Cronicas Macaenses

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A Rua Grande do Bazar do bairro chinês, paredes meias com a cidade cristã

A RUA GRANDE DO BAZAR DO BAIRRO CHINÊS, PAREDES MEIAS COM A CIDADE CRISTÃ

Texto, fotos e legendas por Manuel V. Basílio (Macau)

Durante séculos, a população chinesa vivia sobretudo fora dos muros da cidade, nos campos ou várzeas que se estendiam a norte até à Porta do Limite ou Porta do Cerco.  Devido a restrições impostas pelas autoridades chinesas, os operários ou vendedores chineses, para exercerem as suas actividades na cidade cristã, atravessavam diariamente as portas da cidade e só regressavam às suas habitações, ao fim do dia, antes de as portas se fecharem. Com o decorrer do tempo, os habitantes chineses, designadamente os que viviam na povoação do Patane, começaram a espalhar as suas casas nas imediações da zona ribeirinha conhecida por “Sá Lán Chai” ( 沙欄仔 , literalmente, pequena barreira de areia), ou seja, na zona do Tarrafeiro (1), situada ao fundo da actual Calçada do Botelho (2), onde, antes dos aterros, havia pontes-cais para acostagem de barcos, e cuja linha da costa continuava ao longo da actual Rua dos Faitiões (3), seguindo-se depois pela Rua da Tercena e Rua de Nossa Senhora do Amparo, fazendo então parte de “os sítios da Praia Pequena”.  A partir sobretudo de inícios do século XIX, esta linha da costa, com assoreamento e subsequentes aterros, começou a estender-se gradualmente em direcção a oeste, acabando por formar uma significativa área, onde os chineses, em curto espaço de tempo, edificaram barracas e casas para habitação e comércio, nos locais onde acharam mais conveniente, sem qualquer planeamento e alinhamento.

Igreja de Santo António, em cujo local se construiu a primeira capela, após o estabelecimento dos portugueses. No cimo da rampa, há uma placa toponímica para assinalar o início da Calçada do Botelho, que desce até ao fundo, indo terminar na Rua do Tarrafeiro. Foto MV Basílio

Sabe-se, no entanto, que até meados do século XIX, a água ainda chegava à Praia Pequena, onde se situava o Hopu Grande, a principal alfândega chinesa, pois há notícia de que, durante o governo de Ferreira do Amaral, se fez “uma muralha de 214 côvados (4) na Praia Pequena, e o cais prometido …”, e que “nos sítios da Praia Pequena dos Faitiões e Tarrafeiro estão os chinas (5) de novo levantando barracas, a despeito de Ordens, que sobre isto se tem ultimamente publicado”.

A placa toponímica que se vê no lado direito é onde termina a Rua dos Faitiões e, a seguir, começa a Rua da Tercena. Foto MV Basílio

A linha da costa, porém, não terminava na Praia Pequena.  Mapas de princípios do século XIX mostram que continuava nas proximidades da actual Rua dos Mercadores, indo contornar junto do sopé da colina, no cimo da qual hoje se encontra a igreja de Santo Agostinho.  Há nomes que ainda subsistem na toponímia, quer em português, quer em chinês, evidenciando que outrora a linha da costa por ali passava, tais como, Rua da Barca da Lenha, Travessa do Aterro Novo e Pátio do Aterro, ou então, a denominação, em chinês, “K’iu Châi T’âu” (橋仔頭, significando “K’iu Châi”, pontinha ou pequena ponte; e, “T’âu”, início ou começo), cujo nome já caiu no esquecimento, dado que a pontinha deixou de existir há muito tempo.

A Rua dos Mercadores não termina no ponto em que intersecta com a Avenida de Almeida Ribeiro. Em frente, há duas vias: 1) Do lado esquerdo, a zona da calçada à portuguesa ainda faz parte da Rua dos Mercadores, que vai terminar junto da Rua da Alfândega e da Rua dos Cules; e, 2) A via do lado direito é designada Travessa do Aterro Novo, cujo nome resultou dos aterros que se fizeram então, até próximo da actual Rua das Felicidades. O prédio que se vê ao fundo, com a porta pintada de vermelho, situa-se já na Rua das Felicidades. Foto MV Basílio

Além disso, existiram a partir do Tarrafeiro, em épocas diferentes, vários cais, designadamente o cais do Tarrafeiro, localizado ao fundo da Calçada do Botelho, próximo da actual Rua dos Faitiões;  o cais do Simão (cujo topónimo, em chinês, “Si Máng Má T’âu” (𠵼碼頭) ainda consta da toponímia local, sendo “Si Máng” a transliteração de Simão (6) e, “Má T’âu, que significa cais ou ponte-cais); as tercenas (7), que deram o nome à Rua das Tercenas, embora este nome não corresponda ao topónimo “Kwó Lán Kái”, em chinês (8); e, ainda, o topónimo “Tái Má T’âu Kái” ,  (sendo “Tái Má T’âu” 大碼 , cais grande, e “Kái” , rua), onde é hoje a Rua do Teatro (9).

Mapa de princípios do século XIX. O círculo assinalado a amarelo mostra o local da Praia Pequena e a reentrância da linha da costa antes dos aterros.

