Cronicas Macaenses

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Dia de Nossa Senhora de Fátima em Macau, 2012

Novamente em Macau, vimos a repetição de uma tradição que perdura há 83 anos com a procissão de Nossa Senhora de Fátima no dia 13 de Maio.  Não canso de publicar esta notícia anualmente, pois para um macaense da diáspora que, como tantos outros que emigraram para outros países com temor de um suposto futuro sombrio de Macau, ora pela transição da soberania dos portugueses para a China, ora pelos acontecimentos na terra consequentes da revolução cultural da era Mao, é um grande alívio ver que essas avaliações sinistras não vingaram.  E quero acreditar na sensatez pela manutenção do sistema atual de Um País, Dois Sistemas, que permitiu a Macau manter um status diferente das cidades do continente chinês, tal como a Procissão de Nossa Senhora de Fátima o que traduz em tolerância e liberdade religiosa nessa Cidade do Santo Nome de Deus – Macau. Bem haja o bom senso dos governantes e mandatários, e o respeito pelo acordo de transição da soberania.

A procissão que percorre cerca de 2 quilometros da Igreja de São Domingos, na parte baixa da cidade, até a Ermida da Penha, igreja localizada  no topo de uma colina, é com certeza uma daquelas de maior percurso, se não a única.  Vejam abaixo o que o Jornal Tribuna de Macau (www.jtm.com.mo) publicou a respeito na sua edição de 14 de Maio, e depois veja o vídeo publicado no You Tube (obrigado Jorge Coimbra/Portugal pelo link).  As fotos também são do jornal:

A procissão inicia-se na Igreja de São Domingos

JORNAL TRIBUNA DE MACAU – edição de 14/05/2012 – por Pedro André Santos

FÉ ENCHEU RUAS DA CIDADE RUMO À PENHA

A comunidade católica de Macau voltou a encher ontem as ruas da cidade para assistir e participar na procissão de Nossa Senhora de Fátima que, como é habitual, percorreu as ruas entre a igreja de São Domingos e a ermida da Penha

A Igreja de São Domingos voltou a ser o ponto de partida para a peregrinação da Procissão de Nossa Senhora de Fátima de 13 de Maio, reunindo não apenas fiéis como também turistas e alguns curiosos que não se mostravam indiferentes às rezas em coro e em várias línguas.

Cerca das 18 horas começou a missa dentro da igreja complemente cheia, enquanto outros tantos aguardavam cá fora pelo início da caminhada. Se grande parte da multidão era constituída por fiéis que acompanham as celebrações há muito tempo, havia outros que se estreavam. “Sei que é uma festividade importante em Macau e por isso queria participar. Apesar de não ser católica gosto de ver a tradição em Macau”, afirmou ao JTM May, uma jovem residente do território.

Foram cerca de três milhares os fiéis que, entoando cânticos de louvor, vieram para a rua, depois da celebração da missa em São Domingos, percorreram a baixa da cidade, e rumaram ao monte da Penha, já depois do pôr-do-sol. A imagem de Nossa Senhora, rodeada de flores, era transportada por “meninas da Congregação de Fátima”, seguindo-se um “mar” de gente de todas as idades que fizeram questão de participar num dos momentos religiosos mais marcantes no território.

O caminho ainda é longo e custa mais com a temperatura que se fez sentir, mas para alguns existem forças que acabam por tornar tudo mais fácil. “É a fé. É sentirmo-nos bem numa espécie de recolhimento” afirmou Maria de Lurdes, uma portuguesa de 80 anos radicada em Macau durante mais de metade da sua vida. “Venho sozinha e aproveito para fazer rezas aos meus entes queridos que já partiram”, acrescentou ao JTM.

Em toada lenta mas ritmada fez-se o resto do percurso pela Avenida da Praia Grande até à ermida da Penha, um dos pontos mais altos da cidade, com uma multiculturalidade bem patente nos cânticos entoados em três línguas: português, inglês e chinês.

A fé católica acaba por ser o grande elo de ligação entre os muitos presentes na procissão que conta sempre com uma comunidade muito devota. “É um dia com um significado muito relevante, para as pessoas mostrarem o seu amor. É muito importante para a fé católica”, afirmou ao JTM a Irmã Jenny, das Filipinas.

Igreja de São Domingos, missa antes do início da procissão

UM LEGADO DA COMUNIDADE PORTUGUESA

 A comunidade portuguesa continua a deixar bem vincada a sua presença nas celebrações religiosas, com destaque para a procissão de ontem, mas não só. “A Procissão de Nossa Senhora de Fátima e a Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos, antes da Quaresma, representam os momentos mais fortes a nível religioso em Macau. É sempre um evento que tem muita gente presente, há pessoas que vêm de Hong Kong de propósito. Não sei dizer qual das comunidades traz mais gente, mas a comunidade portuguesa é sempre devota”, afirmou ao JTM o padre Albino Pais.

Uma opinião, de resto, também partilhada pelo padre Luís Sequeira, sublinhando a importância da multiculturalidade do 13 de Maio. “As pessoas responsáveis têm juntado ao português-macaense a comunidade chinesa, participando com mais padres chineses também. O terço é já feito em três línguas também, português, inglês, e chinês, representando uma afirmação positiva em termos de expressão cristã na China”, referiu, lamentando, contudo, a participação limitada da comunidade portuguesa da metrópole.

“Por um lado, é um legado da comunidade portuguesa no contexto da fé cristã na China, com particular ênfase na missa de Fátima. É uma afirmação da dimensão política de um país, dois sistemas, uma realidade em que Macau se manifesta. É uma afirmação de liberdade e de sentido de comunhão que continua a aumentar”, concluiu ao JTM.

Desde o já longínquo ano de 1929 que a 13 de Maio as ruas se enchem de gente de fé, uma tradição mantida em Macau até nos dias de hoje, mesmo após a transferência de soberania do território.

cerca de três mil pessoas acompanharam a procissão

a procissão chega ao fim na Ermida da Penha

VEJA O VÍDEO PUBLICADO NO YOU TUBE NO CANAL DA CHINESA KOSEONGWON DE MACAU

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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