Cronicas Macaenses

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Avenida de Almeida Ribeiro, uma importante e emblemática avenida de Macau

AVENIDA DE ALMEIDA RIBEIRO, UMA IMPORTANTE E EMBLEMÁTICA AVENIDA DE MACAU

Artigo, fotografias e legendas de Manuel V. Basílio (Macau)

A mais complexa obra viária realizada em Macau foi, sem dúvida, aquela que se projectou em princípios do século XX e que durou quase duas décadas para ser concretizada, acabando por sanear uma boa parte de bairros chineses e abrir uma larga e rectilínea via para a circulação de pessoas e veículos, desde o coração da cidade – o Largo do Senado, até à marginal oeste do Porto Interior e, posteriormente, desde o referido Largo até Praia Grande. Não foi uma obra fácil, nem podemos dizer que foi conseguida por uma só pessoa, quer seja governador, quer seja director das Obras Públicas, devido à complexa questão de expropriações e demolição de muitos prédios, que desordenadamente foram surgindo, como cogumelos, ao longo dos anos, naqueles bairros chineses, inseridos numa zona conhecida por Bazar Chinês. Por isso, o projecto da nova avenida, desde que foi arquitectado, passou por fases de pára-arranque, tendo em conta não só a aprovação de orçamentos para o efeito, mas também o processo de negociações, com vista à determinação de respectivos valores referentes à expropriação de prédios a serem demolidos.

Mapa de 1912, antes da abertura da Avenida de Almeida Ribeiro. O local assinalado a amarelo é o Largo do Senado. A linha vermelha refere-se ao traçado da nova avenida, desde o Largo do Senado até marginal do Porto Interior. A linha verde, desde o Largo do Senado até Praia Grande, refere-se ao troço da via que só foi aberto posteriormente, entre 1918 e 1920.

A primeira pessoa que idealizou um plano para abertura de uma longa e espaçosa via, que estabelecesse a comunicação directa entre o Largo do Senado e a marginal do Porto Interior, foi o engenheiro Augusto Abreu Nunes, numa altura em que estava prestes a terminar a sua comissão de serviço como director das Obras Públicas, cujo cargo exerceu com elevada competência, desde que aqui chegou em 1893, cabendo a ele a realização de importantes obras de saneamento na zona do Tap Siac, bem como o planeamento e abertura de novas vias, designadamente a Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, a Avenida de Horta e Costa e, ainda, a Avenida de Vasco da Gama (1).

Foi em 1903 que se elaborou o primeiro plano destinado à abertura de uma ampla avenida, com vista a estabelecer a comunicação, de forma rápida e conveniente, entre o centro da cidade e a marginal do Porto Interior, bem como à realização de obras de saneamento urbano, com a construção de um cano colector ao longo da nova avenida para esgotos e também canos nas vias transversais, para melhorar o estado deplorável em que se encontrava a rede de esgotos naquela zona do Bazar Chinês. Além disso, era também indispensável o alargamento de vias públicas, nomeadamente Rua dos Mercadores e Rua do Mastro (2), Travessa do Aterro Novo e o prolongamento da Travessa da Cordoaria até à Rua da Felicidade. No entanto, como o plano implicava consideráveis gastos, sobretudo com expropriações de propriedades chinesas, não foi possível executá-lo de imediato, tendo desde então e durante vários anos sido apenas realizados alguns trabalhos de saneamento e melhoramentos.

Demolição de prédios para alargamento de via pública (foto cedida por um velho amigo)

INÍCIO DA ABERTURA DE UMA NOVA AVENIDA

Após a elaboração do referido plano, a projectada obra ficou apenas no papel durante vários anos, até que o então Director das Obras Públicas, Engº. António Pinto de Miranda Guedes, assinou em 20 de Dezembro de 1908 um anúncio, para publicitar a “arrematação em hasta pública da empreitada da obra de construção da Nova Avenida do Bazar chinês (1º lanço – do Largo do Senado à Rua dos Mercadores)”, conforme anúncio publicado no Boletim Oficial nº 1, de 1909.

No entanto, esta obra veio a ser executada em duas fases, a primeira das quais, numa extensão de 62 metros, desde o Largo do Senado até ao início do Pátio do Martelo (3), destinada a alargar a Travessa do Tintureiro. A fase seguinte foi realizada mais tarde, porquanto só a 7 de Outubro de 1913 é que se procedeu à arrematação em hasta pública, “por licitação verbal da obra de construção da Nova Avenida do Bazar Chinês (do Pateo do Martello à Rua dos Mercadores) na extensão de 44 metros” e, após a realização desta obra, extinguiu-se a Travessa do Tintureiro (4).

Do lado direito, vê-se o Hotel Central na Avenida de Almeida Ribeiro, ainda sem o acréscimo dos últimos 5 pisos.

Concluído o referido 1º lanço, os trabalhos não avançaram de imediato, por razões diversas, nomeadamente a aprovação de nova verba para a fase seguinte da obra e, também, o complicado e moroso processo de expropriação de prédios a serem demolidos. Por insuficiência de dinheiro, o governo local teve de solicitar ao então Ministro das Colónias, Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro, uma considerável verba, destinada ao prosseguimento da obra, tendo posteriormente, por comunicação da Direcção Geral da Fazenda das Colónias, datada de 2 de Setembro de 1913, sido autorizada a verba de 67.500 escudos, ou seja, 150.000 patacas, considerada necessária para conclusão da obra da avenida até à marginal do Porto Interior. Deste modo, em sinal de gratidão ao Ministro, foi feita uma proposta para que seja dado o nome de Almeida Ribeiro à nova artéria, substituindo, assim, a designação inicial – a de Nova Avenida do Bazar.

Proposta da designação da Avenida de Almeida Ribeiro (extraída do folheto distribuído aquando da Exposição sobre a Avenida de Almeida Ribeiro e Ruas Periféricas)

A abertura da nova avenida deu origem à construção de um notável conjunto de edifícios, que foram construídos à medida que a via estava sendo aberta, e cuja avenida passou a ser uma ampla e moderna via, com uma largura de 15 metros, em que foram reservados, em cada lado, 2,5 metros para servir de passeio coberto em arcadas, ficando, portanto, a avenida com 10 metros de largura para a circulação de veículos.

O ÚLTIMO TROÇO DA AVENIDA

Depois da conclusão da nova avenida, que estabeleceu a comunicação viária entre o Largo do Senado e a zona marginal do Porto Interior, começou então a ser arquitectado um novo e ambicioso projecto de obra, que consistia na ligação desde o Largo do Senado até Praia Grande. Durante anos, este projecto foi considerado de difícil concretização, visto que havia obstáculos a remover, os quais implicavam elevados gastos, caso a obra viesse a ser realizada.

Até princípios do século XX, a comunicação entre o Largo do Senado e a Rua da Praia Grande fazia-se pela Rua do Gonçalo (5), que começava na Rua Central (junto da Calçada do Governador (6) e do Beco do Gonçalo) e terminava no Largo do Senado. Para se chegar à Rua da Praia Grande, era necessário subir pela Rua do Gonçalo, contornando um montículo que lá havia, descer pela Calçada do Governador e, em chegando à esquina do lado esquerdo, havia um prédio térreo, onde estava instalado o Correio, (anteriormente conhecido por Casa do Guarda, quando o edificio do lado direito era Palácio do Governador, que depois serviu para Repartições Públicas). Mesmo ao lado deste prédio, estava estabelecido o Hotel Hing Kee (7) e, a seguir, era uma propriedade pertencente a um abastado negociante chinês, de nome Lam Lin (林蓮 , em pinyin: Lin Lian), com casa, dependências e jardim.

Para levar a efeito a abertura de uma nova artéria, desde o Largo do Senado até Praia Grande, era indispensável ultrapassar, pelo menos, dois grandes obstáculos, ou seja, arrasar um montículo, no cimo do qual passava a Rua da Sé até à junção com a Rua do Gonçalo e, ao mesmo tempo, expropriar uma boa parte da propriedade do referido Lam Lin (林蓮). Entretanto, surgiu também uma terceira questão: a oposição de geomantes, “mestres do fengshui”. Era da crença popular, que havia um dragão, cujo dorso estava por baixo da via que se estendia desde o Largo da Sé, subindo pela encosta até ao cimo da Rua Central, e no ponto mais alto, repousava a sua majestosa cabeça. Por isso, a Rua Central, em chinês, é designada por “Lông Sông Chêng Kái”, significando “Lông” ( 龍 ), dragão. Ora, diziam os geomantes de então que, arrasando o montículo, cortaria o dorso do dragão em duas partes e este acto traria inúmeras desgraças à população.

Aspecto da artéria entre o Largo do Senado e Praia Grande, após ter sido aberta. Do lado esquerdo, vê-se uma rua arrampada, já cortada de cima para baixo (presentemente é uma escadaria), a qual fazia parte da Rua da Sé, que passava no cimo de um montículo para terminar na Rua do Gonçalo. O terreno do lado esquerdo foi mais tarde aproveitado para a construção do edificio dos CTT. Todas as antigas casas já não existem. ( foto cedida por um velho amigo)

Seja como for, das pesquisas efectuadas, sobretudo a partir do ano de 1918, constatámos uma série de editais da Comarca de Macau, publicados em Boletins Oficiais, que fazem referência a expropriações, por utilidade pública, bem como portarias provinciais referentes à aprovação de projectos de expropriações para conclusão da Avenida de Almeida Ribeiro e a sua ligação com Praia Grande, incluindo o projecto de alargamento da Rua do Gonçalo e Calçada do Governador, sendo de destacar a portaria datada de 17 de Setembro de 1918, na qual se acha publicado, em anexo, o mapa de prédios a expropriar, no Largo do Senado e Travessa do Roquete (8). A 15 de Abril de 1919, o Governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa assinou duas portarias, autorizando a liquidação, como parte de despesas, respectivamente de $3,750 e $4.100 patacas, referentes ao projecto de expropriações para a conclusão da Avenida Almeida Ribeiro e a sua ligação com Praia Grande. Estas e outras autorizações idênticas constam de publicações em Boletim Oficial daquela época, não só para conclusão da Avenida, mas também para o alargamento das vias transversais, com um novo alinhamento de prédios.

Foto tirada a partir do cruzamento entre a Rua Central, Rua do Padre Luís Fróis S.J. (anteriormente, Calçada do Governador) e Beco do Gonçalo. Antes da abertura do último troço da via a ligar até Praia Grande, a Rua do Gonçalo (que já não existe) terminava no referido cruzamento e era ali que começava a Rua Central. Ao fundo, vê-se uma escadaria que dá acesso à Rua da Sé e que foi construída depois de um montículo, que se estendia até à rampa da Rua do Gonçalo, ter sido arrasado.

AFINAL, EM QUE ANO A OBRA DA AVENIDA FICOU CONCLUÍDA?

Publicações existentes de vários autores, dum modo geral mencionam que a obra de abertura da Avenida, desde o Largo do Senado até Praia Grande ficou concluída em 1918. No entanto, com base nas pesquisas efectuadas, chegámos à conclusão que aquela obra só se concretizou mais tarde, porquanto houve mais expropriações que foram feitas em 1919, bem como autorizações para os respectivos pagamentos.

A questão fulcral para a conclusão da projectada obra residia na expropriação de parte das propriedades de Lam Lim (林蓮). Assim, por portaria datada de 13 de Julho de 1920, o Governador da Província de Macau, Henrique Correia da Silva, determinou que, por utilidade pública e urgente, se procedesse a expropriação de várias casas, incluindo “parte do corpo principal da casa, quasi todo o jardim e outras dependências representada a tinta Carmin com a área de 450m2”, em nome do herdeiro de Lam Lin.

Assim sendo, a abertura do último lanço até Praia Grande só poderia ficar concluída na segunda metade do ano de 1920, após a referida expropriação.

QUEM ERA LAM LIN

Nas pesquisas feitas em publicações em língua chinesa, poucas referências foram encontradas a respeito de Lam Lin (林蓮). Ficamos, no entanto, a saber que o seu nome completo era Lam Ham Lin (林含蓮), também conhecido por Lam Sin San (林蒨生) e era, na sua época, um dos negociantes mais ricos de Macau e, dado ao seu prestígio e posição social, fez parte como vogal suplente da Junta Fiscal das Matrizes. Além de outros negócios, era dono de um dos quatro maiores cambistas (assim eram designados os bancos chineses), denominado Si Fung (時豐銀號), estabelecido na Rua dos Mercadores. Devido à sua riqueza, era proprietário de diversos prédios, incluindo um terreno situado na Rua da Praia Grande, sobre o qual mandou construir em 1907 um prédio com o número 67 para a sua habitação.

Anúncio em que consta o nome de Lam Lin, nomeado para o cargo de vogal suplente da Junta Fiscal das Matrizes do Concelho de Macau, na qual integra também o Dr. Manuel da Silva Mendes.

Tal como outros negociantes ricos, tinha uma grande família, com vários filhos. Em determinada fase da sua vida, tornou-se um apegado fumador de ópio (9) e, nestas circunstâncias, a pouco e pouco passou a ter menos empenho na liderança dos seus negócios, de forma que a gestão do seu banco ficou entregue a seus gerentes. Estes, abusando da confiança do dono, defraudaram uma avultada quantia em dinheiro. Espalhada a notícia, deu-se uma corrida aos depósitos por parte dos clientes e, devido à falta de liquidez, o banco foi encerrado e, subsequentemente, por acção judicial, Lam Ham Lin foi declarado falido pelo Tribunal do Comércio da Comarca de Macau, em 1 de Abril de 1910, tendo sido nomeado administrador da massa falida Francisco Xavier Anacleto da Silva. Para liquidar as suas dívidas, vendeu propriedades, tendo também hipotecado, designadamente, o prédio número 67 da Rua da Praia Grande a favor da Agência do Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau. Lam Ham Lin faleceu em Abril de 1920 e, em consequência disso, o administrador dos bens da família de Lam Ham Lin e herdeiros foram executados para pagamento da quantia de $71.268,59. Assim, o prédio nº 67, mandado construir por Lam Ham Lin, em 1907, para sua residência, entrou na posse do BNU em 1923, após ter sido extinta a dívida e cancelada a hipoteca e, em meados de 1924, foi demolido para a construção do actual edifício do BNU, que foi oficialmente inaugurado a 1 de Março de 1926.

A INTRIGANTE NUMERAÇÃO POLICIAL QUE EXISTIU NA AVENIDA DE ALMEIDA RIBEIRO

Possivelmente para homenagear o Coronel Mesquita (10), que em 1910 foi reabilitado pelo Juízo Eclesiástico, tendo os restos mortais sido transladados, no dia 28 de Agosto daquele ano, para o Cemitério de São Miguel Arcanjo, com todas as honras militares e eclesiásticas, foi dado o nome de Avenida do Coronel Mesquita à artéria que ia do Largo do Senado à Rua da Praia Grande. Por conseguinte, aquele troço não fazia parte integrante da Avenida de Almeida Ribeiro. Esta Avenida começava no prédio onde era o antigo estabelecimento Mercearia e Cambista Soi Cheong, na esquina onde começa a Rua do Dr. Soares (anteriormente designada Rua da Cadeia). Era àquele prédio que tinha sido atribuído o nº 1, e ao prédio em frente, mesmo junto ao Largo do Senado, o nº 2.

Planta da Avenida de Almeida Ribeiro, na qual consta a numeração original (extraída do folheto distribuido aquando da Exposição sobre a Avenida de Almeida Ribeiro e Ruas Periféricas)

A designação Avenida do Coronel Mesquita, originalmente dada àquele troço que ia desde o Largo do Senado à Rua da Praia Grande, foi de curta duração. Possivelmente por acharem que o “Herói de Passaleão” merecia que o seu nome figurasse numa artéria mais condigna, por isso, depois da conclusão da Nova Avenida de Mong-há, o topónimo desta nova via foi alterado para Avenida do Coronel Mesquita.

Com esta alteração, a Avenida de Almeida Ribeiro estendeu-se até à Rua da Praia Grande e, consequentemente, toda a numeração policial existente teve de ser revista. Assim, o anterior prédio nº 1 passou a ser nº 1-S, ficando o Novo Hotel de Macau (mais tarde, Hotel Riviera) com o nº 1, o mesmo sucedendo com o lado de numeração par, em que o nº 2 passou a ser nº 2-I, tendo aquele número policial sido atribuído ao edifício do BNU. Curiosamente, havia dois prédios que não tinham numeração policial – o do Leal Senado e o dos Correios. Esta situação invulgar perdurou até que foi adoptado um novo sistema de numeração policial, conhecido por numeração métrica.

Prédio com duas numerações – a anterior (nº 72) e a actual numeração métrica (nº 390). Foto MV Basílio

UM ILUSTRE DESCONHECIDO

Artur de Almeida Ribeiro é uma figura pouco conhecida, mesmo entre portugueses residentes em Macau e, para os chineses, é naturalmente um ilustre desconhecido. A transliteração do seu nome, que figura no topónimo – “Á Mei Tá Lei Pei Lou Tai Ma Lou”, é complicado para ser dito, porquanto “Á Mei Tá” (Almeida) e “Lei Pei Lou” (Ribeiro) são meros sons, sem qualquer significado, e apenas sabem que “Tai Ma Lou” quer dizer “avenida”. Efectivamente, os chineses preferem chamar “San Má Lou” à nova via. Esta designação não é nenhuma novidade, ou invenção de chineses, visto que, desde o início, a projectada artéria deveria chamar-se Nova Avenida do Bazar Chinês, ou simplesmente, Nova Avenida ou Nova Avenida do Bazar, cuja designação “Nova Avenida” corresponde, em chinês, a “Sân Má Lou” (“Sân” 新, Nova, e “Má Lou” 馬路 (11), Avenida). É frequente ler-se em publicações escritas em português que “San Má Lou” significa “Estrada Nova” ou, literalmente traduzido, “Caminho Novo para os Cavalos”. Nada disso, apesar de “San” 新 significar “nova”; “Má” 馬 , “cavalo”; e “Lou” 路, “caminho, rua ou estrada”. “San Má Lou” (新馬路) quer mesmo dizer “Nova Avenida”, cuja origem provém da designação inicial, tal como consta da publicação em Boletim Oficial do anúncio, na versão chinesa, para efeitos de adjudicação da obra (12). De notar que, na toponímia actual, todas as avenidas são designadas “Tai Má Lou”, (significando “Tái”, grande), cujo termo passou a ser adoptado, desde que começaram a abrir as “grandes ruas” ou avenidas.