Presentemente, ainda podemos encontrar, entre a Rua dos Mercadores e a Rua de Camilo Pessanha (anteriormente, Rua do Mastro), muitas casas antigas, de um ou dois pisos, construídas ao longo de estreitas e sinuosas vielas, em terreno resultante da fase inicial de aterros que progressivamente se fizeram.  A princípio, tais casas não eram de alvenaria, como as de agora, mas sim barracas e casas feitas de material não duradoiro que, de tempos a tempos, eram destruídas por incêndios e, em curto espaço de tempo, renasciam das cinzas novas habitações.  Foi naquela zona, designadamente desde o Tarrafeiro, passando pela Praia Pequena até aos novos aterros, que confinavam com a actual Rua das Felicidades, que nasceu o BAIRRO CHINÊS, cujo centro se situava na zona designada por BAZAR ou BAZAR GRANDE.

Aspecto de uma zona do Bazar, mesmo junto do Largo e Igreja de S. Domingos.
Desenho de George Chinnery, datado de 1839

Aspecto do Largo de S. Domingos, em 2019. O edifício do lado esquerdo, em cuja fachada há duas colunas, é o actual Mercado de S. Domingos, agora designado Complexo Municipal do Mercado de S. Domingos, inaugurado em 26 de Outubro de 1998. Foto MV Basílio

BAZAR DO BAIRRO CHINÊS

Bazar é um termo adoptado em terras do Oriente para designar um mercado em geral e, às vezes, feira, ou então, uma rua de lojas.  Outrora, existiram alguns bazares em Macau, dos quais se destacou o Bazar Grande, cujo nome foi dado pelos portugueses a uma zona onde predominava o comércio da população chinesa. Além deste bazar, havia também o Bazarinho, que ia da Travessa do Mata Tigre até à Calçada Eugénio Gonçalves.  Eram estes dois os mais conhecidos, não obstante ter havido também outros bazares que surgiram com os novos aterros, nomeadamente o Bazar do Pagode.

Conforme referido num relatório do Serviço de Saúde de Macau, dos anos 1865 a 1867, o Bazar “é um emaranhamento de ruas estreitas e de casas chinas pequenas, escuras e húmidas.  A isto acresciam os alpendres caprichosos que impediam a entrada do ar e da luz, os variados objectos de venda que se expunham fora das lojas até impedir o trânsito e o nauseabundo cheiro proveniente dos canos de despejo que seguem pelo meio das ruas e eram, como estas, cobertos de  grandes lages mal unidas e que deixavam fendas e buracos entre si”.

Apesar de esforços desenvolvidos pelo governo de então, no sentido de modificar as condições higiénicas dentro daquele populoso bairro, apenas alguns melhoramentos foram conseguidos, porquanto a população chinesa, arreigada aos seus hábitos, achava muito normal aquela forma de vida.

Num outro relatório a respeito do estado de saúde do Bazar, em 1870, referia que “no Bazar, onde residem os chinas, que ali têm grande parte do seu comércio e todas as espécies de estabelecimentos, as causas de insalubridade são numerosas, ainda que notavelmente diminuídas durante o governo do sr. Conselheiro Coelho do Amaral.  Encontram-se nesse grande bairro chinês muitos focos de infecção nas travessas, becos e pátios recônditos. Não será fácil obter ali grandes melhoramentos por demandarem muita despesa, e em consequência dos usos e costumes do povo chinês, que pode ser considerado naturalmente imundo”.

Apesar das intervenções pontuais do governo para a melhoria das condições sanitárias do Bazar, a situação manteve-se praticamente inalterável até à publicação do Decreto de 26 de Março de 1908, para regular a execução das Obras de Saneamento do Bazar Chinês e à criação da Comissão Administrativa das Obras de Saneamento do Bazar Chinês.

Outro aspecto de uma zona do Bazar. A via que se vê mesmo ao lado da igreja de S. Domingos corresponde à actual Travessa do Soriano.

Travessa do Soriano, em 2019. Outrora, esta via era designada Travessa do Surriano e, por vezes, Rua do Suriano, em editais e anúncios judiciais. No entanto, o topónimo, em chinês, é “Ch’ou Mâi Hóng” 粗米巷 (“Ch’ou Mâi” 粗米 , arroz não polido, e “Hóng” 巷 ,Travessa). Foto MV Basílio

