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Dia de Nossa Senhora de Fátima em Macau, 2012

Novamente em Macau, vimos a repetição de uma tradição que perdura há 83 anos com a procissão de Nossa Senhora de Fátima no dia 13 de Maio.  Não canso de publicar esta notícia anualmente, pois para um macaense da diáspora que, como tantos outros que emigraram para outros países com temor de um suposto futuro sombrio de Macau, ora pela transição da soberania dos portugueses para a China, ora pelos acontecimentos na terra consequentes da revolução cultural da era Mao, é um grande alívio ver que essas avaliações sinistras não vingaram.  E quero acreditar na sensatez pela manutenção do sistema atual de Um País, Dois Sistemas, que permitiu a Macau manter um status diferente das cidades do continente chinês, tal como a Procissão de Nossa Senhora de Fátima o que traduz em tolerância e liberdade religiosa nessa Cidade do Santo Nome de Deus – Macau. Bem haja o bom senso dos governantes e mandatários, e o respeito pelo acordo de transição da soberania.

A procissão que percorre cerca de 2 quilometros da Igreja de São Domingos, na parte baixa da cidade, até a Ermida da Penha, igreja localizada  no topo de uma colina, é com certeza uma daquelas de maior percurso, se não a única.  Vejam abaixo o que o Jornal Tribuna de Macau (www.jtm.com.mo) publicou a respeito na sua edição de 14 de Maio, e depois veja o vídeo publicado no You Tube (obrigado Jorge Coimbra/Portugal pelo link).  As fotos também são do jornal:

A procissão inicia-se na Igreja de São Domingos

JORNAL TRIBUNA DE MACAU – edição de 14/05/2012 – por Pedro André Santos

FÉ ENCHEU RUAS DA CIDADE RUMO À PENHA

A comunidade católica de Macau voltou a encher ontem as ruas da cidade para assistir e participar na procissão de Nossa Senhora de Fátima que, como é habitual, percorreu as ruas entre a igreja de São Domingos e a ermida da Penha

A Igreja de São Domingos voltou a ser o ponto de partida para a peregrinação da Procissão de Nossa Senhora de Fátima de 13 de Maio, reunindo não apenas fiéis como também turistas e alguns curiosos que não se mostravam indiferentes às rezas em coro e em várias línguas.

Cerca das 18 horas começou a missa dentro da igreja complemente cheia, enquanto outros tantos aguardavam cá fora pelo início da caminhada. Se grande parte da multidão era constituída por fiéis que acompanham as celebrações há muito tempo, havia outros que se estreavam. “Sei que é uma festividade importante em Macau e por isso queria participar. Apesar de não ser católica gosto de ver a tradição em Macau”, afirmou ao JTM May, uma jovem residente do território.

Foram cerca de três milhares os fiéis que, entoando cânticos de louvor, vieram para a rua, depois da celebração da missa em São Domingos, percorreram a baixa da cidade, e rumaram ao monte da Penha, já depois do pôr-do-sol. A imagem de Nossa Senhora, rodeada de flores, era transportada por “meninas da Congregação de Fátima”, seguindo-se um “mar” de gente de todas as idades que fizeram questão de participar num dos momentos religiosos mais marcantes no território.

O caminho ainda é longo e custa mais com a temperatura que se fez sentir, mas para alguns existem forças que acabam por tornar tudo mais fácil. “É a fé. É sentirmo-nos bem numa espécie de recolhimento” afirmou Maria de Lurdes, uma portuguesa de 80 anos radicada em Macau durante mais de metade da sua vida. “Venho sozinha e aproveito para fazer rezas aos meus entes queridos que já partiram”, acrescentou ao JTM.

Em toada lenta mas ritmada fez-se o resto do percurso pela Avenida da Praia Grande até à ermida da Penha, um dos pontos mais altos da cidade, com uma multiculturalidade bem patente nos cânticos entoados em três línguas: português, inglês e chinês.

A fé católica acaba por ser o grande elo de ligação entre os muitos presentes na procissão que conta sempre com uma comunidade muito devota. “É um dia com um significado muito relevante, para as pessoas mostrarem o seu amor. É muito importante para a fé católica”, afirmou ao JTM a Irmã Jenny, das Filipinas.

Igreja de São Domingos, missa antes do início da procissão

UM LEGADO DA COMUNIDADE PORTUGUESA

 A comunidade portuguesa continua a deixar bem vincada a sua presença nas celebrações religiosas, com destaque para a procissão de ontem, mas não só. “A Procissão de Nossa Senhora de Fátima e a Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos, antes da Quaresma, representam os momentos mais fortes a nível religioso em Macau. É sempre um evento que tem muita gente presente, há pessoas que vêm de Hong Kong de propósito. Não sei dizer qual das comunidades traz mais gente, mas a comunidade portuguesa é sempre devota”, afirmou ao JTM o padre Albino Pais.

Uma opinião, de resto, também partilhada pelo padre Luís Sequeira, sublinhando a importância da multiculturalidade do 13 de Maio. “As pessoas responsáveis têm juntado ao português-macaense a comunidade chinesa, participando com mais padres chineses também. O terço é já feito em três línguas também, português, inglês, e chinês, representando uma afirmação positiva em termos de expressão cristã na China”, referiu, lamentando, contudo, a participação limitada da comunidade portuguesa da metrópole.

“Por um lado, é um legado da comunidade portuguesa no contexto da fé cristã na China, com particular ênfase na missa de Fátima. É uma afirmação da dimensão política de um país, dois sistemas, uma realidade em que Macau se manifesta. É uma afirmação de liberdade e de sentido de comunhão que continua a aumentar”, concluiu ao JTM.

Desde o já longínquo ano de 1929 que a 13 de Maio as ruas se enchem de gente de fé, uma tradição mantida em Macau até nos dias de hoje, mesmo após a transferência de soberania do território.

cerca de três mil pessoas acompanharam a procissão

a procissão chega ao fim na Ermida da Penha

VEJA O VÍDEO PUBLICADO NO YOU TUBE NO CANAL DA CHINESA KOSEONGWON DE MACAU

Porta do Cerco, (ex-) fronteira de Macau com a China

A ver as imagens publicadas no grupo Antigas Fotos de Macau II (Macau Old Photos II) no Facebook, administrado por Jon Doo, vi várias da Porta do Cerco publicadas pelo seu maior colaborador Luís Dias, que todo dia lá envia diversas fotos.  Isso me deu o ensejo de fazer esta postagem das imagens capturadas das postagens do Luís Dias, juntando-as com o texto sobre a antiga fronteira de Macau com a China – Porta do Cerco – do livro Toponimia de Macau de Padre Manuel Teixeira. Na prática, ainda é uma fronteira com controle pela alfândega chinesa, uma forma de administrar a migração dos chineses do Continente para este novo eldorado da China, com muita riqueza nos casinos.

Porta do Cerco antigamente nos tempos dos portugueses

Porta do Cerco na atualidade. Foto do blog Orient’Adicta

Publico abaixo trechos do texto de Pe. Teixeira para facilitar a leitura, e no final desta, na sua totalidade, para quem queira se inteirar das curiosidades da Porta do Cerco:

“António Feliciano Marques Pereira, em As Alfândegas Chine­sas de Macau, p. 24 e segs., informa que a primitiva Porta foi cons­truída em 1573: «Muitos escravos dos portugueses de Macau fugiam a seus donos e iam praticar roubos nas povoações da ilha de Hian Chan (Heung-Shan, hoje Chong-Shan). Este facto deu motivo, em 1573, à construção da muralha e bairreira do istmo, a que os nos­sos ficavam chamando «Porta do Cerco» e os chinas «Kuan-Chap» …

… A 18 de Março de 1928 foi inaugurada pelos governadores de Macau e Hong Kong, Artur Tamagnini Barbosa e Sir Cecil Clementi e autoridades chinesas a Estrada que vai das Portas do Cerco a Seak-Kei, com uma procissão de milhares de pessoas, que mar­charam da aldeia de Tch’in-San até Macau.

O actual arco da Porta do Cerco foi levantado para honrar a memória do Governador Ferreira do Amaral, a 31 de Outubro de 1871, durante o governo de Antônio Sérgio de Sousa (1868-1872).

Nele se lê esta inscrição:

«A Pátria honrai que a Pátria vos contempla»

O director das Obras Públicas, ten.coronel Francisco Jerónimo Luna, no seu relatório acerca das obras realizadas em Ma­cau, em 1871-1872, escrevia acerca do Arco das Portas do Cerco:

«Obra construída segundo o plano que achámos delineado, tendo sido inaugurado o seu acabamento, por ordem do governo da colônia, no dia 31 d’Outubro (1871) anniversario natalicio de S. Magestade Fidelissima El Rei o Sr. D. Luis 1.° Este cerco construido no caminho principal, que de Macau segue a varias povoações chinas é dedicado á memória do benemérito exgovernador — João Ferreira do Amaral, á tomada de Passeleão, conforme se acha publicado no Boletim Official do governo n.° 44, de 30 do referido mez».

No mesmo ano 1871 concluiram-se as obras da Praça da Victoria.

Texto completo publicado no livro Toponimia de Macau de Padre Manuel Teixeira

Rua do Cerco

Começava ao lado do Arco da Porta do Cerco e seguia parale­la ao Istmo de Ferreira do Amaral, devendo ir a terminar, segundo o Cadastro de 1925, na Estrada da Areia Preta.

A primeira parte desta via pública está hoje dentro do Aquartelamento da Porta do Cerco, do qual faz parte, e a segunda parte tem hoje o nome de Estrada dos Cavaleiros. Deixou, pois, de exis­tir o nome de Rua do Cerco.

António Feliciano Marques Pereira, em As Alfândegas Chine­sas de Macau, p. 24 e segs., informa que a primitiva Porta foi cons­truída em 1573: «Muitos escravos dos portugueses de Macau fugiam a seus donos e iam praticar roubos nas povoações da ilha de Hian Chan (Heung-Shan, hoje Chong-Shan). Este facto deu motivo, em 1573, à construção da muralha e bairreira do istmo, a que os nos­sos ficavam chamando «Porta do Cerco» e os chinas «Kuan-Chap».

Construída a «Porta do Cerco», foi acordado com os mandarins de Hian-Chan que ela se pudesse abrir somente dois dias em cada lua, que nesses dias os chinas fizessem mercado para os portugueses irem fornecer-se dos géneros que precisassem, que aos chinas fosse proibido entrar no estabelecimento e aos portugueses e mais es­trangeiros sair ao território chinês, e que a dita porta fosse guarda­da por soldados e um oficial chinês. Passados anos, e já depois existir o Senado, estabeleceu-se o mercado semanal, e o procurador recebia dos mandarins uma lista que designava os chinas a quem era permitido vir à cidade, continuando, porém, a ser proibido a todos habitar nela. Os que se encontravam sem licença, ou não mencio­nados na referida lista, eram presos à ordem do procurador como vagabundos. Afinal a Porta do Cerco passou a abrir-se todos os dias, o mercado internou-se e fixou-se: pouco a pouco, o zelo dos pro­curadores enfraqueceu, a brilhante e industriosa actividade chinesa insinuou-se, fez-se benquista, e foi construindo e multiplicando casas, lojas e oficinas».

A asserção de Marques Pereira de que o Porta do Cerco foi construída em 1573 tem sido seguida por todos os historiadores: mas o Ou Mun Kei-Leok (Monografia de Macau), a pág. 37, diz que foi no ano seguinte: «Os cumes de Chi’in-Sán enfrentam os cu­mes das colinas de Macau pelo lado sul e do mar. O norte do istmo é atravessado por um dique de areia de 10 lei (5,Km.36) de comprimento e 5 a 6 braços (21,m48) de largura. Na extremidade do istmo surge um monte que se desenvolve enroscando-se e forman­do como que o cálice de uma flor de loto. Este monte é conhecido por Lin-Fá-San (Monte de Loto). O istmo adoptou portanto o nome do monte.

No 2.° ano do reinado de Man-Lek (1574) construiu-se uma barreira a meio do istmo e os guardas incumbidos de a abrir e fe­char edificaram residências na sua parte superior, as quais com o tempo ficaram arruinadas.

No 12.° ano de Hon Hei (1674), o Magistrado Distrital, Sân–Leong-Hón, mandou repará-las e construir ao lado uma casa de governo para servir de alojamento aos que vigiavam os que passa­vam pela barreira».

A mesma Monografia diz a pág. 89: «Pela barreira da Porta do Cerco se deixavam passar todos os anos uns poucos de séàks (72 quilos) de arroz e, para isso, era ela aberta seis vezes ao mês depois de ser conjuntamente inspeccionada pelas autoridades civis e mili­tares».

Peter Mundy, que esteve em Macau em 1637, escreve: «Uma muralha entre os chinas e os portugueses; o fim a que se destina.

A cerca de 3/4 de milha de distância, existe um braço estreito de terreno, que liga com o resto a parte da ilha onde fica Macau. Neste estreito local, está levantada uma muralha que se estende de mar a mar, numa extensão de cerca de meio tiro de espingarda. Na dita muralha existe uma porta ou passagem com guardas chinas, que nenhum português pode transpor sem licença especial. E os escravos, que planeiam fugir de seus senhores se conseguem transpô–la, ficam livres de ulterior perseguição, e não são poucos que o fazem. Estes guardas exigem e cobram alguns direitos da gente do interior que traz provisões, etc. E em certas ocasiões de descon­tentamento com os portugueses essa porta é fechada, sendo im­pedida pelos chineses toda a forma de provisões, que os portugueses recebem deles, como nos foi contado» (C. R. Boxer, Macau na época da Restauração (Macau, 1942), p. 72.

Lyunsgstedt escrevia, em 1834, no seu Esboço Histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China: «No meio do muro há uma porta de comunicação, chamada a Porta do Cerco, guarda por alguns soldados e um oficial, para que nenhum estrangeiro possa passar além deste limite. No princípio, a porta, segundo Navarrete, era aberta só duas vezes ao mês; depois, cada cinco dias, para vender mantimentos aos degredados; agora abre-se ao romper da aurora».

R. Marim escreve em O renascimento do Município Macaense, 2.° Vol. p. 148-150: «Mas o desenvolvimento da população tais engulhos ocasionava às reacionárias autoridades cantonenses, que estas olvidando os valiosos serviços que anos antes lhes havíamos prestado, conseguiram em 1573 que o novo imperador (Van-Li) nos impusesse o pagamento anual de quinhentos taéis de foro pelo ter­reno que estávamos ocupando. Ao mesmo tempo, ergueram no istmo da península um muro com uma pequena porta abobadada ao centro, afim, diziam eles, de marcar o limite do território macaense. Era a Porta do Cerco que os chinas apelidam de Kuan-Chap, edificada pouco mais ou menos no local onde actualmente se encon­tra.

Reparavam os mandarins, com certo receio, no crescimento da população. Sabiam, por observação direta, que os portugueses não se levavam de vencida com facilidade em combate franco e leal. A Porta do Cerco, com o rótulo de marco divisionário de fronteiras, servir-lhes-ia admiràvelmente para travar qualquer pretensão da nossa parte de nos tornarmos independentes da sua autoridade ou qualquer instinto nosso de lhes conquistarmos o poder.

E tanto assim era que a Porta do Cerco, depois de construída, passou a abrir-se unicamente de quinze em quinze dias.

De modo que, como, pela via marítima, os víveres de que neces­sitávamos estavam já sujeitos ao controle e às alcavalas dos vários mandarins do mar, nada podendo ser importado em Macau sem o respectivo salvo-conduto, a Porta do Cerco era o meio excelente de que eles se serviriam para subordinar o nosso estômago às suas exigências. Enquanto pagássemos o foro ao imperador (o que era uma insignificanciã) e todas as contribuições que o vice-rei de Cantão e os mandarins de Hian-Chan nos lançassem (e a violência estava nisto), Macau teria arroz, carnes, hortaliça e todos os mais gêneros alimentícios de que necessitava para o seu consumo; no caso contrário, a porta deixava de se abrir (o que várias vezes su­cedeu) e a população citadina correria o risco de morrer à míngua…

Vê-se evidentemente o fim a atingir com a edificação da Porta do Cerco: 1.° — O estabelecimento de um único mercado onde os portugueses teriam de adquirir os gêneros de consumo em dias determinados pelas autoridades de Cantão; 2.° — Tolher o desen­volvimento da progressiva Amacau com a proibição de nela entrarem os chineses que voluntariamente escolhessem a civilização moralizadora dos europeus de preferência à jurisdição venal das autori­dades do seu país; 3.° — Impedir a penetração dos portugueses no seu território».

