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Rigo Rosário Jr. lembra os Pequenos Cantores

Você se lembra dos Pequenos Cantores do Colegio Dom Bosco? Saudades, ? Quando em Macau, gostava de assistir às suas apresentações. Eram perfeitos e cantavam muito bem.

Pois é, o Api no seu artigo de Memórias de Um Músico Macaense (Revista Macau Junho 1998), publicado na íntegra no Projecto Memória Macaense, neste link, lembra dos Pequenos Cantores no texto abaixo:

Padres, bandas e cantores

Nessa época, já não existia a Banda da Câmara Municipal regida pelo Constâncio da Silva e posteriormente pelo Placé. Em seu lugar havia a Banda da Polícia de Segurança Pública, que era formada por elementos daquela corporação, na maioria antigos alunos do Colégio Dom Bosco.

Esse colégio, por sua vez, teve a sua própria banda, onde muitos futuros músicos aprenderam o primeiro solfejo. No início, o padre Albino (o decorador do salão de festas do Clube de Macau, antes da sua ordenação) dava aulas de música e regia a banda até ser substituído pelo padre italiano César Brianza.  O padre Brianza, sobejamente conhecido, além de reger a banda do colégio, passou a dirigir também a Banda da Polícia e fundou o coral dos “Pequenos Cantores”, que chegou a dar concertos na Europa e em vários países do Extremo Oriente. O coral durou apenas enquanto o Padre Brianza o regeu e teve um final melancólico nos anos 70. A sua última apresentação foi no Cemitério de S. Miguel Arcanjo, durante o cortejo fúnebre do sacerdote-músico, acompanhado por numerosos amigos e admiradores.

Também o Colégio e Instituto Salesiano possuía a sua banda de instrumentos de sopro, que acompanhava procissões religiosas e fazia apresentações noutros colégios. Mas era a Banda do Colégio D.Bosco que participava em paradas da Mocidade Portuguesa e nas efemérides comemorativas.  Uma única tuna carnavalesca sobrevivera nos anos 50-60: a do “Negro-Rubro”, conhecido agrupamento oficial do Corpo de Bombeiros. A sua formação era quase exclusiva de elementos daquela corporação e as suas apresentações já não decorriam nos locais tradicionais das décadas de 30 e 40.  Muitos dos seus músicos participavam também da orquestra do dr. Pedro José Lobo.

Rigo Rosário Jr. “Api” e as Memórias de Um Músico Macaense

“Colourful Diamonds” em 1961: José e António Marinho, Rigoberto do Rosário, Vasco Santos e Ricardo Rosário

O Projecto Memória Macaense acaba de divulgar uma página completa do extenso artigo do Rigoberto Rosário Jr. “Api”, compositor da canção Macau – Memórias de Um Músico Macaense, que foi publicado na Revista Macau edição de Junho de 1998, com a apresentação e apoio da Cecília Jorge. Leia neste link – http://rpdluz.tripod.com/projectomemoriamacaense/historias.memoriasmusico.html

Neste artigo o Api lembra de diversas passagens dos músicos e bandas, principalmente, dos anos 60 e 70.  Vale para matar as saudades destes anos dourados de Macau, e saber de alguns detalhes que talvez você não soubesse. Vejamos:

… O primeiro convite que recebemos foi do Eduardo Jacinto, que presidia ao clube “Macaense” (antigo Clube Melco) situado no bairro da Areia Preta. Foi noite de estreia para o nosso trio e um êxito de bilheteira. Apresentaram-se também nessa noite de sábado, os “Irmãos Espírito Santo”, animando ainda mais o baile …”

… Nessa época, os “Four Aces” actuavam no restaurante da Pousada de Macau, que se situava na Rua da Praia Grande, mesmo ao lado do Palácio do Governo. Esse restaurante devia muito a fama à sua “Galinha Africana” — uma criação do chef Américo Ângelo (com curso feito na Europa) — e à sua hospitalidade …”

“Os “Heartbeats”: António Lagariça, Roberto Badaraco, Vítor Marques, Badaraco, Alberto Amante

Sonny Gomes, tributo a um músico macaense

António Gomes … quem é? É o Sonny Gomes …!!! Ah, agora sim, eu o conheço” Mais ou menos nesse tom, o “Api” Rigoberto Rosário Jr. inicia a sua dedicatória ao que ele chama “um dos melhores músicos com quem trabalhou e conheceu … um gajo muito camarada, honesto e leal“. Com essa dedicatória, 3 músicas, 1 vídeo e várias fotos, o Projecto Memória Macaense – www.memoriamacaense.org/projectomemoriamacaense – publicou uma página com o título acima. Logo na página de entrada do site vocês verão o link.

O Sonny foi um dos fundadores dos The Thunders.  O Api entrou no conjunto após a sua saída.  Já quando eles passaram a atuar profissionalmente em Hong Kong nos anos 70, o Sonny voltou para os Thunder após a saída do Lelé Rosa Duque que retornava para Macau. E com ele, foi a última formação do conjunto que dissolveu-se pouco depois.

