Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

São Francisco do Sul, SC, último porto do navio MSC Armonia

O navio MSC Armonia atracado no cais de São Francisco do Sul, em Santa Catarina

No cruzeiro marítimo de Natal que fizemos em 2010 pelo navio MSC Armonia, após a cidade uruguaia de Punta Del Este, o último porto antes de Santos onde desembarcariamos, foi de São Francisco do Sul, no Estado de Santa Catarina.  Era o dia 25 de Dezembro, em pleno Natal, quando o navio atracou no início da manhã no cais vazio, obviamente pela época festiva, embora fosse o 5º maior do Brasil.

Logo à entrada da cidade, na saída do cais, havia um balcão simpático de recepção, que, coitados, lá trabalhavam em pleno Natal para receber os viajantes.  Já lá próximo ficava o Museu Nacional do Mar instalado em galpões numa área de 7.000m2, na Baía Babitonga, que a Wikipédia diz ser  “o mais importante da América Latina e será o de maior variedade do mundo”.  Poucos se propuseram a visitá-lo, como eu e a Mia, uma pena, pois valeu a visita pela grande variedade de embarcações em tamanho natural como réplicas. Muito lindo!

São Francisco do Sul

Centro histórico com o Mercado Municipal de 1900 à direita

O centro histórico com cerca de 150 prédios tombados pelo Patrimônio Histórico estava com boa parte das lojas fechadas devido ao Natal, assim como o Mercado Municipal fundado em 1900.  Algumas abertas vendiam souvenirs que sempre a gente acaba levando alguma coisa para lembrança. Pelo jeito, o certo seria o navio estar navegando no dia de Natal, tal como aconteceu no cruzeiro que fiz em 2011 pelo Costa Victoria, evitando assim ver uma cidade quase deserta. Aliás, outro incoveniente de cruzeiros em que o dia de Natal seja o último dia, é de ter que se preocupar em arrumar as malas para deixar na porta da cabine à noite, para seu recolhimento pela tripulação.  Estraga a festa, além do que o último dia do cruzeiro é uma tristeza pela saudade que vai deixar. Naquele cruzeiro do Costa, o Natal era o terceiro dia dos nove de duração, assim fica melhor.

De resto, gostei da cidade distante 580 km de São Paulo, que até pensamos que num passeio pelo litoral de Santa Catarina, de carro, poderiamos lá pernoitar por um dia. Vamos a seguir conhecer um pouco melhor a cidade:

A Baía da Babitonga é onde está localizada a cidade

A história de São Francisco do Sul

São Francisco do Sul é a cidade mais antiga de Santa Catarina. Colonizada por franceses,espanhois e açorianos, sua primeira ocupação, foi feita temporariamente por espanhois por volta de 1553 . Não existem provas de que teria sido um dos pontos onde em 1504 a expedição de Binot Paulmier de Gonneville teria aportado.

Em 1640, Gabriel de Lara, “Alcaide mór, Capitão mór, Povoador da villa de Nossa Senhora do Rosário da Capitania de Paranaguá”, com portugueses e vicentistas, procedentes de Paranaguá, fundou a 3 de dezembro de 1641 a villa de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco.

o centro histórico tombado pelo Patrimônio Histórico

Em 1658, Manuel Lourenço de Andrade, acompanhado por casais portugueses e paulistas, chegou a São Francisco, com plenos poderes, concedidos pelo Marquês de Cascais, para povoar a terra, repartindo-a entre a sua comitiva e os que fossem chegando. Já em em 1660 foi elevada à categoria de vila e tornou-se paróquia, recebendo seu primeiro vigário, o Padre Manuel dos Santos.

A glória da fundação do primeiro estabelecimento catarinense atribuem os historiadores, tanto a Andrade como a Lara, segundo o livro Colonização do Estado de Santa Catarina – Dados históricos e estatísticos (1640-1916) – Secretaria Geral dos Negócios do Estado – 1917. Seria justo atribuir a fundação a Ângelo Francisco, que foi, na verdade, o primeiro povoador da ilha de São Francisco. (Wikipédia)

Finalmente em 1847 é elevada a categoria de cidade.