A 25 de Setembro de 1828, o mandarim da Casa Branca proi­biu os chineses de atirar pedras às casas vizinhas do Forte de S. An­tónio e de cometer outros distúrbios para exigirem a abertura das Portas do Cerco antes do tempo determinado, as quais costumavam ser abertas às 5h. a. m. e fechadas às 20 h., conservando-se as cha­ves em poder do Governo.

A Estrada das Portas do Cerco foi construída em 1875, segun­do se lê no Boletim Oficial de 13 de Fevereiro desse ano: «Vão bastante adiantados os trabalhos da estrada das portas do cerco; já se pode passar de carro desde a rampa dos cavalheiros (aliás cava­leiros) até ao ponto em que a estrada se liga com a denominada do Coelho do Amaral, que vem a S. Antônio.»

A 18 de Março de 1928 foi inaugurada pelos governadores de Macau e Hong Kong, Artur Tamagnini Barbosa e Sir Cecil Clementi e autoridades chinesas a Estrada que vai das Portas do Cerco a Seak-Kei, com uma procissão de milhares de pessoas, que mar­charam da aldeia de Tch’in-San até Macau.

O actual arco da Porta do Cerco foi levantado para honrar a memória do Governador Ferreira do Amaral, a 31 de Outubro de 1871, durante o governo de Antônio Sérgio de Sousa (1868-1872).

Nele se lê esta inscrição:

«A Pátria honrai que a Pátria vos contempla»

O director das Obras Públicas, ten.coronel Francisco Jerónimo Luna, no seu relatório acerca das obras realizadas em Ma­cau, em 1871-1872, escrevia acerca do Arco das Portas do Cerco:

«Obra construída segundo o plano que achámos delineado, tendo sido inaugurado o seu acabamento, por ordem do governo da colônia, no dia 31 d’Outubro (1871) anniversario natalicio de S. Magestade Fidelissima El Rei o Sr. D. Luis 1.° Este cerco construido no caminho principal, que de Macau segue a varias povoações chinas é dedicado á memória do benemérito exgovernador — João Ferreira do Amaral, á tomada de Passeleão, conforme se acha publicado no Boletim Official do governo n.° 44, de 30 do referido mez».

No mesmo ano 1871 concluiram-se as obras da Praça da Victoria.

Templo budista Kun Iam Tong de 1627 em Macau

a entrada do templo

A religião mais praticada e predominante em Macau é o Budismo, muitas vezes associado com vários elementos e práticas de outras crenças ou filosofias tradicionais chinesas, como por exemplo do Confucionismo e do Taoísmo.  Conheçam assim, um grande templo budista que, para quem for visitar Macau, se torna uma visita obrigatória, pois é envolto de muito misticismo que até influiu na fotografia do seu interior.

clicar nas fotos para aumentar

O Templo de Kun Iam Tong é um dos três maiores e mais ricos templos budistas de Macau e, originalmente, era chamado de “Pou Chai Sim Un” (Templo de Pou Chai). É considerado como um dos templos mais antigos de Macau e foi fundado no séc. XIII para venerar a Kun Iam, a Deusa chinesa da Misericórdia ou da Compaixão. Os edifícos actuais do templo foram construídos em 1627, facto comprovado por uma laje do pátio onde está escrito, em chinês: “Construído no sétimo mês do sétimo ano do reinado do Imperador Tian Qi”. O Templo localiza-se na Avenida do Coronel Mesquita, na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, perto de Mong-Há e dos Templos de Kun Iam Tchai e de Seng Wong.

pátio principal do templo

O templo possui um grande portão de entrada e telhados adornados com figuras de porcelana. Dentro do templo, existem 3 pavilhões principais ricamente decorados que são separados por 2 pátios. Estes pavilhões são dedicados, respectivamente, aos Três Budas Preciosos, ao Buda da Longevidade e a Kun Iam. No terceiro pavilhão, a estátua de Kun Iam está vestida de seda bordada e decorada com uma coroa em franja, que é substituída anualmente. É acompanhada por 18 Budas de cada lado do altar. Atrás destes pavilhões existem jardins com terraços, e um deles contém um arco comemorativo. Para além do valor arquitectónico e artístico do templo, dada à sua rica decoração, ele guarda uma grande quantidade de documentos importantes e rolos de caligrafia e pintura chinesas de autores famosos como, por exemplo, Qu Dajun. Durante a Segunda Guerra Mundial, o pintor chinês Gao Jianfu viveu e ensinou no templo.

Foi precisamente numa mesa de pedra localizado num dos jardins do templo que foi assinado o primeiro tratado sinoamericano em 3 de Julho de 1844 pelo Vice-Rei de Cantão, Ki Jing, e o ministro Caleb Cushing dos E.U.A.. Este tratado é conhecido como o “Tratado Sino-Americano de Mong-Há”. Perto da mesa, existem 4 árvores de idade avançada com ramos entrelaçados, mais conhecidas de “árvores dos amantes” e que simbolizam a fidelidade conjugal. Noutras partes do jardim existem um pequeno pavilhão que contém uma estátua de mármore de um monge, várias fontes com a forma de paisagens chinesas em miniatura, tufos de bambú e pequenos nichos em honra de monges falecidos.

A festa de Kun Iam é celebrada no 19º dia do segundo, sexto, nono e décimo primeiro meses lunares.

* Fonte: Wikipédia

As divindades do templo são: Kum Iam, Tin Hau, Kuan Tai, Shakyamuni, Buda de Iok Si , Buda de Teichong e Sap Wong. (fonte: Na Afirmação de Uma Identidade – ICM)

 

Macau no passado, de 1900 a 1930

Pesquisando os meus e-mails antigos de 2004 para cá, achei estas 14 fotos que mostram a Macau de 1900 a 1930. Procurei aumentar o tamanho e melhorar um pouco mais a imagem com mais brilho e contraste.  Infelizmente não conheço a escrita chinesa e não saberia dizer o que está escrito nas fotos.  Para os visitantes que não conhecem Macau, vai legenda a título de informação. Boa viagem ao passado:

Ruínas de São Paulo (informação: incendiou-se a igreja sobrando apenas a fachada Hoje é a principal atração turística de Macau)

O antigo Hotel Bela Vista que hoje é a residência oficial do cônsul português em Macau

mulheres a fazer os seus trabalhos manuais na calçada da rua, um velho costume chinês

A Fortaleza do Monte que hoje é o Museu de Macau. Foi daqui que um jesuíta, com boa pontaria, acertou com um tiro de canhão uma nau com farta munição, de uma frota de navios holandeses que pretendiam apoderar-se de Macau nos tempos antigos.

Vendia-se de tudo, inclusive selos. O ambulante deveria ser chinês, mas a sua aparência parece meio ocidentalizada, observem!

Deveria ser uma família rica portuguesa com suas criadas e um cúlei devidamente uniformizado e que seria o "motorista" particular.

O Leal Senado que seria equivalente à Câmara Municipal com escudo português acima da inscrição. Após a devolução de Macau para a China, o letreiro e o escudo foram retirados. Abriga uma rica biblioteca e um jardim interno português preservados até hoje. Para quem conhece, observe o telhado à mostra que hoje já não é mais visível.

Imóveis residenciais e de diversos usos muitos no estilo português que hoje estão substituídos por prédios de todos os tamanhos, sem preocupação com a preservação.

Mercado Vermelho que ainda existe até hoje com a mesma função.

Desconheço, porém uma certeza, no lugar do campo, residências e vegetação estão prédios e mais prédios para abrigar os seus mais de 500 mil habitantes de Macau

Tenho cá minhas dúvidas sobre estas edificações de onde seriam???

Pode-se ver a Igreja de São Domingos e a Rua do Campo. Veja a foto abaixo, pois tirei uma similar, por coincidência, em 2010.

Extrato das memórias do 25 de Abril em Macau

“25 de Abril” ou a Revolução dos Cravos, significou o fim do regime ditatorial do Estado Novo vigente desde 1933 em Portugal. Foi um golpe de Estado militar que ocorreu em 1974. Os jornais da distante Macau somente noticiaram o golpe dois dias depois, no dia 27.

Trago aqui um extrato das memórias do 25 de Abril em Macau publicadas na Revista Macau, edição de Abril de 1994, de autoria de João Guedes sob o título “A Oriente da Revolução”.

UM CANTOR DEU AS NOVIDADES

Em 25 de Abril de 1974, as notícias da revolução portuguesa foram conhecidas em Macau com quase o mesmo atraso que as da implantação da República, 64 anos antes. Os jornais noticiaram o facto apenas a 27 de Abril, quase como os seus antecessores de 1910, e mesmo a rádio, novidade que não existia nos tempos da República, teria sido batida pelos diários se não se fosse um famoso artista do nacional-cançonetismo levar as notícias ao conhecimento do noticiarista da Emissora. O portador de tão inesperadas novas foi Rui de Mascarenhas, vedeta portuguesa que actuava todas as noites no palco do luxuoso restaurante Portas do Sol, do Hotel Lisboa. Invariavelmente, depois do show, dirigia-se aos estúdios da Rua Francisco Xavier Pereira, juntando-se ao animado grupo que, habitualmente, acompanhava Alberto Alecrim no seu “Vamos Jogar no Totobola”, espaço radiofónico que não tratava do futebol e, sim, recebia as novidades, retransmitindo-as com humor para a cidade.

Dessa vez, porém, o caso era sério e necessitava da confirmação que os telexes, sobre os quais o grupo se debruçou ansioso, não forneciam. Para além do telefonema militar chegado ao chefe de gabinete, o público teve acesso às notícias através do serviço radiofônico mundial da BBC (retransmitido pelas rádios de Hong Kong, que registavam largas audiências em Macau). Só depois de feitas as traduções foi possível a Alecrim transmitir o pouco ainda que se sabia sobre a Revolução dos Cravos à comunidade portuguesa, em casa, colada aos receptores.

Como soube Rui de Mascarenhas das novidades, ninguém se recorda, e talvez já não se possa saber.

Rui de Mascarenhas morreu em 1990…

O SEGUNDO TELEGRAMA

O Conselho Legislativo de Macau enviou um telegrama de apoio incondicional ao regime de Marcelo Caetano que chegou no dia da Revolução dos Cravos.  E assim que souberam das notícias do golpe de Estado, mandaram novo telegrama com texto semelhante ao anterior, só que, desta vez endereçado à Junta de Salvação Nacional.

O Conselho Legislativo de Macau tinha tido azar. Por unanimidade e aclamação enviara ao Governo de Lisboa um telegrama de apoio incondicional ao regime de Marcelo Caetano. Telegrama falaz que arribou a S. Bento precisamente no dia em que Marcelo Caetano se refugiava no Carmo, nunca dele tendo tido conhecimento. Sabidos, em Macau, os desenvolvimentos subsequentes, o mesmo conselho decidiu enviar para Lisboa um texto semelhante ao anterior, mas desta vez dirigido à Junta de Salvação Nacional que dirigia agora os destinos da pátria. Tal como antes, a Assembléia aprovou de pé e por unanimidade a nova manifestação de fé. Por unanimidade, não! Uma deputada, Graciete Batalha, ficou sentada…

É ela própria que regista nas suas memórias o que aconteceu nesse dia 29 de Abril de 1974:

Quem aprova levanta-se, quem não aprova deixa-se ficar sentado – diz o Governador, como é costume nestas votações.

Toda a Assembléia novamente de pé (o proponente do primeiro telegrama teve o bom senso de ficarem casa)- toda a Assembléia de pé, menos uma mulher caturra que se deixou ficar sentada ante os olhares estarrecidos duma fila de assistentes à sessão, mesmo def

Henrique de Senna Fernandes revela "fui até eu que redigi o telegrama (o primeiro) que seguiu para Lisboa .. eu fi-lo com convicção ..."

ronte da sua cadeira. Ainda agora me divirto ao lembrar aqueles olhares de espanto. “Estará louca?”, pareciam dizer.

Quando todos se sentaram levantei-me eu e disse mais ou menos isto, como deve constar nas gravações do dia: – Senhor Gover

nador, peço licença para explicara minha atitude. Eu não tenho nada contra a Junta de Salvação Nacional, mas termos mandado há cinco dias um telegrama a apoiar a política do Primeiro Ministro Marcelo Caetano e mandarmos hoje outro, apoiando uma política completamente

oposta, é contra a minha maneira de ser. Além disso, não creio que fôssemos constrangidos a aprovar o primeiro telegrama. Se o Sr. Vogai A. M. foi constrangido, não sei; eu não fui. Concordo plenamente que se agradeça a manutenção de V. Exa. em Macau, porque isso é certamente motivo de regozijo para todos nós. Mas acho muito cedo para dizer mais do que isso. Claro que tal actuação, como a que eu estava a sugerir, era absolutamente inviável em boa política… O Governador, olhava para mim, siderado, mas, diga-se a verdade, recompôs-se rapidamente e não alterou a sua costumada gentileza: – Não reparei que tinha ficado sentada…

in Bom Dia, S’tora!, Macau, 1991

38 Democratas de Macau subscreveram o telegrama abaixo de apoio ao novo regime, num jantar no restaurante Fat Siu Lau (foto acima) a 30 de Abril

MACAU É UMA JÓIA RARA

Tanto para os democratas como para os conservadores de Macau, as notícias da eclosão do 25 de Abril de 1974 causaram generalizada satisfação. Para os primeiros, abria-se uma nova era de liberdade. Para os outros, entreabria-se a possibilidade de conseguir a tão almejada autonomia do território ansiada desde os idos da revolução de 1822. No entanto, passada a euforia inicial, uma parte da população, incluindo a comunidade chinesa, começou a ter alguns receios pelo futuro. A descolonização tomava a prioridade em todas as agendas de Lisboa e nenhuma indicação chegava que permitisse claramente depreender que Macau seria tratada de maneira diferente de Angola, Moçambique, Guiné, ou Timor.

É neste contexto de receio que o ministro da Coordenação Interterritorial do primeiro Governo provisório efectua a sua primeira deslocação ao Oriente, uma deslocação vista com ansiedade não só por Macau, como também pela vizinha Hong Kong, onde o governador enviou insistentes telegramas a Almeida Santos para se encontrar com este antes de embarcar no hydrofoil para Macau. Almeida Santos encontrou-se de facto com o governador britânico e procurou tranqüilizá-lo.

Foi em razão dos receios crescentes que se sentiam em Macau que Almeida Santos, depois de ter estado em Timor, onde se colocava de facto um problema de descolonização, decidiu passar por Macau. Quando chegou, constatou as informações que possuía:

Quando cheguei havia uma grande ansiedade de facto. A pataca tinha baixado de cotação e as pessoas estavam preocupadas. Qual vai ser o futuro de Macau? E eu pude fazer uma comunicação pública num teatro da cidade em que afirmei: Macau é uma jóia rara. É um caso especial, para nós não é uma colônia. Para Macau não se põe o problema de nenhum processo de descolonização. Isso aquietou os ânimos.

O MFA – Movimento das Forças Armadas após a revolução substituiu o Governador Nobre de Carvalho por Garcia Leandro

Os tempos de Pen Pals e Fab Young, Macau e HK 1967

O Fabulous Young era uma publicação mensal de Hong Kong cujo tema era principalmente a música e um pouco da moda.  Falava dos grupos musicais de Hong Kong e internacionais, e às vezes dos músicos de Macau.  Nele procuravamos por Pen Pals (amigos por correspondência) cujo perfil era do nosso agrado, ou então por notícias e endereços de fãs clubes desse ou daquele conjunto musical, e tantas outras coisas relacionadas ao mundo musical e dos jovens.  O preço do exemplar era muito barato, mesmo na época.  Se convertido à cotação de hoje, de HK$ para US$, o preço seria de US$ 0,05, que mesmo se multiplicarmos por 10x por conta da inflação, ficaria em US$ 0,50, ou MO$ 4,00 ou R$ 0,90.

Este era o formulário para preencher os seus dados e preferências/passatempos (hobbies) para ter o seu anúncio publicado.