INTEGRAÇÃO DA POPULAÇÃO CHINESA NA CIDADE CRISTÃ

Por Portaria nº 51, datada de 14 de Setembro de 1867, foi nomeada uma Comissão para apresentar um relatório ao governador Ponte e Horta, para formular a formação de um corpo especial de Obras Públicas. No extenso e bem elaborado relatório, mencionou-se a existência de dois bairros, “como que formando duas cidades distintas: a primeira mais populosa, o Bazar, habitada exclusivamente pelos chinas, aferrados às suas tradições e aos seus preconceitos; vexados sob o domínio dos mandarins; um emaranhado de ruas estreitas, imundas, sem condições higiénicas, e apinhadas de casas de má aparência e pouco salubres; a segunda, a cidade cristã, com as suas velhas portas (10), verdadeiras barreiras ao progresso …”.  Foi o Conselheiro Coelho do Amaral, durante o seu governo, que “fez desaparecer as portas da cidade; ligou com bons caminhos o bairro cristão com o china e os diferentes bairros entre si; alargou os limites da cidade; alterou todo o sistema de viação; construiu pontes; abriu novas ruas …”.     Foram ainda propostas outras medidas importantes no intuito de acabar com a separação daqueles dois bairros, de forma a integrar toda a população, as quais incluíam, designadamente “aproveitar a actividade dos chinas, de que muito se pode esperar, tanto para o comércio como para a indústria…; fazer desaparecer o preconceito da inconveniência de conceder aos chinas o adquirir propriedades…;  aumentar os rendimentos públicos pelos foros que pagam os terrenos concedidos e as novas edificações; alargar a cidade, levantando novos bairros, de melhor aparências e cheias de vida…; e, finalmente, interessar os chinas nas obras públicas, a ponto de lhes prestarem grande auxílio em capitais e trabalho.”

Foi a partir de então que os chineses mais abastados começaram a adquirir propriedades dentro da chamada cidade cristã, em zonas mais nobres, bem como construir as suas mansões no sítios onde achavam existir melhor “fengshui” e, gradualmente, foram deslocando os seus estabelecimentos para dentro da cidade, por ser mais seguro que na zona do Bazar.

Já antes disso, a permissão a estrangeiros para comprarem ou edificarem casas e possuírem qualquer terreno em Macau, mediante o pagamento de foro à Fazenda Pública, tinha sido autorizada pelo governador Ferreira do Amaral em 1946, em virtude da Carta de Lei de 2 de Maio de 1843.

POLÍCIA DO BAZAR

Com o crescimento da população chinesa, o bairro do Bazar passou a ser habitado maioritariamente por chineses, não só simples operários, como também comerciantes chineses, incluindo os mais abastados, que tinham os seus negócios sobretudo na então via principal, usualmente designada rua grande do Bazar (11).  O Bazar era também frequentado por aqueles que “não sendo aqui estabelecidos, nem tendo ocupação conhecida, se aplicam ao roubo, jogo e outros exercícios próprios de ociosos e vadios, sem que contudo a Polícia os possa bem conhecer ou distinguir dos que são aqui estabelecidos”. Muitos desses vadios viviam numa zona conhecida por Tercenas do Bazar e quando o governador Ferreira do Amaral teve conhecimento de que eles viviam em tercenas fechadas, mandou publicar um Edital, datado de 12 de Fevereiro de 1949, nos seguintes termos: “Faço saber, que achando-se mais de metade das tercenas do Bazar fechadas e cercadas, servindo de habitação a chinas pela maior parte vadios, e sem ocupação conhecida, os quais indevidamente e com notável prejuízo público ocupam assim aquele lugar, que fora destinado pelo Governo a quem pertencem as mesmas tercenas, para servir de mercado público; e cumprindo que quanto antes se remova tal inconveniente; hei determinado que os chinas que actualmente ocupam as referidas tercenas, as despejem dentro do prazo improrrogável de oito dias contados desta data, devendo no fim dele, ficar as ditas tercenas abertas e limpas… , ficando por uma vez entendido que mais se não permitirá que naquele lugar se fixe habitação permanente …”.

Era, por conseguinte, preocupante a questão de segurança no Bazar, devido à presença de chineses vindos de localidades circundantes, geralmente por mar, à procura de uma vida melhor, acabando geralmente por se tornarem vadios e mendigos, e mesmo até, praticar roubos para a sua subsistência.  Por esse motivo, a Procuratura teve que tomar as medidas que fossem necessárias para proteger os habitantes chineses do Bazar, como por exemplo, num despacho de 18 de Março de 1851, intimidou “o principal cabeça de rua (12) para dar semanalmente na Procuratura uma lista de todos os chinas vadios, e de carácter suspeito, de que ele tivesse notícia”.

Estátua do Conde de Senna Fernandes, Bernardino de Senna Fernandes, colocada no jardim da “Casa Garden”. Figura destacada do século XIX, desempenhou diversos cargos, designadamente o de
Comandante da Polícia de Macau, o primeiro a ser nomeado para estas funções, por Portaria Real de 14 de Outubro de 1857, com honras de Capitão. Foto MV Basílio

Face a estas circunstâncias, em 1857, o negociante chinês Au Ieong Peng (歐陽炳) formou uma pequena guarda destinada a vigiar e proteger os bens que possuía no Bazar. Subsequentemente, Bernardino de Senna Fernandes e alguns abastados chineses também se juntaram para aumentar essa guarda.  Como se destinava essencialmente a zelar e proteger o Bazar, onde “lanchaes(13) praticavam roubos e provocavam desacatos, essa guarda ficou conhecida por Guarda de Polícia do Bazar. Por Portaria Real de 14 de Outubro de 1857, foi nomeado Comandante desta guarda, Bernardino de Senna Fernandes, com honras de Capitão.  Em 18 de Julho de 1861, também por Portaria Real, foi-lhe concedido as honras de Major, conforme comunicação feita pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar.

Para assegurar a segurança, o governo cobrava aos habitantes chineses uma contribuição, como consta do Balancete da Caixa Geral da Província de 1872, publicada no Boletim da Província, sob a rubrica “Contribuição dos chinas para a polícia”.

