Cronicas Macaenses

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Boletim – ENCONTRO do Padre Moreira

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Para quem era da Diáspora, como eu, o Boletim – Encontro – era uma ligação com Macau.  Recebiamos gratuitamente pelos Correios e viamos algumas notícias de nascimento, falecimento, casamento da gente da nossa terra, entre outras.  Em contrapartida, alguns enviavam as suas contribuições em dinheiro para ajudar o jornal a sobreviver.  Hoje já não há mais publicações que trazem essas informações.  O PMM procura contribuir com notas de falecimento, quando recebe tal comunicação da comunidade. Infelizmente, só tenho este boletim.  O único que sobreviveu.

Neste número de Abril de 1987, o Padre Manuel Moreira, que era o Director e Editor, anunciava a sua partida de Macau, como explicava no texto abaixo que foi publicado na 2ª. página:

ÚLTIMO ANIVERSÁRIO?

Como afirmei em 1986, tenciono este ano deixar esta terra e ir trabalhar o resto da vida na diocese que me viu nascer – Leiria. E quais as razões desta decisão? São muitas, mas a que mais pesou neste passo (e já lá vão mais de seis anos) foi ver uns com tanto e outros com tão pouco. Macau, económica e espiritualmente vive na abundância (eu diria mais: na superabundância), enquanto que noutras terras, mesmo em Portugal, há tantas freguesias sem um sacerdote, tanta gente a viver na maior pobreza espiritual!

Depois de 39 anos de permanência nesta cidade e de 36 de entrega ao serviço das almas, creio que já é tempo duma mudança que faz sem¬pre bem, física, espiritual e apostólicamente falando.

ENCONTRO, que nasceu em 1959 na paróquia de S. Lourenço para os paroquianos da mesma freguesia, em 1974 passou a ser a voz de todas as paróquias de Macau, perfazendo este ano 13 anos de vida como Boletim Interparoquial Mensal da Comunidade Portuguesa.

Ao dar entrada no 13°. da sua existência, não haverá alguém que lhe queira dar continuidade? Caso não apareça nenhuma alma caridosa, ENCONTRO terá só mais dois meses de vida; mas não posso conformar-me com tal pensamento, pois ninguém gosta de ver desaparecer uma obra que viu nascer e acompanhou ao longo de tantos anos. Dinheiro não lhe falta, como todos podem ver. Graças à generosidade dos seus leitores e amigos nunca precisou de pedir esmola a ninguém, e hoje apresenta-se com um saldo que ultrapassa as seis mil pataças.

Como a esperança é a última coisa que se perde, confiamos que haja algum samaritano disposto a carregá-lo, paciente e persistentemente, às costas, tudo fazendo por que a sua luz, que é a do Evangelho, que é a do mesmo Cristo e da sua Igreja, chegue a todos os lares onde se fala a língua portuguesa, gratuitamente como tem continuado até à data.

A maior alegria que posso ter neste aniversário é a esperança de saber que o ENCONTRO não morrerá mas que continuará vivo e até mesmo ressuscitado com uma vida nova. Com esta esperança quero agradecer a quantos, dum modo ou doutro, me têm ajudado nesta caminhada até ao dia de hoje, sendo de salientar a generosidade nunca desmentida de tantos “benfeitores” e o auxílio de tantos legionários que, mensalmente, perdem várias horas na dobragem e colagem de selos e endereços, e ainda na distribuição às várias igrejas e domicílios. A quantos me têm ajudado, sobretudo nestes 13 anos, o meu sincero e profundo muito obrigado. “

Pe. Moreira

Padre Moreira no Terço do Bairro

O boletim Encontro está publicado na íntegra, em 8 páginas,  no Projecto Memória Macaense – Ecos do Passado Bom para imprimir e guardar de lembrança. Uma homenagem ao Padre Moreira e seus colaboradores que direta ou indiretamente contribuiram para a sua existência e distribuição.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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