma com 6 competidores.  Foram vencedores da 1a. fase com o Moisés no bandolim e ele na viola acústica.  Tocaram Roman Guitar.

No final, acabaram se classificando em 5º lugar.  O vencedor foi o Colin Short a cantar “You don’t know me”.  Ah … essa canção tem história na Rádio Vila Verde (Macau), no programa Request (a pedido).  Era homem ou mulher dedicando-a para outra, mas anónimamente, afinal a canção diz – you don’t know me “você não me conhece”.  Mesquita que o diga !!! E você, caro amigo contrerrâneo, se estiver lendo, sabe bem que estou a referir-me a si … hehehe !!!

Acrescenta o Bijú que em 1964, no Teatro Cheng Peng, ele, Moisés e Fernando Souza, apresentaram-se num festival de música além dos Irmãos Oliveira (veja a postagem deles) e um conjunto de jazz de Hong Kong.

Pelo vídeo percebi que o Moisés é mesmo muito bom no bandolim.  O seu jeito de tocar o instrumento musical é do mesmo estilo que do Adalberto Remédios, outro mestre residente no Brasil que me explicava uma vez que pouca gente hoje toca assim.  São repetidos toques nas cordas e não um único toque para um tom.  Não sei se consegui explicar direito.  Pena que não dá para reproduzir música e vídeo aqui, por enquanto.

Quanto a este jeito de tocar, lembro que no Encontro de 2004, ocasião em que o Trio Macaense, do qual o Bijú e o Adalberto faziam parte, fizeram algumas apresentações, membros da Tuna Macaense foram saudá-los como bons pupilos ao ver o jeito dos dois a tocar os bandolins, ainda mais em 1a. e 2a. voz, coisa cada vez mais rara!

Como lembrava com saudade o Delano Pereira no e-mail,  “bons e velhos tempos da Tunas que já não voltam mais e nem se vê mais por aí”, apenas alguns remanescentes como o Moisés, o Adalberto e outros perdidos por aí, grandes anónimos.O Trio Macaense também está presente nas páginas musicais do PMM com músicas dos tempos das tunas.  Veja na Página-Guia de Música para se orientar quanto à sua localização.

Bom fim de semana !!! Volto na próxima …

Novos cds em Macau???

Acabo de publicar no site Projecto Memória Macaense no Mundo Musical PMM, o cd acima do cantor italiano Fabrizio Croce que residiu uns tempos em Macau.  O disco foi produzido no ano de despedida da administração portuguesa, em 1999.  No site você ouve a canção Macau, letra em italiano e música do cantor.  Bom não confundir com o nosso “hino” Macau (terra minha), uma composição do Rigoberto “Api” Rosário Jr. e gravado originalmente pelos The Thunders. Meu convite para dar um pulo lá e visitar a página.  O link está na coluna lateral do site, aliás sua visita ao site deste blog é sempre bem-vinda.

Sobre o título desta postagem, é para contar que na minha viagem ao Encontro 2010, fui lá, como de hábito, para a Livraria Portuguesa ver as novidades editoriais, e principalmente para ver se havia algum novo CD de Macau.  Subi lá as escadas para o andar superior, naquelas prateleiras de discos, sem qualquer vigilância, ou seja, no piso não há ninguém, acreditando na boa fé e honestidade dos seus frequentadores (coisas de Macau, não vistas no Brasil), e fiquei a procurar por novos cds.  Não precisa dizer que foi aquela decepção! Não se produzem mais cds de conjuntos ou cantores de Macau, digamos, de língua portuguesa ???!!!

Tudo o que encontrei foi este cd, que eu não tinha, talvez lá tivesse umas 3 unidades.  Peguei o que tinha melhor aparência, pois estavam sem o plástico que lacram os cds, mas, acabei esquecendo de conferir se havia disco lá dentro!!! E chegando ao hotel Sintra, percebi que nada havia.  Alguém que abusou da confiança da Livraria deve ter escondido no bolso, deixando só a capa.  Fui lá reclamar para a acessível gerente da livraria e ela, sem argumentar, acreditou na minha palavra e fez a troca.