A sua voz melodiosa que contrasta com o seu jeito e até a aparência, pois adorava luta marcial, coisas de polícia, tanto que integrou o PJ, agrada aos ouvidos e tem nível internacional, nada perdendo para os cantores originais das canções divulgadas.  Elas são, Gina, Sea of Love e The Wonder of You.

Estava para um dia abrir uma página para ele, já na antiga versão do site PMM, pois tinha recebido uma das canções do Zito Estorninho que tocou com ele num conjunto (a informar o nome) como baterista, aliás o Zito deve ter feito aquela filmagem do ensaio em que o Sonny cantou Gina, mas acabou ficando na pendência.  Outro dia, descobri nos meus arquivos salvados do que recebo de e-mails, as 2 canções e mais este vídeo.  Aí lembrei que o Api tocava com ele e pedi que escrevesse uma dedicatória.  E, assim, finalmente consegui abrir uma bela página para homenagear e prestar um tributo a este músico macaense que não está mais conosco na terra.  Que ele esteja descansando em paz e fique contente por ser relembrado.

Acho importante que, de grão em grão, o PMM e este blog consegue resgatar a memória de diversos macaenses (e da gente da comunidade macaense).  Não será completamente e nem de todos, coisa impossível, mas à medida que recebo material ou os localizo em algum lugar (jornal ou revistas), vou procurando fazer a divulgação dentro das minhas possibilidades e disponibilidade.

Assim, fica o convite para visitar o PMM e ver essa página.  Um singelo tributo mas feito de coração e com certa emoção.

Esta foi a última formação dos The Thunders, antes da sua dissolução.  O CD é caseiro, apenas para lembranças.  É a gravação de uma das suas apresentações (profissionais) no Mocambo. Na foto vemos, da 1a. fila, a partir da esquerda: Alex Airosa, Sonny Gomes e Gabriel Yuen. Atrás, da esquerda, Rigoberto “Api” Rosário Jr. e o filipino Avelino Cortez Jr. Para quem não sabe, o Api é o compositor da canção Macau que emociona a todos!

O talento individual do Api e o reconhecimento necessário

Falar do Api (Rigoberto Rosário Jr.) é lembrar da canção-hino dos macaenses – Macau (terra minha). Foi sua composição.  E agora ele cria a versão instrumental, um trabalho só dele.  Os arranjos, a execução, a gravação, tudo !!!  Com muito orgulho divulguei esta última no PMM e agora no MacaenseBR, como música de boas-vindas aos sites.

Apesar do Api ser meu amigo, não seria por isso que falo dele, pois o mundo macaense reconhece e sabe do seu talento individual, não só musical, mas também da arte.  Suas pinturas impressionam além do seu trabalho manual, como a montagem de miniaturas alusivas aos costumes antigos de Macau, além de tantos outros trabalhos, e porque não, até da redação de artigos. Quem não se lembra das memórias dos seus velhos tempos de músico em Macau, publicados na Revista Macau?  Recentemente vim saber que soma a tudo isso, mais um talento, o de restaurador, pois contribuiu com a sua mão de obra gratuita, a restauração de imagens sacras da Igreja do Divino Espírito Santo, em São Paulo.

Sabia, já de algum tempo, que o Api possuía uma coleção de músicas sobre Macau e sua gente, genuinamente composições suas com direitos autorais reservados, em versões na língua portuguesa, inglesa, chinesa e em patuá.  Estavam “guardadas numa gaveta”.  ”Assim não pode ficar” pensava eu, e ele também, tanto que, em comum acordo, tomamos iniciativas pensando num CD.  Um disco pessoal, do Api, pois seriam suas composições que seriam executadas por ele através de diversos equipamentos na sua residência, que, impressionante, parece uma orquestra de verdade tal a qualidade e perfeição. O Api é um perfeicionista dos mais exigentes. É só ouvir a versão instrumental de Macau, uma experiência inicial do trabalho, ainda possível de ser mais aperfeiçoada.  Outro exemplo claro da perfeição é a música-tema da peça teatral “Sabroso Nunca” do Dóci Papiaçám.  O fundo musical foi totalmente composto e executado por Api, ainda mais, com equipamentos não tão sofisticados, mais por falta de recursos para adquiri-los.

Seria um disco-solo do Api? Nada mais justo, pois é um trabalho totalmente pessoal, só dele.  A tecnologia de hoje permite isso. E quem vai apoiar, editar e divulgar o CD? Se for o caso, quando aconteceria a divulgação e a apresentação pessoal do Api? Bom, isto é um outro capítulo, se der certo, pois tem que dar certo o apoio a um macaense que criou o nosso hino. O hino dos macaenses !!! E além de tudo, um talento individual que carece de um reconhecimento necessário, mas somente à sua pessoa, exclusivamente.