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Patoá: “Tirá Pum” unga estória di Mariazinha Carvalho

A Mariazinha Carvalho, sempre inspirada para escrever seus textos e histórias em Patoá, mandou-me esta que … bem … alguém que não passou por isto “que atire a primeira pedra”.  Ela jura que a história ou estória é verdadeira.  Salvo umas palavras que exigiram uma consulta no dicionário do Patoá, entendi quase tudo.  Pega-se o raciocínio e similaridade com o português para entender outras, certo?

UNGA ESTÓRIA DI “TIRÁ PUM”

Vosôtro lôgo pensá “Ai qui medónha, qui vegónha, qui vida fêde, contá estória di “Tirá Pum”.  Ante di contá iou já pensá:  Si Adé qui sâm Pai di Patuá já contá acunga estória di “Ôlo-deco”, iou qui sâm unga “humilde seguidora” di Adé   tamêm astrevê contá estória di “Tirá Pum”.  Porque vegónha?  Pum nuncassá asnéra, nuncassá pecado.  Cusa querê fazê?  Querê cizí ôlo-deco pa nádi dessá pum sai fóra?  Sabe cusa pôde acontecê?  Bariga ficá inchado, cara ficá marêlo, ôlo ficá virado,  cabéça ficá vangueado,  pôde até cai estirado na chám ramendá unga morto.

Bom,  hoze iou vêm pa contá  estória di pum di iou-sa nhum Chicoi.  Estunga estória sâm vedade, nuncassá iou-sa inventaçám.

Unga domingo di chuva-frio,  cusa vai fazê? Sâm  chocá na casa olá televisám-ia.  Direpente iou-sa amiga brasiléra telefoná: “Mariazinha, estou preparando um panelão de feijoada brasileira e como sei que gosta, venha junto com o Chicoi para jantar conosco”.  Feijoada brasiléra, iou nádi faltá! Tufám No.10 iou tamêm lôgo sai di  casa.  Assi nôs dôs dále  capa, enrolá cascol na pescoço, azinha azinha corê vai casa di iou-sa amiga comê  feijoada brasiléra.  Nôs rufá qui ravirá. Cavá inchí bariga, anôte-anôte, iscuro-iscuro-ia, sâm ora di voltá pa casa.   Quelóra isperá elevador chegá, estopôr di Chicoi  co cara marêlo qui marêlo virá pa iou falá: “Ai Mariazinha, iou non pôde aguentá más-ia, iou querê tirá pum”. Cusa? Ne bom astrevê fazê seléa asnéra.    Olá, nôs dôs empido chipido nunga coredor pichote, bafado, sim porta nim janela, ispéra estunga elevador antigonso qui nunca más chegá. iou certo lôgo pegá saván co estunga fedor di pum.  Chicoi di cara marêlo agora já virá ficá vérde falá:  “Iou prometê qui nádi tirá pum fêde”.  Cusa,  vôs querê iou acreditá?    Tudo pum sâm fêde, agora pum di fijám ne bom falá-ia, nuncassá somente fêde, sâm podre di fêde.

Acunga ora iou têm qui fai-fai pensá  cusa vai  fazê pa “adiá” estunga pum.   Azinha-azinha unga luz já vêm alumiá iou-sa cabéça, assi iou virá pa Chicoi falá:  “Uví, prestá atençám cusa nôs vai fazê. Quelóra elevador chegá, nôs intrá, elevador decê, faltá unchinho pa tocá chám sâm ora qui vôs têm qui largá pum, porta abri nôs azinha pulá fóra, porta fichá assi trancá vosso pum dentro di elevador, j´ólá?”.  Estunga môno disesperado falá: sâm, sâm, sâm.  Ele sâm uide bom marido, fazê tudo laia-laia di ancusa qui iou mandá.  Aleluia… elevador já chegá e nôs fazê  igual qui igual qui iou planejá.  Perto tocá chám-ia, Chicoi  obidiente qui obidiente soltá acunga   pum travado, cavá nôs azinha pulá fora dessá pum ficá pa tráz.  Qui azar, quelóra nôs pulá fóra já da di cara co unga nhónha chistosa vesti janota qui janota, saia tocá chám, fula na pêto, fula na cabéça,  certo já voltá di unga festa di casamento.  Zás, qui azinha ela já emfiá dentro di elevador, porta fichá, nôs ficá  fóra parado, paralizado, bóca aberto, bêço pendurado, ôlo batê-batê olá  elevador vagar-vagar, gongchông-gomgchông, vai riva-riva-riva co nhónha e pum di Chicoi juntado até pará na 18º andar.  Qui ramêde, tánto tempo assi  onçôm-onçôm fichado co pum fêde di Chicoi  certo estunga nhónha já ficá vangueado-ia.  Iou non  têm culpa si iou-sa plano já falhá, mas uví vosôtro, nuncassá unga “boa idéia”?   Isperimentá, cavá contá pa nosôtro uví!!!

