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Macau visto por um brasileiro, num dia !!!???

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

Na Página “Sua Mensagem” (link no topo) vi a mensagem do Pietro Ferreira (brasileiro de Rio de Janeiro), que aproveitando a visita a Hong Kong, deu um pulo em Macau, e num dia só (???!!!) fez um monte de fotos de diversos locais, e acho, deve ter dado uma paradinha para almoçar.  Não sei como fez tudo isso num dia, de avião??? hehehe, e olha que ainda foi para Taipa … Mesmo de carro, onde ia estacionar a toda hora, nessa Macau “sem estacionamentos”?  A pé, só se tivesse corrido … bom, brincadeiras à parte, Pietro, parabéns, que façanha, realmente tudo isso num dia é meio difícil, mas conseguiu!!!

Se me deixar, vou publicar quatro fotos para chamar atenção para o seu álbum, tanto no Skycrapercity bem como no FlickR (veja links abaixo).  Cuidado, se bobear vou piratear umas fotos inéditas e dizer que fui eu que os tirei … hehehe … pode ficar calmo que se fizer isso, vou atribuir crédito à sua pessoa.  Aliás vendo a lista dos seus álbuns no FlickR, dá para perceber que é um cara bem viajado, coisa de “invejar“.  Muito bom, viajar é a melhor coisa da vida.  Fico feliz a ver que este blog te alcançou!!!

Fotografia é assim, cada um tem um olhar diferente.  Você nunca é o melhor e nem tem olhar único.  Um fotógrafo assíduo de Macau como eu, posso passar num mesmo lugar toda vez que viajo para lá e não conseguir enxergar um ângulo que o Pietro viu, e é o que aconteceu em algumas fotos.   Parabéns Pietro Ferreira, gostei das suas fotos e dei destaque em post.  Muito boas!

Veja mais de 60 fotos de Macau sob o ponto de vista de um brasileiro do Rio de Janeiro, neste link

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1505324

E suas fotos do mundo nos seus álbuns no FlickR: http://www.flickr.com/photos/pietro_f/sets/

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

 

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

Macau - foto de Pietro Ferreira (Rio de Janeiro)

 

 

Macau 1992, vista aérea e densidade demográfica: saiba

Macau 1992. Foto de Wong Wai Hong

Passaram-se 20 anos desde que o fotógrafo Wong Wai Hong a bordo de um ultra-leve sobrevoou Macau a pouco mais de mil metros de altura.  Foram tiradas mais de mil fotos em vários sobrevoos.  O resultado do trabalho foi publicado em postais que comprei em 1994 em Macau.  A série foi patrocinada pelo Instituto Cultural de Macau e consta o editor como San Yu Tang, de Hong Kong.

Na foto abaixo, de autoria estampada e época desconhecida, podem ter uma idéia da evolução de Macau desde 1992,como os novos aterros (mais à direita), pontes, vias públicas e muitos prédios.  Macau aumentou de tamanho, e não para de aumentar.  Digamos que aumenta “a cada minuto” com as barcaças trazendo terra da China e despejando no mar, num trabalho de formiga, para formar novos aterros.

A seguir podem ver a única ponte que, em 1992, ligava a península de Macau às suas duas ilhas, Taipa e Coloane.  Taipa hoje em dia está ligada a Coloane por uma avenida.  Praticamente as duas ilhas ficaram uma só, e os aterros continuam … Taipa hoje abriga os mais modernos e espetaculares casinos de Macau, e se não bobear, supera Las Vegas como de fato já é uma realidade em termos de receita.  Na foto abaixo, podem ver que a primeira ilha, que é Taipa, era pouco habitada.  Hoje em dia, está entupida de casinos monumentais, um aeroporto e muitos prédios, estádios etc etc.  Torna-se opção de moradia por falta de espaço na península.  Além dessa ponte da foto, foram construídas mais duas para ligação a Macau. A ilha do fundo é Coloane e, por enquanto, está um tanto preservada com as suas áreas verdes.

Macau 1992. Foto de Wong Wai Hong

Macau, em 1992, ainda sob a administração portuguesa (foi devolvida para a China em Dez/1999) deveria ter cerca de 400 mil habitantes.  Hoje tem em torno de 570 mil.  Agora, aos leitores que não conhecem Macau, saiba que é um dos lugares do mundo com a maior densidade demográfica, com cerca de 19.000 pessoas por quilómetro quadrado.  Veja a foto abaixo de 1992, com a parte escurecida para delimitar a área da península Macau, para imaginar como os seus habitantes “se espremiam” neste pequeno espaço de cerca de 22 km2 (? em 92?).  A área escurecida já faz parte do continente da China, porém, mesmo que Macau hoje faça parte da nação chinesa, há uma fronteira para se cruzar, necessitando de visto.  O mesmo se aplica aos residentes chineses do outro lado da fronteira.  Isto é a China e este esquema de fronteiras também se aplica a muitas cidades dentro do continente.  Entre outras coisas, serve para controlar o fluxo migratório.

E, como diz o poeta macaenseAdé no nosso dialecto patoá: Macau Sã Assi … (Macau é assim)

* Agradecimentos ao fotógrafo e editores

Esta é a minha terra natal, MACAU

Já publiquei uns vídeos da minha terra natal, Macau.  E volto a publicar mais um, produzido pelo TravelGuru em inglês.  Gostei dele, é curtinho (6 mins.) mas um vídeo envolvente e dinâmico. Depois de vê-lo, dá aquela vontade de voltar lá para uma visita e matar as saudades. Deus queira, em Novembro de ano que vem, isto, se der …

Aos leitores que visitam este blog e não a conheçam, esta é a cidade de Macau que tanto se fala aqui, embora seja dos tempos atuais, após a transição para a China em Dezembro de 1999.  Boa viagem ao outro lado do mundo onde você vai ver um misto de cultura ocidental com a oriental, afinal foi colônia portuguesa.  Vai ver também muitos e muitos chineses, afinal de contas a população portuguesa e os macaenses, mestiços em geral, a falar o português é o mínimo, cerca de 2% dos por volta de 600 mil habitantes num espaço apertado de pouco menos de 30 km2.  Eramos mais, os falantes do português, mas antes da transição muitos partiram para o mundo exterior, alguns voltaram mas pouco significativo.  A língua portuguesa ainda é uma 2a. língua oficial com bastante visibilidade em anúncios externos, nomes de estabelecimentos etc., mas poucos a falam.  A prefeitura de São Paulo ainda não baixou por lá com a lei de “cidade limpa“.  Lá você vai ver cartazes de todos os tamanhos, anúncios à vontade, enfeites, luzes piscando, etc.  Os chineses gostam disso, faz parte da cultura deles, também, “it’s business“, com tantos casinos por lá.  Tanto que o mandatário nunca iria para lá, pois correria o risco de ter um “enfarte” ao ver toda esta “poluição visual“:

*Obrigado pela dica Maria “Mimi” do Rosário (Espanha)

Agora Macau Sã Assi (é assim) ???!!!

Circulam pela Internet, através de e-mails entre macaenses, 3 fotos que mostram Macau lotada … não … lotadíssima … não … põe mais e mais nisso .. excessivamente lotada de gente … sabe o que é trânsito congestionado/engarrafado, daqueles que você desliga o motor e sai do carro pois não anda … é algo assim.  Se fosse eu, talvez parava num restaurante, se pudesse entrar, é óbvio, almoçava, tomava um ice cream, um café, e quem sabe, depois ao sair ainda encontrava os mesmos gajos/caras no mesmo lugar … hehehe!!!