Os chineses gostavam de adotar nomes de artistas e músicos como Mc.Cartney, Lennon, Hanky Panky, Anka, etc. como aparece na imagem acima, ou abaixo,  Era moda e o é ainda, de um certo modo, os chineses adotarem nomes de “guerra” estrangeiros, como Alice, Thomas, Cynthia etc. Gostavam muito de se “ocidentalizar”.  Os chineses de Hong Kong eram sempre mais modernos que os de Macau, assim como as mulheres eram mais bonitas e elegantes:

Na última página aparecia a escolha do Pop Group (grupo de música Pop) do mês.  Nesta edição o escolhido foi o afamado grupo Lotus com o seu mais recente traje:

Enquanto isso, havia anúncios dos últimos lançamentos de discos em vinil disponíveis nas lojas:

Havia uma seção para notícias e os dados de Fan Clubs (fãs clubes) com os nomes dos seus membros.  Veja a filial de Macau do fã clube dos Thunderbirds:

Nesta edição, a falar sobre moda, traz as fotos dos filhos do magnata Stanley Ho, dono de vários casinos em Macau.  Conta o jornal que Robert e Jenny Ho estavam de passeio a Hong Kong, após terem se graduado em Millfield, uma das mais caras universidades na Inglaterra, em Sommerset.  Vestiam a última moda da Inglaterra e de Paris, onde Robert comprava suas roupas na Pierre Cardin:

A História de Macau, segundo o Livro da RAEM

Macau no passado do livro "Ou Mun Kei Leoc" Monografia de Macau

Muitos conhecem a História de Macau conforme contada pelos portugueses, porém nem tantos leram o que podemos dizer de: a versão chinesa. Assim, entendo que é justo publicá-la.  A História abaixo foi copiada tal como consta do livro “Macau 2003 Livro do Ano” publicado pelo Gabinete de Comunicação Social de Macau:

* RAEM é a denominação oficial de Macau após a transição para a R.P. da China:- Região Administrativa Especial de Macau

Macau Foi Sempre Parte Integrante da China

Desde sempre, Macau foi parte integrante da China. Já nos primórdios da unificação dos reinos chineses, pelo Imperador Qin Shihuang, Macau figurava na planta da China, sob jurisdição do Jun. (*1) de Nanhai, distrito de Panyu, e daí passando para a jurisdição do Jun de Dongguan, a partir da era Jin, até ao estabelecimento da era Sui, quando Macau regressou à tutela do distrito de Panyu. Com a fundação da era Tang, Macau retornou para o distrito de Dongguan. O ano 22 da dinastia Song do Sul, 1152, reinado de Shao Xing, marcaria a desanexação de Guangdong dos distritos de Nanhai, Punyu, Xinhuí e Dongguan, e suas ilhas ao largo da costa chinesa, que passaram a formar o distrito de Xiangshan, nele integrando Macau.

A denominação em chinês do nome de Macau conheceu várias versões – Haojing (Espelho da Ostra), Jinghai (Mar do Espelho), Haojiang, Haijing, Jinghu (O Lago do Espelho), Haojingao e Majiao. Sendo Haojing a nomenclatura mais antiga encontrada em registo escrito. A referência mais antiga da actual denominação, Aomen, foi encontrada em 1564, (ano 43 do imperador Jiajing, da dinastia Ming), no relatório que Pang Shangpeng submeteu ao imperador e segundo o qual «… a Sul de Guangdong, se localiza o distrito de Xiangshan, encostado ao mar, desde Yongmai a Haojingao, a distância é de um dia de viagem. Em Haojingao há duas colinas dispostas frente a frente, como duas torres, denominadas por Nantai (Torre do Sul) e Beitai (Torre do Norte), ou seja Macau, ladeado de mar, onde povos estrangeiros aportam para fazer comércio…»

No Aomen Jilue «Crônicas de Macau», editado durante o reinado de Qianlong (1736), pode ler-se «a designação Haojingao remonta à história Ming, que lhe dá o nome de Macau, a Sul despontam-se quatro colinas, banhadas por águas de mar, em longitude e latitude, cruzando-se, sendo por isso chamada a «Porta de Cruz» ou «Aomen».

O mais remoto registo do nome de Macau pode ser encontrado numa carta do escritor português Fernão Mendes Pinto, datada de 20 de Novembro de 1555.

A partir do Século XV, Portugal começou a expandir o comércio até o Oriente, estabelecendo contactos, e fixando-se em territórios de África e da Ásia. Em 1553, invocando o pretexto de secar mercadorias alagadas, os portugueses obtiveram autorização das autoridades chinesas locais para permanecerem temporariamente na península de Macau e fazerem comércio, mediante o pagamento de um foro ao Governo chinês, prática que teve início por alturas de 1573.

(*1) zona administrativa da antigüidade, de categoria inferior a distrito

O Exercício da Soberania pelos Governos das Dinastias Qing e Ming

Desde a ocupação pelos portugueses, até 300 anos antes da Guerra do Ópio, a soberania de Macau pertenceu às dinastias Ming e Qingx cujos governos administravam o território segundo a lei, cobravam impostos, estabeleciam serviços governamentais e tribunais, tropas e alfândega, gerindo, enfim, Macau, dentro dos princípios que definem a soberania, nas questões de solos, tropas, justiça e aduaneiras.

No exercício desta soberania, os governos das dinastias Ming e Qing adoptaram a política de «controlar os estrangeiros por meio de estrangeiros», permitindo que os portugueses administrassem os seus próprios assuntos e gerissem as suas causas autonomamente, para que pudessem ser mantidos o esquema económico e a ordem social dos bairros onde residiam. Em 1583, os portugueses de Macau estabeleceram um senado, encarregue de tratar os assuntos de foro interno dos portugueses. As instituições e organismos dos portugueses de Macau não possuíam, assim, no plano político e dentro do contexto de soberania, a natureza de órgãos institucionais, tratando-se tão somente de uma gestão por delegação de poderes pelos governos de Ming e Qing.

Macau no desenho de Cheong Pow, datado de 1818

A Ocupação Portuguesa e o “Tratado Amigável de Comércio Sino-Português”

Finda a Guerra do Ópio, os governos da China e Grã-Bretanha assinaram o «Tratado de Nan Jing», com o Governo Qing a conceder a parcela de Hong Kong aos britânicos, acontecimento que os portugueses aproveitaram para fazer valer algumas reivindicações, como a isenção do pagamento de foros e para ocupar gradualmente Macau, obrigando em 1887 o Governo Qing a assinar o «Tratado Amigável de Comércio Sino-Português», através do qual os portugueses adquiriram o «direito de gerir definitivamente Macau». Em 1928, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China declarou formalmente junto da parte portuguesa a nulidade do tratado.

Assinatura da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa

Após a sua fundação, em 1949, a República Popular da China declarou o não reconhecimento de todos os tratados firmados em condições de falta de equidade, tendo, em 8 de Março de 1972, enviado uma carta à Comissão de Descolonização da ONU, manifestando a sua posição em relação aos territórios de Hong Kong e Macau. Em 8 de Fevereiro de 1979, aquando do estabelecimento das relações diplomáticas, China e Portugal, acordaram quanto à questão de Macau – um território chinês sob administração portuguesa, uma questão legada pela História que em altura oportuna seria objecto de solução, através de negociações amistosas.

A questão de Macau surgiu na ordem do dia das negociações, depois de solucionado o problema relativo a Hong Kong em 1984, com o início das negociações Sino-Portuguesas, em Junho de 1986, as quais se estenderam por um total de quatro rondas. Em Março de 1987, as duas partes chegaram a um consenso quanto aos termos dos acordos e memorandos, dando-se assim as conversações por concluídas, com êxito, a 23 do mesmo mês. No dia 26 de Março de 1987, a China e Portugal rubricaram em Pequim, no Palácio do Povo, a Declaração Conjunta Sino–Portuguesa. De um lado interveio Zhou Nan, ministro dos Negócios Estrangeiros Chineses e do outro lado o embaixador Rui Medina, ambos chefes das delegações dos respectivos países.

A 13 de Abril de 1987, a China e Portugal assinaram formalmente a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa, pela mão dos respectivos primeiros-ministros, Zhao Ziyang e Cavaco Silva, em cerimônia solene realizada no mesmo palácio, com a presença de Deng Xiaoping. O documento, que estabelece a retoma do exercício de soberania sobre Macau pela República Popular da China, foi ratificado pelos parlamentos dos dois países, respectivamente em Junho e Dezembro do mesmo ano. Em 15 de Janeiro de 1988, a Declaração entrou em vigor, iniciando-se o Período de Transição que antecedeu a transferência dos poderes políticos.

O Presidente da R.P. da China Jiang Zemin cumprimenta o Presidente de Portugal Jorge Sampaio na cerimónia de transição de Macau.

Elaboração da Lei Básica e Período de Transição

Um ano depois, a 13 de Abril de 1988, na primeira reunião da VII Assembléia Popular Nacional (APN) foi deliberada a criação da Comissão de Elaboração de Lei Básica de Macau onde se consagrarão as orientações políticas e a legislação a aplicar no território. No dia 5 de Maio, a Comissão Permanente da APN aprovou a composição da Comissão, constituída por personalidades da China e de Macau. Após quatro anos de pesquisas, passando por um processo alargado de consultas públicas e debates realizados de forma democrática, a Comissão aprovou o projecto da Lei Básica, concluindo-se também os trabalhos de selecção dos desenhos da bandeira e emblema da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

A Lei Básica da RAEM da República Popular da China foi aprovada em sessão da APN realizada em 31 de Março de 1993, incluindo os respectivos anexos e os desenhos da bandeira e do emblema. No mesmo dia, em decreto presidencial, Jiang Zemin, promulgou a referida lei para vigorar a partir de 20 de Dezembro de 1999.

O Período de Transição – de 15 de Janeiro de 1988 a 20 de Dezembro de 1999 – serviu essencialmente para assegurar a manutenção da estabilidade social, o fomento do progresso econômico e criar condições para uma transferência sem sobressaltos.

Conforme determina a Declaração Conjunta, a China e Portugal criaram o Grupo de Ligação Conjunto e o Grupo de Terras para a resolução das questões relacionadas com a transição, tendo sido alcançados consensos relativamente à construção do aeroporto internacional de Macau, à participação do Banco da China na emissão de notas e revisão do contrato de jogos.

Outras questões de relevante interesse como sejam a localização de quadros da Administração Pública, a localização das leis e o estatuto oficial da língua chinesa, obtiveram igualmente resultados positivos.

Em 29 de Abril de 1998, a Comissão Permanente da APN, na sua segunda reunião, aprovou a composição da Comissão Preparatória do Estabelecimento da RAEM, a qual tomou posse em Pequim em 5 de Maio do mesmo ano e tendo como principal missão a criação da Comissão de Eleição do Primeiro Governo da RAEM, responsável pela eleição do primeiro Chefe do Executivo da RAEM, composta por 200 membros, de entre cidadãos residentes permanentes de Macau e representantes dos sectores sociais.

No dia 15 de Maio de 1999, a Comissão realizou a sua terceira sessão, elegendo, sob votação secreta, Edmund Hau Wah Ho, para o cargo de primeiro Chefe do Executivo da RAEM, eleição que foi confirmada em 24 de Maio, pelo Decreto n.° 264 do Conselho de Estado Chinês, assinado pelo Primeiro-Ministro Zhu Rongji.

Edmund Hau Wah Ho tomou posse do cargo em 20 de Dezembro de 1999.

A cerimónia de transição de Macau em 20 de Dezembro de 1999

Macau Censos 2011: somos poucos …

Macaenses e Portugueses são só 0,9% da população de Macau. Clicar na imagem para aumentar e depois + 1 vez.. Foto e montagem por Rogério P.D. Luz. Macau 2006.

Nesta semana a imprensa de Macau publicou informação da Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos sobre a população de Macau, com base em dados levantados até Agosto de 2011.  Veja as estatísticas:

a)  População em Agosto 2011 – 552.503 habitantes, em relação a 2001, houve aumento de 117.268 pessoas, ou, a população de Macau no Censo de 2001 era de 435.235 habitantes, ou, aumentou 26,94% em 10 anos. Para curiosidade, em 1996, a população era de 415.172 (Macau 2003-Livro do Ano)

b) Composição da população macaense/portuguesa:-

População com ascendência portuguesa (macaenses) – 3.485 habitantes (0,6% da população), em 2001 eram 2.810

Os nascidos em Portugal são 1.835 pessoas (0,3% da população)

Macaenses e portugueses de Portugal  somam 0,9% (diminuição de 1,1% em relação a 2001) ou 5.320 habitantes

c) Composição da população chinesa e de outras procedências:-

59,1% da população não nasceu em Macau, dos quais, 46,2% são originários do continente da China

3,5% são naturais de Hong Kong ou 19.235 residentes

Outras nacionalidades: 6,8% da população ou 37.695 pessoas, 2,7% são filipinos

d) A língua que falam:-

83,3% falam o cantonense

5,00% falam o mandarim

2,3% falam o inglês

0,7% tem o português como língua corrente

2.4% falam a língua portuguesa, ou seja, 1,5% da população que fala a língua não tem ascendência portuguesa ou não são portugueses

e) Idade:-

11,9% tem idade até 14 anos ou 65.870 pessoas (queda de 30,1% em relação a 2001)

44,4% tem idade entre 15 a 64 anos

26,1% são maiores de 65 anos, ou, 8.276 pessoas

Idade média da população é de 37 anos (mais 3,7 anos em relação a 2001)

f) Moradia:-

70,8% da população mora em casa própria (queda de 6,1% em relação a 2001)

24,5% moram em casa arrendada (aluguel/aluguer), aumentou 5,5% em relação a 2001

59,1% da população não nasceu em Macau, sendo 46,2% originários do continente da China

Navio Costa Fascinosa que virá ao Brasil neste ano cabe 3.780 passageiros e tem 1.100 tripulantes, num total de 4.880 pessoas. Poderia caber todos os macaenses de Macau (3.485 pessoas) e quase todos os portugueses de Portugal (1.835) que são no total 5.320. Ficariam de fora 440 pessoas, ou até poderiam ser acomodadas precariamente. Isto é, o navio poderia caber toda a população portuguesa de Macau, sem levar em consideração a questão de passageiros/tripulantes.

Pelo que vi, apesar de já ser um facto já sabido há anos, somos poucos, os macaenses e portugueses eram apenas 5.320 pessoas até Agosto de 2011.  Salvo erro, corrijam-me por favor se for o caso, os números giravam em torno de 20 a 30 mil no início dos anos 70 (???).  Fico a perguntar por não possuir dados, hoje, em 2012, quantos somos considerando:

a) Comunidade Macaense: residentes em Macau + diáspora = ???

b) macaenses nascidos em Macau: residentes + diáspora = ???

* considerei Comunidade Macaense num sentido amplo daqueles naturais de Macau, e aqueles que de alguma forma têm ou tiveram ligação com Macau por parentesco ou por vivência ou sob qualquer outra forma  (trabalho, exército, por união matrimonial, etc)

* nascidos em Macau, os que tenham ascendência portuguesa ou que tenham estudado em escola portuguesa e naturalizados portugueses, ou aqueles que nasceram no exterior por mero acaso, como viagem dos pais ou curta estadia num País, como Timor ou Portugal.

Em a) poderia arriscar, com temor de estar a errar,  entre 10 a 15 mil? (uma base parcial para cálculo seria contar os sócios/associados das Casas de Macau e associações similares)

Em b) talvez uns 6 mil?

Comunidade Macaense de São Paulo recepciona Mário Brandão da Fundação Oriente em Fevereiro de 2011

No Estado de São Paulo, Brasil, arriscaria dizer que: a) como Comunidade Macaense, talvez entre 500 a 600?; b) em termos de Brasil, a Comunidade poderia somar até uns 1 mil?

Porém, como Macaenses naturais de Macau, no Estado de São Paulo, mais ou menos 120 pessoas.  Em termos de Brasil, até 200?

Que me corrijam por favor, pois são cálculos pessoais numa visão muito genérica em relação ao Brasil e o Estado de São Paulo.  Não há dados precisos ou até possíveis de especular.  Somente temos uma certeza, a Comunidade Macaense num sentido amplo de enquadramento das pessoas pode até aumentar, por conta de nascimentos e união matrimonial, mas em termos de Naturais de Macau, estamos diminuindo pouco a pouco, por conta de óbitos e uma população envelhecida, como eu com os meus 61 anos. Não se registra mais emigração de Naturais de Macau para o Brasil, salvo uma exceção ou outra, mas difícil de ouvir.  Mais certo é ouvir a partida para o Exterior.

