Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Luís de Camões, em Macau

Esta data, 10 de Junho, é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.  Conheçamos o motivo da comemoração, segundo a Wikipédia:

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado a 10 de Junho, é o dia em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões em 1580, e também um feriado nacional de Portugal.

Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, era celebrado como o Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses.

Dia de Camões – Luís de Camões representava o génio da pátria na sua dimensão mais esplendorosa, significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho, apesar de nos primeiros anos da república ser um feriado exclusivamente municipal. Com o 10 de Junho, os republicanos de Lisboa tentaram invocar a glória das comemorações camonianas de 1880, uma das primeiras manifestações das massas republicanas em plena monarquia.[1]

Dia da Raça e Dia das Comunidades – O 10 de Junho começou a ser particularmente exaltado com o Estado Novo, o regime instituído em Portugal em 1933 sob a direcção de António de Oliveira Salazar. Foi a partir desta época que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional. A generalização dessas comemorações deveu-se bastante à cobertura dos meios de comunicação social.

Durante o Estado Novo, o 10 de Junho continuou sendo o Dia de Camões. O regime apropriou-se de determinados heróis da república, não no sentido laico que os republicanos pretendiam, mas num sentido nacionalista e de comemoração colectiva histórica e propagandística.

Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1963, o 10 de Junho tornou-se numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas, numa exaltação da guerra e do poder colonial. Com uma filosofia diferente, a Terceira República converteu-o no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 1978.

gravura de Luís de Camões (fonte Wikipédia)

os mais conhecidos versos de Os Lusíadas

A falar de Camões, existe um jardim denominado Jardim Luís de Camões, que vou-lhes apresentar com as fotos de um ensaio fotográfico que fiz em 2007.  É um lugar muito tranquilo, mais usufruído por gente da terceira idade e aposentados chineses, para jogar cartas ou xadrex, praticar ensaios musicais, se exercitar ora com aparelhos que o parque dispões ou em caminhadas, ou simplesmente um convívio.  Diz a história que Camões lá começou a escrever seus versos dos Lusíadas.  O texto a seguir foi copiado do site do antigo Leal Senado (Câmara Municipal) um dia antes da transição de Macau para a China em 20 de Dezembro de 1999.  Fiz isso no sentimento extremo de tristeza pelo fim da era portuguesa de Macau:

a entrada do Jardim Luís de Camões em Macau

Gruta de Camões no Jardim de mesmo nome, em Macau

Jardim Luís de Camões

(um texto de 19 Dezembro de 1999 – site do Leal Senado)

Este é um dos jardins mais antigos de Macau. O espaço onde se situa – uma pequena colina sobranceira ao Porto Interior – está localizado junto à Igreja de St. António, na Praça Luís de Camões. O jardim ocupa uma área de 19.200 m2, e onde existe uma área de viveiros de cerca de 4.500 m2, desenvolve-se em níveis sucessivos por onde serpenteiam caminhos que dão acesso aos diversos espaços, nomeadamente a Gruta de Camões na qual, segundo reza a tradição, o maior poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580) escreveu parte da sua obra Os Lusíadas.

Este busto foi em 1866 substituído pelo actual, feito em bronze e da autoria de M.M. Bordalo Pinheiro

O Jardim Luís de Camões é historicamente importante, tendo sido criado em meados do século XVIII, como jardim da mansão de um rico comerciante português, tendo sido, anos mais tarde, alugado à Companhia das Índias Orientais onde foi instalada a sua sede no palacete.

A par dos negócios, os ingleses, amantes da arte paisagística, mandaram vir jardineiros de Londres que, em finais do século XVIII e princípios do século XIX, além de terem ajardinado o espaço, usaram-no como local de recolha de plantas exóticas, que depois enviavam para Inglaterra, nomedamente para os Jardins Botânicos de Kew.

Em 1815 foi parte desta propriedade utilizada para instalar o primeiro Cemitério Protestante, em Macau. Neste cemitério encontramos, entre os túmulos mais famosos, o túmulo do artista George Chinnery (1774-1852), assim como o de Robert Morrison (1782-1834), o missionário que traduziu a Bíblia para a língua chinesa.

Esta construção, muito criticada na época, foi demolida após o governo português de Macau ter comprado a propriedade do Comendador Lourenço Marques em 1885 (origem: grupo Fotos Antigas de Macau no Facebook com comentário de Pedro Pinto na postagem de Vanessa Seed)

Extinta a Companhia das Índias Orientais, em 1833, a propriedade voltou à posse dos descendentes da família proprietária e o Comendador Lourenço Marques, que herda o jardim e foi um dos grandes entusiastas do culto de Camões, em 1840 mandou colocar um busto de gesso de cor bronzeada, o pedestal e a pedra com os versos de Rienzi, na gruta formada por três grandes penedos. Este busto foi em 1866 substituído pelo actual, feito em bronze e da autoria de M.M. Bordalo Pinheiro. No pedestal estão gravadas à frente as estâncias I, II e III do Canto I dos Lusíadas e na parte de trás a sua tradução em chinês.

