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Jorge Rangel na RTP e o feriado de 1º de Dezembro

Foram diversos e-mails que recebi, juntando o link para o vídeo divulgado no You Tube com excerto do debate do programa da RTP “Prós e Contras” em 19/03/2012,  cujo tema foi – Adeus Feriados.

Nele se vê a bem aplaudida intervenção de Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, a respeito do feriado de 1º de Dezembro em Portugal, entre tantos que se pretende abolir. Achei interessante a presença macaense, como a apresentadora bem destaca, num assunto da vida em Portugal.  Jorge Rangel, no último governo português de Macau, antes da transição para a China em 20/12/1999, era Secretário Adjunto para a Administração, Educação e Juventude.

E, para quem não saiba, a Wikipedia assim fala do 1º de Dezembro:  “a Restauração da Independência é a designação dada à revolta dos portugueses, iniciada em 1 de Dezembro de 1640, chefiados por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou por todo o país, contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da 4.a Dinastia Portuguesa que parte da casa de Bragança“.

Eis o vídeo:

Jorge Rangel: Mais um depoimento recente sobre o “1-2-3”

Complemento de 09/02/2012: Veja o comentário postado na página – Sua Mensagem a respeito deste tema:

Olá Rogério,
Felicito-o por este espaço que é uma “memória” para todos nós.
Gostaria de fazer um reparo sobre um artigo que publicou – “Jorge Rangel: Mais um depoiamento sobre o 1-2-3″ – Este artigo foi extraído do livro “Há biscoitos no armário” que é sobre a biografia da minha Mãe, que foi professora de francês em Macau (e professora do Jorge Rangel) e foi uma oferta dos filhos pelos seus 90 anos em Outubro de 2011. O autor desta obra foi JORGE PINHEIRO. Posso facultar-lhe um exemplar deste livro com muito gosto. Fará o favor de me indicar uma morada para o meu gmail.
Agradeço que faça a devida correcção.
Cumprimentos

Maria Isabel Machado Fonseca

Jorge Rangel, Presidente do Instituto Internacional de Macau, na sua crónica da série “Falar de Nós” que habitualmente publica no Jornal Tribuna de Macau nas 2ªs. feiras, fala na edição de 05/Dezembro sobre um novo depoimento a respeito dos incidentes de 1-2-3 em Macau, que aqui publico dando sequência à postagem deste blog “O Exército português de Macau intervém …”:

(para quem não saiba: em 1966, durante a Revolução Cultural na China liderada por Mao Tse Tung, os seus simpatizantes “guardas vermelhos” aterrorizaram o País e as cidades fronteiriças, Macau e Hong Kong.  Provocaram tumultos pela cidade nos dias 1, 2 e 3 de Dezembro e fizeram grandes estragos nas instalações do Governo e estátuas.  Diante da incapacidade da polícia, o exército português interviu e 9 pessoas de étnia chinesa acabaram sendo mortas)

Mais um depoimento recente sobre o “1-2-3”

por Jorge Rangel*

O incidente da Taipa’ foi usado como pretexto. Durante 58 dias Macau foi afectado pelo tufão maoísta. Os Guardas Vermelhos impuseram a sua lei”.
De “Há Biscoitos no Armário”, Outubro de 2011