Pela decoração da rua, penso que foi no Ano Novo Chinês, como aventou um dos macaenses ‘repassadores’ de e-mail.  Um deles comentava “acho isto extremamente assustador: 20 minutos do BNU até os Correios (talvez uns 200 metros, ou 1 minuto para percorrer 10 metros)”.  Outro atribui ao excesso de turistas vindo do Continente da China, acrescentando que já é difícil circular pelo Largo Senado, entrar na Farmácia Popular ou no Watson’s, e que em Hong Kong (talvez a imprensa) classifica isto como uma ‘praga de gafanhotos (com o devido respeito às pessoas, quais sejam elas e a origem, apenas uma forma de expressão, asim entendi o escrito)”.  E nos emails o assunto é “Agora, Macau Sã Assi … assustador”.

De fato, na última viagem que fiz em 2010, percebi um excesso de pessoas na região central, Largo do Senado e adjacências, e nas Ruínas de São Paulo, o que me fez evitar esses locais durante o dia e especialmente nos fins de semana.  Agora, se eu tinha vontade de ir a Macau no Ano Novo Chinês … pode esquecer … ‘nem morto’ !!! E ao amigo Api, lembras da sua canção Macau, neste trecho: “Macau … trazes a lembrança de uma quinta … és tranquila e bonita, símbolo da paz …” ??? Bom, está certo, eram os anos 60 e 70 …

1) O Largo do Senado decorado para o Ano Novo Chinês (?)

2) Isso me parece a ladeira que leva às Ruínasde São Paulo (?) … simplemente absurdo alguém se conformar em ficar neste congestionamento/engarrafamento de gente … 3) Aqui é aquela escadaria que leva à Catedral da Sé, ou a Av. Almeida Ribeiro (teria sido mais inteligente ir para o outro lado da calçada, mais livre … também … ou então subir as escadarias e descer atrás dos Correios .. aiaiai):

13 de Maio procissão de N.S.de Fátima, tradição em Macau

13 de Maio

(texto da Revista Macau de Junho de 1990 – não consta o nome do autor e as fotos são da publicação)

“Ave, Ave, Ave Marta…” o cântico encheu as ruas desde o Largo de São Domingos até lá ao aitos à Igreja da Penha. Eram largas centenas de fiéis, que uma vez mais, mantiveram viva a tradição do 13 de Maio. O dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima. Em Macau, como de costume, foi dia de procissão…
Na segunda tarde de sábado do mês de Maio, as ruas encheram-se de gente, na cidade do Nome de Deus. Era a procissão de Nossa Senhora de Fátima a unir, de novo, a Igreja de São Domingos com a da Penha.
Foram cerca de três milhares os fiéis que, entoando cânticos de louvor a Maria, vieram para a rua, depois da celebração da missa em São Domingos, percorreram a baixa da cidade, e rumaram ao monte da Penha, já depois do pôr-do-sol.
A imagem de Nossa Senhora, rodeada de flores, era transportada por “meninas da Congregação de Fátima”.
O Bispo de Macau, Dom Domingos Lam, membros do Cabido, Sacerdotes e Missionárias, integraram também esta manifestação de fé, que todos os anos se repete desde 1929.
O culto de Nossa Senhora de Fátima encontrou em Macau um dos primeiros centros de intensa devoção.
O culto público foi anunciado no primeiro dia de Maio de 1929, em S. Domingos, com um tríduo de preparação a começar no dia 10. “Haveria missa de manhã, o Terço, prática e benção do Santíssimo à tarde, concluindo-se cada dia com o hino de N. S. de Fátima”, como rezava então a imprensa da época.
No primeiro dia do tríduo, prossegue o relato, “o Pe. Roliz benzeu a imagem que iria na procissão e fora enviada de Portugal. O dia 13 de Maio foi de romagem de Fé, com Missa de Pontificai pelo então Bispo de Macau, Dom José da Costa Nunes, tendo ficado o SSmo. exposto todo o dia até às Vésperas de Pontifical à tarde, a que se seguiu o Sermão.”
O padre Antônio Roliz, S.J. terá sido o grande entusiasta que trouxe para as ruas de Macau o culto de Nossa Senhora.
Afinal, sempre era mais fácil trazer o culto mariano até Macau do que levar até Fátima, todos os anos, os milhares de fiéis da Cidade do Nome de Deus.
No ano inaugural do culto a Nossa Senhora de Fátima, o primeiro pregador convidado para o Sermão, foi o padre Antônio Maria Alves, jesuíta e superior das Missões de Shiu-Hing. O padre Alves lançou, então, um apelo que todos os presentes prometeram cumprir. O de, todos os anos, haver peregrinação no dia 13 de Maio, até à Penha (que representaria, assim, a Serra d’Aire de Macau), dando-se corpo desta forma, a uma união espiritual com os imensos peregrinos da Cova da Iria.
Nesse ano pioneiro, a procissão fez o trajecto usual. “Sé, Largo do Senado, e São Domingos. A imagem da Senhora levava uma preciosa auréola e pendente das mãos um rico rosário de ouro, obtido por subscrição pública, e durante a procissão contava-se o Terço e hinos à Senhora”.
O êxito da primeira romagem levou os responsáveis a lançar a idéia de criação de uma entidade que assegurasse a continuidade daquela manifestação de Fé.
A 13 de Dezembro de 1929 fundava-se a Congregação de Meninas, designada de N. S. de Fátima, que dura até hoje (1990) e se dedica a organizar os festejos de 13 de Maio.

No ano seguinte, as cerimónias religiosas seriam rodeadas ainda de maior solenidade.
A festa começou a ser precedida de novenas, tendo a procissão, propriamente dita, obtido tal acompanhamento humano que, segundo se falava na altura, desde 1904 que “não se vira em Macau uma procissão tão bem organizada, tão piedosa e tão concorrida”.
Esta procissão tão piedosa, seria também, a primeira que levaria os fiéis até à Igreja da Penha, dando-lhe o contorno que ela mantém ainda hoje.
Esta manifestação de fé não seria sobressaltada pelo decorrer dos tempos. A Segunda Guerra Mundial, que veio a alterar significativamente a forma de viver desta população (de súbito acrescida com largos milhares de refugiados), acabou por avivar a devoção deste povo a Nossa Senhora.
As procissões que se realizaram nos anos de guerra estavam cheias de fiéis devotos, que imploravam graças à Virgem de Fátima. E, de facto, Macau manteve-se durante esses anos conturbados, como terra de paz…
A Procissão contravou inalterável, afinal tal qual como hoje (1990) a conhecemos. Em 1978. já a liturgia começou a ser celebrada em Português e Chinês, de forma a que toda a comunidade de Macau tivesse o ensejo de rezar, de verdade, na sua própria língua.
Desde o já longínquo ano de 1929, que a 13 de Maio as ruas de Macau se enchem de gente de fé. E ninguém quer ouvir falar do ano em que a tradição possa vir a acabar.

Nota: A tradição é mantida em Macau até nos dias de hoje, mesmo após a sua transição pelos portugueses para a China.

Veja o vídeo da procissão em 2011, em Macau, divulgado pelo Jornal Tribuna de Macau no YouTube:

A língua portuguesa morre aos poucos em Macau?