Em 1885 a propriedade foi vendida ao Governo de Macau e transformada em jardim público. Em 1920 a casa senhorial foi transformada no Museu Luís de Camões, que por sua vez foi vendida, em 1989, à Fundação Oriente para a sua sede.

as instalações da Fundação Oriente em Macau no Jardim Luís de Camões

Ao entrar no jardim depara-se imediatamente com quatro lindas e muito antigas árvores pagode, e vê-se ao fundo a escultura de Irene Vilar – «Abraço» – instalada na parte central de uma fonte, em 1996.

Em redor desta escultura, e ao longo da escadaria que nos leva à Gruta de Camões, deparamo-nos com painéis em calçada à portuguesa, alusivos aos 10 cantos dos «Os Lusíadas», desenhos estes adaptados por Jorge Estrela com base em desenhos do mestre Lima de Freitas.

Através de caminhos e corredores verdes formados pelas copas das árvores que serpenteiam pela colina, e após passar-se pela Gruta de Camões, encontramos um miradouro, que é o ponto mais alto do jardim e donde se pode ver o Porto Interior, e que foi mandado construir, em 1787, por Mons. Jean François de Galaup, Count de la Perouse, um geógrafo e explorador francês, para procederem a investigações astronómicas, durante o tempo em que os seus navios permaneceram na ilha da Taipa.

a jogar o xadrex chinês na tranquilidade do Jardim Luís de Camões

Caminhando para a parte norte do jardim passa-se por uma queda de água artificial, construída já em 1990, aproveitando dois blocos de granito sobrepostos naturalmente. Mais em baixo, temos a estátua de St. André Kim (1821-1846), 1º mártir coreano que estudou em Macau entre 1837 e 1842, oferecida pela Conferência Episcopal da Coreia à Diocese de Macau, em 1986.

Neste jardim teremos ainda, dentro em breve, uma Biblioteca pública, actualmente em construção, e serão renovados os seus viveiros.

A população chinesa usufrui bem o jardim para lazer

O Jardim Luís de Camões, situado na colina também conhecida pela «colina Fénix», devido às suas «árvores de Fénix» (Delonix regia), ali existentes desde a Dinastia Ching, e cujas flores escarlates embelezam-no em Maio, torna-se uma visita obrigatória a qualquer turista, quer pelo seu interesse histórico, quer pela sua beleza e exotismo.

ensaios com instrumentos musicais chineses no Jardim Luís de Camões

Convívio da população chinesa da terceira idade e equipamentos para ginástica que o Jardim Luís de Camões disponibiliza à população

Veja este interessante texto escrito por Padre Teixeira:

CAMÕES EM MACAU

pelo Padre MANUEL TEIXEIRA

Reza a tradição que Camões esteve em Macau e que o seu retiro predilecto era a estância do Patane, para os lados de Sto. António, sítio na verdade aprazível e pitoresco, que foi baptizado com o nome do poeta, chamando-se-lhe, ainda que impròpriamente, Gruta de Camões.

Esta tradição pluri-secular foi acatada e respeitada por todos os historiadores e biógrafos do poeta, havendo apenas divergências acidentais da parte de Teófilo Braga, Juromenha e Storck quanto à data da sua vinda e outras minúcias, ficando, porém, de pé o facto principal, a estada do poeta em Macau.

Mas nos primeiros anos do século positivo, em que vivemos, em 1907, houve quem pretendesse contestar este facto e relegar a tradição para os domínios da lenda 1. Já antes, em 1899, o ilustre orientalista J. F. Marques Pereira, expusera bem fundadas dúvidas sôbre a estada de Camões em Macau como Provedor dos defuntos e ausentes 2.

Ora, há aqui duas questões que importa não confundir:

l.ª – ? Esteve Camões em Macau ?

2.ª – ? Foi Camões Provedor dos defuntos e ausentes em Macau ?

À primeira respondemos afirmativamente com a tradição.

À segunda respondemos negativamente com razões históricas.

Esteve Camões em Macau ? Responde afirmativamente toda uma plêiade de brilhantes e profundos historiadores dos séculos passados; começou a negá-lo João Frick em 1907, o qual aventou a hipótese de o poeta ter ido morrer, “com a espada na mão, ao lado do seu rei nos campos d’Álcácer-Quibir.”

Depois dêste, apareceram alguns articulistas a copiar as suas objecções; o mais ilustre defensor da tese negativa foi o Dr. Luiz da Cunha Gonçalves que, no seu livro Camões não esteve em Macau3, ampliou a tese que João Frick, com o pseudónimo de Gonçalo da Gama, publicara no Portugal.