Este espaço foi já usado várias vezes para recordar os graves incidentes que ficaram localmente conhecidos por “12, 3”, quando, no auge da revolução cultural chinesa, o fervor extremado do regime comunista se fez aqui sentir com inusitada força e de forma violenta, pondo tudo em causa, abalando a confiança da população e colocando em risco a própria manutenção da presença portuguesa no território. Diversos depoimentos foram aqui parcialmente reproduzidos e comentados, permitindo ao leitor conhecer perspectivas diferentes na apreciação dos conflitos provocados, bem como das suas causas e consequências.
A recente publicação do livro “Há Biscoitos no Armário”, de Jorge Pinheiro (Outubro de 2011), uma “história de vida”, de homenagem à professora Maria Manuel Pimenta de Castro Machado, proporcionou-me o ensejo de partilhar com o leitor mais uma sucinta descrição desses fatídicos acontecimentos. Com a devida vénia, e também com o intuito de suscitar de novo a atenção para esta obra, que todos quantos se interessam por Macau e pela presença de Portugal no Oriente devem ler, transcrevo mais este depoimento, no 45.º aniversário daqueles incidentes que mudaram profundamente Macau:
“Nesse ano de 1966 a Revolução Cultural chegou a Macau. Chegou sem que as autoridades portuguesas se tivessem apercebido. A Revolução Cultural Chinesa era imparável. Até aí ela não era evidente em Macau. Mas, inevitavelmente, tinha de chegar. Mais do que um protesto contra os portugueses, mais do que a intenção de integrar Macau na China (que nunca houve), os incidentes visavam, tão-somente, mostrar a Mao Tsé-tung que Macau também era revolucionário. Pretendiam mostrar o fervor das gentes de Macau, à causa da Revolução Cultural. Claro que o ?incidente da Taipa? podia ter sido evitado. Os portugueses, por manifesta inabilidade, caíram na armadilha. Mas se não fosse esse, seria qualquer outro pretexto. Macau tinha de ter os seus Guardas Vermelhos. Em Novembro, um grupo de residentes chineses da ilha da Taipa tentou obter uma licença para a construção (ou reconstrução) de uma escola de feição comunista. Na impossibilidade de obter a licença, começaram ilegalmente a edificação. Rui Andrade, o administrador interino das Ilhas saiu de casa. Passou pela escola. Insurgiu-se contra a construção. Resolveu intervir. Apelou à autoridade. E eis como um homem fraco pode fazer história, da pior forma. A 15 de Novembro, a Polícia prendeu, de forma violenta, os responsáveis pela iniciativa, operários de construção, residentes e jornalistas. Foi, obviamente, uma precipitação. Até porque o pedido de licença estava parado numa qualquer gaveta de um qualquer burocrata. Mais, a brutalidade da intervenção foi, manifestamente, desproporcionada, quando era o diálogo e a diplomacia que se exigiam. O 2.º Comandante da PSP, Vaz Antunes, que estava presente durante o incidente, assim não entendeu. A arrogância imperou. A imprensa chinesa, em especial o jornal Ou Mun, e as associações comunistas atacaram em força. De repente, a revolução cultural entrou em Macau. A partir daí, os chineses tiveram necessidade de se manifestar. De provar a Mao Tsé-tung que eram patriotas. Os protestos iniciaram-se e foram sempre em crescendo. Na cidade, os taxistas passaram o sinal. Eram, na sua maioria, indonésios, expulsos por Sukarno. Estavam revoltados contra tudo e contra todos. Buzinavam sem parar. Incendiaram o ambiente. As manifestações sucederam-se. Manifestações com mais de 15.000 pessoas, o que era muito, face à dimensão do território. Em Macau havia cerca de 50.000 estudantes chineses, a frequentarem escolas comunistas. Um potencial revolucionário impressionante. Os Guardas Vermelhos surgiram. O governo ficou debaixo de fogo. De crescendo em crescendo, a contestação aumentou e generalizou-se, provocando um sentimento de verdadeira revolta no seio da comunidade chinesa. Macau estava há alguns meses sem Governador. Lopes dos Santos, um homem ponderado e que conhecia bem o Oriente, tinha regressado à Metrópole, em Julho de 1966. Como Encarregado do Governo ficou Mota Cerveira. Um homem arrogante e militarista, que preferia a bravata à diplomacia. A arrogância ao diálogo. O Comandante da Polícia, o Tenente-Coronel Galvão de Figueiredo, pautava-se pelos mesmos valores. Não podia ter sido pior. Os dirigentes políticos e as forças de segurança de Macau actuaram com manifesta inabilidade e total ausência de sentido diplomático. Pior, usaram de arrogância colonialista. As tensões exacerbaram-se. As posições extremaram-se.