A entrevista(vide abaixo) concedida ao Jornal Tribuna Macau por Frederico Martins e Eduardo Ambrósio, meus amigos desde os tempos de juventude em Macau e no Seminário de São José, é oportuna para questionar: a língua portuguesa morre aos poucos em Macau?.  O Frederico alerta que certa parcela dos macaenses residentes em Macau não estão a se preocupar com o aprendizado da língua portuguesa por seus filhos.  Hoje se se preocupam a estudar o mandarim e o inglês, compreensível, pois Macau foi devolvida para a China e a língua inglesa praticamente é um item obrigatório no curriculum escolar, e com isso, já que os portugueses deixaram a administração da território, não há mais preocupação em aprender o português e nem praticá-lo.

Já faz algum tempo que percebo nas minhas viagens a Macau, apesar de pouca frequência, que se prefere falar aquelas duas línguas que o português, tanto por conveniência, preferência, convivências, etc etc. Não sei exatamente dizer se isso já ocorre, mesmo antes da transição, mas quer me parecer que sim, e que talvez tenha evoluído após Macau ter se tornado um território chinês.

Fico aqui a pensar que se falamos em preservar a cultura macaense, a gastronomia, o patoá, não deveriamos também falar na preservação da língua portuguesa no meio macaense? Como podemos tomar estas atitudes e iniciativas desprezando a nossa língua mãe? Afinal a existência e a definição do macaense está estritamente ligada a ela. Até seria favorável que se houvesse um movimento sensato e racional em sua defesa e preservação no meio macaense.

Seria cómico se não fosse trágico pensarmos que no continente da China, há muitos chineses a estudar a língua portuguesa já de olho na evolução dos negócios com países lusófonos, tal como o Brasil que é um dos seus principais parceiros comerciais, e quem sabe seriam os seus salvadores em Macau, ou numa situação hipotética, pelos chineses residentes no Brasil, nos seus 200 mil ou mais, que já arranham o português ou o falam com certa fluência. Até seria muito triste pensar que, enquanto os chineses avançam no seu aprendizado, os macaenses vão desaprendendo a sua língua mãe???!!!

Veja então a citada entrevista e um apelo – VISTA A CAMISA DA LÍNGUA PORTUGUESA EM MACAU.  NÃO DEIXE-A MORRER NA NOSSA TERRA!!!

(clique na imagem para ampliar)

Vídeo – Especial Macau 1999, Dez Anos Depois

O canal de Portugal no Mundo 2011 (clique e veja outros vídeos) no YouTube exibe um interessante vídeo de longa duração de 01:36.14seg produzido pela RTP, com o apoio da Casa de Portugal em Macau: Especial Macau 1999, Dez Anos Depois.  Descreve na sua apresentação: “Testemunhos da Comunidade Portuguesa de e em Macau sobre os 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, a 20 de Dezembro de 1999″. (Obrigado Rogério Monteiro pela dica):

Encontro dos Jovens de 2012

Li no Jornal Tribuna Macau que finalmente o Encontro dos Jovens 2012 já tem data marcada para ocorrer entre 8 a 14 de Abril.  Também vi com interesse que a comissão organizadora será formada por jovens, e os “jovens veteranos” (boa essa qualificação) acompanharão os trabalhos.

Penso que os “jovens veteranos” são aqueles que deixaram recentemente de ser jovens, e não os sessentões como a gente, eu por exemplo.  Na nossa diminuta comunidade macaense, o “jovem” acaba tendo a sua “vida útil” estendida.  Vai pouco além dos 40.  Caso contrário seriam “poucos” para o propósito do Encontro.  Vale o esforço e a criatividade! Quanto à comissão organizadora ser formada por jovens, julgo nada mais justo. E Macau, diga-se de passagem, tem muitos jovens bem qualificados, como tive oportunidade de conhecer. Afinal quando um de mais idade tenta interferir com os jovens, acaba dando um de “paizão” ou é qualificado de pai ou avô, e não consegue falar a mesma linguagem, por mais que se esforce.  Não adianta usar apetrechos de jovens, como correntes, pulseiras, e dar um de “malandro” e se achar ainda da “jovem guarda”.

Com relação aos preparativos da Casa de Macau de São Paulo para esse Encontro, tive a informação que até agora, têm a confirmação de 12 candidatos inscritos para as 3 magras vagas que viajam subsidiadas por Macau.  O presidente Gilberto Silva diz que cada candidato passará por uma avaliação por pontuação conforme sua qualificação, viajando aqueles que obtiverem maior número de pontos.  Aqueles que não viajaram para Macau acabam levando certa vantagem na pontuação.  Espera com isso, que novos descendentes de macaenses possam ter a oportunidade de conhecer a terra dos seus pais ou avós, e dessa forma, poderem ser bons candidados à missão de continuidade das Casas e a preservação da identidade macaense.  Nessa expectativa de conclusão dos trabalhos de seleção de candidados, a Casa de São Paulo espera lançar em breve o seu novo site só que desta vez construído por um de seus diretores, o que é de louvar, e estou satisfeito, a pedido, poder oferecer o meu contributo com material didático e fotográfico. No momento oportuno lhes informarei o endereço eletronico.

Veja a reportagem que saiu na edição do JTM do dia 20 (clicar na imagem para ampliar):

Macau, cidade latina “a festa”

Numa outra postagem falei a respeito do assunto, e o evento aconteceu no dia 20 de Dezembro do ano passado.  Veja o que o Jornal Tribuna de Macau escreveu a respeito, com destaque para o que a diretora do evento, Sandra Battaglia, disse: “Macau poderia ser um exemplo para o resto da Ásia, um portal de tolerância e igualdade“.  É isso aí Sandra, Deus te ouça e que seja sempre assim na nossa terra.

(clicar nas imagens para aumentar)

Macau “cidade latina” na China

Macau em 1966 conforme a postagem anterior foi uma coisa, e a Macau de hoje 2011 é outra coisa.  São outros tempos, sem fanatismo, em que se pretende mostrar ao mundo uma cidade de mistura de raças e de culturas, tal como sempre foi ou pretendeu ser.

Vejam abaixo a reportagem que saiu no Jornal Tribuna de Macau, edição de ontem dia 9, a respeito de um desfile a ser promovido no dia 20, tipo carnaval, pelas ruas reunindo vários países latinos ou não,  com o propósito tal como diz o título da postagem.  Vamos ver como desfilarão os representantes do Brasil, já que moro no País.  Tenho visto que tem uma boa turma de brasileiros com participação ativa nos eventos relativos à Lusofonia em Macau.  Obviamente que irão desfilar com trajes tipicamente brasileiros, tal como se vê nos desfiles de São Paulo e Rio, por exemplo.  Acho que não evocarão aquele estilo de muitos babados etc. do estilo “american brazilian style“, bom para os gringos verem mas nada a ver com o Brasil.

Sucesso gente, que promovam um belo espetáculo e que consigam convencer a todos que a Macau é uma cidade latina na China.  Nada fácil mas vale o esforço!!!

(clicar para aumentar)

Macau por Sophie Grigson – documentário/legendas em português

Outro documentário sobre Macau, em 2 episódios, sob outro ponto de vista.  Apresentado por Sophie Grigson, é muito interessante e novamente mata as saudades.  Aos amigos visitantes do Brasil, Portugal, de Países Lusófonos ou não, conheçam esta minha terra natal, Macau, antiga colónia portuguesa na China, devolvida em Dezembro de 1999 que logo logo completa 12 anos:

*obrigado Rogério Monteiro (Macau) pela dica!!!