Quanto ao Censo de Macau 2011, julgo que o crescente aumento da população por conta da vinda de indivíduos do continente chinês, deverá aos poucos mudar Macau pela ausência de ligação com a sua história.

Em resumo, por tudo o que foi escrito aqui nesta postagem, posso dizer em termos de Macaenses:

Somos Poucos

Macau visto por um brasileiro, num dia !!!???

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

Na Página “Sua Mensagem” (link no topo) vi a mensagem do Pietro Ferreira (brasileiro de Rio de Janeiro), que aproveitando a visita a Hong Kong, deu um pulo em Macau, e num dia só (???!!!) fez um monte de fotos de diversos locais, e acho, deve ter dado uma paradinha para almoçar.  Não sei como fez tudo isso num dia, de avião??? hehehe, e olha que ainda foi para Taipa … Mesmo de carro, onde ia estacionar a toda hora, nessa Macau “sem estacionamentos”?  A pé, só se tivesse corrido … bom, brincadeiras à parte, Pietro, parabéns, que façanha, realmente tudo isso num dia é meio difícil, mas conseguiu!!!

Se me deixar, vou publicar quatro fotos para chamar atenção para o seu álbum, tanto no Skycrapercity bem como no FlickR (veja links abaixo).  Cuidado, se bobear vou piratear umas fotos inéditas e dizer que fui eu que os tirei … hehehe … pode ficar calmo que se fizer isso, vou atribuir crédito à sua pessoa.  Aliás vendo a lista dos seus álbuns no FlickR, dá para perceber que é um cara bem viajado, coisa de “invejar“.  Muito bom, viajar é a melhor coisa da vida.  Fico feliz a ver que este blog te alcançou!!!

Fotografia é assim, cada um tem um olhar diferente.  Você nunca é o melhor e nem tem olhar único.  Um fotógrafo assíduo de Macau como eu, posso passar num mesmo lugar toda vez que viajo para lá e não conseguir enxergar um ângulo que o Pietro viu, e é o que aconteceu em algumas fotos.   Parabéns Pietro Ferreira, gostei das suas fotos e dei destaque em post.  Muito boas!

Veja mais de 60 fotos de Macau sob o ponto de vista de um brasileiro do Rio de Janeiro, neste link

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1505324

E suas fotos do mundo nos seus álbuns no FlickR: http://www.flickr.com/photos/pietro_f/sets/

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

 

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

 

 

Músicas dos anos 60 que ouviamos em Macau

Sou um saudosista, motivo das minhas publicações na Internet, e a música dos anos 60, a internacional, desperta uma saudade enorme dos velhos tempos da minha infância e juventude em Macau.  Tal como no Brasil com a “Jovem Guarda” ainda na moda e sempre relembrada.  Só que em Macau, não tinhamos na época “música nacional”, já pensou se houvesse MPM-Música Popular Macaense?  Ouviamos música americana e inglesa, preferencialmente, mas também a italiana era muito apreciada.

A respeito, tenho feito postagens de vídeos dos anos 60, com base nos livrinhos de músicas publicadas em Hong Kong, que eram o Hit Songs e o Hit Parade, no fundo a mesma coisa do mesmo editor.  E como já faz um mês que publiquei a última, novamente abro outra postagem, dando preferência àquelas menos conhecidas para desafiar a memória.  Pode ser que um ou outro de vocês da época dos 60, vão dizer … huummm que música é essa??? … mas depois de ouvirem ou verem o vídeo da You Tube, vão dizer … aaahhh, lembro dessa … então, vamos lá? Matar as saudades dos tempos dourados dos anos 60, de música internacional?

Este é o livrinho Hit Songs da qual me baseei para selecionar as três músicas abaixo. A época da publicação era de 1965

Esta música BECAUSE do Dave Clark Five é uma melodia daquelas que mais gosto deste conjunto inglês.  Aliás, praticamente gosto de todas as músicas deles, e da banda, tanto quanto dos Beatles.  Veja o vídeo com as letras da música abaixo publicadas:

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Agora esta, THE CRYING GAME de Dave Berry, tive que ver o vídeo para lembrar-me dela.  Depois, então, eu disse … aaahh, agora lembro, gostava dela, até tenho gravado no meu inoperante gravador de rolo, uma pena ..

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Esta dos Honeycombs a cantar HAVE I THE RIGHT lembro bem, porém não sabia que a baterista era uma mulher.  Parece que era uma das pioneiras.  Veja o excelente performance dela:

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Macau 1992, vista aérea e densidade demográfica: saiba

Macau 1992. Foto de Wong Wai Hong

Passaram-se 20 anos desde que o fotógrafo Wong Wai Hong a bordo de um ultra-leve sobrevoou Macau a pouco mais de mil metros de altura.  Foram tiradas mais de mil fotos em vários sobrevoos.  O resultado do trabalho foi publicado em postais que comprei em 1994 em Macau.  A série foi patrocinada pelo Instituto Cultural de Macau e consta o editor como San Yu Tang, de Hong Kong.

Na foto abaixo, de autoria estampada e época desconhecida, podem ter uma idéia da evolução de Macau desde 1992,como os novos aterros (mais à direita), pontes, vias públicas e muitos prédios.  Macau aumentou de tamanho, e não para de aumentar.  Digamos que aumenta “a cada minuto” com as barcaças trazendo terra da China e despejando no mar, num trabalho de formiga, para formar novos aterros.

A seguir podem ver a única ponte que, em 1992, ligava a península de Macau às suas duas ilhas, Taipa e Coloane.  Taipa hoje em dia está ligada a Coloane por uma avenida.  Praticamente as duas ilhas ficaram uma só, e os aterros continuam … Taipa hoje abriga os mais modernos e espetaculares casinos de Macau, e se não bobear, supera Las Vegas como de fato já é uma realidade em termos de receita.  Na foto abaixo, podem ver que a primeira ilha, que é Taipa, era pouco habitada.  Hoje em dia, está entupida de casinos monumentais, um aeroporto e muitos prédios, estádios etc etc.  Torna-se opção de moradia por falta de espaço na península.  Além dessa ponte da foto, foram construídas mais duas para ligação a Macau. A ilha do fundo é Coloane e, por enquanto, está um tanto preservada com as suas áreas verdes.

Macau 1992. Foto de Wong Wai Hong

Macau, em 1992, ainda sob a administração portuguesa (foi devolvida para a China em Dez/1999) deveria ter cerca de 400 mil habitantes.  Hoje tem em torno de 570 mil.  Agora, aos leitores que não conhecem Macau, saiba que é um dos lugares do mundo com a maior densidade demográfica, com cerca de 19.000 pessoas por quilómetro quadrado.  Veja a foto abaixo de 1992, com a parte escurecida para delimitar a área da península Macau, para imaginar como os seus habitantes “se espremiam” neste pequeno espaço de cerca de 22 km2 (? em 92?).  A área escurecida já faz parte do continente da China, porém, mesmo que Macau hoje faça parte da nação chinesa, há uma fronteira para se cruzar, necessitando de visto.  O mesmo se aplica aos residentes chineses do outro lado da fronteira.  Isto é a China e este esquema de fronteiras também se aplica a muitas cidades dentro do continente.  Entre outras coisas, serve para controlar o fluxo migratório.

E, como diz o poeta macaenseAdé no nosso dialecto patoá: Macau Sã Assi … (Macau é assim)

* Agradecimentos ao fotógrafo e editores

Esta é a minha terra natal, MACAU

Já publiquei uns vídeos da minha terra natal, Macau.  E volto a publicar mais um, produzido pelo TravelGuru em inglês.  Gostei dele, é curtinho (6 mins.) mas um vídeo envolvente e dinâmico. Depois de vê-lo, dá aquela vontade de voltar lá para uma visita e matar as saudades. Deus queira, em Novembro de ano que vem, isto, se der …

Aos leitores que visitam este blog e não a conheçam, esta é a cidade de Macau que tanto se fala aqui, embora seja dos tempos atuais, após a transição para a China em Dezembro de 1999.  Boa viagem ao outro lado do mundo onde você vai ver um misto de cultura ocidental com a oriental, afinal foi colônia portuguesa.  Vai ver também muitos e muitos chineses, afinal de contas a população portuguesa e os macaenses, mestiços em geral, a falar o português é o mínimo, cerca de 2% dos por volta de 600 mil habitantes num espaço apertado de pouco menos de 30 km2.  Eramos mais, os falantes do português, mas antes da transição muitos partiram para o mundo exterior, alguns voltaram mas pouco significativo.  A língua portuguesa ainda é uma 2a. língua oficial com bastante visibilidade em anúncios externos, nomes de estabelecimentos etc., mas poucos a falam.  A prefeitura de São Paulo ainda não baixou por lá com a lei de “cidade limpa“.  Lá você vai ver cartazes de todos os tamanhos, anúncios à vontade, enfeites, luzes piscando, etc.  Os chineses gostam disso, faz parte da cultura deles, também, “it’s business“, com tantos casinos por lá.  Tanto que o mandatário nunca iria para lá, pois correria o risco de ter um “enfarte” ao ver toda esta “poluição visual“:

*Obrigado pela dica Maria “Mimi” do Rosário (Espanha)

LILAU, um texto de Cecília Jorge, Macau

Vejam o belo texto da macaense Cecília Jorge sobre Lilau, escrito em 1988 e publicado na edição de Outubro de 1996 da Revista Macau.  Fala daquele antigo Lilau que foi parcialmente demolido, conforme poderão ver nas primeiras fotos, e depois, poderão ver as fotos que fiz em 2010 na viagem para o Encontro, de como ficou nos dias de hoje.  O que foi preservado, acho, dá uma idéia do que era antes, mas tal igual, com certeza, não o é! Diante da volúpia para construir prédios mais prédios, acho que antes isso do que nada.  Só resta a gente conformar-se lamentando:

Lilau

A brisa

já não encontra o caminho

por entre os labirintos de prédios

que sitiam o casarão.

Brechas rasgam o cinzento em tufos de musgo verde

nos cantos húmidos

que plantas esconderam.

Abacates caem roídos pelos pássaros e insectos

abrindo-se estrepitosos no chão.

Romãs e anonas ressequiram nos ramos.

O que é feito?

Que é feito dos jasmins que

espalhados ao sabor do vento

nos perfumavam as madrugadas

e os crepúsculos?

(poema de Cecília Jorge)

Goiabas e carambolas são fruto proibido para os garotos que trepam às árvores saltando o muro que já não cumpre a função, arruinado pelas sevícias dos tufões e pelo abandono. Vale-lhes apenas o desafio da conquista, para se arrepiarem com a acidez da fruta. De lá do alto dos ramos, lançam-na, agastados a cada dentada, fazendo pontaria para ao menos acertar nos gatos que em baixo miam.

Nas traseiras do casarão deambulava-se dantes pelos magros passeios marginados de pedrinhas, por entre canteiros, arbustos e árvores, e de onde as crianças respondiam ao chamado dos pais, espreitando de soslaio pelas janelas escancaradas do salão.

Sorviam o café aromático de Timor e fumavam recostados em cadeiras de verga, distendidos, enquanto as ventoinhas chiavam emprestando frescura. Ouvia-se o noticiário, trazido pela voz radiofónica, roufenha, da Vila Verde. O velho Philips era caixote de ébano, com um olho verde de poder hipnótico para quem, às escondidas, e de cima de uma cadeira, rodasse curioso o botão das estações só para o ver piscar, com o silvo arrepiante da dessintonia.

Era a hora também da conversa mole, terminado que fora o almoço na mesa grande, a mesma que serviu três gerações, para depois sentir definhar a família, no curso apressado do destino.

Foram-se os pais. Os irmãos e filhos se seguiram… emigrando, morrendo, morrendo e emigrando. Silenciado o último chefe de família, precisamente aquele que mais enchera o vazio da sala com o seu vozeirão e jeito desbragados, nas anedotas e relatos picarescos das viagens de embarcadiço, o tecto ruiu, vedando para sempre o acesso ao salão.

Isolada ficou também a deserta gaiola dos canários, onde dúzias deles foram enchendo de chilreio alegre um casarão cada vez mais vazio de juventude.

Aos poucos se foram selando, uma a uma, cinco portas por onde durante tantos anos passaram adultos e crianças, velhas beatas da novena e da missa do bairro, rapazes vivaços em traje formal a caminho dos “assaltos”, desportistas, donzelas casadoiras, padres, hóspedes, negociantes e criadas. Por ela entraram porteiras e saíram ataúdes.

Não me dês pobreza vil,

Nem riqueza que me tente

Dá-me o necessário à vida

E viverei contente.

Um singelo azulejo trazido de Coimbra, junto à entrada, parecia predestinar o futuro da casa, que não o dos que nela viveram. Não houve muitos elementos comuns no percurso de quantos albergou e aos quais ultrapassou na lei da morte.

Trepadeiras e cactos colocados nos muros e a adornar um tanque de pedra onde chegaram a nadar peixes dourados, e cágados, para gáudio da pequenada, aguardavam apenas a derrocada do salão para tomar de assalto a zona de onde antes eram vigorosamente expulsos pelas tesouras do jardineiro, ao mínimo sinal de invasão.

A rainha da noite, aí plantada, era o orgulho da tia solteirona e um dos maiores mistérios da casa, para os mais pequenos, que todos os anos, ao findar do Verão, lutavam em vão contra o sono e o cansaço para a ver florir, imaculada e soberba, apenas por uma noite. Murcharia ao nascer do sol.

E a cascata de pedra? Ruiu, sob o peso dos escombros do salão que os operários, apressados, atiraram para o canto mais próximo, que era o tanque.

O matagal com várias tonalidades de verde, que hoje cobre os passeios, cresce com gosto, impante, pela reconquista final de uma zona de onde fora banido durante quase dois séculos, com a construção do casarão. Ocuparam-no mosquito vespas e cobras-capelo, tendo por sentinelas gigantescos cactos. As trepadeiras invadiram a casa, entrando pelas vidraças partidas com pedras lançadas dos prédios vizinhos, sobranceiros. num gozo selvático de destruição.

Dois pinheiros imponentes, que cresceram obedecendo somente aos ventos, guardavam os dois lances de escada encimados pelo terraço, palco da mal-contida indisciplina de dezenas de netos que. em dias de festa, pontuavam em fotos de família com a avó nonagenária. Ali enfrentaram, serenamente, os tufões, durante mais de três décadas, e ali continuaram, à espera do fim, não lhes cabendo prevê-lo, numa orgulhosa indiferença.

Um dia, o portão será fraco para manter ao largo máquinas e homens, ávidos a demolir, a ceifar, a aplanar, sem dó nem pausa. Em Macau, arrasa-se uma casa em poucas horas… Depois, outras máquinas se seguirão, mais violentas ainda, perfurando o jardim com vigas, desfigurando-o com muros, paredes de cimento e betão.

Onde havia a harmonia das paredes com as plantas, o vento e o sol, crescerá a selva cinzenta de dezenas de apartamentos, limitados e espremidos em

Um dia, o portão será fraco para manter ao largo máquinas e homens, ávidos a demolir, a ceifar, a aplanar, sem dó nem pausa. Em Macau, arrasa–se uma casa em poucas horas… Depois, outras máquinas se seguirão, mais violentas ainda, perfurando o jardim com vigas, desfigurando-o com muros, paredes de cimento e betão.

Onde havia a harmonia das paredes com as plantas, o vento e o sol, crescerá a selva cinzenta de dezenas de apartamentos, limitados e espremidos em escassa cubicagem, ao sabor da pataca.

Contra isso, nada valerá, sequer o matagal, porque a selva de betão é mais forte. No seu seio, nada cresce, a não ser a angústia de quem olha todos os dias através da pequena janela quadrada para uma floresta cinzenta e suja, onde o ruído das buzinas, dos motores e das britadeiras esconde o cantar de pássaros engaiolados. A verdura surge então submissa, contida em pequenos vasos, nas varandas e terraços.

Ao cheiro fétido da humidade mistura-se o odor oleoso dos fritos da vizinha e o escape de uma

viatura que acelera no rés-do-chão.

No Lilau, a humidade confundia-se antes com o perfume da relva molhada e das plantas, do musgo aveludado das pedras do muro, junto ao poço. A humidade estava na roupa imaculada que a lavadeira, A-Tchan, recolhia dos arames, ao fim da tarde, num cesto de verga. A humidade chiava e transformava-se em nuvens de vapor, enquanto ela a engomava, serena e sábia, contando histórias aos miúdos quedos e ansiosos, que faziam um cerco de banquinhos, em redor da tábua de “passar a ferro”, junto aos pivetes de incenso que ardiam no altar da Kun Iam. Escola da harmonia e do equilíbrio cósmico, onde se aprendia a cultivar virtude não importa em que religião.

