Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Há 430 anos: foi proclamado “Cidade do (Santo) Nome de Deus de Macau”

1000px-Bandeira_do_Leal_Senado.svg

Observe que no brasão não consta o “Santo” apesar do autor do livro o citar

Foi no ano 1583, há 430 anos, que Macau ou “Amacau” passou a denominar-se “Cidade do (Santo) Nome de Deus de Macau“.  É o que nos conta o livro “Esboço da História de Macau” de Arthur Levy Gomes, editado pela Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção de Propaganda e Turismo) em 1957.

Para lembrar, a denominação aconteceu antes da invasão holandesa em 1622.  E, em 1654, por ordem do Rei Dom João IV, o nome oficial de Macau passou a ser CIDADE DO (SANTO) NOME DE DEUS DE MACAU, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL, visto que, no período compreendido entre os anos de 1580 a 1640 em que Portugal foi reinado por um monarca espanhol, Macau continuou a içar lealmente a bandeira portuguesa até 1999, quando foi devolvida para a China.

Observe na imagem acima de uma versão da antiga bandeira municipal de Macau que o “Santo” foi omitido, pois a rigor a denominação correta é “Cidade do Nome de Deus”, tanto que o Santo está entre parênteses.

Vejamos o que o livro nos relata de alguns acontecimentos neste ano de 1583 que ocorreram em Macau.  Os textos em negrito e em vermelho foram acrescentados pelo autor deste blog, com intuito de separar os temas:

Bandeiras.Macau.2

1583 EM MACAU – CONFORME O LIVRO “ESBOÇO DA HISTÓRIA DE MACAU”

(o autor do livro Artur Levy Gomes cita a denominação desta forma, porém, a rigor, o “Santo” não é utilizado)

Proclamado de direito, pelo povo, o foral da cidade, em 1583, deliberou-se que «Amacau» passasse a denominar-se «Cidade do (Santo) Nome de Deus de Macau*»; criou-se uma guarda de segurança e foi eleito o Sena­do da Câmara, composto de dois juízes ordinários, três vereadores e o procurador do Concelho, presidido pelo bispo ou pelo capitão da terra, conforme os casos, com a assistência do ouvidor.

Os assuntos de mais transcendente importância eram resolvidos por um conselho constituído por «Homens bons», convocado expressamente para isso, e trabalhando com o Senado. Esta mesma organização, actuando como tribunal de segunda instância, resolvia, sem recurso, os pleitos judi­ciais. As causas cíveis eram resolvidas pelos juízes ordinários. A estes cumpria ainda a segurança interna da cidade, o castigo dos malfeitores, fazendo o serviço judicial à semana, despachando com os vereadores, sem apelação, os feitos de injúrias verbais, pequenos furtos e almotaçaria.

Os vereadores tinham, especialmente a seu cargo, todo o regimento da cidade, posturas e tudo quanto se relacionasse com as comodidades do povo, a arrecadação das receitas camarárias, o tombo das escrituras e outros documentos de importância, aforamento de baldios, viação, etc.

O procurador da cidade, além dos deveres indicados nas ordenações para os procuradores dos concelhos, tinha ainda a representação do Senado nas relações com as autoridades chinesas, tendo-lhe sido concedida, em 1584, pelo Imperador Chin-Tsang, o grau de mandarim, com alçada sobre os chineses, de colaboração, neste ponto, com as autoridades mandarínicas.

Esta procuratura, na parte que respeitava às relações com as auto­ridades chinesas, foi progressivamente tomando um carácter de tribunal privativo dos chinas, assumindo o procurador o cargo de juiz.

A eleição dos juízes, vereadores, procurador, tesoureiro e escrivão do Concelho fazia-se primeiramente por pelouros e depois por pauta, de três em três anos.

A administração financeira foi também regulada, fixando os comer­ciantes imposto sobre as mercadorias para ocorrer às despesas do Senado e do Governo. O que excedesse destas receitas constituiria fundo de reserva destinado ao seguro marítimo, e o déficit, quando o houvesse, seria co­berto por empréstimos, contribuições voluntárias ou impostos sobre a pro­priedade.