Macau por PanAsia – documentário/legendas em português

Documentário sobre Macau com duração de 22 minutos e com legendas em português, muito bem produzido, da série PanAsia. Matem as saudades!!! Uma boa oportunidade para os amigos visitantes que não conhecem esta Macau, ex-colónia portuguesa na China:

Jornal Tribuna de Macau – 29 anos

O blog Crónicas Macaenses e o site Projecto Memória Macaense felicita o Jornal Tribuna de Macau pelo seu 29º aniversário.  Agradecem pela permissão para divulgação do seu conteúdo nas suas páginas.

Leiam o editorial do seu diretor José Rocha Dinis a respeito do aniversário (clicar para aumentar):

Atividades do IIM em 3 continentes e o Prémio Identidade

E, novamente, outra notícia do Jornal Tribuna de Macau de hoje, fala das atividades do IIM Instituto Internacional de Macau em Macau, Lisboa e o Brasil.  Apenas para destacar que em Outubro, em São Paulo, com a presença de Jorge Rangel e Lobo do Amaral, vai me ser entregue o diploma do Prémio Identidade pelo trabalho do site Projecto Memória Macaense. Poderá vir acontecer na Casa de Macau de São Paulo, ou com a participação dos corpos sociais da associação noutro local a definir.  O presidente, Gilberto Silva, já manifestou entusiasticamente o seu apoio, pelo que agradeço publicamente.

*clicar para aumentar

Macau e seus divertidos cartazes

Recebi do Luís Garcia (Macau), e-mail com as fotos abaixo de divertidos cartazes e propagandas em Macau com erros de português ou interessantes inscrições de provocar risos. Para quem não conhece, há obrigatoriedade de se escrever em português o que está escrito em chinês.  Mesmo após a transição de Macau para a China em 1999, tal obrigatoriedade foi mantida pois o português passou a ser a 2ª língua oficial. Então, divirtam-se e vejam as fotos em slideshow automático, ou passe o mouse (rato) sobre a foto para avançar ou pausar:

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Memória de Macau “à venda”

Para quem não leu no Jornal Tribuna de Macau edição do dia 19 (hoje no Brasil e ontem em Macau), divulgo a reportagem abaixo na qual 2 pedras, uma com a inscrição de brasão português, e outra que consta “Anno 1912″, ou 99 anos de idade, estão à venda por uma bagatela de 300 mil HK$, ou cerca de US$ 40mil.  Quer comprar? Ah… se fosse rico, compraria sim. Não se brinca assim com a nossa memória!!! Até, de repente, passou um filme na minha cabeça … aquela da estátua Ferreira Amaral … coitadinha … abandonada num terreno baldio (ou será que já a transferiram para um lugar apropriado à sua grandeza? Os amigos de Portugal é que saberão dizer, ou numa viagem minha pra lá, vou constatar e fotografar)

Clicar na foto abaixo para ampliar e ler melhor:

Restaurante Carlos e a Gastronomia Macaense

Saiu no Jornal Tribuna de Macau, edição de 15/09/2011. O restaurante Carlos junta-se ao Long Kei, Fat Siu Lau e Solmar ao obter o título de confrade extraordinário da Confraria de Gastronomia Macaense. Parabéns !!!

Toda notícia da Gastronomia Macaense é sempre bem-vinda. Faz bem para preservação do que há de mais precioso da nossa cultura, além do que “abre o apetite”.  Felizes dos macaenses residentes em Macau, pois se deu vontade de comer um prato macaenses, é só dirigir-se a um dos inúmeros restaurantes, neste caso, o Carlos, e mata a vontade.  Para nós, macaenses da diáspora, já fica muito mais difícil … uide difícil … nunca sám igual Macau … paciência !!! Ah … isto sem falar numa comida china autêntica … é só eles irem lá na esquina … qualquer esquina … e lá está um estabelecimento de fitas e pedir um bom van tan min !!!

clicar na imagem para aumentar e ler melhor a notícia … (foto: da esquerda – Luís Machado-presidente da Confraria, Sebastião Rosa, Henrique Castilho e José Manuel Rodrigues)

Uma Macau moderna, antiga e humana, conheces?

“Estive em Macau várias vezes, após a minha imigração para o Brasil, nasci lá, mas a Macau deste vídeo, interessante, não a conheço.  Tento acreditar que é ela mesmo, me belisco, iou chubi iou, mas ainda tenho dúvidas que essa é a Macau, minha terra natal” …

Falando sério agora, mas que belo e incrível vídeo … líndissimo e muito bem produzido.  Uma criatividade incomparável, está de parabéns o Turismo de Macau.  Vou ter o máximo prazer de repassar para os meus contatos brasileiros, para que conheçam esta Macau que bem mostraram a sua diversidade cultural.  Isto sim, é a forma correta de conduzir a Macau hoje chinesa, que o povo chinês saiba que a nossa terra é diferente de outras cidades da China, até de Hong Kong, e assim deve ser preservada.  Bom para o turismo, bom para os negócios e bom para mostrar ao mundo a boa vontade de uma transição pacífica. Imaginem que até a moça chinesa é católica.  Estava a rezar na Igreja de São Domingos …  Queria realmente um dia poder ver o grupo folclórico português a dançar nas ruas, tal como no vídeo, emboras nas minhas curtas visitas nunca o vi, fora dos palcos do Encontro.

Assim, vamos assistir o vídeo, embora muita gente já o tenha visto, tal a quantidade de e-mails repassados.  Mesmo um tanto ficção, mas viver o sonho desta Macau:

Touching Moments – Experience Macau / Momentos Memoráveis – Sentir Macau

Atualidades, Macau Setembro 2011

Macau, 7 de Setembro de 2011.  Simplesmente, muiiiitaaaa gente.  Haja espaço para andar, um tal de empurra-empurra. Este é o cenário da Macau-China.  Uma enchente de gente especialmente proveniente do Continente.  Penso que muitos querem conhecer esta cidade outrora portuguesa, ou de casinos.  O lugar? O ponto mais visitado: a ladeira de acesso às Ruínas de São Paulo.  Praticamente é impossível tirar uma boa foto do principal ponto turístico de Macau, tal como se podia fazer antigamente.  Uma vez consegui a proeza de no horário de almoço, fazer um ensaio fotográfico das Ruínas com pouca gente, mas isto ocorreu há alguns anos atrás em 2006.  As fotos podem ser vistas no PMM-Fotos de Macau e em vídeo no YouTube

Macau pronta para a Festa Lunar (Pát Iit Sáp Uhm – será que acertei com o meu pobre chinês?), ou seja, 15º dia do 8ª lua (do calendário chinês).  A decoração, para quem não conhece Macau, está localizado em pleno centro da cidade, no Largo do Senado, um espaço ainda preservado.

Vejamos o que o site do Governo da RAEM diz a respeito desta festa: “A festa é dedicada à Lua pois realiza-se no décimo quinto dia da oitava lua do calendário lunar. Confeccionam-se bolos lunares, que são oferecidos a familiares e amigos. Dado que a sua preparação requer que os ingredientes sejam batidos e misturados. Ao cair da noite muitas pessoas se juntam a observar a lua e para tal transportam lanternas das mais variadas formas e cores (é por isso também chamado a festa das lanternas). Em Macau as pessoas juntam-se tradicionalmente junto aos lagos Nam Van, nos jardins da cidade e nas praias em Coloane, onde por vezes as pessoas deixam as suas lanternas flutuar.”

