Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P D Luz

Recordando a Macau brasileira, visitada em 2013, pela poesia do macauense Edinor Avelino

O símbolo de Macau representado pelo moinho que antigamente era utilizado para movimentar a água nos cristalizadores para fabricação do sal.

Para recordar a nossa visita à Macau brasileira, um município no litoral do Estado do Rio Grande do Norte, no Brasil, em maio de 2013, esta postagem publica, em destaque, a poesia Macau (do Brasil) do poeta macauense Edinor Avelino intercalada com fotografias da cidade feitas por este autor, Rogério P D Luz. É complementada com um texto de Horácio Paiva, um vídeo com declamação do poema Canto para Macau de Gilberto Avelino, e um vídeo com a canção “Retirada (Canto para Macau) do Lord Lunno, estes dois últimos no final desta postagem.

Nutria, por anos, uma vontade enorme de conhecer essa Macau brasileira, que não, por acaso, a origem do nome é a mesma da Macau que foi um antigo território português na China por cerca de 440 anos, tendo sido devolvida à China em 1999. Teriam navegadores portugueses, oriundos da Macau portuguesa, que lá, na terra do sal, fundaram a cidade no Brasil.

Na história da antiga Macau portuguesa, a origem do nome, conforme a Wikipédia, assim é contada: “o seu nome português – Macau parece ter origem num dos primeiros locais de desembarque dos navegadores portugueses, a Baía de A-Má (em cantonês, “A-Ma Kong”), nome esse que se deve à existência nessa baía de um templo em homenagem à deusa A-Má. A-Ma Gao se tornaria, Amacao, Macao e, por fim, Macau”. Os seus habitantes chamam-se – Macaenses – sem o “u“, mais atribuído àqueles que falam o português, assim genericamente falando mas com variadas interpretações.  Os chineses, que formam a maioria da população, simplesmente se denominam – chineses de Macau (em chinês – Ou Mun) ou Ou Mun chai (filho). Poderia até se dizer que a Macau do Brasil se chama em chinês cantonense (dialeto do Sul da China) de – Pá/Bá Sai (Brasil) Ou Mun.

Já a Macau brasileira, de acordo com a Wikipédia, a origem do nome assim é explicada: “Macau tem suas origens no início do século XIX, quando ainda era conhecida por ilha de Manoel Gonçalves — região já colonizada para a produção de sal. Seu nome atual deriva de A-man-gao (“baía de Ama”), expressão chinesa que deu o nome à então colônia Portuguesa de Macau, hoje parte da China. Segundo Câmara Cascudo, Macau, no Rio Grande do Norte, tem este nome em razão das semelhanças geográficas com a ex-colônia portuguesa na China”. Os seus habitantes chamam-se – Macauenses.

Este blog Cronicas Macaenses, seu autor e esposa Mia Luz, agradecem o apoio recebido na época da Secretaria de Turismo de Macau (Brasil) e do Prefeito, a memorável acolhida e simpatia de todos que puderam prestar assistência e o bom convívio. A iniciativa atingiu o objetivo de criar uma ligação formal entre os macaenses e os macauenses, as duas Macau. A visita foi amplamente divulgada no blog pelas postagens abaixo listadas e relembrada nesta, bem como na imprensa e editora de Macau, e entre a comunidade macaense mundial, que assim puderam conhecer essa Macau brasileira que, decerto, desperta curiosidade. Julgo que, noutros tempos, teria havido a possibilidade de, nada mais justo, as duas Macau se tornarem cidades-irmãs.

Agradece-se assim aos macauenses mencionados nas postagens abaixo, pela simpatia, acolhida e apoio. A lembrança da visita e a receptividade é eterna.

Postagens sobre a Macau brasileira neste blog (clicar nos textos para ver):

A visita a Macau, Rio Grande do Norte, Brasil

Assim conheci Macau, a do Brasil, no Rio Grande do Norte

Visita à Macau-Brasil: Jornal Tribuna de Macau publica artigo

Pescadores de Macau, Rio Grande do Norte, Brasil

Barcos de pesca, em Macau, Rio Grande do Norte-Brasil

Macau, Rio Grande do Norte, Brasil

O encontro entre “duas” Macau, em São Paulo

Em memória de Geraldo Fernando, de Macau-RN-Brasil

A Macau do Brasil em artigo do jornalista português João Paulo Meneses na Revista Macau

Publicação e fotografias de/photos by Rogério P D Luz)

M A C A U

(do Brasil)

poesia de Edinor Avelino

José Edinor Pinheiro Avelino, nasceu em 17 de julho de 1898 em Macau (Brasil) e faleceu em 10 de março de 1977, filho do major Emygdio Bezerra da Costa Avelino e Maria Irinéa da Costa Pinheiro. Colaborador de jornais e revistas de Macau, tendo publicado um folheto de poesia denominado Divagação. Publicou um único livro, Sínteses em 1968 pela Pongetti do Rio de Janeiro. Manteve por vários anos um curso de alfabetização de adultos em Macau. O escrito Walter Wanderley publicou em 1967 pela editora Pongetti o livro Macau na Poesia de Edinor Avelino. (Fonte: O Baú de Macau)

Edinor Avelino. Origem da foto: Falando de Trova

-Fonte: O Baú de Macau

A minha terra, calma e boa, trago-a
nas cismas de saudade em que ando atento,
contemplando-a com os olhos cheios d’água,
nos grandes voos do meu pensamento.