É uma tristeza que passou aquela época de boas produções musicais em Macau, muitos com o selo da Tradisom. Vejamos, a Tuna Macaense, A Outra Banda, A Trança Feiticeira (Veiga Jardim), Miro, Elsa Denton, António Prazeres, Adé, Thunders, João Gomes, Rão Kyao, Coral Dinamene, Isabel Teixeira Melo, etc. Hoje somente podemos nos contentar com as produções pessoais, sem fins comerciais, ou seja, não se vende mas distribuído limitadamente e de forma gratuita. Os exemplos, Charlie Santos (Carlos Alberto Santos-Canicha), Armando Santos, Coral da Casa de Macau de São Paulo (hoje Vozes de Macau), Trio Macaense, estes os mais distribuídos em época oportuna.  Outro, mais limitada por curto orçamento, do Nano Branco, Carlos “Naio” Lemos … me desculpem se esqueci de alguém. Quase todos, pelo menos, têm uma música divulgada no Projecto Memória Macaense.

No entanto, não descarto a hipótese de eu estar errado com a informação e meramente não estarem disponíveis para venda na Livraria Portuguesa mas noutras lojas de discos, uma coisa cada dia mais difícil de achar em Macau, pelo menos nas minhas andanças pela cidade, como um não residente.

Ouvi falar de um possível novo cd da Tuna, que deve ser comercial, e a Elsa Denton poderia estar a produzir o seu particularmente.  Vamos a ver!!!

O PMM está aberto para divulgar a música de músicos macaenses ou daqueles relacionados a Macau, o que tem recebido certas referências que é um prestígio ter uma página musical no site.  Prestígio é meu, amigos conterrâneos ou não, por poder contar com  a vossa presença no site.

Aproveito para avisar que logo logo, após um remanejamento de 2 páginas musicais do PMM, irei publicar 2 músicas (Desafinado e Verde Vinho) do macaense John dos Santos Heterland, o Bijú, residente em Toronto, Canadá, que lá está presente com uma versão instrumental de boss guitar de Macau.  Bijú fez parte do Trio Macaense (à distância, ele no Canadá e outros no Brasil) na gravação do seu bom CD de músicas das antigas tunas de Macau.  O PMM fica satisfeito por poder contribuir com a divulgação do nosso limitado mundo musical macaense.

Os Irmãos Oliveira, ontem e hoje

Isto é que é estilo, pá!!! Assim, ajoelhado, meio deitado, de acordo com o estilo dos anos 50 e 60, muito bom, legal!!!

Conforme o post anterior, esta também é uma das fotos que tirei dos painéis da APIM. Ontem, quando as editava, vi esta dos Irmãos Oliveira, que hoje residem no Canadá. Logo procurei aquelas 2 que acho umas das melhores que tirei do Encontro 2010, e aqui lhes mostro. Já em 2010, agora mais “comportados”, os “Lám Chai” ,como os referia o Pedro Almeida (Rio de Janeiro/Brasil), que aliás estava também muito estiloso com a sua camisa vermelha (veja foto cumprimentando os Lám Chai), tocavam canções que todo mundo conhecia e cantava junto. Boa receita para um show! Veja o vídeo no Projecto Memória Macaense e aproveite para observar detalhes quando tocavam Pretty Woman.  Aliás, esta música quando é tocada em Macau parece que desperta uma certa magia.  Por 2 ocasiões observei que uma senhora, bonita “léang mui”, logo sai correndo para dançar, a rebolar no ritmo certo.  E eu, na minha função de fotógrafo, mas não paparazzi, direciono a máquina tanto de fotografar ou de filmar e faço os meus devidos registos como manda o figurino.

