Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P D Luz

Macau 2000, a recordar os convívios na Reunião Preliminar

Uma postagem para recordações pessoais e dos amigos que participaram da Reunião Preliminar para o Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2001, realizada em Macau de 26 de Novembro a 2 de Dezembro de 2000.  Para mim foi um momento histórico ao pisar na minha terra natal, pela primeira vez, e ver a Macau vestida de “sandálias chinesas‘.  Quando lá estive anteriormente por ocasião do Encontro de 1999, Macau ainda calçava ‘tamancos portugueses’.  Era o fim de uma linda história que precisou de cerca de 440 anos para ser contada, e o início de uma nova era na vida desta terra que chamava-se Cidade do Santo Nome de Deus, Não Há Outra Mais Leal e que passou a ter um nome mais técnico de Região Administrativa Especial.

Uma coisa que fiz questão de fazer era percorrer a cidade toda e sentir as diferenças.  Vi com tristeza os símbolos portugueses trocados pois era preciso que os novos deveriam representar os seus novos administradores, a rigor, os originais anteriores à chegada dos navegantes portugueses. Macau estava vestida de RAEM.  No entanto, estava feliz que a comunidade macaense estava sendo, de uma forma, prestigiada com o apoio do novo Governo.  A realização do Encontro 2001 era uma oportunidade para mostrá-lo, mas anteciparam para assim o fazer nessa Reunião Preliminar (veja postagem anterior – Macau 2000, os acenos positivos aos macaenses).

Veja as fotos que trazem recordações dos que partiram para o descanso eterno, a saber, o Padre Teixeira, José Achiam, Eduardo Jacinto, Joaquim Morais Alves e José Boyol Santos Ferreira. Participei da Reunião Preliminar como membro da Direção da Casa de Macau de São Paulo:

Um momento muito significativo para mim foi poder tirar uma foto com o meu antigo professor do Seminário o Monsenhor Padre Manuel Teixeira, tendo do lado esquerdo o Carlos Cordeiro da Macau Cultural Association/Vancouver/CA. Isto aconteceu na recepção de 29/11 oferecida pelo Cônsul português Carlos Frota na sua residência oficial instalada no antigo Hotel Bela Vista. Deu um certo alívio e pingos de saudades ao ver a bandeira portuguesa hasteada. Parecia que ainda vivia os tempos antigos.

Da direita, o simpático dirigente chinês da Macao Club/Toronto/Canadá, o Bispo de Macau, Sérgio Pina da Macau Cultural Association/Vancouver/Canadá e eu, Rogério P.D. Luz

O almoço no Instituto de Formação Turística, em Mon Há, onde foi realizada uma sessão da Reunião Preliminar. Da direita, eu ao lado do jornalista português José Pedro Castanheira que fez uma palestra para lançamento do seu livro "Os Últimos Cem Dias de Macau", em seguida, Armando Ritchie da Casa de Macau de São Paulo, Sérgio Pina e o saudoso José Achiam que fazia parte da Comissão Organizadora.

Palestra promovida pelo Instituto Internacional de Macau, com Jorge Rangel sentado ao lado de Joaquim Morais Alves. O IIM ofereceu um jantar no jardim das suas dependências após assinatura de convénios com algumas Casas de Macau.

Outra sessão da Reunião ocorreu no Clube Militar onde foi oferecido um belo jantar. Na foto, da esquerda, Henrique Manhão da Casa de Macau dos EUA, Fernando Pina e Francisco Rodrigues, ambos da Casa de Macau do Rio de Janeiro, Lourenço Conceição e Isabel Silva da Casa de Macau de Toronto/Canadá, Carlos Cordeiro e Sérgio Pina da Macau Cultural Association/Vancouver/Canadá, e o autor deste blog

Um momento da procissão realizada à volta da Ermida da Penha, tendo à esquerda o saudoso Eduardo Jacinto, da Comissão Organizadora ao lado do Bispo de Macau, D. Domingos Lam. Era a cerimónia de consagração de Nossa Senhora como Padroeira das Comunidades Macaenses.

O almoço no Hotel Mandarim. Da esquerda, José Achiam, Rita dos Santos, Armando Ritchie, o saudoso José Boyol Santos Ferreira que representava o Clube Lusitano de Hong Kong, Sérgio Pina, Francisco Rodrigues, Fernando Pina, Carlos Cordeiro e eu, Rogério.

Uma fotografia histórica, para mim, pois posava pela primeira vez, após a transição de Macau para a China, diante do Palácio do Governo com o símbolo da RAEM substituindo o escudo português. Ao lado de Armando Ritchie, tínhamos acabado de participar da apresentação de cumprimentos e troca de presentes com o Chefe do Executivo Edmund Ho em 31/Novembro.

Foi uma noite de emoção, muita emoção. O saudoso José Boyol Santos Ferreira ao violão começou a cantar "Macau, terra minha" do Api e Thunders. Estabeleceu-se um silêncio geral e a emoção a tomar conta dos participantes do jantar oferecido pelo Restaurante Mário. Tinhamos razão de estarmos emocionados com lágrimas a escorrer pelo rosto, a nossa Macau não era mais portuguesa como a canção se referia. Pouco a pouco ouviam-se tímidas vozes a procurar cantar com o Boyol. Superada a emoção, a canção ganhou um coral que ao final foi muito aplaudida. O José Boyol, salvo erro, falecia no ano seguinte antes da realização do Encontro 2001. Convivi com ele ouvindo-o a contar da sua doença que o vitimou pouco depois. Descanse em paz e muito obrigado pelos belos momentos de emoção.

Outro aspecto do jantar oferecido pelo Restaurante Mário com comida macaense, e 'qui sabroso', gostei muito e matei as saudades da nossa culinária. O Boyol após as emoções relatadas na foto anterior, cantou diversas canções alegrando o ambiente.

Saudades, muitas saudades.  E que privilégio poder ter vivido esses belos momentos de convívio, e o momento histórico de retorno à terra que passou a ser chamada oficialmente de RAEM.  Deus te proteja Macau!

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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