Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo

A complementar a postagem anterior (veja aqui) sobre o Museu de Arte Sacra de São Paulo, nesta postagem, imagens de parte do seu acervo cm descrições do museu  e histórico extraído da Wikipedia.

Museu de Arte Sacra de São Paulo

Museu de Arte Sacra de São Paulo

O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo

(texto da Wikipedia)

Caracterização

O Museu de Arte Sacra de São Paulo conserva uma das mais importantes coleções de arte sacra do Brasil, alinhando-se entre os principais museus dessa tipologia no continente americano. Possui um vasto conjunto de imagens sacras, capazes de apresentar a evolução dessa tradição escultórica no Brasil ao longo de toda sua história e por meio de seus principais autores. Possui também coleções de altares, oratórios, prataria e ourivesaria religiosas, jóias, mobiliário, pinturas, entre outros, num total de aproximadamente 4.000 peças, majoritariamente produzidas entre os séculos XVI e XX.

O museu também abriga outras duas coleções especiais. O Museu dos Presépios, com 120 exemplares de várias épocas e procedências, destacando-se o Presépio Napolitano, formado por 1.620 peças do século XVIII. É um dos três mais importantes conjuntos desse tipo no mundo. Também há a Coleção de Numismática, com 9.000 peças do período colonial, entre moedas e medalhas. Por fim, o museu abriga uma importante biblioteca, com alguns milhares de volumes, onde se encontram desde partituras do período colonial a raros livros litúrgicos do século XVI.

Fotografia de/photos by Rogério P.D. Luz – Clicar nas imagens para ampliar

Acima – da esquerda: São Jorge em madeira dourada de século 18, de Portugal / direita: N.Sra. do Rosário em madeira policromada, do século 18

esq.: Santo Inácio de Loyola em madeira entalhada e policromada, século 17 / dir.: Santa Bárbara em madeira policromada, século 18, de Lisboa-Portugal

São Miguel Arcanjo e oratório de embutir na parede em madeira policromada e dourada, século 18, de Minas Gerais

esq.: busto de Jesus de Cana Verde em madeira policromada e dourada, século 18-19 / dir.: Cristo da Ressurreição em madeira policromada, século 18, de Itú-S.Paulo

Imaginária

Dentre as formas de arte desenvolvidas no Brasil durante o período colonial, a estatuária sacra ocupa um lugar de destaque, sendo amplamente produzida em quase todos os territórios habitados do país entre os séculos XVI e XVIII. O Museu de Arte Sacra possui exemplares da imaginária de todo esse período, com especial ênfase na estatuária paulista, e com obras representativas de outros centros de produção, especialmente Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. A estatuária estrangeira está representada em peças avulsas, destacando-se um conjunto de obras de Portugal e um belo par de serafins napolitanos de inspiração rococó.

Na sala dedicada aos monges beneditinos, o museu conserva diversas obras representativas dos pioneiros da estatuária brasileira. Destacam-se o Santo Amaro, de frei Agostinho da Piedade, e a bela imagem de Nossa Senhora da Purificação, obra-prima de frei Agostinho de Jesus, em que a virgem é representada em feições de adolescente. Também de Agostinho de Jesus é a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres. De Aleijadinho, célebre pelas obras em pedra-sabão, o museu conserva dois belos exemplares talhados em madeira: Nossa Senhora das Dores e Sant’Ana Mestra, ambas do século XVIII. Há ainda um par de anjos em voo do Mestre Valentim, e São Bento, de Manoel da Silva Amorim, entre outros.

Como reflexo da própria divisão do trabalho à época, a maior parte das esculturas é, no entanto, de autoria desconhecida. Mas também dos mestres anônimos há obras exponenciais, cabendo citar a bela Virgem do Carvoeiro – um dos primeiros exemplares de imaginária produzida em território brasileiro -, a seiscentista Nossa Senhora do Bom Parto, o Crucifixo proveniente do Recolhimento de Santa Teresa, e a raríssima representação de São Pedro investido dos atributos papais, peça em tamanho natural produzida em Portugal no século XVIII. Há também o conjunto da Iconografia da Paixão, que, por sua expressividade berniniana e rico modelado, chegou a ser atribuído a Francisco Xavier de Brito, importante escultor mineiro. Sabe-se hoje que o conjunto foi executado em Itu, no século XVIII.

esq.: Cristo da Setença em madeira esculpida e policromada, século 18 / dir.: Oratório “Dito Pituba – Benedito Amaro de Oliveira” em madeira (caixa de bacalhau), séc.19

esq.: São José em madeira policromada, século 18 / dir.: N.Sra. das Dores de Antonio Francisco Lisboa “Aleijadinho” em madeira policromada, século 18

São José das Botas e oratório em madeira policromada, século 18

dir.: Natividade, óleo sobre tela de Ludovico Carracci (cópia de quadro de Antonio Allegri Correggio), século 16-17 / dir.: Presépio de autor desconhecido, material: serragem, seda e palha de arroz, do Japão, século 20

direita: Nossa Senhora com Menino em barro cozido e policrimado, século 17, de Itú-SP

Arte religiosa popular

O Museu de Arte Sacra possui um conjunto de peças características da produção religiosa popular brasileira, datadas majoritariamente dos séculos XVIII e XIX. Diversos centros de produção encontram-se representados (Minas Gerais, Bahia, Portugal), embora a maior parte das obras provenha de “santeiros” paulistas – artesãos anônimos que trabalhavam reproduzindo de forma indefinida os modelos da torêutica erudita, introduzida em São Paulo por Frei Agostinho de Jesus. Destinadas à devoção privada (veneração em nichos e oratórios domésticos), usando barro ou madeira como suporte, essas imagens dão testemunho da diversidade e miscigenação que marcam a evolução das técnica artesanais no Brasil.