O prédio do Mercado Municipal, após quatro anos de construção, foi inaugurado em 20 de janeiro de 1900, O conjunto arquitetônico foi restaurado em 1976

casa tombada pelo Patrimônio Histórico

No início do século XVII Portugal, já liberta do jugo Espanhol, interessa-se pela colonização do sul do Brasil. Conforme as pesquisas de Andréa de Oliveira, em seu livro “Nossa ilha”, nessa época, partem para São Francisco bandeirantes vicentinos, que, além de escravos indígenas e do ouro, procuram terras para construir e plantar. Assim, em 1658, Manuel Lourenço de Andrade, natural de Lamego, filho de Manuel Lourenço e sua mulher, Branca de Andrade, chega a São Francisco do Sul, trazendo em sua companhia mulher e filhos, seu genro, Luís Rodrigues Cavalinho, grande número de agregados e escravos, gado, instrumentos agrícolas e ferramentas para a exploração de minas. Como os demais colonizadores, Andrade era cheio de audácia e intrepidez, de uma perfeita integridade moral e possuía as melhores qualidades de caráter. Manuel Lourenço de Andrade fundou definitivamente a povoação, que mais tarde viria a tornar-se vila florescente, e por fim, em cidade progressista, segundo. (Wikipédia)

Museu Nacional do Mar: O Brasil tem um imenso litoral com quase 8.000 km. Some-se a isso as grandes bacias hidrográficas formadas por rios, lagoas e lagos. Por força da utilização pelo homem desses recursos naturais como meio de sobrevivência, existem mais de 250 estilos de embarcações, mais de 100 tipos de canoas, dezenas de espécies de jangadas. O que faz do nosso país o mais rico do mundo em tipos de embarcações. O Museu Nacional do Mar foi criado justamente para preservar um número significativo de embarcações, instrumentos navais e apetrechos de bordo, valorizando a arte e o conhecimento dos homens que vivem das águas. Situado na Ilha de São Francisco do Sul, berço da mais antiga povoação de Santa Catarina, o Museu do Mar ocupa amplos e centenários galpões com mais de 7.000 m². A arquitetura eclética tem influência alemã, com impressionante estrutura de madeira, e está implantada à beira da Baía Babitonga. Pelo acervo atual, pelo trabalho que vem sendo desenvolvido e pelo seu potencial, o Museu do Mar já é o mais importante da América Latina e será o de maior variedade do mundo. Orgulho de Santa Catarina e do Brasil, um lugar para visitantes de todas as idades. (Wikipédia)

Museu Nacional do Mar

Museu Nacional do Mar

Museu Nacional do Mar

Museu Nacional do Mar – Jangada utilizada no Norte e Nordeste do Brasil

Museu Nacional do Mar

Museu Nacional do Mar

IGREJA NOSSA SENHORA DA GRAÇA:  Em 1699, em função das melhorias financeiras resultante da tributação sobre a farinha de mandioca, o peixe, a aguardente e outros produtos, resolveram os membros do conselho, juntamente com as figuras proeminentes da Vila, e com o povo, edificar um novo templo na localidade , tendo a fiscalização da obra fiado ao encargo do Padre Manoel de Nazareth, e contratado para construtor o pedreiro Caetano Gomes da Costa, que foi ajudado pelos milicianos, escravos e populares.
O Construtor havia orçado a obra da Igreja em quinhentos mil réis, e por isso foi processado e multado, pelo Conselho por ter ultrapassado o orçamento, sem ter iniciado o reboco e pintura interna da mesma.
Tais melhoramentos somente tiveram andamento, 20 anos após, contando com a ajuda financeira do povo, a encomenda da Pia Batismal, e mais duas pias para Água Benta, foram contatadas em 1802, pela câmara ao Mestre Pedreiro Manoel da Encarnação.
Complementando as obras de implantação da matriz, foi trazido do Rio de Janeiro o órgão que hoje é utilizado nos atos religiosos. Originalmente construída em estilo veneziano e com uma só torre, a “Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça” passou modificações que por fim a descaracterizaram.
A primeira grande reforma deu-se em 1926, com a abertura e colocação de várias janelas, semalhas e afrescos.
A ultimas delas foi a construção de uma segunda torre, mandada executar pelo Vigário da Paróquia “Frei Sebaldo”, com a mão de obra contratada ao Sr Kurt Kamradt, As despesas com a construção da torre foram cobertas com os donativos deixados em testamento por José Basílio Corrêa.

a tranquila Baía da Babtoga com pouca navegação

Ciao São Francisco do Sul, até uma próxima visita … o navio partiu no fim de tarde do dia da chegada

a ilha diante de São Francisco do Sul

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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