Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Macau: Ermida de N. Sra. da Penha de França

Para quem visita Macau, é um ponto turístico obrigatório, tanto pela sua história e beleza do local como pela bela vista panorâmica da cidade e da vizinha ilha da Taipa, isto é, se não houver a costumeira névoa que acabou prejudicando parte das fotos desta postagem, feitas por ocasião da minha viagem ao Encontro das Comunidades Macaenses de 2010.

Veja a seguir o texto sobre a Ermida publicado na Wikipédia e o histórico do grande historiador de Macau: Padre Manuel Teixeira, no livro “Toponímia de Macau”:

Texto da Wikipédia

A Capela de Nossa Senhora da Penha, também conhecida como a Ermida de Nossa Senhora da Penha e como a Capela de Nossa Senhora do Bom Parto, foi construída em 1622 (ano da invasão holandesa a Macau) pela tripulação e passageiros de um barco que quase havia sido capturado pelos holandeses, por cima de uma colina, ao lado do baluarte de Nossa Senhora do Bom Parto. Antigamente, a capela servia como local de peregrinação para marinheiros católicos que embarcavam para uma viagem perigosa.

A capela foi completamente reconstruída, juntamente com o paço episcopal (residência do bispo de Macau), em 1837, continuando a manter a sua traçada simples. Em 1892, a capela começou a ser ampliada, depois de ser demolido o baluarte. Em 1935, o Bispo Cardeal D. José da Costa Nunes completou a amplificação e reedificação da capela e inaugurou a magnífica torre sineira.

No adro da capela foi erguida uma estátua da Nossa Senhora do Bom Parto, feito em mármore, de mãos fechadas, de face serena e olhando para o mar, como se ela estivesse a oferecer protecção aos marinheiros e pescadores, sendo essa a razão por que lhe foi dada o nome de “Bom Parto”. Perto da capela, encontra-se uma réplica da gruta da Nossa Senhora de Lourdes, em memória da aparição da Nossa Senhora em Lourdes, França.

A colina onde se situa a capela chama-se “Colina da Penha” e “Monte do Bispo”, em memória ao antigo bispo de Macau, D. João Paulino.

Ermida da Penha

por Padre Manuel Teixeira – do livro Toponímia de Macau

Campeia no topo da colina a Ermida de N. Sra. da Penha de França e, mais em baixo, a Gruta de N. Sra. de Lourdes. A Gruta foi construída em 1908, por iniciativa de D. João Paulino de Azevedo e Castro, bispo de Macau (1903-1918), que ali foi sepultado.

Segundo se lê numa lápide, na parede da direita da igreja da Penha, esta Igreja foi <<Construída em 1934-1935 em substituição da primitiva capela edificada em 1622 e reedificada em 1837>>

A antiga Ermida

A 28 de Julho de 1620, navegavam de Macau para o Japão, no navio S. Bartolomeu, os seguintes indivíduos: Jorge da Silva, que era o capitão do navio, Fernão de Árias de Morais, Bartolomeu Fragoso, António Gonçalves de Araújo, João Taveira, Manuel Fernandes Ferrão, Luís da Fonseca, Manuel Gomes, João Casado Viana, António Cordeiro, Francisco Pereira, Jácome Francisco de Paiva, António de Almeida, João Pacheco, Francisco Lobo Guerreiro, António Pinto de Oliveira, João Carvalho e João Cavalim da Fonseca.

Às 5h. da manhã desse dia, depararam com uma nau holandeza que, segundo eles referem, «nos foi seguindo sem nos largar, e por o nosso navio não ser muito ligeiro, se chegou a nós a tiro de bombarda, e logo nos tirou três bombardas, passando os pelouros por cima do Navio, por nos tirarem a dezaparelhar, e tudo n’esta maneira fugindo nós sempre d’ella, por que viamos, que não tinhamos partido igual para podermos velejar, por que do muito aperto, em que nos viamos tudo velejando por ser o vento muito rijo nos quebrou a verga do traquette, e em quebrando logo se foi chegando o inimigo, e tirou mais bombardas, e capiando nos com huma toalha, que amainássemos a vela grande, que levávamos, e vendo-nos neste tempo em tanto aperto, e necessidade, e sem remédio nenhum mais, que morrermos todos, como já estávamos determinados de nos queimarmos, tratamos de pedir a Virgem Nossa Senhora de Penha da França, que nos acudisse, e fosse nossa intercessora diante do seu Bendito Filho, para que nos livrasse e ajudasse contra os dittos nossos inimigos, promettendo-lhe todos em huma igual conformidade de lhe darmos hum por cento, de toda a fazenda assim nossa, como de nossas partes, de toda a fazenda que o ditto navio S.m Barthollomeu levava para o Japão, para se fazer huma Ermida separada para a ditta Senhora, esta em vulto, na Cidade de Macao, e promettida a ditta esmola, logo imediatamente fomos soccorridos da ditta Senhora, por que nos fomos sahindo dos dittos inimigos de baixo da sua proa».