Nota do Editor: A Mariazinha,hoje, contribui simultaneamente seus textos em Patoá para o Crónicas Macaenses e o blog em patoá Como Tá Vái, num esforço para ampliar a divulgação do dialecto macaense.

Mariazinha e Chicói, acima em 2012 e abaixo em 1953eterno amor!!!

Unga estória di Pum di brasiléro

Patoá: receita de ló pák kôu/bebinga de nabo à moda da Mariazinha

Mariazinha ousou ao enviar a receita do ló pák kôu ou bebinga de nabo – em patoá/patuá.  Orgulhosa diz: iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso (iou-sa: a minha ou o meu / sã: é ou são / uide: muito/a / sabroso: saboroso/a).

Agora o desafio aos macaenses, que em termos teriam a obrigação de saber um pouco do patoá: conseguiriam entender o patoá suficientemente para preparar o ló pák kôu da Mariazinha? Ainda ela dále de misturar o inglês e algo em português e chinês/cantonense, seguindo um dos costumes de uma parcela dos macaenses de misturar o patoá com 3 línguas!!! Então vamos lá para a receita:

Bebinga de Nabo

Tánto genti já pedi  receita di iou-sa Bebinga di Nabo.  Nuncassã gabá, mas quim já comê sabe qui iou-sa Bebinga di Nabo sã uide sabroso.  Como iou  nuncassã egoista ramendá tánto genti qui caregá receita até tumulo e como iou sã genti antigo,  iou  já   iscrevê  na 4 lingu: Português, Inglês, Chinês e Patuá.  Si vôs sã maquista  di vedade  lôgo entendê mas si nunca entendê mandá unga email pa iou,  iou lôgo isplicá tim-tim pa tim-tim.

Bebinga de Nabo a Moda de Mariazinha Carvalho

Ingredientes:

Dôs Nabo grandi

Sei tiu láp-chéong

One big láp-yôk

Unchino di há-mâi

Lôk cheak tông-ku

Tres dentes de alho

Two cups of rice or chim-mâi-fân

Sal a gosto

Using a big pan, primeiramente, páu-heóng sin-tâu.  Depois cá láp-cheóng, láp-yôk, há-mâi, tông-ku, estunga chincha cortá fino-fino.  Deixa cozer até ficar nâm-nâm-têi.  Then you add ló-pák chit iât-si iât-si ou ralado se preferir pa ensopá estunga sabor di láp-mêi, j´olá! Cozê unchinho más.

Afterwards, you mix in the rice flour, ou seja, chim-mâi-fân, you can buy at Liberdade (São Paulo Chinatown)  or onçôm-onçôm pôde fazê na casa.  Very easy, châm mâi overnight, next day botá unchinho di agua no liquidificador  batê, cavá jugá dentro di mistura di nabo co láp-mêi.  Pegá unga colê di páu virá vai virá vem até chegar o ponto certo.  Be very careful, non pôde ficá nem duro-duro nem mole-mole ramendá pet-pet ou papa-papa, understand? A seguir transfere a massa  para um pirex.  Pa ornamentá, chapá-chapá rodela di láp-cheóng co tông-ku na riva, cavá  tân nunga vóc for  approximately one hour.

Foto de um ló pák kôu ou bebinga de nábo (não é o da receita nem da Mariazinha) que faz parte da gastronomia macaense, candidata a Património Cultura Imaterial de Macau. 

blogue Como Tá Vái? (em patuá) já está no ar

E já está no ar, o blog ou blogue Como Tá Vái? (como vai você ou como estás tu?) que o Miguel de Senna Fernandes já avançava dias atrás sobre o seu lançamento.  O endereço eletronico é - http://comotavai.wordpress.com – da mesma plataforma WordPress deste blog, que aliás o prefiro mais que o blogspot, tanto que mudei-me do outro para cá há bom tempo.

Para quem não saiba, o Patuá ou Patoá é um dialecto de Macau (exemplo no Brasil, o português caipira).  Para saber mais sobre o dialecto visite aquele blogue e o site Projecto Memória Macaense e aqui, pesquise pela Categoria – Patuá  – na coluna à direita.