Eu, particularmente, não gosto do bolo lunar.  O recheio não me agrada.  Em São Paulo, no bairro oriental da Liberdade, podemos comprá-lo, além de outros doces/salgados alusivos à data.  Muitos vêm embalados em belas latas decorativas.  Algumas trazem “Made in Macau”. Dá para matar as saudades da nossa terra!

Feliz festa do bolo lunar!!!

* Fotos e informações de Rui Francisco (Macau)

Navio Patrulha Macau (em 2010)

Vão perguntar com certeza, será que a Marinha da China apelidou um dos seus navios de combate de Macau? Ou será que é da Marinha de Portugal, mesmo depois de Macau deixar de ser portuguesa?

Ah … então ouviram o conhecido hino nacional, das corridas de Fórmula 1 nas vitórias de Senna ou de Massa, ou dos campeonatos de vólei em Macau.

É a Marinha do Brasil, com certeza!!! A Macau, não é a nossa Macau, antiga colónia portuguesa, mas a Macau do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, que foi fundada por um português após ter passado pela nossa terra.  Numa outra postagem falarei desta Macau, cidade irmã brasileira de mesmo nome, e também dos macaenses brasileiros, também não de pais da nossa comunidade, mas da cidade de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil.  Afinal de contas, Macau e Macaense tem muito a ver com o Brasil. São “denominações irmãs” além da língua portuguesa.

Aproveitem para ver o canal do autor do vídeo e conheça um pouco dessa Macau do Brasil.

Freguesia de São Lourenço e o seu perímetro

(clicar na imagem para aumentar)

O mapa no máximo deve ser de 1979, mas provavelmente uns anos antes da publicação do livro Toponimia de Macau de Padre Manuel Teixeira naquele ano, de onde foi copiado. Até uns tempos atrás fiquei a pensar qual o perímetro de cada Freguesia de Macau que são (ou eram?) 5?  Elas são: Freguesia de São Lourenço, Sé, São Lázaro, Santo António e Nossa Senhora de Fátima.

A de São Lourenço, assim vejo, é a mais popular, tanto que no Encontro Macau 2010, grupo de antigos e atuais moradores da Freguesia reuniram-se para uma foto de lembrança. Tanto que é a primeira que divulgo com o seu perimetro, que desconhecia até então.

Vejam que a Avenida de Almeida Ribeiro é a fronteira das Freguesias de São Lourenço com a Sé.  Até imagino que a linha que divide as 2 faixas de trânsito seja exatamente a fronteira. Assim quem está do lado do prédio do Leal Senado (ou o antigo Soi Cheong) é de São Lourenço, e quem está do lado do Alfaiate Félix ou Long Kei ou Hotel Central é da .  Interessante !!!

Notei neste mapa, que irei divulgando por partes, a menos popular e pouco conhecida, é a Freguesia de Nossa Senhora de Fátima que compreende a Areia Preta, Ilha Verde, Fai Chi Kei e o Reservatório.  Francamente, quando ainda residia em Macau até os 17 anos, simplemente a desconhecia, também, era meio criança, meio jovem, não ligava muito para essas coisas. Eu, que morava na Calçada de Tronco Velho nº 15, perto da fronteira, pertenço à São Lourenço.

Nota: De 1979 pra cá, 2011, Macau mudou muito e aumentou de tamanho.  Assim, não sei dizer como está hoje a situação das Freguesias.  Se escrevi algo que não corresponde à atualidade, então esta postagem tem validade até 1979, e me alertem se for o caso, agradecendo antecipadamente à boa alma que se prestar a fazer um comentário.

A Av. de Almeida Ribeiro.  Observe a linha branca que divide as  2 faixas de trânsito.  Seria a linha divisória das Freguesias de São Lourenço e da Sé?

Os antigos e atuais moradores da Freguesia de São Lourenço numa foto de lembraça tirada no Encontro Macau 2010

Tese de mestrado de Alexandra Rangel: Comunidade Macaense

“Esta dissertação de Mestrado é sobre os macaenses, os “filhos da terra”, descendentes de várias gerações de cruzamentos de portugueses com orientais, resultando desta miscigenação uma comunidade com características próprias. A culinária, o dialecto (patuá) e as festividades tradicionais demonstram a base cultural portuguesa e as influências recebidas dos países asiáticos vizinhos do território com mais de 400 anos de presença portuguesa, devolvido à China em Dezembro de 1999. Actualmente, Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, regida por uma Lei Básica, elaborada em conformidade com a Declaração Conjunta Luso-Chinesa, firmada em 1987. Esta Lei garante aos residentes do território, incluindo os de ascendência portuguesa, a manutenção da sua maneira de viver e os direitos que tinham anteriormente. É feito um enquadramento histórico, para que melhor se compreenda o nascimento e o percurso desta comunidade, e são identificados os desafios que se lhe colocam, hoje, bem como o seu singular legado cultural.
Abstract: This Master of Arts thesis is about the Macanese, the filhos da terra (the “sons of Macau”), who descend from several generations of intermarriages between the Portuguese and Asians. The miscegenation resulted in a community with specific cultural traits. The cuisine, the dialect and the traditional festivals show us the Portuguese cultural base mixed with influences received from the neighbouring Asian countries. Macau was handed back to China in December of 1999, ending more than 400 years of Portuguese presence. Macau is presently a Special Administrative Region of the People’s Republic of China and its Basic Law was written in conformity with the Sino-Portuguese Joint Declaration which was signed in 1987. The Basic Law guarantees the way of life and the rights the residents – including those of Portuguese descent – enjoyed before the handover. A historical background is provided for a better understanding of this community, from its beginning until today, and the new challenges it is facing, as well as its important cultural legacy, are identified.”

No link abaixo, clique na ligação constante do quadro “Ficheiros deste Registo” e vejo o belo trabalho da Alexandra Sofia de Senna Fernandes Hagedorn Rangel, filha de Jorge Rangel do IIM-Instituto Internacional de Macau:

http://repositorio.ul.pt/handle/10451/3906

ou veja no arquivo em pdf abaixo (11 Mb) – clicar para abrir:

Alexandra Rangel tese mestrado ulfl081900_tm (fonte: site da Universidade de Lisboa na ligação acima)

*Divulgação possível graças ao e-mail de Maria João Santos Ferreira, macaense e bibliotecária do Museu de Ciência de Lisboa, e autora de livro de receitas da gastronomia macaense. Obrigado!

A revista Oriente / Ocidente

Esta crónica foi publicada no Jornal Tribuna de Macau em 18/07/2011 assinada por Jorge Rangel, que traz informações que valem uma boa leitura.  Faz parte da sua série que tem livro publicado com o mesmo título – Falar de Nós

- Falar de Nós - 

Oriente / Ocidente – vinte e seis números publicados

Jorge A. H. Rangel*

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo.