E o sol entrava a jorros pelas varandas, frestas, portas e janelas, porque havia então espaço entre casas vizinhas, e as paredes eram caiadas. De branco, e verde, bege ou rosa.

Lilau: lendária pela água da sua fonte, hoje cantada até pelos que nunca a provaram mas juram seu feitiço.

A original fonte, dizem, há muito foi desviada. A bica secou, e também o poço do casarão de onde se tirava água fresca para beber, lavar e regar é hoje charco inquinado pela conduta de esgoto, rota de há anos, do prédio vizinho.

Mas no Lilau, apesar de tudo, há vida.

Teimosamente, as árvores continuam a verdejar e a dar frutos.

As magnólias de flores grandes, junto ao abacateiro, viam-se de longe. Os ternurentos chivits, os pardais e as pegas fizeram dali o seu santuário, banqueteando-se com goiabas e carambolas.

Apenas a brisa de sueste conhece o caminho para chegar ao casarão, acariciando de leve as folhas da macupeira.

Um cão rafeiro, vira-latas mas senhor absoluto das ruínas, caça ratos e persegue gatos. Vinga-se nos forasteiros, e ladra ao luar, tal como o fizeram os seus numerosos antecessores, todos eles sepultados ao pé das caramboleiras.

Duas velhas e dedicadas criadas, das que em meio século testemunharam, silenciosas, as histórias de vida e morte no casarão, recusam-se a abandoná-lo.

Tal como os pinheiros, desafiam, serenas, o futuro. Esperando apenas que a morte as livre de males inevitáveis e que o dia de amanhã não seja pior do que o de hoje.

CECÍLIA JORGE

Julho de 1988

Revista Macau Outubro 1996 / fotos acima publicadas na Revista

Nota: O casarão foi demolido, e a colina mais o jardim arrasados, em 1989. / Uma das velhas morreu, e a outra aguarda a sorte, num quarto alugado. / Sete anos depois, reconstruiu-se o Largo do Lilau, zona de patrimônio protegido.

Este é o Lilau que vi e fotografei em Dezembro de 2010

A desmontagem da estátua de Ferreira do Amaral de Macau, saiba …

Já fiz postagens a respeito da estátua do Governador Ferreira do Amaral, abandonada e descuidada num parque em Lisboa, Portugal.  Não tenho informações atualizadas de como ela está, mas tenho cá uma crónica de João Fernandes que nos conta, em 1993, como foi a remoção da estátua da Rotunda Ferreira do Amaral, diante do Banco da China e Hotel Lisboa.  Infelizmente o progresso e a modernidade de Macau, além de um comentário vindo do Continente vizinho: “é evidente que depois de 1999 não poderão ser mantidos em Macau monumentos que exaltem o período colonial“, acabaram sendo o motivo para ela ser despachada para Portugal.

Felizmente aquele comentário não se concretizou totalmente, pois alguns monumentos como as estátuas de Jorge Álvares e Vasco da Gama foram mantidas nos seus lugares. A sabedoria chinesa prevaleceu.

Veja a foto (“não recomendável para quem tem problemas cardíacos pois a imagem pode provocar fortes emoções”), é realmente uma cena muito triste, pois até parece que  o nosso Governador morreu pela segunda vez em Macau.  Até fiquei a pensar, aquando da sua inauguração nos idos tempos, deve ter havido aquele pomposo cerimonial com as tropas perfiladas, e a banda a tocar o hino nacional português além da população de língua portuguesa, pelo menos, a assistir.  E quando foi removida? Como foi? Eu estava aqui no Brasil e na época não tinha internet, não fiquei sabendo, infelizmente …

 

foto de Nuno Calçada Bastos

A ‘Crónica do Acaso’ de João Fernandes, Revista Macau Junho 1993:

FERREIRA DO AMARAL TORNOU A SER POLÉMICO

DENTRO de poucas semanas a nova fisionomia da Rotunda Ferreira do Amaral passará a fazer parte do quotidiano de Macau e não serão precisos muitos anos para que seja já difícil recordar como era antes, exactamente, aquela vasta praça e o local exacto onde estava colocada a estátua  equestre do antigo Governador.

O apear da estátua causou no entanto intensa polémica, que pelo facto de ter abrandado não deixa de continuar latente: deveria ou não retirar-se a estátua?

A pergunta foi posta pela primeira vez quando se encarou seriamente a idéia de dar um novo arranjo ao local, em grande parte servindo apenas para estacionamento de automóveis, o que claramente lhe retirava a dignidade que merecia. A pergunta foi-me mesmo apresentada a título privado, tendo-me, então, pronunciado a favor. Argumentei na altura que um novo arranjo da rotunda era claramente necessário e que se deveria aproveitar a oportunidade para a retirar, sacrificando-a ao progresso, o que sempre seria melhor do que “fechar os olhos” ao “incómodo” que representava, sabendo-se que assinalava um período difícil nas relações entre portugueses e chineses e sem esquecer as tentativas já feitas, no quente dos acontecimentos do chamado “1,2,3″, para a derrubar…

Outras opiniões teriam ido no mesmo sentido e o então secretário-adjunto Luís de Vasconcelos deu indicações aos Serviços de Obras Públicas para elaborarem um concurso de idéias para um arranjo urbanístico da praça. Mantendo a estátua, ou encarando a hipótese de a retirar? — terão perguntado nos Serviços. A resposta foi anódina: encarando as duas hipóteses.

Tudo leva a crer que a partir daí, e embora sem ter chegado ainda à imprensa, o assunto começou a ser falado. Talvez não muito, mas o suficiente para chegar a Pequim, de onde, inesperadamente, o director do Gabinete para os Assuntos de Macau e Hong-Kong junto do Conselho de Estado chinês, Lu Ping, avançou com uma declaração: É evidente que depois de 1999 não poderão ser mantidos em Macau monumentos que exaltem o período colonial.

A afirmação chocou, pelo insólito, e irritou muita gente que a considerou despropositada. E desgostou também os que tinham em mãos o processo de reurbanização da rotunda — e adivinharam-se de imediato os problemas que se iam seguir.

Na verdade, pouco tempo depois — e sopesada mesmo a possibilidade de voltar atrás no projecto em curso… — tornou-se público o concurso de idéias, não faltando então quem ligasse as duas coisas e entendesse que se estava a corresponder apressadamente à “ordem” de Pequim, sem que nada o justificasse. A polémica esteirou, saltou para Lisboa e foram muitas as posições extremadas, quase sempre levando pouco em conta a situação real…

Realizado o concurso e decidido qual seria o novo desenho da rotunda, o processo começou penosamente a arrastar-se. Carlos Melancia pedira já a demissão do cargo de Governador e, como se sabe, foi moroso o processo da sua substituição. A encarregatura do governo terá pensado ser justificável suster a questão da praça, apesar de já se ter dado início aos trabalhos preparatórios da obra, cujo concurso foi também posto em banho-maria.

A nova Administração herdou portanto um problema incómodo, já em fase bastante avançada, que teve de reanalisar nas suas diversas implicações. Um período que terá tido a vantagem de deitar alguma água fria na fervura. Pondo algum bom senso no apreciar da questão, toda a gente é capaz de concordar que a estátua de Ferreira do Amaral nos diz bastante mais a nós, portugueses, do que, necessariamente, aos chineses. Se é verdade que a História é o que é, também é irrecusável que ela é muito a maneira como é encarada. O obelisco que comemora a Restauração da Independência está muito bem onde está, em Lisboa, e não é por acaso que não está em Madrid. E isto para além das relações ibéricas serem as melhores…

Garboso no seu cavalo, de braço bem levantado pronto a ripostar aos golpes dos seus assassinos, Ferreira do Amaral lá seguiu para Lisboa, onde a Câmara há-de arranjar um lugar condigno para o colocar, lembrando aos vindouros mais um episódio da forma como fizemos História nas cinco partidas do mundo….

Em Macau, entretanto, a vasta praça que continua a ter o seu nome vai dentro de algum tempo ser alvo de nova controvérsia — embora agora menos aguerrida: deveria ser assim? Melhorou o trânsito local como se desejava? Os seus elementos decora¬tivos são os que deveriam ser?

Aos poucos, como tudo, a discussão vai perder calor, os cidadãos habituam-se e os turistas farão do local um dos seus pontos obrigatórios e preferidos para as tradicionais fotografias.

Dentro de alguns anos as, então, velhas fotografias, mostrando a saída da ponte Nobre de Carvalho, a estátua equestre e, lá ao fundo, em vez do actual edifício do Banco da China, o sacrificado Liceu, irão parecer tão fora de época como aquelas que agora nos lembram o Macau do antigamente, com muitas árvores e poucas casas…

Macau 2000, os acenos positivos aos macaenses

Faltando pouco menos de um mês para o primeiro aniversário da transição de Macau para a República Popular da China, após cerca de 440 anos de administração portuguesa, foi realizada em Macau a Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, também chamado de Encontro do Novo Milénio.  Ocorrido entre Novembro a Dezembro de 2000, reuniu os dirigentes das Casas de Macau e eu participei como membro da direção da Casa de São Paulo juntamente com o então presidente Armando Sales Ritchie.

Foram momentos históricos e inesquecíveis os encontros, pela primeira vez, com os dirigentes da nova RAEM-Região Administrativa Especial de Macau, criada em 20 de Dezembro de 1999, a saber: o Chefe do Executivo Edmund Ho, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, atual Chefe do Executivo Chui Sai On e o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da R.P.da China na RAEM Yuan Tao.

Na época, ainda não tinha este blog e nem o site Projecto Memória Macaense, e pouco imaginava que pudesse criá-los a partir de 2003, pois era um iniciante na informática e na Internet, mas redigia o Boletim da Casa de Macau e havia que recolher documentos e tirar fotos para publicação e lembranças.  A rever os meus arquivos, vi as fotos e a documentação da 1ª Reunião Preliminar da era RAEM que publico nesta e futuras postagens.

Assim, para recordar o que aconteceu nesta Reunião, publico em primeira mão, os discursos do atual Chefe do Executivo e do Comissário do Ministério que me foram cedidos pelas suas assessorias.  Neles podemos ver os acenos positivos aos macaenses, e bom que se registe, aconteceu em Novembro de 2000, menos de um ano da transição.  Vejamos:

(clicar nas imagens para aumentar, e depois mais uma vez)

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, atual Chefe do Executivo Chui Sai On discursa no jantar oferecido aos participantes da Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, em 27/Novembro/2000.  Veja abaixo o seu discurso traduzido tal qual como me foi entregue pela sua assessoria:

Abaixo, a foto oficial tirada em 30/Novembro/2000 com o Comissário Yuan Tao, e em seguida, o seu discurso traduzido, tal qual como me foi entregue pela sua assessoria:

o autor deste blog é o 3º da esquerda na 4ª fila a contar da última, atrás de Vítor Serra. O Comissário Yuan Tao é o 4º da primeira fila, a contar da esquerda. A foto nos permite matar as saudades dos que partiram para o descanso eterno, de pelo menos cinco dos participantes da Reunião.

Macau: Hit Parade – recordando os anos 60

Na postagem do dia 5 de Março, recordava os anos 60 em Macau quando comprávamos o Hit Songs.  Bom, além de livrinho de música com aquele título, o editor também publicava outro praticamente igual chamado de HIT PARADE, e custava também HK$ 1,00 (iat mân: hôu péang ah).  Para quem não saiba, são livrinhos com letras de música, notas musicais e eventualmente cifras para viola/violão, conforme poderão ver abaixo.

E para celebrar a sua memória, pois não é mais editado, publico duas páginas digitalizadas de músicas dos Hit Parades com os vídeos do You Tube correspondentes , não daquelas muito ouvidas hoje nas seleções musicais da época, mas que certamente quem viveu a época deve lembrar-se bem delas.  Essas músicas me dão uma grande saudade de casa, daquela em que morava em Macau na Calçada de Tronco Velho nº 15, telefone 4430, só quatro números mesmo.  Me faz lembrar de à noite a ouvir a Rádio Vila Verde, única distração, pois ainda não havia televisão em Macau na época.  Talvez sem a TV éramos mais felizes e não sabíamos …

Para vocês, o DJ do Crónicas Macaenses vai lhes apresentar: COME ON DOWN TO MY BOAT do conjunto The Every Mother’s Son (no bom sentido, a tradução: Os Todo Filho da Mãe – era para provocar mesmo, mas não podiam ter arrumado outro nome?). Era música dos parties (bailes). Veja e vídeo (1967) e acompanhe com estas letras da música.  Sorry, no chords!

Ah … talvez por essa vocês não esperavam, talvez … mas gostava muito desta música, especialmente pela voz possante do seu cantor – Jay and The Americans – a cantar: CARA MIA.  Que tal? E que bom que este vídeo live (ao vivo) esteja disponível.  Para quem a conhece, mate as saudades. A gravação é de 1965:

“Este Jornal Acabou”, aconteceu em Macau em 31/08/2001

(não confunda: o jornal Hoje Macau continua a existir – o que acabou é o Macau Hoje)

A edição de 31 de Agosto de 2001 do Jornal Macau Hoje disponível na Internet, trazia estampada na capa: “ESTE JORNAL ACABOU“.  Mas … como? perguntava eu, a falar sózinho diante do computador.  Na época, ainda vivia o trauma com o fim da era portuguesa de Macau, após a transição para a China em Dezembro de 1999.  Ao ler o jornal de Macau em língua portuguesa, no aconchego da minha residência no Brasil, dava a sensação de ainda viver essa era, mas, com o seu fim, como fica??? Senti-me órfão na hora!!!  Achava que Macau acabou mesmo para os macaenses.  De imediato, enviei um e-mail ao João Eduardo Severino, diretor do Macau Hoje.  Queria saber os motivos … eu estava inconformado.  Pensava: acabou a Macau portuguesa, acabou a bandeira do Leal Senado e agora acaba o jornal de língua portuguesa …

O Macau Hoje teve o seu início em 1990. Após o seu fechamento, pouco depois, surgiu outro jornal sob nova direção e com o nome alterado para Hoje Macau, apenas uma inversão de posição do HOJE.

João Eduardo Severino mantinha um blog “Macau Passado“, que lembrava várias passagens da sua vida em Macau, porém deixou de atualizá-lo a partir de 11/08/2011 com a seguinte mensagem,  na sua postagem intitulada “Pouca Esperança”: “Depois de vários contactos no sentido de regressar a Macau, terra que ainda amo como segunda natalidade, cheguei à conclusão que determinadas portas mantêm-se encerradas. Neste sentido, estou a perder a esperança de um regresso desejado e, por esse motivo, quero esquecer o que me está a acontecer. Este blogue fica suspenso até um dia”.

No entanto, João Severino mantém outro blog ativo – pauparatodaobra – que assim o define: “Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim“.

João Eduardo Severino com o saudoso Padre Teixeira

Macau, tolerância cultural e religiosa (texto de 1999)

O site oficial do Governo Português de Macau, antes da transição para a China em 1999, trazia numa das suas páginas, um texto que falava da Tolerância Cultural e Religiosa, que publico para sua curiosidade e memória da era portuguesa. Graças a Deus que, hoje, Macau sob a administração chinesa, pouco ou nada mudou em relação ao assunto. Disso temos que estar gratos aos novos administradores, pois havia um certo pessimismo prévio.

Igreja de São Lázaro

Templo budista Kum Ian Tong

Macau, Tolerância Cultural e Religiosa

A tolerância cultural e religiosa é um dos traços mais marcantes da identidade histórica de MACAU, lugar onde coexistem gentes das mais conhecidas religiões universais. Poderia dizer-se, até, que no território se acotovelam diariamente católicos, protestantes, budistas, tauístas, confucionistas e ateus, sem que a diferença pareça minimamente incomodá-los. Não há guerras santas nem fundamentalismos.

No âmbito das religiões, as estatísticas não podem ser confiáveis, como se compreenderá. A chamada religião tradicional chinesa é, naturalmente, majoritária entre a população. Trata-se de um sincretismo em que Confucionismo, Tauísmo e Budismo se misturam com antiquíssimas crenças milenares, onde têm lugar o culto dos antepassados e mesmo práticas de adivinhação.