INCÊNDIO NO BAZAR

No dia 4 de Janeiro de 1856, deflagrou “um terrível incêndio, como nunca antes se viu nesta pequena cidade.  O fogo começou pela uma hora e três quarto numa das boticas chinas no centro do bazar.  O vento, que soprava um pouco fresco do norte, fez com que a chama espalhasse com extraordinária velocidade por todos os lados do bazar.  Às 5 horas, mudando o vento para leste, o fogo avançou com a maior força sobre as boticas do Matapau.  Às 6 e meia tornou outra vez ao norte, e o fogo foi progredindo pelas travessas de S. Domingos, rua de Quintal e a travessa do Tronco.  O ex-convento de S. Domingos esteve a ponto de arder, porém uma bomba colocada na igreja fez maravilhosos efeitos.  O incêndio durou por toda a noite, e consumiu quase todo o bazar, deixando só de pé algumas boticas da parte do norte e do sul”.

De acordo com uma reportagem, este terrível incêndio ardeu cerca de mil e quinhentas casas, incluindo mais de 600 lojas, com avultados prejuízos e algumas perdas de vida.  No entanto, não foi o único incêndio de grandes proporções. Há notícias de mais incêndios, nomeadamente um outro que ocorreu em 13 de Novembro de 1893, e que destruiu o mercado do Bazar.

Consta que, quatro anos depois, os comerciantes Lou Kau ou Lu-Cao (盧九) e Vong-Atai ou Vong Tâi (王帝) requereram ao Leal Senado de Macau para a construção de um mercado no mesmo local. Não nos parece que este pedido fora aprovado, porquanto o Leal Senado, num edital de 1901, anunciou a construção de um novo mercado, informando que “… logo que começarem os trabalhos de demolição dos prédios e construção do mercado, devendo a venda de hortaliças ter lugar nas circunvizinhanças e a carne de porco às portas dos respectivos estabelecimentos de porqueiros, não sendo permitida venda de qualquer destes géneros no Largo de S. Domingos, do lado da Rua do Soriano, na Rua do Soriano, na Rua dos Mercadores do lado que confina com a Rua do Soriano, na Rua do Mercado, Travessa das Frutas, Beco do Poço e Beco do Porqueiro, visto que vão ser demolidos os prédios ali situados”. A construção do novo mercado ficou, portanto, a cargo do Leal Senado, tendo a obra sido arrematada pelo valor de $20.350 patacas, em 1904. O projecto do mercado fora elaborado pelo arquitecto espanhol J. M. Casuso, que naquela época também foi projectista dos bairros de S. Lázaro e de Táp Siac.

Mercado de S. Domingos construído em princípios do século XIX, segundo o projecto da autoria do arquitecto espanhol, J.M. Casuso

EXPROPRIAÇÕES

Em 1918, pelas Secretarias da Procuratura Administrativa dos Negócios Sínicos e Administração do Concelho de Macau, através de um anúncio publicado em Boletim Oficial nº 8, “se fez público que, tendo sido determinada por utilidade pública e urgente a expropriação dos prédios urbanos existentes no bairro chinês desta cidade, que estejam avançados, no todo ou em parte, sobre a linhas exteriores das novas vias públicas traçadas no plano de melhoramentos do mesmo bairro, determinação essa feita por Decreto de 26 de Março de 1908, publicado no Boletim Oficial do Governo desta Província, nº 21 de 23 de Maio do mesmo ano e nos termos das leis no mesmo decreto designadas, prédios urbanos a expropriar de que fazem parte os sob os números de polícia: 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 24, 26, 28, 30, 32, 34, 36, 38, 40, 42, 44, 46, 48, 50, 52. 54, 56, 58, 60, 62, 64, 66, 68, 70, 72, 74, 78, 80, 82, 84, 112, 118, 120, 122, 11, 13, 15, 107, 107, 111, 115 e 117 da Rua dos Mercadores (14); 124, 126, 128 e 130 da Rua do Matapau; 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15 e 17 da Travessa do Aterro Novo; 22 da Rua da Felicidade; 60, 62, 64, 100, 102, 104, 106 e 108 da Rua das Estalagens; 30 da Travessa da Porta; 2, 4, 6 e 8 da Rua do S. Paulo; 26 e 30 da Travessa dos Algibebes; e 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30, 11, 13, 29, 31, 31ª, 33, 35, 37, 39, 41, 41ª, 43, 45 e 47 da Rua do Mastro; e o Pagode de Seong-ka-hong, sito nesta última rua sem número de polícia … “ foram chamados todos os interessados nos supramencionados prédios para comparecerem nas secretarias das ditas repartições, instaladas no prédio nº 1 da Rua Central, a fim de ali examinarem os documentos e planta respectiva e em face deles fazerem as reclamações e observações que julgarem conveniente acerca da supra designada expropriação”.

Constatámos que, apesar da urgente expropriação acima referida e mesmo depois de os referidos prédios terem sido adjudicados ao Estado, a Comissão Administrativa das Obras de Saneamento do Bairro Chinês, teve de publicar, em 1921, avisos por forma a intimidar proprietários a demolir os seus prédios segundo os novos alinhamentos e a remover os materiais e entulhos no prazo de 40 dias.

