Cronicas Macaenses

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Monte Sião, em Minas Gerais, da fábrica de porcelanas, o Santuário, a praça e o comércio

Voltamos a visitar Monte Sião, em Minas Gerais, após três anos, em pleno Outono de Abril de 2019, onde o foco principal foi para compras e compras. As esposas tiveram que voltar e por duas vezes para completar as compras de malhas e vestuários, uma vez que os preços estavam acessíveis, enquanto hospedados em Águas de Lindóia, em São Paulo, a apenas 10 km de distância, percorrendo por rodovia e ruas cheias de radar para multar por excesso de velocidade, no limite de 50km/h e outras. Muito cuidado!

A visita por duas manhãs mostrou-se insuficiente para percorrer a grande quantidade de lojas em inúmeras ruas. As roupas basicamente são dedicadas à moda feminina, sendo que para os homens há poucas opções, mas mesmo assim deu para fazer uma compra satisfatória de malhas de meia estação.

Além de compras houve tempo possível para visitar uma fábrica de porcelanas e ver o processo de fabricação, revisitar a Igreja do Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e a praça revitalizada do centro da cidade. Então, vamos visitá-los?

  • Conheça melhor a história do Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa aqui

(Fotografia de/photos by Rogério P D Luz)

Um pouco de Monte Sião, de Minas Gerais

Praça Prefeito Mário Zucato

Conhecida como a Capital Nacional da Moda Tricô, Monte Sião fica na divisa de Minas Gerais com São Paulo, confrontando com o município de Águas de Lindóia, distante 10 km. Dados do Portal da cidade, informam que mais de 25 milhões de peças de roupas são produzidas por cerca de 1200 indústrias de pequeno e médio porte.

Com aproximadamente 21 mil habitantes, distante 170 km de São Paulo e 470 km de Belo Horizonte, a cidade recebe milhares de turistas anualmente, lojistas de outras localidades, principalmente, para as compras, e também daqueles que vêm para outros eventos como o Festival de Inverno, Encontro de Fuscas, Trilha das Malhas e o Festival de Peão considerado o melhor rodeio do Sul de Minas Gerais.

Avenida Presidente Getúlio Vargas e redondezas com muitas lojas

Sobre a sua história , a Wikipédia descreve que: registros datados de 1790 narram o fim do ciclo do ouro na região denominada Arraial de Ouro Fino, distrito de São Pedro, o que gerou o êxodo de garimpeiros em busca de terras para a instalação de nova atividade, no caso a pecuária e a agricultura. Essa corrida pela posse de boas terras iniciava a colonização da área localizada ao pé do Morro Pelado e às margens do Rio das Pedras, local coberto por densa mata. Por volta de 1819, os primeiros moradores instalaram-se na região, construindo suas moradias quem comunicavam-se entre si por trilhas abertas na mata. Esse primeiro núcleo populacional, o embrião que iria gerar Monte Sião, recebia sua primeira denominação em 1823, Bairro do Eleotério.

O começo de Monte Sião se deu em 1849, quando a comunidade recebeu autorização para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição da Medalha Milagrosa. O nome do município deu-se por sugestão de missionários franciscanos, que repararam na semelhança do Morro Pelado com o Monte Sião em Jerusalém.

A partir de 1887, a imigração italiana teve seu inicio e vinha dar um novo impulso às atividades rurais, especialmente à cultura do café. Monte Sião tornou-se um município por exigência de sua população no dia 3 de novembro de 1936.

Igreja Nossa Senhora do Rosário

Rodoviária

Rua Presidente Tancredo Neves, uma das inúmeras ruas de comércio

Praça Prefeito Mário Zucato que foi revitalizada. Bonita e limpa.

O coreto da Praça Prefeito Mário Zucato

A Av Presidente Getúlio Vargas e ruas transversais possuem muitas lojas e galerias

Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em Monte Sião foi construída a primeira igreja dedicada a Medalha Milagrosa, 1849. Pesquisas realizadas em documentos arquivados na Cúria de São Paulo, Pouso Alegre, em arquivos paroquiais e particulares de Ouro Fino e Monte Sião, comprovam a afirmação desse pioneirismo religioso. De fato, no mesmo ano em que se deu o milagre da aparição da Virgem Santíssima a Catarina Labouré, cerca de 105 famílias católicas habitavam as terras de Monte Sião. Na época, o lugarejo ainda estava coberto por densa mata, sem padre, sem igreja e com precário meio de comunicação, porém, calcula-se por volta de 1838, quando o lugarejo era elevado a arraial do Jabuticabal, a devoção da Medalha Milagrosa já estava ali (do site oficial do Santuário)

No ano de 1934 teve início a construção da atual Igreja Matriz, no mesmo lugar da capela anterior cuja bênção oficial ocorreu a 13 de abril de 1850. A partir daí algumas modificações foram feitas e a construção concluída na década de 1950.

A imagem que ornamenta o centro do altar-mor do nosso Santuário é a mesma que por volta de 1860 veio de Portugal. Em 1937 a imagem foi retirada do altar e transferida para uma capela da zona rural por ordem do Bispo, porém por apelos da população visto que Monte Sião passava por uma grande seca, retornou com a realização de uma procissão, e neste dia ensolarado, na entrada da cidade, começou a chover, o que mais tarde a data veio a ser atribuída como o Dia do Milagre da Chuva. A partir deste dia as plantações prosperaram, as criações não morreram mais e o ciclo da chuva voltou ao normal.

