Cronicas Macaenses

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Encontro de “Jovens” ou da Nova Geração? Divagações

Se virem a postagem anterior, saberão que a 2a. edição do Encontro de Jovens acontecerá em 2012, em data ainda a ser definida.

Indagada sobre o critério de qualificação do jovem pelas Casas, a Comissão Organizadora estabeleceu que o “jovem” (o entre aspas é da própria Comissão) seria aquele entre 18 a 40 anos, o que esclarece os aspas.  Penso que talvez o termo “jovem” acaba ficando pouco apropriado ao evento, embora nessas alturas, já na 2a. edição talvez achassem que não seria conveniente mudar a denominação do Encontro.  Acho que talvez “Nova Geração” ou coisa parecida, seria uma boa dica.

Julguei a ampliação da idade até os 40 anos bastante boa, embora, na minha opinião talvez pudesse esticar até os 45 anos.  Explico, o propósito do Encontro, pelo que acompanhei do início das intenções para a sua promoção, seria, entre elas, a conscientização do  jovem para aderir à causa pela preservação da cultura e costumes macaenses, além de dar continuidade às Casas de Macau (e associações assemelhadas) que têm o papel, assim se julga, de divulgar Macau nos seus Países de acolhimento.  Seria como, muito bonito dizer, “embaixadores” da Macau ou  RAEM.  Daí e por isso que vem a grana/massa do Governo.  E aí pergunto, após a Geração atual que administra as Casas, penso que hoje estão na maioria nos seus 60 anos para cima, se não disser, nos 70, qual a próxima Geração que assumirá a administração das Casas?

Ousaria dizer, essa gente de seus 40 a 45 ou pouco mais.  Talvez, daqui a uns 5 a 10 anos, eles, já passando do auge da sua vida profissional, com a cabeça preocupada com o futuro dos seus empregos, a aposentadoria, possam voltar o seu pensamento para o futuro da Casa.  O problema é que, ao que parece, em geral estão afastados das Casas, tomando como exemplo São Paulo. Têm lá seus motivos, bem razoáveis, pelo que se ouve em conversas particulares, e isso é um assunto que poderia ser falado à parte.  Quem sabe, um dia vou coletar alguns depoimentos dessa gente, que penso, não devem ser muito diferentes nos 4 Continentes.  O problema é que às vezes, nós, de mais idade, ficamos um tanto enraízados e não conseguimos dar ouvidos e entender aqueles que se formaram nos Países de acolhimento, e que já têm outra visão dos rumos das Casas ou dos vícios que acabamos criando.  Penso que se poderia sentar e ter um diálogo, mas com o coração e a mente aberta.

Lembro que ao comentar isso com um outro conterrâneo, ele opinou que a gente dessa faixa de idade (até seus 45 ou 50) tem ou teve oportunidade de ir aos Encontros das Comunidades Macaense, e nem por isso surtiu o efeito desses ex-jovens participarem das atividades das Casas, mas, me diga, quantos vão?  Embora, por outro lado, também perguntarão, indo 3 deles para esse Encontro de “Jovens” ajudaria alguma coisa para mudar o que escrevi? Bom, isso é uma boa pergunta …

Para dizer a verdade, melhor qualificar o que escrevi como divagações, não há conclusões, só especulação, pois penso que quanto à continuidade das Casas, somente o futuro o dirá.  Uma coisa é certa, com ou sem Encontros de Jovens, que podem ajudar de um modo para a conscientização do problema, e pelo menos é um grande esforço, na hora H, se um dia uma Casa estiver em vias de extinção, deve aparecer algum “herói macaense, nascido ou não em Macau” que se “sacrificará para salvar a Pátria“.  Disso, ainda veremos por um bom par de anos, pois tem aqueles dos seus “tenros” 50 ou 60 anos e tal que podem proporcionar um fôlego, uma sobrevida, de uns 15 anos, mais ou menos.  Isso, importante dizer, se os recursos que as Casas têm “sobreviverem” até lá.  Para seu conhecimento, desde o fim da Administração portuguesa em 1999, em que o Governo soltou uma bolada para as Casas e Associações macaenses, e salvo ignorância minha, as Casas e associações da Diáspora, bom citar, inscritas no Conselho das Comunidades Macaense, não recebem formalmente subsídio oficial de Macau para subsistência, ou seja, para pagar as contas de manutenção.  Posso citar  São Paulo (lembrando que hoje não faço parte da Direção), sem no entanto poder falar por outras Casas ou Associações da Diáspora por desconhecimento (vocês me contam), que tem uma enorme despesa mensal pela estrutura da Casa, qualificada de modelo, e que graças a Deus ainda conta com alguma ajuda da Fundação Oriente, a proprietária do imóvel.  Mas não é nada fácil!!! Embora, pela leitura de notícias, tem ocorrido ajudas pontuais.  Desmintam-me se for o caso …

Não me julguem mal, e nem me achem crítico deste ou aquele.  Não estou aqui para isso.  Não quero polémicas para o meu lado.  Apenas sou da Diáspora, ainda acredito numa Casa de Macau, e não gostaria de viver a situação de “o último a sair que apague as luzes da Casa de Macau“.  Julgo que se vier a acontecer, certamente surgirá um grupo ou individualidades que se prontificarão para pelo menos salvar o nome da Casa, mesmo sem dinheiro, e como? e de que jeito? Lá sei, aí são outros 500. Mas se estiver vivo, juntarei ao grupo!!!

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Publicado às 30/10/2011 por em Hoje e marcado , .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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