Na minha mensagem/comentário no blogue, ofereci o contributo do Projecto Memória Macaense e do Crónicas Macaenses com o farto material de patuá disponível que pode ser copiado, além dos vídeos produzidos pelo site PMM das apresentações do patuá de São Paulo que poderão ser inseridos na forma que convir ao Miguel.  Fica assim publicamente divulgada esta autorização.

O Miguel é um sujeito muito criativo, admiro muito os seus trabalhos, especialmente quando põe o humor no meio, sem deixar de o citar bem musicalmente.  Espero que ele coloque os vídeos de Patuá em Um Minuto, fabulosos, muito bem produzidos, e tive a oportunidade de publicar um deles aqui, tendo eu filmado diretamente da tela na sua conferência do Encontro 2010, após devidamente autorizado pelo autor. Em vez de ficar falando mais a respeito, que tal visitar este novo blogue macaense, mais um esforço de um conterrâneo pela preservação da nossa identidade e cultura?

Antes, leiam a apresentação publicada no blogue Como Tá Vái?

Este é um pequeno cantinho sobre a Língu Maquista, mais conhecida por Patuá de Macau.

Não é um manual linguístico, nem tão-pouco sou linguista. Trata-se antes de uma exposição parcelar de ideias e reflexões pessoais sobre vários aspectos da língua dos nossos antepassados.

É consabido que existem várias correntes sobre o que deve ser o Maquista, como ele deve ser expresso e qual a sua “proximidade” com o Português padrão. Com o devido respeito a todas, a proposta que se apresenta aqui, vem na linha dos trabalhos do saudoso José Adé dos Santos Ferreira e da Dra. Graciete Batalha, que tiveram a virtualidade de conferir maior consistência e uniformidade ao crioulo, pressuposto fundamental para subsistência de qualquer uma Língua. Julgo dever seguir e dar continuidade ao que já foi feito, fazendo-se as necessárias adaptações no que for estritamente necessário.

Esta página electrónica tem essencialmente uma finalidade prática e por isso as considerações aqui vertidas sobre o Crioulo estão despidas de rigor científico-linguístico. Depois, a sua estrutura não será a que encontramos num manual didático típico. Ela é antes essencialmente temática, composta de artigos e apontamentos avulsos, porém com referências e redireccionamentos recíprocos.

Esta página é elaborada a contar com a colaboração de todos quanto tenham pela Língu Maquista um especial carinho. Desta feita, os comentários, esclarecimentos e as questões que se levantem serão bem vindas, pois só virão a enriquecer este blogue.

Com isto espero poder incentivar e promover a aprendizagem do nosso vetusto Crioulo.”

E quem é o autor? O texto é do blogue. Veja a seguir as fotos que fiz do Miguel no Encontro Macau 2007.  Ele não escapa das minhas lentes sempre que assisto qualquer conferência sua, e essas foram a respeito do patuá, muito óbvio.  Tal como o seu pai Henrique de Senna Fernandes, o Miguel gesticula muito e as minhas lentes fotográficas agradecem:

Miguel de Senna Fernandes, advogado de profissão,  adepto incondicional do Patuá de Macau. Co-fundador do grupo de teatro maquísta Dóci Papiaçám di Macau, é o autor de praticamente todas as peças escritas na língu maquista apresentadas nos dezanove anos de existência da troupe.

Macaense: uma conversa em patuá + 3 línguas

Que o macaense, nas suas conversas, mistura o português com  chinês e o inglês mais o patuá, é sabido!  Nem todos, digamos, mas uma parcela da nossa gente.  Eu, por exemplo, não faço isso.  Ainda mais que estudei no Seminário de São José: “o Padre iria dar um belo puxão de orelha pois lá isso era proibido.  Só era permitido falar o português”, hehehe!!!

A Mariazinha Conceição Lopes Carvalho, a nossa matriarca do patuá no Brasil e escritora genuína de várias peças em patuá, diversas já encenadas na Casa de Macau de São Paulo-CMSP, a meu pedido, desengavetou uma das suas obras do dialecto para comemorar a candidatura (praticamente) confirmada para Património Cultural Imaterial de Macau.  É um diálogo, já apresentado numa das festas da CMSP, no qual exemplifica bem como duas macaenses conversam, a misturar essas 3 línguas mais o patuá:

a foto é da peça teatral em patuá: O Passaporte, encenada na Casa de Macau de São Paulo em 2009.  Da esquerda: Armando Ritchie e Mariazinha Carvalho.  O video em 4 capítulos produzido pelo Projecto Memória Macaense pode ser visto no seu site ou no meu canal do You Tube

NÔS MAQUISTA-MAQUISTA (por Mariazinha Lopes Carvalho)

Nosôtro tudo, maquista-maquista ispalhado na mundo fora, quelóra ficá vêlo, virá-virá pensá, co coraçám chipido, ôlo mulado,  di nossa infância/juventude na Macau.  Pensá di nossa vóvó-vôvô, atio-atio, titi-titi, mamá-papá, amigo-amigo.  Qui tanto já vai-ia, qui saudádi! Di tanto qui já dessá nosôtro, ilôtro já pôde abrí unga “Casa de Macau de Céu” grándi qui grándi, bunito qui bunito nuncassã?.