No dia 3 de Dezembro de 1966 as manifestações iniciaram-se pelo meio-dia. As escolas estavam mobilizadas. Estudantes e professores invadiram o Largo do Leal Senado e as ruas circundantes. Uma camioneta carregada de pedregulhos avança pela rua onde se situava o Comando da Polícia. Atrás, protegidos pelo camião, manifestantes entoavam canções revolucionárias e gritavam palavras de ordem, empunhando o Livro Vermelho. Aproximavam-se cada vez mais da esquadra. Lá estavam guardadas armas e munições. Parecia evidente a intenção de tomar a esquadra de assalto. Vaz Antunes, o 2.º Comandante, dá ordem de fogo. Não havia outra solução. O condutor da camioneta é a primeira vítima. O carro segue descontrolado, até embater, com violência, no fundo da rua. A confusão é enorme. Debaixo de uma enorme pressão, os polícias, acantonados na esquadra, mantêm, nervosamente, o fogo. A multidão dispersa-se. Seguem-se perseguições na zona da Praia Grande. O recolher obrigatório é decretado às 16 horas. No dia seguinte ainda havia disparos dispersos por toda a cidade. No final dos dois dias, um saldo final de 8 mortos e cerca de 200 feridos, todos chineses. Foi necessária a mobilização de soldados para controlar a situação. A tensão, no entanto, continuou a crescer. Várias famílias portuguesas começaram a preparar-se para abandonar Macau. O ?1-2-3? é isso mesmo: mês 12, dia 3. E o futuro de Macau nunca mais seria o mesmo.
A violência acabou. A repressão amainou. Começou, então, a pressão política. Uma pressão que assumiu proporções inenarráveis. As exigências não se fizeram esperar. Eram pesadas e inegociáveis. Os mortos de 3 e 4 de Dezembro mantinham-se nas urnas, por enterrar. E assim ficaram até à assinatura do acordo, a 29 de Janeiro de 1967. Todos os dias os chineses lembravam os mortos. Publicavam fotografias dos cadáveres. Uma pressão total. Em 25 de Novembro de 1966, chegou a Macau novo Governador, Nobre de Carvalho. Apenas ao aterrar em Hong Kong, o Governador toma conhecimento da situação em Macau. Até aí nada lhe tinha sido dito. Absolutamente extraordinário. Mal chega a Macau, Nobre de Carvalho tem de iniciar a complexa negociação com os chineses e com Lisboa. O Governo de Lisboa mantinha-se irredutível. Salazar envia um telegrama em que resumia a sua posição: ?Confirmar que, em caso de necessidade, todos cumprirão o seu dever, mesmo com os maiores sacrifícios?. Um telegrama em tudo semelhante ao enviado para a Índia Portuguesa, imediatamente antes da invasão das tropas de Nehru. Um telegrama que não auspiciava nada de bom. No dia 16 de Janeiro, a comunidade chinesa adoptou a ?política dos três nãos?: não entregar impostos; não prestar serviços ao Governo (incluindo abastecimento de água e electricidade); não vender produtos portugueses. Entretanto, emergiram figuras que, até aí, se tinham mantido na sombra. Ho Yin, o líder da comunidade chinesa, é relegado para segundo plano. Emergem dirigentes comunistas. (…). Em Macau, o Conselho de Defesa estava reunido quase em permanência, sob a presidência de Nobre de Carvalho. Eram reuniões contínuas até altas horas da noite. Alinhavam-se argumentos. Definiam-se estratégias. Tudo em vão. As tentativas de chegar a um texto de acordo aceitável pelas duas partes sucediam-se. As negociações eram chefiadas por Mesquita Borges, chefe de gabinete do Governador e integravam, ainda, o Dr. Assumpção, advogado macaense e representante de Macau junto da Câmara Corporativa, em Lisboa e Roque Choi, secretário e braço direito de Ho Yin. Entretanto, por imperativa exigência chinesa, tinham sido demitidos Mota Cerveira, Galvão de Figueiredo e Vaz Antunes. O Comando da Polícia passou a ser exercido, interinamente, pelo capitão Lages Ribeiro.
Finalmente, a 29 de Janeiro, o Governo de Macau e as autoridades da República Popular da China, chegaram a um acordo, assinado na sede da Associação Comercial. Para Portugal, tudo foi humilhante naquele acordo. O local, o conteúdo, a forma. O Governo pediu desculpas à comunidade chinesa. Passou a ser proibido dar apoio ou asilo político aos nacionalistas do Kuomintang. Foram entregues à China cinco guerrilheiros nacionalistas, que foram imediatamente fuzilados. Procedeu-se à indemnização das famílias das vítimas. Ficou claramente marcada a posição da China. Portugal apenas estaria em Macau enquanto a China quisesse.” (…)

