Cronicas Macaenses

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Dia de Macau na Casa de Macau de São Paulo

(fotos na maioria de Rosa Cruz, obrigado!)

Em 2012, a Direção da Casa de Macau de São Paulo decidiu comemorar o aniversário de 23 anos da associação antecipadamente, em conjunto com o Dia de Macau em 24 de Junho, que neste ano aconteceu num domingo.  Como tema, adotou a bandeira do Leal Senado pelo que representa de significado histórico e de laços para a sua comunidade. A bandeira era lembrada em mastro no palco, nos arranjos de flores e principalmente a ornamentar o bolo de aniversário.

o bolo de aniversário com a bandeira do Leal Senado e as velas de 23 anos da associação

Como não poderia deixar de existir numa festa típicamente macaense, lá estava a gastronomia presente com o tacho (chau chau pele) como prato principal, complementado por um minchi com batatas fritas em cubinhos, além do carril de carne de vaca e batatas, entre outros pratos auxiliares.  O público contando com cerca de 120 pessoas, ao anúncio de “o almoço está servido” no microfone, lá se enfileirou para se servir da comida macaense.

Tacho e Minchi (carne moída)

Como toda festa grande os atrativos eram a música, o patuá e uma explanação do significado do Dia de Macau, que não é mais comemorada em Macau após a transição de soberania de Portugal para a China ocorrida em 1999.  O que seria o Dia de Macau, hoje é lá celebrada em 20 de Dezembro como a celebração de criação da RAEM Região Administrativa Especial de Macau, porém para a comunidade macaense da diáspora, ainda se pode fazer a comemoração do Dia à moda antiga e isso foi feito.

Coral Vozes de Macau

O coral Vozes de Macau iniciou a programação cultural cantando diversas canções, umas inéditas para o público, finalizando a sua apresentação a acompanhar dois solos do Fernando “Nano” Branco, que logo retornaria ao palco para cantar em dupla com a sua esposa Yvonne Remedios Airosa.  Foram oito canções a lembrar os tempos antigos dos anos 50 e 60, que faziam parte do repertório do seu CD pessoal que foi lançado em São Paulo e em Macau no ano de 2010, por ocasião do Encontro das Comunidades.  Entre trocas de olhares, beijinhos e “holding hands” ou de mãos dadas, faziam um perfeito par romântico a cantar músicas melodiosas.  Uma perfeita receita!

Nano e Yvonne

Coube ao Armando Ritchie contar a história do motivo de comemoração do Dia de Macau em 24 de Junho, percorrendo pela derrota dos holandeses na sua tentativa de tomar Macau, ocorrida no dia de São João Batista a quem a populaçã,o na época, atribuiu o milagre dado que as forças de defesa eram bem inferiores aos invasores. Armando ainda alongou a história para falar sobre a transição e outros dados históricos de Macau, tendo o cuidado de distribuir em cada mesa um conjunto textos explicativos com imagens fotocopiadas. Depois o Bruno António, que viajou pela primeira vez para Macau no Encontro dos Jovens, subiu ao palco para relatar resumidamente sobre a sua experiência e vivências no evento.

Armando Ritchie, Gilberto Silva, presidente da Casa e Nanette Placé

Porém, teria que haver um atração especial, no caso, pela longa ausência do palco da associação.  E lá apareceu o Rigoberto Rosário Jr. “Api”, o compositor da canção-hino dos macaenses: Macau. Justificava que relutou um pouco para aceitar o convite da diretora cultural Nanete Placé, porém refletindo sobre o significado dessa canção para a comunidade macaense, decidiu dedicar-se para uma boa apresentação recheada de saudades.  Passou dias para fazer em casa os arranjos do acompanhamento musical nesta sua nova fase de carreira solo.  Foi gravando sózinho instrumento por instrumento, como violão, baixo, bateria etc., que acabou montando a sua versão 2012 do hino macaense. (veja postagem relacionada à apresentação do Api: https://cronicasmacaenses.com/2012/06/26/macau-cantada-por-rigoberto-rosario-jr-versao-2012/)

Rigoberto Rosário Jr. “Api”