Por dentro da fábrica de Porcelana Monte Sião

A fábrica fica localizada na Rua Sete de Setembro, 436 – Centro, Monte Sião, atrás da Igreja Nossa Senhora do Rosário que fica ao lado da Rodoviária.

Quem vai a Monte Sião, não pode deixar de ir à fábrica de Porcelana Monte Sião, tanto para compras como para visita o seu interior e acompanhar o processo de fabricação manual dos seus produtos, sendo permitido fotografar livremente como fez este autor do blog.

Uma abertura da direção que surpreende, pois os funcionários, mesmo trabalhando nas peças, explicam o processo de fabricação com toda simpatia. O que se imaginava que fosse tudo automatizado, com impressão dos desenhos nas porcelanas, você pode ver que tudo é feito à mão, peça por peça, de modo artesanal. Até que poderia se dizer que, a louça que for comprar nunca será tão igual quanto a outra similar.

A loja

Vamos ver as fotos que fiz e reprodução de textos do site oficial da fábrica que conta a sua história:

“A Porcelana Monte Sião foi fundada em 1959. No início, a produção era pequena e fabricava-se somente pequenos bibelôs. Sob encomenda, foi solicitado que fosse feito uma cópia de uma jarrinha azul e branca recém trazida de Portugal. Essa peça foi reproduzida e fez tanto sucesso que passou a ser um modelo de produção. Outros modelos parecidos foram desenvolvidos e produzidos e o sucesso continuava.

Para diversificar a linha de produtos, foram sendo desenvolvidas peças domésticas, como xícaras, pires, travessas, canecas, copos, etc, e o sucesso continuava.

O processo era 100% artesanal. Moía-se a matéria prima, fazia-se os moldes, estampava-se as peças, aplicava-se a pintura artesanal e por fim as mesmas eram colocadas no forno a lenha por várias horas até ficarem prontas para o comércio.

Todo maquinário necessário para a produção das porcelanas era engenhado na própria fábrica, desde o ‘Tamburão’, enorme tambor que girava num eixo central moendo a matéria prima, o torno que era utilizado para confecção dos moldes, as peças giratórias para aplicação da pintura artesanal, as prateleiras onde as peças ficavam acondicionadas para secagem, até mesmo o forno.

As vendas no início se restringiam a pequenos eventos e feiras nas cidades vizinhas, e alguns anos após foi então inaugurada a loja, no mesmo local da fábrica. Fazia-se plantões na cidade vizinha de águas de Lindóia, com a finalidade de atrair turistas para visitação da fábrica. Quando a fábrica foi instalada, a cidade de Monte Sião era basicamente rural, não havia visita de turistas nem comércio significativo. Com o aumento de turistas visitando a fábrica, as costureiras locais começaram a fazer ponto no local para vender suas malhas tecidas em suas casas.

Apesar tantos anos de existência, a Porcelana Monte Sião não se rendeu até hoje à tecnologia e produz porcelana da mais alta qualidade em forno a lenha. O segredo da legítima porcelana está na mistura dos gases da lenha queimada com a porcelana encandecida, que lhe confere extrema rigidez e qualidade.

Atualmente a Porcelana Monte Sião é auto-suficiente em madeira para queima dos seus fornos, mantendo uma área especialmente reflorestada. O diferencial das nossas porcelanas é justamente a valorização do artesanal, do exclusivo, onde cada peça é tratada como única, o que nos garante uma clientela de bom gosto que sabe valorizar a arte de fazer porcelana”.

Neste link do site oficial da fábrica, que fica localizada na Rua Sete de Setembro nr. 436 no Centro de Monte Sião, na rua atrás da Igreja Nossa Senhora do Rosário ao lado da Rodoviária, o processo de fabricação é explicado com fotos, porém este blog vai transcrever os seus textos (em itálico), e fotos feito pelo autor, algumas relacionadas com o trabalho explicado:

Criação da Matriz

A matriz é elaborada no torno a mão, de onde será construído o molde de gesso que servirá para todas as peças.

Estampagem

Argila, Caulim, Feldspato e Quartzo são as matérias primas a serem moídas e liquefeitas acrescentados com silicato de sódio para enchimento das formas.

Desenforme

As peças ainda moles são retiradas das formas e aguardam a secagem até poderem ser manuseadas sem danos para as mesmas.

Acabamento

São retiradas rebarbas e esponjadas para que as peças sejam preparadas para a próxima etapa que é a pintura a mão.

Pintura a Mão

Cuidadosamente as peças são pintadas uma a uma, utilizando-se azul cobalto importado. Cada funcionária pinta cerca de 200 peças por dia.

Esmaltamento (esponja)

Antes que as peças sejam queimadas elas recebem um banho de esmalte para deixá-las com brilho vitrificado assim que saem do forno.

Empilhamento para o forno (com peças no vasão)

As peças são colocadas em caixas refratárias, construídas na Fábrica, e empilhadas dentro do forno uma a uma.

O empilhamento no interior do forno

Fornada

A queima dura aproximadamente 50 horas ininterruptas a uma temperatura de até 1.300 °C, com cerca de 100 m³ de lenha a cada fornada, alimentado constantemente.

O forno

Dentro do forno

Visitantes acompanham os trabalhos

A impressão da marca da fábrica no fundo da porcelana

Nota: a publicação deste quadro da fábrica é de iniciativa do autor deste blog na qualidade de visitante/turista, não tem nenhuma conotação comercial e nem foi encomendada. Este blog pede licença e agradece o uso dos textos do site oficial.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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