Hoji, iou vêm pa abri ôlo di vosôtro tudo maquista-maquista. Uvi, prestá atençám. Vosôtro já pará pa pensá unchinho como nôs sã unga “raça” uide especial/singular/unique? Qui modo? Olá, quelóra pichote azinha-azinha nôs ta falá 4 lingu:  Português, Inglês, Chinês e Patuá, qui capaz! Qui ôtro genti têm estunga capacidadi?  Pa nôs sã uide fácil.  Qui  manéra? Dessá iou isplicá.  Nôs já nacê nunga terra qui sã di Portugal, têm vizinhança Ongcông qui sã di Inglaterra, cercado di china-china pa tudo vanda, nossa vóvó/vôvô falá patuá.  Nôs divéra têm sórti. Destunga manéra quelóra dôs maquista encontrá  nossa conversa certo lôgo virá unga chauchaulada.  Somente unga maquista pôde entendê ôtro maquista.    Olá!

“Carlota my dear friend, I haven´t seen you for a long time, how are you.”

“Olá Venância, estou bem graças a Deus.  E tu como estás de saúde?”

“M-hâi quêi chêng sân.  Iâu-si tâu-tông iâu-si tôu-tông.  Chân hâi má-fán.”

“Aia sâ assi-ia, vôs tamêm já ficá vêla-ia, dói aqui, dói ali.” 

Têm maquista inda más  capaz, falá 4 lingu nunga só tacada (frase).  Querê uví? 

“Ontem  encontrei com a minha amiga Malichai no Shopping.  Qui medónha, cara marelo, ôlo patucado.  I was really shocked. I have never seen her like this before.  Chân hâi iâm kông.”

Assi iou-sa amigo-amigo maquista ispalhado na tudo vanda di mundo, lembrá, nôs sã genti di sorti porque já nacê na Macau.  Si alguém perguntá “quim sã vôs?”, respondê  co pêto inchido di orgulho: “Nôs sã MAQUISTA”.

Nota: Faça qualquer coisa em favor do patuá.  É como se diz, qualquer iniciativa para divulgar o patuá sempre irá contribuir para que seja reconhecido como Património Cultural Imaterial, pois o mantém em evidência para convencer que não está morto mas bem ativo, mesmo que seja uma candidatura do Teatro Maquista, em patuá. Aqui a gente procurar fazer a nossa parte!

Candidaturas do Teatro Maquista e da Gastronomia Macaense: saiba mais …

No site do Museu de Macau (link abaixo) pode-se ver os vídeos e os boletins de inscrição em arquivo pdf do Teatro Maquista (Teatro em Patuá) e da Gastronomia Macaense.  Nesses boletins são expostos os motivos para as candidaturas a Património Cultural Imaterial de Macau:

http://www.macaumuseum.gov.mo/macauheritage/HeritageShowTime2012_port.htm

Logo mais abaixo da página do site, há uma mensagem para o qual solicito especial atenção e reproduzo aqui.  A consulta popular, pelo visto, é limitada aos “residentes locais (de Macau)”, pelo que se faz aqui um apelo aos qualificados para tal,  para que escrevam e manifestem seu apoio para essas candidaturas macaenses.  Eis o que consta do site referente ao assunto:

“Os residentes locais que tenham alguma opinião ou objecção em relação às candidaturas ou às suas avaliações, podem fazer o seu envio por correio ou por fax (no. 2835 8503) ou a entrega em mão, de um documento escrito relatando as suas razões e fundamentos para o Museu de Macau (endereço: Praceta do Museu de Macau, Nº 112, indicando no envelope a designação “Opinião sobre as candidaturas ao Património Cultural Imaterial”), antes do termo do prazo da consulta. Toda a correspondência deve indicar o remetente, o seu endereço, telefone e forma preferida de contacto, de forma a permitir que o Instituto Cultural possa processar o assunto e emitir as recomendações adequadas. Em caso de dúvidas é favor de visitar o sítio de internet do Museu de Macau no endereço: www.macaumuseum.gov.mo ou de contactar o Sr. Tou através do telefone 8394 1209.”

