Cronicas Macaenses

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O embarque no trem da eternidade

O motivo da ausência de postagens neste blog por uns tempos foi a enfermidade, internação e falecimento do meu sogro Modesto Anastácio que ocorreu na manhã do dia 26 de outubro de 2014. Ele tinha 89 anos e 1/2.

A sua agonia no hospital durou três dias. Nós acompanhamos bem de perto ao seu lado. Foi a primeira vez que vivenciei tal experiência, apesar de já ter assistido o falecimento dos meus pais e dois irmãos, mas não desta forma. Praticamente o tempo que ficamos no hospital, o Modesto segurava firme, o tempo todo, na mão da sua filha, minha esposa, e ouvia palavras de carinho e até de despedida.

Sabe o que é ver uma pessoa sofrer, ouvir seguidas más notícias da evolução da sua enfermidade e não ver nenhum horizonte nem perspectiva de uma melhora e superação? Só restava pedir a Deus que aliviasse o seu sofrimento e o deixasse partir em paz.  Pela sua idade e enfermidade não havia mais condições de superar uma infecção generalizada.  Os médicos não diziam mas pelas atitudes dava para se perceber isso.

Em sua homenagem e à sua memória, escrevi o texto abaixo de uma só vez. Publiquei-o no Facebook e agora aqui no blog, no 7º dia do seu falecimento. Vimos muitos bons e saudosos comentários e curtidas, pelos quais agradecemos.

O texto inicia contando o ocorrido há exatos um ano atrás, quando ele ficou internado por 23 dias, passando vários dias em UTI, também de muita gravidade mas só que não houve a mortal infecção generalizada. Após 23 dias deitado, no primeiro trabalho de reabilitação feito pelo fisioterapeuta, ele saiu andando pelos corredores do hospital, o que surpreendeu a todos. Neste período teve várias idas e vindas de pronto socorro de hospital. As palavras seriam da boca do Modesto como numa mensagem de despedida:

clicar na imagem para ampliar

clicar na imagem para ampliar (foto do trem de minha autoria e do Modesto do seu neto Luíz Gustavo Anastácio) Pode imprimir e guardar de lembrança.

“Há um ano atrás, o trem da vida em que eu viajava, teve sérios problemas e ficou parado por 23 dias. Ameaçava não seguir mais a viagem e eu ter que descer e pegar o trem da eternidade. Mas, os mecânicos conseguiram reparar os problemas, o suficiente para voltar andar, contudo precariamente. E assim seguiu ao longo do ano, com várias paradas para os devidos reparos tendo que parar em oficinas e obtenção de ajuda de especialistas.

No entanto, na última 5ª feira passada, em 23 de outubro de 2014, voltou a apresentar graves problemas que acabaram por se alastrar para outras partes do trem da vida.  Tentaram repará-los, mas infelizmente não deu mais.

Assim, na manhã do dia 26 de outubro de 2014, tive que descer da composição e tomar outro, o trem da eternidade. E embarquei! Tomei o meu assento e senti que este trem transmitia uma paz infinita e, interessante, vi que entre os passageiros estavam muitos entes queridos e gente conhecida.  Quantas saudades e que alegria em revê-los!

Quando o trem da eternidade soou o apito e seguiu a viagem, espreitei pela janela, e vi que deixei para trás muita gente que me é querida e o carinho e amor que recebi deles. Parti com saudades e gratidão, porém consciente que um dia, como manda a lei da vida, com toda a certeza, vou voltar a vê-las.

Até um dia, mas não adeus, enquanto isso, ficam as saudades de todo amor e carinho que senti ao longo da minha vivência no trem da vida. Beijos e abraços, que Deus os abençoe! Modesto Anastácio”

 

 

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Informação

Publicado às 01/11/2014 por em Modesto no trem da eternidade e marcado .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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