Era este, em síntese, o regimento do Senado, isto em conformidade com as Ordenações do Reino.

Igreja de Madre Deus (atual Ruínas de São Paulo). Desenho de George Chinnery

Basílica de São Paulo antes do incêndio (atual Ruínas de São Paulo). Desenho de George Chinnery

D.MELCHIOR NUNES CARNEIRO

Melchior Nunes Carneiro (2)

Selo emissão de Macau: 4º Centenário da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Macau.

Governando a Província, mais uma vez, por nela se encontrar de passagem, como capitão-mor da viagem do Japão, Inácio de Lima morreu,a 19 de Agosto deste ano de 1583, com grande consternação do povo, na Casa de Santo António, onde então residia o bispo de Nicea, D. Melchior Nunes Carneiro.

Foi sepultado na pequena igreja de Santo António, anexa à casa da mesma denominação.

O pavoroso incêndio que, em 1595, destruiu a casa e a capela de Santo António baralhou e confundiu os seus restos mortais com os ossos calcinados de outros padres que aí igualmente jaziam. Não obstante isso, na nova igreja de S. Paulo, construíram os jesuítas um magnífico mausoléu, ao centro da capela-mor, onde diziam acharem-se os restos do finado bispo e confrade. Mas parece que os seus ossos não deviam ter sossego, pois essas verdadeiras ou fingidas relíquias foram novamente misturadas com muitas outras ossadas e envolvidas nos escombros da basílica de S. Paulo quando, em 26 de Janeiro de 1835, um colossal incêndio a destruiu por completo.

Não nos podem portanto restar dúvidas acerca do desaparecimento dos restos mortais de D. Melchior Nunes Carneiro; no entanto, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, pelo desventurado bispo instituída, numa piedosa teimosia, conseguiu arranjar novas ossadas e colocá-las em novo túmulo no cemitério público que se instalou nas ruínas de S. Paulo. Indicava-o o seguinte epitáfio:

<<Hic jaeet Reverendissimus Dominus D. Melchior Carneiro, Societate Jexu, Aethiopiae Patriarcha et Primits Macaensis Episcopus. Obiit anno Domini 1583 >>

Está errado este epitáfio. Contém dois erros históricos: D. Melchior nunca foi patriarca da Etiópia, nem foi o primeiro bispo de Macau.

Na carta que, em 12 de Fevereiro de 1560, D. Gonçalo da Silveira escreve ao seu Provincial acerca do Monomotapa, carta transcrita a folhas 47 e seguintes do caderno número 69 da colecção «Pelo Império», da Agência Geral do Ultramar, se infere que D. Melchior Carneiro, nessa data, não era o Patriarca da Etiópia, mas sim simples ”padre”.

Em 15 de Dezembro desse mesmo ano, era sagrado, em Goa, bispo titular de Nicea «In partibus infidelium», donde se conclui que, nesse intervalo de tempo, não podia ter sido Patriarca da Etiópia. De então para cá, a sua vida decorreu em Macau, como vimos.

As bulas «Apostolatus Officium» e «Hodie ecclesiae», nomeiam primeiro bispo de Macau a D. Diogo Nunes de Figueira em 1576, sendo o segundo, D. Leonardo Fernandes de Sá, em 1577. Pelo facto de o primeiro não ter chegado a exercer o seu múnus na diocese, parece que não deixou por isso de ter sido antecessor de D. Melchior. E quanto ao segundo também nos não podem restar dúvidas, visto que enquanto ele era o bispo, governava D. Melchior a diocese como simples Vigário Apostólico.