A expropriação dos referidos prédios resultou da aplicação do Decreto de 26 de Março de 1908, do Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar, por haver uma urgentíssima necessidade de proceder ao saneamento da cidade de Macau, com vista a acabar com o insalubre bairro denominado Bazar chinês, onde em estreitíssimas ruas se aglomerava uma numerosa população e onde se originavam frequentes epidemias.  A melhor forma para levar avante este projecto era proceder à abertura de vias públicas suficientemente largas, bem arejadas e drenadas dentro do bairro, “devendo as ruas novas principais ter uma faixa de 8 metros de largura”, conforme fora determinado.  Esta determinação, porém, não foi aplicada às travessas e outras vias secundárias, por isso ainda existem estreitas e desalinhadas vias transversais com cerca de dois metros de largura em vários pontos da antiga zona do Bazar.

A Rua dos Mercadores vista junto da Travessa do Soriano. Ao fundo, vê-se o edifício do
antigo Hotel Central, que presentemente se encontra em inactividade. Foto MV Basílio

A RUA GRANDE DO BAZAR

A  “rua grande do Bazar” ou “rua denominada Bazar grande” eram designações utilizadas em meados do século XIX, até mesmo em editais e anúncios judiciais, para se referir à rua principal do Bazar, numa altura em que ainda não estava fixado o topónimo Rua dos Mercadores, em português.  A “rua grande”, situada no coração do Bazar, correspondia então ao nome “Tái Kái” (大街), dado pelos chineses (ou seja, “Tái” 大 , grande, e “Kái” 街 , rua).

Placa toponímica da Rua dos Mercadores, cujo topónimo em chinês é “Tái Kái” 大 街 , ou seja, “a rua grande”, que no passado era a via principal do Bazar grande. O nome alternativo, em chinês, é “Yêng Tei Tái Kai” 營地大街 , escrito entre parêntesis, cujo nome não constava dos Cadastros das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau de 1905 e 1925. Foto MV Basílio

Anúncio datado de 24 de Setembro de 1861, em que faz menção da “rua denominada Bazar grande”

Edital de 7 de Agosto de 1865, em que faz a menção da “rua grande do Bazar”,
antes de ser fixado o topónimo Rua dos Mercadores

Verifica-se, no entanto, que esta via, em chinês”, além do topónimo “Tái Kái” (大街), foi posteriormente acrescentado, em meados do século XX (15), o nome “Yêng Têi Tái Kái” (營地大街, que literalmente tanto pode significar “rua grande do acampamento militar” ou “rua grande do bazar”), como consta da placa toponímica, escrita entre parêntesis, por baixo da denominação principal “Tái Kái”.  Em virtude de o termo “Yêng Tei” (營地) ter sido indevidamente usado para designar “bazar, mercado ou feira”, há quem diga que tal termo derivou do facto de ter existido naquele local um “acampamento militar” (16), esquecendo-se, porém, que o caracter chinês “Yêng” (營), também significa “comercializar” ou “negociar” e, deste modo, “Yêng Tei” (“Yêng” 營 , comércio, e “Tei” 地 , terreno, lugar ou localidade) seria então “terreno ou localidade destinado a comércio”, estando, deste modo, em conformidade com o termo Bazar, em português, utilizado desde o início. Cremos que toda esta confusão surgiu por utilização indevida ou incorrecta do termo “Yêng Têi” (營地) para designar mercado, bazar ou feira e, sendo bazar ou feira, o termo apropriado será “si cháp” 市集 ou “hôi cháp” 墟集 , como se usa actualmente.

Tanto a Rua dos Mercadores como a Travessa dos Mercadores constam do relatório dos trabalhos da Comissão nomeada por Portaria nº 44, de 12 de Março de 1869, para determinar e fixar de modo definitivo os nomes de todas as vias públicas da cidade.  Notámos, no entanto, que diversos nomes de ruas que existiam antes de 1869 não foram incluídos naquele relatório e outros, que estavam listados, deixaram de constar no Cadastro das Vias Públicas de 1905 e no de 1925, por terem sido extintos, por razões diversas, entre as quais, expropriações e demolições de propriedades em que aquelas vias estavam localizadas ou, então, por terem sido substituídos por novas designações.

A via situada à direita é a Travessa dos Algibebes. O troço da Rua dos Mercadores, que vai do prédio de cor ocre até aproximadamente onde circula um táxi preto, era outrora designado, em chinês, “Sék Cháp Mun”, devido um portal ou porta de pedra que ali existiu. Foto MV Basílio

Os nomes da vias públicas, constantes do referido relatório de 1869, apenas estão escritos em português, sem qualquer referência em chinês.  Apesar desta omissão, constatámos em anúncios judiciais e em editais traduzidos para a língua chinesa que a Rua dos Mercadores tinha duas designações em chinês: o troço que ia desde a junção entre a Rua das Estalagens, Rua dos Ervanários e Rua de Nossa Senhora do Amparo até imediações da Travessa dos Algibebes era designado “Sék Cháp Mun” (17) e, a seguir, é que começava “Tái Kai”, a rua grande.  O nome “Sék Cháp Mun” (石閘門) provém de um portal ou porta de pedra, que existiu naquela localidade e que outrora servia para impedir a entrada na cidade de chineses indesejados, vadios e desconhecidos.  Numa das transversais da Rua dos Mercadores, existe a Travessa dos Mercadores, que dantes era simplesmente designada, em chinês, “Sâp Pát Kán” (十八間) , cujo nome revela ter existido naquela Travessa um conjunto de 18 (“sâp pát”) estabelecimentos comerciais.  Embora a Travessa continue a ser conhecida por “Sâp Pát Kán” (十八間), foi-lhe aditado, em meados do século passado, um novo topónimo, em chinês, passando a ser “Seong Yan Hóng” ( 商人巷  , ou seja, “Seong Yan” 商人 , Negociante ou Comerciante, e “Hóng” 巷  , Travessa), como consta do Cadastro das Vias Públicas de 1957.