A Mariazinha Conceição Carvalho, do Teatro Maquista de São Paulo, escreve uma mensagem em Patuá saudando as candidaturas:

“Co pêto inchido di orgulho , iou ta da unga grandi ucho pa vôs, “Parabens”.  Di tanto lutá já ficá aprovado “Gastronomia Macaense e Teatro em Patua”  a Patrimonio Cultural Imaterial de Macau.  Nôs tudo qui sã “amante” di patuá ta uide filiz juntado co vôs e tudo genti di “Dóci Papiaçám di Macau”.

Mariazinha Carvalho e Armando Ritchie na peça do Teatro Maquista de São Paulo (Teatro em Patuá) de ‘Futebol’ em Julho de 2011 na Casa de Macau de São Paulo (fotografia de Rosa Cruz)

Nesta foto, Mariazinha Carvalho fez uma interpretação em Patuá com Pedro Almeida ‘Mensagem de Fé e Esperança‘, na Festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, cujo vídeo pode ser visto na postagem deste blog. É de se louvar o apoio da Casa de S.Paulo para o Patuá.

Gastronomia Macaense e Patuá: candidaturas (pré) aprovadas p/Património Imaterial

Foi uma dura ‘batalha’, mas enfim, as candidaturas da Gastronomia Macaense e do Teatro em Patuá (perceba que não é o dialecto patuá em si, mas a forma como é apresentada em Teatro) foram aprovadas por um júri escolhido pelo Museu de Macau, juntamente com outras duas abaixo especificadas na reportagem. Agora seguem para uma ‘consulta pública’.

Diante disso, vamos todos oferecer o nosso apoio para que no final tudo dê certo e tenhamos essas candidaturas plenamente aprovadas.  O site Projecto Memória Macaense e o blog Crónicas Macaenses dão o seu apoio.

Veja como o Jornal Tribuna de Macau, edição de 09/Fev, publicou a respeito:

Patuá de Macau e os Colóquios da Lusofonia

E-mail recebido da AICL Associação (Internacional) Colóquios da Lusofonia sob a direção de J.Chrys Chystello faz um alerta a respeito do Patuá de Macau, para o qual peço toda atenção. Vide o texto em vermelhor.

Aproveito para agradecer as várias referências nos links das páginas de estudos do patuá, que remetem às publicações do site e produções de vídeo do Projecto Memória Macaense (PMM) que procura oferecer o seu contributo para preservação e divulgação do dialecto macaense.  Muito agradecido pelo prestígio !!! No decorrer do ano de 2012, o PMM vai procurar aprimorar o seu conteúdo para melhor ser uma vitrine da identidade e da memória macaense, da qual também se insere o patuá.


“TEMOS UNS APONTAMENTOS NA PÁGINA DOS COLÓQUIOS A ESTE RESPEITO
VER
http://www.lusofonias.eu/conteudo/estudos-patua/    MAS OS PROTOCOLOS FIRMADOS EM MACAU AQUANDO DO 15º COLÓQUIO AINDA NÃO DERAM EFEITOS E SEM A AJUDA DE PESSOAS NO LOCAL POUCO OU NADA PODEM OS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA FAZER.”

aceita-se toda a ajuda para fazer estes cadernos de patuá

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J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção,
Colóquios da Lusofonia (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133,
Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia 9625-115, S. Miguel, Açores, Portugal,
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 91 9287816/ 91 1000 465,
Página web (em atualização):  www.lusofonias.net /  Página alternativa da AICL: www.lusofonias.eu
XVII Colóquio LAGOA - AÇORES 2012 http:www.lusofonia2002.com.sapo.pt
ou  http://www.lusofonias.eu/index.php?option=com_content&view=category&id=95&Itemid=455
Correio eletrónico: lusofonia.aicl@gmail.com / lusofoniazores@gmail.com /lusofonias@lusofonias.net
Faxe eletrónico:+(00) 181 5301 3682 / (00) 1 630 563 1902,
Blogue: http://coloquioslusofonia.blogspot.com/ ,
YAHOO GRUPO: LUSOFONIA-AICL@yahoogroups.com,
SUBSCREVER: LUSOFONIA-AICL-subscribe@yahoogroups.com,

 COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA)
www.lusofonias.net

Vídeo de Patoá – Mensagem de Fé e Esperança repercute bem

Recebo e-mail da Mariazinha (Maria Conceição Lopes) Carvalho, agradecendo a divulgação do vídeo em patoá de Macau – Mensagem de Fé e Esperança.  Diz que recebeu diversos e-mails de pessoas que não conhecia, além daquelas de seu relacionamento, a cumprimentá-la pela apresentação da mensagem (vide postagem com o mesmo título) que foi feita em conjunto com o Pedro Almeida.