Do editorial do n.º 26 da “Oriente / Ocidente”

É sempre motivo de satisfação, para quem se dedica à preservação, valorização e divulgação da memória da sua terra e da sua comunidade, ver sair do prelo mais um livro, revista ou simples boletim informativo em que se fazem mais registos dessa memória e de acontecimentos e personalidades que dão sentido a uma comunidade viva, orgulhosa da sua história e parte activa na construção do futuro da terra onde nasceu ou onde vive e que foi o ponto de partida para a diáspora que as suas gentes laboriosamente criaram e consolidaram nos novos mundos que demandaram. Saúda-se, por isso, a publicação de mais um número da “Oriente / Ocidente”, revista do Instituto Internacional de Macau (IIM), ora em distribuição e cujo conteúdo é largamente dominado pelo último Encontro das Comunidades Macaenses, realizado em Novembro e Dezembro de 2010.

Vinte e seis números foram já publicados neste seu presente formato, desde que, de pequena “newsletter”, foi tendo o seu conteúdo, dimensão e arranjo gráfico crescentemente melhorados. Inicialmente coordenada por Luís Sá Cunha, os responsáveis pela publicação são agora Rufino Ramos, como editor, e José Mário Teixeira, como adjunto.

Os propósitos da revista

O editorial deste número explica bem os propósitos da revista:

“Macau sempre foi uma cidade vanguardista no processo da mundialização. Há já cinco séculos que assumiu o papel de plataforma entre os universos oriental e ocidental e, desde então, tem cumprido esse papel de uma forma única. Se bem que a sua localização geográfica foi, e é, um ponto importante neste processo, é certo que não foi exclusivamente graças a esse ponto, o sucesso alcançado pelo território. As gentes de Macau e as suas criações foram, indubitavelmente, a chave do êxito deste pequeno pedaço de terra. Gentes e criações que deram origem a um património identitário único no mundo, pela sua diversidade e harmonia.

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a data da sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo. Lado a lado com Macau, a história do IIM é, também, uma história de sucesso.

A participação no Encontro das Comunidades Macaenses 2010 coroou um ano próspero do IIM, numa homenagem conjunta ao patuá, a personalidades, a instituições, a memórias… e a Macau. Nestes momentos de triunfo da comunidade sobre o esquecimento, criam-se espaços novos, num processo eterno de criação e manutenção da identidade macaense.

Para cada pessoa que parte, criam-se também espaços de homenagem e de memória. Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros e Lídia Cunha foram peças no processo de criação de Macau e merecem, também, um destes espaços, na memória de cada um e na identidade de todos.

Este número da ʻOriente / Ocidenteʼ é a prova disso.”

Um rico conteúdo

Várias páginas foram, assim, dedicadas à memória de Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros (Neco) e Lídia Lourdes da Cunha. “Macau sempre foi terra produtora de grandes homens e grandes histórias. Aventureiros ou contadores de histórias, homens das ciências ou das letras, os filhos da terra deixaram a marca de água, uma identidade que pertence, agora, a todos os que partilham este pequeno espaço, portal entre as dimensões ocidentais e orientais”. Quando esses homens e mulheres nos deixam para sempre, quem fica sabe honrar a sua memória. Foi assim ao longo de muitas gerações.

Os momentos mais significativos do Encontro das Comunidades Macaenses são evocados neste número, profusamente ilustrado com fotos dos acontecimentos mais marcantes, como a entrega do Prémio Identidade à União Macaense Americana e à Santa Casa da Misericórdia de Macau, a reunião do Conselho das Comunidades Macaenses, a recepção do Chefe do Executivo aos presidentes das Casas de Macau, a reabertura do espaço do velho edifício do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, totalmente remodelado, as sessões culturais e os animados convívios, sessões de lançamento de novos livros relacionados com Macau e a comunidade macaense e a simbólica oferta de uma aguarela do pintor russo Smirnoff ao Museu de Artes de Macau, intermediada pelo IIM e entregue pessoalmente pela sua proprietária, Cecilia Maria Yvanovich Burroughs. A aguarela é um retrato desta senhora, agora residente nos EUA, que Macau acolheu nos anos difíceis da Guerra do Pacífico e aqui residiu durante três anos. Visivelmente comovida, expressou a gratidão à terra que tão bem recebeu a sua família e tantos outros membros da comunidade portuguesa de Hong Kong e gentes de muitas origens.

Este número da “Oriente / Ocidente” contém, também, um extenso artigo sobre novas edições do IIM e reportagens sobre algumas das mais relevantes actividades levadas a efeito recentemente, como a continuação da itinerância da exposição “Macau é um espectáculo”, sessões de divulgação do patuá nas Casas de Macau, seminários realizados em várias partes do mundo, o programa DOCTV da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que o IIM ajudou a estender a Macau com a colaboração da TDM, a atribuição do prémio Jovem Investigador e de prémios do IIM a alunos da Escola Portuguesa de Macau, a assinatura do protocolo de cooperação que aproximou o IIM do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, a sessão da AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa realizada no auditório do IIM e a visita do Conselho Superior dos Institutos Politécnicos Portugueses a Malaca, organizada através do IIM.

Notícias da diáspora macaense e de encontros realizados pelo IIM com entidades oficiais (Chefe do Executivo da RAEM, Secretário-Executivo da CPLP, Secretário-Geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial da China com os Países de Língua Portuguesa, Presidente do Instituto Camões e responsáveis pela Expo Mundial de Xangai e do pavilhão de Portugal nesse certame) completam o conteúdo da revista.

Testemunho de Cecilia Yvanovich

Vale a pena ler o testemunho muito sentido de Cecilia Yvanovich:

“(…) Os japoneses ocuparam Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941. Sendo de cidadania portuguesa, a nossa família não foi encarcerada pelos japoneses. Não viemos para Macau como as outras famílias senão quase em finais de Outubro de 1942, quando Hong Kong foi bombardeada pelos aviões americanos. Foi então quando o nosso pai decidiu que era tempo de a nossa família mudar-se para Macau. Meu pai e minha mãe, Vincente e Pureza Yvanovich, e os filhos, Teresa, Vincent Jr., Helen, Cecilia e John, embalámos o que foi possível e deixámos a nossa casa para virmos para Macau.

A Administração Portuguesa de Macau recebeu os refugiados portugueses de Hong Kong. As famílias eram alojadas em centros de refugiados mas nós fomos muito afortunados por nos ser possível habitar numa bonita casa na Estrada da Vitória, durante a nossa estada em Macau. A guerra acabou em Agosto de 1945 e em Outubro nós regressámos a Hong Kong.

 

São felizes as recordações que tenho desse três anos em Macau. As pessoas e a Administração não podiam ser mais hospitaleiras e amigáveis. Os residentes de Macau, com idade entre os 18 anos e os 30 e aqueles de Hong Kong, quase da mesma idade, rapidamente se tornaram amigos e muitas vezes se juntavam em festas, chás dançantes e outros eventos. George Smirnoff, que ensinou pintura a vários deles, juntava-se muitas vezes a nós. Foi através destas pessoas amigas de Macau que eu conheci George.

Ficarei muito contente e honrada quando o meu retrato figurar juntamente com as outras bonitas aguarelas de Smirnoff, das muitas paisagens que ele pintou de Macau.”

Em breve sairá a versão em chinês e inglês e o próximo número da edição portuguesa deverá ser distribuído no fim do ano.

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

Pensamento: Não podemos julgar um povo …

Diante de inúmeros e-mails repassados sobre um artigo publicado num jornal de Macau, este blog não poderia deixar de tecer um comentário, sem porém citar nomes ou referências. Até gostaria de nem comentar o assunto, mas talvez muitos estranhassem o silêncio.