Contando com a boa assistência do técnico de som, que também estava muito tempo ausente desta tarefa na Casa de Macau, Roberto “Beto” Mingrone, a introdução do seu back musical de Macau dava início a pouco mais de três minutos de muita emoção para o público, especialmente aos macaenses saudosistas dos velhos tempos.  Em silêncio, algo difícil em festas no grande salão, a assistência viu um novo Api a cantar numa performance de um cantor profissional ,livre da sua guitarra elétrica que costumava carregar.  Sinceramente, e como podem ter ouvido ou assistido ao vídeo na postagem publicada,  o back estava perfeitíssimo e lindo.  Ficou mais melodiosa, própria para o tipo de canção que é impossível um macaense não chorar ou deixar escorrer umas lágrimas.  Era um tal de dizer “ah, você viu a tal ou o tal a chorar?”  E quem não choraria? É saudade pura e inegável do que significa a canção, em termos, para aqueles tempos dourados da nossa vida em Macau nos anos 50, 60, 70 etc.  Muito aplaudido, o Api ainda cantou outra canção de sua autoria e inédita que talvez possa vir a ser conhecida pelo grande público macaense, se Deus quiser.  Seria comparativamente uma canção tipo Macau, só que composta para os dias atuais, mas repleta de saudades também.

Mariazinha e Yolanda

Depois de muita emoção, chegou a vez do Patuá.  Mariazinha Carvalho, a primeira dama do patuá de São Paulo, anunciava pelo microfone que iria apresentar uma peça escrita por Miguel de Senna Fernanes, devidamente autorizada pelo autor.  A história gira em torno do BIR – bilhete de identidade de residente e as peripécias do Chico Palito interpretado por Armando Ritchie e conhecido da Carlota, para obtê-lo.  Seria apresentada num dos eventos do Encontro 2010, mas não foi.  A Yolanda Luz Ramos tratou de dar esta explicação e convidava o público para assistir a paródia e conhecer melhor a funcionalidade do BIR e como é almejado.

“We are the champion” (nós somos campeões) até já virou música tema de introdução e finalização de peça do teatro de Patuá de São Paulo, pois tem como significado o esforço da gente de Terceira Idade a superar obstáculos, e no caso, a interpretar peças teatrais. E assim ocorreu nesta apresentação, sendo que no final, a convite dos intérpretes, Yolanda, Nanete e Gilberto, o presidente, juntaram-se a eles e de mãos dadas dançaram ao som dessa música. Deveras uma boa idéia e iniciativa!

Mariazinha “Carlota” e Armando Ritchie “Chico Palito”

Já em pleno inverno, São Paulo escurece mais cedo, pouco depois das 17:30 horas, altura em que foi servido um “min” (macarrão china), que estava bom, como chá de tarde e para encerrar a festa, que nesta altura parte do público já tinha ido embora.

* Site da Casa de Macau de S.Paulo: http://www.casademacausaopaulo.com/Os vídeos musicais, teatral e da festa produzidos pelo seu diretor Frederico António estão neste link: http://www.casademacausaopaulo.com.br/home_1.html

Nano Branco e o Coral

a cantar os – parabéns a você

da esq. Margareth Rosário, Marina Barros, Rigoberto Rosário Jr e Rosa Cruz que cedeu a maior parte das fotos desta postagem

Mia Luz, Sonny Fernandes, Nano Branco, Dulce Fernandes, Yvonne Remedios Airosa, Margareth e Rigoberto Rosário

Bruno Antonio falou sobre a sua primeira viagem a Macau no Encontro dos Jovens 2012

a cantar “We are the champions”

Um comentário em “Dia de Macau na Casa de Macau de São Paulo

  1. Jorge E. Robarts
    02/07/2012

    Gostei muito das fotos e reconheci o Chito,Nano, Yvonne, Iolanda,Mariazinha, o Rogério (cujo pai Alvaro foi um bom amigo meu), o Armando, o Api, claro,a Marina Barros e tantos outros… foi bonita a festa. A comemoração da CM. do Rio apenas reconheci o Chico, Acaio e o Mendonça. Lembro-me da Ilda Marques de há 50 anos atrás e hoje apesar dos seus 97 anos, pareceu-me ainda “rija”.Pena é que não consegui ver o Fernando (Dino) Marques com quem brinquei e já não vejo já há pelo menos, 40 e tal anos. Grande abraço de amizade do macaense Giga. (Portugal)

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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