A situação, embora continuasse tensa, foi voltando, paulatinamente, à normalidade, ao mesmo tempo que a confiança no futuro voltava a fazer-se sentir. Terra de muitos tufões, Macau sobreviveu também a essa enorme tempestade política. Nasceu e cresceu como o bambu, capaz de se vergar em todas as intempéries, para continuar viçoso, com as hastes apontadas para o céu. E foi fazendo o seu percurso histórico até se transformar, pacificamente, em região especial da China, em Dezembro de 1999.

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

blindado do Exército Português desce a Av. Almeida Ribeiro para impor a ordem

(clicar nas fotos para aumentar)

“guardas vermelhos” entraram no Leal Senado (Câmara Municipal de Macau) e fizeram um grande estrago nas suas instalações e o patrimonio agindo livremente diante da incapacidade da polícia para contê-los.  Em vista, o Exército interviu e “deu no que deu”

Casa de Macau de São Paulo recebe Jorge Rangel do IIM

(revisão de texto: 14hrs)

Jorge Rangel do Instituto Internacional de Macau (IIM), acompanhado de José Lobo do Amaral, aproveitando a viagem para várias conferências e eventos em São Paulo e no Brasil, deslocou-se para a Casa de Macau de São Paulo no domingo passado, dia 23, atendendo à sugestão do presidente Gilberto Silva, para que a entrega do Prémio Identidade 2011  fosse realizada ali e consequentemente a Associação voltaria a recebê-lo, desta vez em carácter oficial.  O Prémio Identidade 2011 foi atribuído, por igual mérito, ao site Projecto Memória Macaense na pessoa do seu autor Rogério P.D. Luz, também autor deste blog, e ao site Famílias Macaenses. (veja outra postagem).

Ao chegar nas dependências da Casa, Jorge Rangel preocupou-se em ir mesa a mesa para cumprimentar os associados e a bater um papo descontraído com a malta.  Depois do almoço no qual foi servido uma suculenta feijoada brasileira, acompanhada de uma boa e esclarecedora conversa sobre os problemas económicos mundias, em especial de Portugal, e da questão de subsídios às Casas de Macau pelo Governo da RAEM, Jorge Rangel foi convidado para iniciar o cerimonial.

Em seu discurso e de forma clara e objetiva, Rangel discorreu sobre o assunto tratado na mesa de almoço com os dirigentes da Casa, e que os acompanhava este autor. Manifestou a preocupação que a crise venha atingir Macau, a dizer também que o Governo da RAEM tem cumprido a contento as promessas feitas na transição.  Explicou que as associações e entidades macaenses sediadas em Macau, tais como a Associação dos Macaenses, a APIM, Santa Casa etc., tem recebido apoio da Fundação Macau, porém quanto ao subsídio às Casas, a questão teria que ser intermediada por uma entidade que as representasse, uma condição da Fundação. Disse que para este papel foi criado o Conselho das Comunidades Macaenses, que entre as suas  finalidades, seria a de promover os Encontros e a representar os interesses das Casas de Macau junto ao Governo da RAEM.  Disse que quanto ao primeiro objetivo tem sido alcançado de forma bastante satisfatória, porém quanto ao segundo, ainda está na expectativa de corresponder aos anseios das Casas de Macau, destacando que para esta questão é preciso dar uma atenção especial. Trechos do seu discurso serão publicados numa outra postagem.

Seguiu-se à entrega de uma gravura de Victor Marreiros com temas brasileiros e um poema em patuá dedicado ao Brasil, de autoria do Adé, José dos Santos Ferreira, ao presidente da Casa de Macau de São Paulo, Gilberto Silva, que foi definido como um homem experiente no discurso.  Depois fez a entrega do Prémio Identidade 2011, que será o tema de outra postagem.