Outrora, a Rua dos Mercadores foi, sem dúvidas, a mais importante e movimentada “rua grande do Bazar”, pois era onde os principais comerciantes chineses tinham os seus negócios, designadamente os chamados bancos chineses ou cambistas. Após muitas vicissitudes, a Rua dos Mercadores continua a ser, tal como no passado, uma importante zona de comércio, situada a dois passos do coração da cidade – o Largo do Senado.

O Largo do Senado, outrora o coração da cidade cristã, continua a ser, apesar do progresso registado ao longo de tantos e tantos anos, a baixa da cidade muito frequentada por visitantes. Fotos MV Basílio

  • Fontes de consulta: Boletins do Governo dos séculos XIX e XX; Cadastros das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau

Texto, fotos e respectivas legendas de MV Basílio. Salvo indicação em contrário, as fotos antigas foram baixadas da internet, designadamente do grupo Antigas Fotos de Macau.

NOTAS:

(1) A zona do Tarrafeiro é designada, em chinês, “Sá Lán Châi” (沙欄仔 , ou seja, “Sá Lán” 沙欄,barreira de areia; e, “Châi” 仔 pequena).  Tarrafeiro era o pescador que pescava à tarrafa, ou seja, com a rede que se arremessa de lanço.

(2) A Calçada do Botelho começa na Praça de Luís de Camões e no Largo de Santo António e termina na Rua do Tarrafeiro.  Além desta Calçada, há ainda a Rua do Botelho e a Travessa do Botelho.

(3) Faitião é um termo derivado do chinês “fái t’éng” 快艇 (“fai” 快 , veloz, rápido; e “t’éng 艇 , um tipo de embarcação ou barco ligeiro utilizado por chineses).  Foi dado à via o nome Rua dos Faitiões para comemorar a vitória dos portugueses na insurreição conhecida por Revolta dos Faitiões, motivada pelo lançamento de impostos sobre os barcos ligeiros chineses, no tempo do governador Ferreira do Amaral. Além da dita Rua, que também é conhecida, em chinês, por “Mâi Kái” 米街 (“Mâi 米 , arroz; e, Kái 街 , rua, ou seja, Rua do Arroz), há ainda a Travessa e o Beco dos Faitiões.

(4) O côvado foi uma medida de comprimento usada por diversas civilizações antigas. Era baseado no comprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo, variando essa medida de comprimento de povo para povo. O côvado chinês (“ch’ék” 尺 , em cantonense) mede tradicionalmente cerca de 0,371475 metros (usado em Hong Kong e em Macau) ou modernamente cerca de 0,3333 metros (usado na China Continental).

(5) Naquela época o termo “chinas” quer dizer “chineses”.

(6) Este Simão era Simão Joaquim Botelho, cujo nome figura na toponímia de Macau, designadamente Calçada do Botelho; Cais do Simão (em chinês, “Si Máng Má T’âu” 呬𠵼碼頭 , cuja via é actualmente designada Rua do Infante); e Rua do Simão (em chinês, “Si Máng Kai” 呬𠵼街 , nome este alterado para Rua Nova de El-Rei e, depois da implantação da República Portuguesa, novamente alterado para Rua de Cinco de Outubro). Apesar dessas alterações, os nomes, em chinês, “Si Máng Má T’âu” e “Si Máng Kai” ainda constam das respectivas placas toponímicas.

(7) Termo antigo e pouco usado, que significa espaço à beira do rio ou perto de um cais para recolher ou armazenar cereais; doca ou estaleiro.

(8) “Kwó Lán Kái” 菓欄街 (literalmente, rua do mercado de frutas), significando também “kwó lán” 菓欄 os estabelecimentos de revenda de frutas por grosso.  Teria lá funcionado um “bazar de fructas”, cujo nome era mencionado em editais do século XIX.

(9) Era habitual naqueles tempos armarem palcos de bambu em terrenos vagos para representações da ópera ou auto cantonense e, por conseguinte, teria lá existido um desses teatros que lá levantaram, no terreno resultante dos aterros.  Actualmente, ao longo da Rua do Teatro, existem diversos estabelecimentos de fornecedores de frutas.

(10) As “velhas portas” referem-se às Portas da Cidade, designadamente a Porta de Santo António e a Porta do Campo (também conhecida por Porta de S. Lázaro), que davam acesso à Cidade Cristã. As “velhas portas”, bem como as muralhas da cidade, foram demolidas por ordem do governador Conselheiro Coelho do Amaral.

