Cronicas Macaenses

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Capela do Padre Faria em Ouro Preto, Minas Gerais, e a influência oriental

A Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos, também conhecida como Capela do Padre Faria é uma das mais antigas e ricas capelas de Ouro Preto, construída por volta de 1710. O nome da capela é uma referência ao padre João de Faria Fialho que rezou a primeira missa na região. Foi tombado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que inclui todo o seu acervo. Localiza-se no bairro de mesmo nome.

Publicação e fotografias (em 2012) de Rogério P D Luz com textos extraídos da enciclopédia livre Wikipédia
Capela do Padre Faria, singela por fora e rica por dentro

João de Faria Fialho, natural da Ilha de São Sebastião (São Paulo), hoje Ilhabela, foi vigário de Taubaté e bandeirante.. Dirigiu uma expedição em 1698 responsável pela descoberta de ouro na região de Ouro Preto, em Minas Gerais.

Data de 9 de novembro de 1703 um Relatório de Antônio Luiz Peleja, ouvidor geral de São Paulo, ao rei D. Pedro II em que cita o Padre: vigário de Taubaté, decidira unir-se em 1694 a uma das bandeiras que partia buscar ouro na região dos Campos gerais dos Cataguás. Teria descoberto, na região do Rio Grande e do Rio das Mortes, «três rios de pinta muito boa e geral de ouro de lavagem» e, anos depois, na região de Ouro Preto, o ribeiro aurífero que leva seu nome. Toda sua atividade de bandeirante, segundo Peleja, visava apenas fornecer rendas à paróquia nascente de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, a três léguas de Taubaté, e seu vigário.
Tal carta de Peleja é o documento 2785-90 da Biblioteca Nacional de Lisboa, Arquivo de Marinha

Segundo uma tradição, originalmente a devoção religiosa neste local se deve à fundação, nos primeiros anos do século XVIII, de uma ermida dedicada a Nossa Senhora do Carmo, pelo bandeirante e padre João de Faria Fialho, de quem a atual Capela ainda recorda o nome. Apesar da primitiva invocação ser a Virgem do Carmo, em 1723 a Irmandade de Nossa Senhora do Parto, integrada por homens pardos e mamelucos, assumiu sua administração e posse. Em torno de 1740 o orago seria mais uma vez mudado, quando a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, composta de irmãos brancos, passou a usar o local. Contudo, é possível que essa atribuição seja equivocada, conforme diz Cláudia Damasceno Fonseca, a partir de dados transmitidos pelo historiador Diogo de Vasconcelos.

Decoração

Os altares dourados, a decoração e pinturas da capela possuem curiosos detalhes em vermelho, que denunciam influência oriental, chamadas de “chinesices mineiras” que os jesuítas trouxeram de Macau, antigo território português na China, inclusive a torneira da fonte, original e centenária, fabricada por chineses, pelo seu desenho de um dragão.

Detalhes em vermelho que denunciam a influência oriental de Macau
Detalhes em vermelho que denunciam a influência oriental de Macau

Contrastando com sua austeridade externa, o interior é ricamente decorado com pinturas e talha dourada em estilo barroco, da fase Joanina. Na descrição do IPHAN, a partir de análise de Germain Bazin:

Estes altares apresentam uma excepcional clareza de estrutura, tendo o artista conseguido organizar de forma notável a superposição das volutas, suportes e lambrequins dos baldaquinos. A pintura da capela-mor é de excelente qualidade, provavelmente contemporânea das obras de talha. No forro está representada a coroação da Virgem pelos anjos e nos quatro painéis laterais cenas capitais da vida de Maria: a Visitação, a Anunciação, a Adoração do pastores e a Fuga para o Egito“.

A cruz pontifícal possui três braços. O historiador Diogo de Vasconcellos acredita que o Papa Pio VI, através de três bulas, concedia privilégios e graças à capela, motivo da construção da cruz desta forma. A cruz data de 1756 e é esculpida em arenito sendo o único exemplar em todas as Minas Gerais.

Cruz pontífical com a inscrição do ano de 1756

É a única igreja da região que possui a torre campanário (onde tem o sino) separada do templo, que se sugere ter a forma de templo chinês, outra possível influência oriental de Macau, trazida pelos jesuítas (veja o formato do seu teto).

Torre campanário (onde tem o sino) separada do templo
Do alto, a inscrição de 1875

O altar-mor

O oráculo e o teto com pintura em vermelho. O altar-mor da capela foi considerado pelo historiador Diogo de Vasconcelos em 1911 como “a jóia mais rica da cidade

Teto acima do altar-mor

O teto da nave acima do altar-mor traz a pintura da coroação de Nossa Senhora do Rosário, cercada pelos anjos e nos quatro painéis da parede cenas da vida de Maria

Teto da nave central

Altares laterais

Detalhes em vermelho e a influência oriental trazida pelos jesuítas vindos de Macau

Macau foi um território (península) português no Sul da China por cerca de 440 anos. Foi devolvido em dezembro de 1999 para a China.

A torneira da fonte tem a forma de um dragão, o que complementa a influência oriental na decoração.

Os anjinhos ou querubins sempre presentes nas igrejas antigas e históricas

Mais imagens do interior da Capela do Padre Faria

Um dos dois púlpitos

O acesso à Capela do Padre Faria

Da Igreja de Santa Efigênia no topo do morro, uma íngreme ladeira, Rua Padre Faria, leva à Capela. No caminho, entroncamento com a Rua Resende, está localizado o Chafariz do Alto da Cruz, também chamado de Chafariz da Samaritana, com uma escultura no topo em pedra sabão denominada “Núbia“, datada de 1761, cuja obra é atribuída a Aleijadinho, provavelmente seu primeiro trabalho quando tinha 19 anos. Causou polêmica já que a estátua de rosto deformado possuía os seios expostos.

O chafariz teve as obras iniciadas em princípios de 1758 e foi tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1950.

Na volta, a Rua Santa Rita, paralela, é menos íngreme e assim menos cansativa como podem ver na foto abaixo.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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