Calcula-se que a percentagem de católicos não atinja os 10 por cento da população. Mas não é possível falar da história de MACAU sem uma referência constante à Igreja (aos jesuítas, nomeadamente nos primeiros tempos da fundação do território) e ao papel difusor de Macau na expansão do catolicismo em toda a Ásia, da Indochina ao Japão e à China. Nesta função desempenhou especial relevo o Colégio de S. Paulo, uma excelente universidade criada por Valignano, há 400 anos, para formar os seminaristas da China e do Japão. Aliás, é ainda na formação e no ensino que a Igreja Católica desempenha uma ação ímpar em MACAU, dinamizando mais de 30 escolas onde estudam mais de 40 mil alunos, muitos deles não-católicos, mas recebendo aí alguns dos principais valores da sua formação humanista e universal. A Igreja tem também um papel de grande relevo no âmbito da assistência social, função desempenhada sobretudo pelas 16 comunidades religiosas de MACAU, dedicadas à solidariedade em lares, asilos e infantários. De entre as manifestações católicas com expressão pública, para lá do culto corrente em inúmeras igrejas da cidade, avultam ainda as tradicionais procissões, em especial por ocasião da Páscoa cristã ou em devoção mariana.

A comunidade protestante local deverá rondar os 2500 fiéis. Atualmente trabalham em MACAU além do grupo evangélico Assembleia de Deus (especialmente dedicado à recuperação de toxico dependentes) duas missões baptistas americanas, além de luteranos e anglicanos. Dedicam-se igualmente ao ensino, através de 9 escolas dinamizadas pelas várias confissões.

Apesar de pequenas, também as comunidades que professam o islamismo e o hiduísmo marcam presença em MACAU. A comunidade islâmica congrega várias dezenas de fiéis que se reúnem semanalmente na sua Mesquita, junto ao reservatório de água, na zona nordeste da cidade, onde se situa também o seu cemitério. Quanto aos vários grupos hindus, sobretudo dedicados ao comércio, detêm menos expressão no panorama religioso local.  (Dados do ano 1999 – divulgados pelo ex-Governo Português de Macau)

Missa na Sé Catedral

Igreja de Santo António

“Um Pouco de História” de Macau, contada por Dona Alda

A macaense Alda Carvalho Ângelo, residente em São Paulo, no seu livro Fragmentos do Oriente publicado no Brasil em 1965, nos conta “Um Pouco de História” da Macau em meados dos anos 40 (por volta de 1946, pós II Guerra, quando deve ter emigrado) até 1950.  Para quem é da época, boas lembranças, e para quem não conhece a história de Macau, uma boa leitura e conheça a nossa terra. (Veja outras postagens sobre a Dona Alda e saiba que livro é esse e quem ela é).

Macau anos 60, Porto Interior e um dos barcos de carreira que fazia a linha Macau-Hong Kong

Farol da Guia

O Sui Tai, um dos barcos de mil e poucas toneladas de calado da British Steamship Company Ltd., que faz a carreira regular entre a colônia inglesa de Hong-Kong e a da portuguesa de Macau, diminuiu a marcha, como de costume, ao avistar os molhes do porto exterior que, de intervalos eram iluminados por uma faixa de luz emanada do mais antigo farol da China, o farol da Guia, o primeiro que iluminou as costas da China. Nessa noite, como no primeiro dia de sua aparição, em 1868, cumpria também sua missão de guia aos mareantes.

O barco singrava suavemente rio acima. Tudo era convidativo a uma meditação: a Lua, como para minorar a ausência do Sol, aparecera toda cheia e brilhante, banhando com sua luz argêntea a superfície do rio, transformando-a em um manto de prata; as Estrelas cintilantes, livres do atropelo das nuvens, tremulavam nesse magnífico firmamento tropical, como que executando suaves movimentos de uma valsa; e o Vento, como que compreendendo a beleza desse conjunto, tinha resolvido nessa noite, apresentar à Lua e às Estrelas sua encantadora filha, a Brisa.

Os passageiros, uns encostados à amurada, outros deitados em cadeiras de vime, no convés, admiravam encantados essa maravilhosa noite de verão. Ouviam-se de quando em vez, risadas alegres e despreocupadas de passageiros de ambos os sexos, de várias nacionalidades, que vinham passar o “week-end” na amena cidade portuguesa que uns chamam de “Monte Carlo do Oriente”; outros de “Antro de Perdição”; outros de “O Inferno do Jogo”, preferindo  contudo, os mais românticos denominá-la “A Pérola do Oriente”.

Outro barco de carreira dos anos 70. Foto de/photo by Karsten Petersen

Macau, quatro vezes centenária, teve início em 1553, quando alguns portugueses abordaram à praia de Amagau para a secagem das mercadorias molhadas por uma tempestade. Esses punhados de portugueses que faziam suas transações na Ilha de Lampacau, distante umas trinta milhas da Ilha de Sanchuan (hoje chamada de São João), eram os remanescentes de um grupo de cerca de quinhentos portugueses que se tinham escapado das perseguições e devastações, em 1545 em Liam-pó e, em 1549, em Chin-Cheu; e que, na fuga, tinham-se rumado para o sul e desembarcados uns em San-Chuan e outros, em Lampacau.

Macau, perspectiva em 1598

Tendo encontrado na praia de Amagau um bom abrigo para suas embarcações, os portugueses começaram, então, a construir cabanas nessa localidade e a comerciar com os nativos chineses de quem tiveram boa acolhida.

Naquela época, as costas sul da China eram frequentemente infestadas por piratas chineses que guerreavam e pilhavam as embarcações do Governo de Cantão, tornando, portanto, perigoso o tráfego naqueles mares. O governo de Cantão era impotente contra essas constantes pilhagens. Comandava os piratas o terrível corsário do delta do Rio Cantão, Chan-Si-Lau, que fazia o que mais bem entendia naquelas paragens, causando prejuízos consideráveis tanto aos mercadores chineses como aos portugueses.

Os comerciantes de Lampacau, vendo-se na necessidade de pôr cobro àquelas constantes pilhagens, entenderam-se com os mandarins de Hian-Chan por intermédio do comissário Leonel de Sousa, conseguindo autorização do Nianpó (inspetor das Costas) para que seus compatriotas se fixassem definitivamente em Amagau, dando em troca dessa autorização a garantia do auxílio dos portugueses na supressão dos piratas de Chan-Si-Lau,

Uma vez conseguida a autorização, começaram as caravelas portuguesas a dar caça aos piratas, o que se prolongou até 1556, com o extermínio dos mesmos.

Amagau, que, por deturpação da língua, passou a chamar-se Macau, era uma vila chinesa salpicada de choupanas construídas de bambus e palmeiras secas. Seu nome teria sido dado em honra da deusa A-má, cujo templo, ainda hoje existente, é a mais velha relíquia da colônia.

A população, naquela época, composta em sua maioria, de pescadores e mercadores, diferenciava-se dos portugueses tanto nos trajes como no porte. De estatura menor, trajavam cabaias; cobriam-lhe a cabeça um barrete por onde saía, na parte posterior da cabeça, uma trança de cabelos. O rosto, de uma compleição totalmente diferente da dos europeus, apresentava dois olhos estreitos e puxados para os lados; o nariz chato e largo, aparecendo entre as duas maçãs de rosto salientes. A cor da pele era amarela, dando-lhes uma aparência doentia. Os pés largos eram calçados em sandálias de cordas ou em sapatos de pano com solas de cordas, quando não descalços,

A doação de Macau aos portugueses foi feita verbalmente em 1557 pelo imperador Kiat-Sing do reinado dos Mings, tendo sua confirmação sido feita somente em 1887.

Ao abrigo, então de tempestades e de piratas, a colônia, que não passava de uma povoação, começava a progredir. Em 1557-1568 era composta de mais ou menos 700 portugueses, tendo por capitão de terra um rico comerciante de nome Diogo Pereira. O governo verdadeiramente dito era administrado sob a forma de um triúnviro. O capitão de terra era auxiliado em seu governo por dois dos mais notáveis e influentes cidadãos da colônia. A administração do Santo Sacramento era feita por um vigário. De intervalos mais ou menos longos, Macau recebia a visita de um capitão mor, que, anualmente, viajava para Japão. Era costume dos comerciantes portugueses se cercarem de missionários que ministravam a religião e, bastas vezes, acompanhavam os embaixadores portugueses a Cantão ou a Pequim.

Em 1594, sob os auspícios do Pe. Francisco Peres, fundou-se a primeira residência do culto católico a que mais tarde se transformou no primeiro e célebre Colégio de São Paulo, também conhecido por Colégio dos Jesuítas. Esse colégio, situado num promontório donde se divisa toda a povoação, fora edificado com a coadjuvação dos jesuítas Manuel Teixeira, Gil Góes e André Pinto. O colégio foi destruído em 1835 por um terrível incêndio, deixando de pé apenas a fachada.

Anos depois, desembarcava em Macau, Dom Melchior Carneiro como bispo para China e Japão. Em 1568 foi fundada a primeira casa de assistência social denominada Santa Casa de Misericórdia bem como dois hospitais: o de São Lázaro e o de São Rafael.

Vida a bordo de um dos barcos de carreira Macau-Hong Kong no início dos anos 60. Na foto, o autor do blog com a sua mãe Marcelina da Luz a caminho de Hong Kong. Observem na lateral direita as cadeiras de descanso de lona.

Vamos, então, dar um passeiozinho pelo convés? –  sugeri ao Leitor Amigo, meu companheiro de viagem, com quem eu palestrava desde a saída de Hong-Kong sobre a história de Macau. – Vamos! — me respondeu ele — Estou curioso por conhecer a terra, depois que teve a gentileza de me pôr a par de sua história.

O Sui Tai, como eu dizia, tinha diminuído a marcha, deixando entrever cada vez mais os contornos da cidade iluminada a luz elétrica, os globos elétricos projetando sua luz sobre as barracas de banho, denotando que os banhistas ficavam até bem tarde, a beira-mar, deleitando-se com a brisa marítima ou banhando-se na água,

- Venha ver a cidade. — convidei meu companheiro. –  Venha! Olhe ai!  Estamos passando pelo porto exterior.

- Como é linda a cidade assim de longe! —exclamou ele.

- Estamos, neste momento, na foz de dois rios. — expliquei.

- A cidade é, então, banhada por dois rios?

- Sim, ela está privilegiadamente situada no delta comum de dois rios: Chu-Kiang  (rio de leste, ou rio da Pérola) e Si-Kiang (rio de Oeste). O Chu-Kiang é também chamado de Rio de Cantão. Macau está a oitenta milhas da cidade e porto de Cantão, a capital do Sul, a capital da grande província de Kwang-Tung.

- Macau é uma ilha?

- Não, ela é uma península. E’  ligada  por um pequeno istmo — o istmo da Porta do Cerco — ao distrito de Heóng-Sán* (montanha aromática). E, como vê – apontei para as ilhas em volta — Macau é cercada de ilhas: a da Lapa, a da Taipa, a de Coloane e, mais ao sul, a de D. João e a  de Vong-Kâm…

- E qual a população?

— Em 1950, isto é, segundo o censo do ano de 1950, a população era de 187.772 habitantes, sendo a maioria chinesa.

Praia Grande - Porto Exterior / Ermida da Penha na lateral esquerda - Macau anos 60

Nesse instante, o barco seguia em linha reta, paralelo à baía da praia grande, em toda sua extensão, tomando a direção da Avenida República, preparando-se para contornar a “meia laranja”.

- Olhe aí a ermida da Penha! — chamei a atenção do meu companheiro. — A ermida da Penha está situada no cume da Colina da Barra. É  aí  que   se   encontra  a imagem de Nossa Senhora   da  Penha,  venerada  ainda hoje  como naqueles  tempos pelos nossos primeiros navegadores. No sopé dessa mesma colina está o Pagode da Barra, freqüentado principalmente pela gente do mar (pescadores chineses), onde se venera uma   das mais importantes  divindades  da China, a “Rainha do Céu”, a deusa A-Má, donde proveio o nome de Macau. — Leitor Amigo me escutava com interesse. — Não acha você, Leitor Amigo, curioso, como homens tão diferentes e de religiões tão opostas tenham escolhido o mesmo local para venerar cada qual seus santos preferidos?

- Curioso, sim.

-  Você tem que conhecer a gruta da Penha. Tem que subir até ao alto da colina e de lá desfrutar os mais belos panoramas.

- Devo ir na parte da manhã ou da tarde?

- Na parte da manhã, você verá o maravilhoso nascer do sol, verá dezenas e dezenas de

barcos de pesca deslizarem-se suavemente por sobre as ondas, as velas desfraldadas, afastando-se do porto…

- E na parte da tarde?

- Na parte da tarde, verá outro maravilhoso panorama.    O pôr do sol, o belíssimo pôr do sol macaense… os barcos de pesca, regressando para o porto, carregados de peixes de todos os tamanhos e feitios …

Porto Interior para onde regressam as embarcações de pesca - Macau em 1973 - foto de/photo by Karsten Petersen

- Tenho que subir até lá…

- Mas agora vamos descer — atalhei — Vamos descer e preparar-nos para o desembarque.  Já estamos chegando.

- Já?!

- Já!

De fato, o barco estava a poucos metros do cais, depois de passar pela Fortaleza da Barra, pela doca e rumado reto ao longo do Porto Interior. Dirigia-se lentamente para o ancoradouro.

Nesse instante, o relógio do salão batia dez horas. Meia hora depois, eu me despedia do Leitor Amigo.

- Magnífica viagem. — exclamou ele. — Inda nos encontraremos?

- Acho que sim. — respondi.

- Algo me diz que nossos caminhos não tardarão a se cruzar novamente…

- Faço votos.   Tenho ainda muito que contar. O Oriente é vastíssimo. A China é grande, enorme e… a cidade de Macau é pequeníssima de tamanho — não mais de dez quilômetros  quadrados de terra, mas…

- mas sua história…

- essa, não tem fim! — e acrescentei sorrindo. – Mas cuidado com o tufão! …

Juncos e sampans - embarcações de pesca chineses - Macau 1973 - foto de/photo by Karsten Petersen

* Heóng-Sán: Atualmente este distrito é chamado de Chông San, em homenagem ao felecido Dr. Sun Chong San, mais conhecido por Sun lat Sen, o fun­dador da República Chinesa.

Macau: Hit-Songs 1965, saudades da juventude

Todo mês é aquela rotina: ir à banca ou livraria para comprar o Hit-Songs, com aquela expectativa “será que vai ter aquelas (tais) músicas com os chords (cifras)?“. É um livro de pequeno formato com cerca de 60 músicas, normalmente as mais populares na rádio, só que, nem sempre vem com chords, tal como o exemplar da imagem.  Aí a gente que toca violão/guitarra e não é daqueles com bom ouvido ou capacidade para apanhar (decifrar) chords para a música, tal como eu, fica chateado.  Vamos ter que esperar por outra edição, ou contar com a ajuda de amigos que são mais músicos de verdade.  Embora em geral o macaense não tenha formação musical e toca de ouvido. Isto vivi em Macau nos anos 60, em plena juventude, os tempos de ouro.

No Brasil também se vendem tais livrinhos, porém menos volumosos.  Hoje em dia, se quisermos letras de músicas com cifras, basta pesquisar sites especializados e temos praticamente tudo o que quisermos.  Penso que esses livrinhos hit-songs impressos em Hong Kong e vendidos a HK$ 1,00 na época, já não existem mais.  Tenho ainda aqui comigo uma coleção deles, razoavelmente conservados, que servem para matar as saudades dos belos tempos na minha terra, e que agora, por acaso, um deles servem de pretexto para publicação de uma postagem.

o verso com o preço do exemplar e umas coisas escritas em chinês para quem sabe ler

Para celebrar a memória dos Hit-Songs, publico duas páginas, sem cifras porém com partituras para os entendidos, com os vídeos do You Tube referentes às canções.  Selecionei-as com a certeza de que acharia os vídeos, aliás o que não se acha no You Tube? A música Downtown ainda é popular, ouve-se regularmente nas programações ou cds dos anos 60, mas essa dos The Bachelors já é um pouco mais rara, que tal?

