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Macau: Hit Parade – recordando os anos 60

Na postagem do dia 5 de Março, recordava os anos 60 em Macau quando comprávamos o Hit Songs.  Bom, além de livrinho de música com aquele título, o editor também publicava outro praticamente igual chamado de HIT PARADE, e custava também HK$ 1,00 (iat mân: hôu péang ah).  Para quem não saiba, são livrinhos com letras de música, notas musicais e eventualmente cifras para viola/violão, conforme poderão ver abaixo.

E para celebrar a sua memória, pois não é mais editado, publico duas páginas digitalizadas de músicas dos Hit Parades com os vídeos do You Tube correspondentes , não daquelas muito ouvidas hoje nas seleções musicais da época, mas que certamente quem viveu a época deve lembrar-se bem delas.  Essas músicas me dão uma grande saudade de casa, daquela em que morava em Macau na Calçada de Tronco Velho nº 15, telefone 4430, só quatro números mesmo.  Me faz lembrar de à noite a ouvir a Rádio Vila Verde, única distração, pois ainda não havia televisão em Macau na época.  Talvez sem a TV éramos mais felizes e não sabíamos …

Para vocês, o DJ do Crónicas Macaenses vai lhes apresentar: COME ON DOWN TO MY BOAT do conjunto The Every Mother’s Son (no bom sentido, a tradução: Os Todo Filho da Mãe – era para provocar mesmo, mas não podiam ter arrumado outro nome?). Era música dos parties (bailes). Veja e vídeo (1967) e acompanhe com estas letras da música.  Sorry, no chords!

Ah … talvez por essa vocês não esperavam, talvez … mas gostava muito desta música, especialmente pela voz possante do seu cantor – Jay and The Americans – a cantar: CARA MIA.  Que tal? E que bom que este vídeo live (ao vivo) esteja disponível.  Para quem a conhece, mate as saudades. A gravação é de 1965:

Macau: Hit-Songs 1965, saudades da juventude

Todo mês é aquela rotina: ir à banca ou livraria para comprar o Hit-Songs, com aquela expectativa “será que vai ter aquelas (tais) músicas com os chords (cifras)?“. É um livro de pequeno formato com cerca de 60 músicas, normalmente as mais populares na rádio, só que, nem sempre vem com chords, tal como o exemplar da imagem.  Aí a gente que toca violão/guitarra e não é daqueles com bom ouvido ou capacidade para apanhar (decifrar) chords para a música, tal como eu, fica chateado.  Vamos ter que esperar por outra edição, ou contar com a ajuda de amigos que são mais músicos de verdade.  Embora em geral o macaense não tenha formação musical e toca de ouvido. Isto vivi em Macau nos anos 60, em plena juventude, os tempos de ouro.

No Brasil também se vendem tais livrinhos, porém menos volumosos.  Hoje em dia, se quisermos letras de músicas com cifras, basta pesquisar sites especializados e temos praticamente tudo o que quisermos.  Penso que esses livrinhos hit-songs impressos em Hong Kong e vendidos a HK$ 1,00 na época, já não existem mais.  Tenho ainda aqui comigo uma coleção deles, razoavelmente conservados, que servem para matar as saudades dos belos tempos na minha terra, e que agora, por acaso, um deles servem de pretexto para publicação de uma postagem.

o verso com o preço do exemplar e umas coisas escritas em chinês para quem sabe ler

Para celebrar a memória dos Hit-Songs, publico duas páginas, sem cifras porém com partituras para os entendidos, com os vídeos do You Tube referentes às canções.  Selecionei-as com a certeza de que acharia os vídeos, aliás o que não se acha no You Tube? A música Downtown ainda é popular, ouve-se regularmente nas programações ou cds dos anos 60, mas essa dos The Bachelors já é um pouco mais rara, que tal?

Downtown – por Petula Clark

I Wouldn’t Trade You For The World - por The Bachelors

Bolero de Ravel no filme de Claude Lelouch, lindo!!!

Sou um eterno fã (fan) dos filmes de Claude Lelouch, diretor francês dos marcantes Um Homem e Uma Mulher e Viver por Viver, sem falar no Retratos da Vida (Les Uns et Les Autres), motivo desta postagem.  Achei o DVD na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br) que vendia um kit com outro video do Viver por Viver.  A sensibilidade do diretor é incrível nas imagens e a fotografia.  Não se preocupa muito com diálogos, as imagens, cenas e gestos dizem tudo.  Até nos leva a um mundo imaginário.  A música da orquestra de Francis Lai e de Michel Legrand neste e noutros filmes é fantástica, simplemente emocionante. Os meus vídeos sob a sigla do Projecto Memória Macaense se inspiram no Claude Lelouch.

O vídeo que publico abaixo, é da última parte do filme com Jorge Donn numa coreogafia incrível a dançar ao som do Bolero de Ravel.  Não precisa dizer que a música é líndissima e emociona sempre.  Evolui lentamente para nos dar tempo para refletir sobre a vida.

O filme conta a saga de 4 famílias durante e após a 2ª Guerra Mundial, e que se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da música e do drama.  Intermediando as cenas da dança, Claude Lelouch sensibiliza ao mostrar os personagens do drama no conforto dos seus lares ou na platéia, a trocar olhares como se estivessem a rever as suas vidas até aquele estágio.

Assisti esta parte umas 4 vezes e pús-me também a refletir sobre a saga da Diáspora Macaense.  Ao som do Bolero de Ravel e a dança de Jorge Donn, fiquei a pensar na nossa saga, ao deixar a amada terra e nos meter num mundo desconhecido e enfrentar dificuldades desconhecidas.  Naquele tempo, as nossas viagens se limitavam a Hong Kong, Taipa e Coloane.  Não era que nem hoje, que pegar o avião e visitar outros países é coisa simples.  Eu e como muitos conterrâneos enfrentamos dficuldades na adaptação aos países de acolhimento.  Foi uma dura trajetória até chegarmos aos dias de hoje. Assim, aos Macaenses da Diáspora, se me permitem, queria dedicar este vídeo para nós.  Assistam e relembrem a trilha da sua vida fora da terra de origem: