Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P D Luz

O emocionante passeio de trem Curitiba-Morretes

Um dos principais motivos de uma viagem turística para Curitiba, capital do estado do Paraná, no Brasil, é o passeio de trem Curitiba-Morretes. E assim foi na nossa excursão à cidade de boa qualidade de vida e repleta de atrativos que você nem imagina ter.

O embarque deu-se na estação ferroviária próximo ao centro da cidade, que lá pelas sete horas e pouco da manhã de um sábado, já estava lotada de turistas aguardando embarcar no trem para uma viagem que dura pouco mais de quatro horas. A distância entre a estação inicial de Curitiba até Morretes, fim de linha para o trem de passageiros, tem cerca de 70 km. Daí em diante, a ferrovia somente é utilizada por trem de carga, que tem como destino, o porto de Paranaguá.

Como viajamos de excursão pela Ivetur Turismo. não tivemos preocupação em comprar passagens. apenas embarcar na van que nos transportou à estação para tomar o trem que nos levaria à tão sonhada viagem. Porém o melhor que vocês podem fazer, se forem viajar por conta própria, é visitar o site oficial da transportadora – Serra Verde Express – no https://www.serraverdeexpress.com.br e escolherem o pacote que mais se adapte às suas pretensões, pois são várias opções. Qualquer orientação minha aqui poderia sofrer alteração a qualquer momento. tal como no dia, o trem de luxo, Litorina de Luxo, não iria partir. Viajamos no trem de Classe Turística que partiu às 08:30 horas, o mais utilizado pelos turistas. São bancos simples mas como você perde todo tempo na janela que se abre, vendo a sequência de paisagens, pontes e túneis, isso acaba não tendo a mínima importância.

Vamos antão viajar pelas imagens com legendas:

Fotografias de/photos by Rogério P D Luz e Mia Luz

Havia muito acúmulo de gente, num espaço não tão grande à espera da chegada e embarque no trem, mas logo que isso ocorreu, a multidão dispersou-se  dando a impressão que não chegou a lotar os inúmeros vagões, que  cabem 1.100 passageiros. Na partida das 08:30 horas somente trafegam trens turísticos ou comuns. Os vagões de luxo partem uma hora depois, isto é, se houver partida pois no dia da nossa viagem, por motivos alheios ao meu conhecimento, não houve a viagem.                                                                                   

No nosso vagão havia propaganda do refrigerante tal como podem ver.

O trem turístico é simples mas suficientemente confortável. Até se bobear dá para cochilar e deixar de ver muita vista bonita. A ocupação do nosso vagão era de uns 60% pois um grupo com nove pessoas não conseguiu embarcar.

Cada vagão tem seu guia de turismo. No nosso, era a simpática Raquel (à esquerda) que posou para fotos com a tão simpática Ivete da Ivetur Turismo que assessorou a nossa excursão. A Raquel que serviu água ou refrigerante e um lanchinho, já incluído no preço da passagem, ia contando a história da ferrovia e nos alertava para olhar para o lado que tinha  de uma paisagem interessante, uma cachoeira, montanha, construção, ponte etc.

Nas fotos seguintes, as paisagens vistas tanto do lado esquerdo ou direito do trem. De preferência, sente no lado esquerdo que tem as melhores vistas panorâmicas.

Acima, a vista da saída da cidade.

O trem que somente serve de transporte de turistas para Morretes, e pelo preço da passagem, não seria usado para passageiros de dia a dia, recebeu vários elogios de importantes jornais do exterior. O jornal britânico The Guardian afirmou que o passeio de trem é um dos dez mais bonitos do mundo, enquanto que o norte-americano Wall Street Jornal chega a classificá-lo como uma das três viagens ferroviárias de luxo mais belas do mundo, referindo-se aos vagões de luxo que têm um serviço diferenciado e clássicos ambientes que sugiro verem as fotos no site oficial.

Um pouco de história: O primeiro trecho foi inaugurado em 1883, na baixada, e no início de 1885 alcançava Curitiba, tendo sido esta a primeira ferrovia do Estado do Paraná, prolongada apenas em 1891 a partir de Curitiba. Em 1892, um ramal partindo de Morretes levou o trem até outro porto, o de Antonina.

A Pedra Fundamental foi colocada em junho de 1880 por Dom Pedro II, em Paranaguá e a viagem inaugural  até Curitiba foi feita pela Princesa Isabel em 1884. A ferrovia foi projetada e executada pelos irmãos André Rebouças, Antônio Pereira Rebouças Filho e José Rebouças substituindo engenheiros estrangeiros que achavam a obra difícil e até irrealizável. À época, foi uma das mais ousadas obras de engenharia mundial. Em tempo recorde de 5 anos, de 1880 a 1885, o sonho da ferrovia se tornou uma realidade, vencendo todas as dificuldades

No caminho pode-se perceber diversas construções abandonadas e em ruínas, que outrora tiveram seus bons tempos ou foram residências dos trabalhadores da rede férrea.

Uma vista para quem senta do lado direito é a Barragem do Reservatório Marumbi, formado por uma barragem no Rio Ipiranga e alimenta a Usina Hidrelétrica Marumbi.

 

Foto abaixo, o Parque Estadual Pico do Marumbi é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza localizada nos municípios paranaenses de Morretes, Piraquara e Quatro Barras. Foi criado através do decreto estadual n.º 7.300, de 24 de setembro de 1990, com uma área de 2 342,41 hectares. O território protegido pelo parque foi ampliado posteriormente em 6 403,0399 hectares, através do decreto estadual n.º 1.531, de 2 de outubro de 2007, fazendo com que o mesmo tenha, atualmente, uma área de 8 745,4547 hectares. O Parque ainda possui um Centro de Visitantes com Museu, Polícia Florestal, acampamento e a sede do COSMO (Corpo de Socorro em Montanha), além do Reservatório do Carvalho, ponto histórico da região. O acesso ao parque é possível somente através da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá e por trilhas através da Serra do Mar (Wikipédia)

A vista das belezas naturais se sucedem a cada curva a contemplar a Serra do Mar Paranaense e a área contínua da Mata Atlântica que está preservada hoje e que seja para sempre. Na foto acima, no centro do lado direito, onde a mata é menos densa, pode-se ver um túnel da ferrovia.

Uma vista do Véu de Noiva, uma cachoeira que se sobressai no meio da fechada mata atlântica.

A ferrovia Paranaguá-Curitiba tem 13 túneis que foram escavados nas montanhas de rocha pura por 9.000 homens que trabalharam nela. O tempo médio de construção de cada túnel foi de 35 cm ao dia. Soma-se à grande obra, 30 pontes e vários viadutos interligando grotões e penhascos ao longo do trajeto (Loja do Trem).

Santuário de Nossa Senhora do Cadeado (foto abaixo): Local onde ficava o antigo escritório da Comissão Construtora da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, construído em madeira em 1879 sobre uma elevação natural próxima da “Passagem do Cadeado”, onde o Caminho do Itupava cruza a ferrovia, num platô que oferecia vista privilegiada da serra do mar e das obras da ferrovia, então em andamento. Depois de concluída a ferrovia este local se tornou ponto de monitoramento da ferrovia e parada de serviço dos trens.  Em 1960 a construção original foi demolida e em seu lugar foi erigida a atual capela em concreto e alvenaria, projetada por Raphael Semchechem e inaugurada em 05 de fevereiro de 1965 com uma missa em comemoração aos 80 anos da inauguração da ferrovia. (Wikimapia)

 

Um das pontes mais famosas é a da foto acima – Ponte São João – e abaixo quando o trem cruzava por ela. A ponte com projeto brasileiro foi  construída na Bélgica e transportada em peças avulsas e montada no local pelos trabalhadores da obra. É a mais longa e alta da ferrovia, possuindo 112 metros de extensão e seu vão central está a 55 metros de altura em relação ao fundo da grota do Rio São João, o equivalente a um edifício de 24 andares (Patrimônio Belga no Brasil).

Fotos históricas (fonte Gazeta do Povo)

Viaduto São João em construção (foto de Marc Ferrez/Acervo Museu Nacional)

Locomotiva passando pelo Viaduto do Carvalho, ao fundo parte da Serra do Mar. (Foto: Arthur Wischral/Acervo Museu Paranaense)

-.-.-.-

O trem turístico cruza com uma locomotiva de carga provavelmente vindo do Porto de Paranaguá que é o maior porto graneleiro da América Latina e também o 3º maior porto de contêineres do Brasil, perdendo só para Itajaí e Santos. É o maior porto do Brasil em exportação de grãos. Exporta e importa grãos, fertilizantes, contêineres, líquidos, automóveis, madeira, papel, sal, açúcar, entre outros. A maioria dos navios oriundos de outros países são provenientes dos Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul. (Wikipédia)

Fim da viagem: o trem chega na cidade de Morretes, após pouco mais de 4 horas da partida em Curitiba.

Morretes é uma cidade histórica e rica em arquitetura colonial, com casarões antigos preservados, o que movimenta o turismo local, além de possuir restaurantes que oferecem o prato típico da região: o barreado. Foi fundada em 1733 e dista 70 km de Curitiba, capital do estado do Paraná. (veja outra postagem sobre o passeio por Morretes na nossa excursão)

Na foto abaixo, Antonina, uma das mais antigas povoações do Paraná, tendo sido fundada em 1714. Dista 15 Km de Morretes, ponto final do trem turístico. Por rodovia até Curitiba a distância é de 79 km (veja outra postagem sobre o passeio por Antonina e Morretes na nossa excursão).

O retorno da nossa excursão foi por rodovia na van que nos aguardava em Morretes. A viagem seria feita pela Estrada Graciosa ou Rodovia PR-410 que utiliza a antiga rota dos tropeiros em direção ao litoral do Estado do Paraná. A estrada atravessa o trecho mais preservado de Mata Atlântica do Brasil, marcado pela mata tropical e pelos belos riachos que nascem na Serra do Mar. Por isso, em 1993, parte do trecho da Serra foi declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Porém, por infelicidade nossa, a estrada estava fechada para uso de uma romaria de bicicleteiros. Percorria-a por carro nos anos 80 e vale muito a pena aventurar-se por ela pelas suas belezas naturais, o que dá a graça do seu nome.

No caminho fizemos uma parada “estratégica” num local de venda de doces caseiros que tinha pitorescos “enfeites” na fiação elétrica.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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