Downtown – por Petula Clark

I Wouldn’t Trade You For The World - por The Bachelors

Carnaval em Macau … antigamente

Com o passar dos anos. e, mais tarde, com a revolução de 25 de Abril de 1974. aquelas centenas de militares que nos acostumamos a ver pelas ruas, desapareceram. Ficaram os macaenses e os chineses … … Os casamentos realizados entre macaenses. ou entre macaenses e metropolitanos, faziam com que as tradições se perpetuassem através das novas gerações … … os macaenses acabaram por sofrer alguma influência deste convívio mais próximo com a comunidade chinesa, seja na língua, na culinária ou nos costumes. Naqueles casamentos onde a componente chinesa é mais forte, as nossas tradições foram sendo esquecidas. dando lugar a usos e costumes que não são nossos“, assim Mário José Nogueira, em 1993, deu um panorama do que poderia ter sido um dos motivos para a diminuição de interesse pelas Tunas, e consequentemente das festas carnavalescas.

Pode isto ter contribuído para o fim do Carnaval em Macau, bom salientar, um dos motivos, eu acrescentaria que também pela modernidade musical com o Elvis e dos Beatles, essa invasão da música inglesa e americana que acabou gerando uma preferência por parties, como um outro motivo.  Vivi bem os anos 60 em Macau e confesso que de Carnaval, lembro que nessa época, como estudava no Seminário, os padres nos convocavam para um retiro espiritual e de orações, para nos afastar dos dias de pecado.  Além do que por falta de uma melhor comunicação como hoje, só imaginavamos o Carnaval, atribuído ao Brasil, pelos filmes, já que nem tv tinhamos.  Imaginavamos que em cada esquina do Brasil, havia um brasileiro tocando pandeiro e sambando, aliás uma coisa que ainda se imagina até hoje.  Só ver o filme de desenho animado – Rio – onde o cão bulldog aparece com a ridícula fantasia de “frutas na cabeça“, tipo Carmen Miranda nos EUA, ou era brasileiro sambando por tudo quanto é lado, e outras coisas absurdas, etc etc.  O brasileiro curte o Carnaval e sai para a folia, mas nem todos que seriam a maioria.  Prefere-se mais aproveitar o feriadão de 4 ou 5 dias para viajar ou curtir a cidade tranquila com menos gente.  Até poucos assistem aos desfiles pela tv.  Eu insisto em assistir todos os anos, mas cansa-se muito a vista pelo movimento das cenas e logo o cochilo vem.  Uma pena que acaba-se dormindo mais no sofá do que ficar acordado assistindo as belas escolas de samba, cada vez mais sofisticadas, e se me desculpem,  as de São Paulo já estão praticamente no nível do Rio.

Mas voltando ao assunto de Carnaval de Macau, no artigo de Veiga Jardim na Revista Macau de Maio de 1993, publicado no site do Projecto Memória Macaense (As Tunas de Macau), recorda-se como eram os carnavais com as disputas das Tunas e o desfile pelas ruas, tais como os Trios Elétricos do Brasil.  Transcrevo uns trechos do extenso artigo:

“Herança directa das tunas portuguesas, as tunas de Macau sempre foram presença obrigatória no Carnaval e em outras festas populares:  tunas houve muitas, entre os anos 30 e fins de 40, já que nem o período da guerra tirou aos macaenses o gosto pelo convívio e pela folia. Nomes como a Harmonia e a Tuna Macaense são ainda lembrados por quem participou nos assaltos e desfiles carnavalescos.”

As tunas formavam-se por altura do Carnaval e de uma especificidade local – o Micareme (cerca de 40 dias após o Entrudo), nascida do facto das pessoas não se contentarem com uma semana de folia e tentarem prolongar a festança, mesmo contra as críticas dos párocos que achavam muito pouco adequado foliar durante a Quaresma. … … O elemento feminino, que se destacava nos bailes e desfiles de mascarados, surgia nas tunas apenas como porta-bandeira.”

E, o Mário José Nogueira (na foto acima: o 1º à esquerda da fila de frente) comenta:

“De um modo geral a existência das tunas estava condicionada às comemorações do Carnaval. É claro que durante o resto do ano não ficávamos completamente inactivos. A cidade mudou muito. Antigamente realizavam-se enormes feiras, quermesses, festas religiosas e, muitas das vezes íamos lá tocar.”

“… No Carnaval inevitavelmente tocávamos marchinhas. Nos bailes fechados tocávamos música de dança. Mas deixe-me contar-lhe a história: dois meses antes do Carnaval, reuníamo-nos duas vezes por semana para ensaiar. É bom frisar que nenhum de nós recebia um avo. Mesmo os uniformes e as fantasias eram comprados com dinheiro do nosso próprio bolso. Aqueles que não podiam, recorriam ao presidente da tuna que, de um modo geral, era alguém com mais recursos e que garantia este tipo de despesas. Também era através do presidente que os clubes e as pessoas em geral convidavam as tunas para participar dos bailes e festas. Havia em Macau diversos clubes que organizavam grandes bailes, durante os quatro dias do Carnaval. Estes eram o Clube Macau (no Largo de Sto. Agostinho), Clube Militar (no Jardim de São Francisco), Clube dos Sargentos (cujo verdadeiro nome era Clube Recreativo 1° de Junho, situado perto do mercado da Mitra). e o Clube MELCO (situado na Areia Preta. onde hoje é o Bairro Hip-On). Havia os bailes do Sábado Gordo e do Domingo de Carnaval. Na terça-feira havia o Carnaval dos Casados e na quarta-feira de cinzas praticamente já não havia mais nada. Éramos. por exemplo. convidados para tocar no Clube Macau. durante um baile que começava às 9.30 da noite. A tuna saía da sua freguesia de origem e. tocando, marchava pela cidade até o clube, Muitas vezes fizemos longos percursos debaixo de chuva. desde o Tap-Seac até lá em cima. no Largo de Sto, Agostinho. Tinha horário para começar mas não tinha para acabar, Tocávamos até às 5 da manhã e depois ainda íamos à Novena de N.S.dos Passos, que normalmente coincidia com a época do Carnaval. Comíamos qualquer coisa – depois de já termos, durante a noite. comido não sei quantas vezes – e.finalmente. voltávamos para casa. Era divertido, mas muito cansativo.. .”

“Os músicos não se mascaravam, mas havia umas boas dezenas ou centenas de foliões que se fantasiavam e aos quais se poderia, eventualmente. misturar um grupo de agitadores pondo em risco a segurança das pessoas. Em Macau havia um carnaval de rua espontâneo e as tunas eram, de certa forma, o ponto alto destas festividades. Os sócios dos clubes juntavam-se ao grupo, durante a marcha. de modo que quando chegávamos ao fim do percurso a festa já estava bastante animada…”

a mulher como porta-bandeira (tal como nas escolas de samba no Brasil)

Veiga Jardim finaliza a sua matéria sobre As Tunas de Macau, assim:

Após estes depoimentos, plenos de ricas vivências, fica-nos a impressão de que, quase sem sentir, Macau, abrigo provisório de uma cultura tão peculiar, foi perdendo um pouco da sua personalidade com o desaparecimento das tunas. As guerras, a emigração e as revoluções – circunstâncias históricas imponderáveis – conduziram caprichosamente os destinos deste pequeno pedaço de terra que, em breve, não mais pertencerá aos seus filhos. … No entanto, onde estiverem, se cá não puderem permanecer, levá-la-ão consigo, no seu sangue e nas suas memórias, pois na verdade, são eles os protagonistas da sua própria história.” (Veiga Jardim é um maestro brasileiro que residiu em Macau por uns tempos, compôs e executou toda a trilha sonora do filme A Trança Feiticeira de Henrique Senna Fernandes)

É bom ler que há manifestações de pessoas em Macau para o retorno destes velhos costumes.  Torço para que tudo dê certo e que haja adesão da população macaense e portuguesa.

Ruínas de São Paulo: pensaram em reconstruir a Igreja … !!!

foto: Rogério P.D. Luz

As Ruínas de São Paulo em Macau são as ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus e do adjacente Colégio de São Paulo.  Exemplo único da arquitetura barroca na China, a fachada em granito foi o que sobrou do incêndio que começou nas cozinhas do colégio em 1835, por volta das 18:00 às 20:15 hrs.  Em 2009, foi classificada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.  Só que não teria obtido essa classificação e nem seria o principal ponto turístico de Macau nos dias de hoje, caso tivessem sido concretizadas as iniciativas em 1904 para a sua reconstrução.

Veja o que o grande historiador Padre Manuel Teixeira conta a respeito no seu livro Toponímia de Macau:

“A igreja começada em 1602, ficou concluída em 1603, sendo inaugurada na noite do Natal, tendo trabalhado nela cristãos japoneses fugidos da sua pátria devido às perseguições contra a religião.

A fachada levou muitos anos a construir. Peter Mundy diz que a obras de cantaria já estava pronta em 1637; Cardim informa que ainda em 1640 se colocou nela uma imagem de N. Senhora; em 1608, fez-se a porta da igreja, da banda de oeste com seu arco de pedra e o corredor do coro.

A 26 de Janeiro de 1835, um incêndio devorou completamente a Igreja e o Colégio de S. Paulo, ficando apenas de pé a fachada da Igreja.

Houve alguém que sonhou na reconstrução de S. Paulo.

O sonhador foi o dr. António José Gomes, que nós muito bem conhecemos.

A 4 de Dezembro de 1904, o bispo de Macau D. João Paulino d’Azevedo e Castro celebrou missa nas Ruínas de São Paulo e lan­çou a primeira pedra para a reconstrução desse antigo e histórico templo, destinado à futura igreja paroquial de Santo Antônio.

Subiu a um púlpito improvisado o Pe. Dr. António José Go­mes, pároco da Santo António que, num sermão empolgante, pediu fundos para essa obra. Dizia ele:

«Este lugar é santo! estas venerandas ruínas, esta mole imensa de granito, aprumada e indestrutível, este majestoso frontispício, este colosso três vezes secular, que a despeito do olvido dos homens e das injúrias do tempo, se ergue ainda em toda a sua envergadura arquitectónica, rasgando as nuvens e desfraldando em pleno céu o lábaro sacrossando da Redenção… tudo isto está clamando que este lugar é santo…

Uma escadaria, a mais ampla, a mais bela, a mais bem lançada que os meus olhos têm contemplado, servindo de escoadouro de lavaduras infectas, transformada em limiar de casas de gentio…

Ai! Quantas injúrias não tens tu sofrido, ó preciosa relíquia da arte cristã! Tentaram roubar-te os santos de bronze, que ador­nam os teus nichos, para os fundirem, mas os santos não cederam o seu posto, foram mutilados, mas ficaram inabaláveis! Estilharam-te as colunas, britaram-te os capiteis, quebraram-te os ângulos, man­charam e poluíram as tuas bases … e, não obstante, tu aí estás ainda em pé, miraculosamente, para pungir a consciência de todos e cada um»!

Na peroração o dr. Gomes convidou os ouvintes a jurar que reconstruiriam a Igreja da Madre de Deus: «Soou a hora solene, chegou o momento crítico, o momento decisivo … o momento de fazermos sobre estas ruínas o mais solene dos juramentos!

«Ah! se no meio de vós está alguém atrabiliário, algum inimigo desta obra santa e patriótica . . . saia! . . . fuja deste recinto . . . não queira ser um perjuro!»

Neste momento, um soldado disse para os que estavam junto dele: — «Não, eu é que não juro»; saltou e fugiu dali para não ser perjuro.

O orador, a quem passou despercebido o incidente, continuou: — «Ninguém sai? . . . Ninguém se retira?».

E então fez o juramento, em nome de todos: — «A cidade de Macau, pela boca do vosso ministro, jura hoje solenemente, à face do céu e da terra, desagravar o Vosso Santo Nome, restituir-vos a vossa herança!»

E terminava entusiasmado: — «Avante, senhores, avante pela reconstrução de São Paulo!»

Organizaram-se lotarias, promoveram-se quermesses e festas para angariar fundos, mas pouco se conseguiu.

Foram mandadas fazer na América várias tapeçarias com as gravuras da fachada, do bispo D. João Paulino e outros motivos religiosos. Mas, quando se abriu a grande remessa, viu-se que os ba­cios tinham no fundo a vera imagem do prelado!!! Foram logo retirados da venda.

Existe ainda na Diocese um fundo dumas $ 20 000,00 em acções, chamado «Fundos da Reconstrução de S. Paulo».

Já antes do dr. Gomes, aparecera outro entusiasta da reconstrução: era o rico proprietário, comendador Albino da Silveira, que tencionava empregar a sua fortuna nessa obra. Chegou a mandar fazer o plano da igreja, aproveitando a fachada, mas com a sua mor­te em 31 de Outubro de 1902 morreu o seu projecto.”

No desenho de Cheong Pow de 1818, pode-se ver a Igreja Madre de Deus ou São Paulo antes do incêndio.  Está na sua lateral esquerda

a Igreja de Madre de Deus/São Paulo e o Colégio São Paulo após o incêndio (fonte: Um Museu em Espaço Histórico do Museu de Macau)

Interior da Madre de Deus depois do incêndio de 1835.  Desenho de George Chinnery, pintor inglês que retratou Macau em centenas de desenhos durante a sua estadia em Macau de 1825 a 1852

A história de fundação de Macau, segundo Padre Teixeira

Perspectiva de Macau, 1598 (Th. De Bry)

No Caderno – Primórdios de Macau – Padre Manuel Teixeira escreve a sua versão sobre a Fundação de Macau, que, segundo ele, custou-lhe 4 décadas de procura por uma solução do mistério da origem de Macau.  E a conclusão foi essa:

FUNDAÇÃO DE MACAU (por Padre Manuel Teixeira)
Há cerca de quatro décadas que procuramos ansiosamente a solução de um mistério: qual a origem de Macau? Uma tradição quadrissecular afirma que Macau foi concedido aos portugueses em 1557, como prêmio pela repressão de piratas chineses que infestavam os mares da China do sul.
Mas, depois do exame atento dos documentos chineses e portugueses e de todas as versões até hoje apresentadas, chegámos às seguintes conclusões:
1.  Os portugueses estabeleceram-se em Macau à roda de 1557 para comerciar com os chineses, com o conhecimento e consentimento destes;
2.  Este estabelecimento não foi o prêmio de batalha alguma;
3.  Deu-se realmente um encontro com os piratas, não em 1557 mas em 1564;
4.  Este encontro com os piratas em 1564 veio confirmar a posse de Macau pelos portugueses;
5.  Tendo-se confundido estes dois acontecimentos, antecipou-se para 1557 o incidente de 1564 e daqui nasceu a tradição de que Macau foi concedido em 1557, como recompensa pela vitória contra os piratas;
6.  Não houve chapa alguma imperial pela qual fosse reconhecida oficialmente a posse de Macau.
O que realmente se deu foi o seguinte: os portugueses pretendiam comerciar com a China, mas esta estava hermeticamente fechada aos estrangeiros; houve que recorrer ao comércio de contrabando.
Tendo falhado as tentativas de Liampó (Ningpó), província de Chekiang e de Chincheo (Ch’uan-Chau), província de Fukien, os nossos comerciantes vieram para a ilha de Sanchoão (Seung-Chuan ou Seung-Chuen), província de Cantão, onde comerciaram até 1553, e para a ilha de Lampacao (Lam-Pak-Kau), província de Kuangtung, onde estiveram até 1560. No entanto, já desde 1555 freqüentavam Macau e, como verificaram ter melhor clima, abandonaram Lampacao em 1560 e continuaram em Macau, agora com a tolerância das autoridades de Cantão.
Aqui, como nas outras localidades, levantavam barracas provisórias. Concorriam ao comércio os chineses do continente e, sobretudo, os de Cantão. Terminado este, destruíam as barracas e regressavam a Malaca. Mas, pouco a pouco, foram-se fixando em Macau com o consentimento dos chineses, que tiravam lucro do negócio com os estrangeiros.
Em 1564, com a derrota dos piratas, os chineses não mais incomodaram os portugueses.

Perspectiva de Macau, 1626 (John Spencer)

Porto de Macau, gravura de 1641 do Livro das Plantas das Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental

Desfile de Moda no Encontro Macau 2004

No Encontro das Comunidades Macaenses – Macau 2004, pudemos assistir a um desfile de moda do renomado estilista macaense: Paulo de Senna Fernandes na Torre de Macau, no jantar oferecido pelo Chefe do Executivo da RAEM em 29/Novembro.  O estilista Paulo, conforme o artigo publicado no jornal Hoje Macau de 15/Nov/2011 (vide mais abaixo), é fundador e presidente da AMM-Associação Moda Macau e sonha em promover o Macau Fashion Week, como já acontece em várias partes do mundo, a exemplo do SPFW-São Paulo Fashion Week, que recentemente aconteceu no Pavilhão da Bienal a mostrar a moda para o próximo inverno brasileiro.

