Cronicas Macaenses

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O livro ‘A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente’ de Manuel V. Basílio

O livro ‘A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente’

Atualização 26/03/2022 – notícia do Jornal Tribuna de Macau sobre a sessão de lançamento do livro no final desta postagem e fotografias

A grande batalha de Macau com a derrota dos holandeses ao tentarem conquistar este antigo território português no Sul da China, completa 400 anos no dia 24 de Junho de 2022. Manuel V. Basílio, após extenso trabalho de investigação, conta a história no seu novo livro ‘A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente’.

O autor faz um apelo na contracapa do livro, para que o feito extraordinário dos nossos antepassados seja comemorado, nem que seja por um mero evento, pela comunidade portuguesa, o que vem sendo defendido por este blogue, para que esse antigo Dia de Macau de 24 de Junho não seja esquecido, tal como o verdadeiro significado da data.

O livro tem o seu lançamento marcado para o dia 18 de Março, às 18:30 horas, com o apoio do Jornal Tribuna de Macau e o Clube Militar onde será realizada a sessão, e que conta com a intervenção de José Luís Sales Marques. Este blogue, Crónicas Macaenses e o Projecto Memória Macaense dão o seu apoio com a divulgação desse grande trabalho do Manuel Basílio, que no seu esforço pessoal, procura contribuir materialmente para a memória de Macau com mais essa e outras publicações em forma de livro, deixando um legado que vem somar a tantos outros para a actual e futuras gerações. Nossos louvores! Saibamos valorizar todo esforço nesse sentido.

A sugestão do autor destes blogues é que na comemoração de 400 anos da data, neste ano de 2022, reúna um grupo de amigos, nem que seja você e mais uma pessoa, para depositar uma coroa ou ramalhete de flores, ou meramente uma rosa, no monumento do Jardim da Vitória. Se puder, cante o hino nacional de Portugal, mesmo mentalmente. É uma afirmação da sua nacionalidade e da raça macaense, pois se a invasão tivesse sido bem sucedida, certamente hoje seríamos holandeses tendo os Países Baixos como nossa pátria, além do que, possivelmente, poderia não ter havido uma mistura de raças tal como a que originou o macaense. Lamento não residir em Macau, impossibilitando-me de tomar tal iniciativa.

Eis abaixo o texto elaborado pelo autor, um resumo do conteúdo do seu novo livro, salientando, resultado de um esforço pessoal.

400 ANOS DA BATALHA DE MACAU

Apresentação do livro – A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente – com texto do seu autor – Manuel V. Basílio