Na Santa Casa da Misericórdia está exposto, numa vitrine, um crâneo que, com inacreditável teimosia, a tradição fantasiou o do desditoso prelado. Esta caveira, no século XVIII, estava patente aos fiéis na capela do Hospital de S Rafael, também, como vimos, instituição sua. Há ainda a recordar D. Melchior, numa das salas do actual Paço Episcopal, um retrato a óleo, em tamanho natural, com a seguinte legenda:

«Retr.º  do Illm. e Revem. Sr. D. Belchior Carneiro, da extinta comp.a de Jesus, B.° da Ethiopia governou com autoridade delegada o Bispado de Macau até ao anno de 1581. Falleceu no ainno de 1583 jaz na capella mór do Coll.° de S. Paulo da cidade

D. Melchior deixou escritas várias cartas sobre a nossa acção no Extremo Oriente, que foram impressas.

Fernao1

Imagem do livro “Fernão Mendes Pinto e os Mares da China”

PADRE JESUÍTA LUÍS DE ALMEIDA

Nesse mesmo ano, em 5 de Outubro, morreu também, na mesma casa e com 58 anos de idade, o padre jesuíta Luís de Almeida, antigo capitão-mor da Índia, ao serviço de D. João de Castro, tendo-se tornado notável pela sua heroicidade num dos cercos de Diu. Convencido, no Japão, em 1555 quando, afastado das lides guerreiras comerciava, pelo jesuíta Cosme de Flores, entrou na Companhia, para se dedicar às missões da China e do Japão, tornando-se um dos mais ilustres missionários. Fundou um asilo para expostos e um hospital para leprosos em Butigo, no Japão. Homem de gran’ saber, escreveu muitas cartas sobre as missões do Oriente, que fazem parte da colecção «Cartas da China e do Japão», impressas em Évora em 1598.

Gastão Mesnier, no seu livro «Japão», refere-se assim a Luís de Almeida:

«A Luís de Almeida se deve a creação de grande numero de estabelecimentos portuguezes nas costas meridionais do Japão, e elle era tão estimado e querido dos daimios do sul, que obtinha tudo quanto desejava desses senhores. Construiu á sua custa magníficos hospitais e asylos e, emquanto lhe durou um ceitil da sua fazenda, empregou-o em proveito e beneficio dos seus simiIhantes n’essas apartadas regiões. Entre as conversões importantes que se devem aos trabalhos de Luís de Almeida e do padre Cosme Torres, deve citar-se a do senhor d’ Omura, o celebre Sumitanda, que foi em seguida o mais enthusiastico sustentaculo do christianismo

Igreja (antiga ermida) de São Domingos. Desenho de George Chinnery

Igreja (antiga ermida) de São Domingos. Desenho de George Chinnery

ERMIDA DE SÃO DOMINGOS

Enquanto não chegaram a Macau os dias sombrios das tentativas de conquista pelos holandeses, primavam os religiosos de várias Ordens em criar nela seus conventos e igrejas.

Manuel de Faria e Sousa diz, em «Império de Ia China», que havia quatro conventos de religiosos em Macau.

De facto havia dominicanos, franciscanos, agostinianos e jesuítas, não falando nos conventos de freiras.

Diz o escritor sueco Andrew Ljungstedt que foi em 1583 ou 1590 que, passando por Macau vindos de Acapulco, o dominicano espanhol padre António Arcidiano com mais dois companheiros, aí se alojaram numa pequena casa que em breve transformaram no convento de S. Domingos.

Faria e Sousa confirma estes dizeres, em 1623, na «História de S Domingos», se bem que omita a época citada, talvez pela extraordinária discrepância que existe nos mencionados anos de 1583 ou 1599 que, à falta de melhores dados, temos de aceitar, mas esclarece que os companheiros do padre Arcediano eram os padres Fr. Alonso e Fr. Bartolomeu. Diz que levantaram logo uma pequena ermida em nome de S. Domingos, com aposentos anexos para habitação de seis até oito religiosos que vivem de esmolas e sem nenhuma ordinária real. Esta ermida, transformada mais tarde num majestoso templo que ainda existe, é o único vestígio que resta da passagem desses frades pela nossa Província.

