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Mais Minchi de Cecília Jorge

Complementando a postagem anterior <Minchi por Cecília Jorge, com 2 receitas> publico mais 3 receitas de minchi (Brasil: carne moída) que foram citadas no final do texto.  Bom apetite:

MINCHI MISTO DE VACA E PORCO

carne de vaca -> 250 gr.

carne de porco -> 250 gr.

Alho -> 2 dentes, picados

Cebola -> 2 grandes, picadas

molho de soja escuro (lou châu) -> 1 colher de sopa

claro (sám châu) -> 2 colheresdesopa

fécula de milho -> 1 colher de chá

banha de porco (ou óleo) -> q.b. (a gosto)

açúcar e pimenta -> q.b.

batata frita, aos quadradinhos -> q.b.

Limpar bem as carnes de vaca e de porco de gorduras, picar e temperar, separadamente, com uma pitadinha de açúcar, pimenta, o molho de soja claro e a fécula de milho.

Aquecer bem num tacho a banha (ou o óleo) com o alho picado e fritar primeiro a carne de porco, juntar minutos depois a carne de vaca, virando e carregando as carnes para as cozer por igual e soltar. Juntar a cebola picada e tapar o tacho, para cozer em lume médio, mexendo para não pegar no fundo. Juntar o molho de soja escuro só pouco antes de retirar do lume, deixando absorver bem. Acompanhar com a batata frita, que se pode misturar à carne ou colocar só por cima.

 

PÃEZINHOS FRITOS

Eram presença obri­gatória nos “chás-gordos” macaenses e são uma das formas de aproveitamento do minchi de porco, ao qual se acrescenta, ao fritar, um pouco de açafrão ou curcuma. Há quem acrescente malaguetas (chile) picadas a esse minchi ou o faça com caril. Os pães, salgados, de preferência redondos e com cerca de seis centímetros de diâ­metro, são generosamente recheados com minchi depois de se lhes abrir uma pequena “janela” quadrada, que é depois de novo tapada. Fritam-se em óleo bem quente e são postos a escorrer antes de servir.

 

LUC-KIT

Croquetes panados que re­sultam de um aproveita­mento do minchi, seja misto, só de porco ou só de vaca.  Faz-se um purê de batata sim­ples e consistente e formam-se croquetes com recheio de minchi e invólucro de purê. Passam-se por ovo batido e pão ralado antes de fritar.

Cíntia Serro e o seu livro de receitas de culinária macaense

Cíntia Serro na sua participação na conferência de Gastronomia realizada no Encontro das Comunidades Macaenses, alertava que a tradicional gastronomia macaense “não se deve deixar perder ou cair no esquecimento”.  Realçava no entanto que “ainda bem que hoje em dia se está a despertar para uma realidade que nos identifica”, a frisar que tinha inúmeras receitas manuscritas, herdadas da sua tia que carinhosamente a chama de tia/mãe, Albertina Martins de Carvalho Borges, atualmente com 92 anos.  Foi com ela que aprendeu a cozinhar e conhecer os segredos da culinária macaense.

Cíntia de Carvalho Conceição do Serro, nascida em Macau em 1943 e criada na freguesia de São Lourenço, despertou interesse do IIM- Instituto Internacional de Macau que decidiu patrocinar o lançamento de um livro, ricamente ilustrado, com cerca de 200 páginas contendo essas receitas, muitas tradicionais e algumas desconhecidas do público macaense.  No seu site, o IIM, nas palavras do secretário geral Rufino Ramos, justificou o apoio como “a oportunidade de divulgar os segredos da centenária gastronomia macaense e a iminente classificação desta como património imaterial da RAEM”.

Já uma “amiga da Casa”, Cíntia escolheu a Casa de Macau de Toronto, Canadá, para fazer o primeiro lançamento do livro no dia 18 de Março de 2012. Numa cerimónia singela, mas soberba a servir diversos pratos da culinária macaense, a presidente da Casa, Mónica Alves, fez as apresentações e em seguida, Cíntia, a falar em português e inglês, disse que estava a realizar um grande sonho, esperando que o livro possa contribuir para divulgação da gastronomia macaense. Ainda agradeceu o Instituto Internacional de Macau pelo apoio, especialmente à pessoa de Jorge Rangel, que foi representado pelo secretário geral Rufino Ramos.