O autor pensa que:

- devemos prestar a nossa solidariedade à vítima diante de tal covarde e absurda agressão de um só indivíduo

- a atitude covarde de um só indivíduo ou talvez de alguns indivíduos como se fala por aí, não pode e nunca deve condenar um povo que nós e os nossos antepassados conviveram há cerca de 440 anos.  Um povo que merece o nosso respeito, pois muitos macaenses carregam esse sangue nas suas veias

- e, se ao invés de avaliarmos a atitude covarde de um só indivíduo, fossemos avaliar uma atitude positiva de um outro indivíduo da mesma raça, saberiamos valorizar o povo ao invés de condená-lo?

O blog não pretende entrar mais no mérito da questão e nem quer servir de abrigo para todo o tipo de comentário, um direito que o assiste.  O jornal por si abre espaço para seus comentários. Que os façam por lá.

Assim, nenhum comentário sobre o assunto será publicado.

Macau, registos fotográficos comentados

O Rui decidiu dar uma folga ao editor deste blog nesta semana. e aqui vai mais uma contribuição em fotos, comentadas.  Muito oportuno Rui, pois contrastando a alegria do Prémio Identidade 2011 concedido ao meu site PMM, passo por alguns contratempos que poderiam prejudicar as publicações neste blog.

A época da foto das Ruínas de São Paulo, Macau, é o Ano Novo Chinês de 2011, conforme o Rui.  Bom … ficou um bocado colorido, enfeites alegres e chamativos de gosto bem oriental, o que faz parte da cultura à qual estamos habituados e até faz parte da nossa vida, mas não resta dúvida, alegra bem os olhos !!! Até diria que a decoração natalina talvez tenha se inspirado na oriental, será?

São casas antigas da Rua Belchior Carneiro, atrás das Ruínas de São Paulo, Macau.  Foram demolidas há cerca de um ano, mas as obras foram interrompidas. No lugar da memória destruída, surgiu outra memória e que deu lugar a novas escavações.  Foram achados rastos e vestígios de porcelana e artigos de cerâmica antiga. Seria a resposta da memória que se vinga das iniciativas que a destroem? É … ainda vão achar muita coisa antiga na região, se escavarem ainda mais.

A propósito, sabia que quando as Ruínas de São Paulo, viraram ruínas de facto, houve iniciativa para reconstruir a Igreja? Mas não deu certo! Um dia lhes conto do que li na Toponimia de Macau do Padre Teixeira.

Faça como o Rui, contribua para uma postagem sua neste blog. O espaço é aberto para uma crónica sua, foto, texto, patuá etc.

Inaugurado mais um monumental Casino

Acho que todos os internautas que acessam este blog, devem estar “carecas” de tanto ler e ver as fotos deste monumental casino Galaxy.  Até me enviaram vários links de vídeos no YouTube. Só posso dizer “simplesmente espectacular”.  Vou contar os dias até uma nova viagem a Macau e visitar este novo “monstro”.

Para quem viveu aquela Macau dos anos 60 em que o orgulho era o prédio de apartamentos, n atualidade perdido ao lado do Hotel Sintra, hoje vê estes autênticos complexos monumentais da era do jogo, simplesmente não consegue acreditar como isso, nos dias de hoje, diria, são “coisas de Macau”.

E, para variar, publico o texto do site da TV e Jornal “O Globo”, aquela das novelas brasileiras que também noticiou o facto (a gente macaense do Brasil sempre fica contente quando Macau vira noticiário na imprensa brasileira, hoje mais frequentemente):

Cassino bilionário é inaugurado em Macau, na China

Cassino faz parte do complexo com três hotéis e piscina de onda artificial.

Há 450 mesas de jogo e 1.500 máquinas de caça-níquel.

O Galaxy Macau, um resort e cassino bilionário, foi inaugurado neste domingo (15) em Macau, na China, com 450 mesas de jogo e 1.500 máquinas de caça-níquel. O empreendimento empresa Galaxy Entertainment Group custou quase 2 bilhões de dólares e pretende atrair uma maior variedade de visitantes do que outros do mesmo ramo no país.

No complexo, há três hotéis, incluindo um da cadeia de Cingapura Banyan Tree e outra cadeia Okura, no Japão, com 2.200 quartos.

Uma das maiores atrações do resort é uma piscina de ondas artificiais de 4 mil metros quadrados, que gera ondas de até 1,5 metro de altura em uma praia artificial criada com 350 toneladas de areia branca.

Há ainda jardins tropicais e japoneses, um pavilhão japonês, um bar especializado em uísque escocês, 50 restaurantes, um clube privado e uma rua de compras. Até o fim deste ano será inaugurado um cinema para filmes em três dimensões.

A “coitada” difícil Quinquilharia

Não é novidade ver em Macau nomes de lojas escritas com erros de português.  Até há um livro a respeito com fotos. Mas vale o esforço dos chineses para cumprir o ainda exigido, mesmo após a transição. Os nomes estabelecimentos têm que ter a tradução para o português, se bem que nem todos cumprem o dever.

Aí acontecem os erros como estas 2 captadas por acaso  na minha viagem para o Encontro Macau 2010.  A vítima foi a a difícil palavra  – quinquilharia.  Nisso até concordo com os “letreiros”.  Quinquilharia, pelo dicionário (Porto Editôra) significa “pequenos objectos de pouco valor, para enfeites e brinquedos para crianças”.  No brasileiro não é muito diferente.  Se tivesse tempo disponível nas minhas corridas estadias em Macau, até também faria uma bela coleção de fotos de erros de português nos anúncios.

Novos cds em Macau???

Acabo de publicar no site Projecto Memória Macaense no Mundo Musical PMM, o cd acima do cantor italiano Fabrizio Croce que residiu uns tempos em Macau.  O disco foi produzido no ano de despedida da administração portuguesa, em 1999.  No site você ouve a canção Macau, letra em italiano e música do cantor.  Bom não confundir com o nosso “hino” Macau (terra minha), uma composição do Rigoberto “Api” Rosário Jr. e gravado originalmente pelos The Thunders. Meu convite para dar um pulo lá e visitar a página.  O link está na coluna lateral do site, aliás sua visita ao site deste blog é sempre bem-vinda.

Sobre o título desta postagem, é para contar que na minha viagem ao Encontro 2010, fui lá, como de hábito, para a Livraria Portuguesa ver as novidades editoriais, e principalmente para ver se havia algum novo CD de Macau.  Subi lá as escadas para o andar superior, naquelas prateleiras de discos, sem qualquer vigilância, ou seja, no piso não há ninguém, acreditando na boa fé e honestidade dos seus frequentadores (coisas de Macau, não vistas no Brasil), e fiquei a procurar por novos cds.  Não precisa dizer que foi aquela decepção! Não se produzem mais cds de conjuntos ou cantores de Macau, digamos, de língua portuguesa ???!!!

Tudo o que encontrei foi este cd, que eu não tinha, talvez lá tivesse umas 3 unidades.  Peguei o que tinha melhor aparência, pois estavam sem o plástico que lacram os cds, mas, acabei esquecendo de conferir se havia disco lá dentro!!! E chegando ao hotel Sintra, percebi que nada havia.  Alguém que abusou da confiança da Livraria deve ter escondido no bolso, deixando só a capa.  Fui lá reclamar para a acessível gerente da livraria e ela, sem argumentar, acreditou na minha palavra e fez a troca.