O PASSADO E O PRESENTE DA AVENIDA DE ALMEIDA RIBEIRO

Até à abertura da Avenida de Almeida Ribeiro, uma das vias que podiam comunicar com a marginal do Porto Interior era a Rua do Matapau (13), que começava da Rua dos Mercadores e terminava na Rua do Guimarães. Era uma estreita e desalinhada rua, que hoje em dia dificilmente passaria um veículo automóvel e num só sentido. Ainda podemos transitar a pé um troço da Rua do Matapau que, com a abertura da Avenida, grande parte desta via desapareceu (14) e que agora termina num beco sem saída. Seria caótica a circulação viária em Macau, caso a administração portuguesa não tivesse levado avante o arrojado projecto de abertura da Avenida de Almeida Ribeiro, bem como o alargamento das vias adjacentes, que apenas foi possível mediante execução de muitas expropriações, por interesse público. Foram melhoramentos, não apenas na comunicação viária, mas também no saneamento básico. Concluídas as obras, os principais negócios ficaram concentrados ao longo da Avenida de Almeida Ribeiro e vias adjacentes, designadamente hotéis, casinos, cinemas, ouriversarias, relojoarias, cambistas, casas de penhores, pastelarias, drogarias, casas de pasto, etc. Durante décadas, muitos negócios floresceram na Avenida de Almeida Ribeiro, por ali circularem muitas pessoas, sobretudo passageiros provenientes do exterior, que diariamente embarcavam e desembarcavam em ponte-cais do Porto Interior.

Aspecto da Avenida de Almeida Ribeiro, ca. 1935

Os florescentes negócios de então começaram a decrescer, designadamente a partir de meados dos anos sessenta do século passado, com a nova era do monopólio do jogo a partir de 1962 e o início do desenvolvimento nos aterros ao longo da Avenida do Infante D. Henrique, que culminou com a construção do Hotel Lisboa, inaugurado a 3 de Fevereiro de 1970 e, também, com a introdução de modernos meios de transportes marítimos, que passaram a ligar entre Macau e Hong Kong. Iniciou-se então a era dos hidroplanadores (ou “hydrofoils”), cujos barcos, mais velozes que os tradicionais barcos a vapor, passaram a atracar numa ponte-cais, construída no Porto Exterior, perto do actual Terminal Marítimo. Apesar de os barcos a vapor terem continuado a operar, durante alguns anos, no Porto Interior, o gradual declínio desse negócio ditou o fecho das carreiras de transporte de passageiros entre Macau e Hong Kong com barcos a vapor, mantendo-se o Porto Interior para o tráfego de barcos de carga.

Aspecto da Avenida de Almeida Ribeiro, ca. 1950

Não é praticável, neste breve trabalho, enumerar os estabelecimentos que existiram ou operaram no passado, e ao longo de décadas, na Avenida de Almeida Ribeiro. No entanto, muitos deles, apesar de terem já encerrado as suas actividades, ainda perduram na memória, designadamente Cinema Vitória e Teatro Apollo; Café Ruby, Restaurante Belo e Restaurante Safari; Moosa & Co.; Fazendas Veng Tai; Tabaqueria Filipina Fôk Vo; Barbearia Kac Lan; Mercearia e Cambista Soi Cheong; H. Nolasco & Cia.; Agência Comercial Aldifera; hotéis Riviera, Central e Grand (Grande Hotel Kuoc Chai); Casa de Penhores Tak Seng On e Cheong T’ái; lojas de Artigos Eléctricos Kuong Heng Hong e Seng Kuong; Pastelarias Iun Loi, Ieng Kei, Hin Kei, Chi Heong, Yuen Wa e Yu Lei; Alfaiatarias Chio Sôn e Félix; Quinquilharias Lee Veng Kei, Ieng Cheong e Wong Chan Kei; Drogarias Glory e Happy, etc.

De lamentar que o progresso tenha destruído muitos aspectos tão característicos da Avenida, que mereciam ter sido preservados. Lojas antigas fecharam gradualmente as suas actividades e os vetustos edifícios foram sendo substituídos por prédios modernos ou estão em risco de demolição.

Um edifício recentemente construído, designado Pensão Comercial San Tung Fong, cuja fachada original não foi preservada. Foto MV Basílio

Muito se tem falado sobre a revitalização de zonas antigas de Macau. Apesar de ter havido algumas iniciativas com vista a dimanizar aquela zona antiga da Avenida e vias adjacentes, continuam a existir estabelecimentos com fraca actividade, ou mesmo encerrados à espera de serem alugados. Caso futuramente houver novos empreendimentos turísticos, tais como o da PONTE 16 RESORT, dotado de casino, hotel e actividades similares, inaugurado a 1 de Fevereiro de 2008, poderão então ser criadas condições para atrair mais visitantes a frequentarem aquela zona da cidade.

Apesar das vicissitudes, a Avenida de Almeida Ribeiro continua a ser uma emblemática e importante avenida para a circulação viária e de transeuntes.

NOTAS:

(1) A Avenida de Vasco da Gama, aberta em finais do século XIX, já não existe, visto que, a partir de 1935, foi progressivamente retalhada para dar lugar à construção da Escola Primária Oficial “Pedro Nolasco da Silva”, da Escola Luso-Chinesa “Sir Robert Ho-tung”, de uma piscina municipal e do edifício do Clube Nocturno “Sân Fá Ün” que, depois de demolido, no mesmo local, se construiu em 1963, o edifício do Hotel Estoril e Casino Estoril, da nova concessionária de jogos de fortuna e azar – a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

(2) Foi alterada para Rua de Camilo Pessanha, em 1926.