O “Livro de Receitas da minha Tia/Mãe Albertina”, editado em português, com previsão para versão inglesa, brevemente será lançado em Macau e depois em Lisboa.  No boletim da Casa de Macau de Toronto de 26 de Março podia-se ver um aviso que ainda havia alguns exemplares para venda a $ 20,00 (dólares canadenses/canadianos), dando uma idéia do seu preço.

Nós aqui do Brasil, vamos ver se conseguimos comprá-lo pelo site do Instituto Internacional de Macau, aliás para seu conhecimento, faça uma visita e veja inúmeros livros que falam sobre Macau à venda. Uma sugestão ao IIM, que tal enviar umas dezenas de exemplares para cada Casa de Macau, de forma a permitir a comunidade macaense da diáspora adquirir o livro? Assim não teríamos que esperar por uma próxima viagem a Macau para fazê-lo. Ou então, para não haver desperdício, pois deve ter uma produção limitada, as Casas poderiam aceitar encomendas pagas antecipadamente pelos sócios ou interessados.  Seria um esforço para auxiliar na divulgação da culinária macaense, e uma atitude positiva para aqueles que estão longe de Macau e das suas livrarias.

Glória Soares Anok, editora do boletim da Casa de Macau de Toronto, gentilmente enviou as fotos abaixo com legendas, link para um vídeo-foto clip e um texto em inglês, por mim traduzido, a respeito do evento ocorrido na associação:

Tradução:

“Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina”

Cíntia do Serro

A Casa de Macau de Toronto teve a honra de ter sido a primeira sede de lançamento do livro de receitas de Cíntia Serro. O evento, de grande sucesso, foi realizado na nossa associação no dia 18 de Março de 2012, um domingo.

Além da participação dos nossos sócios e amigos convidados da Cíntia, o evento contou com a presença de ilustre convidado: Dr. Rufino Ramos (representante de Dr. Jorge Rangel) do IIM Instituto Internacional de Macau, o editor do livro. Comendador Gustavo da Roza e António Jorge da Silva foram também convidados , já que estavam na cidade a participar de uma Conferência Portuguesa na Universidade de Toronto.

Cíntia vai estar em Macau em Junho para fazer o segundo lançamento do seu livro, e mais tarde, ainda neste ano, em Portugal.  Para felicidade dos leitores (de língua inglesa),  uma versão em língua inglesa do Livro de Receitas da Minha Tia/Mãe Albertina será lançada ainda neste ano.

*fotos e texto elaborado com consulta ao site do Instituto Internacional de Macau, site da Casa de Macau de Toronto, Jornal Tribuna de Macau e o blog PCB Magazine.

Cíntia Serro na Conferência de Gastronomia do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2010

fotos de Rogério P.D. Luz

O artigo de Jorge Rangel publicado no Jornal Tribuna de Macau em 10/04/2012

clicar na imagem para aumentar, e depois mais uma vez com a lupa em +

Candidaturas do Teatro Maquista e da Gastronomia Macaense: saiba mais …

No site do Museu de Macau (link abaixo) pode-se ver os vídeos e os boletins de inscrição em arquivo pdf do Teatro Maquista (Teatro em Patuá) e da Gastronomia Macaense.  Nesses boletins são expostos os motivos para as candidaturas a Património Cultural Imaterial de Macau:

http://www.macaumuseum.gov.mo/macauheritage/HeritageShowTime2012_port.htm

Logo mais abaixo da página do site, há uma mensagem para o qual solicito especial atenção e reproduzo aqui.  A consulta popular, pelo visto, é limitada aos “residentes locais (de Macau)”, pelo que se faz aqui um apelo aos qualificados para tal,  para que escrevam e manifestem seu apoio para essas candidaturas macaenses.  Eis o que consta do site referente ao assunto:

“Os residentes locais que tenham alguma opinião ou objecção em relação às candidaturas ou às suas avaliações, podem fazer o seu envio por correio ou por fax (no. 2835 8503) ou a entrega em mão, de um documento escrito relatando as suas razões e fundamentos para o Museu de Macau (endereço: Praceta do Museu de Macau, Nº 112, indicando no envelope a designação “Opinião sobre as candidaturas ao Património Cultural Imaterial”), antes do termo do prazo da consulta. Toda a correspondência deve indicar o remetente, o seu endereço, telefone e forma preferida de contacto, de forma a permitir que o Instituto Cultural possa processar o assunto e emitir as recomendações adequadas. Em caso de dúvidas é favor de visitar o sítio de internet do Museu de Macau no endereço: www.macaumuseum.gov.mo ou de contactar o Sr. Tou através do telefone 8394 1209.”