Antes de deixar a Casa rumo ao aeroporto para outras atividades do IIM no Brasil, o que já está a se tornar uma rotina, tanto para divulgar Macau como para eventos culturais a respeito, ainda dispensou a sua pressa para tirar uma foto com os associados que no dia somavam cerca de 70 pessoas.  Saiu satisfeito com a receptividade que teve e o convívio com a nossa malta, o que certamente não será a última visita depois de uma relativa ausência da Casa de Macau.

da esquerda: Jorge Rangel, Gilberto Gilva e José Amaral

Crónicas macaenses, breves

A crónica de Jorge Rangel no JTM, “Falar de Nós”, que sempre vale uma boa leitura, nos conta:

- A Fundação Casa de Macau adquiriu a sede da Casa de Macau em Portugal, que era alugada, isso realmente eu não sabia.  Assim, os imóveis das 2 Casas de lingua portuguesa, incluindo a de São Paulo agora pertencem a 2 Fundações portuguesas. O daqui é propriedade da  Fundação Oriente.  A do Rio de Janeiro é sede própria. Felizardos!

- Rangel comenta sobre a semana promocional de Macau ocorrida no Restaurante Serra da Estrela, com pratos da culinária macaense confeccionados por Graça Pacheco Jorge, com direito a palestra sobre “O Chá da China”. Isso já é habitual em Portugal.  Sinto que em Portugal a comunidade macaense consegue sentir-se mais próximo de Macau, visto que ocorrem várias atividades com enfoque sobre a terra, tanto da atualidade como daquela Macau antiga do nosso coração. Além do que a comunidade com maior ligação e vivência em Macau está por lá. Felizardos os que moram em Portugal.  Talvez se eu morasse por lá, poderia encontrar melhores condições para desenvolver o trabalho do PMM e deste blog, embora não reclame do Brasil que gosto muito daqui mas encontro dificuldades para o meu trabalho pois a nossa comunidade é pequena e dispersa.  Neste parágrafo, o Rangel lembra dos almoços na Casa de Macau em Portugal, que os chama de “aprecidados” e que eram preparados por Fernando Conceição “Nando” e António Silva “Avô”, e torce para que voltem a acontecer.  Façamos votos para isso pois, se tomar por base a Casa de São Paulo, esses almoços habituais servem para reunir a comunidade para troca de idéias e matar as saudades da terra.

- Outra boa notícia gastronómica, diga-se macaense, é o futuro lançamento do livro da Cíntia Conceição do Serro “com as receitas da sua tia Albertina” nonagenária ainda a residir em Portugal, que felicidade, longa vida! A Cíntia fez a sua palestra no Encontro Macau 2010.

- Agora, o Luís Machado, presidente da Confraria da Gastronomia Macaense, está de parabéns! Vai ser o vice-presidente da CEUCO, confraria européia de prestígio, que esteve a participar também do Encontro Macau 2010.  É isso aí, Luís!

Falando do 1º de Outubro, dia da RPC, minhas congratulações, e vi nos jornais de Macau, vários anúncios pagos de instituições macaenses com mensagens alusivas à data. São os novos tempos que já vão completar 12 anos em Dezembro.  Diga-se de passagem, políticamente correto! Afinal de contas, Macau, hoje, é China, e nada mais certo que vestir a camisa.  Ser macaense é saber viver conforme o tempo e o lugar. Só nos resta esta alternativa pois o destino não nos contemplou com a possibilidade logística de alcançar a independência.  Agora se fosse uma ilha no Pacífico, longe de qualquer continente, aí poderia ser outra história.

Clique abaixo para ler  a crónica completa:

JTM.Jorge Rangel 4.10.2011

Atividades do IIM em 3 continentes e o Prémio Identidade

E, novamente, outra notícia do Jornal Tribuna de Macau de hoje, fala das atividades do IIM Instituto Internacional de Macau em Macau, Lisboa e o Brasil.  Apenas para destacar que em Outubro, em São Paulo, com a presença de Jorge Rangel e Lobo do Amaral, vai me ser entregue o diploma do Prémio Identidade pelo trabalho do site Projecto Memória Macaense. Poderá vir acontecer na Casa de Macau de São Paulo, ou com a participação dos corpos sociais da associação noutro local a definir.  O presidente, Gilberto Silva, já manifestou entusiasticamente o seu apoio, pelo que agradeço publicamente.