(3) O Pátio do Martelo desapareceu quando o troço entre a Avenida de Almeida Ribeiro e o Pátio de Cotovelo foi alargado para ficar integrado na Rua Oeste do Mercado de S. Domingos.

(4) A Travessa do Tintureiro começava na Rua dos Mercadores e acabava na Rua da Cadeia (agora, Rua do Dr. Soares). Presentemente, só resta para memória o Beco do Tintureiro, com cerca de 6 metros de comprimento, ao fundo do qual é uma porta de acesso. Resta também o Pátio das Esquinas, que está reduzido a uma estreitíssima viela.

(5) A Rua do Gonçalo, que começava na Calçada do Governador e acabava no Largo do Senado, foi extinta aquando da abertura da Avenida de Almeida Ribeiro e com o alargamento da Rua Central. Originalmente, a Rua Central não começava na Avenida de Almeida Ribeiro, mas sim mais acima, onde acabava a Rua do Gonçalo, e era mais curta, pois terminava no princípio da Calçada de Sto. Agostinho. Actualmente ainda resta o Beco do Gonçalo.

(6) A Calçada do Governador, inicialmente designada por Calçada do Pe. Fróis, começava na Rua da Praia Grande e terminava em frente do Beco do Gonçalo. Em 1964, restituiu-se o nome que antigamente tinha, passando esta via a ser designada por Rua do Padre Luís Fróis, S.J. Este jesuíta português viveu algum tempo em Macau, viajando depois para Japão, onde desenvolveu o seu trabalho como missionário, vindo a falecer em Nagasaki. Entre as suas obras encontra-se uma História do Japão.

(7) O Hotel Hing Kee pertencia a um chinês chamado Leong Hing Kee, também conhecido por Pedro Hing Kee, que em 1903 o vendeu ao inglês William Farmer, passando a ser designado “Macao Hotel”. Depois, quando mudou de gerência, mudou também a designação para “New Macao Hotel”, que encerrou actividade em 1927. No ano seguinte, com novos proprietários, reabriu a 15 de Janeiro de 1928, sob a denominação “Hotel Riviera”. Este hotel, de muitas memórias, acabou por encerrar definitivamente a sua actividade em 24 de Fevereiro de 1969, tendo o edifício sido demolido em 1971.

(8) Na sequência das expropriações e demolições dos prédios existentes no Largo do Senado e Rua da Sé, a Travessa do Roquete foi alargada naquela altura.

(9) Lam Ham Lin conheceu o escritor Bernardo Pinheiro Correia de Melo, primeiro conde de Arnoso, quando esteve em Macau em 1887, na viagem que fez, como secretário do conselheiro Tomás de Sousa Rosa, que ia a Pequim, em missão diplomática, na qualidade de ministro plenipotenciário português, com vista a participar na assinatura de um tratado com a China. Certo dia, a pedido do Conde, Lam Ham Lin demonstrou a forma como ele fumava ópio, tendo o Conde feito o seguinte registo: “Deitado ao comprido e de lado sobre a cama, com a cabeça encostada sobre o duro travesseiro, principiou por desatarrachar devagar e com amor a pequenina caixa onde estava o ópio; em seguida, acendeu a lâmpada e, tomando com a ponta da haste de metal um pouco de ópio gelatinoso, levou-o à chama.

Ardendo como lacre, fazia girar a haste para o não deixar cair. Passados alguns minutos e reduzido já o ópio a uma pequena bola rescendente de perfume, introduziu-a, chegando também a chaminé do cachimbo à chama, no orifício do depósito. Sempre deitado, era com delícia e paixão, e com os olhos. meios cerrados, que aspirava o aroma subtil”.

(10) Devido às circunstâncias macabras da sua morte, o Governador de Macau rejeitou dar-lhe um funeral militar e o Leal Senado de Macau, em conformidade com os preceitos da Igreja Católica, recusou-lhe a sepultura cristã, determinando que “a sepultura para o coronel deve ser em lugar não bento”. Cerca de trinta anos depois, em 1910, ele foi reabilitado pelo Juízo Eclesiástico e, em conformidade com a opinião pública sobre a importância deste homem na história de Macau. Deste modo, os seus restos mortais foram então transladados para o Cemitério de S. Miguel Arcanjo.

(11) Consultar o Dicionário Chinês-Português, editado em 1962, pelo Governo da Província. O carácter “má” (馬 , cavalo), associado a um outro carácter, origina um termo composto, com significado totalmente diferente (ver pág. 421 do dito Dicionário) e, portanto, o termo assim formado não pode ser traduzido à letra ou separadamente, tal como o termo “bicho-carpinteiro”, em português, não significa que o bicho seja carpinteiro.