Discreta e com humildade, a Mariazinha relata que um dos e-mails recebidos dizia que as pessoas gostam de ouvir o seu patoá (patuá) e que ela seria “a mais famosa macaense nesta época de Natal”. Desculpe Mariazinha por publicar isso, apesar de você dizer que não tem essa pretensão, apenas cumpria uma tarefa de apresentação do patuá na festa da Casa de Macau de São Paulo.  “Era apenas um esforço para dizer que São Paulo tem o seu patoá e que se procura divulgá-la e preservá-la”.

Senti que nos 3 dias de divulgação do vídeo, até que pelo tipo de vídeo, teve boa aceitação.  Mas o números não importam, pois videos macaenses alcançam um pesqueno público mundial, pois somos poucos e não adianta inventar milagres.  O importante é que se cumpre uma tarefa de dizer que, além do excelente trabalho que se faz em Macau para divulgação e preservação do patoá, os macaenses da Diáspora também estão ativos nesta tarefa, com as suas limitações e dentro das suas possibilidades, óbvio que nem se compara com os recursos que se tem em Macau, pois não os tem mesmo.  É um trabalho de formiga, mas sempre tem alguém da Diáspora que procura fazer algo, como também as Casas de Macau ou associações macaenses similares.  A gente procura fazer a nossa parte, talvez uns milagres, mas nós da Diáspora vamos dando o nosso contributo pela preservação da cultura macaense e a sua divulgação nos nossos Países de acolhimento, com ou sem reconhecimento e apoio.

Mensagem de Fé e Esperança em patoá – Natal 2011 (vídeo)

Na programação cultural da festa de Natal da Casa de Macau de São Paulo, realizada no dia 11 passado, houve a apresentação abaixo que gravei em vídeo e foi publicado no YouTube.  A Mariazinha (Maria Conceição Lopes) de Carvalho escreveu (numa adaptação de texto) e apresentou em conjunto com o Pedro Almeida (Rio de Janeiro), a encenação em diálogo dramático de uma mensagem de FÉ e ESPERANÇA, em patoá (patuá) de Macau para o fechamento do ano e pela época festiva do Natal.

Mariazinha inovou nas suas apresentações em patoá.  Ao contrário de cenas e diálogos alegres e cómicos, habitualmente em peças teatrais, como também acontece em Macau e na diáspora macaense, falou com dramaticidade.  Patoá é sempre ligado ao humor, poucas vezes utilizado em forma de diálogo comum e muito menos em drama.  Temos que louvar a persistência e a luta da Mariazinha pela preservação do patoá, não só no Brasil mas pelo mundo através das minhas publicações no site, blog e em vídeos. Como macaense, sinto que tenho este dever já que tenho esses meios de comunicação ao alcance. O Pedro Almeida na sua bela apresentação e esclarecimento sobre o patoá (para quem não o conhece, veja o vídeo e ouça atento às suas explicações), também destacou a dedicação da Mariazinha, aliás, gostei de vê-lo no palco, adequadamente vestido para o papel e sempre com excelente didática.

Assim caros amigos e conterrâneos, a mensagem é oportuna para lhes desejar Boas Festas, Feliz Natal e um Bom Ano Novo, sem essas profecias loucas de fim do mundo para daqui a um ano, e fazer um apelo: façam qualquer coisa pela causa macaense de preservação da nossa cultura, que temos pouca, lutem pela – PRESERVAÇÃO DO PATOÁ.  Juntos, vamos torcer pelo reconhecimento do PATOÁ pela UNESCO como Património Mundial Intangível (Imaterial).  Acredite nisso !!!

Patuá em 1 Minuto – vídeo imperdível do “Dale”

Tomei conhecimento desta série de vídeos numa conferência no Encontro 2010 proferida por Miguel de Senna Fernandes, até filmei-os todos para guardar de recordação.  Agora vejo que o canal de VIMEO do Miguel tem um desses vídeos, que dá aula de 1 minuto sobre a palavra em patuá “Dale“.  Pena que, pelo visto, não houve continuidade e tão poucos foram produzidos.  São muito engraçados e com a excelente atuação dos seus atores macaenses.

Vídeo de teatro de patuá – Futebol da 3ª Idade

A apresentação em patuá protagonizada por Mariazinha Conceição Carvalho e Armando Sales Ritchie (São Paulo)  simula que, no Encontro de 2013, haverá um torneiro de futebol para a Terceira Idade.  Todas as Casas e Associações formariam as suas equipas.  Assim, o Armando lê uma lista de “convocados” para a Seleção de São Paulo com os comentários da Mariazinha.  Os dois são mestres no patuá e atualmente são os mais atuantes na área.