Nós somos pela tradição, e, não nos convence nenhum dos argumentos dos que a atacam. Assim, João Frick diz que Camões não esteve em Macau porque, à data, Macau não existia, não passando dum covil de piratas; Cunha Gonçalves diz que “entre 1556 a 1559, não havia chinesas cristãs, como

não existia a cidade de Macau”. Ora tudo isto é redondamente falso, pois que nessa época já existia a colónia portuguesa de Macau e já existiam chinesas e chineses cristãos. Para não nos repetirmos, remetemos o leitor para o nosso estudo sobre o Estabelecimento dos Portugueses em Macau, publicado no Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau, Dezembro de 1939, pp. 273-297, pelo qual se pode ver que, imediatamente depois da paz firmada em 1553 ou 1554 pelo Leonel de Sousa, com os chineses, os portugueses se estabeleceram em Macau, donde em 20 de Novembro de 1555 Mendes Pinto escreveu uma carta para Goa.

REFUTAÇÃO DA TESE DE GONÇALO DA GAMA

No artigo de João Frick, publicado no jornal Portugal, n.º 2 de 1907, reproduzido na revista Oriente Português, vol. IV, Abril de 1907, pp. 150-156, há muitas inexactidões:

Esmiucemos:

1 – “E não há um só portuguez illustrado, que não ache, de principio a fim, nos Luziadas, que o poema foi todo escripto no reinado de D. Sebastião; portanto, desde 11 de Junho de 1557, quando morreu D. João III, até 4 de Setembro de 1571, quando, tendo submetido á censura regia o seu poema, Camões entregou o manuscripto na tippographia de Antonio Gonçalves. Basta contudo confrontar datas, para ver que elas não synchronisam. Se Camões esteve de castigo em Macau em 1556 e 1557, durante o governo de Francisco Barreto em Goa, não poderia néssa epoca ter escripto um poema, dirigindo-se de principio a fim a um rei que não era ainda rei, e só tinha três annos de idade. Existia ainda D. João III em Porgugal no tempo de Francisco Barreto …”

E, em novo artigo de “Portugal”, reproduzido em “O Oriente Português”, ib. p. 379, repete o mesmo articulista: “Os Lusiadas” foram positivamente escriptos no reinado de D. Sebastião; e o governo de Barreto, e a epoca indicada da estada de Camões em Macau, são do tempo de D. João III.

Este morreu em Junho de 1557; a noticia da sua morte só pode ter chegado a Macau em 1559; dá-se como tradição que os Lusiadas foram em parte escriptos em Macau; o poema mostra que foi escripto no tempo de D. Sebastião; a estada de Camões em 1555-1556 em Macau, é pois anachronica com o reinado de D. Sebastião”.

(fonte: Instituto Cultural de Macau – Arquivo Histórico)

a Gruta de Camões numa foto de 1891 (origem: grupo Fotos Antigas de Macau no Facebook – postagem de Luís Dias)

Lenda da Gruta de Camões

O poeta Luís de Camões vivia em Macau numa espécie de desterro, provocado por invejas e inimizades em Portugal. As intrigas obrigaram-no também a deixar aquela terra, tendo embarcado como prisioneiro na famosa Nau de Prata, nos finais de 1557. Luís de Camões despediu-se da famosa gruta de Patane, em Macau, que tinha escutado o eco dos seus sonhos e do seu desespero, e apresentou-se ao capitão da Nau de Prata. Interrogado sobre o papel enrolado que levava na mão, Camões respondeu que era toda a sua fortuna e que talvez fosse aquela a sua herança para todos os Portugueses. Tratava-se da epopeia Os Lusíadas que contava a história do seu povo e que, segundo a lenda, terá sido escrita naquela gruta. Escritos com toda a alma e toda a saudade de português, injustamente privado da pátria, aqueles versos eram o maior de todos os seus tesouros e os únicos companheiros do seu infortúnio.
Da amurada da nau, estava Camões a despedir-se da gruta, quando ouviu uma voz de mulher que o interrogava sobre a sua tristeza. Era uma nativa de Patane, que o conhecia, e em quem ele nunca tinha reparado, apesar da sua extrema beleza. Tin-Nam-Men era o nome da nativa que, na sua língua, significava Porta da Terra do Sul – a Porta do Paraíso. Tin-Nam-Men tinha observado Camões, durante muito tempo, sem nunca se atrever a falar-lhe até àquele dia. Perdidamente apaixonada por Camões, tinha-o seguido até ao barco. Partindo com o poeta, conta a lenda que, na Nau de Prata, nasceu mais uma relação amorosa na vida já tão romanesca de Luís de Camões, até ao trágico dia em que uma tempestade irrompeu nos mares do Sul. Como a Nau de Prata estava condenada a afundar-se, embarcaram as mulheres num batel e os homens salvaram-se a nado. Camões, de braço no ar, segurando Os Lusíadas, nadou até terra, mas o barco onde seguia a linda Tin-Nam-Men foi engolido pelas ondas. Foi à bela Dinamene, como o poeta lhe chamou, que Camões terá dedicado os seus belos sonetos “Alma minha gentil, que te partiste…” e também “Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste”.
Fonte: Lenda da Gruta de Camões. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-06-11].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$lenda-da-gruta-de-camoes>.

gravura do mirante da Gruta de Camões de autoria de Thomas Allom 1843 (origem: grupo Fotos Antigas de Macau II no Facebook, postagem de Luís Dias)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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