*clicar para aumentar

A revista Oriente / Ocidente

Esta crónica foi publicada no Jornal Tribuna de Macau em 18/07/2011 assinada por Jorge Rangel, que traz informações que valem uma boa leitura.  Faz parte da sua série que tem livro publicado com o mesmo título – Falar de Nós

- Falar de Nós - 

Oriente / Ocidente – vinte e seis números publicados

Jorge A. H. Rangel*

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo.

Do editorial do n.º 26 da “Oriente / Ocidente”

É sempre motivo de satisfação, para quem se dedica à preservação, valorização e divulgação da memória da sua terra e da sua comunidade, ver sair do prelo mais um livro, revista ou simples boletim informativo em que se fazem mais registos dessa memória e de acontecimentos e personalidades que dão sentido a uma comunidade viva, orgulhosa da sua história e parte activa na construção do futuro da terra onde nasceu ou onde vive e que foi o ponto de partida para a diáspora que as suas gentes laboriosamente criaram e consolidaram nos novos mundos que demandaram. Saúda-se, por isso, a publicação de mais um número da “Oriente / Ocidente”, revista do Instituto Internacional de Macau (IIM), ora em distribuição e cujo conteúdo é largamente dominado pelo último Encontro das Comunidades Macaenses, realizado em Novembro e Dezembro de 2010.

Vinte e seis números foram já publicados neste seu presente formato, desde que, de pequena “newsletter”, foi tendo o seu conteúdo, dimensão e arranjo gráfico crescentemente melhorados. Inicialmente coordenada por Luís Sá Cunha, os responsáveis pela publicação são agora Rufino Ramos, como editor, e José Mário Teixeira, como adjunto.

Os propósitos da revista

O editorial deste número explica bem os propósitos da revista:

“Macau sempre foi uma cidade vanguardista no processo da mundialização. Há já cinco séculos que assumiu o papel de plataforma entre os universos oriental e ocidental e, desde então, tem cumprido esse papel de uma forma única. Se bem que a sua localização geográfica foi, e é, um ponto importante neste processo, é certo que não foi exclusivamente graças a esse ponto, o sucesso alcançado pelo território. As gentes de Macau e as suas criações foram, indubitavelmente, a chave do êxito deste pequeno pedaço de terra. Gentes e criações que deram origem a um património identitário único no mundo, pela sua diversidade e harmonia.

É este património, tangível e intangível, do terreno da memória e do futuro, que o Instituto Internacional de Macau se propõe, desde a data da sua criação, proteger e promover, em Macau e no mundo. Lado a lado com Macau, a história do IIM é, também, uma história de sucesso.

A participação no Encontro das Comunidades Macaenses 2010 coroou um ano próspero do IIM, numa homenagem conjunta ao patuá, a personalidades, a instituições, a memórias… e a Macau. Nestes momentos de triunfo da comunidade sobre o esquecimento, criam-se espaços novos, num processo eterno de criação e manutenção da identidade macaense.

Para cada pessoa que parte, criam-se também espaços de homenagem e de memória. Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros e Lídia Cunha foram peças no processo de criação de Macau e merecem, também, um destes espaços, na memória de cada um e na identidade de todos.

Este número da ʻOriente / Ocidenteʼ é a prova disso.”

Um rico conteúdo

Várias páginas foram, assim, dedicadas à memória de Henrique de Senna Fernandes, Leonel Barros (Neco) e Lídia Lourdes da Cunha. “Macau sempre foi terra produtora de grandes homens e grandes histórias. Aventureiros ou contadores de histórias, homens das ciências ou das letras, os filhos da terra deixaram a marca de água, uma identidade que pertence, agora, a todos os que partilham este pequeno espaço, portal entre as dimensões ocidentais e orientais”. Quando esses homens e mulheres nos deixam para sempre, quem fica sabe honrar a sua memória. Foi assim ao longo de muitas gerações.