O vídeo está publicado também no site Projecto Memória Macaense e foi por mim filmado com a minha discreta filmadora, só com luz ambiente.  Aliás a iluminação do Ginásio da Casa de Macau de São Paulo é precária para filmagens e fotos.  Se alguém patrocinasse a sua troca iria “quebrar um galhão“.   A apresentação ocorreu na festa de aniversário dos 22 anos da Casa em 30 de Julho de 2011.

Tese de mestrado de Alexandra Rangel: Comunidade Macaense

“Esta dissertação de Mestrado é sobre os macaenses, os “filhos da terra”, descendentes de várias gerações de cruzamentos de portugueses com orientais, resultando desta miscigenação uma comunidade com características próprias. A culinária, o dialecto (patuá) e as festividades tradicionais demonstram a base cultural portuguesa e as influências recebidas dos países asiáticos vizinhos do território com mais de 400 anos de presença portuguesa, devolvido à China em Dezembro de 1999. Actualmente, Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, regida por uma Lei Básica, elaborada em conformidade com a Declaração Conjunta Luso-Chinesa, firmada em 1987. Esta Lei garante aos residentes do território, incluindo os de ascendência portuguesa, a manutenção da sua maneira de viver e os direitos que tinham anteriormente. É feito um enquadramento histórico, para que melhor se compreenda o nascimento e o percurso desta comunidade, e são identificados os desafios que se lhe colocam, hoje, bem como o seu singular legado cultural.
Abstract: This Master of Arts thesis is about the Macanese, the filhos da terra (the “sons of Macau”), who descend from several generations of intermarriages between the Portuguese and Asians. The miscegenation resulted in a community with specific cultural traits. The cuisine, the dialect and the traditional festivals show us the Portuguese cultural base mixed with influences received from the neighbouring Asian countries. Macau was handed back to China in December of 1999, ending more than 400 years of Portuguese presence. Macau is presently a Special Administrative Region of the People’s Republic of China and its Basic Law was written in conformity with the Sino-Portuguese Joint Declaration which was signed in 1987. The Basic Law guarantees the way of life and the rights the residents – including those of Portuguese descent – enjoyed before the handover. A historical background is provided for a better understanding of this community, from its beginning until today, and the new challenges it is facing, as well as its important cultural legacy, are identified.”

No link abaixo, clique na ligação constante do quadro “Ficheiros deste Registo” e vejo o belo trabalho da Alexandra Sofia de Senna Fernandes Hagedorn Rangel, filha de Jorge Rangel do IIM-Instituto Internacional de Macau:

http://repositorio.ul.pt/handle/10451/3906

ou veja no arquivo em pdf abaixo (11 Mb) – clicar para abrir:

Alexandra Rangel tese mestrado ulfl081900_tm (fonte: site da Universidade de Lisboa na ligação acima)

*Divulgação possível graças ao e-mail de Maria João Santos Ferreira, macaense e bibliotecária do Museu de Ciência de Lisboa, e autora de livro de receitas da gastronomia macaense. Obrigado!

Teatro macaense – 22 anos Casa de Macau de S.Paulo

Na festa de aniversário dos 22 anos da Casa de Macau de São Paulo, o seu ressuscitado Grupo Teatral apresentou-se com uma divertida “dança”  como uma “homenagem”  à Terceira Idade por “dançarinos” da Terceira Idade.  Idealizado por Mariazinha Conceição Carvalho e Armando Sales Ritchie, que atuaram, contou também com a participação especial da Telma Antunes Brito em visita a São Paulo, onde antes residia.  O público adorou o espetáculo e aplaudiu muito a apresentação.  Os três dançarinos estão de parabéns, porém lembrando que o Armando ainda chegou na Terceira Idade, faltam alguns anos.  Gostei muito!!! Confiram …

Um Vídeo típicamente Macaense

Simplesmente, fantástico, fabuloso !!! Até que enfim um vídeo-clip que tanto representa a nós, macaenses.  O Dóci Papiaçám e figurantes estão de parabéns.  Miguel S.Fernandes, parabéns! Como sempre, são fabulosos.  Adorei o vídeo, e chega de conversa … veja o vídeo e certifique você pessoalmente:

Dia do Patuá – Encontro 2010

O último dia de Novembro, dia 30, foi o dia do Patuá e da emoção no palco do Enrique D’Assumpção (Austrália), autor do website em língua inglesa Macanese Families (Famílias Macaenses). Foi ele o 1º a falar, apresentando detalhes do seu trabalho levou muitos anos, conforme afirma.