A Mariazinha Conceição Carvalho, do Teatro Maquista de São Paulo, escreve uma mensagem em Patuá saudando as candidaturas:

“Co pêto inchido di orgulho , iou ta da unga grandi ucho pa vôs, “Parabens”.  Di tanto lutá já ficá aprovado “Gastronomia Macaense e Teatro em Patua”  a Patrimonio Cultural Imaterial de Macau.  Nôs tudo qui sã “amante” di patuá ta uide filiz juntado co vôs e tudo genti di “Dóci Papiaçám di Macau”.

Mariazinha Carvalho e Armando Ritchie na peça do Teatro Maquista de São Paulo (Teatro em Patuá) de ‘Futebol’ em Julho de 2011 na Casa de Macau de São Paulo (fotografia de Rosa Cruz)

Nesta foto, Mariazinha Carvalho fez uma interpretação em Patuá com Pedro Almeida ‘Mensagem de Fé e Esperança‘, na Festa de Natal 2011 da Casa de Macau de São Paulo, cujo vídeo pode ser visto na postagem deste blog. É de se louvar o apoio da Casa de S.Paulo para o Patuá.

Receitas de culinária macaense de Shanghai 1934

Estava num domingo normal na Casa de Macau de São Paulo para convívio e almoço, quando vi a Manuela Canavarro Agoston com um livro um tanto velho.  Curioso, fui lá ver o que era.  Qual a minha surpresa, um livro encadernado de receitas de 1934 compostas por folhas datilogradas.  Uma raridade, até uma peça de museu.

Constava a autora, que poderia ser das receitas ou da colecionadora e datilógrafa, como Guilly Canavarro Remedios.  Uma assinatura dizia que a proprietária, ou a última dela, ser a Augusta de Figueiredo e Canavarro que datava com a assinatura,  Shanghai 30/5/1939 à moda portuguesa (bem que poderia datar à inglesa 5/30/39.  Aliás os apelidos/sobrenomes apontam para as famílias macaenses e portuguesas de Shanghai, nos tempos anteriores à revolução na China que as obrigaram a abandonar a cidade, muitos só com a roupa do corpo.  Eram os Canavarros, Remedios (sem acento), Figueiredo, Collaço, Barradas e tantos outros, que hoje estão espalhados pelo mundo. Perderam tudo! Hong Kong e Macau foram os principais destinos. Quem estudava na Escola Comercial nos velhos tempos, deve-se lembrar do centro de refugiados na mesma rua.  Aliás quem não se lembra dos (lamentáveis e infelizes) conflitos entre a malta macaense e os “shanghainistas (como se dizia antigamente e até hoje).  Era triste, não precisava ser assim, embora essa rivalidade era uma autêntica rivalidade da época, que infelizmente, ainda ligeiramente (politicamente correto pra dizer) transportada para os dias de hoje.  Aliás essas rixas regionais não são privilégio dos macaenses, no Brasil também as vemos entre o Sul e o Nordeste, especialmente, e você me diz se também não nos seus países de acolhimento, se és da diáspora.

Deixando esta triste conversa de lado, quando vi o livro, logo pedi para fotografar umas páginas pois digitalizá-las, com certeza iria estragá-lo ao fazer a dobra, mas lá estava eu com uma simples câmera naquele dia e o resultado não tanto agradou-me.  No entanto, penso que vai dar para ler as receitas em inglês.  Não as traduzi para não correr o risco de cometer erros, e de repente ao invés de fazer uma capela vais fazer um minchi si iau, hehehe!!!

Publico aqui uma só, do Peixe Esmargal, e o resto das receitas (arroz gordo, bolo menino, capela, cheese toast, chilicote de rabono, cria cria, isca, rolette, além de uma tabela de conversão tael=onça/oz) estão publicadas no site Projecto Memória Macaense que já possui 23 páginas dedicadas à Gastronomia Macaense com inúmeras receitas.  O link/ligação está na página principal. Vão dizer que já têm algumas dessas receitas, mas perceba que elas são de 1934.  Pode ter algo diferente, um diferencial para aquele sabor melhor.  Vale tentar, se conseguir entender o inglês lá escrito e as medidas, um tanto complicadas.