Vendo a última foto, de facto os Oliveira não lá cantaram muito sossegados na Recepção de Boas Vindas, mas acredito que foi o espírito festivo da 1a. festa do Encontro 2010.  Tudo valeu para uma diversão geral.

Atualização 26/02/2012: Vídeo da apresentação em Macau

O silêncio do bandolin, mas isto ainda é possível

As expressões dos rostos dizem tudo.  Tudo era muito simples.  Adalberto Remédios, expert no bandolin, “toco à moda antiga” sempre ele dizia orgulhoso, a lembrar aqueles velhos tempos de Macau em que participava das tunas, aproveitou a festa de aniversário da associação macaense de São Paulo e levou o seu fiel companheiro, o bandolin, para matar as saudades com os amigos e conterrâneos.

À sua volta, o Acaio D”Assumpção, Francisco “Xico” Rodrigues e seu antigo companheiro de viola, o “Neco” Clemente Badaraco.  Percebam na foto a satisfação dos seus rostos, a ouvir antigas marchas dos carnavais macaenses e das tunas, e também aquelas músicas italianas que tanto amamos.  Era uma volta momentânea do bandolin à associação, pois o bandolin silenciou-se em São Paulo. Nenhum macaense mais toca o bandolin.  A nossa memória, já andando com uma perna, viu a perda de mais um item.

Adalberto aposentou-se de vez e mudou-se para o Interior de São Paulo, ou seja, para uma cidade menor, mas bem menor, a cerca de 400 km da capital paulista.  Levou com o ele o seu famoso bandolin que falava alto nas festas locais, quando fazia parte de um conjunto “à moda antiga”, o Trio Macaense.  O bandolin silenciou-se.  A música dos velhos tempos de Macau silenciou-se em São Paulo.  Não há sucessores.  Ninguém mais se interessa pelo instrumento, muito menos pelas velhas marchas.  Os tempos são outros.  A memória macaense vai morrendo aos poucos.

Inevitável? Pois é!  Inevitável, a gente vai envelhecendo e infelizmente a nossa cultura vai envelhecendo junto, e corre o risco de sucumbir conosco, quando chegar a nossa hora.  Mas, o Adalberto naquele dia, ainda esboçou um esforço, que poderia dizer que “ainda é possível”.  Trouxe com ele, na sua longa viagem de carro, o seu companheiro, o bandolin.  E, após o almoço, tirou-o do estojo e logo alguns saudosistas ficaram à sua volta.  Um tanto emotivo, a relembrar os velhos tempos, ensaiou uma marchina, Dia da África, que logo despertou expressões de satisfação de quem o cercava.  Pena, o seu companheiro de viola, o Badaraco, não sabia que o Adalberto viria à festa com o bandolin, e acabou não trazendo a sua viola.  Afinal, não havia nada na programação que previa uma apresentação ou brincadeira musical.

Sentado na mesa ao lado, percebi a movimentação musical e logo apanhei a minha câmera digital e lá se foi o disparo bem na hora exata.  Captei as expressões de rosto que a própria foto diz tudo.  Na hora não percebi, mas depois em casa é que deu para constatar que fora na hora exata.  Logo a cena em si, deu-me um estalo para pensar que, “isto ainda é possível”, a preservação e exaltação da nossa memória.  Basta cada um de nós fazer a sua parte.  Um pequeno contributo, ou um grande contributo? Tanto faz, o tamanho não tem tanta importância.  O importante é o esforço de cada um, qual seja o resultado, se atinge uma pessoa, cinco pessoas, ou milhares de pessoas.  Tudo é válido, pois tudo contribui, para somar.