O Enrique praticamente digitalizou os Livros de mesmo nome, do Jorge Forjaz, porém criando uma série de links que acabam facilitando a busca de pessoas e de nomes. Realmente algo muito trabalhoso, exigindo uma boa dose de paciência, raciocínio e especiamente, tempo! Contou ainda com a ajuda da comunidade macaense, principalmente de lingua inglesa, porém lamentou a pouco adesão dos macaenses que falam o português. Isto é uma típica característica da nossa comunidade, se você tem um site em português, como o PMM, poucos visitantes de língua inglesa o visitarão, e assim acontece com o website do Enrique.

No final do sua apresentação, emocionou-se ao perguntar “a quem devo delegar este trabalho, pois já estou com um certa idade?”. Isto causou uma simpatia do público que o aplaudiu de pé. Por acaso isto me fez perceber que nos meus 60 anos, nunca pensei a respeito. Porém acho que, mesmo que a comunidade macaense no mundo seja pequena, já lá existem pelo menos 4 sites/blog num mesmo nível de divulgação.

Depois foi a vez dos professores. Alan Baxter (Ausrália/Macau) e Deolinda Santos Califórinia), a falarem sobre o patuá, a sua peservação e a candidatura a Património Intangível.

Miguel Senna Fernandes falou por último, também sobre o patuá, a sua especialidade. Rodou depois 3 videos “Patuá Minuto” que fez todo mundo rir muito. Pretendem ser aulas práticas do patuá em bom humor. Achei uma criatividade incrível do Miguel. O Bibi é o ator principal e é muito bom, engraçadissimo. Aproveito para agradecer a Deolinda pela referência e link ao PMM no seu powerpoint.

Encerrada mais esta programação,foi servido um almoço, dim sum, logo perto do Instituto Politécnico, que estava ótimo. Para corrigir qualquer desinformação, esta conferência do patuá, bem como da Gastronomia no dia seguinte, é aberta a todos os participantes do Encontro.

Mais à tarde, houve uma recepção na casa do Cônsul de Portugual, desta vez, restrita apenas aos presidentes das Casas e outras associações participantes do Encontro.

O documentário sobre o Patuá

Li com muito interesse o artigo no Jornal Tribuna de Macau, edição de 14/04/2010 (veja através deste link – http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=343203008.) a respeito do documentário “Patuá di Macau, únde ta vai? – Uma língua crioula em vias de extinção”, produzido por encomenda do Instituto Internacional de Macau.É uma produção de Silvie Lai e James Jacinto, que, salvo ignorância minha, novos nomes, que pela repercussão do projecto, espera-se deles novas produções para o bem da cultura macaense.

Aliás, vejo também uma nova fase de actuação do Instituto Internacional de Macau, presidido por Jorge Rangel, muito bem-vinda e está de parabéns !!! Só ver os projectos do Studio Nilau com o apoio do IIM, um dos quais pude ter o prazer de oferecer apoio pessoal em São Paulo, através da sigla Projecto Memória Macaense. Não esquecer também da exposição e conferência alusivas aos 10 Anos da RAEM, que outro meu site MacaenseBR ( www.macaensebr.viviti.com ) fez a cobertura e tem a divulgação permanente.Um convite para visita.Não custa nada!

No artigo constam iniciativas nos EUA, Canadá, Austrália e Portugal, através da Casa de Macau de Califórnia, UMA, Lusitano, a Casa australiana e o Amigu di Macau, sem falar que foi exibibo na RTP de Portugal e em algumas instituições lusitanas.

Só que nisso tudo, não consta nada do Brasil. Por conta da ausência desta constatação, recebi alguns contactos a perguntar se sabia de algo a respeito. Sinceramente, não sei de nada! Como não faço mais parte da Direcção da Casa de Macau de São Paulo, não tenho nenhuma informação de eventual consulta a respeito e nada foi comentado comigo.

Até acredito que, pelas dimensões do Brasil, o alcance duma iniciativa de divulgação dessas para atingir um público maior, talvez venha a ser feita por uma outra instituição, como tem acontecido com outras exposições que percorreram o País tropical. Uma especulação minha, que pode não se confirmar!

No entanto, estou aqui, em São Paulo, ávido para assistir o documentário, pois deixar para ver só no Encontro, vai depender muito se terei condições de viajar para Macau. Mesmo sem ter visto o documentário e nesta expectativa, tenho que congratular iniciativas tais como essas, pois contribuem em muito a divulgação da cultura macaense pelo mundo.