A actual toponímia de Macau adopta, em chinês, o termo 大馬路 (tái má lou) para designar todas as avenidas, enquanto que 街 (kái) é a designação para “rua”.

(12) Ver o anúncio para arrematação da empreitada da obra de construção da Nova Avenida do Bazar

(13) O topónimo em chinês é “Kât Châi Kai” ( 桔仔街 ), ou seja, Kât Châi” (桔仔), tangerina, e “Kai” (街), rua.

(14) Foram também extintos o Beco do Barbeiro e o Beco do Loureiro.

  • Fontes de consulta: Cadastros de Vias Públicas, designadamente o de 1905; Boletins Oficiais das primeiras décadas do século XX; e publicações várias em língua chinesa.

(Texto, fotos e respectivas legendas de MV Basílio. Salvo indicação em contrário, as fotos antigas foram baixadas da internet, designadamente do grupo Antigas Fotos de Macau).

  • Crónicas Macaenses: Macau foi um território português no Sul da China por cerca de 440 anos. Foi devolvida para a China em Dezembro de 1999.

Anúncio para arrematação da empreitada da obra de construção da Nova Avenida do Bazar

Beco do Tintureiro, uma “relíquia” que sobreviveu à extinção da Travessa do Tintureiro Foto MV Basílio

Beco do Tintureiro na localização actual, com cerca de 6 metros de comprimento. Foto MV Basílio

Pátio das Esquinas, outra “relíquia” que sobreviveu com a abertura da Avenida de Almeida Ribeiro Foto MV Basílio

O Pátio das Esquinas na localização actual, entre dois prédios. O que resta é um estreito e curto beco sem saída. Foto MV Basílio

Actual aspecto da Rua do Matapau, uma via desalinhada e estreita, que termina num beco sem saída. Foto MV Basílio

Vê-se na foto a Avenida de Almeida Ribeiro, aberta até à junção com a Rua do Guimarães, antes da expropriação e demolição dos últimos prédios para se estender até à marginal do Porto Interior. O edifício mais alto era o Hotel Oriental (agora, East Asia Hotel), não estando ainda construído o Grand Hotel, também designado por Grande Hotel Kuoc Chai, que só foi inaugurado em 9 de Março de 1941. A via que intersecta com a Avenida de Almeida Ribeiro é a Rua Cinco de Outubro

Foto tirada a partir do cruzamento entre a Rua Central, Rua do Padre Luís Fróis S.J. e Beco do Gonçalo. Ao fundo, é a Avenida de Almeida Ribeiro, vendo-se um veículo automóvel a mudar de direcção para subir a Rua Central. Foto MV Basílio

Actual aspecto do troço da Avenida de Almeida Ribeiro, entre Avenida da Praia Grande e o Largo do Senado, que originalmente se chamava Avenida do Coronel Mesquita. Foto MV Basílio

A abertura deste troço, desde a Rua Central até ao cruzamento com a Avenida da Praia Grande, só foi possível após a expropriação parcial da propriedade que pertencia a Lam Lin. Ao fundo, vê-se parcialmente o empreendimento hoteleiro PONTE 16 RESORT. Foto MV Basílio

Edifício do agora designado Instituto para os Assuntos Municipais (anteriormente, Leal Senado e, após a transição de administração, Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais). A nova designação entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2019. Foto MV Basílio

Avenida de Almeida Ribeiro vista junto do Largo do Senado Foto MV Basílio

No primeiro edifício do lado esquerdo, funcionou durante muitos anos a Mercearia e Cambista Soi Cheong. Originalmente, era naquele edifício que começava a Avenida de Almeida Ribeiro, com o nº 1. O edifício amarelo, do lado direito, era o nº 2. Foto MV Basílio

Ao fundo, vê-se um edifício moderno, recentemente construído no local resultante da demolição do antigo edifício onde funcionou durante muitos anos o Restaurante Safari. Era sensivelmente neste troço da via que se situava o Pátio do Martelo, que desapareceu quando este troço entre a Avenida de Almeida Ribeiro e o Pátio de Cotovelo foi alargado para ficar integrado na Rua Oeste do Mercado de S. Domingos. Este troço tem saída pelo Pátio do Cotovelo, que comunica com a Rua dos Mercadores. Foto MV Basílio

Passeio coberto em arcada ao longo da Avenida, estando o pavimento revestido de calçada à portuguesa. Foto MV Basílio

Um troço da Avenida de Almeida Ribeiro, visto junto do Banco Tai Fung Foto MV Basílio

Um troço da Avenida de Almeida Ribeiro, visto junto da Rua dos Mercadores Foto MV Basílio

Um troço da Avenida de Almeida Ribeiro, visto em direcção ao Largo do Senado. No prédio onde estão três grandes caracteres chineses, era a Casa de Penhores Tak Seng On Foto MV Basílio