Agora, porque o Peixe Esmargal aqui?  É que o meu cunhado, Alex Sales (Califórnia/EUA) era especialista nisso.  Acho que ainda o é!!! Então vejamos (clicar na imagem para aumentar):

Mesa de comisaina macaense, com certeza!!!

A mesa de comisaina macaense nestas fotos mostram sempre a presença de ingredientes do Chá Gordo.  Coisas típicas de uma festa macaense ou reunião familiar.

O evento na Escola Infantil no Encontro 2010 foi uma clara demonstração de como se come bem em Macau.  Foi uma fartura de encher os olhos e o estômago. O tempo passa, os anos avançam, mas a tradição macaense de mesa farta e saborosa se mantém.  E salve a comisaina macaense !!!

Uma festa de aniversário nos anos 60, apresentando os meus pais à direita e minhas tias e tio.

Festa de casamento do meu irmão José com a Fátima, no Hotel Estoril, anos 60.

Abaixo, 2 fotos enviadas por Mariazinha Lopes Carvalho dos seus tempos antigos em Macau.  Ela em evidência, 1º plano, dançando. Veja a mesa farta !

Receita: Camalengada ou Doce Camalenga

Recente publicação do site Projecto Memória Macaense traz um texto da série Tacho do Diabo da Cecília Jorge, “a Doce Camalenga“, com 3 receitas e uma boa explicação sobre a camalenga, ou tung-kuá, em chinês, ou no Brasil, jerimu ou jirimu.  A Cecília é especialista no assunto, uma pena que esta série foi de curta duração.  Foi publicada na Revista Macau no ano de 1993 e 1994. Aliás a Cecília quando se mete a fazer uma coisa, faz muito bem!

Fica assim o convite para visitarem o PMM e constatar que o site tem 20 páginas publicadas sobre a Gastronomia Macaense, com diversas receitas da Celestina, Comunidade Macaense de S.Paulo e Rio, esta série da Cecília, etc. Ainda há muito para se publicar, assim que puder. Na página de entrada você verá o link para a Página Guia da Gastronomia, onde poderão ver o que o site tem a respeito.  Estes Guias, além do Mapa do Site,  que procurei criar no PMM, servem para orientar e auxiliar você na busca de assuntos que o site dispõe.  Estou a revisar todas as páginas, pois algumas  se desconfiguraram após a publicação, coisa que se espera que o provedor Tripod resolva.

Sobre o Doce Camalenga, a minha mãe Marcelina da Luz, o fazia muito bem.  Lembro-me dos tempos de infância em Macau que gostava passá-lo no pão (min páu), especialmente quando ainda estava meio quente, após o preparo.  Saudades da minha mãe que cozinhava muito bem, tanto comida como doces ou salgados.

CAMALENGADA

Abóbora camalenga (ralada) – 3 kgs

Açúcar em pedra – 1 kg

folhas de figueira – 6

Lava-se e descasca-se a abóbora, ralando-a em fios longos. Envolve-se a polpa ralada num pano limpo e espreme-se bem para retirar todo o líquido.

Branqueia-se a abóbora (i.e. escaldar rapidamente em água a ferver) e volta-se a espremer, guardando o líquido. Junta-se a esse líquido um litro de água e fervem-se as folhas de figueira (previamente lavadas, esfregadas com uma escovinha, limpas de nervuras e partidas em bocados), durante cerca de meia hora. Retiram-se as folhas de figueira e coloca-se o açúcar, que deve ficar em ponto de espadana. Junta-se então a abóbora ralada e coze-se, mexendo sempre, até o doce se soltar do fundo do tacho. Guarda-se de preferência em frascos fechados ou em potes de barro.

