Cronicas Macaenses

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Associações macaenses nos EUA, unificação possível?

O assunto de proliferação de Casas de Macau que, para além de definir a Casa propriamente dito, também é utilizada para se referir a associações macaenses da diáspora sob outras denominações, até que andava meio adormecido, depois de tempos antigos tumultuados tanto na mídia/média como nos bastidores, tal como, através de e-mails pessoais.

No entanto, com o destaque dado na 1ª página do Jornal Tribuna de Macau, o assunto volta à tona no que diz respeito às três associações macaenses reunidas em torno de um único centro de convivência denominado – Centro Cultural de Macau – ou mais conhecido na terra do Tio Sam, os EUA, como – Macau Cultural Center (MCC).

No ensejo desta divulgação, vou discorrer despretensiosamente sobre o assunto, a fazer as minhas divagações.

Diz a reportagem que até aceitariam a fusão numa única entidade representativa macaense nos EUA, a direção da UMA e da Casa de Macau USA, porém discordava o Lusitano Club com as explicativas dadas pelo seu diretor e divulgadas no artigo abaixo, que convido para uma leitura, se já não o fez.

A questão, como muitos devem saber, não é exclusiva dos EUA, mas também do Canadá, nas cidades de Toronto e Vancouver.  Em Toronto, do meu conhecimento, há duas associações macaenses reconhecidas pelo CCM-Conselho das Comunidades Macaenses e uma outra que ainda não obteve reconhecimento para ter uma cadeira no Conselho. Em Vancouver, há duas associações que são a Casa de Macau e Macau Cultural Association, enquanto que em Toronto, temos a Casa de Macau e a Macao Club, esta última de origem chinesa de naturais de Macau.  Correndo de fora, pleiteando uma cadeira no Conselho, tem a Amigu di Macau, sob a presidência do José Cordeiro.

No Brasil, não muito questionado, a cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, tem as suas próprias Casas de Macau separadas uma da outra por uma distância de 500 quilômetros, ou, cerca de 6 horas de carro ou 45 minutos de avião.  Até poderia se dizer que se não surgiram outras associações, é porque “brasileiro não gosta de esquentar a cabeça”, mas motivos quase que poderiam ter tido. Enfim, prevaleceu o bom senso e a fidelidade ao nome de “Casa de Macau”.

Quanto a Portugal e a Austrália tenho registro de apenas uma associação macaense em cada País, com a denominação Casa de Macau, além de Hong Kong com o único e tradicional Club Lusitano.

Não vem ao caso comentar sobre outras entidades formadas por um membro, no caso, o fundador, ou pouco mais de uma pessoa, pois não tenho informações precisas, apenas que, parece que houve um ou outro pedido para ingressar no CCM, sem sucesso.

A vivência nos convívios em Macau e em conversas particulares, nos diz que há uma certa diferença do que o mídia/média procura divulgar com base em declarações oficiais e adequadas para a imprensa.

Sempre ouço que o – ideal – seria que cada País tivesse apenas uma representação ou Casa de Macau oficial.  Disso já imagino que na ONU, por exemplo, o Brasil tem uma única representação.  Difícil imaginar que o Brasil na ONU pudesse ter duas representações de São Paulo, duas do Rio de Janeiro, uma de Recife e daí por diante.

Hoje, vai-se levando no “banho maria”, ou seja, cozinhando … cozinhando. Não sei quanto ao futuro, isto é, se houver futuro para os Encontros de 2016, 2019 etc., nos quais o CCM se reúne para novas eleições e para avaliar os pedidos de ingresso de novas associações macaenses.

Até penso que, a continuar do jeito como está hoje, das associações macaenses da diáspora a sobreviverem com a sua criatividade para arrecadar recursos dentro dos países de acolhimento, sem obterem subsídios periódicos de Macau ou da RAEM, isto explico por São Paulo, sem me referir a algum subsídio pontual vez ou outra, a unificação das Casas e associações similares vai acabar ocorrendo no futuro. Tudo pelo bom motivo de sobrevivência.

Nos tempos da administração portuguesa de Macau, lembro-me que periodicamente, se não anualmente, vinha um subsídio do governo, e o governador a encolher os ombros dizia “fazer o quê”, diante da multiplicidade de associações nas cidades da diáspora.

Aliás, dizem as boas línguas que nas cidades com duas associações, por exemplo, costuma ocorrer que uma pessoa acaba sendo associada das duas.  Se isto for verdade, de repente haveria duplicidade na contagem de pessoas para efeitos estatísticos populacionais da comunidade.

A unificação de associações macaenses numa só representação por país, que praticamente teria efeito apenas para atividades em Macau, no panorama atual e sem que isso ocorra simultaneamente em todos os países, me parece, hoje, um conto de fadas, algo difícil de se imaginar, tal como a canção “Dream, the impossible dream”.

Agora resta a pergunta, se não houver mais nenhuma atividade em Macau que leve as associação a enviar as suas delegações, haveria algum motivo para unificação? Dentro deste parâmetro vemos dezenas de associações portuguesas no Brasil, e acredito também nos países de forte imigração portuguesa como os EUA etc. Alguém se preocupa com unificação? Porquê? Elas servem apenas para atividades locais, e como são festeiras, mas das quais também se ouve lamentos da falta de participação dos jovens, embora ano após ano, lá elas vão sobrevivendo.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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