(11) Há um anúncio judicial, datado de 24 de Setembro de 1861, referente a arrematação em hasta pública de uma casa “sita na rua denominada Bazar grande”, bem como um edital, datado de 7 de Agosto de 1865, em que faz a menção da “rua grande do Bazar”.  A “rua grande” é tradução literal da designação, em chinês, “Tái Kái”.

(12) Era designada “cabeça de rua” a pessoa escolhida por moradores de uma rua, a quem competia resolver ou tratar dos assuntos que ocorriam, bem como “registar” os nomes de todos os moradores daquela rua, a fim de impedir estadia de estranhos. Era uma figura que existia na China.

(13) “Lanchaes” (deriva do cantonense “lán châi” 爛仔) era um termo aportuguesado, que então se utilizava em editais e anúncios judiciais, para designar malfeitores.

(14) Apesar dos limitados recursos financeiros do então governo de Macau, a expropriação dos prédios urbanos existentes no bairro chinês, determinada por utilidade pública e levada a cabo pela Comissão Administrativa das Obras de Saneamento do Bazar Chinês, não foi tarefa fácil. Conforme anúncio publicado no Boletim Oficial nº 8, de 1918, pode-se constatar que praticamente todos os prédios existentes na Rua dos Mercadores, que estavam fora do alinhamento traçado para a nova via pública, tiveram que ser expropriados e demolidos. Verificámos que, dentro da Rua dos Mercadores, há prédios que deixaram de existir e no mesmo local não foram erigidos novos prédios, como por exemplo, os prédios números 2 a 6, e 1 a 11, bem como os números 46 e 48 (junto da Travessa dos Becos), talvez com a intenção de, futuramente, alargar também as vias transversais. Actualmente, a Rua dos Mercadores inicia no prédio nº 8, do lado de numeração par, e no prédio nº 13 , do lado de numeração ímpar, um oposto ao outro.

(15) No Cadastro das Vias Públicas de 1905 e no de 1925, a Rua dos Mercadores era apenas designada, em chinês, “Tái Kái” 大街 .  A designação “Yêng Têi Tái Kái” (營地大街) foi aditada posteriormente e só a partir de 1957 é que passou a constar do Cadastro das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau.  Por conseguinte, “Yêng Têi Tái Kái” (營地大街) não é um topónimo originalmente adoptado pelos chineses, nem provém de “acampamento militar”, como algumas pessoas alegaram ter lá existido. Conforme explicámos, o termo “Yêng” (營), também significa “comercializar” ou “negociar” e, “Tei” (地) quer dizer “terreno, lugar ou localidade”), devendo, assim, ser interpretado como “terreno ou localidade destinado a comércio”

(16)  O que existiu, de facto, foi um aquartelamento militar que se instalou no edifício do Convento de S. Domingos, expropriado pelo governo, após a expulsão das ordens religiosas no ultramar português, em 1834.  Aquele aquartelamento não era “Yêng Tei” ou “acampamento”, visto que os militares estavam instalados dentro de um edifício.

(17) Não existem vestígios quanto à localização do portal de pedra, demolido em data desconhecida. Apesar disso, mesmo nos anos 50-60 do século passado ainda se ouvia os velhos residentes chamar “Sék Cháp Mun” àquele troço entre o início da Rua das Estalagens e a Travessa dos Algibebes.

  • Macau foi um território português no Sul da China por cerca de 440 anos até ser devolvido para a China em 1999.

Rua dos Mercadores vista junto da Rua Sul do Mercado de S. Domingos. Fotos MV Basílio

Do lado esquerdo, é a Travessa do Soriano, como indica a placa toponímica ali colocada. Foto MV Basílio

Em frente, é a Travessa dos Algibebes, com acesso à junção entre a Rua de S. Paulo e a Rua da Palha. Foto MV Basílio

Rua dos Mercadores. Foto tirada junto da Travessa dos Becos. Foto MV Basílio

Placa toponímica da Travessa dos Becos. Deveria ter sido uma via com diversos becos, no entanto, em chinês, é designada “Kât Heng Hong” ( Kât Heng 吉慶 , Auspicioso), também conhecida por “Kât Heng Lei” (“Lei” quer dizer Beco e, “Hong”, Travessa. Foto MV Basílio

O prédio do lado direito tem o número policial 44 e o prédio do lado esquerdo tem o número policial 50, o que significa que os prédios números 46 e 48 foram demolidos e não reconstruídos, provavelmente com o objectivo de alargar a Travessa dos Becos para dar continuidade a via desde a Travessa do Soriano até à Rua do Mastro, seguindo o mesmo alinhamento. Presentemente, a Travessa dos Becos continua a ser uma estreita via, com acesso pelo lado esquerdo do prédio, ao fundo. No referido prédio número 46 esteva estabelecido o Banco Tai Vó (泰和銀店), que faliu em 1908. Foto MV Basílio

A estreita e sinuosa Travessa dos Mercadores. Foto MV Basílio

Um troço da Rua dos Mercadores. Foto MV Basílio

Outro troço da Rua dos Mercadores. Foto MV Basílio

Em frente, uma via transversal da Rua dos Mercadores, denominada Beco das Caixas. Os prédios que ladeiam a via foram reconstruídos já com recuo. Apesar disso, mais adiante, a travessa continua estreita e desalinhada. Foto MV Basílio