A enquete/o inquérito da Gastronomia Macaense

Penso que já devem ter visto ou participado no Projecto Memória Macaense. Surpreende a vantagem dos homens com quase o dobro de votos das mulheres. Não esperava tanto!
Vários motivos podem ter contribuído. Ou os homens são reconhecidamente os melhores. Ou os internautas votantes são na maioria homens, ou são os homens que repetidamente andam votando neles sendo as mulheres mais discretas. Lá sei, lá sei mesmo!!!
Na semana que vem, depois da Páscoa, talvez será o momento de encerrar o bem sucedido inquérito, como mais se diz em Macau, ou enquete/pesquisa, mais falado no Brasil.
Aliás, por acaso, se der certo, esta iniciativa do PMM poderá ter contribuído para um concurso de Gastronomia Macaense em Macau- homens x mulheres, ou mulheres versus homens. Para o PMM será uma honra, se isto for viável e vier a acontecer. Muito agradecido. No fim quem ganha, é a nossa cultura, a preservação da nossa Gastronomia. São os macaenses!
Sobre a Gastronomia, vejam o artigo do Henrique Manhão sobre o Acaio (Alberto D’Assumpção), presidente da Casa de Macau do Rio de Janeiro, no Jornal Tribuna de Macau de 30/03/2010, que é um mestre na culinária macaense. Lembro-me que pude saborear o seu delicioso tacho, quando visitamos o Rio com uma comitiva de São Paulo em 2001. Além disso, o Acaio deu uma aula de culinária em São Paulo que foi muito bem sucedido. A reportagem ainda traz uma foto dele muito bem feita (palavra de fotógrafo que sou), uma característica do Acaio que é primoroso na sua apresentação pessoal, como o foi quando depôs sobre os 10 Anos da RAEM publicado no MacaenseBR e no JTM.
Logo irei somar aos esforços do Henrique para falar no jornal sobre a Gastronomia Macaense, assim que der tempo, para fazer umas entrevistas e reportagens externas, sobre alguns homens cozinheiros em São Paulo, complementando o meu artigo publicado no JTM e neste blog.

Os homens na Gastronomia Macaense

A Gastronomia Macaense é o ponto forte dos temas macaenses, tanto na imprensa, sites ou na roda de amigos. Até o Manhão disse no seu artigo no JTM, que pelos depoimentos interessantes recebidos dava para escrever um livro. Vai em frente, Henrique! Sucesso!
Sempre dá água na boca, só de lembrar ou ouvir como se faz este prato ou outro. Até chega a criar uma competição saudável e divertida, quando os “concorrentes” comentam dos pratos que os outros preparam. Aquela conversa de “o meu é o melhor” desperta curiosidade quanto à receita que “ele” utiliza. Aposto que você já ouviu de um concorrente falar do prato de outro concorrente, é o tal de “aiá, falta isto falta aquilo”, muito comum no ló pák kou, tal como “está duro”, ou “muito pobre, pouco recheio”.
Alguns são extremamente reservados. “Porque revelar os meus segredos aos concorrentes?”, outros abertos, contam os detalhes, ou se contam, hummmm !!! Até tem uma linha de “cozinheiros” que falam abertamente que fazem de cabeça e “a olho”, e nem sabem dar receitas. Bom, talvez na hora de elaborar, façam um esforço. Enfim, isso é saudável além de pitoresco.
O meu tema são os homens “cozinheiros” da culinária macaense. No Brasil são quantos? Estou aqui a fazer as contas. Do que sei e ouvi falar são 7 que têm certo destaque e são conhecidos. Mas penso que deve haver mais. Aqueles “mineirinhos”, quietos no seu canto que cozinham bem à beça mas ninguém fala deles ou não se expõem ao público.
Até dá margem para imaginar como seria interessante uma competição específica. Cozinheiros x cozinheiras !!! Quem cozinha melhor, os homens ou mulheres? Pelo menos no concurso que aconteceu no Encontro de 2004, as mulheres ganharam a disputa. A dupla Isabel Pedruco /Isabel Batalha foi vitoriosa e olha que havia homens na parada !!! Mesmo assim, vale sempre perguntar: qual a sua opinião? Eu, politicamente correto, vou deixar de opinar. Para mim, sempre serão bem-vindos qualquer prato macaense, seja de homem ou mulher cozinheira, mas que me façam matar as saudades da terrinha, da minha mãe (aliás, foi uma excelente cozinheira, sem querer ser um filho “engraxa sapato ou puxa-saco”, pois ela hoje desfruta do seu descanso eterno) e fazer-me desfrutar dessas delícias da nossa culinária, que precisamos preservar a qualquer custo. E sobre isso, os meus elogios pela criação da Confraria da Gastronomia Macaense, que hoje tem um novo presidente, o Luís Machado, que merece total apoio para esta tarefa importante em prol da nossa cultura e memória.