Cronicas Macaenses

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Macau: as 4 estátuas de jesuítas da fachada das Ruínas de São Paulo

Ruínas de São Paulo em Macau

Ruínas de São Paulo em Macau

A gente observa a fachada da antiga Igreja de São Paulo destruída por um incêndio e depois chamada de Ruínas de São Paulo, e vemos 4 estátuas, entre tantos outros detalhes e ficamos a perguntar; de quem são essas quatro enfileiradas no mesmo plano?

Pois vamos conhecê-las no texto que estava inserido no artigo de Amadeu Gomes de Araújo: “O Sincretismo Macaense”, publicado na Revista Macau, edição de outubro de 1998:

Macau Ruinas de São Paulo recorte Santos

QUATRO JESUÍTAS DA FACHADA DE SÃO PAULO

Texto de autoria de Amadeu Gomes de Araújo, inserido no artigo “O Sincretismo Macaense” publicado na Revista Macau edição Outubro 1998

Na fachada da Igreja de S.Paulo, em segundo plano, entre colunas jónicas e janelas desguarnecidas, destacam-se quatro estátuas de bronze:  S.Francisco Xavier, S.Luís Gonzaga (então Beato), Sto. Inácio de Loyola e S.Francisco de Borja (então Beato). Terão sido trabalhadas na fundição de Manuel Tavares Bocarro que, na primeira metade do séc. XVII, época da construção da igreja, fabricava nesta cidade canhões de ferro e de bronze.

Macau Ruinas de São Paulo recorte Santos (02)

São Francisco de Borja e Santo Inácio de Loyola

 

Santo Inácio de Loyola (1491 -1556)

Oriundo de uma das principais famílias da nobreza basca, Iñigo López de Loyola foi naturalmente educado para a vida militar e cortesã.

Ferido na defesa de Pamplona, contra os franceses de Francisco l, em 1521, aproveitou a longa convalescença para leituras espirituais que terão contribuído para a decisão de trocar a vida militar pela vida religiosa. Movido por uma profunda inquietação interior e pelo ideal de “cavaleiro” de Cristo, não mais parou de peregrinar (deslocou-se à Terra Santa, onde pretendia estabelecer-se para evangelizar os Muçulmanos e estudar. Entretanto redigiu o núcleo dos Exercícios Espirituais, livro que é considerado uma obra-prima de espiritualidade, e agregou a si um grupo de companheiros que com ele viriam a formar o núcleo fundador da Companhia de Jesus. A sua ordenação sacerdotal em Veneza em 1537, seguiu-se a decisão de se constituírem em ordem religiosa, ao serviço do Papa. Desde a fundação da Companhia, em 1540, até à morte foi superior geral, residindo em Roma, onde desenvolveu uma actividade notável, testemunhada pelas cerca de 7000 cartas que dele se conservam. Quando morreu, a ordem dos jesuítas contava 1.000 membros, 100 casas e 12 “províncias”.

São Francisco Xavier (1506 – 1552)

Padre espanhol, co-fundador da Companhia de Jesus, missionário na Índia e no Japão. Designado por Pio XI, padroeiro das missões católicas e modelo do missionário moderno.

Oriundo da nobreza, nasceu no castelo de Xavier, Navarra, em 1506. Era estudante de Letras em Paris, quando conheceu Inácio de  Loiola, que, como ele, frequentava o Colégio de Sta. Bárbara. Viria a integrar também, com ele o núcleo fundador da Companhia. Quando, em 1540, D.João III de Portuga pediu ao Papa Paulo III missionários da nascente ordem dos jesuítas para as suas colónias da Índia, Inácio escolheu Francisco. O Papa nomeou-o então seu legado para as partes da Índia.

Desenvolvendo intensa actividade missionária, sobretudo em Goa, Malaca e Ja pão, Francisco Xavier lançou as bases de uma nova época de evangelização no Oriente. Embora aqui tivesse trabalhado apenas dez anos e, destes, só cinco tivessem sido consagrados ao apostolado propriamente dito, criou as estruturas para uma organização evangelizadora, de tipo centralizado, mas muito atenta aos valores dos povos, e que se manteve por vários séculos, desde o Cabo da Boa Esperança ao Extremo Oriente.

Morreu em Sanchoão, às portas da China que sonhava evangelizar. Consumido pela febre e no maior desamparo.

Macau Ruinas de São Paulo recorte Santos (03)

São Francisco Xavier e São Luís Gonzaga

São Francisco de Borja (1510 – 1572)

Descendente de Fernando, o Católico, foi vice-rei da Catalunha e duque de Gandia (Valência). Quando enviuvou, aos 35 anos, renunciou a todos os títulos e domínios, e entrou na recém-criada ordem dos jesuítas, onde viria a ser o terceiros superior geral- Deu forma definitiva aos noviciados, fomentou a vida interior, promoveu os estudos e estendeu a actividade da Companhia até à América (do México ao Brasil).

Viria a ser proclamado padroeiro de Portugal contra os terramotos, a pedido de D.José, que era seu descendente. Terá ido então para a Igreja de S.Roque, em Lisboa, um dos seus braços.

São Luís Gonzaga (1568-1591)

Apesar de ter vivido no fausto das cortes dos Médicis de Florença, dos duques de Mântua e de Filipe II de Espanha, Luís Gonzaga, filho mais velho do marquês de Castiglione, aos 17 anos renunciou à herança do título e, vencida a oposição paterna, entrou na Companhia de Jesus em Roma, com o propósito de ser missionário na Índia.

Faleceu aos 23 anos, vítima de peste que contraíra ao socorrer um doente. Era então aluno brilhante, finalista do curso de teologia. Canonizado por Bento XIII em 1729, foi por ele declarado padroeiro da juventude estudantil. Mais recentemente, em 1926, Pio XI proclamou-o “patrono celeste de toda a juventude cristã”.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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