Outra via transversal da Rua dos Mercadores, denominada Travessa da Porta. O prédio do lado direito foi reconstruído já com recuo, para alargar o acesso. A seguir à parte alargada, entra-se então na parte estreita da travessa. Foto MV Basílio

Rua Sul do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Um troço da Rua dos Mercadores, do lado de numeração ímpar. Foto MV Basílio

Com o recente encerramento de outra loja similar, a Foc Iu Cheong, resta agora este Louceiro Fu On, tido como uma das lojas mais antigas da Rua dos Mercadores. Foto MV Basílio

Embora o negócio se encontre encerrado há muito tempo, a fachada do edifício continua a ostentar o nome do banco que ali funcionou – Banco Hâng Fát (衡發銀號). Foto MV Basílio

O antigo Banco Hang Fát, visto num ângulo diferente. Existiu posteriormente no r/c uma loja denominada Mercearia Tai Un Hou (泰源號), que também já encerrou actividade há muito tempo. Foto MV Basílio

Este Templo, designado “Sám Kái Wui Kun” 三街會館 (“Sám Kai” 三 街 , três ruas, e “Wui Kun” 會館 , sede de uma corporação”, associação ou agremiação), está situado junto da zona antiga do Bazar Grande. Construído em data desconhecida, provavelmente em finais do século XVIII, era o local onde representantes do comércio de três ruas do Bairro Chinês – Rua dos Mercadores, Rua das Estalagens e Rua dos Ervanários, se reuniam, sempre que necessário, para tratar de assuntos de interesse comum. Esta “associação das três ruas” é tida como precursora da Associação Comercial de Macau, que só foi fundada por negociantes chineses em 1913. Com a mudança da sede da associação, o Templo passou a servir exclusivamente como local de culto da divindade Kuan Tai ou, em mandarim, Guan Di (關帝), símbolo da lealdade e justiça. Foto MV Basílio

Conforme mostra a placa toponímica, colocada no prédio do lado esquerdo, é ali que começa a Rua dos Mercadores. No entanto, este prédio tem o número policial 8, o que indica que os prédios nºs. 2, 4 e 6, já não existem, porque foram demolidos para alargar a Rua das Estalagens. Foto MV Basílio

A rampa do lado esquerdo é a continuação da Rua das Estalagens até ao início da Rua de S. Paulo. O prédio à direita é onde começa a Rua dos Mercadores (do lado de numeração ímpar) e tem o número policial 13, o que indica que os prédios nºs. 1, 3, 5, 7, 9 e 11 já não existem, porque foram demolidos para alargar esta parte da Rua das Estalagens. Foto MV Basílio

Um troço da Rua de Nossa Senhora do Amparo. Mais adiante, do lado direito, situa-se o Pátio da Mina, onde aproximadamente esteve sediada a Hopu Grande, até ser extinta pelo governador Ferreira do Amaral. Foto MV Basílio

Largo do Pagode do Bazar, ca. 1890

Rua dos Mercadores, nos anos 50-60 do século passado. As lojas que lá havia já encerraram as suas actividades, tais como Padaria Colombo, Papelaria e Artigos de Escritório Cheong On, etc.

Designações de novas vias públicas, dadas pelo Leal Senado à zona do novo Mercado de S. Domingos, em 27 de Dezembro de 1904.

Rua Norte do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Rua Sul do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Rua Leste do Mercado S. Domingos. Foto MV Basílio

Outro aspecto da Rua Leste do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Rua Oeste de Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Interior do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

Interior do Mercado de S. Domingos. Foto MV Basílio

A Calçada do Botelho vai até à Rua do Tarrafeiro, no sítio onde circula o veículo automóvel branco. Do lado esquerdo, o edifício de cor ocre é onde começa a Rua dos Faitiões. Foto MV Basílio

Mapa de Macau do último quartel do século XVIII. A zona assinalada com um círculo amarelo era a Praia Pequena, antes dos aterros.

Planta em que mostra a localização da povoação do Patane, donde se expandiu pela zona ribeirinha até à Praia Pequena e, dali, até à zona do Bazar Grande, após os aterros. Mais abaixo está assinalada a localização da “Chinese Custom H.” ou seja, “Chinese Custom House”, a alfândega chinesa. (Extracto de uma planta de princípios do século XIX).

No âmbito do saneamento do Bazar, a maior obra que ali se realizou foi a construção de uma nova avenida, além do alargamento da existente Rua dos Mercadores. Aquela nova artéria, por se encontrar na zona do Bazar, foi-lhe inicialmente dado o nome de NOVA AVENIDA DO BAZAR CHINÊS, a ser aberta, numa primeira fase, a partir do Largo do Senado até ao Pátio do Martelo (que já não existe). A NOVA AVENIDA, que ainda hoje os chineses a designam SÂN MÁ LOU (tradução literal de Nova Avenida), passou mais tarde a ser designada AVENIDA DE ALMEIDA RIBEIRO, devido à verba de $150.000 patacas que o então Ministro das Colónias, Artur de Almeida Ribeiro, autorizou para a conclusão da obra da avenida até à marginal do Porto Interior.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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