Os momentos mais significativos do Encontro das Comunidades Macaenses são evocados neste número, profusamente ilustrado com fotos dos acontecimentos mais marcantes, como a entrega do Prémio Identidade à União Macaense Americana e à Santa Casa da Misericórdia de Macau, a reunião do Conselho das Comunidades Macaenses, a recepção do Chefe do Executivo aos presidentes das Casas de Macau, a reabertura do espaço do velho edifício do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, totalmente remodelado, as sessões culturais e os animados convívios, sessões de lançamento de novos livros relacionados com Macau e a comunidade macaense e a simbólica oferta de uma aguarela do pintor russo Smirnoff ao Museu de Artes de Macau, intermediada pelo IIM e entregue pessoalmente pela sua proprietária, Cecilia Maria Yvanovich Burroughs. A aguarela é um retrato desta senhora, agora residente nos EUA, que Macau acolheu nos anos difíceis da Guerra do Pacífico e aqui residiu durante três anos. Visivelmente comovida, expressou a gratidão à terra que tão bem recebeu a sua família e tantos outros membros da comunidade portuguesa de Hong Kong e gentes de muitas origens.

Este número da “Oriente / Ocidente” contém, também, um extenso artigo sobre novas edições do IIM e reportagens sobre algumas das mais relevantes actividades levadas a efeito recentemente, como a continuação da itinerância da exposição “Macau é um espectáculo”, sessões de divulgação do patuá nas Casas de Macau, seminários realizados em várias partes do mundo, o programa DOCTV da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que o IIM ajudou a estender a Macau com a colaboração da TDM, a atribuição do prémio Jovem Investigador e de prémios do IIM a alunos da Escola Portuguesa de Macau, a assinatura do protocolo de cooperação que aproximou o IIM do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, a sessão da AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa realizada no auditório do IIM e a visita do Conselho Superior dos Institutos Politécnicos Portugueses a Malaca, organizada através do IIM.

Notícias da diáspora macaense e de encontros realizados pelo IIM com entidades oficiais (Chefe do Executivo da RAEM, Secretário-Executivo da CPLP, Secretário-Geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial da China com os Países de Língua Portuguesa, Presidente do Instituto Camões e responsáveis pela Expo Mundial de Xangai e do pavilhão de Portugal nesse certame) completam o conteúdo da revista.

Testemunho de Cecilia Yvanovich

Vale a pena ler o testemunho muito sentido de Cecilia Yvanovich:

“(…) Os japoneses ocuparam Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941. Sendo de cidadania portuguesa, a nossa família não foi encarcerada pelos japoneses. Não viemos para Macau como as outras famílias senão quase em finais de Outubro de 1942, quando Hong Kong foi bombardeada pelos aviões americanos. Foi então quando o nosso pai decidiu que era tempo de a nossa família mudar-se para Macau. Meu pai e minha mãe, Vincente e Pureza Yvanovich, e os filhos, Teresa, Vincent Jr., Helen, Cecilia e John, embalámos o que foi possível e deixámos a nossa casa para virmos para Macau.

A Administração Portuguesa de Macau recebeu os refugiados portugueses de Hong Kong. As famílias eram alojadas em centros de refugiados mas nós fomos muito afortunados por nos ser possível habitar numa bonita casa na Estrada da Vitória, durante a nossa estada em Macau. A guerra acabou em Agosto de 1945 e em Outubro nós regressámos a Hong Kong.

 

São felizes as recordações que tenho desse três anos em Macau. As pessoas e a Administração não podiam ser mais hospitaleiras e amigáveis. Os residentes de Macau, com idade entre os 18 anos e os 30 e aqueles de Hong Kong, quase da mesma idade, rapidamente se tornaram amigos e muitas vezes se juntavam em festas, chás dançantes e outros eventos. George Smirnoff, que ensinou pintura a vários deles, juntava-se muitas vezes a nós. Foi através destas pessoas amigas de Macau que eu conheci George.

Ficarei muito contente e honrada quando o meu retrato figurar juntamente com as outras bonitas aguarelas de Smirnoff, das muitas paisagens que ele pintou de Macau.”

Em breve sairá a versão em chinês e inglês e o próximo número da edição portuguesa deverá ser distribuído no fim do ano.

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.