Neste prédio funcionou durante largos anos o Restaurante Belo Foto MV Basílio

Vários prédios da Avenida, alguns dos quais já reconstruídos e sem a fachada original Foto MV Basílio

O 2º prédio do lado esquerdo é um prédio antigo, já sem aproveitamento e a carecer de conservação. Foto MV Basílio

Actual aspecto da Avenida de Almeida Ribeiro, visto em direcção à Praia Grande Foto MV Basílio

A célebre Ponte 16, integrada no empreendimento hoteleiro PONTE 16 RESORT Foto MV Basílio

PONTE 16 RESORT, dotado de casino, hotel, restaurantes e outras facilidades. Apesar de não fazer parte da Avenida de Almeida Ribeiro, este empreendimento hoteleiro tem por objectivo dinamizar a zona antiga da cidade. Foto MV Basílio

Casa de Penhores Cheong T’ai, que funcionou mesmo em frente ao Hotel Central. Presentemente, o r/c do edifício foi reaproveitado para um estabelecimento comercial. Foto MV Basílio

Actual aspecto da entrada principal do Hotel Central (inicialmente, Hotel Presidente). Era um edifício de 6 andares construído em 1928 e, mais tarde, foram acrescentados mais cinco andares. Funcionou naqueles tempos no rés-do-chão e na sobreloja o famoso restaurant Golden Gate; no primeiro andar, um casino; no quinto andar, o restaurante Golden City; e, no sexto andar, um salão de dança. Os restantes pisos eram quartos do hotel. O hotel começou a entrar em decadência a partir de 1962, depois de a Companhia Tai Heng ter perdido o monopólio do jogo que detinha. Foto MV Basílio

A ouriversaria Pou Fung, que foi próspera no passado e que se encontra encerrada Foto MV Basílio

Uma relojoaria que foi próspera no passado e que se encontra encerrada Foto MV Basílio

Drogaria Happy, um estabelecimento que foi próspero no passado e que se encontra encerrado Foto MV Basílio

Esta pastelaria era muito conhecida pelos bolos de casamento do tipo chinês que fabricava. Foto MV Basílio

O Grand Hotel ou Hotel Kuoc Chai situado no fim da Avenida de Almeida Ribeiro, já encerrado há muitos anos. Está a decorrer um processo para a requalificação deste edifício hoteleiro. Foto MV Basílio

Do lado direito, vê-se o dístico comercial do Café Ruby, que até à cessação de actividade era o local de encontro de muitos macaenses. Foto MV Basílio

Obras de melhoramento do sistema de drenagem na Avenida de Almeida Ribeiro, que decorreram nos meses de Julho/Agosto de 2018. Foto MV Basílio

As obras de melhoramento do sistema de drenagem na Avenida Almeida Ribeiro trouxeram à luz do dia um canal de esgotos de pedra com cerca de 100 anos, composto por uma vala de pedra e uma abóbada em tijolo burro. Foto MV Basílio

Substituição parcial do antigo canal de esgotos. Foto MV Basílio

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4 comentários em “Avenida de Almeida Ribeiro, uma importante e emblemática avenida de Macau

  1. Eric Viana
    13/03/2019

    Hi Manuel,
    I used to spend Saturday mornings with Mum enjoying the delights of Safari. Great research and great article. I similarly enjoyed your piece on Sao Lazaro, where my family lived for a only time.
    Thanks.

    • Olá/hi Eric, julgo que seja o Eric, filho dos meus primos Eurico e Linda. Grato pelo comentário. Think you’re Eric from my cousins Eurico/Linda. Thanks for you comments. Abraços, Rogério Luz

  2. Jorge Robarts
    04/02/2019

    Como nos artigos anteriores, prendeu imenso a minha atenção no que refere aos relatos bem fundamentados do MV Basílio. Com este excelente trabalho (embora bastante resumido, já que é um trabalho de dedicação à parte da história de Macau, na parte dos seus aruamentos). Com este bem elaborado trabalho adicionado a outros já publicados…Barra, Lilau, Monte, Tap Siac, São Lázaro, Rua do Campo e possívelmente outros que já não recordo, seria ótimo se congregasse tudo num só volume para memória futura. É a história de fotografia “falada” para ler e recordar o século XX desde o seu início. Reparei que o Basílio deixou escapar de mencionar o restaurante US e a Casa “Rosita” (mãe do Arnaldo Couto) no mesmo perfil da Casa de Penhores, frente ao Hotel Central e a Farmácia Moderna que + tarde ficou substituida pelo restaurante Belo.Mas para quem se dedica de alma e coração para essas “velharias” de Macau, é natural, naturalíssimo que haja falhas. Os meus parabéns pela última publicação.

  3. Marcus Fressati
    03/02/2019

    É gratificante navegar pelos blogs históricos, quero levar este blog para minha rede, venha voce tambem, conhecer o novo. Clique no link abaixo >> https://markethive.com/marcussalviopieroni

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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