É uma tristeza que passou aquela época de boas produções musicais em Macau, muitos com o selo da Tradisom. Vejamos, a Tuna Macaense, A Outra Banda, A Trança Feiticeira (Veiga Jardim), Miro, Elsa Denton, António Prazeres, Adé, Thunders, João Gomes, Rão Kyao, Coral Dinamene, Isabel Teixeira Melo, etc. Hoje somente podemos nos contentar com as produções pessoais, sem fins comerciais, ou seja, não se vende mas distribuído limitadamente e de forma gratuita. Os exemplos, Charlie Santos (Carlos Alberto Santos-Canicha), Armando Santos, Coral da Casa de Macau de São Paulo (hoje Vozes de Macau), Trio Macaense, estes os mais distribuídos em época oportuna.  Outro, mais limitada por curto orçamento, do Nano Branco, Carlos “Naio” Lemos … me desculpem se esqueci de alguém. Quase todos, pelo menos, têm uma música divulgada no Projecto Memória Macaense.

No entanto, não descarto a hipótese de eu estar errado com a informação e meramente não estarem disponíveis para venda na Livraria Portuguesa mas noutras lojas de discos, uma coisa cada dia mais difícil de achar em Macau, pelo menos nas minhas andanças pela cidade, como um não residente.

Ouvi falar de um possível novo cd da Tuna, que deve ser comercial, e a Elsa Denton poderia estar a produzir o seu particularmente.  Vamos a ver!!!

O PMM está aberto para divulgar a música de músicos macaenses ou daqueles relacionados a Macau, o que tem recebido certas referências que é um prestígio ter uma página musical no site.  Prestígio é meu, amigos conterrâneos ou não, por poder contar com  a vossa presença no site.

Aproveito para avisar que logo logo, após um remanejamento de 2 páginas musicais do PMM, irei publicar 2 músicas (Desafinado e Verde Vinho) do macaense John dos Santos Heterland, o Bijú, residente em Toronto, Canadá, que lá está presente com uma versão instrumental de boss guitar de Macau.  Bijú fez parte do Trio Macaense (à distância, ele no Canadá e outros no Brasil) na gravação do seu bom CD de músicas das antigas tunas de Macau.  O PMM fica satisfeito por poder contribuir com a divulgação do nosso limitado mundo musical macaense.

Vídeo de Macau

Acabo de publicar na YouTube novo vídeo – Macau, andando por aí.  Foi filmado por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010.  Nas minhas andanças pelas ruas de Macau, à noite ou dia, fui filmando, repartindo o tempo com a máquina fotográfica e fazendo companhia à minha esposa nas compras.  Fotografar e filmar ao mesmo tempo não é fácil.

A trilha musical é do cd de “A Outra Banda”, um dos que mais gosto, pois os músicos portugueses conseguiram cantar os costumes chineses em sons mistos ocidentais e orientais, com a ajuda da orquestra chinesa Cheong Hong.  A produção do cd é da Tradisom – www.tradisom.com do José Moças, a quem sempre agradeço pela autorização para reprodução das músicas do seu selo. Visite o site e vai ver belos cds que pode adquirir.

Um dia ainda volto para Macau, com uma filmadora pelo menos semi-profissional, se for possível comprar, pois a minha handycam pouco milagre consegue fazer.  Aí vou fazer uns vídeos que tanto idealizo.

Aproveito para convidá-los para assistir outros vídeos que andei produzindo no Encontro 2010, sobre as apresentações dos músicos nos eventos.  Já estão publicados vídeos dos shows do Luís Garcia, Elvis de Macau, Elsa Denton, Tuna Macaense, Ramana Vieira, Isa Manhão e os Irmãos Oliveira.  Ainda está para ser divulgado vários outros, como do Charlie Santos, Flipsiders, Mystics, Badaraco, os Carion, Armando Santos, coral Vozes de Macau, Ysabele Capitulé e José Achiam.

Além destes, também já ando publicando vídeos ou video-foto clips sobre Macau há tempos.  Assim, fica o convite para você ver os vídeos nos links abaixo, ou então no site Projecto Memória Macaense – www.memoriamacaense.org/projectomemoriamacaense – oriente-se no Guia de Vídeos com link na coluna direita:

Macau, andando por aí - http://www.youtube.com/watch?v=AHykYtCeu9g

O meu canal na YouTube, onde você ver a lista dos meus vídeos é – http://www.youtube.com/user/rpdluz

O prédio dos antigos funcionários dos Correios, o fim?

Acima, os esquisitos projectos incompatíveis com a zona histórica de Macau (foto publicada no JTM)

Vendo a reportagem publicada no Jornal Tribuna de Macau em 8/Março/2011, que bem o salvei nos meus arquivos, fiquei chocado !!! Para não dizer … indignado !!!  Vi a foto e li a reportagem com muita discussão académica. Em pleno centro histórico, visível do Largo do Senado, vi os projectos para o prédio da esquina da Rua da Sé que antigamente era destinado aos funcionários dos Correios.  Está com os dias contados.  Um dos projectos prevê modernidade incompatível com a região histórica.

Vejo no Largo do Senado que prédios antigos foram modernizados, mas souberam preservar o aspecto histórico, com bem o fazem noutros países, os da Europa, que bem sabem conviver o moderno com o passado.  Até o MacDonald’s do Largo não lá muito desfigurou o prédio antigo.  Uma convivência inteligente!  Mas nesse prédio, me parece que somente pensou-se com o espírito da modenidade, influências dos imponentes casinos.

Uma pena, uma tristeza!!! Lembro que no Encontro de 2010, após a missa no Catedral da Sé, passeava com o meu amigo e primo António Machado Mendonça pela Rua da Sé, sendo que ele não retornava a Macau  há vários anos.  Ficou ele todo feliz ao ver o prédio dos antigos funcionários dos Correios, onde ele morou com a família, ainda lá em pé.  Radiante, mostrou à minha esposa e a dele, Argentina, e quis logo tirar uma foto de lembrança aqui exibida.

Numa das passagens da minha memória dos anos 60 em Macau, lembro-me que em algumas vezes a passar por lá, estava o seu irmão Zeca, todo estiloso, sentado na varanda com a sua viola/violão, a “chái chords” ou seja a tocar uns acordes e a cantar canções dos anos 60.  Muitas vezes estive lá a visitar a família Mendonça, nos tempos em que estudavamos no Seminário de São José. Saudades!

Penso que poderiam manter o visual do prédio e adaptá-lo para outras funções, como escritórios, e não essas coisas de demoli-lo,  criar varandas modernas e  envidraçadas para restaurantes, cafés etc., em total falta de sintonia com o local histórico do centro. Enquanto vemos falar em novos espaços comerciais para lojas etc., como na reportagem, ao mesmo tempo nota-se que em outras zonas o comércio está a fechar as portas.

Realmente uma tristeza.  Espero que no final prevaleça o bom senso e façam uma reforma do prédio para outras finalidades, mas sem disfigurá-lo e nem introduzir a modernidade incompatível com a zona histórica onde está localizado.

António Machado Mendonça (Brasil) aponta para o prédio onde morou

Tirei a foto abaixo em 1967 para lembrança, antes de imigrar para o Brasil