Cronicas Macaenses

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Escola Comercial Pedro Nolasco 75 anos: festa de 1953

Em Novembro de 2000, participei em Macau da Reunião Preliminar dos Dirigentes das Casas de Macau para a realização do Encontro das Comunidades Macaenses do Novo Milénio “Macau 2001”.  Na ocasião, era membro da direção da Casa de São Paulo e ganhei de presente (na foto com  José Manuel Rodrigues) o livro “Duas Instituições Macaenses” redigido por João Guedes e José Silveira Machado. E, se me permite o editor APIM, vou publicar umas fotos e textos para fazer valer o presente recebido, meramente com o intuito de divulgar.

Nesta postagem, veja o que aconteceu na festa comemorativa das Bodas de Diamante realizada em 1953, na qual, a minha irmã mais velha residente em Califórnia/EUA – Cíntia Luz (Sales) participou de uma apresentação conforme relatada abaixo:

BODAS DE DIAMANTE

(clicar nas imagens para aumentar)

Os 75 anos da Escola Comercial “Pedro Nolasco”, ocorridos a 8 de Janeiro de 1953, foram devidamente assinalados e comemorados.

E havia razões para isso.

Era a primeira vez que se celebrava a data da fundação da Escola após a oficialização do diploma do curso de comércio ali ministrado, concedida pelo Diploma Legislativo Ministerial N° 6, de 28 de Junho de 1952.

Daí que o primeiro acto a assinalar essa data fosse o descerramento, na sala da Biblioteca, dos retratos das três individualidades a quem se ficara a dever essa oficialização — Ministro do Ultramar, Manuel Maria Sarmento Rodrigues, Governador de Macau, Joaquim Marques Esparteiro, e Director-Geral do Ensino do Ultramar, Victor Manuel Braga Paixão.

Finda essa cerimônia, a Directora da Escola, Beatriz Nolasco da Silva, saudou, em nome do corpo docente e discente, todos os presentes, referindo-se depois ao significado daquela data e quanto representava para os alunos da escola o reconhecimento da validade oficial do seu diploma.

Felicitando a Escola pelo seu aniversário, a esposa do Governador, Laurinda Marques Esparteiro, leu uma expressiva mensagem de seu marido — que não pôde assistir por motivos de saúde — que acentuava os nobres pergaminhos daquele prestimoso estabelecimento escolar e evocava as figuras que deram corpo à Associação Promotora e à Escola Comercial e quantos continuavam a sua obra com energia, zelo e entusiasmo.

Num pequeno palco, improvisado sobre estrados numa sala de aulas, os alunos apresentaram uma interessante academia músico-literária, de que aqui se dá um pequeno relato, transcrito do “Notícias de Macau”, de 9 de Janeiro de 1953.

“A peça em 2 quadros intitulada “Manuel Zé-A Flor Agreste”, agradou pela sua brevidade, interessante lição moral e desembaraço dos jovens personagens que nela intervieram: os alunos Alberto Morais, Luís Nery, Guido Borges, António Rodrigues Jr. e Mário Carreiro.

A segunda parte do programa constou dum acto de variedades, em que o grupo musical “Escopeno” (constituído por alunos e ex-alunos da Escola) executou, com muito agrado, a “Marchá Acadêmica”, “Olhos Castanhos”, “Terra Amada” e ilustrou o “pano de fundo” do quadro alegórico final e os intervalos dos restantes números.

Os alunos Daniel Pedruco e João de Almeida Jr. recitaram com muita alma as poesias “Pátria” e “A Nossa Bandeira”.

A aluna Beatriz Borges, cantando a “Vendedora de Flores” impressionou bem, com a sua graça natural, voz agradável e traje regional.

O aluno Nuno Garcia dos Santos despertou sonoras gargalhadas com o monólogo “O Tónio da Harmónica” e as meninas Cíntia da Luz, Fernanda Osório e Alice Lemos, no quadro final, que apresentava nas duas extremidades dois rapazes fardados de Mocidade Portuguesa, segurando um deles a bandeira nacional, desempenharam bem o seu papel. Esse quadro terminou com o Hino Nacional, executado pelo grupo “Escopeno”, dirigido pelo antigo aluno José Silvestre.

A parte teatral foi preparada pelo professor José Silveira Machado”.

Terminada a breve récita, procedeu-se à distribuição de prendas aos alunos, agasalhos e outras peças de vestuário, adquiridas com donativos de várias entidades de que se destacam o Fundo do Natal dos Pobres, a Delegação de Macau da Cruz Vermelha, o Rotary Club de Macau e a Comissão Central da Assistência Pública.

A todos os presentes foi servido, de seguida, um delicado “copo de água”, confeccionado pelas mãos habilidosas da professora da Escola, Idália Maria da Luz, cuja arte de bem cozinhar era de todos conhecida.

Acerca desta festa, comemorativa do 75° aniversário da fundação da Escola Comercial, que decorreu sob a presidência de Francisco Xavier da Cruz Hagatong, então presidente da Comissão Directora da APIM, é de registar uma curiosa observação do semanário “O Clarim”, que mostra bem o excelente ambiente que reinava naquele estabelecimento de ensino:

“Um particular que nos chamou muito a atenção foi a completa ordem e o exemplar comportamento dos alunos durante toda a festa. É um facto que denota uma disciplina bem dirigida e a competência da respectiva Direcção”.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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