Na entrada da cidade, a imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Macau.

É das mais ricas terras pequeninas,
Apraz-me repetir, quando converso:
possui alvas e esplêndidas salinas,
as melhores salinas do universo.

Salinas (Salinor)

Vejo as ruas comprimidas, os sobrados,
e em meio à nitidez do azul sidéreo,
saudando os horizontes afastados,
a alva torre do antigo presbitério.


Lembro-a nos dias belos e fagueiros,
com o seu ambiente ventilado e quieto,
entre papoulas, morros e coqueiros,
na singeleza mística do aspecto.

Lembro-lhe a enseada, o mangue que pompeia,
um sugestivo ponto de abrigar,
a costa se alongando, o alvor da areia,
velante farol de Alagamar!

Vejo as ribas, por onde, cismarento,
eu costumava demorar-me dantes,
cantando de lirismo e sentimento,
em frente das maretas escachoantes.


Com o anseio de partir, serenamente,
por sobre as ondas turvas e bravias,
cheio do arrojo do meu sonho ardente,
das aventuras e das travessias.


Eu demorava a meditar, no porto,
olhando as velas no afonoso tráfico,
como um piloto concentrado, absorto,
no abismamento do êxtase geográfico!


Plagas dos devaneios, a abençoa,
Minha alma, em pobres versos comovidos.
Imagem do passado, ilusão boa,
enganosa ilusão dos meus sentidos.


Do que a beleza estética, o bulício,
a atração da mais linda capital,
sei que ao meu coração é mais propício
o seu recolhimento provincial.


Ilha do bom destino, fantasia,
rosa do litoral belo e risonho,
que, ao doce luar, desmaia e silencia,
espiritualizada para o sonho.


Conduzo-o na retina, por onde ande.
Macau, canção do meu amor, doce ária.
Meu sentimento que se tornou grande,
lá na tristeza da angra solitária.


Ninho embalado no rumor da brisa.
Terra de níveas garças e de moinhos.
Cidade nobre, que se prismatiza
entre miragens e painéis marinhos!


Que no amoroso amplexo, ao mar se estreita
na imperturbável paz do seu viver,
sempre fidalga, sempre satisfeita,
disposta para a todos receber.


Trecho da natureza, que decanto,
porto das algas, pouso das baleeiras,
ilha saudosa, plácido recanto,
berço das minhas afeições primeiras,
a minha terra, calma e boa, trago-a
nas cismas de saudade em que ando atento,
contemplando-a com os olhos cheios d’água,
nos grandes voos do meu pensamento.

Edinor Avelino [1898-1977], p. 72 a 74, Sínteses [1968], 2ª edição, 1998.

Veja também em O Baú de Macau – Sínteses – edição comemorativa ao Centenário do Poeta em 1998

– Agradecimentos ao macauense Augusto Carlos Avelino Teixeira de Carvalho, autor de seu novo projeto – Casa dos Poetas,e ao O Baú de Macau de Cláudio Guerra.

Salinas (Salinor)

Salinas (Salinor)

Cantares do fandango (memorial) Horácio Paiva, de Macau.

Fonte: http://www.obaudemacau.com/?s=canto+para+macau

(1950) Estou na Praça da Conceição, em Macau, e tenho cinco anos. No centro, próximo à coluna do centenário, armaram, para o fandango, uma grande barca de lona e madeira, a Nau Catarineta.

Assisto ao bailado, à opereta. Impressiono-me. Sucedem-se os cantares. A emoção cresce. Naquele momento dramático, mandam o gajeiro subir à alta gávea. O gajeiro é a esperança. O gajeiro, quase um menino como eu. Uma voz, como se fora a do capitão da nau, diz-lhe que suba, e entoa o canto:

Sobe, sobe
meu gajeiro
gajeirinho leal
vê se avistas terras d’Espanha
–  ô, tão lindas!  –
areias de Portugal.

Prendo a emoção. Mas não dá. Choro em silêncio, envergonhado. Lágrimas mudas. Horácio Paiva

Canto para Macau

Gilberto Avelino

Canto para Macau, poesia de Gilberto Avelino (09.07.1928-21.07.2002) da obra O Navegador e o sextante editada em 1980. (Do canal no You Tube de Cláudio Antonio Guerra)

Foto de Getúlio Moura extraída de O Baú de Macau

As letras da poesia, na visão de um técnico ambientalista, estão na página do grupo Coração Apaixonado por Macau do Facebook neste link .(publicação David Batista Bezerra)

RETIRADA (Canto Para Macau) por Lord Lunno

RETIRADA (Canto Para Macau). Esta música eu compus no dia em que deixei minha querida Macau, junto com meu amigo Antônio Oliveira (Porrete) em busca do sonho de ser artista…de viver da nossa arte, da nossa música. Em 1986 gravei essa canção em ritmo de guarânia latina. (Texto do canal no You Tube de Lord Lunno)

Registros pessoais de convívios e contatos

Fotografias de Pedro Lima, Nilton Marcelino (Gringo Fitas) e Mia Luz

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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