Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P. D. Luz,

Quadro de Marciano Baptista recuperado para Macau

Quadro Lorcha - Marciano Baptista - Oil.edit

Recebi e-mail do Instituto Internacional de Macau – IIM com a imagem e o texto abaixo, em português e inglês, que publico para conhecimento geral.  Que saibam preservar esta bela obra de arte do nosso conterrâneo Marciano Baptista em Macau ou em Portugal:

QUADRO DE MARCIANO BAPTISTA RECUPERADO PARA MACAU

Um quadro a óleo de mais de 150 anos, intitulado “A Lorcha”, vai ser recuperado para Macau. Esta peça, de inegável valor patrimonial pintada por Marciano António Baptista, está a ser restaurada por uma  equipa de especialistas, ficando depois em exibição permanente num museu que está a ser criado em Macau por entidades privadas.
Esta pintura (de 60 por 45 cm de dimensão) foi feita em homenagem a seu pai que comandava a lorcha que ela retrata e faz parte da memória colectiva da família, tendo figurado tradicionalmente, através de sucessivas gerações, na sala de jantar dos descendentes de Baptista: herdado por Marciano Jr., passou  pela casa de de Marciano III (conhecido por Naneli) estando ultimamente na posse de Filomeno Marciano Baptista, bisneto do pintor.  De acordo com Filomeno, o quadro teria de “ir para Macau, local de nascimento de Marciano Baptista, ou para Portugal”, para “uma instituição que pudesse cuidar devidamente dele e exibi-lo”.

Marciano António Baptista (1826-1896), considerado o melhor pintor de Macau do século XIX, aprendeu as técnicas da pintura europeia com o pintor irlandês, George Chinnery, tornando-se seu discípulo, quando este se estabeleceu em Macau, fugido dos seus credores.  Dizia-se que ele pintava as cores, em aguarela ou em óleo, sobre os esboços que Chinnery lhe entregava, quando este cumpria os trabalhos encomendados da Companhia das Índias Orientais Inglesas que usava Macau como base dos seus lucrativos negócios com a China.   Em finais de 1840s, juntando-se ao maciço êxodo de macaenses para Hong Kong, Marciano Baptista mudou-se com a família para colónia britânica, onde foi professor no St. Saviour’s College e na Victoria Boys’ School.

As suas pinturas iniciais assemelhavam-se no estilo às do seu mestre mas, com o passar dos tempos, ele desenvolveu técnicas e feições próprias. Marciano gostava de pintar o Templo de A-Ma e existem quadros de diferentes perspectivas sobre o tema que, no parecer de peritos de arte, são as pinturas mais apreciadas.  O Museu de Hong Kong conta na sua colecção um quadro sobre esta construção histórica de Macau.  Existem também outros quadros de cenas de rua e da vida marítima da Costa do Sul da China, feitos cerca de 1850, que enriquecem a colecção do Museu de Arte de Macau.  Marciano Baptista pintou também o tecto e o altar das igrejas de Santo António e de São Lourenço.

O quadro, intitulado “A Lorcha”, vai ser agora formalmente entregue a Macau, na sessão organizada pelo Instituto Internacional de Macau, que terá lugar no Centro de Actividades Turísticas, no dia 4 de Dezembro, durante o Encontro das Comunidades Macaenses.  Filomeno Baptista, bisneto de Marciano, vai formalizar o acto da entrega, através do IIM, à Associação dos Treze Hongs para a Promoção do da Cultura e do Comércio de Macau.

Uma vez recuperado, o quadro vai ser exposto num Museu privado que está a ser montado em Macau pela referida Associação, na zona do Patane, em cujos cais, nos tempos remotos, atracavam os barcos de comércio que iam e vinham de Cantão, transportando os familiares daqueles que negociavam com os comerciantes (“hongs”) que, durante o periodo de 1757 a 1852, detinham o exclusivo privilégio de trabalhar com as feitorias estrangeiras.

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MARCIANO BAPTISTA’S PAINTING RECOVERED FOR MACAU

A150 years old oil painting, titled “A Lorcha” (a typical local boat), is to be recovered for Macau.  This decisive piece of cultural asset of Macau, painted by Marciano Antonio Baptista, is being restored by a team of experts and will be on permanent display in a private museum that is to be set up in Macau.

The painting (of 60 by 45 cm of size) was done to commemorate the artist’s father who was skipper of the boat therein depicted.  It is part of the collective memory of the family, having decorated the dining halls of the Baptistas, through successive generations: having been inherited by Marciano Jr., it went then on to Marciano III (Naneli), and more recently to the keep of Filomeno Marciano Baptista, the great grandson of the artist.  According to its present owner, the painting “should go to Macau, the birthplace of Marciano Baptista, or to Portugal”, to “an institution that could take care of and exhibit it properly”.

Marciano António Baptista (1826-1896), regarded as the best Macau painter of the 19th century, had learned the western painting technique with the Irishman, George Chinnery, becoming his disciple when this gentlemen, fleeing away from his creditors, settled down in Macau.  It is said that Marciano painted on the colours, water or oil, over the sketches which Chinnery was working on orders made by the British East India Company that used Macau as headquarters of their profitable China trading.  By the end of the 1840s, Marciano Baptista moved with his family to the Hong Kong, joining the mass exodus of macanese people to this British Colony, where he taught at St. Saviour’s College and at Victoria Boys’ School.

His initial paintings looked like in style to those of his master but later on he developed his own technique and style.  Marciano fancied painting the A-Ma Temple and there are works with different perspectives about this topic which, in the opinion of art experts, are the most appreciated.  The Hong Kong Museum has in its collection a painting about this historical building of Macau.  There are other paintings depicting street and boat scenes of the South China Coast, done around 1850, which figure in the collection of the Macau Art Museum.  Marciano Baptista painted also the ceiling and the altar of the St. Anthony and St. Lawrence churches in Macau.

The painting “A Lorcha” will now be formally donated to Macau, in the session organized by the International Institute of Macau which will take place at the Tourist Activities Centre (“Centro de Actividades Turísticas”), on December 4, during the Gathering of the Macanese Communities (“Encontro das Comunidades Macaenses 2013”).  Filomeno Baptista, Marciano’s great grandson, will make a formal donation, through IIM, to the Association of Thirteen Hongs for Promoting the Culture and Trade of Macao

Once restored, the painting will be displayed in a private museum which is being set up in Macau by the said Association, in Patane, Inner Harbour.  In those days, relatives of the foreign merchants engaged in the China trade used to live in the area, close by the piers where the trading ships sailed out to and from Canton, when official business was confined to a group of merchants (”hongs”) who during the years of 1757 to 1852, held the exclusive privilege to work with foreign factories.

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Publicado às 02/12/2013 por em Marciano Baptista e marcado , , .

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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