Quando posso, ou consigo credencial de imprensa, embora não o seja, gosto de fotografar desfiles de moda, mas faz bom tempo que fiz o meu último trabalho.  Aprecio o ambiente, o chique e a beleza feminina.  Um dia ainda irei fotografar os desfiles da  SPFW ou quem sabe, de Macau.  Enquanto isso, veja os meus álbuns de fotografia de desfiles de moda (clicar nos textos para acessar): Fenit 2008 e Fenit 2007.

Em 2004, fiz as fotos abaixo quando a minha máquina fotográfica ainda era bem simples e estava mal posicionado pelo espaço disponível.  Depois das fotos, veja o artigo do jornal:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal Hoje Macau 15/11/2011

Agora Macau Sã Assi (é assim) ???!!!

Circulam pela Internet, através de e-mails entre macaenses, 3 fotos que mostram Macau lotada … não … lotadíssima … não … põe mais e mais nisso .. excessivamente lotada de gente … sabe o que é trânsito congestionado/engarrafado, daqueles que você desliga o motor e sai do carro pois não anda … é algo assim.  Se fosse eu, talvez parava num restaurante, se pudesse entrar, é óbvio, almoçava, tomava um ice cream, um café, e quem sabe, depois ao sair ainda encontrava os mesmos gajos/caras no mesmo lugar … hehehe!!!

Pela decoração da rua, penso que foi no Ano Novo Chinês, como aventou um dos macaenses ‘repassadores’ de e-mail.  Um deles comentava “acho isto extremamente assustador: 20 minutos do BNU até os Correios (talvez uns 200 metros, ou 1 minuto para percorrer 10 metros)”.  Outro atribui ao excesso de turistas vindo do Continente da China, acrescentando que já é difícil circular pelo Largo Senado, entrar na Farmácia Popular ou no Watson’s, e que em Hong Kong (talvez a imprensa) classifica isto como uma ‘praga de gafanhotos (com o devido respeito às pessoas, quais sejam elas e a origem, apenas uma forma de expressão, asim entendi o escrito)”.  E nos emails o assunto é “Agora, Macau Sã Assi … assustador”.

De fato, na última viagem que fiz em 2010, percebi um excesso de pessoas na região central, Largo do Senado e adjacências, e nas Ruínas de São Paulo, o que me fez evitar esses locais durante o dia e especialmente nos fins de semana.  Agora, se eu tinha vontade de ir a Macau no Ano Novo Chinês … pode esquecer … ‘nem morto’ !!! E ao amigo Api, lembras da sua canção Macau, neste trecho: “Macau … trazes a lembrança de uma quinta … és tranquila e bonita, símbolo da paz …” ??? Bom, está certo, eram os anos 60 e 70 …

1) O Largo do Senado decorado para o Ano Novo Chinês (?)

2) Isso me parece a ladeira que leva às Ruínasde São Paulo (?) … simplemente absurdo alguém se conformar em ficar neste congestionamento/engarrafamento de gente … 3) Aqui é aquela escadaria que leva à Catedral da Sé, ou a Av. Almeida Ribeiro (teria sido mais inteligente ir para o outro lado da calçada, mais livre … também … ou então subir as escadarias e descer atrás dos Correios .. aiaiai):

Macau: como era no passado e como ficou

Nada contra o progresso e a modernidade, mas … se Macau tivesse preservado mais prédios antigos, teriamos uma terra com mais história, tal como se vê em muitas cidades na Europa etc. Infelizmente a destruição da história começou quando Macau era administrada pelos portugueses.  Está certo que havia pouco espaço e a necessidade de acomodar a população que não parava de crescer, situação que persiste até hoje, mas poderiam ter preservado um pouco mais.  A especulação mobiliária e muito dinheiro rolando por aí não deu tréguas, e construções que tinham histórias para contar foram demolidas para darem lugar a prédios, muitos sem nenhuma beleza visual como poderão se certificar nas fotos abaixo:

a) CADEIA DE MACAU: Inaugurada em 1912 a Cadeia Cetral de Macau foi demolida em 1993.  No seu lugar ergueu-se um edifício multifuncional de grande porte.

Assim era em 1915:

e, como ficou em 1995:

b) EDIFÍCIO RIBEIRO: Herdou apenas o nome da família a que pertencia a moradia que foi, durante décadas era um bom exemplo da arquitetura modernista, de apurado rigor geométrico.  O atual edifício (ao lado do antigo Cineteatro Macau) foi construído nos anos 70.

Assim era em 1960

E como ficou em 1995

c) CASA DO DR. PEDRO LOBO: Construído na Rua da Praia Grande logo a seguir o Palácio do Governo, a casa do Dr. Pedro Lobo foi demolida nos anos 70.  No seu lugar foi construído um prédio de habitação e comércio, na esquina da Rua da Praia Grande com a Travessa da Paiva.

* Pedro Lobo era conhecido na sociedade macaense como maestro e benfeitor por ser um homem de posses.

Como era em 1950

E como ficou em 1995, um prédio feio. Pela localização poderia até ser restaurado para se tornar num museu ou uma instituição governamental.

*Fonte: 100 Anos que Mudaram Macau, um livro do Governo português em 1995.  Participaram da edição: Sérgio Infante, Rogério Beltrão Coelho, Paula Alves e Cecília Jorge.

13 de Maio procissão de N.S.de Fátima, tradição em Macau

13 de Maio

(texto da Revista Macau de Junho de 1990 – não consta o nome do autor e as fotos são da publicação)

“Ave, Ave, Ave Marta…” o cântico encheu as ruas desde o Largo de São Domingos até lá ao aitos à Igreja da Penha. Eram largas centenas de fiéis, que uma vez mais, mantiveram viva a tradição do 13 de Maio. O dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima. Em Macau, como de costume, foi dia de procissão…
Na segunda tarde de sábado do mês de Maio, as ruas encheram-se de gente, na cidade do Nome de Deus. Era a procissão de Nossa Senhora de Fátima a unir, de novo, a Igreja de São Domingos com a da Penha.
Foram cerca de três milhares os fiéis que, entoando cânticos de louvor a Maria, vieram para a rua, depois da celebração da missa em São Domingos, percorreram a baixa da cidade, e rumaram ao monte da Penha, já depois do pôr-do-sol.
A imagem de Nossa Senhora, rodeada de flores, era transportada por “meninas da Congregação de Fátima”.
O Bispo de Macau, Dom Domingos Lam, membros do Cabido, Sacerdotes e Missionárias, integraram também esta manifestação de fé, que todos os anos se repete desde 1929.
O culto de Nossa Senhora de Fátima encontrou em Macau um dos primeiros centros de intensa devoção.
O culto público foi anunciado no primeiro dia de Maio de 1929, em S. Domingos, com um tríduo de preparação a começar no dia 10. “Haveria missa de manhã, o Terço, prática e benção do Santíssimo à tarde, concluindo-se cada dia com o hino de N. S. de Fátima”, como rezava então a imprensa da época.
No primeiro dia do tríduo, prossegue o relato, “o Pe. Roliz benzeu a imagem que iria na procissão e fora enviada de Portugal. O dia 13 de Maio foi de romagem de Fé, com Missa de Pontificai pelo então Bispo de Macau, Dom José da Costa Nunes, tendo ficado o SSmo. exposto todo o dia até às Vésperas de Pontifical à tarde, a que se seguiu o Sermão.”
O padre Antônio Roliz, S.J. terá sido o grande entusiasta que trouxe para as ruas de Macau o culto de Nossa Senhora.
Afinal, sempre era mais fácil trazer o culto mariano até Macau do que levar até Fátima, todos os anos, os milhares de fiéis da Cidade do Nome de Deus.
No ano inaugural do culto a Nossa Senhora de Fátima, o primeiro pregador convidado para o Sermão, foi o padre Antônio Maria Alves, jesuíta e superior das Missões de Shiu-Hing. O padre Alves lançou, então, um apelo que todos os presentes prometeram cumprir. O de, todos os anos, haver peregrinação no dia 13 de Maio, até à Penha (que representaria, assim, a Serra d’Aire de Macau), dando-se corpo desta forma, a uma união espiritual com os imensos peregrinos da Cova da Iria.
Nesse ano pioneiro, a procissão fez o trajecto usual. “Sé, Largo do Senado, e São Domingos. A imagem da Senhora levava uma preciosa auréola e pendente das mãos um rico rosário de ouro, obtido por subscrição pública, e durante a procissão contava-se o Terço e hinos à Senhora”.
O êxito da primeira romagem levou os responsáveis a lançar a idéia de criação de uma entidade que assegurasse a continuidade daquela manifestação de Fé.
A 13 de Dezembro de 1929 fundava-se a Congregação de Meninas, designada de N. S. de Fátima, que dura até hoje (1990) e se dedica a organizar os festejos de 13 de Maio.

No ano seguinte, as cerimónias religiosas seriam rodeadas ainda de maior solenidade.
A festa começou a ser precedida de novenas, tendo a procissão, propriamente dita, obtido tal acompanhamento humano que, segundo se falava na altura, desde 1904 que “não se vira em Macau uma procissão tão bem organizada, tão piedosa e tão concorrida”.
Esta procissão tão piedosa, seria também, a primeira que levaria os fiéis até à Igreja da Penha, dando-lhe o contorno que ela mantém ainda hoje.
Esta manifestação de fé não seria sobressaltada pelo decorrer dos tempos. A Segunda Guerra Mundial, que veio a alterar significativamente a forma de viver desta população (de súbito acrescida com largos milhares de refugiados), acabou por avivar a devoção deste povo a Nossa Senhora.
As procissões que se realizaram nos anos de guerra estavam cheias de fiéis devotos, que imploravam graças à Virgem de Fátima. E, de facto, Macau manteve-se durante esses anos conturbados, como terra de paz…
A Procissão contravou inalterável, afinal tal qual como hoje (1990) a conhecemos. Em 1978. já a liturgia começou a ser celebrada em Português e Chinês, de forma a que toda a comunidade de Macau tivesse o ensejo de rezar, de verdade, na sua própria língua.
Desde o já longínquo ano de 1929, que a 13 de Maio as ruas de Macau se enchem de gente de fé. E ninguém quer ouvir falar do ano em que a tradição possa vir a acabar.

Nota: A tradição é mantida em Macau até nos dias de hoje, mesmo após a sua transição pelos portugueses para a China.

Veja o vídeo da procissão em 2011, em Macau, divulgado pelo Jornal Tribuna de Macau no YouTube:

Memórias de Macau: antes em 1973 e depois em 2010

Em 1973 Karsten Peterson, um marinheiro dinamarquês que residiu 6 anos em Hong Kong, foi conhecer Macau e tirou as fotos abaixo.

37 anos depois, na minha viagem para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010, tirei as fotos das mesmas localidades:

(clicar nas fotos para aumentar)

Macau 1973

foto de/photo by Karsten Petersen (Dinamarca/Denmark)

Esta ladeira ou rampa que dá acesso (subindo-a) para o Teatro Dom Pedro, a Igreja de Santo Agostinho e a Escola Comercial.  Agora quem for descê-la, vai para a Igreja de São Lourenço e o Seminário de São José, um dos caminhos que eu fazia para ir à escola nos anos 60.  Belos tempos.  Agradeço o Karsten Peterson pela foto que tantas boas memórias me trazem do trajeto para ida/volta da escola.  Interessante que, agora vendo essas casas bem deterioradas, na época, não impressionavamos com isso.  Nem davamos importância!  Hoje diriamos: “uau, que casas velhas e mal conservadas, caindo aos pedaços”.  Essa na verdade era a Macau daqueles tempos.  Não havia muita preocupação em restaurar casas, prédios, monumentos, Igrejas etc.  Eram muito manchadas ou com a pintura mofada e paredes escurecidas.  No entanto, essa era a Macau que gostavamos.  Sentiamos bem.  Era mais humana! Mesmo que Macau hoje impressione pela modernidade.

Macau 2010 – o mesmo local visto do larguinho defronte ao Teatro Dom Pedro

foto de/photo by Rogério P.D. Luz

Macau 1973

foto de/photo by Karsten Peterson

Antigamente era possível passear tranquilamente pelas Ruínas de São Paulo.  Tinha pouca gente.  Hoje, há tanta gente, especialmente turistas da China (além das fronteiras de Macau que hoje também é China), que até nem dá vontade de fotografar as Ruínas.  Os turistas chineses gostam de ver as relíquias históricas ocidentais.  Para quem não saiba, a Igreja de Madre de Deus e o adjacente Colégio de São Paulo foram destruídos por um incêndio em 1835.  Sobrou apenas a fachada que hoje é Patrimonio Mundial da Humanidade da UNESCO, e em 2009 foi classificada como uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

Macau 2010

foto de/photo by Rogério P.D. Luz (até que neste dia não tinha muita gente)

Macau 1973

foto de/photo by Karsten Petersen

Esta é a região de Lán Kuai Lau ou Ferro Velho, onde se vendia e ainda vende antiguidades, coisas usadas etc. Uma boa pesquisa acham-se coisas históricas, antiguidades que nem se imagina.  Pouca coisa mudou em 37 anos é o que aparenta.  Talvez um pouco de “modernidade” com os casarões velhos substituídos por prédios.  Mas é uma região interessante pois é tipicamente chinesa, bem tradicional.

Macau 2010

foto de/photo by Rogério P.D. Luz

A língua portuguesa morre aos poucos em Macau?

A entrevista(vide abaixo) concedida ao Jornal Tribuna Macau por Frederico Martins e Eduardo Ambrósio, meus amigos desde os tempos de juventude em Macau e no Seminário de São José, é oportuna para questionar: a língua portuguesa morre aos poucos em Macau?.  O Frederico alerta que certa parcela dos macaenses residentes em Macau não estão a se preocupar com o aprendizado da língua portuguesa por seus filhos.  Hoje se se preocupam a estudar o mandarim e o inglês, compreensível, pois Macau foi devolvida para a China e a língua inglesa praticamente é um item obrigatório no curriculum escolar, e com isso, já que os portugueses deixaram a administração da território, não há mais preocupação em aprender o português e nem praticá-lo.

Já faz algum tempo que percebo nas minhas viagens a Macau, apesar de pouca frequência, que se prefere falar aquelas duas línguas que o português, tanto por conveniência, preferência, convivências, etc etc. Não sei exatamente dizer se isso já ocorre, mesmo antes da transição, mas quer me parecer que sim, e que talvez tenha evoluído após Macau ter se tornado um território chinês.

Fico aqui a pensar que se falamos em preservar a cultura macaense, a gastronomia, o patoá, não deveriamos também falar na preservação da língua portuguesa no meio macaense? Como podemos tomar estas atitudes e iniciativas desprezando a nossa língua mãe? Afinal a existência e a definição do macaense está estritamente ligada a ela. Até seria favorável que se houvesse um movimento sensato e racional em sua defesa e preservação no meio macaense.

Seria cómico se não fosse trágico pensarmos que no continente da China, há muitos chineses a estudar a língua portuguesa já de olho na evolução dos negócios com países lusófonos, tal como o Brasil que é um dos seus principais parceiros comerciais, e quem sabe seriam os seus salvadores em Macau, ou numa situação hipotética, pelos chineses residentes no Brasil, nos seus 200 mil ou mais, que já arranham o português ou o falam com certa fluência. Até seria muito triste pensar que, enquanto os chineses avançam no seu aprendizado, os macaenses vão desaprendendo a sua língua mãe???!!!

Veja então a citada entrevista e um apelo – VISTA A CAMISA DA LÍNGUA PORTUGUESA EM MACAU.  NÃO DEIXE-A MORRER NA NOSSA TERRA!!!

(clique na imagem para ampliar)

Vídeo – Especial Macau 1999, Dez Anos Depois

O canal de Portugal no Mundo 2011 (clique e veja outros vídeos) no YouTube exibe um interessante vídeo de longa duração de 01:36.14seg produzido pela RTP, com o apoio da Casa de Portugal em Macau: Especial Macau 1999, Dez Anos Depois.  Descreve na sua apresentação: “Testemunhos da Comunidade Portuguesa de e em Macau sobre os 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, a 20 de Dezembro de 1999″. (Obrigado Rogério Monteiro pela dica):