*1595: Em 3 de Março de 1595, era expedido um alvará ratificando a nomeação de «Cidade do Santo Nome de Deus de Macau», feita pelo Senado em 1583 e concedendo aos cidadãos que tivessem desempenhado o cargo de senadores, iguais privilégios aos que usufruiam os da cidade de Évora o que, aliás, não os satisfez, pois queriam ser equiparados aos da cidade do Porto. Este alvará foi mais tarde confirmado pelo de 18 de Abril de 1596 e depois pela provisão geral, passada em nome de D. João IV, pelo Vice-Rei da Índia, conde de Aveiras, em 5 de Março de 1643.

* * * * *

AINDA SOBRE D.MELCHIOR NUNES CARNEIRO

Em vista da controvérsia levantada no texto do autor do livro, Artur Levy Gomes, que “D. Melchior nunca foi patriarca da Etiópia, nem foi o primeiro bispo de Macau”, julgo oportuno publicar o histórico do bispo conforme consta da Wikipedia:

D. Belchior Carneiro Leitão, também chamado de Melchior Nunes Carneiro LeitãoMelchior Miguel Carneiro Leitão ou ainda simplesmente de Melchior Carneiro (em mandarim, 賈耐勞) (Coimbra, 1516 — Macau, 19 de agosto de 1583), foi um ilustre bispo jesuíta português que realizou muitas acções missionárias, de caridade e de beneficência em Macau. Foi também Patriarca da Etiópia.

De nacionalidade portuguesa e filho de Pedro Carneiro Leitão e de Maria Nunes, Melchior Nunes Carneiro Leitão nasceu em Coimbra, em 1516. Foi o primeiro reitor do Colégio dos jesuítas em Évora, que se tornou mais tarde numa famosa universidade portuguesa. Ele professou os votos daCompanhia de Jesus em 14 de Março de 14532 e foi ordenado padre em 25 de Abril.

Em 1555, o Papa Júlio II nomeou-o bispo-titular de Niceia e segundo bispo-coadjutor do Patriarca da Etiópia, D. João Nunes Barreto. Em 4 de Maiode 1555, foi sagrado bispo-titular de Niceia por Dom Gaspar Jorge de Leão Pereira2 , em Goa. Em Setembro de 1565, a pedido do Papa, ele começou a sua viagem para Macau, onde exerceu o seu ministério episcopal em prol das missões católicas na China e no Japão. Parou algum tempo em Malaca, onde em 1567 comunicou o bispo de Malaca, D. Jorge de Santa Luzia, que este deixou de ter jurisdição eclesiástica sobre Macau.

Em 1568, D. Melchior chegou a Macau. Um ano após a sua chegada a este porto comercial português, em 1569, ele fundou o “Hospital dos Pobres” (mais tarde renomeado de “Hospital de São Rafael“), que recebia doentes cristãos e pagãos, e a Santa Casa da Misericórdia, a primeira instituição europeia de caridade e de beneficência em Macau que tem por objectivo atender às necessidades dos pobres da Cidade. Ele fundou também uma leprosaria junto da Igreja de S. Lázaro para cuidar dos leprosos.

É considerado o primeiro Bispo da China e do Japão, embora ele fosse apenas administrador apostólico destas regiões até ser criada a Diocese de Macau, em 1576. Ele não foi nomeado bispo desta nova circunscrição eclesiástica católica. Mas, mesmo assim, ele governou esta diocese, como Governador do Bispado, até 1581, quando chegou a Macau o primeiro Bispo de Macau, D. Leonardo de Sá. Ele se tornou o Patriarca da Etiópia em 1577 após a morte de Andrés de Oviedo, embora ele nunca tenha sido capaz de viajar para lá.

Após a chegada de D. Leonardo de Sá, em 1581, D. Melchior Carneiro retirou-se para a Residência da Companhia de Jesus, que foi fundada em1565 pelos jesuítas Francisco Peres, Manuel Teixeira e André Pinto, ao lado da Igreja de Santo António. Nesta residência, o idoso prelado morreu de asma no dia 19 de Agosto de 1583, aos 67 anos de idade. Foi sepultado junto do altar-mor da Igreja da Madre de Deus.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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