Completa este ano, no dia 24 de Junho de 2022, QUATROCENTOS ANOS da batalha travada entre portugueses e holandeses, quando estes vieram atacar a Cidade do Nome de Deus de Macau, mas acabaram por sofrer uma retumbante derrota, tendo os invasores, naquele memorável dia, sido destroçados e repelidos por Armas Portuguesas, moradores, filhos da terra e escravos negros, que, reunindo esforços, valentemente lutaram pela defesa e sobrevivência desta Cidade. Aquela batalha, a única e a maior de sempre ocorrida em território de Macau, ficou conhecida por BATALHA DE MACAU, em que, segundo uma estimativa mais fiável, teriam sido mortos por volta de trezentos invasores, incluindo mercenários bandaneses e japoneses. Consta que o próprio Governador-geral da Companhia Holandesa das Índias Orientais, Jan Pieterszoon Coen, que ordenou o ataque à Cidade de Macau, quando recebeu a notícia da derrota, teria dito que “desta maneira vergonhosa, perdemos a maioria de nossos melhores homens, juntamente com a maior parte das armas”, visto que, entre os oficiais holandeses, 7 capitães, 4 tenentes, 7 alferes e 7 sargentos morreram naquela batalha.
Para recordar aquele glorioso dia 24 de Junho de 1622, cuja data era outrora solenemente festejada como DIA DA CIDADE, saiu recentemente do prelo um livro intitulado A MAIOR DERROTA DOS HOLANDESES NO ORIENTE, no qual o autor descreve os principais motivos por que os holandeses pretenderam apoderar-se da Cidade de Macau, as primeiras tentativas que efectuaram, logo no início do século XVII, para tomar a Cidade, até que, naquele ano de 1622, decidiram organizar uma poderosa esquadra para um ataque em grande escala, que teve lugar no dia 24 de Junho. Apesar da superioridade numérica e do poderio militar da força atacante, as tropas holandesas acabaram por sofrer uma tremenda derrota, tendo o confronto entre as duas forças beligerantes sido descrito com algum pormenor no referido livro.
Terminada a batalha, os vitoriosos portugueses e muitos moradores foram à Sé Catedral dar graças pela vitória, por terem acreditado que o triunfo alcançado foi devido à miraculosa intervenção de São João Baptista, porquanto ocorreu no dia da festa deste Santo, tendo o Senado, naquela ocasião, feito um voto solene – o VOTO DA CIDADE, e prometido, dali em diante, igual comemoração na véspera da festa de São João Baptista.
O autor conta como o “voto” da Cidade teria sido cumprido ao longo de séculos e o motivo por que aquela promessa, solenemente feita naquele glorioso dia, acabou por ser quebrada pela edilidade. Conta, ainda, quando e por proposta de quem o “voto” da Cidade foi restabelecido. Apesar disso, o cumprimento desse “voto”, a partir de determinado ano, passou a ser celebrado de forma diferente, designadamente sem a realização da tradicional procissão, limitando-se à celebração de uma missa na Sé Catedral, e assim se manteve até 1999.
Além das festividades religiosas, o autor recordou também, na sua obra, vários episódios relativos às festas de santos populares que se realizaram em meados do século XX, sobretudo aquelas organizadas pelo Leal Senado, com o patrocínio de D. Laurinda Marques Esparteiro, esposa do governador Marques Esparteiro, nos anos de 1954, 1955 e 1956, no terraço do Mercado de S. Domingos.
Recordou ainda as festas de São João que se realizaram, designadamente em Clubes, destinadas aos respectivos sócios e familiares e, por fim, abordou alguns aspectos sobre celebrações do DIA DA CIDADE, designadamente o modo como aquele dia foi comemorado, pela última vez, no ano da transferência da administração portuguesa para a República Popular da China, em 1999.
Na parte final do livro, o autor faz uma breve descrição sobre as diversas actividades que se realizaram, já no século XXI, quando algumas associações e entidades locais ligadas à comunidade portuguesa se juntaram para reavivar a festa dedicada a S. João Baptista, primeiro, no ano de 2007, na Escola Portuguesa, e depois, a partir de 2008, ao longo da Calçada da Igreja de S. Lázaro, situada no antigo Bairro de S. Lázaro, cuja festa passou a ser designada “Arraial de São João”.
Este livro proporciona a qualquer leitor interessado um melhor conhecimento sobre a invasão dos holandeses, cujo evento ocorreu em território de Macau, naquele memorável dia 24 de Junho de 1622, e que este ano faz precisamente QUATRO SÉCULOS.
Autor do livro:
Manuel V. Basílio

Entrevista do Manuel Viseu Basílio concedida ao Jornal Tribuna de Macau em 03/Março/2022

O Jardim da Vitória em Macau que celebra a batalha bem sucedida contra a invasão dos holandeses

Fotografias de Rogério P D Luz em 2008

Inscrições já com dificuldade para leitura:

Jornal Tribuna de Macau – 21/03/2022: notícia da sessão de lançamento do livro e fotografias por Augusto do Rosário

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Um comentário em “O livro ‘A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente’ de Manuel V. Basílio

  1. Majão Ferreira
    13/03/2022

    Obrigada pela partilha de mais um trabalho fantástico do Manuel Basílio. Um abraço da Majão Ferreira

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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