Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P. D. Luz,

Ela é destaque no Encontro Macau 2013

Foto do Jornal Ponto Final (Macau)

Iana Assumpção. Foto do Jornal Ponto Final (Macau). Tradução da camiseta (camisola): “Fique calmo e converse em patuá (de Macau)”

“Carioca da gema” e “macaense da gema” de 21 anos, já diretora cultural e esportivo da Casa de Macau do Rio Janeiro, Iana Assumpção ganha destaque na imprensa de língua portuguesa de Macau e nas conversas do grupo “Conversa entre a Malta” no Facebook. Isto por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses Macau 2013.

Generosos adjetivos “a diva da malta” ou “Hou Leng Nui (moça bonita, em chinês)”, ou ainda “uma jovem lindíssima e super simpática ao jeito de uma Miss Mundo“, palavras escritas por “Falamau” da Silva, deixam a Iana a exclamar no seu comentário-resposta “OMG (Oh my God=ó meu Deus) que fardo estão a meter-me pá“.

Iana, nascida no Brasil, fruto de mistura entre macaense e brasileiro, é neta do “Acaio” d’Assumpção que é natural de Macau. Ganhou destaque pelos depoimentos nas entrevistas e na sua intervenção no colóquio promovido pela Associação dos Macaenses-ADM, que visou abordar o polêmico tema “Identidade Macaense”.  Tema esse que constantemente é abordado em Macau e nos diversos meios de comunicação, mas que nunca se chega a uma conclusão plausível ou genericamente aceita. Uma identidade que tem época e origem, e que vai se adaptando à medida da evolução da vida e das vivências, mais ainda, após a transição de Macau para a China. Uma adaptação de teoria nem sempre aceita por parcela dos filhos da terra. Uma coisa para se falar por horas e incontáveis páginas.

Acho que não são só macaenses os que nascem e vivem em Macau. Há muita gente da diáspora que ama Macau e que faz por merecer fazer parte desta cultura, que a promove. São macaenses também, mesmo não tendo nascido lá”, assim diz Iana ao jornal Ponto Final. “O diferencial faz-se em casa. Em casa é que se passa a cultura, tem de ter uma base da família. O meu avô e a minha mãe é que me passaram essa cultura macaense que eu defendo com unhas e dentes”, complementa neste outro trecho da entrevista.

Procurando explicar a falta de participação de jovens nas atividades das Casas de Macau, Iana diz ao Ponto Final “a maioria dos mais velhos, bisavós e tetravós acabaram falecendo, e os avós e pais não estão passando esse interesse”. “Eu vejo que a casa do Rio [de Janeiro] está correndo sério risco, então eu tento divulgar o mais possível. Mas é difícil atrair os jovens a quem os pais não passaram essa cultura.”. Mesmo com este depoimento, por algumas atividades vistas em fotos no site da Casa do Rio, até que se tem visto número razoável de jovens em algumas festas, algo raro nos dias de hoje, a exemplo de São Paulo.

O Jornal Tribuna de Macau assim interpretou a sua fala: “a tentativa de encontrar uma definição “é prejudicial” porque “restringe” a identidade em vez de a tornar “ainda mais aberta”. Lamentou também a “falta de incentivo dos macaenses mais velhos” para atrair “gente mais nova”. “Acho que têm medo de perder o lugar que construíram, penso que é uma questão cultural, uma visão oriental, que respeito, mas hoje a comunidade macaense é cada vez mais pequena e se não passar o testemunho para os jovens vai-se perder, porque a maioria dos jovens não estão interessados”, lamentou.

A sua fala tem gerado comentários da “malta” tais como “papiou ui di bem (falou muito bem, em patuá)”, ou esse “um exemplo a seguir…pelos jovens. Parabéns beleza”, e esse “linda e inteligente….ui di (muito) capaz….”.  Outro comentário no grupo “Conversa entre a Malta”, na mesma publicação diz enfaticamente “muitos dos macaenses que nascem e vivem em Macau são menos “macaenses” do que os que estão fora que vivem e sentem mais Macau  … Se todos os que sentem o “ser macaense” nas veias contribuíssem um pouco e deixassem de lado outros assuntos sem interesse, então a ‘UNIÃO FAZ A FORÇA’. E se houver apoio do Governo tanto melhor!”.  Este blog preferiu omitir os nomes respeitando a privacidade dos membros do grupo.

Pela sua juventude, na flor dos 21 anos, a Iana ousou falar o que estava enrustido no seu coração. Infelizmente, o enfoque dado no tema é a pura realidade da nossa complexa e polêmica “comunidade macaense”, mas se abordado nesta postagem “vai longe … muito longe“.  Assim, Iana, parabéns pelas palavras e o seu destaque no Encontro das Comunidades Macaenses 2013, e com certeza muito sucesso fará na festa do II aniversário do grupo no Facebook “Conversa entre a Malta” na próxima sexta-feira.  Aproveito para dar os parabéns ao grupo CEAM pela comemoração que certamente participaria e faria cobertura para o blog se tivesse viajado para Macau, e à Iana, quem sabe, se bobear, vão te colocar a faixa de “Miss Encontro Macau 2013” … hehehe!

Iana de calças vermelhas no colóquio Identidade Macaense

Iana de calça vermelha no colóquio Identidade Macaense.  Foto Jornal Tribuna de Macau. Uma menininha no meio de muitos “gente grande”,  o que provoca reflexão  sobre as suas  ousadas palavras. Um “espelho” da nossa comunidade macaense. Eu, você, nós, envelhecidos, temos que ceder espaço aos mais jovens, ou até aos não tão jovens, ou os menos velhos.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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