A 13 de Maio de 1621, fizeram eles doação da esmola ao Convento de Sto. Agostinho para que ficasse padroeiro e administrador da ermida; se esta não se edificasse, seria nula a doação; os doadores seriam mordomos da ermida em vida. Aceitaram esta doação o prior do convento, Fr. Simão de Sto. António, o procurador Fr. Aurélio Coreto e demais padres, os quais no dia seguinte, 14 de Maio, obtiveram licença de Fr. António do Rosário, O. P., governador do bispado, para edificar a ermida «fora dos limites das Parochias».

O prior de Sto. Agostinho apresentou ao Senado o despacho do governador do bispado e pediu que lhe apontasse lugar «que mais conveniente for para a ditta Ermida em hum dos montes, da banda do baluarte da Barra». Os vereadores despacharam: «Damos licença pedida pelo R. P. Prior de Sto. Agostinho, na melhor forma, que devemos, no lugar já assignado, não prejudicando os naturaes, com que Sua Magestade, nos manda ter toda a boa correspondência, por ser necessária para a conservação d’esta Cidade. Em Meza de Vereação o escrevy eu Nuno de Mello Cabral, Alferes e Escrivão da Câmara d’esta Cidade, do nome de Deos na China, em 29 de Julho do anno do Nascimento de Nosso Senhor JESUS Christo, de 1621 annos. -? Rodrigo Sanches de Paredes, Ponciano d’Abreu, Pedro Fernandes de Carvalho, António d’Oliveira Aranha, Gonçalo Teixeira Corrêa, Lourenço de Lis Velho

Obtidas estas licenças, o prior de S. Agostinho, Fr. Estêvão da Vera Cruz, e demais padres edificaram «huma Ermida da invocação de Nossa Senhora da Penha de França situada sobre o monte do baluarte de Nossa Senhora do Bomparto, que para isso estava, havia mais de hu anno dado, e assignados pelo ditos Vereadores, como he publico e notório, e que aos 29 de Abril de 1622 depois d’elle Suplicante (Fr. Estevão) dizer Missa na ditta Ermida, interposta a Authoridade de Justiça, o Tabellião Affonso Garcez em presença de V. Mercê o metteo de posse da Ermida, e do sitio em que estava com os limites, e agoas vertentes do ditto monte . . . mandando por as maons pelas paredes, levantar terra, e pedras do ditto Oiteiro, e elle se houve por mettido de posse do ditto Oiteiro».

Como o dinheiro dos doadores não chegasse para a construção da ermida, o convento acudiu com 300 e tantas patacas. Daqui se vê que todo o monte da Penha foi doado pelo Senado aos agostinhos. Marco dJAvalo, em 1638, alude a um forte que lá havia: «Chama-se o segundo dos fortes Nostra Seignora de Ia Penna de Francia, porque tem dentro uma ermida com este nome».

Por portaria n.° 35 de 15-6-1901, foi aprovado o orçamento de $1.500 para o projecto dum observatório meteorológico na casa anexa à igreja da Penha.

uma réplica da gruta da Nossa Senhora de Lourdes, em memória da aparição da Nossa Senhora em Lourdes, França

o interior da Ermida

o vitral do altar-mor

Nossa Senhora da Penha de França no topo da Ermida

observe os sinos modernos na torre

Vista panorâmica de Macau com a torre do prédio mais alto do Hotel Casino Gran Lisboa, parcialmente encoberta por névoa. A estátua da Nossa Senhora do Bom Parto contempla a cidade.

A Torre de Macau (Macau Tower) e a ponte que liga Macau à sua ilha da Taipa, num dia de névoa

A Colina e Ermida da Penha é muito procurada por noivos para fotografia. Ao lado da noiva está a placa com a inscrição “Construída em 1934-1935 em substituição da primitiva capela edificada em 1622 e reedificada em 1837”.

Noivos em pose para foto na entrada da Ermida. Na saída da colina, pude perceber que havia mais três carros com noivos à espera da sua vez para fotos.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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