Cronicas Macaenses

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Feng Shui: Velhos Princípios, Novos Tempos

Luís Ortet escreveu para a Revista Macau, edição de Julho de 2000, um completo artigo sobre Feng Shui denominado – Ventos da Fortuna.  Fala de edifícios e construções em Macau e a influência do feng shui, possuindo várias inserções sobre assuntos específicos que serão publicados na medida possível.

Esta inserção  – Velhos Princípios, Novos Tempos – vale uma boa leitura, mesmo que você não creia no feng shui, pois coisas chinesas merecem respeito pois provem de sabedoria milenar.

Velhos Princípios, Novos Tempos

por Luís Ortet – Revista Macau edição Julho de 2000

Antigamente, o feng shui era utilizado sobretudo para escolher a melhor localização para as sepulturas. Ainda hoje se dá muita importância a este aspecto, mas nos primórdios da geomancia chinesa a “habitação” dos já falecidos ocupava um lugar central, considerando-se que dela dependia a sorte das gerações seguintes.

Nesse tempo os geomantes tinham que lidar com as duas formas principais ligadas ao “dragão”: as montanhas e os rios (ou o mar). As cristas das montanhas e as saliências naturais das paisagens formam o corpo, as veias e a pulsação do dragão, enquanto os cursos de água, superficiais e subterrâneos, constituem o seu sangue.

Nos nossos dias, o “dragão” mudou-se para as cidades, onde as montanhas foram substituídas pelos grandes edifícios e os rios deram lugar às avenidas. Mas os princípios mantiveram-se.

Os dois caracteres que compõem a expressão feng shui querem dizer respectivamente vento e água. E é justamente a circulação do vento e da água que nos informa sobre o fluxo de qi (a energia universal) num dado lugar.

O que se pretende é acumular qi, sem no entanto deixar que a energia fique estagnada. Deve haver sempre movimento, já que a vida é isso mesmo, movimento, e a morte a ausência dele. Mas, para permitir a acumulação de qi, esse movimento deve ser lento e suave, seguindo de preferência trajectos curvilíneos e serpenteantes.

Do mesmo modo que a circulação suave dos rios favorece quer a agricultura quer o transporte fluvial – portanto, a economia e a felicidade das pessoas – assim também o fluxo não agressivo de qi é o que mais se privilegia no feng shui.

Em contrapartida, tudo o que implique linhas rectas conduz à dispersão da energia vital, pois ela circula de uma forma tão intensa que não pode ser acumulada e até pode agredir. Tsso acontece, por exemplo, nas auto-estradas e avenidas rectas, em que se circula a grande velocidade. Uma casa situada no extremo de uma rua longa e recta é agredida pela circulação demasiado precipitada de qi.

Os lugares desabrigados, como o cume de uma montanha ou colina, representam igualmente a dispersão de qi, neste caso representado pelo vento.

Mas a mais temida de todas as situações é quando uma forma pontiaguda ou cortante “aponta”, de forma “ameaçadora”, no sentido do lugar cujo feng shui está a ser estudado. As esquinas de outros edifícios viradas na direcção de um dado lugar são o exemplo mais corrente dessas “setas secretas”, que geram a chamada sha qi ou energia mortal. Uma das prioridades na prática da geomancia chinesa é a resolução deste tipo de situações, mediante artifícios arquitectónicos ou decorativos, como uma parede adicional ou a reconstrução de uma porta, fazendo-a ficar virada para outra direcção.

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Publicado às 04/11/2012 por em CHINA, Feng Shui e marcado , , , .

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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