Avaliei o meu caso, e fiquei satisfeito ao ver que faço a minha parte há 7 anos.  O Projecto Memória Macaense existe há sete anos.  Gostem ou não gostem, ele está aí para tentar divulgar um pouco de nós.  ”Falar de nós”, como o Jorge Rangel diz nas suas publicações. E não só da gente, mas da nossa cultura e da nossa terra.  Assim também, vejo o esforço de muitos da nossa malta a fazer isso, tanto pela parte dos residentes de Macau, como pelos macaenses da diáspora.  Os Encontros, as festas que se realizam em Macau, como aquela no São Lázaro, que bonito de se ver, até gostaria estar lá para documentar com a minha máquina fotográfica ou de filmar.  Percebo nos residentes um esforço, que poderia até dizer, um tanto mais que dos tempos dos portugueses.  Acredito que naquelas épocas, a gente ficava acomodado, pois o governo era da gente e não havia assim tanta preocupação.  Hoje não, tudo é uma questão de sobrevivência e de afirmação da nossa identidade.

Faça você como o Adalberto.  Alegrou 3 conterrâneos como na foto.  Um pequeno número? Sim, mas valeu o esforço, pois mais 100 Adalbertos alegraremos outros 300 conterrâneos e assim por diante.  Não é preciso pensar grande, seu pequeno esforço sempre será grande, pois muitos “pequenos” acabam somando de tal forma que fica “grande”.  O importante é somar, sempre. Faça a sua parte construtiva para preservação da nossa memória, os nossos costumes, a nossa cultura.  Um pequeno esforço tem muito valor.  Some !!!

O talento individual do Api e o reconhecimento necessário

Falar do Api (Rigoberto Rosário Jr.) é lembrar da canção-hino dos macaenses – Macau (terra minha). Foi sua composição.  E agora ele cria a versão instrumental, um trabalho só dele.  Os arranjos, a execução, a gravação, tudo !!!  Com muito orgulho divulguei esta última no PMM e agora no MacaenseBR, como música de boas-vindas aos sites.

Apesar do Api ser meu amigo, não seria por isso que falo dele, pois o mundo macaense reconhece e sabe do seu talento individual, não só musical, mas também da arte.  Suas pinturas impressionam além do seu trabalho manual, como a montagem de miniaturas alusivas aos costumes antigos de Macau, além de tantos outros trabalhos, e porque não, até da redação de artigos. Quem não se lembra das memórias dos seus velhos tempos de músico em Macau, publicados na Revista Macau?  Recentemente vim saber que soma a tudo isso, mais um talento, o de restaurador, pois contribuiu com a sua mão de obra gratuita, a restauração de imagens sacras da Igreja do Divino Espírito Santo, em São Paulo.

Sabia, já de algum tempo, que o Api possuía uma coleção de músicas sobre Macau e sua gente, genuinamente composições suas com direitos autorais reservados, em versões na língua portuguesa, inglesa, chinesa e em patuá.  Estavam “guardadas numa gaveta”.  ”Assim não pode ficar” pensava eu, e ele também, tanto que, em comum acordo, tomamos iniciativas pensando num CD.  Um disco pessoal, do Api, pois seriam suas composições que seriam executadas por ele através de diversos equipamentos na sua residência, que, impressionante, parece uma orquestra de verdade tal a qualidade e perfeição. O Api é um perfeicionista dos mais exigentes. É só ouvir a versão instrumental de Macau, uma experiência inicial do trabalho, ainda possível de ser mais aperfeiçoada.  Outro exemplo claro da perfeição é a música-tema da peça teatral “Sabroso Nunca” do Dóci Papiaçám.  O fundo musical foi totalmente composto e executado por Api, ainda mais, com equipamentos não tão sofisticados, mais por falta de recursos para adquiri-los.

Seria um disco-solo do Api? Nada mais justo, pois é um trabalho totalmente pessoal, só dele.  A tecnologia de hoje permite isso. E quem vai apoiar, editar e divulgar o CD? Se for o caso, quando aconteceria a divulgação e a apresentação pessoal do Api? Bom, isto é um outro capítulo, se der certo, pois tem que dar certo o apoio a um macaense que criou o nosso hino. O hino dos macaenses !!! E além de tudo, um talento individual que carece de um reconhecimento necessário, mas somente à sua pessoa, exclusivamente.