Destaca-se o grande número de “paulistinhas” (pequenas imagens sacras em barro, típicas da produção popular de São Paulo durante o século XIX), em que sobressai a influência da imaginária lusitana. Outro conjunto de relevo é o de imagens esculpidas em nó de pinho – outra tradição paulista, tributária, por sua vez, da influência africana, fruto do sincretismo religioso observado após a chegada em grande número de escravos trazidos para trabalhar nas plantações de açúcar. O museu conserva ainda centenas de exemplares de imagens do Divino, oratórios de parede e peanhas. Possui diversas obras de Benedito Amaro de Oliveira, o Dito Pituba, famoso artesão oitocentista ativo em Santa Isabel.

esq.: São Pedro Papa em madeira policromada e dourada, século 18, de Portugal / dir.: Porta-Toalhas de Sacristia em madeira, ferro pintado e barro cozido e policromado, século 18

Armário-Oratório em madeira policromada, século 18

Altar da Fazenda Piraí em madeira policromada e do século 17, com imagem de Santa Bárbara de barro cozido e policromado, século 17, ambos provenientes de Itú

esq.: Nossa Senhora de Conceição em madeira policromada, século 18, de Portugal / dir.: Senhor Morto, em madeira (cedro), século 18

esq.: Cristo Morto em madeira policromada, século 18, proveniente da Capela do Mosteiro da Luz-SP / dir.: Fragmento de retábulo de altar (arco) em madeira entalhada e dourada, século 17, e Divino Espírito Santo em madeira policromada, dourada e prateada, século 17

Mobiliário

Outro núcleo de destaque do acervo do museu é o setor de mobiliário, composto por peças provenientes de sacristias e residências episcopais, de presbitérios e coros. Encontram-se vastos conjuntos de arcas e arcazes, bancos, canastras, mesas, cofres, relógios-carrilhão, estantes de coro, mochos, cadeiras de Estado, credências e genuflexórios, reunidos segundo critério cronológico ou estilístico, atestando o florescimento da marcenaria eclesiástica nos períodos colonial e imperial.

esq.: Armário em madeira entalhada e dourada, século 18 e restaurada no século 20, origem de Missões Jesuíticas de Chiquitos, Bolívia. Direita: Peanha com Dossel em madeira policromada, século 18.

Pintura

O setor de pintura do Museu de Arte Sacra conserva um vasto núcleo de obras, provenientes do Brasil e de outros países, abarcando uma grande diversidade de temas e tendências pictóricas. São peças de pintores anônimos e obras produzidas por artistas renomados, executadas entre os séculos XVI e XX.

Destaca-se o expressivo conjunto de pinturas do período colonial, com belos exemplares da pintura barroca mineira, que documentam a evolução artística da província durante o ciclo do ouro. Merecem menção os painéis Batismo de Jesus e São Francisco de Paula, tributários da tradição estabelecida por Manuel da Costa Ataíde. Há um núcleo de pinturas coloniais paulistas, destacando-se os os imponentes retratos ovais dos Quatro Evangelistas, atribuídos a Frei Jesuíno do Monte Carmelo, destacado mestre ituano. É de grande importância também a série dos Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos, do baiano Bento José Rufino Capinam, documentando já no século XIX o prolongamento dos padrões estéticos coloniais.

No segmento referente à arte acadêmica brasileira, sobressai o vasto conjunto de telas de Benedito Calixto, com destaque para a emblemática representação do Naufrágio do Sírio, e diversas paisagens urbanas da capital e do litoral paulista, encomendadas por Afonso Taunay. Merecem também menção o Retrato de Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade por Simplício Rodrigues de Sá e outras obras de Jorge Pinto Vedras, Henri Benard e Almeida Júnior. No núcleo de pinturas modernas e contemporâneas, destacam-se a grande tela Ressurreição de Lázaro, de Anita Malfatti, e Santo Onofre, de Aldo Bonadei, e outras obras de Paulo Cláudio Rossi Osir, Galileo Emendabili e Samson Flexor, além da série Via Sacra do pintor naïf José Antônio da Silva.

A pintura estrangeira encontra-se representada em peças avulsas, cabendo menção a um grupo de obras da América Andina (Escola de Cuzco e da Ouvidoria de Quito). Há também um pequeno conjunto de pinturas italianas, onde se destacam a Sacra Conversação da escola de Francesco Solimena e uma madona atribuída a Paolo Veronese. Completam a coleção de pinturas do museu a Galeria dos Bispos Diocesanos (com retratos de titulares da Sé paulista produzidos entre a segunda metade do século XVIII e meados do século XX) e uma série de retratos das famílias reais portuguesa e brasileira.

esq.: Igreja do Brás em 1860, óleo sobre tela de Benedito Calixto de Jesus, século 19-20 / dir.: Crucifixos dos séculos 18 e 19

esq.: São Miguel em madeira policromada, século 18 / dir.: São Fracisco Xavier em barro cozido e policromado, século 17

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Publicado às 05/09/2014 por em Museu de Arte Sacra-acervo e marcado , , .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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